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BIOGRAFIA PHILLPP JAKOB SPENER PIETISMO
BIOGRAFIA PHILLPP JAKOB SPENER PIETISMO

Biografia do Philipp Jakob Spener, considerado o pai do Pietismo.

O profeta da piedade

Em cada geração, Deus teve um remanescente que se esforçou em restaurar a verdadeira fé segundo o modelo apostólico. A Alemanha do século XVII foi o lar de algumas dessas pessoas, conhecidas como os pietistas. Eles oravam e desejavam ver a igreja restaurada em sua pureza e poder original.

A visão e os sonhos destes cristãos autênticos têm uma voz profética no ministério de Philipp Jakob Spener, considerado o pai do pietismo.

O pietismo é um movimento do século XVII e XVIII, principalmente dentro do protestantismo alemão, que procurou complementar a ênfase nos dogmas dos círculos protestantes ortodoxos, concentrando-se na «prática da piedade», apoiada na experiência interior e expressando-se em uma vida de compromisso religioso.

No entanto, em um sentido amplo, o pietismo não era algo novo. Pode remontar-se com discernível continuidade dos padres antigos (Macario, Efraim Syrus, Gregório de Niza) e a devoção moderna da Idade Média tardia (Nicolás de Cusa, Tauler). Antes de Spener, lampejos do pietismo foram antes manifestos em teólogos protestantes como Johann Arndt (1555-1621), cuja obra ia contribuir muito para o movimento pietista posterior.

 

A época

Nascido em 1635 em um lar cristão praticante, Spener cresceu nos dias subseqüentes à Guerra dos Trinta Anos. O historiador Fred E. Stoeffler disse: «É difícil superestimar o efeito catastrófico da Guerra dos Trinta Anos no povo alemão. Com o país a mercê da milícia européia, a destruição foi tanta que aldeias inteiras e inclusive cidades simplesmente desapareceram».

Esta guerra foi só uma manifestação da relação fatal entre a igreja e o Estado nesse tempo. No século XVI os reformadores se voltaram para os príncipes alemães, como «os membros principais da igreja», para que interviessem na reforma da igreja em suas terras. Este movimento foi considerado necessário porque, nesse momento, os movimentos religiosos divergentes foram sistematicamente exterminados por exércitos fiéis à Igreja de Roma. De fato, se os líderes da Reforma não tivessem tido os exércitos de nobres europeus a seu favor, provavelmente teriam tido a mesma sorte dos movimentos dissidentes anteriores, como o genocídio dos albigenses e dos valdenses.

É difícil para o leitor moderno apreciar como teria sido a vida em uma época quando a tolerância religiosa era algo inaudito. No entanto, foi este fato que originalmente provocou a associação com o Estado. Por desgraça, esta apelação à ajuda estatal levou com o tempo a uma condição de controle permanente. Na segunda metade do século XVII, muitos dos governantes só eram membros nominais da igreja, ainda que eles sustentassem a legislação eclesiástica firmemente em suas mãos, e também eram quem escolhia aqueles que cumpriam funções na igreja.

A igreja e o Estado estavam unidos de tal maneira que o Estado controlava a igreja, e os ministros da igreja se fizeram funcionários do Estado. Um exemplo da intromissão estatal na igreja era o requisito legal de que todos assistissem a igreja e pagassem dízimos. Não surpreende que este estado de coisas conduzisse a uma participação superficial na igreja. Outra característica lamentável foi a terrível caçada de hereges e a caça às bruxas, que freqüentemente envolvia e embrutecia a um certo território.

O conceito do Estado cristão também tinha eliminado a evidente necessidade de converter os perdidos. Supunha-se que a maioria, se não todos os que estavam na igreja, eram autênticos cristãos. Tal era o mundo cristão nos tempos de Spener.

A desafortunada relação entre a igreja e o Estado não era o único fator que levava o aumento da cristandade nominal. A teologia luterana e prática eram problemáticas neste tempo, como atestam muitos além de Spener.

Nos seminários, os estudantes eram treinados para fazerem teologia em latim, como tinha sido a norma através de centenas de anos. «Disputas» ou debates com outras escolas de teologia eram a ordem do dia. Estas disputas não só eram contra os reformados, anabatistas e católico-romanos, mas também contra outros luteranos. Elas podiam acontecer pessoalmente ou por escrito, e tendiam a ser mais e mais injuriosas. O clero, que tinha sido treinado desta maneira, trazia estas disputas também para o púlpito. Muitos sermões eram ataques sarcásticos e mordazes sobre as idéias do rival, detalhadas freqüentemente com citações do latim, que as pessoas não entendiam nem lhes interessavam. Esta forma de ensino –árido, não bíblica, e inaplicável– foi comparada por alguns à teologia erudita ou escolástica, que a Reforma tinha exigido substituir.

Na vida da igreja, uma distinção rígida entre o clero e o laicado costumava ser desmotivadora para os laicos, sobretudo quando o crente simples não sentia que podia fazer algo de importante. No entanto, não só esta distinção era mantida tão firme como contínua, mas também eram evidentes outras distinções de classes. Theodore Tappert explica: «As distinções de classes eram manifestas nas igrejas, onde lugares elevados e atapetados eram reservados para as classes altas, enquanto as pessoas simples se sentavam em bancos duros no meio da área central».

Stoeffler acrescenta: «Algumas das famílias nobres de Sajonia não batizavam os seus filhos na igreja, porque isto significava fazê-lo com a mesma água usada por outros meninos».

Teria havido interesse pelo crescimento espiritual, caso tivesse sido permitido o ministério ao crente comum durante este período. Stoeffler resume a situação: «A idéia popular dentro das igrejas territoriais era que um cristão é alguém que foi batizado, que mantém alguma conexão formal com a Igreja fazendo pelo menos uso ocasional dos meios de graça –a comunhão, a Palavra, e o batismo– e que crê em geral as verdades mostradas nos símbolos doutrinários de sua comunhão e adere às suas formas de liturgia».

A situação global então, na Alemanha e grande parte da Europa, a nível espiritual, era de apatia geral. As disputas entre teólogos tinham dissipado o interesse das pessoas, e a própria cristandade se tornou desacreditada pela violência das guerras religiosas.

No entanto, ainda que as pessoas estivessem cansadas do fanatismo assassino, a religião formal imperante não estava satisfazendo a ninguém. Este fato é testemunhado por muitos escritos deste período, que lamentam o triste estado da igreja. Como alguém declarou: «De fato, o pietismo alemão não foi senão uma corda em uma sinfonia de variações sobre um tema comum – a necessidade de avançar das fórmulas estéreis sobre Deus para uma experiência mais íntima com ele».

 

Vida

Philipp Jakob Spener nasceu em Rappoltsweiler, Alsacia Superior, no seio de uma família aristocrática de convicções luteranas profundas.

Spener recebeu bem cedo uma influência do pastor da paróquia, Stoll, um luterano estrito com inclinação prática.

Depois de um breve tempo na escola primária de Encher, mudou-se para Estrasburgo em 1651. Sendo um estudante dedicado, com a idade de 16 anos entrou para a Universidade. Ali estudou com eruditos luteranos bem conhecidos, sobretudo com J. C. Dannhaur, que fez ele ler os trabalhos de Lutero. Spener se impressionou tanto com Lutero que ele dizia depois que nenhum outro autor dos tempos bíblicos foi tão esclarecedor. Pode-se dizer com toda propriedade que Spener recebeu o seu material ortodoxo (incluindo a sua eclesiologia) de Lutero, através de Dannhaur.

Quando se aproximava do final de sua educação «se tornou progressivamente mais biblicamente orientado e seus escritos teológicos são cada vez mais exegéticos e práticos. Mesmo sendo contemporâneo de Hobbes, Lock, Spines, Bacon, Descarte e outros, que estavam causando uma revolução filosófica, Spener não dedicou muito tempo às suas obras filosóficas».

Spener obteve seu grau de Doutor (1653), mediante uma disputa contra a filosofia de Thomas Hobbes.

Depois de sua graduação, Spener viajou por dois anos. Visitou as universidades de Basel, Tübingen e Genebra, e começou o estudo da heráldica, que continuou ao longo de sua vida. Uma parada interessante em suas jornadas foi em Genebra, onde conheceu um devoto francês carismático, Jean de Labadie. Labadie mais tarde se tornou um extremista, e um separatista revolucionário contra a igreja estabelecida.

Spener voltou para Estrasburgo em 1663, onde foi designado pregador sem obrigações pastorais. Ali chegou a ser tutor privado dos príncipes Christian e Charles de Palatinado, e dissertou na universidade sobre filologia e história.

Em 1670 foi convidado para ser o pastor principal na Igreja Luterana em Frankfurt. Ali fundou grupos de estudo bíblicos e devoção que ele chamou «escolas de piedade», e que deu origem e nome ao pietismo.

Em 1675, cinco anos depois de começar este «experimento», escreveu um prólogo de uma coleção de sermões de Johannes Arndt (1555-1621), autor que conhecia da biblioteca em sua casa paterna, e cujo Cristianismo Verdadeiro leu e releu até converter-se em seu favorito. O título da introdução era Pia Desideria (Desejos Piedosos) –que mais adiante resumimos–; e em poucas semanas este notável pequeno tratado produziu uma reação assombrosa através de grande parte da Europa.

Em 1686 aceitou o convite para a primeira capelania judicial em Dresdem, até então uma posição muito importante no luteranismo alemão. Mas o Eleitor John George III, por cujo desejo pessoal lhe tinha sido devotado o posto, logo se ofendeu pela temerária escrupulosidade com que seu capelão assumia os seus deveres pastorais. Spener se negou a renunciar ao seu posto, e o governo de Sajonia duvidou em despedi-lo.

Por isso, Spener aceitou feliz um convite para ser o bispo da Igreja de St. Nicholas em Berlim em 1691. Aqui, foi apoiado amplamente pelo príncipe Frederico III de Brandenburgo-Prússia e, como resultado, exerceu muita influência sobre as condições da Igreja. Por causa de seu ascendente, a nova Universidade de Halle, fundada pelo eleitor em 1694, chegou a ser o centro do pietismo. Nela estudaram proeminentes cristãos, como o conde Von Zinzendorf.

Em toda a sua longa vida, Spener se viu exposto a ataques e abusos dos teólogos luteranos ortodoxos; com os anos, os seus antagonistas se multiplicaram e o movimento que ele tinha criado serviu cada vez mais como tema para a crítica hostil. Em 1695 a faculdade teológica de Wittenberg o acusou por 264 erros, e somente a sua morte o libertou destes ferozes conflitos.

Enquanto o pietismo seguiu os caminhos traçados por Spener e seu discípulo August G. Francke produziu resultados benéficos. No entanto, na expressão subjetiva de todo o movimento, esteve exposto desde o começo a muitos abusos. Caiu freqüentemente em fanatismo, presumidas profecias, visões, e estados místicos (ex., ‘suores de sangue’). Este pietismo decadente levou a formação de várias comunidades independentes, algumas abertamente fanáticas.

 

Pensamento

Spener era um homem de visão e direção práticas. Tinha uma boa compreensão das necessidades das igrejas, e de como remediá-las. Conceitos que hoje são considerados novos e inovadores em muitos círculos cristãos foram mostrados por este antigo profeta alemão.

Da mesma forma que a maioria dos pietistas do século XVII –ainda que alguns sustentem que o próprio Spener não fosse um pietista, pois não carregou os defeitos dos pietistas posteriores (certas práticas legalistas e separatistas)–, era um luterano convencido de que os ensinos de Lutero tinham produzido uma igreja reformada só pela metade. A Alemanha estava cheia de cristãos professantes que tinham sido instruídos academicamente sobre a salvação através da fé, mas ainda faltavam os frutos santos da fé. Spener viu que muitos careciam do amoroso temor e devoção pelo Senhor Jesus. Um espírito de presunção tinha entrado na igreja, levando a muitos tomarem com descuido a graça de Deus.

Logo que chegau a Frankfurt, em 1670, Spener começou a reunir pequenos grupos de crentes que, como ele, não estavam satisfeitos com uma religião sem vida. Reuniam-se com o fim de estudar a Bíblia, orar e cuidar uns dos outros. «Em pouco tempo estas reuniões se estenderam ao longo da cidade. Pessoas interessadas na edificação espiritual formavam células e se reuniam para promover a piedade cristã e a devoção séria».

Spener não considerava estas reuniões como uma nova igreja, mas sim como uma extensão da Reforma para o interior das igrejas reformadas. Eles encorajaram a formação de «grupos celulares», pequenas igrejas dentro da Igreja. «Os pietistas nos Países Baixos foram os primeiros a usar o termo `Huis Kerk’ –igreja caseira– para suas reuniões de renovação».

Nelas, Spener tornavam expressivas as cargas do seu coração. Com grande zelo, pregava o arrependimento, denunciava a apostasia da Noiva de Cristo do seu primeiro amor, e anunciava uma sólida mensagem enfatizando o mandato bíblico do caráter santo e a vida santa.

 

Pia Desideria

O seu pensamento está muito bem relatada em sua obra mais conhecido: «Pia Desideria», escrita no tempo em que esteve em Frankfurt, a qual, apesar da sua brevidade, expõe um programa completo para o desenvolvimento da piedade.

Este pequeno livro, publicado originalmente –como se tem dito– como um Prólogo de uma edição de sermões de Arndt, tem algumas qualidades muito especiais, como descreve Aland: «Spener permanece totalmente na corrente de uma tradição, mesmo com os meios a nossa disposição não é possível demonstrar com certeza quando ele realmente dependia dela. Isto é evidente … Spener representa um fenômeno único. Inumeráveis livros sobre o próprio tema foram escritos antes e depois de Spener. No entanto, nenhum deles se aproxima sequer da Pia Desideria na concisão e claridade de seu pensamento e o logro do seu propósito. Todas as idéias e as propostas para uma reforma das condições existentes tinham sido apresentadas várias vezes antes dele. Mas só Spener foi capaz de reuni-las da maneira em que as encontramos em Pia Desideria».

Pia Desideria contém o resumo mais claro da teologia de Spener. Ele começa com uma introdução que adverte ao clero que eles não terão que responder a Deus por quão hábeis foram em ganhar debates. «Ao contrário, seremos interrogados de quão fielmente e com que coração de meninos procuramos estender o reino de Deus; com que ensino puro e piedoso e com que digno exemplo tentamos edificar os nossos ouvintes no meio do desprezo do mundo». O modelo de Spener de olhar além do externo e superficial, para as realidades espirituais que estão por trás da situação, é imediatamente claro.

Depois da introdução, a primeira seção contém um extenso lamento pela condição dos três estamentos da sociedade luterana alemã. Do primeiro estado, a nobreza, ele se queixa de que eles não usam da sua autoridade governamental no interesse de edificar uma sociedade cristã. Quantos deles há que não têm preocupação alguma pelo espiritual, que não se preocupam senão com o temporal!

Como já se mencionou, a relação entre a igreja e o Estado era estreita naqueles dias, e ele não via nada de mau nisto, salvo o fato de que a nobreza não estava cumprindo com o seu dever.

Do segundo estamento, o clero, a sua crítica principal é que eles tinham substituído a simples e clara pregação do evangelho com um interesse mórbido na crítica polêmica. Uma fonte disto era a educação unilateral e pouco prática que os ministros recebiam no seminário.

«Quando as mentes dos homens se enchem com tal teologia que, ainda que conserve a fundação de fé das Escrituras, constrói com tanta madeira, feno e palha de curiosidade humana de modo que já não se vê o ouro, se torna extremamente difícil de tomar e encontrar prazer na simplicidade real de Cristo e seu ensino. Isto é assim porque o gosto dos homens se acostuma às coisas mais encantadoras da razão, e depois de um tempo a simplicidade de Cristo e o seu ensino parece ser insípido. Tal conhecimento que permanece sem amor, envaidece (1ª Coríntios 8:1). Deixa o homem no amor de si mesmo; de fato, cria e fortalece tal amor cada vez mais. Ali se originam usualmente as sutilezas desconhecendo as Escrituras, no caso daqueles que as introduzem, em um desejo de exibir a sua sagacidade e a sua superioridade sobre outros, para ter uma grande reputação e obter benefícios disso no mundo. Eles logo que podem guardam o que tomam e o comercializam pelo que lhes dá maior prazer, e geralmente se concentram no que não é edificante para os ouvintes que requerem salvação».

Finalmente, do terceiro estado, os camponeses e a burguesia, Spener deplora a falta de moralidade bíblica. Os exemplos que ele cita incluem a presença dos mendigos e outros pobres que são ignorados por aqueles cristãos bebedores, bagunceiros e superficiais na observância dos regulamentos da igreja: «Isto leva muitas pessoas à condenação e até fortalece uma concepção falsa e ilusória do que constitui a verdadeira fé. Há muitos que pensam que isto é todo o cristianismo, e assim eles consideram suficiente se batizarem, ouvirem a Palavra divina nos sermões, confessaram-se, receberem a absolvição e tomarem a Santa Comunhão».

A denúncia de Spener de todas as formas do pecado é completa. Ele não crê no perfeccionismo. Na seção seguinte da Pia Desideria, antecipa uma visão de uma igreja luterana reformada. «Se alguém quer procurar a perfeição, deve abandonar esta vida pela próxima. Só ali poderemos encontrar a perfeição, mas nós não podemos esperar tê-la antes da eternidade».

Por outro lado, ele resume o que gostaria de ver: «Sabemos muito bem que um campo de trigo nunca pode ser achado tão limpo que não haja um só joio nele. Se nós avançarmos para o ponto em que a igreja está, não obstante livre do escândalo público e ninguém que vive em escândalo fica na igreja sem graves apreensões e até a exclusão, os verdadeiros membros da igreja compreenderão o grau de perfeição e darão muito fruto».

Como que a igreja luterana ia corrigir estas deficiências? Em resposta a esta pergunta, Spener apresentou uma série de propostas na terceira seção da Pia Desideria.

«Primeiro, deve haver mais atenção no conhecimento da Palavra não só por parte do clero, mas também dos laicos. Eles devem ser ensinados a lê-la privadamente, e o clero deve lê-la e deve explicá-la publicamente».

É em relação a isto que Spener expõe duas de suas propostas mais dramáticas e de longo alcance – que a igreja renovasse a ênfase de Lutero no sacerdócio de todos os crentes, e que eles assim fizessem através da iniciação da «escola de piedade». Estas eram pequenas reuniões interativas de cristãos laicos que se aproximavam da exposição da Bíblia, a exortação e a oração. O formato de reunião descrito em 1ª Coríntios 14 foi sublinhado como o modelo para as reuniões nas casas.

«Talvez fosse útil voltar para a antiga forma apostólica de reunir a igreja, que conduz à maturidade do pensamento. Além dos sermões costumeiros, sustentar outras reuniões da mesma maneira que descreve Paulo em 1ª Coríntios. Em lugar de apenas uma pessoa levantando-se para ensinar, o qual pode ser feito em outros momentos, outros que tem sido abençoado com talentos e visões também podem contribuir. Eles poderiam expressar os seus pensamentos piedosos que poderiam ser instrutivos para outros a respeito das matérias discutidas, sem desordem nem lutas. A contribuição de cada um seria examinado pelo resto, sobretudo por aqueles cujo ministério é o ensino, a respeito da conformidade com o propósito do Espírito Santo nas Escrituras e assim o grupo inteiro seria edificado».

De fato, nas reuniões caseiras propostas por Spener, todos tinham ocasião de expressar o seu sentimento e fazer perguntas. Ele ensinava que «os crentes não são passivos em matérias espirituais, mas têm uma responsabilidade na mútua edificação na fé».

Spener sustentava que este tipo de disposição era necessário, visto que as pessoas não estavam aprendendo a Bíblia através das costumeiras reuniões de domingo.

«Agora, se alguém reúne todos os textos que tem sido apresentado por muitos anos, um após o outro, a uma congregação, haverá só uma pequena parte da Escritura que será exposta. A congregação absolutamente não ouvirá o resto, ou ouvem só uns poucos ditos ou diretivas mencionadas no sermão, sem poder entender toda a sua importância ainda que haja algo importante neles. As pessoas têm pouca oportunidade de ter a compreensão das Escrituras em outra forma depois que o texto lhes foi interpretado. Eles têm menos ocasião de usar as Escrituras como sua edificação requer».

Também era necessário estabelecer o que Lutero tinha chamado o «sacerdócio espiritual» como uma realidade, em lugar da letra morta. Isto deve ser feito porque uma das razões prioritárias pelas quais o ministro não pode obter tudo nem pode levar a cabo o que deveria ser fácil, é que ele é muito fraco sem a ajuda do sacerdócio universal de todos os crentes. Não é suficiente quando normalmente só a uma pessoa é confiado a posse de tudo o que é necessário para a edificação das pessoas sob o seu cuidado.

A quarta proposta tem haver com a vida moral das pessoas. Aqui, Spener clama pelo ensino e advertência clara com respeito a amar a Deus e aos nossos semelhantes. «Quando nós despertamos um amor fervoroso entre cristãos –primeiro uns aos outros, em seguida para todos os homens– ambos (o amor de irmãos e o amor à humanidade) devem seguir um para o outro (2ª Pedro 1:7) – e levá-lo à prática, então quase tudo o que nós desejamos é completo».

As mudanças na conduta durante o exercício das ‘disputas’, são a quinta parte do programa de Spener. Ele concordava com Arndt que nem toda discussão é útil, mas sentia que «os líderes não devem abandonar de todo a prática do debate, porque a defesa da verdade pura, e também a discussão que é parte de sua defesa, deve manter-se na igreja assim como outras funções ordenadas para a edificação da igreja. Cristo, os apóstolos, e seus seguidores destacam como exemplos benditos que também houve disputas, refutando poderosamente os erros e defendendo a verdade. Por outro lado, aqueles que rejeitam e condenam este uso necessário da espada espiritual da Palavra divina poderiam expor a igreja cristã ao maior perigo, enquanto que deveria ser usada contra o falso ensino».

No entanto, eles deviam observar um comportamento amoroso e não deviam ofender os seus antagonistas. Ele pensava que eles deviam compreender as limitações das discussões, e aceitar aquelas de outras confissões cristãs. Por último, os disputadores deviam praticar o amor e as boas obras para confirmar os seus argumentos.

A quinta proposta tratava de corrigir as deficiências no clero. Spener cria que os seminários deveriam escolher só a estudantes moralmente qualificados. Devia haver um esforço por averiguar o que tinham sido suas vidas antes de serem admitidos. Uma vez ali, os professores deviam fiscalizar as vidas dos estudantes, insistindo na piedade além da erudição. Deviam abandonar as festas, as brincadeiras e o escândalo, e até exibir certificados do seminário declarando que o graduado estava qualificado para ministrar devido a sua vida piedosa.

Ele sentia que as discussões deviam ser tarefa de apenas alguns no seminário, e que a prioridade do enfoque era saber ensinar a fé ao seu povo em alemão. Assim, o objetivo do seminário deveria ser produzir pregadores práticos, não ociosos intelectuais.

Para adestrar o caminhar privado dos estudantes, Spener recomenda livros de devotos medievais como A Teologia Alemã, de Tauler, e a Imitação de Cristo, de Kempis. Estes livros, junto com a Bíblia, são os que, segundo Spener, provavelmente fizeram de Lutero o que ele foi. O próprio livro de Arndt também é do tipo desejado.

Finalmente, a sexta proposta é que, existindo o clero, deveria se pregar mensagens planejadas para confirmar a fé e frutificar nos ouvintes. Não deveria mostrar quão conhecedor era o pregador, senão para edificar moralmente. Em outras palavras, os sermões deviam ser práticos, tanto ao enfocar a mudança interior, assim como o exterior. Nenhuma mensagem deveria carecer de aplicação.

Por último, Spener dá uma breve introdução literária e bibliográfica ao volume dos sermões de Arndt. Ele comenta que: «Nestes escritos espiritualmente enriquecedores, ele (Arndt) dirigiu tudo ao verdadeiro centro, à pessoa interior».

 

Efeitos de sua obra

Como resultado dos seus esforços de renovação, foi severamente difamado e açoitado, literalmente acossado por toda a Alemanha. Quando fugia de cidade em cidade, surgiam novas igrejas nas casas, reavivando a seca e formal igreja luterana.

Spener era claramente luterano em sua soteriologia, não obstante, lutou por uma forma de santificação motivada no coração (um movimento de progressão espiritual distinto da justificação) na vida cristã.

Por causa disto, Spener foi taxado como um calvinista, assim como acusado de reintegrar «a justiça por obras», mas ele manteve sempre a soteriologia do «querido Lutero»: «Nós reconhecemos alegremente que devemos ser salvos apenas e exclusivamente através da fé e que as nossas obras ou a vida piedosa não contribuem muito nem pouco para a nossa salvação, porque como fruto as nossas obras se conectam com a gratidão que devemos a Deus, que já foi dado a quem crê no dom da justiça». Assim, Spener manteve a justificação forense (uma visão legal, substitutiva, da expiação), mas tentou ir mais além para explicar mais explicitamente o que a união com Cristo significa realmente para os que vivem a vida cristã.

Não obstante a fidelidade de Spener à teologia luterana, os seus seguidores –os pietistas– foram criticados por sua ênfase nas boas obras como prova da fé salvadora, e condenada por causa de sua indiferença à autoridade centralizada manifesta em suas reuniões de piedade.

Com inimigos formidáveis, como Johann Benedict Carpzov, Spener foi levado de Frankfurt a Dresden, e Francke de Leipzig a Halle. No entanto, os pietistas geralmente eram indiferentes ao seu estado marginal; eles se viam a si mesmos como fermentos na igreja e para a sociedade e estavam satisfeitos com semelhante papel.

O entusiasmo de Spener pela reforma da Igreja Luterana da qual nunca quis dissociar-se, e sua insistência na vida religiosa interna do indivíduo, tiveram uma influência profunda e benéfica no protestantismo alemão. Ainda que muitos de seus escritos fossem respostas à ortodoxia escolástica, eram mais uma reação a um estilo de teologia, um estilo estéril, polêmico e muito racionalista. No entanto, ele não discrepava com o conteúdo desta tradição teológica «ortodoxa». De muitas maneiras, Spener construiu sobre ela, com uma ênfase na aplicação pastoral da doutrina, para o cultivo de uma fé viva e ativa na vida de seus paroquianos.

 

Influência posterior

Sem dúvida, Spener é um dos grandes e esquecidos restauradores da Igreja. Ainda que ignorado, ele tem tocado a todos através daqueles que ele influenciou pessoalmente.

Um dos seus discípulos foi August Herman Francke (1663-1727), quem inspirou o famoso George Muller a manter os órfãos através da fé simples e da oração. Ele também impactou o jovem conde de Zinzendorf (1700-1760) com seu poderoso ensino e visão de uma igreja apostólica restaurada.

 Por sua vez, o conde de Zinzendorf guiou o grande esforço da missão moraviana para evangelizar o mundo. Incluídos naqueles ganhos para Cristo pelos moravios estiveram John e Charles Wesley (1703-1791 e 1707-1788). O ministério de Spener realmente impactou o mundo em que vivemos. A meta de todos os seus esforços era ter, em seu dia, a Igreja que refletisse a comunidade cristã apostólica.

Spener foi um escritor prolífico. A lista dos seus trabalhos publicados compreendem sete volumes.

REVISTA AGUAS VIVAS

FONTE www.avivamentonosul.blogspot.com.br