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Apologética alertas diante das heresias
Apologética alertas diante das heresias

                                                        Heresia (2 Pe1-2)

 

As similaridades entre o segundo capítulo desta carta e a epístola de Judas são tão grandes e óbvias, que quase todos os eruditos admitem que um deles copiou do outro. Alguns crêem que Judas copiou de 2 Pedro; mas, a maioria afirma que o presente capitulo foi tomado por empréstimo da epístola de Judas. 

 

"O livro de Judas era peça literária conveniente como base, porquanto o autor sagrado desta epístola desejava mostrar que os falsos profetas, referidos no A.T., podem ser reputados como progenitores espirituais dos hereges gnósticos da Ásia Menor; o material da epístola de Judas, que também ataca o gnosticismo, contém muitas declarações que se adaptam bem a esse tema. Posto que na antiga dispensação havia profetas falsos, não é de surpreender que encontremos, na igreja moderna, elementos falsos, que procuram introduzir doutrinas perniciosas no cristianismo. O capítulo segundo desta epístola é uma exposição sobre a depravação, a falsidade e a natureza destruidora da heresia gnóstica. 

2:1:     Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá faltos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até e Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. 

O sistema gnóstico era a suposta descrição de um meio de salvação. Pintava o homem como criatura decaída, necessitada de ajuda para retornar a Deus. Mas o caminho de retorno era, pelos gnósticos, tido como possível por uma sucessão quase interminável de seres angelicais secundários, todos eles mediadores de alguma maneira. Os gnósticos esperavam que, mediante o «conhecimento», os homens pudessem ser salvos. Mas o conhecimento deles vinha mesclado com o ascetismo, com a licenciosidade, com as artes mágicas e com os ritos secretos de um misticismo falso. Este versículo e Cl 1:20 e ss. mostram que quase todos os gnósticos negavam a doutrina da «expiação» de Cristo como algo que tem valor para o retorno do homem a Deus. Para eles, Cristo não era um Salvador todo-suficiente. Ele seria apenasum outro dos «aeons», que contribuiria com os demais para a salvação do homem. Alguns gnósticos viam em Cristo o mais elevado dos «aeons» e também o Deus criador deste mundo, havendo, naturalmente, muitos outros mundos, com outros tantos deuses e salvadores. Mas alguns gnósticos nem ao menos atribuíam tão elevada posição a Cristo. Eis por que passagens como Jo 1:1-3; Cl 1:15 e ss.; e Ef 1:19 e ss. afirmam tão incisivamente que somente Cristo é o criador de todos os mundos possíveis. E é também por esse motivo que Cl 1:20 e ss. mostra que Cristo é o único Salvador. E é também por isso que 1 Tm 2:5 declara que há «um só Deus» e também «um só mediador» entre Deus e os homens. Os gnósticos negavam a ambas essas proposições. Todas as passagens mencionadas rebatem declarações dos mestres gnósticos. Essa heresia assediou a igreja cristã pôr cerca de cento e cinqüenta anos. 

«...falsos profetas...» O autor sagrado passa agora a mostrar que não nos devemos surpreender se falsos mestres surgirem no cristianismo. No antigo Israel também surgiram falsos profetas entre o povo. Isso subentende que, em qualquer era, a comunidade religiosa contará com elementos radicais e falsos, destruidores da fé e do bem-estar espiritual. (Ver Dt 13:1-5; 18:20; Jr 5:31; Ez 13:3 e Lc 6:26 quanto a referências a tais indivíduos, que viveram nos tempos vetotestamentários). Balaão é especificamente mencionado no décimo quinto versículo deste capítulo, fazendo paralelo com a referência em Jud. 11. Ele é um exemplo de profeta falso; e o autor sagrado assevera que haverão muitos iguais a ele nas igreja do N.T. 

«...entre vós falsos mestres...», a saber, como os gnósticos que provocavam dificuldades nas igrejas da Ásia Menor. Esses eram «filhos espirituais» dos profetas falsos do A.T., e eram tão depravados e perniciosos como aqueles. Indiretamente, o autor sagrado vincula as comunidades religiosas da antiga e da nova dispensação, dando a entender que a nova é a continuação da antiga. Ora, isso os gnósticos também negavam. Alguns deles admitiam que vários dos profetas do A.T. seriam homens «psíquicos», isto é, dotados de espiritualidade secundária, passíveis de um baixo grau de redenção e glória; mas os gnósticos se imaginavam os «pneumáticos», isto é, homens espirituais em elevado grau, capazes de receber a mais elevada redenção, a saber, a reabsorção na própria essência, com a perda da personalidade, em que o ego se tornava então o superego. Os «psíquicos» seriam remidos através da «fé», ao passo que os «pneumáticos» o seriam através do «conhecimento», o que, na concepção dos gnósticos, era superior à fé. E à maioria dos homens os gnósticos classificavam como «hílicos», isto é, «terrenos», totalmente incapazes de serem remidos, porquanto estavam assoberbados pela «matéria», o «princípio do mal», nunca podendo desvencilhar-se dela, pelo que deveriam perecer juntamente com a matéria, em meio a grande conflagração. 

A passagem de 1 Tm 1:4 contradiz essas idéias gnósticas, mostrando-nos que a vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos. Daí se infere que todos os homens podem ser remidos. Pelo que se tem dito aqui, pode-se ver que razões há para chamar os gnósticos da Ásia Menor de «falsos mestres». Além de seus erros doutrinários, eles se mostravam ascetas ou libertinos, ou seja, negavam o bom senso da ética cristã. A variedade gnóstica que perturbava as igrejas da Ásia Menor era a variedade libertina, conforme este capítulo passa a mostrar. 

«...dissimuladamente heresias destruidoras...» Alguns tradutores prefe­rem dizer aqui «secretamente»; e outros dizem «em particular». Os métodos de ensino dos gnósticos eram subversivos. Nunca entravam em uma comunidade declarando em que criam. Mostravam-se astutos, procurando firmar o pé, antes de dizerem sua posição. O termo grego «pareisago» indica «trazer secretamente», «trazer maliciosamente». A metáfora tencionada é a de um «espião» ou «traidor», cujo propósito é o de prejudicar ou destruir, que oculta o seu verdadeiro intento. (Comparar com o quarto versículo da epístola de Judas—os falsos mestres «...se introduziram com dissimula­ção...», isto é, sem serem percebidos ou temidos da parte de pessoas simples e inocentes, que confiavam demais nos outros). 

«...heresias...» O vocábulo grego «airesis» vem do verbo que significa «escolher», ou seja, indica, basicamente, «selecionar uma doutrina ou uma atividade». (Ver At5:17; 15:5 e 26:5). No grego antigo, essa palavra era usada para indicar qualquer «seita», como a dos fariseus, a dos saduceus, etc., dando-lhe um sentido em coisa alguma negativo. Gradualmente, porém, o sentido negativo foi sendo atribuído ao termo. Ficou assim subentendido que tal «escolha» diferia da escolha normal dos cristãos. O primeiro uso da palavra, no N.T., descreve homens «facciosos» na igreja, por razão de busca pessoal de poder e egoísmo. Muitos existem que possuem credos ortodoxos, mas que, de acordo com o ponto de vista do N.T., são «hereges». Todos quantos causam divisões, criando denominações e erigindo para si mesmos pequenos reinos, difamando a outros em suas prédicas e se envolvendo em «lutas de poder» na igreja ou suas organizações, de acordo com essa definição, são «heréticos». (Ver 1 Co 11:19 e Gl 5:20). 

No presente versículo, porém, certamente está também em foco um sentido que essa palavra adquiriu posteriormente. Os gnósticos causavam divisões, mas também «preferiam» um sistema doutrinário contrário ao do cristianismo moral, sendo assim «hereges» no exato sentido em que esse vocábulo tem na atualidade. Defendiam doutrinas não-ortodoxas, criando uma mensagem que não era a boa mensagem cristã. 

«...destruidoras...» Essencialmente por causa da vil posição a que reduziam a pessoa e a obra de Cristo. Para os gnósticos, em sentido algum Cristo era «ímpar», como «o Filho de Deus», pois seria apenas uma, dentre muitas emanações angelicais ou «aeons», um, dentre muitos mediadores e salvadores. A obra de Cristo seria significativa, mas não sem-par. Evidentemente, não viam valor em sua morte como expiação definitiva pelo pecado. Imaginavam que a destruição do corpo físico é que os libertaria do pecado, e de que agora a alma é libertada de seus maus resultados através de ritos mágicos. Quanto à ética, os gnósticos combatidos nesta epístola se mostravam totalmente licenciosos. Eles «puniam» o corpo com a depravação, pois imaginavam que tal ação cooperaria com o desígnio do sistema do mundo, que visaria destruir eventualmente o corpo, a fim de libertar a alma, permitindo-lhe o seu vôo para a realidade última. Portanto, suas doutrinas éticas transtornavam a conduta cristã apropriada, levando os homens para longe de Deus, e não para perto do Senhor, pois «sem a santificação, ninguém verá a Deus» (Hb 12:14). 

«...renegarem o Soberano Senhor que os resgatou... » Os gnósticos negavam que Cristo é «soberano» no sentido afirmado pelo cristianismo normal, fazendo dele apenas um dos «aeons». Para eles, Cristo não era «Senhor» em qualquer sentido veraz, porque seria apenas um senhor entre muitos. Mas o trecho de Cl l:15 e ss. expõe vários pontos da superioridade de Cristo, e essa passagem foi escrita especificamente para definir o «senhorio» de Cristo, em contraste com a posição secundária que os gnósticos atribuíam a ele. O termo aqui usado no grego é «despotes», traduzido aqui por «Senhor». E esse era o vocábulo que os gnósticos davam ao governante absoluto. Dentro do sistema deles, havia muitos senhores angelicais, as emanações divinas ou «aeons», muitos dos quais tinham áreas sobre as quais governavam. E os gnósticos não tinham Cristo como o Senhor dos anjos, conforme se aprende em Ef 1:19 e ss. e Cl 1:16. Esse vocábulo é usado por dez vezes no N.T.; por cinco vezes com o sentido de «senhor de uma casa», o governante absoluto de um clã. Ao referir-se a Deus, indicava Deus como o dirigente absoluto do universo. (Ver Lc 2:29 e At 2:24 quanto a esse vocábulo usado para indicar «Deus». Comparar com Cl 2:19 quanto ao fato que os gnósticos não reputavam Cristo como «o Cabeça»). 

«...os resgatou...» O grego diz aqui «agoradzo», «comprar». (Comparar com 1 Pe 1:18,19, onde se vê que é o «sangue de Cristo» que compra, embora ali tenha sido usado um termo grego diferente do daqui. Assim sendo, a negação feita pelos gnósticos tinha algo a ver com a rejeição da expiação de Cristo como elemento de valor no plano de redenção. Eles pensavam que poderiam livrar-se do pecado abusando do corpo, promovendo a fuga da alma para o campo da realidade final, mediante ritos mágicos, conhecimento para os iniciados—um falso misticismo. Tudo isso, segundo a concepção deles, eliminava a necessidade de expiação pelo pecado, segundo o N.T., ensina. A maioria dos gnósticos tinham o ponto de vista «docético» sobre Cristo, isto é, que a sua natureza humana seria ilusória; sua vida como homem seria apenas um «ato» fingido da parte de um «aeon» qualquer; e os sofrimentos de Cristo não teriam sido reais, o que eliminava mais ainda qualquer valor em sua expiação. Essa é a idéia de expiação, subentendida no presente versículo. Cristo torna os homens propriedades suas, mediante o valor de seu sangue vertido. 

Não precisamos estender a metáfora a ponto de perguntar «para quem» foi pago o preço. Alguns têm imaginado que o preço foi pago para «Satanás», e outros pensam que o foi para «Deus», como que para aplacá-lo e tirar-lhe da mente a idéia de julgar aos homens. A metáfora usada não precisa ser desenvolvida a esse ponto; e, se assim o fizermos, cairemos em problemas teológicos. (Ver Hb 10:29; onde são mencionados aqueles que pisavam ao Filho de Deus e profanavam o sangue do pacto, através do qual tinham sido consagrados). 

«...repentina destruição...» O fim de tais heréticos é a perdição, e não a salvação, embora totalmente imaginassem que seu sistema, por eles mesmos criado, pudesseleválos à salvação. (Comparar isso com Judas 4,15,17). A condenação dos hereges é certa e terrível, sendo pintada como algo que subitamente lhes sobrevirá. (Ver Cl 3:6). No presente versículo, mui provavelmente, o autor pensava sobre a «parousia» como aquele acontecimento que trará súbita perdição para os hereges; e ele esperava tal acontecimento para seu próprio período de vida terrena, conforme fica demonstrado no terceiro capítulo desta epístola. Seja como for, conforme Deus computa o tempo (ver 2 Pe 3:8), esse acontecimento e a subseqüente perdição eterna dos heréticos não podem estar mesmo longe. 

«Há um melancólico humor na advertência que todo aquele que introduz heresias destruidoras na igreja, traz súbita perdição para si mesmo, 'reservados para o dia do juízo e destruição dos homens ímpios' (2 Pe 3:7). O jogo de palavras com o termo grego 'apoleia' (perdição) é intencional e eficaz». (Barnett, in loc).

Se este versículo não ensina outra coisa, pelo menos ensina que Cristo soluciona, em favor do crente, o problema de lealdade. Ser alguém cristão é ter a Jesus como seu Senhor; e ninguém tem a Cristo como seu Salvador se também não o tem como seu Senhor e vive de modo a ser uma comprovação desse fato.

 

2:2: E muitos seguirão as suas dissoluções e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; 

É impossível alguém salientar em demasia o imperativo moral do evangelho. Ele nos ensina que a verdadeira santidade, produzida pelo processo santificador, é imprescindível para a salvação. (Ver 2 Ts 2:13, que declara exatamente isso; e ver 1 Ts 4:3 quanto a «santificação»). Na vida do crente, a santidade deve ser algo mais do que meramente «forense», ou seja, envolve mais do que o decreto divino que nos declara santos em Cristo. Também deve tornar-se uma realidade vivida diariamente. O trecho de Rm 3:21 mostra que o crente deve vir a participar da própria santidade de Deus. E isso não é mero ideal teológico; é mister que se torne uma realidade na vida do crente. Por essa razão é que o Senhor Jesus ordenou-nos ser «santos como é santo vosso Pai celestial» (Mt 5:48). De fato, não pode haver salvação sem essa santidade. (Ver Hb 12:14). A salvação pode ser comparada a uma corrente com vários elos. Acha o homem em qualquer lamaçal onde ele se encontra submerso. Desce até qualquer nível de depravação. É nesse ponto em que o indivíduo pode começar a confiar em Cristo, experimentando a conversão. Porém, a corrente de ouro da salvação não nos abandona ali e nem meramente declara que somos santos, se de fato não o somos. Pelo contrário, o homem sai da masmorra e segura firme o elo da santificação. Por intermédio disso ele é levado até à «glorificação», ao elo da corrente de ouro que atinge a realidade final, aos lugares celestiais (Ef 1:3). Sem esse elo da santificação interrompe-se a corrente e a salvação não pode tornar-se uma realidade. 

Exatamente nesse ponto é que os gnósticos tanto falhavam. Transformavam a santidade cristã em licenciosidade. Imaginavam que toda a forma de depravação corporal ajudaria a destruir o corpo; e eles pensavam que o corpo físico é a sede do pecado, por participar da matéria, o princípio pecaminoso, segundo eles pensavam. Daí supunham tolamente que um homem pode abusar de seu corpo mediante várias depravações, especialmente de natureza sexual, sem que a alma em nada fosse prejudicada. Portanto, os gnósticos não entendiam que tanto a alma como o corpo são santos, e que tanto a primeira como este último serão finalmente remidos (ver 1Co 15:20,35,40). Portanto, o trecho de Rm 12:1,2 retrata a santidade como algo obtido mediante a apresentação do «corpo» a Deus, como um sacrifício vivo. 

O que sucedia no sistema gnóstico é que a antiga ética paga veio a ser aceita como prática oficial, através dessa distorção teológica. O vício e o pecado se tornaram a prática oficial e aceita, mediante o truque sofista que a depravação ajuda na destruição do corpo, e que isso é recomendável. Os gnósticos, por conseguinte, haviam desistido da batalha moral, tendo divorciado a santificação da inquirição espiritual. (Isso pode ser confrontado com o trecho de 2 Tm 3:6, que afirma: «Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões»). Os «falsos mestres» incluíam, em suas doutrinas, que a licenciosidade sexual é benéfica para o progresso espiritual do indivíduo; sempre conseguiam encontrar certas mulheres, nas igrejas, dispostas a se submeterem a toda a forma de atos depravados, tendo aceito a posição gnóstica. 

«...será infamado o caminho da verdade...» Os próprios mestres falsos haveriam de difamar a ética cristã e sua doutrina de santidade. Mas os de fora, contemplando a igreja conduzir-se como um bordel, e seus «líderes» agindo como se fossem os gerentes do mesmo, haveriam de «zombar» do «caminho cristão», e com razão. 

Na epístola de Judas, a lassidão em questões sexuais (perversão focalizada acima de todas, neste versículo), é tratada como um correlato de heresia. (Ver Jd4,6,8,13,18 e 23). Notemos que aqui o grego usa uma forma plural da palavra aqui traduzida por «práticas libertinas», o que provavelmente indica que os falsos mestres se ocupavam de grande variedade de depravações sexuais, juntamente com outros hábitos morais duvidosos. Seus atos eram variados e freqüentemente repetidos. 

«...caminho...»A fé cristã veio a ser conhecida como «o Caminho». (Ver At 9:2; 22:4; 24:14 sobre isso). O «Caminho» seria ridicularizado por estranhos ao virem que tornava os homens ainda mais paganizados que antes. Tudo isso negaria o poder de Cristo, o qual é «...o Caminho...», no dizer de João 14:6, transformando-o em agente de depravação, e não de santidade. (Isso pode ser confrontado com o trecho de Rm 2:24, onde se vê que Paulo acusou os judeus de fazer Deus ser blasfemado entre os pagãos, devido à sua conduta, em contradição à doutrina judaica. Comparar também com 2 Co 6:3, onde Paulo exorta os líderes da igreja a terem cuidado com sua conduta, para não ser «censurado» o ministério). Se fazemos parte da igreja, e especialmente se ocupamos posição de liderança, o que fazemos afeta a avaliação de outras pessoas acerca de Cristo e da fé que ele ensinou. Somos os únicos representantes de Cristo com que algumas pessoas contam. Eles o julgam, com a sua fé, por nosso intermédio. De nada adianta dizer: «Não deveria ser assim». Esse é um fato inegável, que não se pode mudar. 

«A semelhança de Pied Pipers, suas palavras suaves engodam os que buscam o novo ensinamento, conduzindo os inocentes à lenta mas firme desintegração de suas mentes, afetos e vontades». (Homrighausen, in loa). Os falsos mestres transmutam «o Caminho» no «caminho de Balaão» (ver 2 Pe 2:15). 

«...verdade...» Temos aqui o evangelho em sua verdade ética, representado nos escritos e na predica apostólicos. Provavelmente os gnósticos exageravam e pervertiam a doutrina cristã (especialmente paulina) da «liberdade» acerca de questões indiferentes, transformando-a em libertinagem. Desse modo é que eles «deturpavam» o sentido dos escritos paulinos (ver 2 Pe 3:16). Assim também Ecumênio descreveu os nicolaitas e os gnósticos como «extremamente profanos em suas doutrinas e em sua conduta». Clemente de Alexandria fala acerca das «vidas despudoradas» dos falsos mestres, o que trazia «infâmia» contra o bom nome do cristianismo. 

2:3: também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles faraó de vos negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita.

 Este versículo é paralelo a Jd 11 e 16. Os falsos mestres abandonam o juízo correto e o senso espiritual, em troca da «obtenção» do erro de Balaão, tornando-se lisonjeadores, a fim de obterem vantagens financeiras. Os falsos mestres, se utilizam da «religião» para obterem vantagens pecuniárias. Aproveitam-se dos sentimentos religiosos de outros a fim de promoverem seu próprio enriquecimento. Jesus repreendeu os líderes religiosos do judaísmo, devido ao seu hábito de «roubarem» as casas das viúvas. Obtinham as propriedades das viúvas por meios ilegais, ou então encorajavam-nas a doarem as mesmas ao templo; e daí, o passo era bem curto, até cair tudo nas mãos deles. (Ver Mt 23:14). Quantos líderes das igrejas evangélicas ortodoxas de nossos dias tiram proveito dos sentimentos de mulheres idosas e as encorajam a «lembrarem da igreja» em seus testamentos, assim furtando a família dessas viúvas? Outros se têm enriquecido através de campanhas de evangelização e de curas, que atraem muitos milhares de pessoas. Mais de um «evangelista» de nossa época se tem feito um milionário. Portanto, é possível que pessoas «ortodoxas» se envolvam na «comercialização» da fé cristã. 

Os falsos mestres tiravam bom proveito de suas «atividades religiosas». Eles anelavam por satisfazer seus desejos físicos; cobiçavam dinheiro. A acusação de avareza é lançada contra os falsos mestres mediante os termos «...palavras fictícias...» O evangelho gnóstico, que parecia tão bom e atrativo, uma vez apanhada a atenção dos símplices, para os falsos mestres se transformava em um meio de vida, em uma fonte de ganhar dinheiro ilicitamente. O autor sagrado, pois, contrasta essa corrupta mensagem com a «verdade» (o evangelho pregado pelos apóstolos, ver o segundo versículo deste capítulo). Assim, também Paulo falou sobre homens sinceros em contraste com OS que «mercadejam» com a Palavra de Deus (ver 2 Co 2:17; comparar também com Tg 4:13). Os falsos mestres exploravam o sexo e as aventuras financeiras. Eram exploradores do corpo das mulheres que de nada suspeitavam, bem como exploradores financeiros dos discípulos que conseguiam fazer. Não admira que epístolas como as de Colossenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, 2 Pedro, Judas e as três epístolas de João tivessem sido escritas contra tais homens. É triste a situação quando homens supostamente espirituais se tornam «comerciantes, e não profetas». 

«...para eles, o juízo lavrado há longo tempo não tarda...» Isso concorda com outras passagens bíblicas que pintam o pecado como algo que Se acumula, envolvendo uma condenação necessária, até que o cálice encha e transborde, na forma de um severo e final julgamento. A acumulação de pecado não pode resultar em julgamento «tardio». Espumeja e ferve, até que resulta em julgamento. 

«O juízo é representado como algo vivo, desperto e expectante. Desde há muito o juízo deu início à sua carreira, em sua vereda destruidora; e a sorte dos anjos que caíram, e o dilúvio e a destruição de Sodoma e Gomorra foram apenas ilustrações incidentais de seu poder; e desde então não se tem mostrado tardio... “Continua avançando, forte e vigilante como quando a princípio saltou do peito de Deus, e não deixará de atingir o alvo que lhe foi apontado desde a antigüidade». (Salmond eLillie). 

«O juízo foi proferido desde a antigüidade no caso de muitos pecadores similares; não é letra morta, e também sobrevirá prontamente a esses homens». (Bigg, in loc). 

O autor sagrado tinha em mente o julgamento que será inaugurado pela «parousia», um fato que ele não via como distante. Então é que o julgamento será levado à sua plena fruição (ver o nono versículo). O presente versículo ensina, como o N.T. o faz por toda a parte, que o «julgamento» terá lugar quando da «parousia» ou segundo advento de Cristo, e não quando da morte física do individuo. embora, sem dúvida, algumas formas preliminares de julgamento se verifiquem no «mundo intermediário», tal como sucede até mesmo neste mundo. O que fica implícito em 1 Pe 4:6, em vinculação com 1 Pe 3:18-20, é que, até ao tempo da «parousia», a redenção é possível, embora sempre por intermédio de Cristo e da fé nele. 

«...não dorme...» Trata-se o julgamento de algo como que vivo, que tem um desígnio e um propósito inevitáveis. O termo aqui traduzido por «dorme» é o mesmo aplicado às virgens imprudentes da parábola de Mt 25:5. No dizer de Strachen, in loc, em Is 5:27 essa palavra «...é usada para indicar os instrumentos da ira de Deus, utilizados contra aqueles que são culpados de abusos sociais». (Este versículo pode ser comparado com 1 Tm 6:5, onde a obtenção de dinheiro é vinculada à «impiedade», como se a profissão religiosa falsa fosse meio de iniqüidade). 

A justiça é inevitável. A demora aparente não é prova de que a justiça foi esquecida neste mundo. Precisamos postular uma justiça eventual, que trará a retribuição ou o galardão. É óbvio que isso não ocorre plenamente neste mundo. Contudo, confiamos em Deus, de que ele trará isso eventualmente. De outro modo, este mundo seria governado caoticamente. Moralmente falando, deve existir Deus, porquanto somente a «divindade» pode ter inteligência e poder suficientemente profundos para saber como julgar e galardoar. Por conseguinte, a imortalidade também deve ser um fato, pois neste mundo isso não se cumpre. Assim, pois, a concretização da justiça deve esperar o mundo posterior, e os homens deverão sobreviver à morte física, a fim de poderem ser julgados. Há uma eterna lei da colheita, segundo a semeadura, a qual se aplica a todos os homens. (Ver Gl 6:7,8). Até mesmo os crentes receberão aquilo que tiverem praticado «...por meio do corpo», no dizer de 2 Co 5:10. 

Notas Bibliografia Normam Russel Champlin,enciclopédia da bíblia.

fonte www.avivamentonosul.com