Translate this Page

Rating: 3.0/5 (868 votos)



ONLINE
6




Partilhe este Site...

 

 

<

Flag Counter

site 475389, site 442698, download book, free book, free book, this link, link, book download, site 513789, site 188921,

avivamento em atos dos apostolos parte N.2
avivamento em atos dos apostolos parte N.2

 

 Antioquia, A Primeira Igreja Missionária

 

"Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos" (At 11.26).

 

Antioquia da Síria foi a ci­dade mais importante para o Cristianismo, depois de Jeru­salém, no início da fé cristã.

 

Bar­nabé teve um papel preponderante na vida ministerial do apóstolo Paulo. Primeiro, ele o introduziu na comu­nidade cristã em Jerusalém, quando ninguém acreditava em sua conver­são. Depois, foi buscá-lo em sua ci­dade natal, Tarso, na Cilícia, para, juntos, ensinarem a Palavra de Deus em Antioquia da Síria.

 

Durante um ano Paulo e Barnabé ensinaram a Palavra de Deus em Antioquia da Síria. Após este período, os novos conver­tidos estavam completamente muda­dos, ao ponto de chamarem a aten­ção dos moradores locais, os quais os cognominaram de cristãos. 

Paulo e Barnabé, após este período de um ano, ensinando a Palavra de Deus em Antioquia da Síria, foram indicados, nominalmente, pelo Espírito Santo, para a obra missionária. Os dois for­maram, portanto, a primeira dupla de missionários enviados ao Exterior, os quais, por onde passaram, funda­ram diversas igrejas. 

Outro centro cristão começa a despontar no horizonte. A situação em Jerusalém tornara-se insuportá­vel, por causa das frequentes perseguições. Os discípulos foram disper­sos para a Judéia e Samaria, exceto os apóstolos (At 8.1). Por onde passavam, anunciavam o Senhor Jesus (At 8.4). Outros foram para a Fenícia, a ilha de Chipre e as cidades de Antioquia da Síria e Cirene. 

De todas essas localidades, An­tioquia da Síria sobressaiu-se, tor­nando-se o mais importante centro missionário, no primeiro século do Cristianismo.

 

A EXPANSÃO DA IGREJA

 1. "Caminharam até a Fenícia" (v.19). Os fenícios destacaram-se na História, pela arte náutica. Eram inigualáveis navegadores e peritos mercadores. Fundaram bases em Cartago, Malta, Silícia e Sardenha, como entrepostos para o desenvol­vimento do comércio. Eram idola­tras. Sua divindade nacional era Baal e adoravam também a Astarote e a Asera (l Rs 11.5; 16.31; 18.19). Eles descendiam deSidom, filho de Canaã (Gn 10.15,19; Is 23.11,12), e constituíram uma civilização muito antiga (Is 23.7). Só encontramos o nome deste país no Novo Testamen­to (At 11.19; 15.3; 21.2). 

2. Chipre (v.19). Ilha do Medi­terrâneo com cerca de 225 quilôme­tros de comprimento por 97 de lar­gura, na parte mais larga. Dista 97 quilômetros da costa síria e turca. Seus antigos habitantes descendiam de Caftorim, filho de Mizraim, camita (Gn 10.13,14). Era a terra natal de Barnabé (At 4.36).

 Paulo e Barnabé fizeram uma turnê pela ilha, de leste a oeste, de Salamina a Pafos, durante a sua primeira viagem missionária (At 13.4-13). 

3. Antioquia da Síria (v.19) Também conhecida como Antioquia do Orontes, devido o rio em cujas proximidades ela se situava. Não deve ser confundida com a Antioquia da Pisídia (At 13.14). Era uma das dezesseis cidades fundadas por Seleuco I, por volta de 310 a.C.e cujos nomes foram dados em home­nagem a seu pai, Antíoco. Era a ter­ceira cidade do império romano. Só perdia em importância para Roma e Alexandria. Foi conquistada por Pompeu, em 64 a.C, e passou a ser a capital da Síria, que se tornou um província romana.Distava 500 quilômetros de Jerusalém e gozava de posição estratégica favorável para as missões, pois localizava-se na divi­sa entre os dois mundos culturais da época: o grego e semita.

 

MISSÕES TRANSCULTURAIS 

1. Além das fronteiras cultu­rais. No versículos 19 diz que os discípulos, os quais residiam na ilha de Chipre, na Fenícia e na cidade de Antioquia da Síria, não pregavam para os gentios: "não anunciando a ninguém a palavra senão somente aos judeus". Isso porque eles ainda não tinham tido conhecimento da visão de Pedro e o resultado da visi­ta à casa de Cornélio, visto que isso só aconteceu após a morte de Estê­vão. Entretanto, o versículo 20 afir­ma que os que procederam de Chipre e Cirene levaram as boas novas aos gregos: "Os quais, entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anun­ciando o Senhor Jesus". Essa "inovação" não desapontou a Igreja em Jerusalém que, pelo contrário, deu seu total apoio. 

Cirene situava no norte da Áfri­ca, entre o Mediterrâneo e o deserto do Saara. Barnabé era cipriota ou chíprio (At 4.36) e Lúcio, um dos doutores da Igreja em Antioquia da Síria, era cireneu (At 13.1). 

2. Surge a Igreja dos gentios. Diz o texto sagrado: "E a mão do Senhor era com eles; e grande nú­mero creu e se converteu ao Senhor" (v. 21). A peculiaridade da Antioquia da Síria consistia no fato de os dis­cípulos pregarem para os gentios, os quais de bom grado receberam a mensagem. O número deles agora era considerável. A Igreja crescia e se expandia, pois não estava mais limi­tada somente aos judeus. 

3. Barnabé em Antioquia da Síria (v.22). A decisão também foi sábia na escolha de Barnabé para ser enviado a Antioquia, pois era um homem de fé, generoso e cheio do Espírito Santo. Outro motivo, era por ser ele "progressista" (no bom sen­tido da palavra), para o padrão ju­daico da época. A Igreja na Síria era também formada por gentios. Os apóstolos tinham apenas a experiên­cia de administrar grupos evangélicos, essencialmente constituídos de judeus. Barnabé, porém, possuía a maneira peculiar de lidar com os gre­gos.

4. O legalismo destrói a obra de Deus. O legalismo farisaico do judaísmo mais atrapalhava do que aju­dava naquelas circunstâncias. O Cristianismo era a religião da liber­dade no Espírito Santo e não uma lista de regras (Gl 5.1), como a que os judeus até então vinham experimen­tando. Era algo vivo, ou seja, o po­der de Deus nas vidas transformadas pela obra sobrenatural da terceira Pessoa da Trindade.

 

CHAMADOS CRISTÃOS 

1. Origem do nome cristão. "Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cris­tãos" (11.26). O vocábulo cristão,christianoi em grego ou christianus em latim, aparece apenas três vezes no Novo Testamento (At 11.26; 26.28 e 1 Pe 4.16). A desinênciaão (de Cristo+ão=cristão) significa "se­guidor de, adepto de", como no caso de "herodianos" (Mc 3.6) que quer dizer "seguidores de Herodes". 

Os habitantes de Antioquia da Síria entenderam que o vocábulo Cristo fosse um nome próprio (os discípulos se referiam a Jesus como o "Cristo"). Por essa razão, chama­ram os discípulos de cristãos. Outros confundiram com Chrestos, nome próprio muito comum entre os gregos, que significa "bom". Por esse motivo, o historiador romano, Suetônio, faz menção de uma disputa entre judeus e chrestianos,nos dias de Cláudio, que parece haver liga­ção com At 18.2. 

No entanto, na época de Nero, o vocábulo cristão já era um nome muito conhecido, e usado por Táci­to, Suetônio, Plínio e pelos pais da Igreja. 

2. O que significa ser cristão, hoje? Hoje, os seguidores de Jesus são conhecidos universalmente como cristãos. Isso é sinônimo de redenção em Cristo. Esse nome os­tenta em nossa vida como um estan­darte de honra.

 

A CHAMADA MISSIONÁRIA 

1. A situação de Jerusalém. Barnabé e Saulo ensinaram aos cris­tãos de origem gentílica, durante um ano (11.26). Na época, houve uma seca devastadora na Palestina, o que ocasionou uma grande fome, e os irmãos em Jerusalém enfrentavam di­ficuldades financeiras, ocasião em que a Igreja gentia levantou uma oferta, para socorrer os necessitados da Judéia (11.27-30). 

Lucas abre um parêntese em sua narrativa, para registrar o que aconteceu nessa época em Jerusalém (Atos 12): O martírio de Tiago, irmão de João, a prisão de Pedro e sua libertação miraculosa, em resposta à oração daqueles irmãos, e a morte de Herodes Agripa I. Em seguida, retorna à história da Igreja em Antioquia da Síria e menciona a pri­meira viagem missionária de Paulo. 

2. A Igreja em Antioquia. Mui­tos haviam se convertido e o Cristianismo havia conquistado pessoas ilustres da sociedade: "Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Bar­nabé, e Simeão, chamado Niger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo" (13.1). 

Dos nomes acima mencionados, dois foram escolhidos para a obra missionária: Barnabé e Saulo. O in­teressante é que o Espírito Santo escolhe o melhor para as missões. A Igreja em Antioquia da Síria certamente sentiu falta dos serviços que eles lhe prestavam, mas, no entanto, os enviou. Certamente, contava com o trabalho deles ainda por muito tem­po. Porém, os caminhos de Deus nãos são os nossos e muito menos os seus pensamentos (Is 55.8, 9). 

3. O desafio da Igreja. Oramos setenta anos para a abertura no Les­te Europeu. Deus ouviu a nossa ora­ção. Onde estão os missionários brasileiros nesses países? Lá estão os mórmons e as testemunhas-de-Jeová disseminando heresias. Já estavam preparados, aguardando a oportuni­dade. O mundo islâmico é um desa­fio ainda maior. Nós precisamos nos despertar para as missões. As igre­jas, que já são missionárias, preci­sam ampliar seus horizontes. Devem enviar o que têm de melhor entre os obreiros. Antioquia mandou dois dos seus mais ilustres membros.

 

CONCLUINDO 

Os trabalhos fundados na obra missionária não são uma extensão, ou seja, uma congregação da igreja mantenedora, pois a missão estrangeira é transcultural. 

As igrejas que investem em mis­sões não devem esperar retorno financeiro, pois não são empresas que visam lucros, mas as bênçãos de Deus sobre elas, mediante o aumen­to de suas receitas. 

O modelo de Atos sugere que to­das as igrejas sejam missionárias. Nenhum pastor precisa receber uma visão especial de Deus para iniciar a obra de missões. Essa ordem já está na Bíblia (Mt 28.19,20; Mc 16.16-20; Lc 24.47; At 1.8). Ele precisa buscar a direção do Espírito Santo de como realizar tal tarefa. 

1. O nosso Deus é imutável. Por­tanto, o seu conceito sobre missões é o mesmo dos dias apostólicos. Se esta obra não frutifica como no princípio da Igreja, a culpa é exclusiva­mente nossa. Agora, em plena déca­da da colheita, é o momento de des­pertarmos para esta grande realida­de e recuperar o tempo perdido, me­diante nossa oração e contribuição. 

2. A obra missionária precisa, em primeiro lugar, da aprovação divina, mediante nossa consagração e dedi­cação total à pregação do Evange­lho. A prova disso, encontramos no crescimento da Igreja em seu nascedouro. Os discípulos não possuí­am os recursos que desfrutamos na atualidade e evangelizaram o mun­do em apenas 60 anos. 

3. Se utilizarmos todos os recursos, dos quais dispomos na atualidade, com certeza, realizaremos uma obra missionaria de maior envergadura do que a estabelecida pelos primeiros discípulos. Basta orarmos e consagrarmos as nossas vidas para este fim, pois a aprovação de Deus já está consignada desde a ordem de Jesus em Mt 28.19,20. 

Bibliografia E. Soares

 

A igreja em Antioquia 11:19-30

 

Enquanto estes desenvolvimentos aconteciam na área da missão da igreja judaica, os cristãos judaicos helenísticos que tinham sido forçados a deixar Jerusalém na ocasião da morte de Estêvão, se espalharam até ao nor­te, chegando à grande metrópole da Antioquia. Espalhavam o evangelho por onde iam, mas foi somente em Antioquia que começaram a falar a não-judeus e a ganhar muitos convertidos. A igreja começou a crescer rapida­mente. As notícias levaram a igreja em Jerusalém a enviar um representante para ver o que estava acontecendo. Barnabé, o visitante assim nomeado, não tinha dúvida alguma acerca do valor da obra que estava sendo realizada, e tomou parte ativa nela, indo para Tarso buscar Paulo, a fim deste também participar. A evangelização da igreja fez um impacto tão grande que o povo do local cognominou seus membros de "gente de Cristo". Os membros da igreja tinham consciência dos seus vínculos com Jerusalém, e quando ouviram uma profecia acerca de uma fome que estava para vir, enviaram uma dádiva em dinheiro para ajudar a igreja. 

Não pode haver dúvida alguma de que a formação da igreja em Antioquia foi um evento de grande importância na expansão da igreja e da sua missão aos gentios. Pode-se supor com confiança que não se exigia da parte dos convertidos gentios que fossem circuncidados ou que guardassem a lei, e provavelmente formavam um grupo de tamanho considerável dentro da igreja, embora não exista evidência sólida de que formassem a maioria. A questão da lei judaica surgiu apenas quando visitantes de Jerusalém pro­curaram aplicá-la obrigatoriamente (Gl 2:11-14). 

19. A introdução de Lucas à seção leva o leitor de volta para 8:24, que descreveu como a morte de Estêvão deu vazão a uma onda de oposi­ção à igreja e à dispersão de muitos cristãos. Com toda a probabilidade, eram judeus que tinham conexão com a Dispersão, e eranatural para eles mudarem-se para áreas fora da Judéia, inclusive os três lugares menciona­dos. A Fenicia (o moderno Líbano), era a área que se estendia ao lon­go do litoral numa faixa estreita desde o Monte Carmelo por uma dis­tância de aproximadamente 242 km, sendo que suas cidades principais eram Ptolemaida, Tiro, Sarepta e Sidom, e, mais tarde, ficamos sabendo de gru­pos cristãos em três destes lugares (21:3, 7; 27:3); sem dúvida for­mados nesta ocasião. Chipre, já mencionada como domicílio de Barnabé (4:36), já possuía um elemento judaico na sua população pelo menos desde o século II a.C. (1 Mac. 15:23); foi o primeiro lugar a ser evangelizado por Barnabé e Paulo quando, mais tarde, saíram juntos como missionários (13:4-12). Entende-se, assim, que havia cristãos em Chipre antes da chegada de Barnabé e Paulo, fato este que não está em tensão com o relato de Lucas em 13:4-12, ainda que não o mencione ali (apesar de Conzelmann, pág. 67). Antioquia, a capital da província romana da Síria, crescera rapidamente para tornar-se a terceira maior cidade do Império (depois de Roma e Alexandria), com uma população estimada em 500.000. Foi fundada por Seleuco I e recebeu o nome de Antioquia em homenagem ao seu pai Antíoco (a mesma homenagem foi ligada aos nomes de cerca de 16 cidades, cf. 13:14). Havia ali uma grande população judaica. 

20-21. Os judeus exilados para seu novo lar pregavam, de início, apenas para seus concidadãos judeus. A mudança decisiva foi instigada por alguns judeus de Chipre e de drene que pregavam as boas novas de Jesus também aos gregos em Antioquia (Lucas decerto se refere aos gentios, mas o texto está incerto. Ao invés de "gregos", a maioria dos MSS (inclusive o Códice do Vaticano) tem "helenistas", a pa­lavra que se emprega em 6:1 e 9:29 para designar os judeus de língua grega. Os argu­mentos textuais em prol da segunda leitura são muito fortes; caso seja adotada, refere-se, sem dúvida, à população mista da Antioquia, de língua grega (Metzger, págs. 386-389).). 

Não pode haver dúvida de que se iniciou um período bem-sucedido de evangelização entre os gentios, e de que a observância da lei judaica não era requerida dos convertidos. O que não sabemos é como a igreja foi levada a dar este passo. Fora necessária a intervenção divina para persuadir Pedro a empreender atuação semelhante, mas aqui, parece que ocorreu quase casualmente sem surgirem questões de princípios, nem no começo, nem mais tarde. É provável que se possa explicar bem simplesmente o assun­to, ao notar que a probabilidade de haver gentios associados com as sinago­gas era muito maior na Dispersão, de tal modo que igreja entraria na questão do lugar deles no evangelismo muito mais frequentemente e diretamente do que na Judéia propriamente dita. Se alguns dos próprios evangelistas tinham sido prosélitos, este passo ficaria tanto mais natural. Devemos su­por que o novo grupo cristão rapidamente perdeu contato com as sinago­gas, de modo que não era compelido a observar a lei judaica, como acon­tecia no ambiente predominantemente judaico de Jerusalém. Não sabe­mos se a conversão de Cornélio ocorrera antes e já ficara conhecida em Antioquia, de modo que pudesse ter servido de precedente. 

22-24. Nada há de surpreendente no fato de que a notícia daquilo que acontecia em Antioquia tivesse chegado à igreja que estava em Jerusalém, visto que, sem dúvida, havia bastante intercâmbio entre as duas cidades. Em ocasiões anteriores (8:14; cf. 9:32) os líderes da igreja em Jerusalém tinham enviado representantes para acompanhar a obra missionária fora da cidade, e esta ocasião específica claramente exigia que demonstrassem interesse. Não é necessário supor que a atuação deles fosse motivada pela suspeita, e muito menos, pela hostilidade. No máximo, talvez tenha sido necessário aplacar um grupo de cristãos judaicos da extrema direita em Je­rusalém, que haveriam de causar dificuldades numa etapa posterior e que talvez já estavam se opondo à admissão dos gentios à igreja sem a circuncisão ser exigida da parte deles; nada sugere que este grupo predominava na igreja, mas os líderes fizeram o que puderam para conciliá-los (ver Hanson, pág. 130).

 A simpatia básica da igreja em Jerusalém com as notícias do que acontecia em Antioquia pode ser deduzida da escolha de Barnabécomo delegado dela. Embora, pertencesse a uma família da Dispersão, era encarado com total confiança em Jerusalém, e agia como fiel da balança entre os elementos hebraicos e helenísticos dentro da igreja. Seu caráter era bem adaptado para esta função, pois era marcante a qualidade cristã da sua vida; é o único homem a quem Lucas descreve como sendo bom em Atos, e, quanto aos dons espirituais, estava em pé de igualdade com Estêvão. Não podia deixar de ver a mão de Deus no crescimento da igreja em Antioquia, e regozijava-se diante desta evidência da graça divina. Longe de exortar os novos convertidos a se curvarem diante de exigências legalísticas, instruiu-os a ficarem firmes na sua fé; aqui vemos porque Barnabé merecia o cognome de "filho de exortação" (4:36). Que Barnabé tinha a visão espiritual para reconhecer que o plano de Deus estava sendo cumprido em Antio­quia foi de importância decisiva para o crescimento da igreja. 

25-26. Barnabé reconheceu as ricas potencialidades da situação para mais avanços, e percebeu a necessidade de ajuda adicional na evangelização e no ensino. Foi procurar, portanto, seu antigo amigo Paulo, que es­tava trabalhando em Tarso, e persuadiu-o a participar da obra em Antio­quia. Será que Paulo sentia que já se cumprira tudo quanto necessitava fazer em Tarso? Realmente não sabemos, e não ficamos sabendo de conta­tos posteriores que tenha tido com aquela cidade, mas decerto Paulo já passara ali um período considerável de tempo, e, nas suas campanhas missio­nárias posteriores, sua praxe era ficar suficiente tempo em qualquer de­terminado lugar para estabelecer a igreja, e depois avançar para outra locali­dade. A obra que Barnabé e Paulo realizaram em Antioquia é descrita co­mo ensinar a igreja, mas esta palavra pode referir-se tanto à evangelização quanto à edificação espiritual dos convertidos existentes. 

Um dos resultados importantes de todas estas atividades é que, pela primeira vez, os discípulos vieram a ser conhecidos como cristãos. Lucas especialmente menciona este fato porque "cristão" 'viera a ser um termo familiar em certas áreas na ocasião em que escreveu. Já nos inícios do século II, o nome é atestado em Roma, na Ásia Menor, e em Antioquia. A terminação da palavra (Christianos) indica que é uma palavra latina, tal qual "herodiano", e que se refere aos seguidores de Jesus Cristo. "Cristo", portanto, seria entendido como nome próprio, embora seu emprego origi­nal fosse como título, "o Messias", para Jesus. O verbo foram chamados subentende com toda a probabilidade que "cristão" era um cognome da­do pelo populacho de Antioquia e, assim, é bem provável que este enten­desse que "Cristo" fosse um nome próprio, ainda que, nestas alturas os próprios cristãos ainda o empregassem como título; não passou muito tempo, no entanto, para o título tornar-se, mais e mais, um nome para Jesus. É provável que o nome contivesse um elemento deridicularização (cf. At 26:28; 1 Pe 4:16, os únicos outros empregos do nome no Novo Testamento). Os cristãos preferiam empregar para si outros nomes, tais como "discípulos", "santos" e "irmãos". 

27-28. Um dos aspectos importantes da igreja primitiva foi a ati­vidade dos profetas, pregadores carismáticos que às vezes estavam liga­dos a uma igreja local ou ocupados num ministério itinerante (13:1). Suas funções eram várias, e incluíam a exortação bem como a pre­visão do futuro; é bem possível que tenham dado exposições do Antigo Testamento, empregando sua compreensão espiritual para mostrar como suas profecias estavam sendo cumpridas nos eventos em conexão com a as­censão da igreja. A atividade deles tinha conexão com o novo sentido de inspiração associado com o dom do Espírito à igreja. Nada há de surpreen­dente na chegada de tais homens, provenientes de Jerusalém, em Antio­quia (embora Haenchen, pág. 376, fique muito perplexo com eles). Nada mais ficamos sabendo, no entanto, acerca do propósito ou dos resultados da visita deles senão que um deles, de nome Ágabo (que reaparece em21:10), previu uma fome que se estenderia por todo o mundo, i.é, o Im­pério Romano. Fomes faziam parte daquilo que os cristãos esperavam para os tempos do fim (Lc 21:11), e esta profecia talvez tenha sido uma ad­vertência de que o fim deveria estar próximo, embora nada se fala neste sentido no texto. É certo que não houve qualquer fome que abrangesse o Império inteiro durante o reinado de Cláudio (nem em qualquer outro tempo); havia, no entanto, "fomes frequentes", conforme o historiador Suetônio, e este era um cumprimento adequado da profecia. Certamen­te houve uma fome na Judéia em c. de 46 d.C, e Josefo conta como He­lena da Adiabenemandou trigo para aliviar a fome dos pobres em Jerusa­lém. J. Jeremias notou que os judeus seguiam a lei do sétimo ano sem plantio durante este período, e argumentou que, se a quebra da produção coincidiu com os efeitos de um ano sem plantio, a fome seria tanto maior; sugeriu, portanto, que a fome fosse associada com o ano sabático que foi celebrado em 47-48 d.C. A profecia, naturalmente, pode ter si­do pronunciada uns poucos anos antes. 

29-30. A profecia encorajou os cristãos em Antioquia a enviar uma coleta em dinheiro para capacitar seus irmãos na Judéia a comprarem esto­ques de gêneros alimentícios para enfrentar a crise vindoura. Trata-se de um ato de fraternidade cristã, da qual os membros da igreja participaram de acordo com as suas possibilidades. O dinheiro era enviado aos presbíteros da igreja. Esta é a primeira vez que presbíteros se mencionam na igre­ja de Jerusalém, e causou certa surpresa o fato deles, e não os apóstolos, estarem encarregados do socorro aos pobres. Na realidade, porém, os após­tolos já tinham delegado a outros este dever (6:1-6), e é possível que os "Sete" que foram nomeados para cuidarem desta tarefa agora vieram a ser conhecidos como "presbíteros" por analogia com o nome dado a certos lí­deres nas sinagogas judaicas. Funcionavam lado a lado com os apóstolos (15:4, 6, 22-23; 16:4; 21:18). A coleta foi trazida por Barnabé e Paulo. A objeção tem sido levantada que é improvável que tivessem estado em Jerusalém durante a perseguição da igreja descrita na seção que imedia­tamente se segue: como poderiam ter passado sem serem molestados? Não se nos informa, porém, que estavam em Jerusalém exatamente naquela altura, a cronologia está em aberto. Mais importante é o relaciona­mento entre a presente narrativa e aquela em Gálatas caps. 1-2 onde Pau­lo faz um resumo das suas primeiras conexões com a igreja em Jerusalém. À parte da sua visita a Jerusalém após sua saída pouco cerimoniosa de Da­masco, menciona uma outra visita para lá, na qual foi acompanhado por Barnabé e Tito, e durante a qual debateu o problema de pregar o evan­gelho aos gentios; pediram a ele que "se lembrasse dos pobres", e diz que foi exatamente isto mesmo que estava ansioso para fazer (Gl 2:1-10). Esta visita deve ser considerada a mesma de Atos cap. 11? Podem ser levanta­das as seguintes objeções: (1) Atos cap. 15 relata a história de uma visita subsequente a Jerusalém na qual a questão dos gentios foi o objeto explí­cito da discussão. Embora haja diferenças quanto aos pormenores entre Atos cap. 15 e Gálatas cap. 2, pode-se argumentar que pertencem ao mesmo incidente, e que é improvável que o mesmo terreno foi repisado duas vezes.

 Nada há de improvável, no entanto, no fato de ser necessário discutir um assunto antes de finalmente se chegar a um acordo final, conforme con­cordará qualquer pessoa que já trabalhou numa comissão. (2) Gálatas cap. 2 trata da controvérsia teológica, ao passo que Atos cap. 11 diz res­peito a uma oferta em dinheiro. Mas podemos compreender que Lucas conservou a parte da controvérsia para o cap. 15. Além disto, Gálatas 2:10 pode significar que Paulo já estava ansioso por ajudar os pobres e que, na realidade, já o estava fazendo. Se for assim, não há qualquer confli­to real entre as passagens. Consideramos, portanto, que a probabilidade pende em favor de a visita aqui registrada ser a mesma que se refere em Gl 2:1-10.

 

Bibliografia I. H. Marshall

A IGREJA ENTRE OS GENTIOS 

Desde o Concílio de Jerusalém, 50 a.D. Até ao Martírio de Paulo, 68 a.D.

 

Por decisão do concílio realizado em Jerusalém, a igreja ficou com liberdade para iniciar uma obra de maior vulto, destinada a levar todas as pessoas, de todas as raças, e de todas as nações para o reino de Jesus Cristo. Supunha-se que os judeus, membros da igreja, continuassem observando a lei judaica, muito embora as regras fossem interpretadas de forma ampla por alguns dirigentes como Paulo. Contudo, os gentios podiam pertencer à  igreja cristã, mediante a fé em Cristo e uma vida reta, sem submeterem-se às exigências da lei. 

Para tomarmos conhecimento do que ocorreu du­rante os vinte anos seguintes ao concílio de Jerusalém, dependemos do livro dos Atos dos Apóstolos, das epís­tolas do apóstolo Paulo, e talvez do primeiro versículo da Primeira Epístola de Pedro, que possivelmente se refere a países talvez visitados por ele. A estas fontes de informações pode-se juntar algumas tradições do período imediato à era apostólica, que parecem ser autênticas. O campo de atividades da igreja alcançava todo o Império Romano, que incluía todas as províncias nas margens do Mar Mediterrâneo e alguns países além de suas fronteiras especialmente a leste. Nessa época o número de membros de origem gentia continuava a crescer dentro da comunidade, enquanto o de judeus diminuía. À medida que o evangelho ganhava adeptos no mundo pagão, os judeus se afastavam dele e crescia cada vez mais o seu ódio contra o Cristianismo. Em quase todos os lugares onde se manifestaram persegui­ções contra os cristãos, nesse período, elas eram insti­gadas pelos judeus. 

Durante aqueles anos, três dirigentes se destacaram na igreja. O mais conhecido foi Paulo, o viajante in­cansável, o obreiro indômito, o fundador de igrejas e o eminente teólogo. Depois de Paulo, aparece Pedro cujo nome apenas consta dos registros, porém foi reconhecido por Paulo como uma das "colunas". A tradição diz que Pedro esteve algum tempo em Roma, dirigiu a igreja nessa cidade, e, por fim, morreu como mártir no ano 67. O terceiro dos grandes nomes dessa época foi Tiago, um irmão mais moço do Senhor, e dirigente da igreja de Jerusalém. Tiago era fiel conservador dos costumes judaicos. Era reconhecido como dirigente dos judeus cristãos; todavia não se opunha a que o evangelho fosse pregado aos gentios. A epístola de Tiago foi escrita por ele. Tiago foi morto no Templo, cerca do ano 62. Assim, todos os três líderes desse período, entre muitos outros menos proeminentes perderam suas vidas como mártires da fé que abraçaram. O registro desse período, conforme se encontra nos 13 últimos capítulos de Atos, refere-se somente às atividades do apóstolo Paulo. Entretanto, nesse período outros missionários devem ter estado em atividade, pois logo após o fim dessa época mencionam-se nomes de igrejas que Paulo jamais visitou. A primeira viagem de Paulo através de algumas províncias da Ásia Menor já foi mencionada em capítulo anterior. Depois do concílio de Jerusalém Paulo empreendeu a segunda viagem missionária. Tendo por companheiro Silas ou Silvano, deixou Antioquia da Síria e visitou, pela terceira vez, as igrejas do continente, estabelecidas na primeira via­gem. Foi até às costas do Mar Egeu, a Trôade, antiga cidade de Tróia, e embarcou para a Europa, levando, assim, o evangelho a esse continente. Paulo e Silas estabeleceram igrejas em Filipos, Tessalônica e Beréia, na província de Macedônia. Fundaram um pequeno núcleo na culta cidade de Atenas e estabeleceram forte congregação em Corinto, a metró­pole comercial da Grécia. Da cidade de Corinto, Paulo escreveu duas cartas à igreja de Tessalônica, sendo essas as suas primeiras epístolas.

 Navegou depois pelo Mar Egeu, para uma breve visita a Éfeso, na Ásia Menor. A seguir atravessou o Mediterrâneo e foi a Cesaréia; subiu a Jerusalém, a fim de saudar a igreja dessa cidade, e voltou ao ponto de partida em Antioquia da Síria. Em suas viagens, du­rante três anos, por terra e por mar, Paulo percorreu mais de três mil quilômetros, fundou igrejas em pelo menos sete cidades e abriu, pode-se dizer, o continente da Europa à pregação do Evangelho. Após um breve período de descanso, Paulo iniciou a terceira viagem missionária, ainda de Antioquia, porém destinada a terminar em Jerusalém, como prisioneiro do governo romano. Inicialmente seu único companheiro fora Timóteo, o qual se havia juntado a ele na segunda viagem e permaneceu até ao fim, como auxiliar fiel e "filho no Evangelho". Contudo, alguns outros companheiros es­tiveram com o apóstolo, antes de findar esta viagem. A viagem iniciou-se com a visita às igrejas da Síria e Cilicia, incluindo, sem dúvida, a cidade de Tarso, onde nasceu. Continuou a viagem pela antiga rota e visitou, pela quarta vez, as igrejas que estabeleceu na primeira viagem. 

Entretanto, após haver cruzado a província de Fri­gia, em lugar de seguir rumo norte, para Trôade, foi para o Sul, rumo a Efeso, a metrópole da Ásia Menor. Na cidade de Éfeso permaneceu por mais de dois anos, o período mais longo que Paulo passou em um só lugar, durante todas as suas viagens. Seu ministério teve êxito não apenas na igreja em Éfeso mas também na propagação do evangelho em toda a província. As sete igrejas da Ásia, foram fundadas quer direta, quer indiretamente por Paulo. De acordo com seu método de voltar a visitar as igrejas que estabelecera, Paulo navegou de Éfeso para a Macedônia, visitou os discípulos em Filipos, Tessalônica, Beréia e bem assim aqueles que estavam na Grécia. Depois disso sentiu que devia voltar pelo mesmo trajeto, para fazer uma visita final àquelas igrejas. Navegou para Trôade e dessa cidade passou pela costa da Ásia Menor. De Mileto, o porto de Éfeso, mandou chamar os anciãos da igreja de Éfeso, e despediu-se deles com emocionante exortação. Recomeçou a viagem para Cesaréia, e subiu a montanha até Jerusalém. Nesta cidade Paulo terminou a terceira viagem missionária, quando foi atacado pela multidão de judeus no templo, aonde fora adorar. Os soldados romanos protegeram o apóstolo da ira do populacho, e o recolheram à fortaleza de Marco António. 

A terceira viagem missionária de Paulo foi tão longa quanto a segunda, exceto os 480 quilômetros entre Jerusalém e Antioquia. Seus resultados mais evidentes foram a igreja de Éfeso e duas das suas mais importan­tes epístolas, uma à igreja em Roma, expondo os prin­cípios do evangelho de acordo com a sua própria maneira de pregar, e outra aos Gálatas dirigida às igrejas que estabelecera na primeira viagem, onde os mestres judaizantes haviam pervertido muitos discípulos. 

Durante mais de cinco anos, após sua prisão, Paulo esteve prisioneiro; algum tempo em Jerusalém, três anos em Cesaréia e pelo menos dois anos em Roma. Podemos considerar a acidentada viagem de Cesaréia a Roma, como a quarta viagem de Paulo, pois, mesmo preso, era ele um intrépido missionário que aproveitava todas as oportunidades para anunciar o evangelho de Cristo. O motivo da viagem de Paulo foi a petição que ele fez. Na qualidade de cidadão romano apelou para ser julgado pelo imperador, em Roma. Seus companheiros nessa viagem foram Lucas e Aristarco, os quais talvez tenham viajado como seus auxiliares. Havia, a bordo do navio em que viajavam, criminosos confessos que eram levados para Roma a fim de serem mortos nas lutas de gladiadores. Havia, também, soldados que guardavam os presos que viajavam no navio. Podemos estar certos de que toda essa gente que participou da longa e perigosa viagem, ouviu o evangelho anunciado pelo apóstolo. Em Sidom, Mirra e Creta, onde o navio aportou, Paulo proclamou a Cristo. Em Melita (Malta) onde estiveram durante três meses após o naufrágio, também se converteram muitas pessoas. 

Finalmente Paulo chegou a Roma, a cidade que du­rante muitos anos foi o alvo de seu trabalho e esperança. Apesar de se tratar de um preso à espera de julgamento, contudo a Paulo foi permitido viver em casa alugada, acorrentado a um soldado. O esforço principal de Paulo, ao chegar a Roma, foi evangelizar os judeus, tendo para esse fim convocado seus compatriotas para uma reunião que durou o dia inteiro. Verificando que apenas uns poucos dos judeus estavam dispostos a aceitar o Evangelho, voltou-se então para os gentios. Por espaço de dois anos, a casa em que Paulo morava em Roma funcionou como igreja, onde muitos encontraram a Cristo, especialmente os soldados da guarda do Pre­tório. Contudo seu maior trabalho realizado em Roma foi a composição de quatro epístolas, que se contam entre os melhores tesouros da igreja. As epístolas foram as seguintes: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Há motivos para crer que após dois anos de prisão, Paulo foi absolvido e posto em liberdade.

 Podemos, sem dúvida, considerar os três ou quatro anos de liberdade de Paulo, como a continuação de sua quarta viagem missionária. Notamos alusões ou esperanças de Paulo, de visitar Colossos ou Mileto. Se es­tava tão próximo de Éfeso, como o estavam os dois mencionados lugares, parece certo que visitou esta úl­tima cidade. Visitou, também, a Ilha de Creta, onde deixou Tito responsável pelas igrejas, e esteve em Nicópolis no Mar Adriático, ao norte da Grécia. A tradição declara que neste lugar Paulo foi preso e enviado outra vez para Roma, onde foi martirizado no ano 68. A este último período podem pertencer estas três epístolas: Primeira a Timóteo, Tito e Segunda a Timóteo, sendo que a última foi escrita na prisão, em Roma. 

No ano 64 uma grande parte da cidade foi destruída por um incêndio. Diz-se que foi Nero, o pior de todos os imperadores romanos, quem ateou fogo à cidade. Contudo essa acusação ainda é discutível. Entretanto a opinião pública responsabilizou Nero por esse crime. A fim de escapar dessa responsabilidade, Nero apontou os cristãos como culpados do incêndio de Roma, e moveu contra eles tremenda perseguição. Milhares de cristãos foram torturados e mortos, entre os quais se conta o apóstolo Pedro, que foi crucificado no ano 67, e bem assim o apóstolo Paulo, que foi decapitado no ano 68. Essas datas são aproximadas, pois os apóstolos acima citados ja podem ter sido martirizados um ou dois anos antes. E uma das "vinganças" da História , que naque­les jardins onde multidões de cristãos foram queimados como "tochas vivas" enquanto o imperador passeava em sua carruagem, esteja hoje o Vaticano, residência do sumo-pontífice católico-romano, e a basílica de São Pedro, o maior edifício da religião cristã.

 Na época do concílio de Jerusalém, no ano 50, não havia sido escrito nenhum dos livros do Novo Testamento. A igreja, para conhecimento da vida e dos ensi­nos do Salvador, dispunha tão-somente das memórias dos primitivos discípulos. Entretanto, antes do final deste período, 68 a. D., grande parte dos livros do Novo Testamento já estavam circulando, inclusive os evan­gelhos de Mateus, Marcos e Lucas e as epístolas de Paulo, Tiago, 1 Pedro e talvez 2 Pedro, embora ques­tões tenham sido levantadas quanto a autoria dessa última. Deve-se lembrar que é provável que a epístola aos Hebreus tenha sido escrita depois da morte de Paulo, não sendo, portanto, de sua autoria.

 

J. L. Hurlbut

O Evangelho Propaga-se Entre os Gentios

 Deus seja louvado pela sua iniciativa em prover, quer da perspectiva passa­da, presente ou futura, graciosamente a salvação. Deus tem de ser louvado, porque nEle surge uma nova comuni­dade que essencialmente derruba a antiga barreira racial existente entre judeus e gentios. Esse acontecimento ocorre no contexto cuja vontade sobe­rana de Deus é exercida. Busquemos em Deus, no exemplo de seu Filho Je­sus Cristo e na força do Espírito Santo, uma vida autenticamente cristã onde não haja barreira para os relaciona­mentos com os irmãos em Cristo, que são "a Igreja de Deus". 

Deus não faz acepção de pes­soas (At 10.34). Criador de tudo quanto existe, a todos preserva pela sua bondade e justiça (At 17.25-28). Ele ama a todos indistintamente e deseja a salvação de toda a humanidade (Jo 3.16) através de Jesus Cristo (Mt 1.21; At 4.12). Esta é a mensagem que os apóstolos de Nosso Senhor proclamaram aos gentios. No Filho, todos somos amados pelo Pai, sem quaisquer distinções. Está você também dis­posto a anunciar o evangelho até aos confins da terra? Há muita terra ainda a ser conquistada.

 

OS GENTIOS NO ANTIGO TESTAMENTO

 

Toda a humanidade descende de um único casal a quem Deus formara segundo a sua imagem e semelhança (Gn 1.27; 5.2). Embora criado santo, justo e bom para a glória do Senhor (Gn 5.1; Sl 115.1), o homem desobedeceu-lhe as ordens e veio a conhecer experimentalmen­te o pecado. Com a sua apostasia, fez com que a maldade tomasse conta do mundo (Gn 4.8,23). A Deus, então, não restou outra al­ternativa senão destruir a primeira civilização através de um dilúvio universal (Gn 6 - 9). 

1. Um novo co­meço com Noé. Ape­nas Noé e a sua família salvaram-se daquele cataclismo. Por inter­médio dos filhos do piedoso e santo patriarca: Jafé (Gn 10.2-5), Cam (Gn 10.6-20) e Sem (Gn 10.21-31), vieram a formarem-se as nações com as suas respectivas geografias (Gn 10-11). Infeliz­mente, a humanidade porfiou em desobedecer a Deus (Gn 11.1-9). Em meio a essa desolação espi­ritual e moral, Deus santifica um descendente de Sem, Abraão, para que dele uma nova nação fosse formada (Gn 12.1-3). Em Abraão, fomos todos abençoados. 

2. A exclusividade dos descendentes de Abraão (Gn 15.5,6). Ao chamar Abraão, o Se­nhor dá início à história de Israel (Gn 12.1-3). Seu propósito à nação judaica (Gn 18.18; 22.18) era tor­ná-la uma propriedade peculiar, um reino sacerdotal e um povo santo (Êx 19.5,6). Ele a constituiu para que esta lhe fosse uma possessão distinta e particular (Is 44.1-2), a fim de que, por seu intermédio, alcançasse os gentios. 

A partir de então, todas as demais etnias passaram a ser co­nhecidas como gôyim- gentios (Gn 15.18-21). Isso não significa, po­rém, que Deus não ame as demais nações. Ele as ama, sim! E de tal maneira amou-as, que deu o seu Único Filho, para que todo aquele que nElecrê não pereça, mas tenha a vida eterna. Além do mais, em Abraão foram benditas todas as nações da terra (Gn 1 2.3).

 

OS GENTIOS EM O NOVO TESTAMENTO 

O Novo Testamento faz ques­tão de realçar o amor de Deus não somente por Israel, mas por todos os povos. João 3.16 deixa isso bem claro. Não resta dúvida: a salvação vem dos judeus, mas não se restringe aos judeus, mas através dos judeus deve alcançar a todos osnão-judeus. 

1. Nos Evangelhos. Nos evangelhos há várias referências aos gentios (Mt 6.7,32; Mc 10.33; Lc 12.30; 1 8.32). Descritos às vezes com certa reserva (Mt 20.19; Mc 10.33), são eles vistos como a grande seara a ser alcançada pelos apóstolos que, no cumprimento da Grande Comissão, deixariam Jerusalém e a Judeia para evangelizar e ensinar todas as nações (Mt 28.18-20). Aliás, Isaías já destacava a missão do Cristo entre os gentios (Is 42.1-4). Durante o seu ministério terreno, o Senhor Jesus agraciou alguns destes como a mulhercananeia (Mt 15.21-28) e o centurião (Lc 7.1-10). 

2. Nos Atos dos Apósto­los. Embora Atos 1.8 estabeleça a obrigatoriedade da missão entre os gentios, somente no capítulo 9 e versículo 15, após a conversão de Paulo, é que se declara aberta e enfaticamente a evangelização das nações (ver At 13.44-47). A resistência inicial dos apóstolos em discipulados (At 10.9-16) é vencida quando Cornélio, sua família e demais assistentes, recebem o batismo com o Espírito Santo (At 10.44-48). O fato trouxe perplexidade no colégio apostólico (At 11.1-3,18), mas após a apologia de Pedro (At 11.4-17 ver 15.7-11), a Igreja glorificou a Deus pelo fato de os gentios serem também objeto do amor de Deus (At 10.45). 

3. Missão e Salvação en­tre os Gentios. Se Pedro, com o evangelho da circuncisão, é proeminente nos capítulos de 1 a 12 de Atos, nos capítulos de 13 a 28, destaca-se Paulo com o evangelho da incircuncisão (Gl 1.7). O primeiro diz respeito aos judeus, o segundo aos gentios (At 13.44-47). Trata-se, porém, de um só evangelho - o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Paulo estava consciente de que fora chamado por Deus para anunciar o evangelho aos gentios (At 9.15), sem os entraves da lei (At15.19,28,29; Rm 4.9-16). Em suas viagens missionárias, não foram poucos os gentios que se converteram ao Senhor (At 11.1,18) e de bom grado ouviram a exposição da graça divina (At 13.42). 

Você se preocupa com a evangelização transcultural? Se você não foi chamado ao campo, coopere financeiramente com a Obra Mis­sionária e ore pelos que se acham além-fronteiras falando do amor de Deus. A responsabilidade pelo "Ide" também é sua. 

JUDEUS E GENTIOS UNIDOS POR DEUS MEDIANTE A CRUZ

 

1. A Igreja de Deus. Ao defender a difusão do Evangelho entre as nações, afirmou Pedro: "[...] Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome" (At 15.14). Esse povo é a Igreja formada por judeus e gentios em Cristo (Rm 9.24-33). De ambos, fez Ele um só povo, derribando a parede de separação que estava no meio, e, pela cruz, reconciliou ambos com Deus em um corpo (Ef 2.14-16). 

Dessa maneira, o Espírito Santo revela a Paulo (Ef 3.4,5) que os gentios não são mais estran­geiros (gôyim) e nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos, da família de Deus (Ef 2.11-22; 1 Pe 2.5), co-herdeiros e participantes da promessa em Cristo pelo evan­gelho (Ef 3.6). 

2. Expansão da igreja entre os gentios. Através de suas viagens missionárias, Pau­lo propagou o evangelho entre os povos e culturas conhecidos naqueles dias (Rm 15.19,20). Em várias regiões, estabeleceu ele igrejas constituídas notadamente por gentios (Rm 16.4).

 

CONCLUSÃO

 

A evangelização dos povos é o maior desafio da igreja moder­na. A responsabilidade é nossa. O Senhor confiou-nos a Grande Co­missão para que, sem remissões, alcancemos os confins da terra. Ele deseja que todos os gentios sejam salvos. Você sabia que muitos povos ainda não ouviram falar de Jesus? Como responderá você a esse grande desafio? Se o Senhor o chama à Obra Missionária, res­ponda prontamente: "Eis-me aqui, Senhor. Envia-me a mim".

fonte

 http://www.tempodeavivamentopentecostal.blogspot.com.br/