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arrependimento sermão de GEORGE WHITEFIELD
arrependimento sermão de GEORGE WHITEFIELD

                   Arrependimento George Whitefield

 

GEORGE WHITEHELD, PRÍNCIPE DOS PREGADORES de campo, nasceu em Gloucester, Inglaterra, em 1714, e morreu em Newburyport, Massachusetts, Estados Unidos, em 177O. Quando menino, desde cedo evidenciou na escola capacidade dramática e locutória e, quando fa­zia o trabalho de simples ajudante na taberna de sua mãe, em Gloucester, escreveu vários sermões. Por causa de seu evidente talento e inclina­ção religiosa, aos dezoito anos Whitefield foi enviado a Oxford, onde entrou em contato com os Wesleys e uniu-se ao "Clube Santo". Embora Whitefield tivesse orado mil vezes para que o púlpito não fosse seu destino, em 1736, ele foi ordenado pelo bispo de Gloucester. Acerca do seu primeiro sermão, ele comenta: "Uns poucos escarneceram, mas a maioria dos presentes pareciam comovidos". 

Em 1738, atendendo a chamada urgente dos Wesleys, Whitefield foi para a Geórgia. Nesse estado, ele fundou o orfanato para cujo sustento ele viajava pelas colônias de toda a Grã-Bretanha. Provavelmente nenhum pregador desde os dias do apóstolo Paulo viajou tanto quanto Whitefield, pois ele fez treze viagens pelo Oceano Atlântico, numa épo­ca em que era comum uma viagem durar dois ou três meses. Na volta de sua segunda viagem aos Estados Unidos, ele ficou sabendo que os Wesleys tinham ido para o arminianismo e se retirado da comunhão deles por causa do rígido calvinismo que ele defendia. Quando a notícia acerca da morte de Whitefield ocorrida nos Estados Unidos, chegou a Londres, uma seguidora de Whitefield dirigiu-se a John Wesley após um de seus sermões e lhe perguntou se ele esperava ver Whitefield no céu. Wesley disse que não. "Ah", disse a mulher, "achei que o senhor diria isso". "Mas espere, senhora", acrescentou Wesley, "quando eu chegar ao céu, George Whitefield estará tão perto do trono que um pobre pecador como eu nunca conseguirá obter um vislumbre dele". 

Durante suas viagens itinerantes pelos Estados Unidos, Bermudas e Grã-Bretanha, Whitefield sempre estava pregando. Sua "pequena freqüência" era uma vez a cada dia da semana e três vezes no domingo. A primeira vez que Whitefield descobriu as profundas emoções que ele instigava no coração dos ouvintes, foi quando pregava a milhares de mineiros nos campos perto de Bristol e viu, no rosto enegrecido dos homens, traços brancos feitos pelo curso das lágrimas descendo pelas faces. Onde quer que pregasse, Whitefield deixava uma impres­são inesquecível. Não era só a multidão de pessoas comuns que o ouvia alegremente, mas filósofos comoHume e Franklin e atores como Foote e Garrick prestam tributo ao seu maravilhoso poder como pre­gador. Pregando certa vez numa sala de recepção para a aristocracia de Londres, ele descreveu tão vividamente um cego à beira de um precipício, que o mundano Chesterfield clamou: "Pelo amor de Deus, Whitefield, salve-o!" David Garrick lhe invejava a habilidade de pronunciar a palavra "Mesopotâmia" de certo modo que tangia os mais profundos acordes da emoção. Ele deve ter tido uma voz maravilhosa, pois Franklin, andando perto do lugar onde ele estava pregando, calculou que ele podia ser ouvido com facilidade por trinta mil pessoas. Na famosa feira de Moorfields, os espetáculos foram abandonados pelas pessoas que se aglomeravam para ouvir o grande pregador.

 Talvez o tributo mais conhecido à eloqüência de Whitefield seja a história de que quando Franklin foi ouvi-lo na Filadélfia, determinou não ofertar para a coleta e assim, provaria para si mesmo que estava acima da fraqueza dos seus compatriotas. À medida que Whitefield prosseguia, Franklin cedeu e decidiu doar as moedas de cobre que tinha; depois as de prata e, mais tarde, as de ouro; e quando a salva foi passada, Franklin derramou nela tudo o que possuía e ainda pediu a um amigo que estava perto dele que lhe emprestasse mais.

 Os sermões publicados de Whitefield não dão a concepção do domínio que ele exercia sobre as milhares de pessoas que o ouviam. Não são marcados pela lógica, nem pela penetração profunda ou análise sutil. Mas sempre soam com a nota da veemência. O prono­me da segunda pessoa é constantemente empregado, e desde o iní­cio é evidente que Whitefield tem em vista um único fim: a salvação da alma daqueles que o ouviam. O sermão "Arrependimento" é bom exemplo de como Whitefield lutava com as almas. Abaixo o sermão na integra.

 

Arrependimento por George Whitefield 

"Se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis," (Lc 13-3)

 QUANDO consideramos quão abomináveis e agravantes são as nossas ofensas à vista de um Deus santo e justo, atraindo a sua ira sobre nossa cabeça e nos fazendo viver sob sua indignação, devíamos nos dissuadir do mal, ou pelo menos buscarmos o arrependimento e não cometer mais as mesmas coisas! Porém, o homem é tão imprudente quanto à eter­nidade e tem tão pouca consideração ao bem-estar de sua alma imor­tal, que ele pode pecar sem pensar que tem de prestar contas de suas ações no Dia do Julgamento. Se ele, por vezes, reflete sobre seu comportamento, isso não o dirige ao verdadeiro arrependimento. Ele pode, por pouco tempo, abster-se de cair em alguns pecados grossei­ros que ultimamente vinha cometendo; mas quando a tentação vem de novo com poder, ele é levado pela concupiscência; e assim vai prometendo e resolvendo, e quebrando suas resoluções e promessas quase no momento seguinte em que as faz. Isto é altamente ofensivo a Deus; é escarnecer dEle. Meus irmãos, quando a graça nos é dada para que verdadeiramente nos arrependamos, nós nos voltamos com­pletamente a Deus; e rogo-lhes que se arrependam dos seus pecados, pois o tempo se apressa em que vocês não terão tempo, nem chama­da ao arrependimento; não há nada na sepultura para onde vamos. Mas não tenham medo, pois é freqüente Deus receber o maior peca­dor à misericórdia pelos méritos de Cristo Jesus. Isto aumenta as ri­quezas da sua graça generosa; e deveria ser um incentivo a vocês, que são grandes e notórios pecadores, para que se arrependam, pois Ele terá misericórdia de vocês, se vocês se voltarem a Ele por Cristo. 

O apóstolo Paulo foi eminente exemplo disso. Ele fala de si mesmo como o principal dos pecadores, e declara como Deus lhe mostrou misericórdia. Cristo ama mostrar misericórdia aos pecadores, e se vocês se arrependerem, Ele terá misericórdia de vocês. Mas como nenhuma palavra é tão sujeita a enganos quanto o arrependimento, eu:

 

I        Mostrarei a vocês qual é a natureza do arrependimento.

II       Considerarei as várias partes e causas do arrependimento.

III      Darei a vocês algumas razões por que o arrependimento é necessário para a salvação. E

IV      Exortarei vocês, grandes e pequenos, ricos e pobres, uns aos outros, a buscarem o arrependimento.

 I. O arrependimento, meus irmãos, em primeiro lugar quanto à natureza, é a disposição carnal e corrupta dos homens que é mudada numa disposição renovada e santificada. O homem que de fato se arrependeu é verdadeiramente regenerado; é uma palavra diferente para a mesma coisa. A mistura heterogênea de animal e Diabo aca­bou; há uma nova criatura forjada em seu coração. Se o arrependi­mento é verdadeiro, vocês são inteiramente renovados, na alma e no corpo; o entendimento é iluminado com o conhecimento de Deus e do Senhor Jesus Cristo; e a vontade, que era teimosa, obstinada e odiava todo o bem, é obediente e submissa à vontade de Deus. Quando vocês se voltam ao Senhor pelo arrependimento evangélico, então a vontade é mudada; a consciência, agora endurecida e entorpecida, é avivada e despertada; o coração duro é derretido e seus afetos incontroláveis são crucificados. Assim, por esse arrependimento, a alma é completamente mudada; vocês terão novas inclinações, novos desejos e novos hábitos.

 Vocês verão o quanto somos vis por natureza — o que exige tão grande mudança a ser feita em nós, para que nos recuperemos desse estado de pecado —, e, por conseguinte, a consideração de nosso estado terrível deveria nos fazer zelosos com Deus para mudarmos nossa condição, e que a mudança implica no verdadeiro arrependi­mento. Meus irmãos, tenham em conta o quanto os seus caminhos são odiosos a Deus, enquanto vocês permanecem no pecado; quão abomináveis vocês lhe são, enquanto prosseguem no mal. Não se pode dizer que vocês sejam cristãos enquanto odeiam Cristo e seu povo; o genuíno arrependimento os mudará completamente, a incli­nação da sua alma mudará; vocês se deleitarão em Deus, em Cristo, na sua Lei e no seu povo. Vocês acreditarão que há tal coisa como sentimento interior, ainda que agora o considerem loucura e fanatis­mo, vocês não terão vergonha de serem tolos pela causa de Cristo; vocês não considerarão que estão sendo ridicularizados; o fato de serem apontados e recebidos com altos brados de: "Vem vindo outro rebanho de seus seguidores!", não os intimidará. Não, sua alma abominará tais procedimentos. O caminho de Cristo e seu povo serão sua delícia plena.

 É a natureza de tal arrependimento fazer uma mudança, e a maior mudança que pode ser feita na alma. Assim, vocês percebem o que implica o arrependimento em sua natureza; denota uma aversão a todo o mal e um abandono dele. Agora prosseguirei,

 II. Mostrando-lhes as partes do arrependimento e as causas que concorrem a ele.

 As partes são: a tristeza, o ódio e um abandono completo do pecado.

 Nossa tristeza e pesar pelo pecado não surgem meramente de um medo da ira, pois se não temos outra base senão que procedem do amor-próprio e não de um amor a Deus; e se o amor a Deus não é o motivo principal do arrependimento, o seu arrependimento foi em vão e não deve ser reputado verdadeiro.

 Muitos em nossos dias pensam que o clamor: "Deus, perdoe-me!", ou: Senhor, tem misericórdia de mim!", ou: "Arrependo-me!", é arrependimento, e que Deus estimará isto como tal; mas, na verdade, são clamores enganosos. Não é nossa aproximação a Deus com os lábios, enquanto nosso coração está longe dEle, que Ele considera. O arre­pendimento não vem aos empurrões; não, é um ato contínuo em nossa vida: pois assim como diariamente pecamos, assim precisamos de um arrependimento diário diante de Deus para obter perdão pelos pecados que cometemos.

 Não é confessar-se pecadores, não é saber que sua condição é triste e deplorável, ao mesmo tempo em que continuam nos pecados; seu cuidado e esforços devem ser obter um coração completamente afetado com isso para que vocês se sintam criaturas perdidas, pois Cristo veio para salvar os que estão perdidos. Se vocês gemem sob o peso e fardo dos pecados, então Cristo os aliviará e lhes dará descanso.

 Até que sintam a miséria e condição perdida em que se encontram, vocês são servos do pecado e suas concupiscências, sob a escravidão e comando de Satanás, fazendo sua obra vil; vocês estão sob a maldição de Deus e sujeitos ao seu julgamento. Considerem que estado terrível será na morte, e depois do Dia do Julgamento, quando vocês serão expostos a misérias tais que o ouvido não ouviu, o coração não concebeu, e isso por toda a eternidade, se vocês morrerem impenitentes.

 Mas espero melhores coisas de vocês, meus irmãos, coisas que acompanham a salvação, embora eu fale assim. Vão a Deus em ora­ção e sejam sinceros com Ele, que pelo seu Espírito Ele os convence­rá de sua condição miserável por natureza e os fará verdadeiramente sensatos. Humilhem-se, humilhem-se, rogo-lhes, por seus pecados! Tendo passado tantos anos pecando, o que vocês podem fazer me­nos do que preocupar-se em passar algumas horas lamentando e entristecendo-se pelo mesmo e serem humilhados diante de Deus?

 

Olhem para trás em sua vida, chamem à memória os pecados cometidos, tantos quantos possam; os pecados da mocidade como também os dos anos mais recentes. Vejam como vocês se afastaram do Pai gracioso e perambularam pelo caminho da maldade, no qual se perderam, como também ao favor de Deus, o consolo do seu Espírito e a paz de consciência. Então vão e implorem o perdão do Senhor, pelo sangue do Cordeiro, pelo mal que cometeram e pelo bem do qual se omitiram. Considerem igualmente a hediondez dos seus pecados; vejam com que circunstâncias tão agravantes os seus pecados são tratados, o quanto vocês abusaram da paciência de Deus, que deveria tê-los levado ao arrependimento; e quando descobrirem que seu coração está endurecido, implorem a Deus que o amoleça. Chorem vigorosamente diante dEle e Ele tirará o coração de pedra e lhes dará um coração de carne.

 

Tomem hoje a decisão de deixar todas as suas concupiscências e prazeres pecaminosos; renunciem, abandonem e abominem seu anti­go curso de vida pecadora, e sirvam a Deus em santidade e justiça pelo resto de suas vidas. Se você chora e lamenta os pecados passa­dos e não os abandona, seu arrependimento é em vão; você está escarnecendo de Deus e enganando a própria alma. Você tem de despir-se do velho homem, com suas ações, antes de vestir o novo homem, Cristo Jesus.

 Vocês que eram xingadores e blasfemos; vocês que eram prostitu­tas e bêbedos; vocês que eram assaltantes e ladrões; vocês que até hoje seguem os prazeres pecaminosos e as diversões da vida, rogo-lhes, pelas misericórdias de Deus em Cristo Jesus, que não mais continuem assim, mas abandonem os caminhos maus e se voltem ao Senhor. Pois Ele espera para ser gracioso para com vocês, Ele está pronto, Ele está disposto a perdoá-los de todos os pecados; mas não esperem que Cristo os perdoe do pecado, quando vocês incorrem nele e não se refreiam em obedecer as tentações. Mas se vocês forem persuadidos a se privar do mal e escolher o bem, a se voltar ao Senhor e se arrepender da maldade, Ele prometeu que os perdoará abundantemente, Ele curará sua apostasia e os amará com toda liberalidade. Decidam agora neste dia não se interessar mais em seus pecados para sempre; abandonem seus antigos caminhos e vocês serão separados; vocês têm de decidir-se contra o pecado, pois não há verdadeiro arrependimento sem a resolução de abandoná-lo. Decidam por Cristo, decidam contra o Dia­bo e suas obras, e prossigam lutando as batalhas do Senhor contra o Diabo e seus emissários: ataquem-no nas fortalezas mais fortes que ele tem, lutem contra ele como homens, como cristãos, e logo vocês descobrirão que ele é covarde; resistam a ele, e ele fugirá de vocês. Estejam determinados, pela graça, neste propósito, e já terão dado o pri­meiro passo em direção ao arrependimento; contudo, tomem cuidado para que suas resoluções não se baseiem em suas próprias forças, mas na força do Senhor Jesus Cristo. Ele é o caminho, Ele é a verdade e Ele é a vida; sem a sua ajuda vocês nada podem fazer, mas pela sua graça que lhes fortalece, vocês serão capazes de fazer todas as coisas. Quan­to mais vocês tiverem consciência de sua própria fraqueza e incapaci­dade, mais pronto Cristo estará para os ajudar; e o que lhes podem fazer todos os homens do mundo, quando Cristo é por vocês? Não há que considerar o que eles dizem contra vocês, pois vocês terão o teste­munho de uma boa consciência.

 Decidam lançar-se aos pés de Cristo em sujeição a Ele, e em seus braços para alcançar a salvação.Considerem, meus queridos irmãos, os seus muitos convites para ir a Ele, e por Ele ser salvo. Deus "fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (Is 53.6). Deixem-me convencê-los a que, acima de tudo, escolham o Senhor Jesus Cristo, resignem-se a Ele, tomem-no em seus termos; e quem quer que seja, por maior pecador que seja, hoje à noite, em nome do grande Deus, eu lhe ofere­ço Jesus Cristo. Como vocês valorizam a vida e a alma, não o recusem, mas movam-se para aceitar o Senhor Jesus. Recebam-no inteiramente, sem reservas, pois Ele deseja atuar plenamente em suas vidas, ou, caso contrário, de modo algum. Jesus Cristo deve ser sua plena sabedoria, Jesus Cristo deve ser sua inteira justiça, Jesus Cristo tem deve ser sua inteira santificação, ou Ele nunca será sua redenção eterna.

 Mesmo aqueles que tenham sido tão maus e devassos, se abando­narem agora seus pecados e se voltarem ao Senhor Jesus Cristo. Ele os receberá e todos os seus pecados serão largamente perdoados. Por que vocês negligenciariam a grande obra de seu arrependimento? Não adiem essa ação um dia mais, porém hoje, agora mesmo, aceitem a Cristo, que lhes é oferecido livremente.

 Quanto às causas a esse respeito, a causa primeira é Deus; Ele é o Autor, nós nascemos de Deus (Jo 1.13), Ele nos gerou, o próprio Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. É Ele quem nos encoraja a buscar e a fazer a sua boa vontade. Outra causa é a graça livre de Deus, E pelas "riquezas da sua graça livre", meus irmãos, é que há muito tempo fomos impedidos de descer ao inferno; tão-somente porque as compaixões do Senhor não falham; elas são novas a cada manhã e frescas a cada noite.

 Às vezes, os instrumentos são muito improváveis; um pobre e menosprezado ministro ou membro de Jesus Cristo pode, pelo poder de Deus, ser o instrumento nas suas mãos para levar você ao verda­deiro arrependimento evangélico. Talvez isso seja feito para mostrar que o poder não está nos homens, mas que é inteiramente devido à boa vontade de Deus. Se há manifesto algum bem entre qualquer um de vocês pela pregação da Palavra, como acredito que haja, embora tenha sido pregado num campo, se Deus nos encontrou e nos pos­suiu, e abençoou sua Palavra, embora pregado por um eloqüente entusiasta, um menino, um louco; eu me regozijo, sim, e me regozija­rei, que os inimigos digam o que quiserem. Agora,

 III. Mostrarei as razões por que o arrependimento é necessário à salvação.

 E isto, meus irmãos, nos é revelado claramente na Palavra de Deus: A alma que não se arrepender e se voltar ao Senhor, morrerá em seus pecados, e o seu sangue será requerido de suas próprias mãos. É necessário, quando pecamos, que nos arrependamos; pois um Deus santo não admiti e jamais admitirá na sua presença algo que seja profano. Este é o começo da graça na alma; tem de haver uma mudança no coração e na vida antes que haja uma habitação com o Deus santo. Vocês não podem amar o pecado e Deus ao mesmo tempo, vocês não podem amar a Deus e a Mamom. Nin­guém imundo pode estar na presença de Deus; é contrário à santidade da sua natureza. Há uma contrariedade entre a natureza santa de Deus e a natureza impura dos homens carnais e não-regenerados.

 Que comunicação pode haver entre um Deus sem pecado e cria­turas cheias de pecado, entre um Deus puro e criaturas impuras? Se vocês fossem admitidos ao céu com seu atual estado, em sua condição impenitente, o próprio céu seria um inferno para vocês; os cânticos dos anjos soariam como fanatismo e seriam intoleráveis a vocês. Por isso, tal estado tem de ser mudado; vocês devem ser santos como Deus, é Ele tem de ser seu Deus aqui, e vocês têm de ser seu povo, ou vocês nunca habitarão junto com Ele por toda a eternidade. Se vocês odeiam os caminhos de Deus e não podem passar uma hora a seu serviço, como acham que será em toda a eternidade, cantando para sempre louvores àquEle que se assenta no trono e ao Cordeiro?

 Esta deve ser a ocupação, meus irmãos, de todos os que são admi­tidos nesse lugar glorioso, onde nem o pecado nem o pecador são admitidos, onde o escarnecedor jamais pode ir sem se arrepender dos seus maus caminhos, sem voltar-se para Deus e a Ele se apegar. Isto deve ser feito antes que alguém seja admitido nas mansões gloriosas de Deus — que estão preparadas para todos os que amam o Senhor Jesus Cristo em sinceridade e verdade —, para que se arrependam de todos os seus pecados. Meus queridos irmãos, sinto um frio na espinha ao pensar que qualquer um de vocês não venha a ser admitido nas man­sões gloriosas no céu. Se estivesse em meu poder, eu colocaria todos Vocês — sim vocês, meus irmãos escarnecedores, e os maiores inimi­gos que eu tenho na terra — à mão direita de Jesus; mas não posso fazê-lo. Contudo, aconselho-os e exorto-os com todo o amor e ternura a fazer de Jesus o seu refúgio. Somente em sua presença há o alívio que procuram. Jesus morreu para salvar pessoas como vocês; Ele está cheio de compaixão, e se vocês forem a Ele, como pecadores pobres, perdidos e destruídos, Jesus lhes dará o seu Espírito. Vocês viverão e reinarão com este Jesus por toda a eternidade.

 IV. Tenho de exortar todos vocês, grandes e pequenos, ricos e pobres, uns aos outros, a se arrependerem de todos os pecados e se voltarem ao Senhor.

 Falarei a cada um de vocês; quer tenham se arrependido, quer não; sendo vocês crentes em Cristo Jesus ou incrédulos.

 Primeiramente, vocês que nunca se arrependeram verdadeiramente de seus pecados e nunca abandonaram verdadeiramente suas concupiscências; não se ofendam se lhes falo claramente; porque é o amor, o amor por suas almas que me constrange a falar. Colocarei diante de vocês o perigo e a miséria, aos quais vocês estão expostos enquanto permanecem impenitentes no pecado. E que este seja talvez o meio de fazê-los buscarem a Cristo por perdão e absolvição.

 Enquanto não estão arrependidos dos seus pecados, vocês estão em perigo de morte; e se morrerem, vocêsperecerão para sempre. Não há esperança para todo aquele que vive e morre em seus peca­dos, pois habitará com os demônios e espíritos malditos por toda a eternidade. E como sabemos que vamos viver mais? Não estamos seguros de ver nossas casas em segurança esta noite. O que vocês querem dizer por estar à vontade e vivendo com prazer enquanto os pecados não são perdoados? Tão certo quanto a Palavra de Deus sempre éverdadeira, se vocês morrerem nessa condição, para sem­pre estarão excluídos de toda esperança e misericórdia, e se conver­terão em miséria infundada e infinita.

 Quanto valem todos os seus prazeres e diversões? Eles duram apenas por um momento; não valem nada e são de curta permanên­cia. E com certeza deve ser rematada loucura buscar avidamente es­sas concupiscências e prazeres pecaminosos que fazem guerra contra a alma, que tendem a endurecer o coração e nos impedem de aceitar o Senhor Jesus. De fato, esses são os destruidores de nossa paz aqui; e, sem arrependimento, destruirão nossa paz futura.

 Ó, a insensatez e loucura deste mundo sensual; se não houvesse nada no pecado, senão a atual escravidão, ele manteria longe o espí­rito engenhoso. Mas para fazer o trabalho servil do Diabo! Se fizer­mos isso, teremos seu salário, que é a morte e condenação eternas. Considerem isto, meus culpados irmãos, vocês que pensam que não é pecado jurar, prostituir-se, beber ou zombar e desdenhar do povo de Deus. Considerem o quanto suas vozes mudarão, e vocês, que reputavam por loucura a vida deles e sem honra o seu fim, uivarão e lamentarão a própria insensatez e loucura que deveriam tê-los levado a tamanha aflição e angústia! Então vocês lamentarão e chorarão a própria condição terrível, mas não terá significado, porque aquEle que hoje é seu Salvador misericordioso, se tornará seu Juiz inexorável.

 Hoje Ele se deixa ser rogado; mas depois, todas as lágrimas e orações serão em vão, pois atribuiu a todo homem um dia de graça, um tem­po de arrependimento, o qual, se ele não aproveitar, negligenciando e menosprezando o meio que lhe é oferecido, não pode ser salvo.

 Enquanto vocês prosseguem num curso de pecado e injustiça, rogo-lhes, meus irmãos, que pensem na conseqüência que acompa­nhará o desperdício do seu tempo precioso. Sua alma vale sua preo­cupação, pois se vocês podem desfrutar todos os prazeres e diversões da vida, na morte vocês têm de abandonar tudo; a morte porá um fim a todos os interesses mundanos. E não será lamentável ver o fim de todas as suas coisas boas aqui, todos os prazeres terrestres, sensuais e diabólicos com os quais vocês se envolveram tanto; e corroerá a sua própria alma o pensamento de que por tão insignificante interesse vocês perderam o bem-estar eterno.

 A riqueza e a grandeza não estarão em nenhum lugar; vocês não podem levar nada daqui para o outro mundo. Então, a consideração da sua falta de clemência para com os pobres, e os caminhos que vocês tomaram para obter riqueza, serão um verdadeiro inferno para vocês.

 Hoje vocês dispõem dos meios da graça, como a pregação da sua Palavra, a oração e os sacramentos; e Deus enviou seus ministros aos campos e estradas para convidar, para insistir que vocês entrem. Po­rém eles são pesados para vocês, que preferiram antes os seus praze­res. Não demorará muito, meus irmãos, e os prazeres acabarão, e vocês não se preocuparão mais com eles; mas então vocês quererão dar dez mil mundos por um momento daquele tempo misericordioso de graça da qual vocês abusaram. Então chorarão por uma gota da­quele sangue precioso que agora vocês pisam com os pés; então vocês desejarão por mais uma oferta de misericórdia, para que Cristo e sua graça generosa lhes sejam novamente oferecidos. Mas o choro será em vão, pois como vocês não se arrependeram aqui. Deus não lhes dará uma oportunidade para se arrependerem no futuro. Se não for no tempo de Cristo, não será no seu tempo, irmãos. Em que condição terrível vocês estarão então! Que horror e surpresa lhes possuirão a alma! Então todas as suas mentiras e juramentos, seus escárnios e zombarias do povo de Deus; todos os seus pensamentos e ações imundas e sujas; o seu tempo esbanjado em bailes, jogos e saraus; as noites inteiras que vocês gastaram jogando cartas, perdidos em bailes de máscaras; sua freqüência em tabernas e cervejarias; seu mundanismo, cobiça e inclemência lhes serão imediatamente trazidos à lembrança, e sem demora atribuídos em sua alma culpada. Como vocês suportarão o pensamento de tais coisas? Estou, deveras, movi­do de compaixão por vocês, em pensar que esta pode ser a porção de todo aquele que agora me ouve. Estas são verdades, embora terríveis, meus irmãos; estas são as verdades do Evangelho; e se não houvesse necessidade de falar assim, eu me reprimiria de boa vontade, porque não é assunto agradável para mim, mais do que é para vocês; mas é meu dever lhes mostrar as conseqüências terríveis de se persistir no pecado. Estou fazendo a parte de um hábil cirurgião que investiga uma ferida antes de curá-la. Eu lhes mostraria primeiro o perigo, para que a libertação seja mais prontamente aceita por vocês.

 Considerem que por mais que vocês posponham o dia mau e se esforcem em esconder os pecados, no Dia do Julgamento haverá uma completa revelação de tudo. Naquele dia, as coisas escondidas serão trazidas à luz; e depois que todos os seus pecados forem revelados para o mundo inteiro, então vocês serão lançados no fogo eterno do inferno, que não se apaga nem de dia nem de noite; será sem inter-missão, sem fim. Então, que estupidez e disparate possuem seu cora­ção, que vocês não ficam aterrorizados pelos seus pecados. O medo da fornalha ardente de Nabucodonosor levou os homens a fazerem algo para evitá-la; e o fogo eterno não levará os homens, não levará vocês a fazerem algo para evitá-lo?

 Que isto desperte e faça com que vocês se humilhem por seus pecados e implorem perdão por eles, para que vocês achem miseri­córdia no Senhor. Não vão embora, não deixem que o Diabo os apresse para sair antes que o sermão termine: mas fiquem e Jesus lhes será oferecido, pois Ele expiou todos os pecados.

 Rogo-lhes que lancem fora suas transgressões, esforcem-se contra o pecado, vigiem contra ele e implorem o poder e a força de Cristo para sujeitar o poder das concupiscências que os incitam aos caminhos pecaminosos. Mas se vocês não fizerem nenhuma dessas coisas, se vocês estiverem decididos a pecar, a morte eterna será a conseqüência; vocês serão presos com horror e tremor, com horror e assombro, para ouvir a terrível sentença de condenação pronunciada contra vocês.

 Então vocês fugirão e chamarão as montanhas para que caiam sobre vocês, para os esconderem do Senhor e da raiva ardente de sua ira.

 Tivessem vocês um coração para se voltar dos pecados ao Deus vivo, pelo arrependimento verdadeiro e sincero, e orar a Ele em busca de misericórdia, através dos méritos de Jesus Cristo, haveria então esperança. Mas no Dia do Julgamento, suas orações e lágrimas não terão significado algum; não lhes serão de nenhuma serventia; o Juiz não receberá suas súplicas; visto que vocês não lhe deram atenção quando Ele os chamou, mas menosprezaram a Ele e seus ministros, e não dei­xaram suas iniqüidades. Portanto, naquele dia, não ouvirá seus rogos, apesar de todos os gritos e lágrimas; pois o próprio Deus disse: "Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção; antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão; também eu me rirei na vossa perdição e zombarei, vindo o vosso temor (...) como tormenta, sobrevindo-vos aperto e angústia. Então, a mim clamarão, mas eu não responderei; de madrugada me buscarão, mas não me acharão" (Pv 1.24-28).

 Vocês podem achar que isto é fanatismo e loucura; mas naquele grande dia, se vocês não se arrependerem dos seus pecados aqui, vocês descobrirão por terrível experiência que os seus caminhos eram realmente loucura. Mas que Deus não permita que vocês cheguem a esse tempo sem se arrepender; busquem o Senhor enquanto Ele pode ser achado; clamem por Ele enquanto está perto e vocês acharão misericórdia; arrependam-se neste momento e Cristo alegremente os receberá.

 O que vocês me dizem? Devo ir ao meu Mestre e lhe dizer que vocês não irão a Ele e não seguirão nenhum dos seus conselhos? Não; não me enviem em tal incumbência infeliz. Não posso, não direi tal coisa a Ele. Antes não lhe direi que vocês estão dispostos a arre­pender-se e converter-se, a tornar-se novos homens e assumir um novo curso de vida? Esta é a única resolução sábia que vocês podem tomar. Permitam que eu diga a meu Mestre que vocês irão a Ele e esperarão nEle pois se não o fizerem, será a sua ruína neste tempo e na eternidade.

 Na morte, vocês desejarão ter vivido a vida dos justos para que tivessem morrido a morte deles. Fiquem avisados; considerem o que está diante de vocês: Cristo e o mundo, a santidade e o pecado, a vida e a morte. Escolham agora por vocês mesmos; façam sua escolha imediatamente e que esta seja a escolha de morrer.

 Se vocês não desejam morrer em seus pecados, morrer bêbedos, morrer adúlteros, morrer xingadores e zombadores, não deixem pas­sar esta noite na terrível condição em que estão. Pode ser que alguns de vocês digam: "Você não tem poder, você não tem força". Mas não lhes faltavam estas coisas que estavam em seu poder? Vocês não têm tanto poder para ir ouvir um sermão, quanto a ir a uma casa de jogos, ou a um baile, ou a um baile de máscaras? Vocês têm tanto poder para ler a Bíblia quanto para ler peças, novelas e romances; e vocês po­dem se associar tanto quanto com os piedosos, como com os maus e profanos; esta é senão uma desculpa infundada, meus irmãos, para continuar em seus pecados. Se vocês desejam ser achados no meio da graça, Cristo prometeu que lhes dará força. Enquanto Pedro estava pregando, o Espírito Santo veio sobre todos os que ouviam a Palavra, assim vocês serão achados no caminho do seu dever! Jesus Cristo lhes dará força; Ele lhes dará o seu Espírito; vocês descobrirão que Ele será a sua sabedoria, sua justiça, sua santificação e sua redenção. Experimentem que gracioso, gentil e amoroso Mestre Ele é. Ele lhes será de ajuda em todas as suas cargas; e se o fardo do pecado está em sua alma, busquem-no na qualidade de cansados e sobrecarregados, e acharão descanso.

 Não digam que seus pecados são muitos e muito grandes para esperar encontrar misericórdia. Não, sejam eles tantos ou tão grandes, o sangue do Senhor Jesus Cristo os limpará de todos os pecados. A graça de Deus, meus irmãos, é generosa, rica e soberana. Manasses foi um grande pecador, e mesmo assim foi perdoado; Zaqueutinha estado longe de Deus e saiu para ver Cristo, sem outro intento que satisfazer a curiosidade; e, não obstante, Jesus o encontrou e levou salvação à sua casa. Manassés era idolatra e assassino, contudo rece­beu misericórdia; o outro era opressor e extorsionário que tinha ad­quirido riquezas mediante fraude e engano, oprimindo a face dos pobres; assim também fez Mateus e, todavia, todos eles encontraram misericórdia.

 Vocês foram blasfemadores e perseguidores dos santos e servos de Deus? Assim foi o apóstolo Paulo, contudo ele recebeu misericór­dia. Vocês são prostitutas, pessoas imundas e sujas? Assim foi Maria Madalena, e contudoela recebeu misericórdia. Vocês são ladrões? O ladrão na cruz achou misericórdia. Não se desesperem, por mais vis e devassos que vocês sejam; eu afirmo: nenhum de vocês está sem esperança, especialmente quando Deus teve misericórdia de um miserável como eu.

 Lembrem-se do pobre publicano, de como ele achou favor em Deus, ao passo que o fariseu orgulhoso e presunçoso, inchado com sua própria justiça, foi rejeitado. E se vocês forem a Jesus como o pobre publicanofez, com um sentimento da indignidade própria, vocês acharão favor como ele achou; hã bastante virtude no sangue de Jesus para perdoar os maiores pecadores. Então não fiquem desa­nimados, mas busquem a Jesus, e vocês o acharão pronto a ajudar em toda a sua aflição, para conduzi-los em toda a verdade, para trazê-los da escuridão para a luz e do poder de Satanás a Deus.

 Não deixem que o Diabo os engane, dizendo-lhes que todas as delícias e prazeres acabarão. Não; isto está bem longe de privá-los de todo o prazer, que é uma entrada a delícias indizíveis, peculiares a todos os que verdadeiramente são regenerados. O novo nascimento é o próprio começo de uma vida de paz e consolo; e o maior deleite será encontrado nos caminhos da santidade. Salomão, que tinha ex­perimentado todos os outros prazeres, disse acerca dos caminhos da santidade: "Os seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas, paz" (Pv 3.17). Então com certeza vocês não deixarão que o Diabo os engane; é tudo o que ele quer, é o que ele almeja: fazer a religião parecer melancólica, miserável e fanática. Deixem-no dizer o que quiser; não lhe dêem ouvidos, não o considerem, porque ele sempre foi e sempre será mentiroso.

 Que súplicas usarei para fazê-los irem ao Senhor Jesus Cristo? O pouco amor que tenho experimentado desde que fui levado do peca­do para Deus e tão grande, que eu não estaria em estado natural por dez mil mundos, e o que senti é apenas um pouco do que espero sentir. Esse pouco amor que senti é uma bóia suficiente contra todas as tempestades e tormentas deste mundo turbulento; podem os ho­mens e demônios fazer o seu pior, eu me regozijo no Senhor Jesus, sim, e me regozijarei.

 E se vocês se arrependerem e forem a Jesus, eu me regozijaria por sua causa também; e nós nos regozijaríamos juntos por toda a eternidade, quando tivéssemos passado para o outro lado do sepulcro. Venham a Jesus. Os braços de Jesus Cristo estão abertos para recebê-los; Ele lavará todos os seus pecados no seu sangue e os amará livremente.

 Venham, eu rogo-lhes que venham a Jesus Cristo. Que minhas palavras penetrem a sua alma! Que Jesus Cristo seja formado em vocês! Que vocês se voltem ao Senhor Jesus Cristo, para que Ele tenha misericórdia de vocês!

 Eu continuaria falando ate a meia-noite — sim, eu falaria até que não pudesse mais, para que servisse de meio de levá-los a Jesus. Deixem o Senhor Jesus entrar em suas vidas, e vocês encontrarão a paz que o mundo não pode dar nem tirar. Há misericórdia para o maior pecador entre vocês; busquem o Senhor como pecadores, im­potentes e perdidos, e então vocês encontrarão consolo para sua alma, e serão afinal admitidos entre os que cantam louvores ao Senhor por toda a eternidade.

 Agora, meus irmãos, gostaria de dar uma palavra de exortação aos que entre vocês já foram levados ao Senhor Jesus, que já nasce­ram de novo, que já pertencem a Deus, a quem foi dado se arrepen­der de seus pecados e estão limpos da culpa: Sejam gratos a Deus por suas misericórdias. Admirem a graça de Deus e bendigam o seu nome para sempre! Vocês foram vivificados em Cristo Jesus? A vida de Deus começou em sua alma e vocês têm prova disso? Sejam gratos por esta misericórdia indizível; nunca se esqueçam de falar da misericórdia de Deus. E assim como outrora sua vida fora dedicada ao pecado e prazeres do mundo, que agora seja gasta completamente nos cami­nhos de Deus; e abracem cada oportunidade de fazer e receber o bem. Qualquer oportunidade que tiverem, façam vigorosa e pronta­mente, não adiem. Ao ver alguém apressando-se para a destruição, usem o máximo dos seus esforços para detê-lo em seu curso. Mos­trem-lhe a necessidade de arrependimento, e que sem isso ele está perdido para sempre; não façam conta se ele os menosprezar; conti­nuem mostrando-lhe o perigo em que ele está. Se seus amigos zom­bam de vocês e os menosprezam, não deixem que o desanimem. Persistam, mantenham-se firmes até o fim, e assim vocês terão a co­roa que é imutável e não desvanece.

 Deixem que o amor de Jesus por vocês os conservem humildes; não sejam orgulhosos, mantenham-se junto do Senhor, observem as regras que o Senhor Jesus Cristo deu em sua Palavra e não permitam que suas instruções se percam, as quais vocês são capazes de dar. Considerem que razão vocês têm para serem gratos ao Senhor Jesus Cristo por lhes dar o arrependimento do qual vocês necessitavam; um arrependimento que opera pelo amor. Hoje vocês encontram mais prazer andando com Deus uma hora, do que em todas as delícias carnais anteriores e todos os prazeres do pecado. A alegria que vocês sentem na alma — alegria que todos os homens deste mundo e todos os demônios do inferno, ainda que se unam, não podem destruir. Então não temam a ira ou malícia deles, pois por muitas tribulações temos de entrar na glória.

 Mais alguns dias, semanas ou anos e vocês estarão além do alcan­ce deles. Vocês estarão na Jerusalém celestial; ali tudo é harmonia e amor, tudo e alegria e regozijo; o cansado encontra repouso. Hoje temos muitos inimigos, mas na morte eles todos estão perdidos; eles não nos podem seguir além do sepulcro; e este é um grande incenti­vo para nós não considerarmos o escárnio e zombaria dos homens deste mundo.

 Que o amor de Jesus esteja continuamente em seus pensamentos. Foi sua morte que lhes trouxe vida; foi sua calcificação que expiou seus pecados; sua morte, sepultamento e ressurreição completaram a obra; e agora Ele está no céu e intercede por vocês à mão direita do Pai. E podem vocês fazer muito pelo Senhor Jesus Cristo, que fez tanto por vocês? Seu amor por vocês é insondável. Ó, a altura, a profundida­de, o comprimento e a largura deste amor, que trouxe o Rei da glória do seu trono para morrer por nós, quando tínhamos agido tão cruel­mente contra Ele e merecíamos nada mais que a condenação eterna. Ele desceu e tomou em si nossa natureza; Ele se fez carne e habitou entre nós; Ele morreu por nós; Ele pagou nosso resgate. Com certeza isto deveria nos fazer amar o Senhor Jesus Cristo; deveria nos fazer regozijar nEIe, e não como muitos fazem e nós mesmos temos muitas vezes feito, crucificar este Jesus de novo. Vamos fazer tudo o que pudermos, meus queridos irmãos, para honrá-lo.

 Venham, todos vocês, venham e vejam Ele estendendo a mão para vocês; vejam as mãos e os pés pregados na cruz. Venham, ve­nham, meus irmãos, e preguem seus pecados ali; venham, venham e vejam o lado dEle que foi furado; há uma fonte aberta para o pecado e para a impureza; lavem, lavem e fiquem limpos; venham e vejam a cabeça dEle coroada com espinhos — e tudo por vocês. Vocês conse­guem pensar num Jesus ofegante, sangrento e agonizante e não ficar cheios de piedade por Ele? Ele sofreu tudo isso por vocês. Venham a Ele pela fé; tomem posse dEle; há misericórdia para cada um de vocês que for a Ele. Então não demorem; corram para os braços deste Jesus e vocês serão limpos no seu sangue.

 O que lhes direi para fazê-los irem a Jesus? Eu tenho lhes mostrado as conseqüências terríveis do não arrependimento de pecados; e se, depois de tudo o que eu disse, vocês decidirem persistir, seu sangue lhes será requerido das suas próprias mãos; mas espero coisas melho­res de vocês, e coisas que acompanham a salvação. Rogo-lhes que orem fervorosamente pela graça do arrependimento. Pode ser que nunca mais eu veja o rosto de vocês novamente; mas no Dia do Julgamento eu os encontrarei lá. Vocês bendirão a Deus por terem sido movi­dos ao arrependimento; ou então este sermão, embora feito num cam­po, servirá de pronta testemunha contra vocês. Arrependam-se, arrependam-se, então, meus queridos irmãos, como João Batista e nosso próprio bendito Redentor veementemente exortaram, e voltem-se de seus caminhos maus e o Senhor terá misericórdia de vocês.

 Mostra-lhes, Pai, em que eles te ofenderam; faze-os ver a própria vileza, e que eles estão perdidos sem o verdadeiro arrependimento. Concede-lhes este arrependimento; nós te pedimos que eles se vol­tem do pecado a ti, o Deus vivo e verdadeiro. Estas coisas e tudo o mais que tu consideres necessário para nós, pedimos que tu nos dês, por causa do que o querido Jesus Cristo fez e sofreu; a quem, contigo e o Espírito Santo, três Pessoas e um Deus, sejam atribuído, como é altamente devido, todo o poder, glória, força, majestade e domínio, agora, doravante e para sempre. Amém.