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Comentario biblico de FILIPENES N.4 e N.3
Comentario biblico de FILIPENES N.4 e N.3

         COMENTARIO BIBLICO DE FILIPENSES N.5 

 

Quem opera a salvação no homem é Deus através do Espírito Santo que convence o homem do seu estado de pecado. Quando isto acontece o homem está livre para dizer sim a graça de Deus. O arrependimento e a fé em Deus são brotados no coração do homem pelo próprio Pai. Isto faz do Senhor o autor da salvação humana. Esta verdade precisa ficar clara para os alunos.

Uma vez lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro o ser humano é livre para colocar em prática a consequência da salvação. O discípulo de Jesus foi chamado para produzir frutos. João 15.8 diz: "Nisto é glorificado meu Pai: que deis muitos frutos; assim serei meus discípulos". Frutos, aqui, não é ascetismo, arroubos exteriores e comportamentais, mas é amar "uns aos outros, assim como eu vos amei" (Jo 15.12). Esta característica é que distinguirá quem é o discípulo de Jesus: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13.35). Ou seja, é pela prática do amor as outras pessoas que o mundo saberá ou não quem é discípulo de Jesus.

É com esse olhar que devemos ler a Epístola de Paulo aos filipenses. Então compreenderemos a sua conclamação: "operai a vossa salvação com temor e tremor". A ideia desta expressão não é a de reforçar que o crente é responsável de ir ou não para o inferno segundo as suas ações. Ali, o apóstolo quer mostrar que o crente recebeu uma tão grande salvação que é inimaginável ele não por em prática esta nova realidade devida, pois é "Deus que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade".

O prezado professor deve destacar para a classe que o operar a salvação é a mesma conotação vista acima no Evangelho de João para produzir frutos. É por isso que o apóstolo usa expressões tão fortes que tem haver com a relação com o próximo: "Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas"; "sejais irrepreensíveis e sinceros"; "retendo a Palavra da vida".

Paulo espera ver a igreja de Filipos operando a sua salvação, pois segundo o apóstolo, não pode haver outro resultado, se não, um profundo contentamento e alegria do povo de Deus. Os crentes são chamados a praticar as boas obras. Estas foram preparadas por Deus para os nascidos de novo andarem por elas. Enfatize essa grande verdade aos alunos: não somos salvos pelas obras, mas somos salvos para produzi-las. Era inimaginável para o apóstolo um crente sem obras (amor).

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

A salvação é perfeita juridicamente em relação ao que Cristo fez no Calvário ao pagar a pena do nosso pecado. Porém, ela é dinâmica e progressiva no que se refere a mantê-la através da santidade de vida. A consumação de nossa salvação está na dependência de Deus. Por isso, a salvação, quanto ao ato penal, é perfeita e completa, mas quanto a sua preservação é condicional. Pode-se perder a salvação, caso não seja preservada através de uma vida santa e dedicada ao Senhor. A obediência ao evangelho de Cristo é um modo de garantir a salvação.

A partir da escritura do versículo 12, o apóstolo Paulo expressa o sentimento do seu coração no sentido de que a obediência dos filipenses não dependesse da sua presença física em Filipos. O apóstolo deseja que os filipenses entendam que a salvação é dinâmica, ativa e contínua, no sentido de que cada cristão deve procurar desenvolver sua vida cristã em santidade e obediência. Quando ele exorta, dizendo: “operai a vossa salvação”, não está ensinando, em absoluto, uma salvação pelas obras. O versículo 13 esclarece bem essa questão: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar”.

A doutrina da Salvação ganha espaço nos pensamentos do apóstolo Paulo no texto em destaque. Paulo refuta a ideia de uma salvação estática ou elitista, baseada apenas no direito divino de eleger a quem Ele quer, dos calvinistas. Esta última ideia entende que o eleito não corre o risco de perder sua salvação. Porém, o texto apresenta a obra da salvação de modo dinâmico. O que dá importância a este pensamento é a forma plural do verbo operar ou do verbo desenvolver. Na ARC temos o imperativo “operai”, e na ARA temos o mesmo imperativo “desenvolvei”. Isso não sugere que a obra justificadora de uma pessoa diante de Deus precise de alguma obra complementar, como se estivesse incompleta a obra que Jesus fez por todos os pecadores. O verbo dá um sentido dinâmico à salvação.

Como podemos entender a obra de salvação como doutrina? Paulo entendeu e ensinou a doutrina dimensionando-a em três tempos distintos: a obra no passado com a justificação do pecador mediante sua fé em Cristo; a obra presente da salvação mediante a santificação como um processo contínuo e crescente do crente na presença de Deus; e em terceiro lugar, a obra futura da salvação mediante a glorificação, ou seja, o estado de glória conquistado na vida além-túmulo. Ora, o sentido dinâmico da salvação é demonstrado pela forma verbal do verbo “operar”, porque o crente pode crescer em Cristo Jesus (Ef 4.15,16).

Neste ensinamento, o apóstolo Paulo retoma a exortação apostólica e enfatiza a obediência dos filipenses, que também caracterizou Cristo em sua vida terrena. Ele destaca essa virtude da obediência de Cristo demonstrada nos versículos 5 a 11 para que os crentes em Cristo o tivessem como exemplo. Paulo não duvida da obediência dos filipenses, mas fortalece a ideia de que a obediência é o caminho do aperfeiçoamento da salvação recebida. A forma imperativa do verbo “operar” pode ser entendida, por “desenvolver”. Desenvolver o quê? A salvação! A salvação que é uma obra dinâmica na vida do crente. Paulo sentia liberdade para falar e exortar aos filipenses, reafirmando sua autoridade apostólica para com eles e estimulando-os a desenvolver a salvação.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 72-73.

Paulo elogia os filipenses por sua obediência – sem dúvida a Deus, primeiramente, e depois a ele mesmo, quando esteve em Filipos. Paulo deseja que a salvação e a santidade deles não dependam da sua presença; como nós também devemos ter a nossa própria experiência com Deus e não depender além da conta dos pastores e amigos, ainda que os mais consagrados (v. 12). Cada um deve buscar a santidade, porque esta é a vontade de Deus para conosco (Walker).

Esta passagem (“operai a vossa salvação”) não ensina, em absoluto, uma salvação pelas obras. O versículo seguinte o esclarece muito bem: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar...” O sentido do texto como um todo “constitui um apelo aos homens justificados a diligentemente zelarem pelo progresso de sua santificação, a qual se consumará brevemente na ‘glória a ser revelada” ’. A consumação de nossa salvação, pois, está em nossa dependência de Deus (v. 13), mas como Ele habita em nosso interior devemos agir com “temor e tremor” (v. 12). O apóstolo, com isso, ressalta que devemos ter permanentemente o cuidado de não ofender a Deus, buscando em tudo fazer o que é reto - uma forma de confirmar (não de obter) a nossa salvação. Complementando os versículos 12 e 13, os santos de Deus devem fazer “todas as coisas sem murmurações nem contendas” (v. 14), pois tais atitudes evidenciam um espírito arrogante, digno de censura. Mas nós, como filhos de Deus, devemos nos tornar irrepreensíveis e sinceros (grego: “sem liga” , “não adulterado”) em todas as áreas, especificamente quanto ao caráter. Paulo afirma que devemos ser “inculpáveis” (literalmente: “sem falha, mancha ou culpa”) para que a luz do nosso testemunho de Cristo resplandeça em meio às trevas dum mundo transviado e corrupto (vv. 15,16).

Boyd. Frank M. Comentário Bíblico. Gálatas. Filipenses, 1 e 2 Tessalonicenses, Hebreus. Editora CPAD. pag. 66-67.

A teologia não é especulação filosófica; ela produz vida. James Montgomery Boyce diz que a verdade conduz à ação.

Ralph Martin diz que, em seguida ao hino soteriológico (Fp 2.6-11), Paulo prossegue, a fim de fazer uma aplicação penetrante. “Assim, pois” é uma expressão voltada para a conclusão da seção mencionada. Paulo não está começando um novo assunto, mas fazendo uma aplicação do assunto anterior. O chamado é para a obediência.

O conhecimento e a experiência não têm nenhum valor se não nos ajudam a viver nos vales da vida e se não nos capacitam a viver em amor. Depois que Paulo tratou do exemplo de Cristo, falando acerca da Sua humilhação e exaltação, volta a exortar a igreja à obediência e à unidade. Paulo é um pastor e, por isso, antes de exortar os crentes, revela a eles o seu amor, chamando-os de “amados meus” (1.7,8; 2.12). Paulo tem tato e diplomacia ao lidar com as pessoas, especialmente quando vai exortá-las à obediência (G1 6.1).

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 145-146.

I - A DINÂMICA DA SALVAÇÃO (2.12, 13)

  1. O caráter dinâmico da salvação.

O Apelo para Desenvolver a Salvação (2.12)

  1. A salvação tem um caráter dinâmico

O texto do versículo 12 diz: “operai a vossa salvação”. O verbo operar sugere a ação de fazer, de movimentar, a salvação recebida. Envolve uma dinâmica de desenvolvimento da nova vida recebida. O princípio que rege o desenvolvimento da salvação é a obediência. Paulo lembra o exemplo maior de obediência de Cristo como um estímulo a que façamos o mesmo. Teologicamente, a salvação tem três tempos distintos na sua operação. O primeiro tempo refere-se à obra da salvação realizada, completa e perfeita no Calvário. E a salvação da pena do pecado que Jesus pagou por todos nós. O segundo tempo da salvação refere-se à dinâmica da salvação que se efetua no dia a dia de forma progressiva. E a salvação do poder do pecado que age em nosso redor e em nossa natureza pecaminosa para que percamos a salvação. O terceiro tempo da salvação é futuro, e se refere à salvação do corpo do pecado, na morte física ou no Arrebatamento da Igreja.

  1. A exortação para operar a salvação recebida (2.12)

A doutrina de “uma vez salvo, salvo para sempre” não dá espaço para desenvolver a salvação. Na realidade, ela tem um caráter de estagnação. Porém, o verbo, no imperativo — “operai” da ARC ou “desenvolvei” da ARA — coloca em movimento a vida cristã. A ideia de “uma vez salvo, salvo para sempre” anula a importância da igreja, que existe para “desenvolver” a salvação recebida em Cristo. O imperativo verbal “desenvolvei” tem o sentido de levar a bom termo, ou de completar algo que está por terminar. A obra salvadora realizada é perfeita e completa quanto ao seu aspecto jurídico e penal, porque Cristo cumpriu toda a lei exigida. Porém, essa obra perfeita e completa de Cristo requer, também, ação exterior em termos de atividade espiritual e social na vida comunitária da igreja. A salvação, da parte de Deus, foi operada interiormente pelo mérito da obra do Calvário. Porém, o sentido de “operar a própria salvação” refere-se à demonstração dessa salvação fazendo a obra de Deus e cuidando-se de modo a torná-la firme até o dia final, quando estaremos para sempre com o Senhor.

  1. O poder da obediência (v. 12)

O apóstolo Paulo coloca o verbo obedecer no pretérito passado (“obedecestes”) para reforçar o fato de que a obediência é o elemento essencial para manter a salvação recebida. De certo modo, Paulo dá testemunho da obediência dos filipenses quando diz: “sempre obedecestes”. Tratava-se de uma obediência espontânea, não vigiada, quando Paulo estava presente e agora quando ele está ausente. Nesta escritura do versículo 12, o cristão é estimulado a movimentar a sua salvação, no sentido de continuar no caminho da obediência. A obediência dos filipenses aos princípios do evangelho era percebida por Paulo. Mas o apóstolo pede aos filipenses que operem a salvação com temor e tremor, no sentido de preservar a riqueza maior de suas vidas. Aprendemos que a soberania divina não anula a responsabilidade humana em manter e preservar a salvação recebida.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 73-75.

Com a palavra «...pois...», Paulo vincula a exortação que faz aqui com o que dissera imediatamente acima. Pois a ideia principal é que os crentes vivam na presença de Deus, adquirindo a posição de glória mediante a atitude de humildade, sob a condição de trabalharem juntamente com Cristo, de modo a serem verdadeiros «filhos de Deus» e «luzes do mundo».

Em tudo isso transparece a verdadeira semelhança, ainda que imperfeita, da deidade que habita na humanidade de nosso Senhor, a qual é exaltada através da dupla humilhação até uma glória indizível». (Barry, in loc., que poderia ter adicionado que a deidade residente em Cristo lança sua luz ética nesta secção, em nossa própria humanidade; e que ambas as ideias, a participação de Cristo e a nossa participação, aparecem juntas em Col. 2:9,10, sendo enfatizadas em Efé. 1:23 e 3:19. Trata-se de conceitos admiravelmente elevados, que falam da própria essência do evangelho, conforme o apóstolo vê as coisas.

«...amados meus...» é expressão de afeto genuíno. Alguns problemas tinham surgido, pois havia crentes que procuravam dominar a outros, transformando a igreja em um teatro de glorificação própria; e Paulo agora repreende tal erro. Mas, ao mesmo tempo, reconhece sua conexão íntima com eles, porquanto estavam todos vinculados em amor fraternal e no amor de Cristo. Deve-se notar, por conseguinte, que essa reprimenda é suavizada com expressões de afeto; pois a repreensão, sem o tempero do amor, é destrutiva, e não auxiliadora. Pode-se observar, por igual modo, que, na sua severa epístola aos Gálatas, Paulo com frequência suavizou suas exortações e correções por termos reiterados de afeto. (Ver Efé. 1:11; 3:15;

4:12,28, 31 e 6:1,17, onde os chama de «irmãos»; ver Efé. 4:19, onde os chama de «filhinhos»). A palavra «irmãos» aponta para os crentes como participantes da família divina, em que Deus aparece como Pai, ao passo que Cristo figura como Irmão mais velho, e onde a igreja ê o lugar onde o amor fraternal deve agir como norma orientadora. (Ver as notas expositivas sobre essa questão, em João 15:10,21).

«.. .sempre obedecestes...» « ...obedecestes...» vem do termo grego «upakouein», que subentende a obediência em resultado do ouvir alguma ordem, no que concerne à sua origem, embora fosse termo comumente usado para qualquer forma de obediência. Era vocábulo usado como termo técnico para indicar um «porteiro», cujo dever era ouvir os sinais daqueles que desejavam admissão, permitindo-lhes a mesma, se tivessem tal direito.

Também era palavra usada para indicar «estar sujeito a», «seguir». A conduta dos crentes filipenses, no passado, sempre fora exemplar, porquanto seguiam o padrão deixado por Cristo, e davam estrita atenção às injunções apostólicas. Mas houve tempo em que contavam eles com o apoio da presença, da autoridade e do encorajamento de Paulo. Agora, na ausência física do apóstolo, tinham de estar suficientemente amadurecidos no espírito para que pudessem manter-se sozinhos, prestando contas diretamente a Cristo. Por essa razão é que Paulo exortou-os a que aplicassem a salvação que possuíam, pondo-a em ação quanto ao seu lado moral, o que poderiam fazer rendendo-lhe a própria vontade e aplicando todos os meios mediante os quais os homens são transformados segundo a imagem moral de Cristo, e, por conseguinte, segundo a sua imagem metafísica.

A necessidade final de cada crente ficar de pé por si mesmo: Temos aqui uma grande verdade. Cada crente terá de finalmente manter-se sozinho, em seu desenvolvimento espiritual, prestando contas exclusivamente a Deus.

Todos nós temos tido professores e outros elementos influenciadores em nossas vidas; e todos eles desempenharam uma função necessária. Porém, o que fazemos com as suas instruções, como as aplicamos, sobretudo acerca das instruções espirituais que temos recebido, depende inteiramente de cada um de nós, como indivíduos. Quantos são os jovens que se conduzem bem, estando na companhia de seus pais ou de seus mestres, para se afastarem inteiramente do reto caminho quando esse apoio lhes é retirado!

Sim, chega um ponto, na vida de cada crente, em que ele tem de enfrentar o seu Deus sozinho. Chegado esse ponto, não poderá mais depender das experiências de outros crentes. É uma tendência, até mesmo uma necessidade das crianças e aprendizes de todos os ofícios, se aproveitarem das experiências alheias. Mas chega o tempo em que isso não pode continuar a ser feito. O crente precisa tornar-se aquilo que ele deve ser sozinho, dependendo diretamente de Cristo em sua própria alma.

Em batalha ou negócios, qualquer que seja o jogo, Pela lei ou pelo amor, é sempre, sempre o mesmo. Em luta por poder ou por ganhos desonestos, Deixe que isto seja seu guia:

Confie em si mesmo.

Por qualquer que seja o prêmio  quer medalha ou trono, O vencedor é aquele que segue lutando sozinho.

«...muito mais...» Sem contarem com a presença pessoal de Paulo, os crentes filipenses precisavam resguardar-se, pois não podiam mais contar com a ajuda e sustento dele. Em sua ausência, um maior zelo e cuidado se tomava mister. No dizer de Braune (in loc.): «Ele (Paulo) exorta-os a uma maior necessidade de esforço próprio, porquanto agora estariam sozinhos, sem a assistência do apóstolo, agora distante».

« ...desenvolvei a vossa salvação... » A primeira dessas palavras, no original grego, é «katergadzomai», que significa «produzir», «conseguir», «atingir». «Desenvolver» é uma suavização da ideia; de fato, trata-se de uma interpretação, e não de uma tradução.

Efetuai A Vossa Salvação!

Que significa essa declaração? Será não-paulina?

  1. Não é ideia não-paulina, porquanto não há nela qualquer pensamento de merecer a salvação a través de boas obras, ritos, cerimonias, sacramentos. Isso seria inteiramente oposto à teologia paulina.
  2. Não obstante, o original grego indica mais do que apenas «desenvolver» nossa porção espiritual, por havermos sido salvos por Deus. Além disso, significa muito mais do que «expressar externamente» a salvação que possuímos internamente, ou «dar evidências» de que somos convertidos.
  3. Pelo contrário, Paulo mostra que realmente pomos em funcionamento a nossa salvação, em ^termos não-legalistas.
  4. O processo (do princípio ao fim, da conversão à glorificação), na realidade terá de ser efetuado mediante o exercício da vontade humana, que «acolhe e encoraja» a vontade divina, para que esta opere. Ã acolhida à vontade divina, denominamos «fé». Portanto, em certo sentido, nosso «desenvolvimento» de nossa salvação é o exercício da fé inicial e contínua.
  5. Essa fé, entretanto, é encarada como um princípio vivo e ativo, o qual transforma um homem segundo a imagem moral e metafísica de Cristo.

Paulo dizia: «Deveis ter um a fé genuína; também deveis permitir e encorajar o Espírito, para que realize a sua obra; deveis ser verdadeiramente santificados; deveis realmente desenvolver as virtudes morais; deveis ser transformados; deveis viver a vida caracterizada pelo amor. Do contrário, não haverá a salvação em vós». Tudo isso se refere ao lado humano, e como cooperamos com o Espírito de Deus.

  1. Desenvolvemos nossa salvação porque cada avanço na espiritualidade é realizado por nós, na medida em que vamos cooperando com o poder divino. Nenhum avanço pode ser atingido sem essa cooperação.
  2. A essência dessa ideia é a de que «somos responsáveis» por cada passo de nossa salvação, incluindo a conversão (quando nos achegamos a Cristo), a santificação (quando permitimos que o seu Espírito nos torne santos) e as boas obras (quando pomos em prática a lei do amor).
  3. O versículo seguinte, naturalmente, expõe o lado divino de todo esse processo. Não poderíamos querer a vontade de Deus, e nem querer pô-la em prática, e realmente praticá-la, a menos que o seu Santo Espírito' nos inspirasse e nos capacitasse a tanto. Assim sendo, o pêndulo baloiça de volta à pura graça divina. A graça se acha no alicerce de todo o nosso ser e de tudo em que estamos nos tornando. (Comparar isso com I Cor. 4:7 e 15:10).
  4. Notemos como até mesmo as «boas obras» de um indivíduo, as suas atividades, a sua bondade expressa por meio de atos, e aquelas coisas que ele faz para cumprir a sua missão, tudo foi preordenado e agora recebe de Deus a energia (ver as notas em Efé. 2:10). Por conseguinte, devemos ao Senhor as nossas próprias boas obras. Deus faz cada homem tornar-se um ser singular, em si mesmo e em sua missão (ver as notas em Apo. 2:17).

Nada existe no homem decaído no pecado, que possa produzir tais resultados, sem a intervenção divina.

  1. Como a nossa vontade e a determinação divina operam conjuntamente, não sabemos dizê-lo. O trecho de Fil. 2:12,13 diz-nos que assim sucede. Há em tudo isso um profundo mistério, pelo que as explicações aqui oferecidas são inadequadas, embora, por certo, se revistam de certo significado.

Ê possível o fracasso? O versículo deixa entendido que uma pessoa, uma vez convertida, pode falhar na aplicação de sua santificação, perdendo assim sua conversão, voltando ao mundo. De fato, esta passagem, ficaria sem sentido, como uma advertência, que se toma mais vigorosa pela adição das palavras «...com temor e tremor...» O trecho de II Ped. 1:10 menciona a possibilidade de «queda»; a passagem de I Cor. 9:27 mostra-nos que até mesmo um grande pregador poderia se* finalmente «desqualificado». Isso, naturalmente, cria o problema da reconciliação entre os ensinos bíblicos da «segurança eterna do crente» e da «possibilidade de desvio», conforme se percebe claramente em passagens como o nono capítulo da epístola aos Romanos e o décimo capítulo do evangelho de João. A posição deste comentário é que a possibilidade de desvio é relativa, mas a segurança é absoluta. Como isto pode ser ver as notas em Rom. 8:39.

«Posto que a graça nos é dada, devemos trabalhar. O dom da graça se manifesta quando o indivíduo se torna cooperador de Deus (ver I Cor. 3:9).

A salvação dada mediante a graça deve ser posta em funcionamento pelo homem, com a ajuda da graça divina (ver Rom. 6:8-19 e II Cor. 6:1). O que esse desdobramento da salvação requer é visto em Fil. 3:10; 4:1-7; Efé. 4:13-16,22 e ss. e Col. 2 :6 ,7. Para tanto, o crente precisa ser constantemente fortalecido pelo Espírito. A possibilidade de sucesso transparece na oração feita por Paulo, em Efé. 3:16-20... A obra de Deus precisa ser exteriorizada por nós mesmos». (Vincent, in loc.).

«Qualquer que seja o descanso que o cristianismo providencie para os filhos de Deus, certamente-jamais é visto como algo que elimina a necessidade do esforço pessoal. E qualquer descanso que dê margem à indiferença será imoral e irreal, fabricará parasitas, e não homens. Ê exatamente porque Deus opera nele, como evidência e triunfo desse fato, o verdadeiro filho de Deus põe em execução a sua própria salvação, tendo-a recebido, agora a põe em funcionamento, e não como algo sem importância, como um labor supérfluo, mas antes, como temor e tremor, como é razoável e indispensável que os filhos de Deus o sirvam». (Drummond, Natural Law and the Spiritual World, pág. 335).

As palavras do autor citado acima concordam com a lei universal da colheita segundo a semeadura, porquanto essa lei não se aplica apenas aos incrédulos, mas também aos remidos. (Ver Gál. 6 ,7 ,8 ). Note-se na referência citada que a «vida eterna» é o alvo e o fruto da boa semeadura. O trecho de Gál. 5:22,23 ensina-nos que os vários aspectos do «fruto do Espírito Santo» são implantados em nós pelo Espírito de Deus, sendo aceitos, buscados e aplicados por nós; e essa é uma outra maneira pela qual apontamos para o caráter daquilo que está sendo «realizado» por nós, mediante o poder de Deus.

«...salvação...» é palavra que deve ser aqui entendida em seu sentido absoluto e primário—a salvação da alma, eterno bem-estar nos lugares celestiais. Essa salvação começa quando da conversão, envolve a santificação e culmina na glorificação, envolvendo tudo quanto as Escrituras atribuem a esse processo. (Ver o trecho de Heb. 2:3 quanto a notas expositivas completas sobre esse tema).

Uma perseverança enérgica é necessária para que a salvação seja vivida ou executada em nossas vidas, até ao seu glorioso fim. Isso é exatamente o que o apóstolo ensinava aqui.

«Certo professor, que sofrera de exaustão nervosa, recebeu de presente um livro sobre o controle do pensamento, onde supostamente encontraria saúde e tranquilidade. Encontrou muita coisa útil; mas também lhe foi dito ali que não trabalhasse demais, que não carregasse uma parcela muito grande de responsabilidade, que não se incomodasse com situações perturbadoras. E assim chegou à conclusão que estava sendo sutilmente atraído para uma vida de acomodação, que ele não desejava para si».

«O cristianismo não foi esquematizado para conservar-nos em naturalidade, em paz, em felicidade e em contentamento. Seu intuito verdadeiro é exatamente o de perturbar o ‘eu’, tomando-nos tão enfermos e envergonhados de nós mesmos que queiramos abandonar toda a ideia de auto-suficiência, permitindo que algo da atitude de desprendimento de nosso Criador assuma o comando de nossas almas atormentadas consigo mesmas». (Wicks, in loc.).

«...com temor e tremor...» Essas palavras servem para mostrar que Paulo não falava acerca de coisas indiferentes. As duas palavras gregas aqui usadas pelo apóstolo, «phobos» e «tromos», aparecem juntas com frequência na versão da Septuaginta (tradução do original hebraico do A.T. para o grego, completado cerca de duzentos anos antes da era cristã), como se vê em Gên. 9:2; Êxo. 15:16 e Isa. 19:16; como também são de uso frequente nas páginas do N.T. (Ver I Cor. 2:3; II Cor.6:15; Efé. 6:5, onde a expressão é comentada). Apesar de ser verdade que nenhum terror abjeto nos é recomendado, mas tão-somente uma cautela séria, contudo, não há razão para acreditarmos que Paulo não estivesse pensando em um temor genuíno, porquanto estamos aqui abordando uma questão temível., No dizer de Weadlaw (in loc.), temos aqui «...temor, auto desconfiança, consciência sensível, vigilância contra a tentação; uma inspiração que se opõe à altivez de espírito, o cuidado para que se não caia, a constante apreensão ante o fato que o coração é tão enganoso, o temor devido ao poder insidioso da corrupção no íntimo». Essa expressão é empregada no trecho de Efé. 6:5, para aludir à atitude que os escravos devem ter p ara com os seus senhores.

Um respeito são é aqui recomendado, e até mesmo o temor, no sentido ordinário do termo, porquanto nosso Senhor é o Rei dos reis. Segundo se lê em Pro. 1:7: «O temor do Senhor é o princípio do saber...» Oferecemos aqui uma ilustração acerca do temor devido a Deus. Foi feito um levantamento de opinião pública pelo Ladies’ Home Journal, uma revista norte-americana que se interessa por crenças religiosas; e os resultados colhidos foram entregues à apreciação de representantes eruditos das fés protestante, católica-romana e judaica, com os seguintes resultados:

  1. Noventa e cinco por cento das pessoas professaram crer na existência de Deus (uma coisa boa), mas apenas vinte e seis por cento pensavam que Deus tem qualquer relação pessoal com sua conduta diária (o que é mau); e isso representa a posição do «deísmo», em contraste à posição do «teísmo».

O teísmo assevera que Deus existe e mantém contato com os homens, estando interessado por recompensá-los ou puni-los. Já o deísmo afirma que Deus existe, mas assim que criou tudo se divorciou inteiramente de sua criação, tendo-a deixado ao encargo de «leis naturais», porquanto não está interessado em galardoar ou castigar aos homens. (Ver as notas expositivas sobre as «diversas ideias concernentes à natureza de Deus», em Atos 17:27).

  1. Noventa e um por cento das pessoas procuravam ter uma vida piedosa (uma coisa boa), mas oitenta e dois por cento delas admitia que sua suposta «luta» pelo bem raramente interferia com aquilo que queriam fazer (o que é mau); portanto, a vida piedosa era tão-somente um «ideal», e não um fato real em suas vidas.
  2. Noventa por cento das pessoas pensava que a aplicação do amor, na sociedade humana, resolveria os problemas da mesma sociedade, e oitenta e dois por cento delas mostrava-se o suficientemente egoísta p ara pensar que estavam obtendo um bom grau de sucesso na aplicação dessa lei. Contudo, oitenta por cento de tais pessoas estava certa que a maioria de suas tribulações eram provocadas por outras pessoas, e não por elas mesmas; portanto, não pareciam ser sinceras na aplicação da lei do amor. Aqui, pois, vemos pessoas obcecadas, sem nenhum temor a Deus diante dos olhos, em qualquer sentido prático. O temor a Deus derruba o ‘eu’ do trono e ali entroniza a Deus; e isso é que torna possível nosso andar na santificação. Conforme diz Robertson (in loc.): «Paulo não sentia qualquer simpatia com uma ortodoxia fria e morta, com o formalismo que desconhece luta e desenvolvimento. Ele nos exorta como se fosse um arminiano dirigindo-se aos homens. Mas ora como se fosse um calvinista, dirigindo-se a Deus, sem sentir qualquer incoerência nessas duas atitudes.

Paulo não faz qualquer tentativa de reconciliar o senhorio divino com a livre agência do homem, mas antes, proclama ousadamente ambas essas verdades». O autêntico temor a Deus nos confere «...uma ansiedade nervosa e tremente para praticarmos o que é direito». (Lightfoot, in loc.).

Precisamos temer ao Senhor a fim de que, tendo recebido tão grande graça, tão profundo conhecimento, tão multiplicados privilégios, acima de nossos semelhantes, no que concerne às realidades espirituais, venhamos a «falhar», não dando o devido prosseguimento à salvação, não a levando a bom termo, até onde esta vida terrena oferece oportunidade para tal aperfeiçoamento.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 33-34.

Devemos cumprir um propósito (Fp 2:12,14-16)

"Desenvolvei a vossa salvação" (Fp 2:12) não é o mesmo que "conquistai a vossa salvação".

Em primeiro lugar, Paulo está escrevendo a leitores já "santos" (Fp 1:1), ou seja, que já aceitaram a Cristo e foram separados para ele. O verbo "desenvolver" tem o sentido de "trabalhar até a consumação", como quem trabalha em um problema de matemática até chegar ao resultado final. No tempo de Paulo, esse termo também se referia a "trabalhar em uma mina" extraindo dela o máximo possível de minério valioso, ou "trabalhar em um campo" obtendo a melhor colheita possível. O propósito que Deus deseja que alcancemos é a semelhança a Cristo, "para [sermos] conformes à imagem de seu Filho" (Rm 8:29). A vida acarreta problemas, mas Deus nos ajuda a lidar com eles.

Assim como uma mina ou um campo, nossa vida tem um potencial tremendo, e Deus quer nos ajudar a usar esse potencial ao máximo.

Cindy não estava muito contente quando foi visitar a família nas férias da faculdade. Os pais notaram seu comportamento estranho, mas tiveram a sabedoria de esperar até que ela lhes contasse o que estava acontecendo. Terminado o jantar, ela disse:

- Pai, mãe, preciso lhes dizer algo, mas temo que vou magoá-los. - Conte-nos o que está em seu coração e nós entenderemos - disse o pai. – Queremos orar sobre a questão, seja ela qual for. - Vocês sabem que, quando eu estava no ensino médio, sempre falava em fazer enfermagem. Acho que pelo fato de a mamãe ser enfermeira, imaginei que vocês gostariam que eu seguisse a mesma carreira.

Mas não posso mais fazer isso. Deus não quer que eu seja uma enfermeira! A mãe sorriu e segurou a mão de Cindy.

- Ah! meu amor, nosso maior desejo é que a vontade de Deus se cumpra em sua vida. Se você fizer qualquer outra coisa fora da vontade dele, todos nós ficaremos infelizes!

Cindy havia tomado uma decisão corajosa; encarou a vontade de Deus e decidiu que desejava desenvolver a própria salvação – a própria vida cristã não uma carreira à qual outra pessoa desejava que ela se dedicasse. Uma das coisas maravilhosas da vida cristã é saber que Deus tem um plano para nós (Ef 2:10) e que nos ajudará a levar esse plano a cabo para a glória dele. Nosso Deus é um Deus de variedade infinita! Se não existem duas flores ou dois flocos de neve exatamente iguais, por que dois cristãos deveriam ser idênticos? Todos devemos ser semelhantes a Cristo, mas também devemos ser nós mesmos, A oração "desenvolvei a vossa salvação" provavelmente é uma referência aos problemas específicos da igreja de Filipos, mas também se aplica a cada cristão como indivíduo.

Não devemos ser "imitações baratas" de outras pessoas, especialmente dos "grandes homens e mulheres de fé". Devemos seguir somente o que vemos de Cristo na vida dessas pessoas. "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo" (1 Co 11:1). Todo "santo exemplar" tem pés de barro e, por fim, pode acabar nos desapontando, mas Cristo jamais nos desapontará.

Em Filipenses 2:14, 15, Paulo contrasta a vida do cristão com a dos que vivem no mundo. Os não salvos queixam-se e discutem, mas o cristão se regozija. A sociedade em que vivemos é "pervertida e corrupta", mas o cristão é reto, pois orienta a vida segundo a Palavra de Deus, o parâmetro perfeito. O mundo é escuro, mas os cristãos brilham como luzes resplandecentes. O mundo não tem coisa alguma a oferecer, mas o cristão oferece a Palavra da vida, a mensagem da salvação por meio da fé em Cristo. Em outras palavras, ao permitir que Deus cumpra seus propósitos em nossa vida, tornamo-nos testemunhas mais aptas para um mundo que precisa desesperadamente de Cristo. Ao aplicar essas características a Jesus, podemos ver como ele teve uma vida perfeita em um mundo imperfeito.

É importante observar que esse propósito é alcançado "no meio de uma geração per- vertida e corrupta" (Fp 2:15). Paulo não admoesta os cristãos a se isolarem do mundo nem a viverem em "quarentena espiritual".

Os fariseus eram tão alienados e isolados da realidade que desenvolveram uma justiça própria artificial, inteiramente distinta da justiça que Deus desejava que cultivassem em sua vida. Em decorrência disso, sujeitaram o povo a uma religião de medo e de servidão (ver Mt 23) e crucificaram a Cristo, porque ele ousou opor-se a esse tipo de religião. Não vemos os propósitos de Deus se cumprirem em nossa vida quando nos isolamos do mundo, mas sim quando ministramos ao mundo.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 99-100.

2.12 - De sorte que. Paulo deseja que os filipenses respondam de um modo positivo à sua admoestação quanto a terem a mente de Cristo (v. 5-8). A ordem é para todo o grupo, uma vez que o sujeito oculto (vós) é plural. O tema é a salvação mútua e coletiva deles (Fp 1.19,28; Lc 22.24-30). O termo grego traduzido como operai alude à presente libertação dos filipenses. Ele foi usado por Estrabão, autor do século 1, como referência à escavação de minas de prata. Portanto, a salvação pode ser comparada a um grande presente que precisa ser aberto para a total alegria do indivíduo. Observe que Paulo está incentivando os filipenses a desenvolverem e operarem sua salvação, mas não a trabalharem para obtê-la. Demonstrar a graça e o poder de Deus ao mundo por meio de nossa unidade e nosso amor (compare com Jo 13.34,35) é uma responsabilidade muito séria, por isso requer temor e tremor.

Não se trata do medo como covardia, mas de respeito pelo grande valor da tarefa. Os filipenses deveriam esforçar-se e tratar de cumprir suas obrigações corretamente. Não deveriam ter medo da responsabilidade, mas tratá-la como uma comissão de primeira ordem. Os resultados determinariam sua posição de privilégio e de glória no Reino de Cristo.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 529.

Destacamos três pontos:

Em primeiro lugar, o exemplo de Cristo é o nosso maior estímulo à obediência (2.12). O problema da igreja de Filipos era a desarmonia entre os crentes produzida pelo egoísmo. Os crentes estavam se atritando a ponto de alguns trabalharem na igreja para a promoção pessoal ou o maior reconhecimento do seu grupo (Fp 2.3). A base dessa atitude mesquinha era o egoísmo (Fp 2.4). Então, Paulo exorta os crentes a olharem o exemplo de Cristo e terem o mesmo sentimento que houve Nele (Fp 2.5). Depois que Paulo detalhou os estágios da humilhação e exaltação de Cristo, cobrou da igreja um posicionamento. Lightfoot diz que Paulo mostrou o exemplo da humilhação de Cristo para guiá-los, e o exemplo da exaltação de Cristo para encorajá-los.

A preposição “pois” no versículo 12 é um elo de ligação entre o que Paulo estava falando e o que agora vai falar.

Assim como Jesus obedeceu ao Pai, os cristãos também devem obedecer. Ele diz que o exemplo de Cristo, a Sua humilhação e a recompensa de Sua exaltação são a principal razão para a igreja viver em obediência. O que nós cremos precisa se refletir em nosso modo de vida. Nossa teologia precisa produzir vida.

Em segundo lugar, a doutrina sempre tem propósitos práticos (2.12). Essas gloriosas doutrinas expostas em Filipenses 2.5-11 têm um propósito prático. A doutrina tem a finalidade de conduzir a igreja na verdade. Ela é a base da ética e o alicerce da vida. Ainda ecoam em nossos ouvidos a verdade celestial acerca do Filho de Deus que desceu da glória para a vergonha da cruz, e isso por amor de nós, pecadores. Somos exortados a agir à luz desse vasto e insondável amor. O ensino de Paulo nos mostra que a doutrina sempre conduz ao cristianismo prático.231 Quanto mais estudamos teologia, tanto mais humildes deveremos ser. Quanto mais luz temos na mente, tanto mais amor deveremos ter no coração.

Em terceiro lugar, a obediência do cristão é ultra circunstancial (2.12). Alguns crentes estavam muito dependentes da presença física de Paulo em Filipos para viverem de conformidade com a Palavra. Esses crentes sofriam de uma espécie de nostalgia, vivendo um saudosismo dos tempos áureos que Paulo esteve com eles (Fp 1.27). Contudo, Paulo estava preso em Roma, e eles deveriam manter o mesmo compromisso, apesar da sua ausência. Eles deveriam pôr a sua confiança em Deus, e não na presença do apóstolo entre eles.

William Hendriksen diz que a obediência dos filipenses não deveria ser motivada pela presença de Paulo, nem durar só enquanto ele estivesse em seu meio.232 O cristão obedece não porque o pastor está presente, ou para agradar a esse ou àquele grupo. Sua obediência independe das circunstâncias e das pessoas.

Examinaremos esse texto e extrairemos dele três gloriosas verdades, acerca da nossa salvação.

A salvação recebida (2.12)

A salvação não é uma conquista do homem, mas um presente de Deus. Ela é nossa, não por direito de conquista, mas por dádiva imerecida. A salvação não é um prêmio pelas nossas obras, mas um troféu da graça de Deus. Há duas verdades que merecem ser destacadas aqui:

Em primeiro lugar, a salvação é um presente de Deus a nós, e não uma conquista nossa (2.12). Quando o apóstolo Paulo diz: “... desenvolvei a vossa salvação...” (Fp 2.12; grifo do autor), ele não está afirmando que ela nos pertence por direito de conquista. Ela é nossa porque nos foi dada. Ela é nossa porque alguém a comprou por um alto preço e no-la deu gratuitamente. A nossa salvação foi comprada por um alto preço. Ela não foi comprada por prata ou ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo (IPe 1.18,19).

Em segundo lugar, a salvação verdadeiramente nos pertence (2.12). Muitos cristãos, por não estarem arraigados nas doutrinas da graça, ficam inseguros acerca desse ponto, pensando que a salvação nos é dada num momento e tomada em outro; que podemos estar salvos num dia e perdidos no outro. Isso é absolutamente impossível. A salvação é um presente que nos foi dado para sempre (Rm 8.1). Uma vez salvo, salvo para sempre (Rm 8.31-39). Uma vez membro da família de Deus, jamais seremos deserdados (Rm 8.17).

Uma vez ovelha de Cristo, jamais alguém poderá nos arrancar da mão de Cristo (Jo 10.28).

Paulo diz: “... desenvolvei a vossa salvação...” (Fp 2.12; grifo do autor). O estudioso da língua grega H. C. G. Moule diz que a palavra “vossa” é fortemente enfática.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 146-148.

  1. Deus é a fonte da vida.

O Poder que Dinamiza e Preserva a Salvação Recebida (2.13)

  1. O caráter soberano e seletivo de Deus não anula o direito do crente em desenvolver a sua salvação.

A ideia de que a salvação tem caráter seletivo em detrimento do direito universal de todas as pessoas em receber a salvação oferecida em Cristo Jesus é inaceitável. Entende-se com clareza que Deus não divide a obra salvadora com o homem, porque o querer e o efetuar são exclusividade dEle. A honra e a glória da nossa salvação pertencem exclusivamente a Deus. A nós compete aceitar a oferta de salvação por Cristo Jesus e reconhecê-lo como único Salvador e Senhor. Pelo contrário, o poder da salvação operado pelo Espírito Santo habilita o crente a desenvolver a sua salvação para ser útil na vida cotidiana da igreja. O Espírito Santo opera a salvação realizando aquilo que a lei mosaica não consegue realizar. O Espírito supre o crente com poder para realizar a obra de Deus (Rm 8.3,4; 2 Co 3.4-6). Nesse sentido, somos cooperadores de Deus porque o Espírito trabalha nos crentes para operarem a salvação.

  1. O poder de Deus é a fonte de energia do crente (2.13)

Por si só o crente não tem como desenvolver sua salvação. Ele precisa da energia divina mediante a obra do Espírito Santo, que o torna capaz de agir. Se Satanás opera na vida dos ímpios as obras más (2 Ts 2.9), Deus opera nos crentes em Cristo por meio do Espírito Santo as boas obras (Rm 8.9,14). Na realidade, o crente torna-se instrumento de justiça no mundo corrompido que vivemos e o faz um vencedor. O limite para a manifestação do poder divino na vida do crente é “a sua boa vontade”. A vontade soberana de Deus é a expressão de seus atributos divinos de onipotência e presciência.

Se Deus é quem opera e efetua a obra espiritual na vida das pessoas, sabemos, também, que Satanás opera nos filhos das trevas (2 Ts 2.9). No crente, Deus opera por meio do Espírito Santo que habita nele (1 Ts 2.13). O ato de Deus operar em nós significa que Ele nos torna instrumentos em suas mãos para realizar a sua obra na terra.

  1. Qual o efeito do poder de Deus no querer e no realizar? (2.13)

A expressão “opera em vós” identifica a obra exclusiva de Deus. E Ele quem opera, quem realiza, quem efetua “tanto o querer como o efetuar”. Essa declaração descreve um propósito de Deus para com os cristãos. Ele efetua nos crentes o querer, a vontade de obedecer e desenvolver a salvação. O “efetuar” ou “o realizar” implica a capacidade que Ele dá para fazer sua obra. E Ele quem nos capacita a realizar mais do que pedimos ou pensamos, como está declarado na Epístola aos Efésios: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Ef 3.20).

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 75-76.

As palavras «...porque Deus é quem efetua...» mostram o lado «divino» da salvação, tal como o versículo anterior mostra-nos o lado «humano». Ambos esses aspectos dizem uma verdade; e ap e s a r de parecerem contraditórias essas declarações, até certo ponto, na realidade não são assim as coisas. Pois Deus salva, mas o homem é salvo ao corresponder à graça divina, nos termos descritos no versículo anterior. A Imensidade Da Obra Requer O Concurso Da Graça 1. Novs. 12, vimos que há um lado humano no processo salvatício. Paulo se apressa por mostrar-nos o lado divino do mesmo, e isso nos assegura de que o lado humano é totalmente dependente das operações divinas.

  1. «Porque Deus é quem efetua», diz Paulo. Deus é o verdadeiro autor da salvação. Estar salvo significa que o remido chega a com partilhar da imagem e da natureza de Cristo (ver Rom. 8:29), da natureza do Pai e seus atributos (ver Efé. 3:19). Como poderia o homem atingir esse alvo prodigioso, se dispusesse apenas de seus próprios recursos?
  2. A imensidade da obra requer a intervenção do princípio da graça divina (ver as notas em Efé. 2:8). Paulo nega todo e qualquer legalismo, sacramentalismo ou cerimonialismo, como fontes de salvação. «Porque é Deus quem a efetua em nós», diz ele.

Sentimos que nada somos, pois tudo és Tu e em Ti; Sentimos que algo somos, isso também vem de Ti; Sabemos que nada somos — mas Tu nos ajudas a ser algo.

Bendito seja o Teu nome — Aleluia!

(Alfred Lord Tennyson, «The Human Cry»).

«.. .efetua em vós...» No grego temos aqui o verbo «energeo», que significa «operar», «atuar», «trabalhar», «vitalizar», «produzir». Tudo quanto houver de bom em nós vem pela operação de Deus. E como poderia mesmo ser de outro modo? A passagem de Gál. 5:22,23 descreve os diversos aspectos do «fruto do Espírito», demonstrando-nos que faz parte da atuação divina fazer habitar em nós toda a natureza moral de Cristo. O trecho de II Cor. 3:18 ensina-nos que o Espírito Santo nos transforma de «glória em glória», isto é, de um estágio de glória para outro, levando a imagem de Cristo a ser finalmente duplicada em nós. Ora 'isso antevê não apenas uma modificação poética na natureza de nossos seres, mas uma modificação real, de modo a dar-lhe a mesma essência do ser de Cristo. Ora, é totalmente impossível que homem faça isso em seu próprio proveito, trata-se de uma operação divina, e não humana. Em seus aspectos práticos, a concretização do poder de Deus, que em nós reside, nos fornece «a base do encorajamento» (Crisóstomo), bem como um.

«incentivo para humanidade» (Calvino); pois sabemos que essa estupenda realização, chamada «salvação», pode ser levada a seu término perfeito em nossas almas, posto tratar-se de uma realização divina, e não humana. Ora, sabendo disso, seremos levados ao espírito de humildade e ação de graças, especialmente quando vemos que esse poder vai aumentando diariamente em nossas vidas. Essa operação de Deus, nos crentes, tem dois aspectos: 1.O próprio «desejo» de fazer o que é da vontade de Deus, aquilo que o agrada; e 2. a «realização» desse desejo, conforme o restante deste versículo nos mostra.

«...em vós...» Não temos aqui «entre vós», segundo dizem erroneamente algumas versões. (Ver igualmente I Cor. 12:6; II Cor. 4:12; Efé. 2:2 e Col. 1:29). Isso fala sobre o poder pessoal e residente de Deus, por intermédio do seu Santo Espírito, tal como se vê em Efé. 2:21,22. E o que é que nos leva a ter bons pensamentos, desejando cumprir a vontade de Deus, procurando os dons espirituais, se não a influência benfazeja do Espírito Santo em nós?

Essa influência é algo muito sutil, nem sempre dada de maneira externa e patente. Na realidade, o mesmo Espírito de Deus influencia o mundo inteiro; e não fora isso, este mundo seria lugar impossível de ser habitado, mas antes, há muito se teria tornado uma floresta selvagem e negra. Nos crentes, entretanto, essa influência do Espirito é muito mais intensa e marcante, mais vívida e vital, de tal modo que os crentes ficam como que «estragados para o mundo», sentindo-se um miserável em sua própria alma, a menos que tenha confiança no Senhor Jesus, para a salvação e segurança de sua alma.

«...o querer...» Vemos aqui os impulsos íntimos do coração, mediante o que um homem pode dizer «eu quero», «eu espero», «eu resolvo». Todas essas afirmativas refletem a disposição, o «desejo» do indivíduo. Portanto, o que é dito aqui reflete o resultado direto da influência do Espírito Santo.

Essa influência, algumas vezes, assume formas místicas-visíveis, como sonhos, visões, dons espirituais diversos; mas, de outras vezes, através de um anelo sutil e íntimo, o qual, apesar de inconspícuo, nem por isso deixa de ser real. Portanto, um homem pode dizer: «Quero ser como Jesus». E isso vem da parte do Espírito de Deus. E em seguida tal crente se torna mais e mais semelhante ao Senhor Jesus. E isso também vem da parte do Espírito de Deus. Tudo é uma questão mística, isto é, verifica-se mediante contatos genuínos do divino com o humano. As inclinações, os pendores, os desejos, os anelos, quando se voltam para as realidades espirituais, resultam da operação íntima do Espírito de Deus. E isso é para nós um a verdade grandiosa e reconfortante.

Teu toque tem ainda o poder antigo, Nenhuma palavra tua cai por terra inútil; Ouve, nesta solene hora da noite, E em tua compaixão, cura-nos a todos. (Hino de Henry Twill).

«...o realizar...» No grego temos o verbo «energein», o mesmo vocábulo usado para indicar a operação divina em nós. Deus leva a bom termo aquelas coisas que desejamos e queremos, contanto que elas envolvam bênçãos espirituais autênticas. Nós «aprovamos o que é bom»; e então começamos a realizá-las (ver Rom. 7:14-23); e ao cumprirmos assim a vontade de Deus, nós mesmos vamos sendo transformados, de tal modo que passamos a praticar o bem, pelo impulso de nossas próprias naturezas (mas sempre sob a orientação do Espírito de Deus), tal cojno Cristo, por sua própria natureza, praticou o bem. Assim, pois, desejamos e praticamos o bem, e igualmente vamos sendo transformados em pessoas bondosas.

«Portanto, Deus leva à perfeição aquelas disposições de piedade que ele mesmo implantou em nós, a fim de que não sejamos improdutivos, conforme ele nos prometeu por intermédio de Ezequiel: . . .para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem...’ (Eze. 11:20). Disso se pode inferir que a perseverança, por igual modo, é um dom gratuito de Deus». (Calvino, in loc.).

«Nós desejamos, mas é Deus quem implanta em nós esse desejo. Portanto, agimos, mas Deus é quem age em nós». (Agostinho).

O «fazer», no presente contexto, diz respeito àquelas coisas que acompanham a salvação e a levam à perfeição, a vida moral, a santificação; mas, de maneira geral, todas as coisas contribuem para compor uma vida leal a Cristo, sendo isso que determina o grau de glorificação que receberemos, quando nos adentrarmos nos lugares celestiais. A existência nos lugares celestiais, entretanto, desconhecerá estagnação, porquanto o crescer em Cristo será algo que ocupará toda a nossa existência na eternidade.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 34-35.

  1. 13 - O próprio Deus está agindo em nossa vida, e tudo o que Ele faz nela se dá segundo a Sua boa vontade (Rm 8.28). Deus se agrada em fazer o bem a nós, mas Ele só pode abençoar-nos quando há obediência à Sua vontade (Jo 15.10).

Nosso maior objetivo deve ser agradar-lhe em tudo o que fizermos. O Senhor supre tanto o desejo como a capacitação para cumprirmos Sua vontade. Só precisamos apropriar-nos da providência dele.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 529

  1. A bondade divina.

“... segundo a sua boa vontade” (2.13)

Vários aspectos das manifestações da vontade Deus nos mostram que Ele está em um plano elevado e, para compreendê-lo, precisamos da sua revelação, e não de algum tipo de especulação. Ele revela sua vontade pelas coisas que estão criadas e pela sua Palavra (Rm 1.18,19). Entre os vários tipos da vontade Deus, a Bíblia os denomina como: vontade perfeita (Rm 12.2); boa vontade; agradável vontade de Deus; vontade permissiva de Deus; vontade moral; vontade soberana; etc. Nesta escritura aos filipenses, Paulo falou da ”boa vontade de Deus” (Fp 2.13). A “boa vontade de Deus” diz respeito à “concretização de seus propósitos soberanos e graciosos para com os homens, na redenção humana, oferecida na pessoa de Cristo. Essa é a vontade de Deus, e esse é o seu beneplácito”, escreveu Russell Norman Champlin em seu comentário no Novo Testamento Interpretado (vol. 5, p. 35).

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 76.

«...segundo a sua boa vontade...» Literalmente, diríamos aqui «...em favor de sua boa vontade...» O sentido destas palavras precisa ser norteado pelo sentido que o trecho de Efé. 1:5,9 lhe dão: a concretização de seus propósitos soberanos e graciosos para com os homens, na redenção humana, oferecida na pessoa de Cristo. Essa é a vontade de Deus, e esse é o seu beneplácito. E isso se manifesta de muitas maneiras em nossa vida diária. Portanto, aprendemos que a vontade divina não envolve uma preferência arbitrária, mas antes, tem alvos específicos e benéficos atinentes aos homens. Tudo está unido ao amor paternal de Deus, operando em nós na qualidade de filhos seus. As palavras «...boa vontade...», no original grego, são uma palavra só, «eudokia», que significa «favor», «beneplácito», «boa vontade». Todas essas expressões referem-se à benevolência de Deus; e suas operações em nós levam-nos ao bem-estar final, a saber, a salvação de nossas próprias almas.

«Estes versículos servem de reprimenda contra todo o egoísmo e contra toda a vanglória». (Kennedy, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 35.

O acréscimo que o apóstolo faz é muito confortador: segundo seu beneplácito. É por causa de e com vista à execução de seu beneplácito que Deus, como fonte infinita de energia espiritual e moral, faz que os crentes operem sua própria salvação. “Fá-los” – ainda que sem anular, de modo algum, sua própria responsabilidade e atividade. Note, além disso, o termo beneplácito. O Dr. H. Bavinck (em The Doctrine of God, tradução inglesa, p. 370) diz: “A graça e a salvação são os objetos do deleite divino; Deus, porém, não tem prazer no pecado nem se compraz na punição.” Esta declaração está em harmonia com a Escritura (Lm 3.33; Ez 18.23; 33.11; Os 11.8; Ef 1.5,7,9).

HENDRIKSEN. William. Exposição de Filipenses. Editora Cultura Cristã. pag. 496-497.

A graça divina interior procede para com ambas a vontade e a ação, de modo semelhante. Deste modo, tanto o querer como o efetuar são operações da graça divina, produzidas pela boa vontade de Deus (13). O apóstolo emprega o mesmo vocábulo grego eudokia, em 1.15, para descrever a atitude de outros para com ele mesmo.

Aqui ele o emprega, como em Ef 1.5,9; 2Ts 1.11, para significar o beneplácito da vontade de Deus.

MOODY. Comentário Bíblico Moody. Filipenses. pag. 24.

... a obra da salvação é resultado da vontade de Deus (2.13). A salvação é realizada por Deus em nós não contra a Sua vontade, mas em consonância com ela. A nossa salvação é o resultado da expressa vontade soberana de Deus. Tudo provém de Deus. Nossa salvação tem início e consumação na boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 155.

de acordo com a boa vontade dele. (2:13e)

A última realidade essencial sobre parte de Deus na santificação dos crentes é a irrefutável verdade de que Deus trabalha em sua santificação para seu próprio prazer. Sua vontade para os crentes é que eles pensam e fazer o que Lhe agrada. Apesar de que é realizado principalmente pelo seu próprio poder, quando Seus filhos buscar a Sua vontade e fazer a Sua obra, que traz grande prazer dele. Traduz boa vontade eudokias, que expressa um grande prazer e satisfação. Porque Deus é infinitamente auto suficiente, não se pode, mas pergunto como algo ou alguém, especialmente um ser humano pecador, pode adicionar a seu contento. No entanto, esse é claramente o que Paulo está dizendo. Mesmo quando eles eram fracos, vacilante, e com medo, Jesus garantiu aos discípulos: "Não seja rebanho, pouco de medo, porque a vosso Pai agradou dar-vos o Reino" (Lucas 12:32). Dar um lugar em Seu reino a Seus filhos traz a Deus grande prazer.

Porque a santificação dos crentes traz-lhe satisfação, Deus concede lhes os recursos para persegui-lo. Paulo escreveu aos Efésios, que "o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo ... nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo ... [e tem] fez-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo a sua intenção tipo que Ele propôs em Cristo "(Ef 1:3, 9). Aos tessalonicenses, ele acrescentou que Deus vai "cumprir todos os desejos de bondade e obra da fé com poder" (2 Ts. 1:11).

Mesmo quando se rebelar contra Ele, Deus ainda deseja abençoar Seu povo se vira e obedecer. Isaías respondeu a estas palavras de encorajamento para Israel desobediente: "Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e deixá-lo voltar para o Senhor, e Ele terá compaixão dele, e nosso Deus, porque grandioso é em perdoar "(Is. 55:6-7). Por intermédio de Oséias, o Senhor disse a Seu povo amado, "Como eu posso dar-te, ó Efraim? Como posso entregar-lhe, ó Israel? ... Meu coração é entregue dentro de mim, todas as minhas compaixões à uma se acendem. Eu não vou executar minha ira, não vou destruir Efraim novamente. Pois eu sou Deus e não um homem, sou Santo no meio, e não vou entrar em ira "(Oséias 11:8-9).

Propósito dos crentes supremo é obedecer, adorar e glorificar a Deus, e seu cumprimento desse propósito traz prazer a ele. Que a verdade magnífica é uma das muitas realidades únicas do cristianismo. O Deus soberano do universo tem prazer pessoal em que Ele mesmo inspira e capacita seus filhos redimidos de ser e fazer.

Todo cristão deve entender que a santificação leva o seu esforço mais árduo, mas ainda assim é totalmente dependente do poder de Deus.

Como muitas outras verdades das Escrituras, essas realidades aparentemente irreconciliáveis são difíceis de entender. Tendo feito tudo que podem, os crentes devem dar a Deus todo o crédito. Assim como o Senhor instruiu, depois de terem feito "todas as coisas que são comandados," eles são a confessar: "Somos escravos inúteis, fizemos apenas o que devíamos ter feito" (Lucas 17:10).

JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.

II - OPERANDO A SALVAÇÃO COM TEMOR E TREMOR (2.12-16)

  1. “Fazei todas as coisas serra murmurações nem contendas”.

A Demonstração da Salvação (2.14-18)

  1. A praticabilidade da obediência

A demonstração da salvação recebida está na essência da obediência ao evangelho. Os versículos 12 e 13 indicam que a salvação é desenvolvida por ação efetiva, no sentido de que o cristão ocupa-se em tornar sua salvação um testemunho de fé e obra. Uma vez que os filipenses já tinham recebido a salvação, a obediência a Cristo era demonstrada em ação na comunidade da igreja.

  1. A salvação prejudicada por atitudes impróprias (2.14,15)

Essa conduta apontada por Paulo deve ser o fruto do querer e do efetuar do crente de modo positivo. Quaisquer atitudes negativas como “murmurações e contendas” (vv. 14,15) afetam e prejudicam o desenvolvimento da salvação. São dois pecados que agem como ácido que corrói a alma.

“murmurações ’ (v. 14). Na língua grega aparecem os termos gon-gysmos ougongystes, que dão a ideia daquele que rosna, ou seja, significa o ato de rosnar, como o cachorro que rosna. Na verdade, “murmurar” sempre esteve presente com pessoas invejosas e rebeldes (Jo 7.12; At 6.1; 1 Pe 4.9). A murmuração feita pelos israelitas que atravessaram o deserto, sob a liderança de Moisés, e passaram a reclamar e murmurar contra ele, dizendo que jamais deveriam ter saído do Egito (Nm 11.1- 6; 14.1-4; 20.2; 21.4,5) deixando Moisés muito constrangido. Moisés os chamou de “geração perversa e rebelde” (Dt 32.5,20). Os filipenses não eram rebeldes nem murmuradores, por isso, Paulo exorta-os a que fizessem “todas as coisas sem murmurações e contendas”.

“contendas” (v. 14). São aquelas briguinhas e disputas que criam desarmonia. Na língua grega do Novo Testamento, a palavra contendas é dialogismoi, que descreve as disputas e debates inúteis que têm como objetivo criar dúvidas e separações. É o mesmo que dissensões e litígios que muitos cristãos hoje em dia promovem, levando seus irmãos aos tribunais para resolver essas situações (1 Co 6.1-11).

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 77-78.

Tendo declarado o grande princípio geral que toda a boa vontade e toda a realização da mesma vem de Deus, embora isso requeira a reação favorável apropriada por parte do homem, para que aquele processo seja válido, o apóstolo começa agora a entrar em particularidades. Paulo condena categoricamente as inclinações que havia na congregação cristã dos filipenses para o ciúme, o descontentamento e as facções. (Ver Fil. 1:15,17).

Paulo se preocupava ante o fato que, na vida de alguns, a graça divina não estava despertando a reação favorável apropriada, pois, a despeito de se jactarem de desenvolvimento espiritual, na realidade exibiam a sua carnalidade, procurando dominar a outros, exaltando-se a si mesmos, e colocando-se em posições ridículas, com o que ameaçavam a unidade e a harmonia no seio da igreja, visto que o amor cristão era por eles abafado.

«...fazei tudo...» Temos aqui uma declaração geral «...tudo...», em sentido «particular», «pessoal», na família, no lar, etc., como também em sentido «público», isto é, na comunidade cristã. A vida, em todos os seus aspectos diários, tem alguma relação com a salvação que estamos executando, obtendo, exteriorizando—e isso é algo que jamais deveríamos olvidar. Não há como separar a vida terrena, diária e prática, daquilo que se seguirá nos lugares celestiais.

«...murmurações...» No original encontramos a palavra «goggusmos», que quer dizer «queixume», «desprazer», «muchocho», «sussurros de descontentamento». A forma verbal dessa palavra significa «murmurar», «sussurrar», «queixar-se». Obviamente Paulo tinha em mente a atitude dos antigos israelitas, no deserto, quando por ali vaguearam por quarenta anos.

Dificilmente houve alguma coisa, feita por Moisés, que os satisfizesse. Queixavam-se constantemente «em segredo», contra ele. Mas, ao assim fazerem, na realidade queixavam-se de Deus, pois o Senhor é quem os tinha colocado onde se encontravam. Portanto, Paulo denuncia aqui o «espírito amargoso», o descontentamento secreto que sempre envenena as relações entre as pessoas. Essa atitude, no seio da igreja, causa descontentamentos e desajustes, e geralmente se manifesta mediante ataques ferinos contra os líderes espirituais, provocando levantes e rebeliões, bem como a exibição da carnalidade mais egoísta. (Ver os trechos de I Cor. 10:10; Jud. 16 e João 6:41, quanto a outros empregos dessa mesma palavra). Em última análise, as murmurações demonstram uma atitude azeda para com a vontade de Deus. Pertence isso ao « ...espírito de más inclinações, fraco e ainda rebelde...» (Braune, in loc.).

«...contendas...» No grego temos o vocábulo «dialogismos», em sentido positivo, que indica apenas «pensamentos», «opiniões», «raciocínios» (é de onde vem nosso vocábulo moderno «diálogo»). Mas aqui o temos em sentido negativo, de «dúvida», «disputa», «contenda». Alguns intérpretes preferem o sentido de «disputas», ao passo que outros acham melhor a ideia de «dúvidas». Alguns veem aqui uma «rebelião intelectual» contra Deus; porquanto as «murmurações» podem falar da rebeldia «moral». Indagações ditadas pelo ceticismo ou pelo espírito de crítica podem estar aqui em foco, ou então apenas várias facções «em luta», no seio da igreja, as quais «disputavam» umas com as outras, lutando por alcançar posições de poder e auto-exaltação. Essa palavra pode indicar uma e outra coisa; e ambas essas errôneas atitudes devem ser repreendidas e descontinuadas. É possível que, em Filipos, houvesse indivíduos influenciados por ideias de tipo gnóstico; bastaria isso para criar algumas dúvidas e o ceticismo, no tocante a diversas doutrinas cristãs. Além disso, havia os judaizantes, os quais procuravam elevar Moisés ao mesmo nível de Jesus Cristo, e que assim causavam facções e disputas em defesa de suas ideias. Isso pode ser confrontado com a passagem de Tito 3:9, onde se lê: «Evita discussões insensatas, genealogias, e contendas, e debates sobre a lei; porque não têm utilidade e são fúteis...» As disputas de toda a sorte com frequência se originam do sentimento de «vanglória», o qual é condenado no terceiro versículo deste capítulo, juntamente com as «contendas».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 35.

  1. A exortação contra murmurações e contendas (dialogismos foi usado em papiros para indicar litígios) reflete como um antecedente as murmurações dos israelitas em sua peregrinação pelo deserto. (Entretanto, colocar Paulo conscientemente comparando-se com Moisés quando ele pronunciou suas últimas injunções é mais imaginativo que provável.)

MOODY. Comentário Bíblico Moody. pag. 17.

14 Na sequência descreve-se melhor o que significa “desenvolvimento da salvação”. “Tudo fazei sem murmurações nem dúvidas.” Novamente precisamos levar em conta que esses vocativos(“vós”) não se dirigem aos vários indivíduos em si, cada um dos quais realizando sozinho o que foi demandado, mas à irmandade de uma igreja. Na irmandade a vontade de Deus pode e deve ser reconhecida tão atual e claramente que a obediência “sem dúvidas” possa acontecer com plena certeza. “Dúvidas” tolhem e paralisam. “Dúvidas” mostram que ainda continuo restrito a mim mesmo nas decisões que tomo e que não vivo sob a clara condução de meu Senhor vivo. Isso não precisa ser assim! Paulo não veio a Filipos de maneira insegura e hesitante, porém “certo de que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho” (At 16.10). Além das “dúvidas” pode surgir em nosso coração também uma objeção intencional contra a instrução de Deus. O caminho de Deus é difícil demais, Deus exige demais de nós. É essa a “murmuração” que pode se manifestar, mas que, profundamente oculta no coração, também degrada e paralisa nossa obediência. Visto que é o próprio Deus quem cria em nós o querer e o realizar, podemos agarrar e praticar esse querer e realizar concedidos por Deus, de forma que uma obediência sincera e plena “sem murmurações nem dúvidas” se desenvolva. Era dessa forma tão “perfeccionista” que Paulo pensava! Ou será que havia uma segunda intenção por trás destas frases dirigidas aos filipenses: é evidente que jamais chegaremos a tanto, e que continuaremos todos sendo míseros pecadores que nunca se livrarão da murmuração e das dúvidas? Descortina-se aqui uma ampla perspectiva bíblica que com certeza esteve diante de Paulo, que também escreveu 1Co 10.1-11. O povo de Israel foi salvo do “Egito” pela poderosa graça de Deus, a fim de passar a pertencer ao Deus vivo com confiança e obediência. Então, porém, a “murmuração” começou com avassaladora rapidez quando a caminhada com Deus se tornou tão diferente do que o desejo humano imaginava: Êx 16.2-9; 17.1-7; Nm 11.1; 14.27-32; 16.11; 17.5; Sl 106.24s. Consequentemente, na história do povo libertado que peregrinava pelo deserto a “murmuração” aparece como o verdadeiro oposto da “fé”, impedindo o cumprimento do plano de salvação divina, de modo que os milagrosamente resgatados não puderam de fato “entrar no descanso” na terra da promissão (Hb 3.7-19). Tudo depende da circunstância de que o povo de Deus da nova aliança não sucumba à mesma tentação, ainda mais que sua caminhada passa por “tribulações” ainda maiores (At 14.22). Por isso, quando Paulo escreve aos filipenses atribulados pelos adversários: “Tudo fazei sem murmuração nem dúvidas”, não se trata apenas de uma exortação isolada, feita à margem, mas de rejeitar por princípio a ameaça decisiva à obediência de fé. Por causa da murmuração constante Israel se tornou a “geração pervertida” da qual já falava Moisés. A igreja, porém, pode continuar sendo a multidão de filhos autênticos e obedientes diante dessa geração pervertida.

Werner de Boor. Comentário Esperança Cartas aos Filipenses. Editora Evangélica Esperança.

  1. “Sejais irrepreensíveis e sinceros”.

"... irrepreensíveis e sinceros” (v. 15). A palavra “irrepreensível” deriva da palavra grega memptos, que significa “culpado, faltoso”. Porém, quando acrescentado o prefixo “a” ao termo memptos, temos a palavra “amemptos”, que significa “sem culpa, impecável, inculpável, sem precisar repreensão”. Ser irrepreensível significa ser alguém que não precisa passar pela repreensão. Sua conduta é correta e de pureza moral. Significa alguém que sabe controlar a força da carne, porque anda no Espírito (G1 5.16,17). A sinceridade é outra qualidade que corresponde a viver sem a mistura do mal e que é livre do dolo, do engano e da má fé.

"... sinceros” (v. 15). A sinceridade é outra qualidade que corresponde a viver sem a mistura do mal e que é livre do dolo, do engano e da má fé. Existe uma lenda romana para a palavra “sincero”. Os escultores, nos tempos do Império Romano, trabalhavam muito com esculturas de pedra. Porém, quando alguma obra de escultura sofria alguma falha na sua estética exterior, os escultores colocavam “cera” nas falhas. Lixavam a escultura e as falhas não apareciam. Geralmente, as obras expostas nas praças a céu aberto recebiam a força do sol e a cera era derretida, expondo as falhas da escultura. Então, diz a lenda, surgiu a palavra “sincero” que significava “sem cera”, ou seja, a obra tinha que ser perfeita, sem cera. No original grego, akeraios, significa “sem mistura, inocente, inofensivo, simples”. A ideia que Paulo quis passar é a de que o cristão verdadeiro deve ter um caráter puro, sem mistura. Jesus usou a palavra “símplice” quando disse aos seus discípulos: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16). O apóstolo Paulo escreveu aos romanos: “Quanto à vossa obediência, é ela conhecida de todos. Comprazo-me, pois, em vós; e quero que sejais sábios no bem, mas símplices no mal” (Rm 16.19).

“...filhos de Deus inculpáveis” ( v. 15). Por meio de Jesus Cristo, nos tornamos “filhos de Deus” por adoção com todos os direitos de filhos legítimos (G1 4.5). Fazemos parte da família de Deus e, por isso, nossa postura deve ser de filhos sem defeitos ou sem mácula. A ideia de filhos inculpáveis refere-se à origem do termo inculpável nos sacrifícios de animais sem defeito para a expiação dos pecados (Lv 22.21,22). O estado espiritual de “inculpável” tem a ver com o privilégio de ser filho de Deus, dando-lhe a garantia de sua salvação. Antes éramos culpados, mas fomos feitos “filhos de Deus” em Cristo. Ele, Jesus, foi o sacrifício perfeito pelos nossos pecados porque era totalmente sem pecado e sem culpa (1 Pe 1.18,19). Por isso, estamos guardados por Ele no meio de uma geração pervertida, vivendo uma vida sem mácula.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 78-79.

O termo «...irrepreensíveis...» é tradução do vocábulo grego «memptos», que significa «culpado», «faltoso». Mas o original usa o prefixo grego «a», que dá a ideia exatamente do oposto. Portanto, não devemos praticar qualquer vício e nem ter qualquer atitude que leve outros a se escandalizarem ou a «censurarem» as nossas ações. Paulo exige aqui uma elevada integridade moral.

«...sinceros...» No original grego temos «akeraiso», que literalmente significa «sem mistura», ou seja, «puro», «inocente», alguém cujos motivos são inatacáveis, acima de qualquer reprimenda, alguém que vive para agradar ao Senhor, que não visa auto exaltar-se, que serve a seus semelhantes por puro altruísmo, sem qualquer atitude egoísta ou perversa.

Essa palavra tenciona falar do «puro caráter intrínseco» de pessoas boas. (Ver os trechos de Mat. 10:16 e Rom. 16:19, onde se vê que os crentes devem ser «singelos», e não complexos, no tocante ao mal, sem «racionalizarem» a maldade, como se não houvesse ruindade nela, sem se desculparem por estarem praticando algo condenável). É possível que uma vez mais o apóstolo dos gentios estivesse pensando no antigo povo de Israel, cujo caráter Moisés lamentou em seu c ântico de despedida, dizendo:

«Procederam corruptamente contra ele, já não são seus filhos, e, sim, suas manchas: é geração perversa e deformada» (Deut. 32:5). Paulo queria que os libertos crentes filipenses vivessem muito acima do mau exemplo dos israelitas libertados do Egito.

Essas duas palavras, por conseguinte, irrepreensíveis e «sinceros», aludem à natureza «interna» e à natureza «externa». Internamente deveriam ser «puros», «singelos», «sem mistura»; e externamente deveriam ser «inculpáveis», não atraindo qualquer censura da parte de Deus ou dos homens. Paulo, pois, queria que os crentes filipenses fossem inculpáveis tanto no tocante à sua reputação como no concernente à realidade diária.

«...filhos de Deus...» Temos aqui o termo grego «tekna», e não «uioi». Com frequência essas duas palavras são empregadas como sinónimos; porém, quando se tenciona estabelecer alguma distinção, «teknon» subentende relação natural, isto é «filhos gerados», ao passo que «uios» indica a posição legal ou ética. (Ver as notas expositivas sobre «tekna», em João 1:12; e comentários sobre ambos esses termos em Rom. 8:14). A pureza interna e a reputação inatacável era a de filhos de Deus, que se mantinham nessa condição devido ao respeito que tinham por Deus Pai, devido à comunhão desfrutada com ele, porquanto Deus é a origem suprema de toda a santidade. É a santidade de Deus que estamos absorvendo gradualmente (ver Mat. 5:48 e Rom. 3:21).

«Aqueles que exibem uma autêntica disposição filial são descritos como ‘gerados’ ou ‘nascidos’ de Deus... (ver João 1:13; 3:3,7; I João 3:9; 4:7; 5:1,4,18). Também é verdade que, com frequência, Paulo reputou as relações cristãs de um ponto de vista puramente legal, como se fora uma adoção. Somente ele emprega o termo ‘uiosethia’ (ver Rom. 8:15,23; Gál. 4:5 e Efé. 1:5). Entretanto, em Rom. 8:14,17, temos tanto a palavra ‘uioi’ como a palavra ‘tekna’. Aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são ‘uioi’; e o Espírito Santo testifica com eles que são ‘tekna’ de Deus. Mas essas são questões éticas». (Vincent, in loc.). (Quanto a notas expositivas completas sobre a doutrina bíblica da «adoção», ver Rom. 8:15).

«...inculpáveis...» No grego temos o termo «amomos», «sem culpa», termo usado para indicar a ausência de qualquer defeito nos animais que deveriam ser sacrificados em holocausto, bem como para indicar a pessoa de Cristo como o Cordeiro que foi sacrificado (ver I Ped. 1:19). Portanto, o mais elevado grau de pureza nos é requerido. (Ver o trecho de Efé. 1:4, onde essa palavra também é comentada; e ver Efé. 5:27, onde ela ocorre novamente, aludindo à «pura noiva de Cristo», como uma «virgem pura e casta»). O trecho de II Cor. 11:2 também expressa a necessidade que os crentes têm de pureza. Essa expressão explica melhor ainda as duas expressões anteriores. Quanto à «reputação», os c rentes devem ser «inculpáveis»; e isso porque, no tocante à sua vida «real», são «sem defeito».

Devem ser crentes «sinceros», «sem mácula», «puros», e isso internamente, visto que realmente não tem defeito.

Variante Textual: Os melhores manuscritos dizem aqui «amomos», conforme se vê nos mss P(46), ABC e em alguns outros de menor importância. Mas a forma «amometa» aparece nos mss DFGKLP, bem como na maior parte da tradição posterior dos manuscritos em «koiné». Essa variação (que é um sinónimo) provavelmente se deve ao fato que aparece o termo «mometa», em Deut. 32:5, na Septuaginta, de onde essa citação foi extraída.

«...geração pervertida...» No grego original temos aqui a palavra «skolia», que significa «sem escrúpulos», «desonesto», «duro», «injusto», «distorcido», ou seja, moralmente perverso. Isso descreve «...um comportamento externo desonesto e pervertido; mas o segundo termo descreve o caráter intimo distorcido». (Braune' in loc.). (Quanto à primeira dessas palavras, ver igualmente os trechos de Atos 2:40; I Ped. 2:18; Sal. 78:8 e Pro. 2:15).

«...corrupta...» No grego temos o termo «diestrammenos», uma forma do verbo «diastreRho», que quer dizer «distorcer», «perverter», ou, em sentido moral, «depravar». Essa palavra denota uma condição moral «anormal»; e assim parecia o paganismo aos olhos de Paulo. Ele advertiu aos filipenses, portanto, que não se fizessem participantes com os pagãos, em seus pecados morais.

«...resplendeceis como luzeiros no mundo...» (Quanto a um total desenvolvimento das metáforas da «luz» e das «trevas», como símbolos representativos do «bem» e do «mal», ou daqueles que são «bons» ou «maus», ver as notas expositivas sobre Efé. 5:8'. Quanto às pessoas que vivem no pecado, as quais são «trevas» por si mesmas, ver a mesma referência). Os crentes foram feitos «...luzeiros...» no Senhor. (Quanto à ideia que aquilo que é iluminado transforma-se em «luz» por si mesmo, e não apenas um reflexo da luz, ver as notas expositivas sobre Efé. 5:13. No tocante a Cristo como «a luz do mundo», ver João 1:9). Devido à graça de Deus, os homens iluminados não somente se fazem lâmpadas que transportam luz; mas eles mesmos são luz, adquirindo a natureza mesma do divino Iluminador. E assim podem habitar nas regiões da luz, a saber, as regiões celestes.

«...luzeiros...» No grego temos o vocábulo «phoster», que significa «corpo luminoso», geralmente usado para indicar as estrelas, ou até mesmo o sol. Os crentes, por conseguinte, são mais que meras «lâmpadas» que levam a luz, mas que não são a própria luz. Por semelhante modo, não se assemelham à lua, que reflete a luz do sol mas não produz luz própria. Pelo contrário, os crentes são fontes luminosas, que compartilham da natureza da Luz. Os crentes precisam ser corpos luminosos, fontes de luz, em meio às trevas deste mundo.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 36.

  1. Não murmurando, eles se tornariam (ginomai) irrepreensíveis (diante dos outros) e sinceros (akeraios, lit. autênticos – exibindo simplicidade de caráter). Inculpáveis, amômos, na LXX, foi quase que invariavelmente usado para os sacrifícios de animais. Uma geração pervertida e corrupta (uma adaptação de Dt. 32:5) é o resultado da distorção moral e intelectual. Neste mundo -de trevas os cristãos devem brilhar como astros (cons. Mt. 5:16).

MOODY. Comentário Bíblico Moody. pag. 17.

O propósito da exortação aos filipenses para que operem sua própria salvação é no sentido de que vos torneis irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus inculpáveis (15). Este deve ser o desígnio deles e o alvo da Providência divina. A vida dos filipenses na sociedade dos santos deve ser unificante, trazendo unidos cada indivíduo, família ou grupo, e não dispersiva, devido às ofensas. Como filhos de Deus estão eles destinados a ser astros do mundo (15; ARA «luzeiros»). A figura é de uma estrela resplandecendo em uma noite escura. Seu brilho atrativo fere a imaginação do apóstolo e ele os vê, num instante, irradiando as palavras da vida e dissipando as trevas espirituais, no meio de uma nação perversa («geração», cf. Dt 32.5).

DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Filipenses. pag. 24-25.

  1. ‘‘Retendo a palavra da vida”.

“... retendo a palavra da vida” (v. 16). O sentido de reter é o de preservar a palavra da vida. Qual é a Palavra da vida? Indiscutivelmente, é a Palavra de Deus. O autor da Carta aos Hebreus declarou isso de forma incisiva, dizendo: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12). A palavra “preservar” no grego é epechein, usada para oferecer vinho a um convidado ou hóspede em casa. Os filipenses são estimulados pelo apóstolo a oferecer o evangelho de vida abundante, vida eterna. A igreja não deve se esconder nem se isolar do mundo, mas deve mostrar a vida e a luz que existe em um mundo de trevas.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 79.

A palavra «...preservando...», no original grego é «epecho», que significa fixar a atenção, «segurar com firmeza». Fica subentendido que os crentes devem «aplicar» a palavra da vida, «fixando nela a sua atenção», e não primariamente «apresentando-a a outros», segundo algumas traduções dão a entender, ainda que no grego clássico o vocábulo tivesse exatamente esse significado, como quando alguém oferece vinho a outrem e estende o cálice para ele. Por essa razão é que diferentes intérpretes têm emprestado a este termo certa diversidade de sentidos, a saber:

  1. Alguns pensam que essa palavra significa «segurar», como quando se oferece algo a outrem; e isso refletiria a função de um corpo luminoso que dá a luz de Deus aos homens. Assim pensam Ellicott, Alford, e outros.
  2. Mas outros opinam em favor de «preservar» para nós mesmos, no sentido de sermos persistentes na aplicação da verdade às nossas próprias vidas. Assim diziam Lutero, Bengel e De Wette.
  3. Ter em possessão, como fonte da piedade e da força, é a opinião que fazem deste vocábulo Meyer, Weiss, e outros.
  4. Fixar a atenção, de modo a derivarmos benefício das suas qualidades purificadoras, que nos enlevam o espírito, e assim seja desenvolvido o caráter do crente, é o que o presente texto requer como sentido da palavra em foco. Esta última posição mui provavelmente reflete o significado verdadeiro do termo, embora as demais posições reflitam posições legítimas, verdadeiras e úteis.

«...palavra da vida ...» Trata-se daquela palavra que traz vida aos homens, a saber, o «evangelho», a mensagem divina da redenção que há em Cristo Jesus.

«...inculpáveis...» No grego temos o termo «amomos», «sem culpa», termo usado para indicar a ausência de qualquer defeito nos animais que deveriam ser sacrificados em holocausto, bem como para indicar a pessoa de Cristo como o Cordeiro que foi sacrificado (ver I Ped. 1:19). Portanto, o mais elevado grau de pureza nos é requerido. (Ver o trecho de Efé. 1:4, onde essa palavra também é comentada; e ver Efé. 5:27, onde ela ocorre novamente, aludindo à «pura noiva de Cristo», como uma «virgem pura e casta»). O trecho de II Cor. 11:2 também expressa a necessidade que os crentes têm de pureza. Essa expressão explica melhor ainda as duas expressões anteriores. Quanto à «reputação», os c rentes devem ser «inculpáveis»; e isso porque, no tocante à sua vida «real», são «sem defeito».

Devem ser crentes «sinceros», «sem mácula», «puros», e isso internamente, visto que realmente não tem defeito.

Variante Textual: Os melhores manuscritos dizem aqui «amomos», conforme se vê nos mss P(46), ABC e em alguns outros de menor importância. Mas a forma «amometa» aparece nos mss DFGKLP, bem como na maior parte da tradição posterior dos manuscritos em «koiné». Essa variação (que é um sinónimo) provavelmente se deve ao fato que aparece o termo «mometa», em Deut. 32:5, na Septuaginta, de onde essa citação foi extraída.

«...geração pervertida...» No grego original temos aqui a palavra «skolia», que significa «sem escrúpulos», «desonesto», «duro», «injusto», «distorcido», ou seja, moralmente perverso. Isso descreve «...um comportamento externo desonesto e pervertido; mas o segundo termo descreve o caráter intimo distorcido». (Braune' in loc.). (Quanto à primeira dessas palavras, ver igualmente os trechos de Atos 2:40; I Ped. 2:18; Sal. 78:8 e Pro. 2:15).

«...corrupta...» No grego temos o termo «diestrammenos», uma forma do verbo «diastreRho», que quer dizer «distorcer», «perverter», ou, em sentido moral, «depravar». Essa palavra denota uma condição moral «anormal»; e assim parecia o paganismo aos olhos de Paulo. Ele advertiu aos filipenses, portanto, que não se fizessem participantes com os pagãos, em seus pecados morais.

«...resplendeceis como luzeiros no mundo ...» (Quanto a um total desenvolvimento das metáforas da «luz» e das «trevas», como símbolos representativos do «bem» e do «mal», ou daqueles que são «bons» ou «maus», ver as notas expositivas sobre Efé. 5:8'. Quanto às pessoas que vivem no pecado, as quais são «trevas» por si mesmas, ver a mesma referência). Os crentes foram feitos «...luzeiros...» no Senhor. (Quanto à ideia que aquilo que é iluminado transforma-se em «luz» por si mesmo, e não apenas um reflexo da luz, ver as notas expositivas sobre Efé. 5:13. No tocante a Cristo como «a luz do mundo», ver João 1:9). Devido à graça de Deus, os homens iluminados não somente se fazem lâmpadas que transportam luz; mas eles mesmos são luz, adquirindo a natureza mesma do divino Iluminador. E assim podem habitar nas regiões da luz, a saber, as regiões celestes. «...luzeiros...» No grego temos o vocábulo «phoster», que significa «corpo luminoso», geralmente usado para indicar as estrelas, ou até mesmo o sol.

Os crentes, por conseguinte, são mais que meras «lâmpadas» que levam a luz, mas que não são a própria luz. Por semelhante modo, não se assemelham à lua, que reflete a luz do sol mas não produz luz própria. Pelo contrário, os crentes são fontes luminosas, que compartilham da natureza da Luz. Os crentes precisam ser corpos luminosos, fontes de luz, em meio às trevas deste mundo.

A Palavra Da Vida

  1. A alusão não é às Escrituras do A.T., e, menos ainda ao Novo Testamento, que ainda não recebera a forma de coletânea, pois muitos de seus livros ainda não haviam sido registrados, quando Paulo escreveu essas palavras.
  2. Quase todas as expressões do N.T. que incluem o vocábulo «palavra», são de cunho evangélico. Isto é, referem-se ao «evangelho», de diferentes maneiras. (Veja-se isso amplamente ilustrado em Efé. 6:17, sob o título «A Palavra de Deus»). Aqui, pois, Paulo se refere à mensagem de salvação que ele pregava.
  3. Este versículo pode ser comparado ao trecho de João 6:68, que se refere a «palavras de vida eterna».
  4. Aqui podemos notar como a palavra do evangelho, que traz «vida», é vinculada à metáfora da «luz» (do versículo anterior). Assim também, em João 1:4, temos a «vida» espiritual, que se deriva da vida física, através do processo da «iluminação» do Espírito.
  5. Aprendemos que as palavras de Cristo e o evangelho, produzem vida através da iluminação.
  6. Biologicamente, nada pode existir sem luz. Esse é um fato científico. Espiritualmente, nenhuma vida poderia existir sem a iluminadora palavra da vida. Esse é um fato espiritual.
  7. Por essas mesmas razões é que Jesus é, pessoalmente, intitulado «vida» (ver João 14:6) e «luz» (ver João 1:9).
  8. A «vida» aqui referida é, naturalmente, a vida eterna. (Ver esse tema comentado em João 3:15). A vida eterna é a «salvação» (o que é anotado em Heb. 2:3).
  9. Se é o evangelho que traz vida aos homens, quão importante é a sua propagação! (Ver Rom. 10:14).

«...n o dia de Cristo ...» Está em pauta, neste ponto, a «parousia», o segundo advento de Cristo, e que os cristãos primitivos esperavam que ocorresse ainda durante a sua vida terrena (ver I Cor. 15:51), e que o N.T., por toda a parte, retrata como aquilo que assinalará o dia do juízo (ver II Cor. 5:10). (Quanto a notas expositivas completas sobre o «arrebatamento», notas essas que entram nos problemas dos elementos anteriores e posteriores à «tribulação», ver I Tes. 4:15. Quanto ao «segundo advento de Cristo», ver Apo. 19:11). Fil. 1:10 é passagem onde já foi usada a expressão «dia de Cristo», dentro desta epístola, e as notas expositivas a respeito devem ser consultadas pelo leitor. Isso pode ser comparado com a expressão «dia da redenção», utilizada em Efé. 4:30. (Quanto a um paralelo deste presente versículo, que mostra a preocupação do apóstolo dos gentios para que seus convertidos lhe possem uma glória, e ele mesmo lhes fosse uma glória, naquele dia, ver I Cor. 1:14, onde esse dia é denominado de «dia do Senhor Jesus»). A expressão mais comum é «dia do Senhor», em Apo. 1:10).

Essa expressão, «dia do Senhor», é extremamente frequente nas páginas do A.T. (Ver Soí. 1:7,14,18 e Mal. 4:3).

«Dia do Senhor» é expressão que indica qualquer período específico de tempo durante o qual Cristo opera algo de especial; porém, mais frequentemente ainda, o «dia do juízo» está em foco quando essa expressão é usada. E quando ela se modifica para a forma «dia de Cristo», refere-se ao segundo advento de Cristo, incluindo tudo quanto está envolvido nesse acontecimento futuro, inclusive o julgamento dos crentes e dos incrédulos.

«...eu me glorie de que não corri em vão.. . » Paulo aplica aqui uma metáfora baseada na linguagem do atletismo, e em que a vida cristã é comparada com uma «carreira». Assim, pois, Paulo desejava terminar sua carreira com sucesso e triunfo; e esse triunfo seria assinalado pelo que ele fosse capaz de fazer em prol de seus semelhantes, a fim de que a imagem de Cristo fosse formada neles. Dessa maneira, portanto, Paulo poderia ufanar-se legitimamente da vida dos crentes filipenses, bem como em suas próprias realizações apostólicas, se porventura o «dia de Cristo» demonstrasse que ele fora bem-sucedido em sua missão. Por essa razão é que o apóstolo os exortou a levarem vidas que tornassem esse alvo possível, quando fossem examinados ante o tribunal de Cristo.

«O sucesso deles (dos crentes filipenses) no desenvolvimento de sua salvação e na proclamação do evangelho a outros, seria causa da ufania de Paulo. Isso pode ser comparado com I Cor. 1:14 e I Tes. 2:19». (Vincent, in loc.).

«‘Correr’, a primeira expressão, que nos faz lembrar das competições próprias dos ‘estádios’ antigos, das corridas, denota o zelo e o largo alcance das atividades de Paulo (que não se confinavam à uma só localidade); e a segunda expressão «derivada de ‘kopos’, ‘labuta’), indica o labor e o esforço que o seu ministério envolve». (Braune, in loc.).

«...em vão...» (Ver Gál. 2:2, onde Paulo fala sobre «correr em vão», e onde este advérbio, no grego, é «kenos», que significa «vazio», «sem propósito», «sem resultado»), Paulo não queria que o pesado labor de seu ministério não contribuísse para o avanço, para o bem, mas antes, que fosse infrutífero.

«...com...» No original grego esse verbo é posto no aoristo, porque é proferido do ponto de vista do «dia de Cristo», como se Paulo estivesse rememorando todos os esforços de sua vida, reduzidos a um único instante.

Este versículo não indica que Paulo esperava viver até àquele dia, em contraste com o versículo seguinte, onde ele expõe tal possibilidade, e embora seja verdade que Paulo, até ao fim mesmo de sua vida terrena, tivesse esperado poder viver até ver o retorno de Cristo. (Ver as notas expositivas sobre I Cor. 15:51 a esse respeito).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 36-37.

  1. Se Paulo está continuando a mesma metáfora, epikontes, etc. será traduzido para ofereçam (como uma tocha que se segura com a mão estendida) a palavra (que produz) vida; mas se a cláusula final do versículo 15 é parentética (Lightfoot) e o apóstolo está contrastando os cristãos com a geração perversa, será traduzido para apeguem-se (retende). Corri reflete a atividade do estádio. Esforcei. Deissmann vê aqui a frustração de se ter tecido um pedaço de pano só para vê-lo rejeitado (LAE, pág. 317). Talvez Herklotz esteja certo em se referir a Paulo como "o mestre das metáforas confusas" (H. G. G. Herklotz, Epistle of St. Paul to the Philippians, pág. 74).

MOODY. Comentário Bíblico Moody. Filipenses. pag.17.

III - A SALVAÇÃO OPERA O CONTENTAMENTO E A ALEGRIA (2.17,18)

  1. O contentamento da salvação operada.

“... ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício” (v. 17). Paulo deu exemplo de abnegação (2.17,18), e essa escritura indica que ele buscou no Antigo Testamento a figura dos sacrifícios, ao usar palavras como “libação”. Ele quis fortalecer a ideia de que valia a pena oferecer sua vida como libação pelos filipenses mediante o “sacrifício e serviço da fé” deles. “Libação” era uma oferta de óleo (azeite puro), ou perfume ou vinho, que era derramado em redor do altar de sacrifício do animal morto para aquele rito. Nesse sentido, ele tinha o gozo do sacrifício em sua alma, porque entendia que valia a pena sofrer pelos cristãos filipenses.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 79-80.

O «dia de Cristo», no conceito de Paulo, não se demoraria; mas, no momento, estando ele encarcerado e estando a sua vida ameaçada, percebia ele que talvez não pudesse chegar em vida àquela data. No entanto, isso em nada alterava a sua ordem; porque ele iria alegremente ao extremo do martírio, se porventura isso contribuísse para os crentes avançarem na fé.

Até mesmo por causa desse fato—e não apenas por causa do dia triunfal da parousia. Paulo se enchia de júbilo, regozijando-se com eles, devido àquilo que fora feito neles e em favor deles. E assim o simbolismo da carreira é eixado de lado, pois Paulo é arrancado rude e repentinamente da competição, transformando-se em um sacrifício oferecido a Cristo. Naturalmente, até mesmo em face dessa adversidade, ele triunfava em sua carreira, embora não tenha declarado isso especificamente, e embora isso não seja naturalmente dado a entender na metáfora por ele utilizada.

«...oferecido por libação sobre o sacrifício...» Temos aqui alusão ao holocausto em que as vítimas eram oferecidas sobre o altar, após terem sido mortas. Entre as várias cerimonias efetuadas na ocasião, havia a «...libação...», isto é, uma bebida era vertida sobre o altar; e essa bebida era o sangue da própria vítima, numa espécie de gesto final de consagração do sacrifício. Paulo não negava o sangue de sua própria vida (não pretendia evitar o martírio), contanto que isso fizesse a fé dos crentes filipenses avançar. E nisso se pode ver, como é óbvio, a extraordinária dedicação do apóstolo dos gentios, tal como, em Rom. 12:1, cada um de nós é convocado para ser um «sacrifício vivo».

Alguns compreendem esta metáfora como se Paulo fosse o sacerdote, como se a fé dos crentes filipenses fosse o sacrifício, e como se as atividades apostólicas de Paulo fossem a oferta do sacrifício. E sobre tudo isso o sacerdote derramaria o seu próprio sangue, como se fosse um ato final de consagração. E isso realmente não complica desnecessariamente a metáfora; pois, apesar do próprio Paulo ser o sacrifício, e apesar do ato final de consagração ser o derramamento do seu próprio sangue, quando fosse martirizado, contudo, há uma dupla referência aqui, um duplo sacrifício em foco. Nesse caso, as autoridades civis romanas é que ofereceriam o sacrifício—a vida de Paulo. Mas a metáfora não deve ser levada ao extremo de obrigar-nos a identificar o «sacerdote». O próprio «sacrifício» é que deve prender nossa atenção, para que o mesmo fique completo. Todavia, alguns eruditos pensam que os crentes filipenses seriam o «sacerdote», que ofereceria a sua fé a Deus, em meio a uma sociedade ímpia, que já havia perseguido ao apóstolo dos gentios e até der Tamara seu sangue. Na realidade, porém, Paulo é quem oferecia a sua fé em sacrifício a Deus, e não os crentes filipenses.

A expressão «...da vossa fé ...» parece indicar que a fé dos crentes filipenses é que deveria ser reputada como o «sacrifício» (genitivo objetivo).

E, se assim realmente é o caso, então o apóstolo Paulo é aqui pintado como o sacerdote que oferece a Deus a fé dos crentes filipenses, em sacrifício, e em seguida, como oferta adicional, derrama seu próprio sangue em libação.

(Ver o trecho de Rom. 15:16, onde Paulo retrata a si mesmo como sacerdote que oferece os gentios como holocausto aceitável e santificado a Deus.

Aquela passagem é paralelo exato desta, exceto que aqui o apóstolo é visto a oferecer-se a si mesmo, como sacrifício adicional). (Ver os trechos de Êxo. 29:40 e Núm. 28:7, que falam sobre as «libações», e de onde Paulo tomou por empréstimo a metáfora aqui empregada).

«...alegro-me...» Ainda que ocorrência tão drástica como o seu martírio tivesse lugar, ainda assim Paulo se regozijaria, porquanto tudo contribuiria para o bem-estar espiritual dos crentes, como algo agradável a Deus. A «alegria» é uma das notas chaves da presente epístola; e aqui vemos que essa «alegria» continua até mesmo em face do sofrimento físico e da morte, contanto que tal circunstância redunde em bem. (Ver as notas expositivas, em Fil. 1:4, onde são dadas as várias referências à «alegria», nesta epístola.

Ver igualmente os trechos de João 15:11 e 17:3, sobre a «alegria», onde há poemas ilustrativos; e ver também o trecho de Gál. 5:22; onde a «alegria» figura como um dos aspectos do «fruto do Espírito»),

«...com todos vós me congratulo...» No grego temos aqui o vocábulo «sugkairo», «regozijo-me juntamente com». Sim, Paulo se regozijava consigo mesmo, e, ato contínuo, se regozijava em companhia dos crentes filipenses.

Uma alegria mútua é assim descrita, porquanto a fé daqueles crentes servia de sacrifício sagrado, agradável a Deus, como também o seu próprio martírio seria agradável ao Senhor. Essa palavra também significa «congratular», no sentido que o apóstolo queria «louvá-los» devido à vida cristã que levavam, devido à frutificação espiritual deles, tudo o que lhe servia de motivo de ufania. Alguns intérpretes realmente pensam que assim se deve compreender o trecho. Na realidade, não há como determinar o sentido exato da passagem. Mas, seja como for, ambas essas possibilidades concordam com a verdade. A repetição da ideia, no versículo seguinte, não significa que um regozijo mútuo não seja focalizado aqui, mas tão-somente que essa mesma ideia é reiterada em outras palavras.

«...fé...» Isso indica que os crentes filipenses haviam «entregue a própria alma» aos cuidados de Cristo. Também ficam indicados os resultados práticos disso, na forma de seu desenvolvimento na espiritualidade, no desenvolvimento de sua salvação, que os levava de fé em fé (ver o décimo segundo versículo deste mesmo capítulo). (Quanto a notas expositivas completas sobre a «fé», ver Heb. 11:1).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 37.

  1. Uma metáfora elaborada sobre o ritual sacrificial. A fé dos filipenses (e tudo o que envolve em termos de vida e atividade) era seu sacrifício e serviço. A energia vital de Paulo seria uma libação derramada sobre suas ofertas. Se era isto o que o futuro reservava, então até nisso Paulo se regozijava. Ele se regozijava com todos (sigkairô) porque um sacrifício duplo proporcionava a oportunidade para futura comunhão.

MOODY. Comentário Bíblico Moody. Filipenses. pag.17.

O apóstolo Paulo usa três exemplos de altruísmo. Ele começa consigo. Quando trata de si mesmo, usa apenas um versículo (Fp 2.17), mas quando fala de Timóteo e Epafrodito usa seis versículos para cada um. Destacamos três verdades a seu respeito:

Em primeiro lugar, Paulo era um homem pronto a morrer pela causa do evangelho (2.17). O apóstolo Paulo estava preso em Roma, sob algemas, com esperança de ser absolvido em seu julgamento por meio das orações da igreja (Fp 1.19; Fm 22). Paulo era um homem que nutria a sua alma de esperança (Fp 2.24). Ele se considerava prisioneiro de Cristo, e não de César. Não eram os homens maus que estavam no controle da sua vida, mas a providência divina.

Ele não estava travando uma luta pessoal, mas estava pronto a morrer pelo evangelho.

Em segundo lugar, Paulo era um homem pronto a dar sua vida como libação a favor de outros (2.17). O apóstolo Paulo usa a figura da libação, um rito comum tanto no paganismo quanto na religião judaica (Nm 15.1-10), para expressar sua disposição de dar sua vida pelo evangelho e pela igreja (2Tm 4.6).

William Barclay diz que uma libação no paganismo consistia em derramar um cálice de vinho como oferenda aos deuses. Cada comida pagã começava e terminava com a dita libação como uma espécie de ação de graças. No judaísmo, a libação era o derramamento de vinho ou azeite sobre a oferta do holocausto (Nm 15.5,7,10). A vida e o trabalho dos cristãos poderiam ser descritos como um sacrifício (Rm 12.1). A oferta dos filipenses a Paulo foi considerada como oferta agradável a Deus (Fp 4.18).

Paulo olhava para a vida em uma perspectiva espiritual.

Ele não pensava numa libação dos cultos pagãos, mas na entrega fervorosa de sua vida a Deus. Ele via a prática cristã dos crentes de Filipos como um sacrifício para Deus e via sua morte a favor do evangelho como uma oferta de libação sobre o sacrifício daqueles irmãos.

Nessa mesma trilha de pensamento, H. C. G. Moule diz que Paulo via os crentes de Filipos como um altar de sacrifício, onde a vida e o serviço deles eram como uma oferta a Deus; e sobre esse altar de sacrifício, ele via o seu sangue que seria em breve derramado como uma oferta de libação.

Ralph Martin diz que “sacrifício” e “serviço” é combinação de duas palavras, uma das quais é leitougia. Os dois termos formam uma única ideia  Leitourgia é uma palavra de culto, associada a thysia (sacrifício), e juntas referem-se a um culto sacrificial, realizado pela fé dos filipenses, ao sustentar ativamente o apóstolo, mesmo sendo pobres (2Co 8.2).

As dádivas deles eram como oferta fragrante a Deus (Fp 4.18).

Em terceiro lugar, Paulo era um homem pronto a dar a vida por outros não por constrangimento, mas com grande alegria (2.17,18). O apóstolo Paulo demonstra uma alegria imensa mesmo estando na ante-sala da morte e no corredor do martírio. Suas palavras não são de revolta nem de lamento. Ele foi perseguido, apedrejado, preso e açoitado com varas. Ele enfrentou frio, fome e passou privações. Ele enfrentou inimigos de fora e perseguidores de dentro. Ele, agora, está em Roma, sendo acusado pelos judeus diante de César, aguardando uma sentença que pode levá-lo à morta mas, a despeito dessa situação, sua alma está em festa, e seu coração está exultante de alegria.

Paulo está usando a figura da libação para mostrai que a morte dele completaria o sacrifício dos filipenses.

O martírio coroaria sua vida e seu apostolado. Contudo, Paulo deseja que esse sacrifício seja colocado como crédito aos filipenses, e não a seu próprio favor. Sendo assim, não haveria motivo para lágrimas.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 166-168.

  1. A alegria do povo de Deus.

Os crentes filipenses poderiam reputar o martírio de Paulo como uma grande derrota, como uma tragédia, algo que não se harmonizasse com a alegria que os crentes desfrutam em Cristo. Não era assim, garante Paulo neste ponto, pois o martírio de um homem de Deus pode redundar em grande glória para Deus, uma espécie de sacrifício ao Senhor oferecido. Portanto, deveriam os crentes filipenses regozijar-se ante tal possibilidade. Todas as adversidades que atingem ao crente são bênçãos disfarçadas, e não maldições. Assim, pois, do mesmo modo que Paulo estava resolvido a regozijar-se ante tudo, assim também queria que os crentes compartilhassem verdadeiramente daquela bênção mútua da alegria. Por isso, reiterou a ideia, a fim de destacá-la. Paulo se regozijava com os crentes em face do «sacrifício da fé» deles; e agora conclama os crentes a se regozijarem ante o sacrifício do seu próprio martírio. Essa parece ser a leve diferença entre este e o versículo anterior.

«...pela mesma razão...» Em outras palavras «...pelo progresso de vosso desenvolvimento espiritual, que vos leva à salvação plena e perfeita». Por todos os meios que esse avanço fosse efetuado, a situação continuaria sendo tal que podia motivar um júbilo mútuo.

«...alegrai-vos e congratulai-vos comigo...» Essa «congratulação», tal como no versículo anterior, também pode significar «regozijai-vos comigo».

(Ver as notas expositivas sobre o versículo anterior). Parece algo fora de lugar, bem como contrário à gramática grega, pensar que os filipenses é que deveriam congratular a si mesmos; assim também se dá aqui, ainda que talvez não no versículo anterior, parece preferível entendermos esta frase como «regozijai-vos comigo». É verdade que alguns estudiosos têm até pensado, em «congratulai-me», o que expressa a ideia que os crentes filipenses deveriam louvar a Paulo devido às suas grandes realizações espirituais em Cristo, a ponto de estar ele prestes a obter a coroa do martírio. Isso exibiria a estrutura gramatical em que o dativo seria o objeto do verbo («moi», no presente caso), o que é possível. Isso é muito melhor do que pensar que os crentes filipenses deveriam congratular-se a si mesmos, o que exigiria que ficasse «subentendido» o objeto do verbo, «vós», o que não é muito provável.

Portanto, Paulo tencionava livrar os crentes filipenses da tristeza e do desespero naturais que naturalmente sentiriam, em face da morte súbita e violenta do apóstolo dos gentios, a fim de que pudessem rejubilar-se em Cristo, o qual nos concede a vitória até mesmo sobre a morte. Em outras palavras, Paulo ofereceu às almas dos crentes filipenses uma «âncora» em que se firmasse o batel da vida deles. (O presente versículo pode ser comparado com o notável incidente histórico no qual se vê os romanos formarem um coro, entoando um cântico de sacrifício, ao mesmo tempo que formavam um círculo em torno de In ácio, que estava sendo martirizado. (Ver Inácio, Rom. 22; Trall. i.).

Existe uma certa alegria que ninguém nos pode tirar (ver João 16:22). O apóstolo já tinha ensinado que a morte seria lucro para ele, como algo preferível, porquanto assim teria admissão à presença de Cristo, seu Senhor (ver Fil. 1:21-23). Conquistara coroa do martírio não era realização pequena, porquanto, para Paulo representava um ato de dedicação suprem a. E podemos estar absolutamente certos de que Deus nota e recompensa tal dedicação, a despeito de como ela se manifeste. Deveríamos viver «a vida de mártires», e não meramente exaltar a morte dos mártires. E essa vida é um sacrifício vivo (ver Rom. 12:1), o que certamente será galardoado pelo Senhor.

Uma Aranha Silenciosa e Paciente

Uma aranha silenciosa e paciente,

Observei, onde estava isolada, em uma pequena elevação,

Resolvida a explorar as cercanias vazias.

Foi lançando após si, filamentos, filamentos, filamentos,

Sem desenrolá-los, tecendo-os incansavelmente.,

E tu, ó minha alma, onde estás,

Cercada, isolada, em oceanos incomensuráveis de espaço,

A cismar incessantemente, a aventurar-se, a projetar-se, buscando esferas que liguem tudo,

A fé que se forme a ponte de que precisas, até que segures a ancora dúctil,

A fé que a teia que teces se agarre em algo, ó minha alma.

(Walt Whitman, 1819 - 1892).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 37-38.

Essa perspectiva levou Paulo a dizer: “... alegro-me e, com todos vós, me congratulo. Assim, vós também, pela mesma razão, alegrai-vos e congratulai-vos comigo” (Fp 2.17,18). Nessa mesma linha de pensamento, William Hendriksen escreve:

O derramamento do sangue de Paulo é motivo de alegria para ele, sempre que seja considerado como uma libação que coroará a oferenda sacrificial apresentada pelos filipenses.

Paulo está dizendo à igreja que, sendo ele absolvido (Fp 1.25) ou morrendo (Fp 2.17), ela deveria alegrar-se. Plutarco usa essa mesma expressão utilizada por Paulo para falar do mensageiro da batalha de Maratona que, depois de uma longa corrida chegou a Atenas e deu a notícia da vitória do seu povo na batalha: “Alegrai-vos e congratulai-vos comigo”. E caiu morto.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 168.

Paulo não só é um modelo para o serviço, abnegado sacrifício, mas também pela alegria que produz serviço. Como ele escreveu aos Coríntios:

"Estou cheio de consolação, eu estou transbordando de alegria em todas as nossas tribulações" (... 2 Coríntios 7:4; cf Ef 3:13) e aos Colossenses: "Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e na minha carne, eu faço a minha parte em nome de Seu corpo, que é a igreja, ao preencher o que falta aos sofrimentos de Cristo "(Colossenses 1:24). Ele assegurou aos tessalonicenses que "por esta razão, irmãos, em toda a nossa necessidade e tribulação ficamos consolados com você através de sua fé, porque agora nós realmente vivemos, se estais firmes no Senhor. Para que ação de graças podemos render a Deus por você em troca de toda a alegria com que nos regozijamos diante do nosso Deus em sua conta "(1 Ts. 3:7-9). Da mesma forma, James advertiu:

"Considere que toda a alegria, meus irmãos, quando passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé produz perseverança. E a perseverança deve ter a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma "(Tiago 1:2-4). Da mesma forma, Pedro aconselhou os seus leitores, "Na medida em que você compartilhar dos sofrimentos de Cristo, manter a alegria, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis com alegria" (1 Pedro 4:13). Assim foi com integridade e sinceridade que Paulo podia dizer, eu me alegro e compartilhar minha alegria com todos vocês. Sunchairō (partes alegria ...) é um composto (e, portanto, intensificada) forma do verbo anterior (chairo, alegrai-vos) e descreve uma reciprocidade profunda de propósito e de sentimento. Foi usado por Lucas para descrever os vizinhos e parentes de Elizabeth, que "estavam se alegrando com a sua" sobre o nascimento de João Batista (Lucas 1:58). Foi usado por Jesus sobre o homem que alegrou em encontrar sua ovelha perdida (Lc 15:6) e da mulher que, da mesma forma, alegrou em encontrar sua moeda perdida (15:9, cf 1 Cor 12..: 26; 13:6). Como Paulo e os filipenses haviam sacrificado e servido juntos, eles foram capazes de se alegrar juntos. Usando a mesma palavra (sunchairō) que ele havia usado apenas de si mesmo, agora ele os adverte, Você também, exorto-vos, alegrai-vos da mesma maneira e compartilhar de sua alegria comigo.

JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário.

 

 

 

 

 

                   COMENTARIO BIBLICO DE FILIPENSES N.4

 

 

Caro professor, um termo grego muito importante no capítulo 2 de Filipenses é xr|vooiç (kenosis). Este é um conceito que ganhou força na Teologia Cristã através dos séculos, pois, em Cristologia, ele trata do esvaziamento da glória divina de Jesus para tornar-se em "forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens". E a iniciativa de Jesus em aniquilar a própria vontade para fazer a do Pai.

Quando estudamos Cristologia e deparamo-nos com o milagre da encarnação de Deus em Jesus Cristo, uma pergunta é inevitável: "Como o Deus todo-poderoso, soberano e criador de todas as coisas, revelou-se plenamente a humanidade de forma tão frágil (criança) e humana (Jesus de Nazaré)? Os palácios não foram a Sua casa, muito menos o quarto nababesco de um grande hotel. O lugar que acomodou o nosso Senhor foi uma estrebaria, onde se abrigava diversos animais. O símbolo da estrebaria remonta o significado do que o apóstolo Paulo quer dizer com esvaziamento de Cristo.

Deus estava em Jesus revelando-se à humanidade como nunca se revelara antes: humilde, humano, servo, lavador de pés. Esta foi a causa dos judeus não reconhecê-lo como Messias, pois ele era o oposto daquilo que os judeus esperavam. Deus jamais se revelara assim tão humilde como se revelou em Jesus. Jesus, o Cristo, uma loucura para gentios e judeus.

Usando a kenosis de Deus é que o apóstolo Paulo conclama os filipenses para terem o mesmo sentimento que predominava em Cristo Jesus. Logo, segundo a expressão do teólogo Reinold Blank, "a kenosis de Deus implica na kenosis do homem". O mesmo sentimento que estava em Jesus deve estar no homem. Aqui, a humildade de Jesus nos constrange e modela.

Uma verdade que precisa ser destacada é a de que em Jesus o homem é capaz de abdicar-se de todo sentimento de poder, egoísmo e opressão. Livrar-se de todos os atributos que descrevam um caráter soberbo, individualista, desejoso de fazer o mal. Outra verdade que deve ser ressaltada na classe é que em Jesus o ser humano é convidado a realizar a obra kenótica de si mesmo. Foi assim que Deus Pai se revelou nEle. Humilde e inimigo de qualquer artifício para fazer o mal. Conclame sua classe a ter a mesma postura de Jesus. Mostre aos alunos que o Evangelho quando encarna no discípulo de Cristo o impulsiona a fazer o bem, renunciar os próprios interesses e até mesmo amar os seus supostos inimigos.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Paulo apela aos sentimentos dos cristãos de Filipos para que tenham essa qualidade como um modo de vida exemplificada em Cristo. Neste texto temos o destaque de duas atitudes de Cristo — humildade e obediência — como manifestações de sua humanidade. No texto de 1.27, Paulo coloca a pessoa de Jesus Cristo como o grande modelo de homem como exemplo para sua vida pessoal no modo de agir e pensar. O texto de Filipenses 2.5-11 vislumbra a perfeita divindade de Jesus Cristo reivindicada ainda como homem na sua oração feita uma semana antes de realizar seu sacrifício no Calvário. O texto nos faz entender que Ele existiu como o Filho eterno de Deus, participando de sua glória junto do Pai antes de sua humanidade. Sem intenção didática da parte do apóstolo, ele destacou na sua carta as duas naturezas de Cristo e apresentou-as nessa escritura reafirmando essa doutrina como genuína na Bíblia. Como Filho de Deus, Jesus não discutiu sua filiação ao Pai, mas espontaneamente abriu mão de sua glória de divindade para assumir a natureza humana e por ela salvar o mundo dos seus pecados. Ao assumir a natureza humana, nascendo de mulher, Ele fez-se homem verdadeiro. Ele nunca deixou de ser Deus, mas, ao assumir sua humanidade, nascendo de mulher e gerado pelo Espírito Santo, Ele assumiu, de fato, o papel de servo, humilhando-se e tornando-se obediente até a morte na cruz. Ele fez tudo isso para salvar o homem dos seus pecados. Por sua obediência e humildade, o Pai Eterno o exaltou à glória celestial depois de sua vitória sobre a morte e o túmulo, ressuscitando gloriosamente. Esse texto apresenta não só a sua humilhação, mas também a sua exaltação perante o Pai depois de sua vitória no Calvário.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 60-61.

O exemplo da humildade de Cristo (2.5-11)

Paulo, agora, com o propósito de deixar bem clara a lição sobre a humildade, escreve uma das mais sublimes passagens de toda a Escritura Sagrada. Pela inspiração divina, ele sobe às maiores alturas e desce às maiores profundidades, ao expressar o mistério da encarnação de Cristo. Apresentamos aqui a seguinte paráfrase desta passagem, na qual se preserva o sentido original da língua grega.

“Pensai assim vós mesmos, como Cristo Jesus foi inspirado a pensar. Ele, que sendo originalmente a verdadeira expressão e declaração da vida íntima e essencial da divindade, não considerou a igualdade com Deus uma coisa a que se devia aferrar. Mas se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado como homem na aparência externa, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte - a morte sobre a cruz. Por esta razão, Deus grandemente o elevou e livremente lhe conferiu o nome que está sobre todo o nome, decretando que ao nome de Jesus todo joelho se dobre, tanto os que estão nos céus, como os que estão na Terra e debaixo da Terra, e que toda língua pronuncie esta confissão: ‘Jesus, Messias, é Senhor!’

Assim rendendo glória a Deus, o Pai” .

O versículo 6 atesta a divindade essencial de Cristo. AquEle que originalmente ocupava uma modalidade de existência própria de Deus. O vocábulo “forma” (morphe, no grego) significa a manifestação duma realidade – a realidade de Cristo foi moldada a uma nova circunstância.

O Filho de Deus, a fim de cumprir o plano da redenção, não se prendeu à sua prerrogativa divina de igualdade com o Pai, mas esvaziou-se a si mesmo (.Ekenosen, idem).

Cristo foi realmente “o Filho do homem”, tendo vencido o pecado na carne (Rm 8.3), numa condição igual à nossa.

O escritor aos Hebreus o apresenta como o Deus homem na presença do Pai, sendo o nosso fiel e misericordioso Sumo Sacerdote (cf. Hb 2.17,18; 4.15,16). Ele desceu do nível divino para o da humanidade, e do nível humano para o da ignomínia (a maldita morte de cruz), em razão do seu amor por nós. Pelo que fez, conquistou para nós um acesso ao trono de Deus, como garantia de que nosso futuro se realizará conforme o compromisso ou pacto celebrado no Evangelho.

Boyd. Frank M. Comentário Bíblico. Gálatas. Filipenses, 1 e 2 Tessalonicenses, Hebreus. Editora CPAD. pag. 65-66.

Meu caro leitor, chamo a sua atenção para duas verdades: Em primeiro lugar, a doutrina sempre deve estar conectada com a vida. Este é o texto clássico da cristologia na Bíblia.

William Barclay diz que esta é a passagem mais importante e mais emocionante que Paulo escreveu sobre Jesus.181 Aqui Paulo alcança as alturas mais excelsas da sua reflexão teológica acerca do Filho de Deus. O contexto, porém, revela-nos que Paulo está tratando de um problema prático na vida da igreja, exortando os crentes à unidade. Ou seja, Paulo está expondo seu pensamento teológico mais profundo para resolver um problema de desunião dentro da igreja. A teologia deve sempre estar conectada com a vida. A teologia determina a ética. A doutrina é a base para a solução dos problemas que atacam a igreja. A igreja precisa pensar teologicamente. Nessa mesma linha de pensamento, William Barclay comenta:

Em Paulo, sempre se unem teologia e ação. Para ele, todo sistema de pensamento deve necessariamente converter-se em um caminho de vida. Em muitos aspectos, esta passagem é uma daquelas que têm o maior alcance teológico do Novo Testamento, mas toda a sua intenção está em persuadir e impulsionar os filipenses a viverem uma vida livre de desunião, desarmonia e ambição pessoal.

Em segundo lugar, a vida de Cristo é o exemplo máximo para a igreja. Paulo corrige os problemas internos da igreja de Filipos não apenas lhes oferecendo conceitos doutrinários, mas lhes mostrando o exemplo de Cristo. O melhor remédio para curar os males da igreja é olhar para Jesus, seguir os Seus passos e imitar o Seu exemplo (2.5). A igreja de Filipos estava sendo atacada por inimigos externos e por intrigas internas. Para corrigir os dois males, ela deveria olhar para Jesus.

William Hendriksen corretamente afirma que há uma área em que Cristo não pode ser nosso exemplo. Não podemos imitar os Seus atos redentivos nem sofrer e morrer vicariamente. Contudo, com o auxílio de Deus, podemos e devemos imitar o espírito que serviu de base para esses atos. A atitude de auto renúncia, com vistas a auxiliar outros, deveria estar presente e se expandir na vida de cada discípulo (Mt 11.29; Jo 13.12-17; 13.34; 21.19; ICo 11.1; lTs 1.6; IPe 2.21-23; ljo 2.6).183 O mesmo autor ainda afirma que, se Jesus não é nosso exemplo, então nossa fé é estéril, e nossa ortodoxia, morta.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 121.

I - O FILHO DIVINO: O ESTADO ETERNO DA PRÉ-ENCARNAÇÃO (2.5,6)

  1. Ele deu o maior exemplo de humildade.

O versículo 5 expõe de modo especial e apropriado a encarnação de Cristo, que é a manifestação do amor divino pela humanidade. As admoestações de caráter pastoral destacam o amor misericordioso de Cristo manifestado em sua encarnação. No versículo 2, por exemplo, lê-se a exortação paulina : “tendo o mesmo amor”, referindo-se ao amor manifestado em e por Cristo.

Entretanto, no versículo 5, o texto grego destaca a palavra phro-neo, referindo-se a “sentimento, pensamento”. A exortação paulina é para que a igreja tenha “o mesmo sentimento” ou que tenha a mesma “atitude” de Cristo Jesus. Na verdade, essa exortação é para que a igreja desenvolva uma relação de comunhão entre os irmãos. Esse sentimento equivale a mais que uma atitude individual que possamos ter. E mais que uma imposição. E um estado de vida, ou seja, uma maneira nova de viver em Cristo participando do seu corpo, a Igreja. Assim como a vida do sangue que percorre todo o corpo deve ser a vida de comunhão dos membros do corpo de Jesus.

Qual é o sentimento demonstrado por Jesus? Ele o demonstrou mediante a sua encarnação (Jo 1.14). Ora, sua encarnação representou seu esvaziamento de divindade para assumir 100% a humanidade. Foi por essa demonstração que constatamos a sua humildade. Ele é o modelo perfeito de humildade. Ele mesmo disse certa feita: “Aprendei de mim, que sou manso humilde de coração” (Mt 11.29). Ele havia se humilhado, revestindo-se de nossa natureza humana e, também, humilhando-se ao papel de servo nesta natureza. O apóstolo Paulo apela a que os filipenses tenham o mesmo sentimento demonstrado por Jesus. Ora, que sentimento era esse? O sentimento de tudo fazer por amor a Deus e ao mundo das criaturas na terra.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 61-62.

«. ..Tende...sentimento. ..» No grego encontramos a palavra «proneistho», forma que aparece nos mss C(3), KLP, e nas versões cóptica e aramaica, bem como nos escritos de Orígenes, Eusébio, Basílio, Crisóstomo e Teodoreto. Essa forma é a terceira pessoa do singular do presente do imperativo da voz passiva. Porém, a forma melhor é «protieite», o imperativo ativo, segundo lemos nos mss P(46), Aleph, ABCDEF, em muitas versões latinas, no siríaco e nos escritos dos pais da igreja Cirilo, Êutico (nos códices que ele conhecia), Vitorino e Ambrosiastro.

Literalmente, teríamos aqui «tende a mentalidade», «tende a disposição mental», «tende o pensamento». O «sentimento» ou «disposição» aqui focalizado é aquilo mesmo que é explanado nos versículos que se seguem—uma disposição de altruísmo, de interesse pelos outros, ao ponto mesmo de sofrermos das barbaridades dos homens, a fim de podermos servir a' outros.

«...em vós...» Em cada crente, individualmente, como é claro, embora pareça haver antes a ideia de «entre vós». Essa disposição altruísta de Cristo deveria ser a nota dominante na comunidade cristã. Meditemos sobre a vida de Cristo, acerca de seus sacrifícios e de sua dedicação suprem a aos (homens, e que esse exemplo nos impulsione ao amor cristão, rejeitando nós o ódio e inveja.

Aquele que alimentava as multidões de pão,

A si mesmo não servia uma única refeição:

O, maravilhosas as maravilhas ainda não feitas,

Pouco menos maravilhosas que aquelas que Ele fez!

Oh! o controle próprio que passa a ideia humana,

Ter todo o poder, e ser como não tivesse nenhum!

Oh ! amor que a si mesmo esquecia, que só Ele sentia,

Vendo as necessidades alheias, e nunca as suas próprias!

A tradução deste versículo não é isenta de dúvidas. Algumas dizem:

«Tende entre vós mesmos a mentalidade que tendes em Cristo Jesus». Isso seria uma ordem p ara que os crentes aplicassem, na ação diária, em relação a outras pessoas, aquilo que eles mantinham particularmente, na qualidade de crentes em Cristo. Nessa capacidade, os crentes deveriam considerar-se humildes, gentis, amorosos e atruistas. Essa tradução é possível; mas ainda que esse seja o sentido do versículo, o contexto geral mostra-nos que Paulo conclamava os crentes a que «seguissem o exemplo de Cristo», a sua humildade. E a maioria dos intérpretes prefere a interpretação que dá a ideia de uma exortação.

A humilhação de Cristo consistiu de haver ele assumido a nossa humanidade, para em seguida ser ainda mais aviltado nessa humanidade.

Jesus ilustrou plenamente esse conceito, e nós somos exortados a seguir o seu claro exemplo. A humilhação de Cristo tem «efeitos salvadores», que são efeitos espiritualmente benéficos. Mas, finalmente, Jesus Cristo foi soberanamente exaltado. O apóstolo dos gentios queria que nos lembrássemos desses fatores, ao seguirmos o seu exemplo.

Eis uma história que mostra o quanto a influência de Cristo pode transformar os homens: Conta-se que um jovem, como brincadeira, fez uma longa confissão de maldades a um padre católico, na catedral de Notre-Dame de Paris. O padre não tardou a reconhecer que tudo não passava de fingimento, e replicou: «Para que eu lhe dê a absolvição, você terá de ajoelhar-se perante o altar-mor. E olhando para Jesus crucificado, diga por quatro vezes: ‘Fizeste isso por mim, e eu não poderia ser mais indiferente do que sou’. O folgazão se ajoelhou e disse: ‘Fizeste isso por mim, e eu não poderia ser mais indiferente do que sou’ ...Mas então engoliu em seco, e não pode prosseguir. Levantou-se dos joelhos, retornou à Inglaterra, e hoje em dia é um ministro anglicano. O exemplo do amor de Cristo, que o levou ao sacrifício, conquistara-o para a vereda cristã.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 27-28.

Paulo roga aos filipenses que vivam em unidade e harmonia; que deponham suas desavenças e discórdias; que deixem de lado toda ambição pessoal, orgulho e desejo de distinção e prestígio; e que abriguem em seus corações o desejo humilde e sem egoísmo de servir que era a própria essência da vida de Cristo. Seu apelo final e irrefutável à unidade consiste em assinalar o exemplo de Jesus Cristo.

Estamos diante de uma passagem que devemos penetrar a fundo porque seu imenso conteúdo abre nossa mente à reflexão e nosso coração à maravilha. E para isto nos deteremos em alguns termos gregos.

O grego é uma linguagem muito mais rica que a nossa. Onde nós temos uma só palavra para expressar uma ideia, o grego oferece com frequência duas ou três ou mais. Em certo sentido são palavras sinônimas ainda que jamais significam inteiramente o mesmo; sempre conservam algum matiz especial ou certo significado particular. Isto vale especialmente para a passagem presente. Aqui Paulo escolhe meticulosamente cada uma de suas palavras para mostrar duas coisas: a realidade tanto da divindade como da humanidade de Jesus Cristo. Consideremos cada frase separadamente. Teremos em conta a tradução da versão corrente e nossa própria tradução, e logo tentaremos penetrar no significado essencial que contêm.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 44-45.

  1. Ele era igual a Deus.

“que, sendo em forma de Deus” (2.6)

O texto destaca a palavra “forma”, sugerindo ser aquilo que tem uma configuração, uma semelhança. Porém, em relação a Deus, o seu significado, de fato, refere-se à forma essencial da divindade. A forma de Deus em Jesus é inalterável, porque a sua essência pertence à divindade e é imutável. A forma verbal da palavra “sendo” aparece em outras versões como subsistir, ou existir, ser por natureza ou pela própria constituição: “subsistia em forma de Deus”. Paulo estava se referindo ao estado de Cristo antes de vir a este mundo e assumir sua humanidade. Vários textos bíblicos comprovam a pré-existência de Cristo (Jo 1.1-3; 3.13; 17.5; 2 Co 8.9; Cl 1.15-17; Hb 1.1-3).

Esta “forma de Deus” pressupõe sua deidade, existindo ou subsistindo, original e eternamente como Deus. Ele subsiste eternamente em forma de Deus e, temporariamente, assumiu a “forma de servo” (Fp 2.7).

  1. Ele era igual a Deus (2.6)

“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.” Jesus não precisava provar que era Deus e, assumindo a forma de homem, sabia que seu estado de humilhação não ofendia a divindade. Isso revela que sua divindade é pré-existente. Ele não renunciou de modo nenhum sua divindade na encarnação. Em todo o transcurso de sua vida terrena, conservou total e completamente a natureza divina e todos os atributos essenciais de sua Pessoa na Trindade. Em sua encarnação, Jesus conservou todos os seus atributos. O ato de “esvaziar-se” (do grego kenosis) não significa que Ele tenha abandonado seu direito de divindade, mas que não usou seus atributos de divindade enquanto “filho do homem”. O pastor e teólogo Esequias Soares escreveu em seu livro Cristologia —A Doutrina de Jesus Cristo'. “Quando Jesus estava na terra, não se apegou às prerrogativas da divindade para vencer o Diabo, mas aniquilou-se a si mesmo, fazendo-se semelhante aos homens. Como homem, tinha certa limitação em tempo e espaço e, portanto, submisso ao Pai. Eis a razão de Ele ter dito em João 14.28: ‘O Pai é maior do que eu” (p. 49).

Cristo era, e ainda é, igual a Deus, o Pai, não no sentido de ser a mesma pessoa, mas o de ter a mesma natureza e a mesma glória (Jo 17.5). O texto diz que “ele não julgou como usurpação ser igual a Deus”. Significa que Ele não considerou a sua igualdade divina com o Pai como algo que quisesse reter para si. Ele não agiu egoisticamente, pensando apenas em si mesmo. Ele preferiu esvaziar-se de sua glória divina para assumir a natureza humana a fim de salvar a todos. Os religiosos radicais de Jerusalém procuravam matar Jesus porque Ele se identificou como “sendo igual a Deus”. Ao seu discípulo Filipe, Jesus afirmou a sua igualdade ao Pai (Jo 14.9-11). Jesus é chamado Deus em vários textos, como: João 1.1; 20.28; Hebreus 1.8; Tito 2.13; Apocalipse 21.7.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 62-63.

Praticamente cada vocábulo deste versículo tem sido sujeitando-a o estudo mais acurado possível. Essa é uma das grandiosas declarações bíblicas sobre a natureza preexistente de Cristo. A frase difícil deste versículo é aquela aqui traduzida por «...não julgou como usurpação o ser igual a Deus...» a qual também tem sido traduzida por «não pensou que a igualdade com Deus fosse algo a que devesse agarrar-sé». Também tem havido outras traduções; e admite-se universalmente a sua dificuldade. (Ver as notas expositivas que se seguem, a respeito disso).

«...subsistindo...», «sendo». No grego é «uparchon».Geralmente se trata de simples sinónimo do termo grego «einai» (ser), conforme o exame de qualquer bom léxico grego. No grego helenista uma palavra era usada em substituição à outra, sem qualquer modificação quanto ao seu sentido básico. Os comentários de alguns eruditos, por conseguinte, dizem que se trata aqui de uma palavra um pouco mais forte, que olha para a condição anterior, adiada até 0 presente; mas essa explicação não tem alicerce sólido.

Não há qualquer necessidade de. fortalecimento da ideia, porque o texto obviamente fala da preexistência de Cristo. Assim sendo, nessa preexistência Cristo tinha a forma de Deus. Na realidade, o sentido de  toda a frase gira muito mais em torno da palavra «...forma...» do que em torno da palavra «subsistindo». O possuir a forma divina não sub entende, necessariamente, existência na eternidade passada, a menos que essa expressão signifique, comprovadamente, divindade. Se realmente esse é o sentido da frase, então a existência de Cristo, por toda a eternidade passada, deve ser compreendida, porquanto o Senhor Deus é «eterno» por definição. Por si mesma, entretanto, essa expressão indica a preexistência de Cristo, porquanto houve um tempo em que ele existia em forma diversa da forma humana, antes de tornar-se homem. Esse tanto do sentido do versículo é claro além de qualquer controvérsia.

«...forma...» No grego original temos o vocábulo «morphe». Entretanto, todas as palavras são elásticas, podendo assumir sentidos diversos.

Portanto, este termo pode indicar a duplicação da «natureza verdadeira» da divindade, ou então a simples «aparência externa», quando então era usada para indicar formas vistas nas visões que apareciam com forma semelhante à humana (ver Callistheens, século IV a .C ., em Athen. 10,75,452b). Também era termo usado para indicar os deuses que, por razões especiais, assumiam forma humana. (Ver Iambl. Vi. Pyth. 6,30; Filo, Abr.118). Contudo, em contraste com o vocábulo grego «schema», que sempre se refere à forma externa, a palavra aqui usada pode significar a corporificação da natureza essencial. No trecho de Mat. 17:2, a forma verbal desse vocábulo é usada para indicar como Cristo teve sua forma transformada perante seus discípulos, durante a transfiguração. É provável que, naqueles momentos, a substância real do Espírito Humano de Cristo tenha sido espiritualizada, tendo assumido uma natureza diferente e superior.

Portanto, nesta palavra, vê-se que sempre está envolvida a natureza real de alguém. Dessarte, pode-se perceber que o sentido deste texto não pode ser determinado pelo mero significado do termo. Além disso, os argumentos alicerçados apenas sobre o sentido de palavras são argumentos deficientes, ainda que porventura isso defenda a verdade.

Essa expressão poderia significar que Cristo, em alguma existência superior e preexistente, participou dos atributos de Deus, sem possuir a natureza divina essencial — uma elevadíssima posição, embora não a posição de divindade. Ou então poderia significar que ele sempre teve a própria natureza de Deus Pai. Exatamente o que está em foco aqui pode ser determinado pela teologia paulina normal. Assim sendo, se confrontarmos esta passagem com o trecho de Col. 2:9, que declara franca e abertamente a divindade de Cristo, então concluiremos que somos forçados a pensar que a palavra «forma», aqui utilizada, se refere à natureza essencial de Cristo, que participava desde a eternidade passada da divindade. (Quanto a notas expositivas completas sobre a «divindade de Cristo», ver Heb. 1:3).

«A ênfase deste versículo é a mesma dada em Heb. 1:3—Cristo Jesus foi a manifestação de Deus, até onde qualquer ser criado pode contemplar. E isso não apenas entre os homens, mas também em toda a eternidade passada, nas dimensões celestes. E outro tanto fica implícito no fato que ele é o «Logos», a expressão falada de Deus. Cristo é o Verbo eterno; e isso significa que por toda a eternidade passada, o que se sabia sobre Deus era sabido por meio do Verbo. E, finalmente, o Verbo se manifestou entre os homens, tendo assumido a nossa humanidade, ficando assim fundidas a natureza divina e a natureza humana. Portanto, o significado dos termos «Verbo» e «forma» subentendem a manifestação do que Deus é para seres criados, sem importar se esses seres são anjos ou homens. Por isso é que Lightfoot (in loc.) mostra-se correto, ao observar: «Embora ‘morphe (forma) não seja ã mesma coisa que ‘phusis’ (natureza) ou que ‘ousia’ (ser essencial), contudo, a possessão de 'morphe' (forma) envolve a participação na 'ousia por semelhante modo; pois 'morphe' não subentende acidentes externos, e, sim, os atributos essenciais». (Isso pode ser comparado com o trecho de II Cor. 4:4, onde Cristo figura como a «imagem» de Deus, o que é igualmente atestado em Col. 1:15).

Comprovando A Divindade De Cristo

  1. Cristo exibe a «forma» de Deus, pelo que também deve possuir a substância daquela forma, mesmo que esse vocábulo vise apenas falar de como sua essência se manifesta e se exibe.
  2. Os próprios eleitos, declaradamente, chegarão a possuir a natureza divina (ver II Ped. 1:4), bem como seus atributos (ver Efé. 3:19). É um absurdo, pois, supor alguém, que o eterno Filho de Deus não seja possuidor dessa natureza. Se o menor é verdade, o maior sempre será verdade. De fato, o menor não poderia ser verdadeiro, a menos que o maior o fosse primeiro. Chegaremos a participar (finitamente) da natureza divina porque ele já participa (infinitamente) dessa natureza. Recebemos de sua imagem (ver Rom. 8:29) porque, primeiramente, ele a possuiu.
  3. O fato de que este versículo fala de uma «igualdade» que Jesus Cristo poderia reclamar juntamente com Deus, se assim tivesse querido fazer, mostra-nos, de modo inequívoco, a divindade de Jesus; de outra forma, essa declaração seria absurda.

«...o ser igual a Deus...»

  1. É óbvio que, quando de sua encarnação, o Filho assumiu posição subordinada, mas não demonstrou um zelo equivocado, procurando «reter» igualdade com o Pai, embora isso fosse inerente à sua natureza divina, como Deus Filho.
  2. Embora igual quanto à natureza, como o Filho, e até como membro da Trindade (ver as notas sobre isso em I João 5:7), ele tomou uma posição de subordinação, e isso por sua própria determinação, tendo em vista sua realização e missão, sobretudo como quem se identificaria com os demais filhos de Deus, dentro da mente e do plano de Deus. (Ver as notas sobre esse conceito, em I Cor. 15:28).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 28.

Versículo 6: Sendo em forma de Deus (RC). “Era por natureza da mesma forma que Deus” (Trad. W. Barclay). Aqui há duas palavras escolhidas com todo cuidado para mostrar a divindade essencial e imutável de Jesus Cristo. A palavra que a Almeida Revista e Corrigida traduz por sendo provém do verbo grego hyparquein. Este termo não é a palavra grega usual para sendo. Descreve o que o homem é em sua própria essência; o que não pode ser mudado; o que possui em forma inalienável e em forma que não lhe pode ser tirado. Descreve as características e capacidades do homem que lhe são inatas, imutáveis e inalteráveis. Descreve a parte do homem que, apesar de todas as mudanças, possibilidades e circunstâncias, continua sendo a mesma. De modo que, Paulo começa dizendo que Jesus é Deus em forma essencial, inalterável e imutável.

Logo Paulo continua dizendo que Jesus estava na forma de Deus. Há duas palavras gregas para forma: morte esquema. Ambas as duas significam forma e devem traduzir-se por forma na falta de outro termo em nossas línguas. Mas não têm o mesmo significado. Morte é a forma essencial de algo, que jamais se altera; esquema é a forma externa que muda de tempo em tempo e de circunstância em circunstância. Por exemplo, a morte essencial de cada homem está em sua humanidade: o fato de sua humanidade é constante e jamais muda; mas o esquema da pessoa — sua forma externa — muda continuamente.

Um bebê, um menino, um adolescente, um jovem, um adulto homem e um homem maduro têm sempre a mesma morte, mas o esquema externo muda continuamente. As rosas, os narcisos, os tulipas, os crisântemos, os cravos, as dálias e os girassóis têm todas uma mesma morte porque são igualmente flores; mas a forma externa, o esquema, é diferente. A aspirina, a penicilina, o magnésio, têm uma morte porque são todos medicamentos; mas a forma externa, o esquema, é diferente. A morte jamais se altera; o esquema muda continuamente. A palavra que Paulo usa agora para Jesus que existe na forma de Deus é morte: Jesus está de maneira inalterável na forma de Deus; sua essência e seu ser imutável são divinos. Apesar de que seu esquema externo pode mudar-se, permanece divino em seu ser e em sua essência.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 45-46.

  1. Mas “não teve por usurpação ser igual a Deus” (v.6).

A escritura do versículo 6 da ARC diz literalmente: “que sendo em forma de Deus”. Em outra versão, a escritura fica ainda mais clara, quando diz: “o qual, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se”. Uma melhor tradução do original sugere o texto do seguinte modo: “o qual, existindo e subsistindo em forma de Deus”. Todas essas traduções não modificam o sentido original e a essência doutrinária do texto. Antes, contribuem para entendermos que Cristo, sendo Deus, fez-se homem. Portanto, possuidor de duas naturezas: a divina e a humana. Ainda antes da encarnação, em seu estado de glória divina, a humildade de Jesus, como Filho do Deus Altíssimo, revelou a força do propósito maior da Divindade, que era o de salvar a humanidade, necessitando seu esvaziamento de glória divina para encher-se da glória humana. Ele não precisava buscar ser igual a Deus porque Ele era Deus. O que se destaca nessa atitude de Cristo é o seu desejo de resgatar o homem dos seus pecados e, para tanto, Ele não exigiu nem se apegou a seus direitos de divindade, mas colocou de lado seu poder e glória, ocultando-se sob a forma de homem. Ele voluntariamente se humilhou e assumiu a forma humana para resgatar o homem.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 64.

«...usurpação...» Até este ponto, este versículo é perfeitamente claro, embora as palavras empregadas possam assumir diferentes significações.

Mas há tremenda controvérsia em torno do sentido da palavra grega arpagmos», bem como quanto à maneira como ela é utilizada aqui.

Os sentidos possíveis, pois, são os que seguem:

  1. Jesus Cristo, na qualidade de Filho eterno de Deus, sempre teve a «forma» de Deus, sendo igual a ele. E não julgava que essa posição fosse uma «usurpação ilegal», um «furto».
  2. Estando Cristo na forma de Deus (e, portanto, sendo igual a Deus, já que é q Filho de Deus), não considerou ele que a continuação nessa posição fosse algo que não devesse ser «ansiosamente retida», porquanto tinha ele de realizar a sua missão encarnada, neste mundo.
  3. Embora o Filho de Deus fosse preexistente, possuía posição inferior à de Deus Pai, não tendo pensado que era algo que deveria ser anelantemente buscado na tentativa de obter a mesma glória de Deus Pai. Isso concordaria de perto com vários mitos antigos, nos quais algum deus é visto a tentar assumir a posição de um deus supremo, como se verificou no caso de vários deles que aspiravam a posição ocupada por Zeus, o qual, no conceito dos antigos, era o deus supremo, mas que, antes disso, havia usurpado tal posição de seu próprio pai, Cronos, mediante o ludíbrio e a violência. Os gnósticos também retratavam alguns «aeons» (poderes angelicais) como excessivamente ambiciosos, buscando posições mais elevadas na hierarquia do poder. E alguns intérpretes acreditam que, de alguma maneira crua, Cristo é aqui pintado como capaz de assumir tal atitude, embora tenha assumido posição de inferioridade, quando da encarnação, para poder desincumbir-se de sua missão terrena.
  4. Outros eruditos pensam que a frase não indica «ser igual a Deus», em qualquer sentido, mas antes, indica «existência em pé de igualdade com Deus», o que, presumivelmente, significa uma forma idêntica de existência, nos lugares celestiais, que visa permanecer ali, na mesma posição de Deus.

Na realidade, não há como determinar com certeza esta expressão, embora a interpretação que mais pareça provável seja a que aqui ocupa o segundo lugar. Assim sendo, embora Cristo, o Filho de Deus, o Verbo de Deus, possuísse eternamente a natureza e os atributos de Deus, não pensou que isso deveria ser «retido», ou que essa retenção fosse questão de busca ansiosa. Pelo contrário, o grande objetivo de Cristo, que ele buscava ansiosamente concretizar, era identificar-se com os homens, a fim de produzir a redenção humana. Seu grande propósito não era parecer totalmente divino, mas sim, tornar-se humano.

«Antes de sua encarnação, estando na forma de Deus, Cristo não reputou a sua igualdade divina como um prémio que devesse ser agarrado e retido a todo o transe; pelo contrário, deixou de lado a forma divina, e tomou sobre si mesmo a natureza divina» (Vincent, in loc., o qual, ao usar a ideia de «forma de Deus posta de lado» como os «atributos da natureza divina», e não a própria natureza divina).

«O sentido (da expressão) é que, estando (Cristo) na forma de Deus, e, portanto, gozando de igualdade com Deus, não se aferrou a essa qualidade, como motivo de glória própria, em comparação com o poder de conferir salvação a todos os homens, que ele teve por bem considerar uma nova alegria e uma glória». (Barry, in loc., que expressa aqui a interpretação da maioria dos antigos intérpretes do grego).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 28-29.

No mesmo versículo Paulo continua dizendo que Jesus “não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se”(NVI). “Não pensou numa existência em igualdade com Deus como algo que podia ser arrebatado” (Trad. W. Barclay). A palavra que Paulo usa é harpagmos e a traduzimos como algo que podia ser arrebatado. Harpagmos provém de um verbo que significa arrebatar ou aferrar. Esta frase pode assinalar uma ou duas coisas que estão por igual no centro de um mesmo pensamento.

(a) Pode significar que Jesus não precisou arrebatar a igualdade com Deus porque a possuía por direito próprio: era dEle e não havia por que tentar arrebatá-la.

(b) Pode significar que Jesus não reteve avidamente a igualdade com Deus como agarrando-a zelosamente contra seu peito e recusando entregá-la. Abandonou-a voluntariamente por amor aos homens. Seja qual for o significado que adotemos – e ambos são perfeitamente possíveis – novamente se sublinha a divindade essencial e imutável de Jesus Cristo.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 46.

II - O FILHO DO HOMEM: O ESTADO TEMPORAL DE CRISTO (2,7,8)

  1. “Aniquilou-se a si mesmo” (2.7).

Na sua encarnação aconteceu a maior demonstração de humildade de Cristo. Ele “aniquilou-se” a si mesmo. No lugar da palavra “aniquilar”, aparece na língua grega do Novo Testamento a palavra original kenoo, que significa “esvaziar, ficar vazio”. A tradução esvaziar aclara melhor que aniquilar, que significa “reduzir a nada” ou “anular”. Os significados vários aclaram a expressão “esvaziou- se”. Ele a si mesmo esvaziou-se, despojou-se, privou-se da glória de divindade para tomar a forma de homem. Ele não se esvaziou da essência da sua divindade, mas esvaziou-se dos atributos de sua divindade para poder manifestar-se como “homem”. Esse esvaziamento não significou abdicação ou rejeição àquilo que sempre lhe pertenceu. Ele tão somente fez sua kenosis sem perder o direito de reassumir sua divindade depois de sua conquista maior: a salvação do homem pecador. A cruz foi o marco maior de sua humilhação como homem, porque Ele entendeu que o mistério do amor divino seria revelado plenamente quando Ele, sendo Deus, se tornasse igual ao homem, entrasse na sua estrutura pessoal e moral, para sentir o seu sofrimento e poder salvá-lo mediante sua obra expiatória. Precisamos entender que, em seu estado de humilhação, jamais Ele se despojou de sua divindade. Ao esvaziar-se, Ele despojou-se das glórias e das prerrogativas da divindade. Ele não trocou a sua natureza divina pela natureza humana, mas renunciou às prerrogativas inerentes de sua divindade para assumir 100% as prerrogativas humanas. Ele não fez de conta que era homem. Ele foi 100% homem, como era 100% Deus. Ele, que era bendito eternamente, se fez maldição por nós (G1 3.13). Ele levou sobre o seu corpo, no Calvário, todos os nossos pecados (1 Pe 2.24).

Ele se fez semelhante aos homens (2.7)

Quando lemos a frase do texto que Ele fez-se “semelhante aos homens” precisamos, à luz do contexto da Cristologia, entender que a palavra semelhança em relação a Cristo não significa “um faz de conta”, ou que tenha sido apenas uma semelhança de humanidade, e não humanidade real. No final do primeiro século da Era Cristã, surgiu uma doutrina herética denominada doce- tismo, da palavra dokesis, que significa “semelhança”. Essa doutrina herética visava destruir os alicerces da doutrina de Paulo sobre Cristo, para negar que “Jesus veio em carne”. Paulo combateu com todas as suas forças essa heresia ensinando que Jesus era verdadeiramente homem, “nascido de mulher” (G1 4.4), e que foi crucificado, experimentando uma morte terrível. A expressão “fazendo-se” indica o fato de ter sido 100% homem, como todos os demais homens. O apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas 4.4 que “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher”, indicando que Jesus, em sua humanidade, é consubstanciai com o homem e pertence à ordem das coisas assim como Adão foi criado. A diferença de Jesus como homem e os demais homens está no fato de que Ele foi gerado pelo Espírito Santo. Por isso, Ele é “verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus”.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 64-66.

Este versículo tem recebido um número extraordinário de interpretações, o que levou Bruce («The Humiliation of Christ», pág. 11), a observar: «A diversidade de opiniões entre os intérpretes, em relação ao sentido desta passagem, é suficiente para desesperar os estudantes, afligindo-os de paralisia intelectual». Porém, antes de entrarmos na exposição do próprio versículo, expomos abaixo a nota expositiva geral sobre o tem a da «humanidade de Cristo».

A Humanidade de Cristo'. Esse é um tema por demais negligenciado no seio da igreja, até mesmo em sua secção evangélica, a qual, apesar de tudo quanto diz em contrário, enfatiza tão-somente a divindade de Cristo, até mesmo no que tange à natureza da encarnação. Por isso, em muitas igrejas, Cristo é um Cristo docético. Explicando, na opinião de tantos cristãos, Cristo é humano apenas na «aparência»; e isso representa uma antiga heresia gnóstica. De acordo com esse ponto de vista, tudo quanto Cristo é visto a fazer, em sua missão terrena, como seus milagres e a sua impecabilidade, é atribuído à sua «natureza divina», de tal modo que não é maravilha que ele tenha feito o que fez, exceto que morreu. Porém, a verdade inteira dessa questão é que o Senhor Jesus cumpriu a sua missão inteira como homem, extraindo do Espírito Santo, que a ele fora conferido sem medida, todo o poder que exerceu. E este o foi transformando como homem, para que pudesse operar obras admiráveis. Poder-se-ia afirmar que Cristo operou os seus prodígios do mesmo modo que podemos operá-los, e maiores ainda (ver João 14:12), tal como um crente pode fazer, conforme vai sendo transformado ou «espiritualizado». Porquanto essa é uma avenida de desenvolvimento espiritual aberta para todos os remidos. Ora, é exatamente esse aspecto que empresta sentido e força à humanidade de Cristo e à sua encarnação —pois declara que tudo quanto ele realizou como homem pode ser realizado também por nós.

Fatos A Considerar

  1. Cristo se identificou totalmente conosco, em nossa natureza humana, a fim de que, eventualmente, pudéssemos identificar-nos totalmente com ele, em sua natureza divina. Portanto, a própria salvação consiste da condução de «muitos filhos» à glória (ver Heb. 2:10).
  2. Em sua encarnação, ele se autolimitou, e, por isso mesmo, usualmente realizou tudo pelo poder de sua humanidade espiritualizada, mediante a virtude da presença e da capacitação dada pelo Espirito Santo. Talvez, em seus milagres sobre a natureza (como a multiplicação dos pães e a tranquilização da tempestade), Cristo tenha apelado para sua divindade inerente. Contudo, de modo geral, o que ele fez, fez em sua humanidade, demonstrando-nos assim o caminho para o poder divino (ver João 14:12).
  3. Embora impecável (ver notas sobre isso em João 8:46 e Heb. 4:15), Cristo aprendeu certas coisas por meio daquilo que sofreu, e assim, como homem, foi aperfeiçoado. Isso nos é ensinado em Heb. 5 :8 ,9 . Por conseguinte, em tudo isso ele foi aperfeiçoado como simples homem, e não como o Logos eterno. No que tange a este último aspecto, ele foi sempre perfeito. Porém, como homem, ele mostrou aos demais homens qual o caminho do desenvolvimento espiritual, porquanto realmente atravessou esse caminho.
  4. Ele tomou sobre si nosso próprio tipo de natureza humana, debilitada como ela está pelo pecado (ver Rom. 8:3), embora nunca houvesse cometido pecado. Não obstante, em sua humanidade, ele teve de abordar os mesmos problemas e fraquezas que nos afligem. Em Jesus, pois, Deus irrompeu no mundo, e assim permitiu que os homens alcançassem autêntica vitória espiritual.

«A humanidade de Cristo é claramente ensinada pela Bíblia inteira. Ele seria o descendente de Abraão e nele todas as nações seriam abençoadas (ver Gên. 22:18); e esse descendente, conforme Paulo explicou, era exatamente Cristo (ver Gál. 3:16). Além disso, o Messias prometido pertenceria à ‘tribo de Judá’ (ver Gên. 49:10), e seria da ‘linhagem real de Davi’ (ver Isa. 11:1,10 e Jer. 23:5). Assim é que Mateus traça a genealogia de Cristo partindo de Abraão, através de Davi (ver Mat. 1:1 e ss.), ao passo que Lucas traça a genealogia de Cristo para trás, passando por Davi, por Abraão, e chegando até Adão, o primeiro homem (ver Luc. 3:23 e ss.). De conformidade com a profecia (ver Isa. 7:14), Jesus nasceria miraculosamente de sua mãe virgem (ver Mat. 1:18 e ss.; Luc. 1:26 e ss. e comparar com Gên. 3:15). O Filho encarnado não cessou e nem poderia cessar de ser Deus verdadeiro; porém, ao mesmo tempo, tornou-se verdadeiro homem. E agora ele é, ao mesmo tempo, Filho de Deus e Filho do homem (ver Mat. 16:13,16, etc.). A genuinidade da humanidade de Cristo é ainda confirmada pelo fato. que cresceu desde a infância até à idade adulta (ver Luc. 2:40,52), pelo fato que experimentou a tentação (ver Mat. 4:1 e ss.; Luc. 4:1 e ss.; Marc. 1:12 e ss.; Heb. 2:18 e 4:15), pelo fato que padeceu fome (ver Mat. 21:18), sede (ver João 4:7 e 19:28), fadiga (ver João 4:6 e Marc. 4:38), tristeza (ver João 11:35), pelo fato que não sabia todas as coisas, como homem (ver Marc. 13:32), e pelo fato que sofreu, e, sobretudo, pelo fato que morreu (ver as narrativas bíblicas de sua agonia e crucificação). Finalmente, é importante observarmos que a humanidade de nosso Senhor foi retida até mesmo após a sua ressurreição dentre os mortos (ver Luc. 24:38-42)». (Philip Hughes, no Baker's Dictionary ofTheology, pág. 273).

Naturalmente, a humanidade que Cristo reteve, mesmo apôs a sua ressurreição, é aquela referida na passagem de II Ped. 1:4, onde ele aparece como o Deus-homem, de cuja natureza todos os homens podem participar, contanto que se deixem unir a ele mediante a redenção. E isso a despeito do fato que Cristo permanecerá na posição suprema de Cabeça, ao passo que nós seremos sempre o seu corpo místico. (Ver o trecho de Efé. 1:23 acerca desse conceito). Não obstante, somos a «plenitude» de Jesus Cristo, ao passo que ele preenche a tudo em todos, isto é, ele é tudo para todos nós. A humanidade de Cristo é comprovada pelas seguintes razões: Sua concepção miraculosa (ver Mat. 1:18); seu nascimento (ver Mat. 1:16); sua participação na carne e no sangue (ver João 1:14); sua possessão de alma humana (ver Mat. 26:28 e Atos 2:21); sua circuncisão (ver Luc. 2:21); seu crescimento em estatura e sabedoria (ver Luc. 2:52); seu choro (ver Luc. 19:41); sua fome (ver Mat. 4:2); sua sede (ver João 4:7); seu sono (ver Mat. 8:24); seu cansaço (ver João 4:6). E também por ter sido homem de tristezas (ver Isa. 53:3,4 e Luc. 22::44); por haver sido esbofeteado (ver Mat. 26:67); por haver suportado afrontas (ver Luc. 23:11); por haver sido açoitado (ver Mat. 27:26); por haver sido encravado na cruz (ver Luc. 23:33); por haver morrido (ver João 19:30); por haver sido sepultado (ver Mat. 27:26), por haver sido tentado como nós, embora sem pecado (ver Atos 3:22; Fil. 2:7,8 e Heb. 2:17). A humanidade de Cristo é descrita como parte necessária não apenas de sua missão terrena, mas igualmente de seu ofício de Mediador (ver Rom. 6:15,19; I Cor. 15:21; Gál. 4:4,5; I Tim. 2:5 e Heb. 2:17). Sua natureza humana foi reconhecida pelos homens (ver Mat. 6:3; João 7:27 e Atos 2:22), mas é negada pelo anticristo, pelos hereges, provavelmente da variedade gnóstica (ver I João 4:3 e II João 7).

A humanidade de Jesus Cristo, pois, após examinarmos várias referências bíblicas, mostra ser algo indispensável, pois:

  1. Isso era necessário para que cumprisse sua missão terrena em geral, visto que somente como homem poderia redimir aos homens.
  2. Havia necessidade de identificar-se ele com os homens, a fim de que estes pudessem identificar-se com ele, na sua glória.
  3. Pois assim é que poderíamos atingir aquela medida e aquela forma de glorificação que pertence a ele, de conformidade com a vontade divina, e a fim de que ele pudesse conferir tal glorificação a todos os remidos.
  4. Pois era mister tal para que ele pudesse assumir a posição suprema no universo, como seu Cabeça (ver Efé. 1:10 e ss., quanto ao «mistério da vontade de Deus»), na qualidade de unificador e restaurador de todas as coisas, bem como o personagem em tomo do qual a harmonia e a unidade universais serão estabelecidas. A exaltação de Cristo ocorreu porque ele cumpriu com pleno êxito a sua missão terrena, e não porque essa exaltação já lhe fosse devida, como Deus, conforme nos informa o décimo versículo do presente capitulo, conforme dizem também o primeiro capítulo da epístola aos Efésios e o trecho de Heb. 1:9. E é andando pelo caminho que ele mesmo palmilhou que nos tomamos «plenitude» de Cristo, embora ele preencha a tudo em todos, sendo tudo para cada um de nós.
  5. Seu presente oficio de Mediador exigia que ele se identificasse conosco, como também isso é requerido pela nossa identificação potencial com ele, em sua glorificação. (Ver Heb. 2:17).
  6. A necessidade que há de ser fortalecido e consolado o povo de Deus, na sua peregrinação terrena, depende do fato de ser Cristo um ser humano verdadeiro. (Ver Heb. 2:18).
  7. Todas as forças do mal, que produzem a «morte» do homem, foram derrotadas quando da missão terrena do Filho de Deus, porquanto ele «provou a morte em favor de todo o homem», a fim de outorgar-lhes a vida eterna. (Ver Heb. 2:9).
  8. Apesar de Cristo ser o Caminho, é ele, por igual modo, o «pioneiro» desse caminho, mostrando-nos ele, desse modo, como podemos te r êxito nessa peregrinação deste mundo (ver Heb. 2:10).
  9. A ressurreição de Cristo Jesus garante a nossa própria. Mas isso não poderia ocorrer não fora o fato de ter Cristo assumido a nossa humanidade (ver a totalidade do décimo quinto capítulo da primeira epístola aos Coríntios).
  10. A ressurreição de Cristo subentende a sua ascensão aos céus e a sua glorificação; e isso também nos e stá assegurado pelo Salvador, que é Deus-homem, o Filho de Deus (ver Rom. 8:30).

Esses dez pontos mostram o que está implícito na verdade da humanidade de Jesus Cristo. Portanto, quão equivocados estão aqueles que atribuem à divindade de Cristo tudo quanto ele fez de incomum. Bem pelo contrário, ele pôs de lado o poder e os atributos divinos (posto que não a própria natureza divina), a fim de que a encarnação tivesse uma significação vital para toda a humanidade. Da mesma maneira que ele se identificou totalmente conosco, a mesma determinação divina que assim fez com que fossem as coisas, nos leva a sermos totalmente identificados com o Filho de Deus, porquanto o Cabeça não pode ter um destino diferente daquele outorgado ao corpo.

Vários dos evangelhos apócrifos, como o Evangelho de Tomé, pintam Cristo como um elevadíssimo ser angelical, cuja suposta natureza humana era apenas «aparente». Disso se originou o termo «docético», que indica a posição daqueles que imaginam que todas as obras extraordinárias de Cristo se devem à sua divindade, e nada à sua humanidade. Assim, pois, seus sofrimentos não teriam sido reais, e as suas próprias obras miraculosas eram as de um anjo, e não as de um homem. A igreja cristã dos primeiros séculos de nossa era considerou que tal posição é herética, e a moderna igreja evangélica, que atribui ao poder divino de Cristo, tudo quanto ele realizou, está se aproximando perigosamente dessa antiquíssima heresia, embora suas formulações teológicas falem em outro tom.

«...a si mesmo esvaziou...» Longe, de preferir seus elevados direitos e privilégios, em pé de igualdade com Deus Pai, Cristo se «...esvaziou...», o que representa tradução literal do verbo grego «Kenoo». Esse verbo também pode significar «tornar sem efeito», «anular», «privar-se de». O que os intérpretes disserem a respeito disso será determinado, não por esse termo grego ou pelo que diz o versículo inteiro, mas pelo que significa tal conceito, teologicamente falando, a saber:

  1. Mui provavelmente, Paulo não tencionava estabelecer qualquer declaração teológica exata, firmando distinções neste ponto; antes, de maneira geral e indefinida, meramente salientou o fato que, ao invés de Jesus escolher as glórias celestiais e poderes elevados, preferiu a esfera humilde dos homens, a fim de poder redimir a seus eleitos; e assim esvaziou-se de sua expressão de vida nas regiões celestes. Essa expressão, portanto, serve para ilustrar uma atitude, a fim de serem bons seguidores de Cristo, não procurando expressar, em quaisquer termos exatos, as limitações que havia no estado encarnado de Jesus Cristo. Esta expressão, por conseguinte, é posteriormente definida naquilo que se segue, acerca de sua natureza; Cristo se tornou homem, um escravo, um escravo obediente, ao ponto de haver aceito uma morte ignominiosa, preferindo isso a reter suas glórias celestiais elevadas—e tudo isso porque queria redimir os homens. Qualquer coisa que vá além disso, na tentativa de expressar o sentido do trecho, penetra no campo da teologia especulativa, embora algo mais seja definido em outras porções do N.T.
  2. Cristo Jesus jamais poderia ter deixado de ser Deus, pois como pode alguém deixar de ser aquilo que é essencialmente?
  3. No entanto, Cristo pôs de lado os seus atributos e poderes divinos, para que pudesse compartilhar plenamente da condição humana, em sua fraqueza e sorte. É isso que em presta à encarnação de Cristo o seu significado para nós. A diferença entre os crentes, quanto às opiniões que embalam sobre essa questão, atinge apenas até que ponto «absoluto» esse esvaziamento é encarado por eles.

«...pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que,, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos» (IICor. 8:9). A graça de Deus, por conseguinte, foi o grande motivo da encarnação de Cristo, e isso como expressão ao amor divino.

Somente o grande e infinito amor

Ao meu precioso Salvador,

Fê-lo sair de seus palácios de marfim,

Para este nosso mundo de lamentações

(Henry Barraclaugh).

«...assumindo a forma de servo...» Reaparece aqui, tal como no versículo anterior, onde é amplamente comentada, a palavra «...forma...» Não subentende necessariamente a ideia de «natureza», mas dá a entender alguma espécie de natureza essencial, que se manifesta através de alguma «forma» específica ou caráter de manifestação. Certos atributos, baseados em uma espécie específica de natureza entram em ação. Portanto, as palavras, «Cristo, na forma de Deus»,, subentendem, ainda que não o afirmem necessariamente, a sua divindade.

Uma Metáfora Notável

  1. A humilhação de Jesus chegou ao extremo de haver se tomado um «escravo». Ninguém é inferior a um escravo. O escravo não tem vontade própria, rião tem direitos, não tem qualquer proteção perante as leis do estado. Serve de instrumento ao serviço de outros e é forçado a fazer as coisas mais árduas e degradantes. Ê, essencialmente, um «trabalhador braçal», e não tem direito a descanso. Cristo não era realmente um escravo, mas assumiu- a «forma» (aparência) de escravo, em comparação com sua glória anterior.
  2. Em sua missão, ele «trabalhava» como instrumento alheio, cumprindo a vontade do Pai. E foi obediente; mostrou-se supremamente dedicado; foi produtivo.
  3. É possível que o apóstolo tivesse em mente a passagem de Isa. 52:13, quando escreveu essas palavras. O escravo obterá sucesso e será exaltado.

Acabará vencendo. Mas primeiramente teria de trabalhar e sofrer. « ...reconhecido em figura humana...» « ...figura...» é tradução do vocábulo grego «omoioma», que significa «cópia», «imagem», «aparência», «formato». Essa palavra pode significar também ou a «real duplicação» da natureza, ou a «semelhança» dessa natureza.

Como Paulo Usou Esses Termos?

  1. Quando se utilizou das expressões «forma de Deus» e «semelhança de homens», Paulo não fez qualquer tentativa de descrever especificamente a natureza metafísica de Cristo. Não estava declarando, diretamente, que Cristo era Deus e homem, em sua essência.
  2. Não obstante, ele deixa isso entendido em sua linguagem. Para que tivesse a «forma» de Deus, era mister que primeiramente possuísse a «natureza» correspondente. Sua natureza divina se expressa de certa maneira visível e compreensível—a isso chamamos de «forma». E sua natureza humana se expressava de certa maneira visível. Daí dizermos «semelhança de homens». Todavia, ser-lhe-ia impossível ter a semelhança, sem ter também a essência da natureza humana.
  3. Esse raciocínio deve ser verdadeiro, pois seria absurdo afirmar-se que Cristo não era nem Deus e nem homem, com base na teologia do N.T.

Naturalmente, os gnósticos afirmavam exatamente essa aberração, reduzindo Cristo a um ser pertencente à ordem angelical. As expressões usadas no texto, poderiam, talvez, subentender essa ideia, pois as palavras são instrumentos plásticos e inexatos. Mas a teologia de Paulo contradiz tal noção. As expressões em foco, pois, enfatizam o «modo de manifestação», embora não afirmem especificamente que Cristo fosse, ao mesmo tempo, Deus e homem.

«A sujeição ‘de Cristo’ à lei (ver Luc. 2:21 e Gál. 4:4), bem como a seus pais (ver Luc. 2:51); o seu estado aviltado como carpinteiro, como filho reputado do carpinteiro (ver Mat. 13:55 e Marc. 6:3); o fato que foi traído a troco do preço de um escravo (ver Êxo. 21:32); sua morte similar à de um escravo, a fim de libertar-nos da servidão ao pecado e à morte; e, finalmente, sua dependência a Deus como um escravo, na qualidade de homem, não permitindo que sua divindade se manifestasse externamente (ver Isa. 49:3,7), tudo isso demonstra que ele assumira a ‘forma de um escravo'». (Faucett, in loc.).

Por isso mesmo é dito nas Escrituras que o Filho do homem veio para servir a muitos (ver Mat. 20:28). E assim também, aquele discípulo do Senhor Jesiis que quiser ser grande, que seja o servo de todos (ver Mat. 20:27), Esta é a lição que nos apresenta o texto que ora comentamos, dando a entender, ao invés de declará-lo dogmaticamente, as naturezas divina e humana de Jesus, o Cristo, naturezas essas que se correspondem entre si. Na sua força como lição nossa é derivada do grande contraste entre a glória que ele tinha como ser divino, e a humilhação que sofreu como ser humano.

« ...tornando-se ... » Essa palavra pode ser contrastada com o termo «subsistindo», que figura no versículo anterior. A palavra que ora comentamos assinala a entrada de Cristo no seu novo estado, quando veio compartilhar da natureza humana. (Ver as notas expositivas sobre a doutrina da «encarnação», no trecho de João 1:14).

O Verbo de Deus encarnado,

O Sabedoria vinda do alto,

O Verdade imutável, não-modificada,

Ó Luz de nosso escuro firmamento ,

Louvamos-te pelo teu resplendor,

Que das páginas sacrossantas,

Qual lanterna para nossos pés,

Brilha de século para século.

(William Walsham How, 1867).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 29-30.

Versículo 7: antes, a si mesmo se esvaziou. “fez-se a si mesmo sem reputação” (Trad. W. Barclay). O verbo grego é kenoun que literalmente significa esvaziar. Pode usar-se para "tirar algo de um recipiente até que fique vazio" ou para "derramar algo de tal maneira que não fique nada". Paulo usa aqui a palavra mais gráfica possível para que fique bem claro o sacrifício da encarnação. A serenidade, a paz e a glória da divindade foi o que Jesus depôs voluntariamente para fazer-se homem. Esvaziou-se de sua divindade para assumir a humanidade. É inútil perguntar-se pela maneira; somente podemos estar reverentes perante a presença dAquele que na fome, no cansaço e nas lágrimas é Deus todo-poderoso. Aqui, já no último limite da linguagem humana, está a grande verdade salvadora de que Aquele que era rico se empobreceu por nós.

Paulo diz a seguir: tomando a forma de servo. “adotou a mesma forma de um escravo” (Trad. W. Barclay). A palavra que Paulo usa para forma é morte que significa, como vimos, a forma essencial. O que quer dizer é que Jesus se fez homem não para representar um papel como no teatro, mas em realidade. Foi efetivamente homem. Não foi como os deuses gregos que algumas vezes — no dizer dos relatos — se fizeram homens mas conservando seus privilégios divinos. Jesus se fez real e verdadeiramente homem. Sua humanidade foi verdadeira. Mas aqui há algo mais.

Fazendo-se em semelhança de homens. “Fez-se como os homens.” (Trad. W. Barclay). Tornando-se, que nós traduzimos fez-se corresponde ao verbo grego gignesthai. Este verbo descreve um estado que não é permanente. Tudo se encaixa no pensamento de suceder, chegar a ser, não de ser permanentemente algo. Descreve a fase de uma mudança muito real mas que passa e segue sua marcha. Isto equivale a dizer que a humanidade de Jesus não era permanente; fez-se homem mas só por um tempo; sendo essencialmente divino se fez humano temporalmente. Sua humanidade era completamente real, mas transitiva; sua divindade era também algo absolutamente real mas permanente e definitiva.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 46-47.

Ele serve (Fp 2 : 7)

Pensar nos "outros" apenas em sentido abstrato não é suficiente; devemos considerar a essência do verdadeiro serviço. Um filósofo conhecido escreveu palavras cheias de entusiasmo sobre a educação dos filhos, mas abandonou os próprios filhos. Não teve dificuldade em amar as crianças de maneira abstrata, mas a aplicação prática mostrou-se muito diferente da teoria. Jesus pensou nos outros e se tornou um servo! Paulo acompanha os passos da humilhação de Cristo: (1) esvaziou-se, colocando de lado o uso independente de seus atributos divinos; (2) tornou-se humano permanentemente, em um corpo físico sem pecado; (3) usou esse corpo para ser servo; (4) levou esse corpo à cruz e morreu voluntariamente.

Que graça maravilhosa! Do céu à Terra, da glória à vergonha, de Senhor a servo, de vida à morte, "até à morte e morte de cruz"! Na era do Antigo Testamento, Cristo havia visitado a Terra em certas ocasiões para realizar alguns ministérios especiais (como vemos em Gn 18), mas essas visitas eram temporárias. Quando Cristo nasceu em Belém, entrou em união permanente com a humanidade, união da qual não poderia haver qualquer saída. Pela própria vontade, humilhou-se, a fim de nos exaltar! É interessante observar que, em Filipenses 2:7, Paulo volta a usar a palavra "forma": "a expressão exterior da natureza interior". Jesus não fingiu que era um servo nem fez o papel de servo como se fosse um ator. Ele se tornou, verdadeiramente, um servo! Essa era a expressão autêntica de sua natureza mais íntima. Ele foi o Homem-Deus, a Divindade e a humanidade unidas em um só ser: e ele veio como servo.

Ao ler os quatro Evangelhos, podemos observar como é Jesus quem serve aos outros, não o contrário. Ele se coloca à disposição de pessoas de todo tipo: pecadores, meretrizes, coletores de impostos, enfermos ! e aflitos. "Tal como o Filho do Homem, que : não veio para ser servido, mas para servir e ; dar a sua vida em resgate por muitos" (Mt : 20:28). No cenáculo, quando os discípulos se recusaram claramente a ministrar uns aos outros, Jesus levantou-se, pôs de lado seu manto, colocou uma toalha longa de linho ao redor da cintura e lavou os pés deles! (Jo 13). Assumiu a posição do mais humilde dos servos e colocou a submissão em prática. Não é de se admirar que Jesus tenha experimentado tanta alegria!

Durante a Guerra Civil nos Estados Unidos, o general George B. McClellan foi colocado à frente do poderoso exército do : Potomac, em grande parte, porque contava com o apoio da opinião pública. Ele se considerava um líder militar extraordinário e  gostava quando as pessoas o chamavam de "jovem Napoleão". No entanto, seu desempenho ficou muito aquém do esperado. O presidente Lincoln nomeou-o comandante supremo de suas tropas, na esperança de colocá-lo à frente no campo de batalha, mas, ainda assim, McClellan procrastinou para entrar em ação. Certa noite, Lincoln e dois de seus assessores foram fazer uma visita ao general e descobriram que ele estava em um casamento. Os três se assentaram e esperaram; uma hora depois, o general chegou em casa. Sem dar qualquer atenção ao presidente, McClellan foi para seus aposentos e não voltou mais. Meia hora depois, Lincoln pediu a um empregado da casa para dizer ao general que se encontravam a sua espera. O servo voltou e avisou que McClellan já estava dormindo.

Os assessores de Lincoln ficaram furiosos, mas o presidente levantou-se e se pôs a caminho de casa. Não é hora de brigar por causa de questões de etiqueta ou de dignidade pessoal explicou o presidente. - Eu seria capaz de segurar as rédeas do cavalo de McClellan se isso nos desse vitória. Essa atitude de humildade contribuiu para tornar Lincoln um grande homem e um grande presidente. Não pensava em si mesmo, apenas em servir aos outros. O serviço é o segundo sinal de submissão.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 96-97.

  1. Ele “humilhou-se a si mesmo” (2.8).

A expressão de que Ele “humilhou-se a si mesmo” tem o testemunho da história de que a sua vida inteira, da manjedoura ao túmulo, foi marcada por genuína humanidade. Depois da humilhação da encarnação, Ele ainda sujeitou-se a ser perseguido e sofrer nas mãos dos incrédulos (Is 53.7; Mt 26.62-64; Mc 14.60,61). Foi, de fato, uma auto-humilhação! Uma decisão espontânea da sua parte. Ele submeteu-se a tudo isso porque não perdeu o foco de sua missão expiatória. O que importava para Ele era cumprir toda a justiça de Deus em relação ao pecado.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 66.

«...a si mesmo se humilhou...» Notemos que a vontade ativa do Filho de Deus, Jesus Cristo, se mostrou ativa nessa sua humilhação. Ele deixou voluntariamente as riquezas celestiais e toda a sua glória, e se submeteu espontaneamente à sua aviltada condição terrena. Obedeceu e morreu voluntariamente, tendo tido uma morte vergonhosa. No grego original temos o verbo «tapeinoo», que significa «humilhar-se», «rebaixar-se», «degradar-se», «aviltar-se». «O que se deve fazer com um quadro não é tanto analisá-lo , e, sim, deixá-lo falar, conforme Paulo queria que falasse ‘o quadro do exemplo de Cristo’ àqueles crentes filipenses, que se exaltavam a si mesmos. Isso sugere que Deus, o criador, que se deu e ternamente a si mesmo, para que pudéssemos existir, desde toda a eternidade tinha em si mesmo essa disposição mental de dar-se de si mesmo, de transmitir-se a outros; e essa atitude se tornou supremamente visível quando da manifestação de Deus em Cristo, mas que atinge até mesmo crentes individuais, a fim de que cada um deles se desvencilhe de si próprio e entre em uma nova união com a vida altruísta de Deus, para o que também foi criado o espírito de cada um de nós. Uma vez que essa revelação se concretizou (na pessoa de Cristo), nada mais pode ser acrescentado a ela». (Wicks, in loc.).

E diz o mesmo autor: «Há dinamite neste quadro sobre o interesse eterno de Deus por cada personalidade humana. Isso espatifou a subida social que mostrara a sua feia cabeça em Filipos. E através de todos os séculos tem servido de âmago de uma contínua revolução».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 30.

Ele se sacrifica (Fp 2:8)

Muitas pessoas estão dispostas a servir aos outros desde que isso não lhes custe coisa alguma. Mas se precisarem pagar algum preço, perdem o interesse no mesmo instante. Jesus tornou-se "obediente até à morte e morte de cruz" (Fp 2:8). Não morreu como um mártir, mas sim como Salvador. Entregou a vida voluntariamente pelos pecados do mundo.

Nas palavras de J. H. Jowett: "O ministério que não custa coisa alguma não realiza coisa alguma". A fim de haver bênção, também é preciso haver sacrifício. Um missionário estava em uma festa religiosa no Brasil andando no meio das barraquinhas e observando o que cada uma oferecia. No alto de uma delas, viu um cartaz que dizia: "Cruzes em Promoção" e pensou consigo mesmo: "É exatamente isso o que muitos cristãos procuram hoje em dia: cruzes que não lhes custem quase nada. A cruz de meu Senhor custou caro.

Por que minha cruz deveria ser diferente?"

Quem tem uma atitude de submissão não evita sacrifícios; vive para a glória de Deus e para o bem dos outros; se há um preço para honrar a Cristo e ajudar o semelhante, está disposto a pagá-lo. Essa foi a atitude de Paulo (Fp 2:1 7), Timóteo (Fp 2:20) e também Epafrodito (Fp 2:30). A fim de ser uma expressão verdadeira do ministério cristão, o serviço precisa ser acompanhado de sacrifício.

Em seu livro Dedication and Leadership [Dedicação e Liderança], Douglas Hyde explica como os comunistas conseguiram ser bem-sucedidos em sua proposta. O próprio Hyde foi membro do Partido Comunista durante vinte anos e, portanto, entende sua filosofia. Afirma que os comunistas nunca pedem que um indivíduo faça um "serviço pequeno e sem importância". Em vez disso, pedem sempre que realize com ousadia uma tarefa que lhe custará algo. Fazem exigências pesadas que são atendidas de imediato.

Hyde chama isso de "disposição para se sacrificar", um dos fatores mais importantes no sucesso da proposta do Partido Comunista.

Espera-se que até mesmo os membros mais jovens do movimento estudem, sirvam, contribuam e obedeçam, e são justamente essas exigências que os atraem.

O conselho da igreja estava reunido para programar a participação dos jovens nos cultos de domingo, e um dos membros sugeriu que os adolescentes poderiam recepcionar as pessoas, dirigir uma oração e apresentar algumas músicas especiais. Um representante dos adolescentes que participava da reunião levantou-se e disse:

- Para falar a verdade, estamos cansados de ficar com as coisas mais simples. Gostaríamos de fazer algo mais complexo e, quem sabe, ter uma participação maior durante o ano todo. Os adolescentes conversaram e oraram sobre isso, e gostaríamos de trabalhar em um projeto de reforma do porão da igreja para usá-lo como sala de aula. Também gostaríamos de visitar membros idosos da congregação semanalmente e levar CDs com a gravação dos cultos para eles. E, se não houver problemas, gostaríamos de ir ao parque todos os domingos à tarde para evangelizar. Esperamos que vocês concordem.

O rapaz assentou-se, e o novo pastor de jovens sorriu consigo mesmo. Havia desafiado os adolescentes a se dedicarem a um projeto que lhes custasse algo, e eles aceitaram o desafio com grande entusiasmo. Sabia que é preciso fazer sacrifícios para o crescimento e o ministério serem autênticos. O teste da submissão não se refere apenas ao que estamos dispostos a suportar em termos de sofrimento, mas também ao que estamos dispostos a oferecer em termos de sacrifício.

Um dos paradoxos da vida cristã é que, quanto mais damos, mais recebemos; quanto mais sacrificamos, mais Deus abençoa. A submissão produz alegria, pois ela nos torna mais semelhantes a Cristo. Isso significa que participamos de sua alegria ao participar também de seu sofrimento. É evidente que, quando a verdadeira motivação é o amor (Fp 2:1), o sacrifício nunca é medido nem mencionado. A pessoa que sempre fala dos sacrifícios que faz não tem uma atitude de submissão.

Ser cristão lhe custa alguma coisa?

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 97-98.

  1. Paulo prossegue: Assim, reconhecido na forma de um ser humano.

Quando Jesus veio em carne, como foi considerado pelos homens?

O que viram nele ou como o classificaram? A resposta é a seguinte:

em sua apreciação, não viram nele mais que um mero ser humano, igual a eles em muitos aspectos: Porventura, vieram a este mundo pelo processo natural de nascimento? Ele também (Lc 2.7). (O mistério do nascimento virginal não foi compreendido por eles.)

Mas, ainda que estivessem certos em reconhecer sua humanidade, estavam errados em dois aspectos: Rejeitaram a. sua humanidade impecável e b. sua deidade. E ainda que toda sua vida, particularmente suas palavras e atos poderosos, manifestasse “a divindade velada na carne”, todavia, de um modo geral, rejeitaram suas reivindicações e o odiaram ainda mais por causa delas (Jo 1.11; 5.18; 12.37). Cumularam-no de escárnio, de forma que “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens ...” (Is 53.3).

O mais espantoso, contudo, é que, “quando ultrajado, não revidava com ultraje ...” (1Pe 2.23), ele se humilhou. (Para a significação do conceito atitude humilde, ver meu comentário sobre o v. 3.) Desde o princípio, ele se fez obediente, a saber, a Deus o Pai, como claramente versículo 9 o indica (note bem, “Pelo que também Deus”, etc.). Além do mais, sua obediência não conheceu limites: até à morte. Nessa morte ele, atuando tanto como Sacerdote quanto como a oferta pela culpa, deu-se a si mesmo como um sacrifício expiatório pelo pecado (Is 53.10). Por isso, essa morte não foi uma morte comum, mas foi como disse Paulo: morte numa cruz.

HENDRIKSEN. William. Exposição de Filipenses. Editora Cultura Cristã. pag. 481,483.

  1. Ele foi “obediente até a morte e morte de cruz” (2.8).

O autor da Carta aos Hebreus escreveu que Cristo se sujeitou à morte “para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hb 2.14,15). A morte de cruz foi o clímax da humilhação que Jesus suportou, constituindo-se na vergonha maior que um condenado podia passar. Entretanto, a Bíblia é clara quando diz que essa morte foi necessária para que Ele pudesse vencê-la no túmulo ao ressuscitar ao terceiro dia, abolindo sua força condenatória, e pela ressurreição trazer a luz e a incorrupção. Paulo escreveu a Timóteo que Cristo “aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção, pelo evangelho” (2 Tm 1.10).

Sua obediência era exclusiva à vontade de Deus, mesmo que essa vontade apontasse para a morte de cruz. Na sua angústia, antes de enfrentar o Calvário, no Getsêmane, Ele submeteu-se totalmente a Deus e acatou a vontade soberana do Pai ao dizer: “Não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22.42). Ele desceu ao ponto mais baixo de sua humilhação ao enfrentar o Calvário e a morte de cruz. Ele sofreu tudo que a palavra “morte” significa para nós. Passando pela dor e participando do Hades, o estado dos mortos (At 2.31) que não é a sepultura. A morte de cruz era símbolo da própria maldição (Dt 21.22,23), mas Cristo nos resgatou da maldição “fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (G1 3.13, ARA).

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 66-67.

« ...morte de cruz...» Essa era a mais patente ilustração possível de humildade que se poderia fazer na sociedade antiga. Na polida sociedade romana era proibido até mesmo mencionar esse género de morte, que estava reservado aos piores criminosos e aos escravos. No dizer de Vincent (in loc.):

«O final da descrição deixa o leitor no ponto mais baixo da humilhação de risto, a morte como a de um malfeitor; o tipo de morte ao qual estava vinculada uma maldição, dentro da legislação mosaica. (Ver Deut. 21:23; Gál. 3:13 e Heb. 12:2).Na qualidade de cidadão romano, Paulo estava isento desse opróbrio (mas Jesus, o Cristo, o maior de todos os homens, não o estava)». É interessante que os gregos estavam acostumados a imaginar os seus deuses no maior poder e honrarias que se possa conceber; e para eles um Salvador crucificado era uma insensatez.

«...cruz...» Jesus desceu do ponto mais alto até à profundeza mais vil, tendo a morte mais desprezível de todas, a de um criminoso condenado, sobre a maldita cruz». (Robertso n, inloc.). «Ele se suprimiu tão completamente que finalmente morreu no madeiro». (Scott, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 30-31.

Ele se sacrificou (2.8). Muitas pessoas estão prontas a servir outros, se isso não lhes custar nada.

Mas, se há um preço a pagar, então perdem o interesse. Jesus Cristo serviu sacrificialmente e foi obediente até à morte e morte de cruz. Cristo se esvaziou e se humilhou quando se fez homem. Depois desceu mais um degrau nessa escalada da humilhação, quando se fez servo; mas desceu às profundezas da humilhação quando suportou a morte e morte de cruz. Por seu sacrifício, Ele transformou esse horrendo patíbulo de morte no símbolo mais glorioso do cristianismo (G1 6.14).

James Boyce diz que a cruz de Cristo é a grande ênfase de toda a Bíblia, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento (Lc 24.25-27). Dois quintos do Evangelho de Mateus são dedicados à última semana de Jesus em Jerusalém. Mais de três quintos do Evangelho de Marcos, um terço do Evangelho de Lucas e quase a metade do Evangelho de João dão a mesma ênfase. O apóstolo João fala da crucificação de Cristo como “a hora” vital para a qual Cristo veio ao mundo e o Seu ministério foi exercido (Jo 2.4; 7.30; 8.20; 12.23; 12.27; 13.1; 17.1).2" O mesmo autor diz que Cristo morreu para remover o pecado (IPe 2.24; 2Co 5.21), satisfazer a justiça divina (Rm 3.24-26) e revelar o amor de Deus (Jo 3.16; l Jo 4.10).212.

A morte de cruz tinha três características:

Ela foi dolorosíssima. Era a pena de morte aplicada apenas aos escravos e delinquentes. Havia um adágio que dizia que uma pessoa crucificada morria mil mortes. Muitas vezes, o crucificado passava vários dias pregado na cruz e morria lentamente com câimbras, asfixia e dores atrozes. Ela foi ultrajante. A pessoa condenada era açoitada, ultrajada e cuspida e, depois, tinha de carregar a cruz debaixo do escárnio da multidão até o lugar da sua execução.

Ela foi maldita. Uma pessoa que era dependurada na cruz era considerada maldita (Dt 21.23; G1 3.13). Assim, enquanto Jesus estava pendente na cruz, embaixo Satanás e suas hostes o assaltavam; em volta, os homens o escarneciam; de cima, Deus o cobria com um manto de trevas, símbolo de maldição; e, de dentro, prorrompia o amargo grito: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. De fato, Cristo desceu a este inferno, o inferno do Calvário.213 Ralph Martin diz que o Senhor da Igreja consentiu em terminar Sua vida num patíbulo romano e, do ponto de vista judeu, morrer sob condenação divina. Assim, Jesus nos conduz como em um imenso mergulho, dos mais elevados píncaros aos mais profundos vales, da luz de Deus para a escuridão da morte.

Todavia, não devemos olhar a morte de Cristo na cruz apenas sob a perspectiva do sofrimento físico. A grande questão é: por que Ele morreu na cruz? Cristo não foi para a cruz porque Judas O traiu por ganância, porque os sacerdotes O entregaram por inveja ou porque Pilatos O condenou por covardia. Ele foi para a cruz porque o Pai.

O entregou por amor e porque Ele a si mesmo se entregou por nós. Ele morreu pelos nossos pecados (lC o 15.3). Nós O crucificamos. Nós estávamos lá no Calvário não como plateia, mas como agentes da Sua crucificação.

A cruz de Cristo é a maior expressão do amor de Deus por nós e a mais intensa expressão da ira de Deus sobre o pecado. O pecado é horrendo aos olhos de Deus. A santa justiça de Deus exige a punição do pecado. O salário do pecado é a morte. Então, Deus num ato incompreensível de eterno amor, puniu o nosso pecado em Seu próprio Filho, para poupar-nos da morte eterna. Na cruz, Jesus bebeu sozinho o cálice amargo da ira de Deus contra o pecado. Na cruz, Jesus foi desamparado para sermos aceitos. Ele não desceu da cruz para podermos subir ao céu. Ele se fez maldição na cruz para sermos benditos de Deus. Ele morreu a nossa morte para vivermos a Sua vida.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 132-134.

2.8 - Paulo escreve contra qualquer filosofia de vida baseada somente em ideias e experiências humanas. O próprio Paulo era um talentoso filósofo; logo, ele não está condenando a filosofia.

Ele está condenando o ensino que credita à humanidade, e não a Cristo, a resposta para os problemas da vida. Essa abordagem se torna uma falsa religião. Existem muitas abordagens feitas pelo homem em relação aos problemas da vida. que desconsideram a Deus totalmente. Para resista ãs heresias, você deve usar sua inteligência, manter seus olhos em Cristo e estudar a Palavra de Deus.

APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de estudo. Editora CPAD pag. 1677.

III - A EXALTAÇAO DE CRISTO (2.9-11)

  1. “Deus o exaltou soberanamente” (2.9).

É interessante notar que nos versículos 6 a 8 temos a descrição do caminho da humilhação do Filho de Deus, quando Ele mesmo desce ao ponto mais baixo de humilhação que um homem poderia descer. Entretanto, nos versículos 9 a 11, Paulo descreve o caminho para cima, quando Jesus é exaltado gloriosamente e ascende ao Pai e é feito Senhor sobre todas as coisas. Nesses versículos (9 a 11), temos a demonstração vitoriosa da humildade de Cristo. A recompensa da sua humilhação foi a exaltação perante toda a criação.

Deus o exaltou soberanamente (2.9)

Sua abnegação anterior o fez apto para conquistar o “status” de vencedor e Senhor, porque cumpriu o eterno propósito do Pai de formar um novo povo que serviria a Deus, que é a sua Igreja. A Bíblia diz que Ele foi nomeado “príncipe e Salvador” (At 5.31) e o colocou acima de tudo (Ef 1.20-22). Aquele que havia se esvaziado de todas as prerrogativas de divindade, depois de sua vitória final sobre o pecado, a morte e o túmulo é finalmente glorificado, isto é, exaltado pelo próprio Pai. O caminho para a exaltação passou pela humilhação e Ele alcançou a meta final com a coroação de glória, tornando-se herdeiro de tudo (Hb 1.3; 2.9; 12.2). No caminho da exaltação estavam a sua ressurreição e ascensão. Na semana que antecedia seu padecimento no Calvário, Jesus reuniu seus discípulos para dar-lhes as últimas instruções relativas ao futuro deles representando o seu nome perante o mundo, e fez uma das orações mais belas e emocionantes. Ele orou pelos seus discípulos para que fossem guardados do mal. Orou pelo futuro deles como igreja e orou por si mesmo ao Pai. Nessa oração de caráter pessoal, Jesus reivindicou do Pai a glória que tinha antes de vir a este mundo (Jo 17.5). Ele não tinha dúvida alguma quanto à sua vitória sobre o Diabo, sobre a morte e o túmulo, bem como sabia que ao final seria exaltado gloriosamente. Além de João, em seu Evangelho, outros escritores do Novo Testamento escreveram da realidade da exaltação de Jesus afirmando que Ele foi exaltado à destra do Pai (At 2.33; Hb 1.3). Paulo usou a mesma expressão “assentado à destra do Pai” (Rm 8.34; Cl 3.1). Essa expressão é derivada de Salmos 110.1 numa alusão ao rei Davi, que metaforicamente é convidado para partilhar o trono de Deus. Jesus foi chamado “filho de Davi” para relacionar o trono de Davi com o seu trono de glória.

Deus, o Pai, lhe deu um nome que é sobre todo nome (2.9)

Que nome era esse concedido a Jesus Cristo? No primeiro século da Era Cristã, a ideia de se proclamar um senhor restringia-se ao imperador, que se identificava como Senhor e Deus! Quando os apóstolos começaram a pregar a Cristo, não o apresentaram apenas como Salvador, mas, especialmente, como Senhor. Ora, esse título confrontava a presunção e vaidade do imperador de Roma, porque os cristãos identificavam e reconheciam que a única autoridade para salvar e comandar um novo reino era Jesus. Tanto é verdade que o Novo Testamento se refere a Jesus como Salvador 16 vezes apenas e como Senhor mais de 650 vezes. O kerigma da igreja anunciava o senhorio de Cristo. Perante Ele o mundo precisava ajoelhar-se, mas nos tempos atuais percebemos uma inversão na postura da igreja. Tristemente, as pessoas querem um Salvador, mas não querem um Senhor. Querem a coroa, mas rejeitam a cruz. Porém, a proclamação deve ser a de Senhor, porque Deus Pai o fez Senhor.

O teólogo Ralph Herring escreveu sobre a exaltação de Cristo e declarou que “os dois elementos desta exaltação são a outorga de um nome, conquistado agora que o homem Cristo Jesus juntou o curso de vida da raça humana ao de Deus (v. 9), e o reconhecimento desse nome por parte de todas as inteligências criadas, tanto das que no céu, como das que estão na terra e debaixo da terra (vv. 10,11)”.

A principal designação dada por Deus ao seu Filho foi a de “Senhor” em seu sentido mais nobre e sublime. No grego do Novo Testamento aparece o termo kurios, que é usado de modo especial, porque Jesus representaria o nome pessoal do Deus Todo-Poderoso. O nome “Jesus” ganhou o status de “Senhor” e, por decreto divino, foi elevado acima de todo nome. O próprio Jesus declarou certa feita aos seus discípulos que o Pai faz do Filho juiz universal “para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai, que o enviou” (Jo 5.23).

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 67-69.

As palavras «...Pelo que...» mostram que a exaltação de Cristo ocorreu por causa de sua missão terrena bem-sucedida, para cuja concretização teve de humilhar-se; essa exaltação não se deveu à sua divindade inerente. O trecho de Heb. 1:9 concorda com isso. Cristo foi exaltado acima de todos os seus companheiros, tendo entrado em um ambiente de profundíssima alegria, visto que amou supremamente à retidão e odiou à iniquidade. E note-se que naquela passagem de Hebreus os crentes são chamados de «companheiros» do Filho de Deus. Isso igualmente concorda com o primeiro capítulo da epístola aos Efésios, onde se vê que a exaltação de Jesus Cristo, em razão do que se tornou Cabeça de tudo, unificador e restaurador de todas as coisas, humanas e angelicais, animais e inanimadas, se deveu ao ato que completou a sua missão terrena. E que essa missão ficou terminada foi comprovada pelo fato que ressuscitou dentre os mortos, ascendeu aos céus e foi glorificado.

A Teologia E As Lições Práticas

  1. Teologicamente, aprendemos que Cristo foi supremamente exaltado devido ao êxito de sua missão. Em correspondência a isso, ficamos sabendo que seremos glorificados nele (ver Rom. 8:30), e assim viremos a participar de sua natureza e atributos (ver Col. 2:10), bem como da natureza do Pai com todos os seus poderes (Efé. 3:19). Não há como se parar a sua glória da nossa, pois ele é o Cabeça e nós somos o corpo de um mesmo organismo, pelo que, necessariamente, compartilhamos da mesma forma de vida.
  2. Eticamente, aprendemos que é um absurdo um homem exaltar a si mesmo, pois a verdadeira exaltação vem através da humildade. Esse é um princípio bíblico permanente. (Ver Mat. 23:12; Lucas 14:11; 18:14; I Ped. 5:6; Sal. 8:6 e 10:1,7).
  3. Indiretamente, Paulo advertia assim às facções existentes em Filipos quanto à gravidade de seu erro. Se o próprio Cristo teve de humilhar-se a fim de cumprir a sua missão, que dirá o mero homem!

Veja-o agora: O humilde servente de Nazaré, o carpinteiro de uma pequena vila. Uma vila tão pequena que Josefo, o historiador judeu, apesar de ter mencionado dúzias de cidades da Galiléia, nunca sequer mencionou Nazaré. Repentinamente, como um poderoso cometa que cruza velozmente pelos céus em toda a sua glória, o humilde Servente é o Messias, cumprindo a sua missão. Sua missão o leva a sacrificar, a sofrer, à renúncia, e finalmente à morte da cruz, o degrau mais baixo na escada que eleva-se até o Trono. Agora, o que dizem as Escrituras? Por causa disto, Deus o aprova e exalta-o acima de todas as criaturas. Com ele levante-se o sol da redenção no Este, e seus poderosos raios iluminam tudo, em todos os lugares, aqueles nos céus, aqueles na terra, aqueles em hades. «Se eu me elevar, trarei todos os homens a mim», disse ele. E assim se tornou.

Três grandes quadros descritivos são postos perante o nosso olhar, a saber:

  1. O quadro do elevadíssimo estado do Filho de Deus, nos lugares celestiais, antes de sua encarnação.

2 . O quadro de seu estado aviltado, em sua humildade, em contraste com sua situação imediatamente anterior à sua encarnação.

  1. O quadro de sua exaltação, na qualidade de homem, obtida em resultado do término bem-sucedido de sua missão terrena.

«...exaltou...» No original grego é «uperupsoo», «elevar às mais elevadas alturas», «exaltar excelsamente», «exaltar supremamente», uma expressão enfática que indica a natureza elevadíssima e grandiosa da exaltação de Cristo. O trecho de Efé. 1:19 e ss. nos fornece o melhor comentário sobre essa ideia. Não existe nome e nem ser tão elevado quanto Cristo. De fato, todos os seres têm nele a razão de sua existência. Cristo é o restaurador de tudo, e tudo deverá estar em união perfeita com ele, reconhecendo seu senhorio e sua posição de Cabeça. Cristo entrou no estado de glória transcendente, e agora está assentado à mão direita de Deus Pai, conforme se vê em Rom. 8:34 e Col. 3:1. Ele é o Senhor de todos, de vivos e de mortos, tanto da terra, como do hades, como dos lugares celestiais (ver Rom. 14:9), e mostra-se glorioso em seu reinado (ver I Cor. 15:25).

«...nome...» Simboliza a pessoa, o indivíduo, seu ser, sua natureza e a tributos. O nome de Cristo se eleva acima de todo qualquer outro nome—ele é a principal autoridade, superior a todos os nomes que possam ser mencionados agora e na eternidade. Isso se deve ao fato que ele se assentou à mão direita de Deus no lugares celestiais (ver Efé. 1:20). Havia uma prática antiga de conferir novos nomes às pessoas que obtinham vitórias importantes ou que passavam por grandes crises em suas vidas. (Ver Gên. 17:5; 32:28; Apo. 2:17 e 3:12). Jesus, o Cristo (ser divino-humano), é declarado «Senhor», isto é, recebe esse título como seu nome eterno. Ver Ròm. 1:4 acerca do título «Senhor». Variante Textual: Ê mister observar o artigo definido, «...o nome...», conforme os melhores manuscritos. Isso visa produzir o efeito de ênfase—é «o nome» de Cristo que é o mais elevado de todos os nomes. Assim dizem os mss P(46), Aleph, ABC, bem como os escritos de Hipólito, Dionísio (ales) e Eusébio. Porém, os mss DEFGKLP e a versão aramaica omitem o artigo definido, ainda que isso represente uma prova textual inferior. «...Deus o exaltou sobremaneira...» A exaltação é uma das prerrogativas de Deus Pai, como também somente a ele cabe receber glória. A glória não pode ser atribuída aos homens (ver I Cor. 1:29,31). Assim sendo, os elementos facciosos e invejosos deveriam notar que a auto exaltação envolve a usurpação de prerrogativas divinas.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 31.

  1. A gloriosa recompensa que Jesus Cristo recebeu está descrita a seguir: Por isso Deus o exaltou ao máximo. O mesmo que se humilhou foi exaltado. A mesma regra que delineara para outros, foi agora aplicada em sua própria causa. Ver esta regra em Mateus 23.13; Lucas 14.11; 18.14; conferir Lucas 1.52; Tiago 4.10; 1 Pedro 5.6. Foi “por causa do sofrimento da morte” que essa recompensa lhe foi dada (Hb 2.9; cf. Hb 1.3; 12.2). Todavia, há uma diferença entre sua exaltação e a nossa. Sem dúvida que ele também foi exaltado. O mesmo verbo que se aplica a seus seguidores (2Co 11.7), às vezes, é usado com respeito a ele (Jo 3.14b; 8.28; 12.32,34; At 2.33; 5.31). Na passagem em foco (Fp 2.9), porém, usa-se um verbo que no Novo Testamento ocorre unicamente nesse caso, e é aqui aplicado unicamente a ele, a saber: o verbo superexaltado. Deus, o Pai, enalteceu o Filho de uma forma transcendentemente gloriosa. Soergueu-o à mais elevada excelsitude.93 Os crentes irão para o céu? Ver Salmo 73.24,25; João 17.24; 2 Coríntios 5.8; Hebreus 12.18-24. O Mediador, porém, “ultrapassou os céus” (Hb 4.14), “feito mais alto que os céus” (Hb 7.26), o mesmo que “desceu é também o que subiu acima de todos os céus” (Ef 4.10). Sua superexaltação significa que ele recebeu o lugar de honra e majestade, e consequentemente está “assentado à mão direita do trono de Deus” (Mc 16.19; At 2.33; 5.31; Rm 8 8.34; Hb 1.3; 12.2), “acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro” (Ef 1.20-22). Ressurreição, ascensão, coroação (“assentou-se” à mão direita de Deus), tudo isso está implícito e incluído na declaração: “Pelo que também Deus o exaltou ao máximo” (v. 9). Entretanto, antes que a frase termine, a etapa final da exaltação de Cristo nos é descrita também (vs. 10 e 11): a consumação de sua glória quando, no dia de sua vinda, todo joelho se dobrará diante dele e toda língua proclamará seu senhorio universal.

Exaltação é o oposto de humilhação. Aquele que, pelas exigências da lei divina (ao levar sobre si o pecado do mundo), foi condenado, permutou essa sujeição ao castigo pela justa relação com a lei. Aquele que foi pobre, voltou a ser rico. Aquele que foi rejeitado foi aceito (Ap 12.5,10). Aquele que aprendeu a obediência tomou posse da atual administração do poder e da autoridade que lhe foi confiada.

Como rei, tendo, por meio de sua morte, ressurreição e ascensão, consumado e exibido seu triunfo sobre seus inimigos, ele agora sustenta em suas mãos as rédeas do universo e domina todas as coisas no interesse de sua igreja (Ef 1.22,23). Como profeta, através de seu Espírito, ele guia os seus a toda a verdade. E, como sacerdote (Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque), sobre as bases de sua expiação consumada, ele não só intercede, mas realmente vive sempre para interceder por aqueles que se aproximam de Deus por seu intermédio (Hb 7.25).

Ainda que essas honras fossem conferidas à pessoa do Mediador, foi certamente em sua natureza humana que a exaltação se concretizou, já que a natureza divina não está sujeita nem à humilhação nem à exaltação. Essas duas naturezas, porém, ainda que para sempre distintas, jamais estão separadas. A natureza humana está tão intimamente unida à divina que, embora jamais venha a ser divina, todavia participa da glória dela. Portanto, a ascensão de Cristo à glória é, em certo sentido, também reascensão à glória. Não existe conflito real entre Filipenses 2.9 e João 17.5.

Paulo prossegue: e lhe deu o nome que está acima de todo nome.

Deus, o Pai, lhe conferiu (lit. Ele, graciosamente, ou seja, gratuita e magnanimamente, lhe concedeu) o nome (segundo as melhores interpretações, não simplesmente um nome). O apóstolo, todavia, não nos diz de que nome se trata. Ele diz, contudo, que é o nome que está acima de toda criatura em todo o universo.

HENDRIKSEN. William. Exposição de Filipenses. Editora Cultura Cristã. pag.485-486.

2.9 Paulo afirma novamente a divindade de Cristo. A frase -porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade" significa que o corpo humano de Cristo continha a essência de Deus. Tendo a Cristo, temos tudo o que precisamos para a salvação e um viver correto. Para mais detalhes sobre a natureza divina de Cristo.

APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de estudo. Editora CPAD pag. 1677.

  1. Dobre-se todo joelho.

É interessante notar, no contexto das atribuições divinas, que em Isaías 45.23 o Deus de Israel havia declarado que não partilharia seu nome nem sua glória com outrem, mas diz de modo explícito: “diante de mim se dobrará todo joelho, e por mim jurará toda língua”. No texto de Filipenses, a mesma declaração é repetida em relação a Jesus, quando diz: “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho”. O nome de Jesus não é apenas honrado e glorificado perante toda a criação, mas lhe é designado que todo joelho se dobre diante dEle. No ato de dobrar os joelhos diante de alguém está o reconhecimento de superioridade e senhorio. Escatologicamente, essa mesma expressão aparece na visão que o apóstolo João tem no céu. Ele viu os seres celestiais ao redor do Trono de Deus prostrando-se perante o Cordeiro divino e vitorioso, e cânticos de celebração são entoados pela dignidade do Cordeiro (Ap 5.6-14). O nome de Jesus é a autoridade máxima da vida da igreja. Por isso, quando oramos, cantamos, louvamos e adoramos a Ele, estamos, de fato, reconhecendo sua soberania. Todas as coisas, animadas e inanimadas, estão debaixo da sua autoridade e não podem se esquivar do seu senhorio ou negá-lo.

O texto diz que o dobrar dos joelhos aconteceria “nos céus, na terra, e debaixo da terra” (2.10). Mas o que se entende por “debaixo da terra”? A expressão refere-se ao mundo dos mortos, o She- ol-Hades onde as almas e espíritos dos mortos estão conscientes. Essa expressão tem um sentido metafórico; por isso, não se refere às sepulturas físicas, mas ao mundo espiritual, onde as almas e espíritos dos mortos aguardam a ressurreição de seus corpos. Alguns teólogos afirmam que esse lugar “debaixo da terra” é figurado, mas pode se referir à habitação dos maus espíritos, ou seja, dos anjos que se tornaram demônios e que por sua desobediência “não guardaram o seu principado”, razão por que estão reservados na escuridão para o Juízo Final (Jd 6). A maioria dos teólogos concorda e prefere a ideia de que se trata das almas e espíritos dos mortos que estão no Sheol-Hades (Ap 5.13).

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 69-70.

Este versículo se assemelha ao de Efé. 1:21, onde são alistados vários poderes angelicais elevados, os quais estão sujeitos ao senhorio de Cristo.

Embora as palavras «...debaixo da terra...» não sejam mencionadas ali, a unidade «universal» de todas as coisas, em Cristo, exige que até mesmo o submundo de alguma maneira contribua para a glória de Deus, ainda que isso tome muito tempo e ainda que tudo ocorra de maneira que ultrapassa o nosso entendimento presente. Mas é impossível que haja alguma coisa que eventualmente não venha a ser afetada pelo poder de Cristo; e esse poder sempre se manifesta através da graça divina. Nenhum ser humano, e nem qualquer outra criatura, escapará ao juízo, porquanto cada erro cometido será devidamente corrigido, cada dívida será paga. Todavia, devemo-nos lembrar que o julgamento não será apenas uma medida retributiva; também terá aspectos disciplinares e remidores, conforme se compreende através de passagens como I Ped. 3:18-20 e 4:6. E isso é dito até mesmo acerca dos decretos mais severos de Deus, conforme se aprende em Rom. 11:32.

O Cumprimento Do Mistério Da Vontade De Deus

  1. Observemos que este versículo (e seu contexto) é paralelo da importante mensagem de Efé. 1:10, onde se aprende que, eventualmente, todas as coisas e todos os seres, terão de ficar debaixo do poder do Filho, formando assim uma unidade em torno dele.
  2. O poder de Cristo atinge todas as regiões: a celestial, a terrena e a do mundo inferior. Nada pode estar fora do alcance de seu poder e de sua graça.

O Nome Jesus

  1. Não há que duvidar que esse uso é significativo aqui. O «Senhor» é definido como «Jesus». Disso se entende que há uma essência salvatícia ou restauradora na própria ideia de «Senhorio», no N.T.
  2. Portanto, o poder que Cristo exercerá sobre todas as coisas, não será meramente um poder forçado. Todos os seres inteligentes chegarão a exercer certa forma de fé, ainda que não a fé evangélica, em Cristo, como o Senhor. Mesmo que isso seja forçado, em alguns casos, eventualmente será uma atitude genuína.
  3. O número dos eleitos será extremamente pequeno. Cristo «restaurara» todas as coisas. Nos trechos de Efé. 1:10 e 1:23, temos procurado explicar como isso poderá ser. Nas notas expositivas dali, contrastamos a redenção dos eleitos com a «restauração de todas as coisas».

«...ao nome de Jesus...» Não temos aqui uma tradução correta. O grego declara «...no nome de Jesus...» No dizer de Ellicott (in loc.): «...a esfera espiritual, o elemento santo, por assim dizer, ‘onde’ cada oração deve ser oferecida e onde cada joelho se dobrará». Isso pode ser confrontado com o trecho de Efé. 5:20: «...dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo...»

«Dobrar os joelhos, no nome de Jesus é adorá-lo nessa esfera de autoridade, graça e glória que o seu nome representa; por estar alguém conscientemente dentro do reino no qual ele é o Senhor, reconhecendo a justiça dos títulos ‘Jesus’, ‘Salvador’ e ‘Senhor’, e aceitando lealmente as obrigações que esses títulos implicam». (Vincent, in loc.).

«...se dobre todo joelho...» Temos aqui a menção de um ato de adoração, e não de uma obediência forçada e obrigatória a Cristo, como Senhor. Cristo dispõe de meios próprios para impulsionar os homens a essa atitude voluntária; e esses meios funcionam até mesmo no após-túmulo. Embora pudesse forçar os homens a tal atitude, prefere fazê-lo mediante a persuasão da magnificência do seu próprio ser. Cristo é o «cão de caça dos céus», que jamais permitirá que um homem escape; pelo contrário, persegui-lo-á e trai-lo-á até si mesmo, ainda que isso envolva uma forma de redenção

secundária, que não se possa comparar com a redenção dos «eleitos». Entretanto, temos de deixar Deus ser o juiz e árbitro de como tudo isso sucederá, e quais são os seus efeitos. No dizer de Kennedy (in loc.): «Esse nome, que declara o verdadeiro caráter e a verdadeira dignidade de Jesus Cristo, é tanto a base como o objeto da adoração».

Que a salvação é inerente no senhorio de Cristo, é uma alta doutrina. Dá-nos de amá-lo.

«...nos céus...» Todo ojoelho se dobrará, mas isso indica «pessoas», seres inteligentes, conforme a figura simbólica do «dobrar os joelhos» nos mostra. Todos prestarão honra e lealdade a Jesus Cristo, em seu elevadíssimo ofício e em sua exaltação acima de todo o nome. Paulo se refere aqui aos muitos seres celestiais, às ordens angelicais, existentes em muitas esferas celestes. Há muitas dessas ordens, e algumas ocupam níveis de poder mais elevados do que outras. (Ver Efé. 1:21 quanto aos «principados», «potestades»,

«poderes» e «domínios», que são todos nomes de poderes angelicais, e sobre os quais Cristo será o Cabeça, o que significa que dele receberão o direito de viver). O corpo inteiro de seres celestiais, em suas respectivas dimensões celestes, está aqui em foco. (Ver Rom. 8:21; I Cor. 15:24; Efé. 1:20-22; Heb. 2:8; Apo. 5:13. Acerca dos «seres celestiais» em particular, ver os trechos de Efé. 1:21: 3:10: Heh. 1:4-6 e. I Ped. 3:23. Bem como as notas expositivas ali existentes).

«...na terra . . . » Seres humanos são focalizados aqui, sem qualquer distinção aparente acerca da esfera em que talvez estejam habitando, quando finalmente atribuírem essa glória à pessoa de Cristo Jesus, embora talvez haja aqui um indício indireto sobre a doutrina da continuação da existência da terra , na nova criação, quando as nações da terra serão sujeitas a Cristo. A expressão paulina significa, de maneira geral, «todos os seres de todos os lugares», sem tecer quaisquer especulações acerca de como os seres podem trasladar-se de uma esfera para outra, dentro do vastíssimo universo de Deus.

« ...debaixo da terra. . . » Expressão usada no grego desde os dias de Homero, dando a entender os espíritos dos mortos, que estão no hades. De acordo com a doutrina neotestamentária, esses espíritos estão vivos, e Cristo exerce certo ministério entre eles, visando o bem deles.

O Significado Da Descida Ao Hades

  1. O relato da descida de Cristo ao hades é mais completamente descrito em I Ped. 3:18—4:6. A narrativa da descida de profetas do A.T. ao hades, é um tema comum em composições judaicas antigas e não-bíblicas. Muitas culturas (incluindo a grega e a romana), continham tais histórias em sua literatura. Os escritos cristãos primitivos também narram como Cristo desceu ao hades e ali desenvolveu um ministério. Portanto, esse conceito é antiquíssimo, e muito reiterado, embora figure nas páginas do N.T. raras vezes. As referências neotestamentárias são como os picos de um «iceberg».

Representam uma tradição honrada e desde há muito estabelecida, pelo que, de maneira alguma, formam um elemento isolado. Mas representam um acúmulo considerável de literatura judaica e cristã.

  1. Noutros trechos temos comentado com detalhes o significado da descida ao hades. As notas que aparecem em I Ped. 3:18, são bastante extensas e examinam todos os lados e interpretações dessa tradição. Em Efé. 4:9,10, acrescentamos importantes notas sobre esse tema, em forma abreviada.

Aqui damos apenas algumas poucas declarações, e, ao mesmo tempo, solicitamos que o leitor examine as passagens acima mencionadas, em suas notas expositivas, onde são expostos os detalhes:

  1. A descida de Cristo ao hades não teve o propósito de pregar julgamento. Isso seria uma contradição com toda a sensibilidade cristã, além de ser uma ideia antibíblica.
  2. A maioria dos intérpretes antigos, era de opinião de que ali Cristo ofereceu plena salvação aos perdidos, e que essa oferta é válida (de acordo a inda com essa interpretação), até à segunda vinda de Cristo, a qual determinará os destinos finais das almas. O destino será determinado por esse evento, e não pela morte pessoal de cada indivíduo. As notas em I Ped. 4:6, mostram que isso exprime uma verdade bíblica.
  3. Outros, ainda, antigos e modernos, têm pensado que Cristo melhorou as condições dos perdidos no hades, sem lhes haver oferecido a redenção.

Essa ideia reflete, pelo menos, o significado de Efé. 1:10, sem importar se descreve ou não o intuito da própria descida ao hades.

  1. O trecho de Efé. 4:9,10, ensina-nos que a descida se revestiu do mesmo propósito que a subida, a saber, fazer Cristo tonar-se «tudo para todos». Essa é, igualmente, a mensagem de Efé. 1:23. Cristo teve seu ministério na terra; teve seu ministério no hades; e teve (e tem) seu ministério nos céus. Todos esses ministérios têm a mesma finalidade, ou seja, fazer todas as coisas retrocederem até Cristo (ver Col. 1:16), pois ele é não somente o Alfa, mas também o Omega. Essa unidade em torno de Cristo será benéfica para todos, embora só confira a salvação para os eleitos. Os não-eleitos serão uma espécie diferente de ser, que não participarão da natureza divina.
  2. O julgamento ajudará a produzir essa restauração; mas não conseguirá dar a redenção aos perdidos. O fato de que os perdidos não serão remidos, significa que permanecerão no estado de juízo eterno. Porém, dentro dessa condição, Cristo dará àqueles homens uma existência digna de ser vivida, a qual redundará em glória positiva para ele. Pois Cristo será o objetivo de toda a existência deles. Isso é verdade porque Cristo assumirá o controle de todas as coisas; todas as coisas serão centralizadas em torno dele; ele será tudo para todos.
  3. Eventualmente, haverá um único alvo e uma única razão para se viver: o Filho de Deus, o Cristo, o Logos eterno. Isso se concretizará na forma de uma unidade, em bondade, dentro do propósito divino.
  4. A despeito de qualquer glória que o estado de restauração porventura venha a envolver, será (para os não-eleitos) uma perda infinita, em confronto com o ganho infinito dos eleitos.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 31-32.

  1. O propósito da exaltação é: para que ao nome de Jesus, não ao nome “Jesus”, mas ao nome completo com que Jesus é agora recompensado e que ora ostenta – nome que treme nos lábios de Paulo, mas que agora ainda não o menciona plenamente, mas que o guarda como clímax –, se dobre todo joelho, dos que estão nos céus, dos que estão na terra e dos que estão debaixo da terra. Em seu regresso em glória, Jesus será adorado por “toda corporação de seres inteligentes, em todos os setores do universo” (M. R. Vincent). Os anjos e os seres humanos redimidos farão isso com intenso regozijo; os condenados farão isso com profunda tristeza e profundo remorso (não com genuíno arrependimento); ver Apocalipse 6.12-17. Mas tão intensa será sua glória que todos se sentirão impelidos a render-lhe homenagem (cf. Is 45.23; Rm 14.11; 1Co 15.24; Ef 1.20-23; Hb 2.8; Ap 5.13). Note as três classes de seres inteligentes:

(1) No céu: os querubins e serafins; sim, os milhões de milhões de anjos bons, inclusive arcanjos; também, naturalmente, todos os seres humanos redimidos que já partiram desta vida terrena (Ef 1.21; 3.10; 1Pe 3.22; Ap 4.8-11; 5.8-12).

(2) Na terra: todos os seres humanos sobre a terra (1Co 15.40).

(3) Debaixo da terra: todos os condenados no inferno, tanto seres humanos quanto anjos maus ou demônios (porque, se o adjetivo celestial se refere, entre outras coisas, aos anjos bons, então seu antônimo, que literalmente significa debaixo da terra – palavra que no Novo Testamento ocorre somente aqui – provavelmente inclua os anjos maus).

HENDRIKSEN. William. Exposição de Filipenses. Editora Cultura Cristã. pag. 486-487.

Na segunda vinda de Cristo, os três mundos vão se dobrar aos seus pés: os céus, a terra e o inferno. Todo joelho se curvará diante do poderoso nome de Jesus no céu (os anjos e os remidos), na terra (os homens) e debaixo da terra (demônios e condenados). Com que júbilo se ajoelharão diante de Jesus os que foram salvos por Ele. Com que pavor cairão de joelhos os que passaram orgulhosamente por Ele ou O rejeitaram!

  1. A. Motyer corretamente afirma que Jesus foi coroado no dia da Sua ascensão. Embora o dia da Sua coroação já tenha ocorrido, infelizmente poucos têm conhecimento desse fato auspicioso. Aqueles que amam a Jesus sabem disso e se regozijam nesse fato, mas milhões de pessoas no mundo não sabem que Jesus é o Rei coroado e somente se prostrarão aos Seus pés quando Ele se manifestar em glória.

Naquele dia, todo joelho vai se dobrar, toda língua vai confessar que Jesus é Senhor, mas nem todos serão salvos.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 137-138.

  1. “Toda língua confesse” (v.11).

O cristianismo só tem valor por aquilo que crê. A confissão de que Jesus Cristo é o Senhor se constitui no ponto convergente da igreja (Rm 10.9; At 10.36; 1 Co 8.6). O credo da Igreja implica na sua confissão pública sobre Jesus Cristo, o Senhor da Igreja. Essa escritura mostra que a exaltação de Cristo é uma exaltação que deve ser proclamada universalmente. “Toda língua confesse” (v. 11) implica que o evangelho seja pregado em todo o mundo e cada crente proclame o nome de Jesus como o nome que é sobre todo nome.

CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 70.

Os gnósticos (há notas expositivas sobre eles em Col. 2:18) especulavam que há muitos universos, e que cada um deles conta com seu deus ou com elevados poderes angelicais. Alguns gnósticos faziam de Cristo o mais exaltado desses poderes, ao passo que outros não lhe conferiam qualquer posição especial, exceto que supunham que a sua autoridade se estende pela terra inteira, da mesma maneira que cada «aeon» teria uma área específica de domínio. Mas Paulo contradiz isso tudo, mostrando que o senhorio de Cristo é absolutamente universal, incluindo todos os mundos e todos os seres. No primeiro capítulo da epístola aos Efésios, Cristo é retratado como Cabeça de todos, como o restaurador e unificador de todos os seres e de todos os mundos. E aqui outro tanto é dito, exceto que 0 simbolismo não é esmiuçado em detalhes, conforme se faz naquela passagem.

« ...toda língua confesse...» No original grego temos a palavra «eksomologeo», que tem o sentido primário de «declarar francamente», de «fazer confissão aberta», embora haja 0 sentido secundário de «confessar com gratidão». Este sentido secundário é preferido por alguns intérpretes, porquanto, no grego posterior, parece que esse significado suplantou inteiramente o primeiro. Se esse é realmente o verdadeiro sentido, então é salientado, tal como no décimo versículo, que essa confissão será feita não por seres forçados a tanto, que se sintam esmagados. Bem pelo contrário, o propósito remidor de Cristo, operante em escala universal, tendo permeado todos os mundos e todos os seres, produzirá uma voluntária confissão de ações de graças. Mas até mesmo sem apelarmos para o sentido secundário do termo, não há razão alguma para pensarmos que essa confissão venha a ser feita com relutância. Não obstante, a verdade é que muitos seres terão de passar por lições dificílimas, enquanto Deus lhes ensina a realidade do senhorio de Cristo; mas todas as criaturas inteligentes haverão de finalmente reconhecer isso voluntariamente, de todo o coração.

«...que Jesus Cristo é Senhor...» Diz Alford (in loc.): «Esse é o grande escopo de toda a mediação de Cristo e de seu reino medianeiro, conforme se verifica em comparação com I Cor. 15:24-28». O termo «...Senhor...» é frequentemente aplicado a Jesus Cristo, nas páginas do N.T., algumas vezes meramente como título de respeito, mas, na maioria das vezes, como indicação de sua divindade. (Ver Rom. 1:4, onde o título completo é comentado, «Senhor Jesus Cristo», e onde é exposta a doutrina do «senhorio de Cristo». Note-se também, em Rom. 10:9,13, que somente a confissão de Jesus como Senhor, e a aceitação desse fato de todo o coração, na forma de entrega da alma aos seus cuidados, pode levar alguém à salvação. Não há tal coisa como um crente ou convertido que também não aceite a Jesus como seu Senhor. Somente a «crença fácil» que se espraiou entre tantas igrejas evangélicas hoje em dia pode admitir tal aberração. O N.T. não ensina e nem permite tal conceito, pois a própria essência da salvação consiste de sermos conformados segundo a imagem de Cristo, a través da total submissão a ele, de tal modo que o humano será absorvido pelo divino. «Esteja absolutamente certo, pois, toda a casa de Israel, de que a este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo» (Atos 2:36). E comenta Kennedy (in loc.): «O termo ‘Senhor’, se transformou em uma das palavras mais amorfas do vocabulário cristão. Se penetrássemos em seu significado e lhe déssemos o efeito prático que ela tem, isso recuperaria, em grande medida, a atmosfera que havia na era apostólica».

«...para glória de Deus Pai...» Essa é a principal finalidade da existência dos homens. Note-se que Deus é o «...Pai...» (Quanto a notas expositivas sobre esse conceito, ver Rom. 8:14,15 e João 8:42). Na epístola aos Efésios essa é a nota chave de tudo quanto os homens participam nas bênçãos celestiais, porquanto essas bênçãos nos são dadas como filhos, da parte do Pai, já que nos temos tornado participantes da natureza do Filho de Deus.

(Ver Efé. 1:2,3,5,11,14,17; 2:18,19; 3:14 e 6:23 quanto a essa ênfase. No que tange ao fato que todos os seres vivos existem para a glória de Deus, ver Efé. 1:14 e as notas expositivas ali existentes, onde também se lê que nossa participação na herança celestial será para «0 louvor de sua glória»). Os crentes participam dessa glória por causa da herança que possuem em Cristo, pelo que também são donos das «riquezas da glória de sua herança».

(Ver Fil. 1:1 e as notas expositivas a respeito, onde a vida santa do crente é declarada como algo que redunda na «glória e louvor de Deus»), Nesse ponto, (Vários aspectos da glória divina são salientados, a saber:

  1. Essa glória pertence à família divina, derivada do Filho de Deus e outorgada aos filhos de Deus, o que fala da riqueza e do brilho da vida e das bênçãos espirituais.
  2. Isso também alude à presença de Deus. E ninguém chegará a ver a Deus se não houver sido glorificado «em Cristo», mediante a autêntica aceitação de seu senhorio. Porém, ao ser assim glorificado, o crente passará a compartilhar da glória de Deus.
  3. Há alusão aqui a todos os excelentes atributos divinos, como à santidade, ao amor e ao poder de Deus. Ele é «glorioso» no poder e bondade infinitos que caracterizam o seu ser. E a redenção exalta essa particularidade, porquanto o louvor dos remidos exaltará o amor e a bondade de Deus, aumentando a glória celestial por conduzir os seus filhos até à sua presença, para que sejam participantes eternos de sua graça, para que compartilhem de «toda a plenitude de Deus», conforme se vê em Efé. 3:19.
  4. A majestade e a sublimidade de Deus, de modo geral, bem como as excelências infinitas de sua pessoa, são todas focalizadas mediante o uso deste vocábulo. Tudo isso será exaltado e aumentado quando ficar demonstrado que Cristo é o Senhor de todo 0 universo, e quando isso for reconhecido; pois é mediante 0 exercício do «senhorio» de Cristo que os propósitos e a vontade de Deus terão cabal cumprimento. Assim também as excelências divinas serão aplicadas a todas as criaturas, elevando-as a um nível muitíssimo mais elevado, de acordo com o beneplácito divino. Note-se que o estabelecimento prático do «senhorio» de Cristo é necessário para que a glória de Deus seja completa, ou seja, para que Deus receba toda a glória a que faz jus, bem como para que os remidos participem da mesma; pois isso faz parte da glória que Deus receberá. Finalmente, deve-se entender que a glória de Deus Pai e de Deus Filho são mútuas. (Ver os trechos de Luc. 10:16; João 5:23 e 17:5).

No presente contexto, pode-se observar quão absurdo, portanto, é que os homens se vangloriem de si mesmos. Essa é a razão mesma pela qual Paulo resolveu demonstrar as verdades sobre Cristo que temos aqui expostas.

Ninguém pode invejar a outrem, nem criar facções, nem fazer de si mesmo um pequeno César no seio da igreja; porquanto toda exaltação cabe exclusivamente a Deus. Além disso, essa exaltação a Deus é reconhecida mediante a aceitação, por parte do homem, do senhorio de Jesus Cristo, e não porque este ou aquele se fazem de pequenos «senhores» entre os irmãos.

Quando alguém assim age, está usurpando a glória que cabe exclusivamente a Deus, negando, por, outro lado, o senhorio que somente Cristo pode e deve exercer. Por conseguinte, os pequenos «césares» são pequeninos «senhores» na igreja, formando uma situação insultante para Cristo e para seu Pai, bem como para a igreja cristã inteira.

«Todas as modalidades de salvadores prometem transformar o mundo de fora para dentro, e às vezes até conseguem proporcionar alguns benefícios externos; finalmente, porém, o homem precisa libertar-se de si mesmo, se tiver de experimentar a verdadeira ‘liberdade dos filhos de Deus'». (Wicks, in loc.).

«Nem mesmo os homens mais poderosos e sábios têm podido revelar mais plenamente o coração de Deus e o coração do homem, como o fez no passado o Cristo crucificado. Aquelas coisas têm sido reveladas de uma vez para sempre. ‘Está consumado!’ Em face do Crucificado, todo o ‘mais’ e todo o ‘menos’, bem como todo o progresso e aproximação, não têm qualquer sentido. Assim, pois, podemos dizer acerca de Cristo, tão somente: Ele é a nova realidade; ele é o ponto final». (Paul Tillich, Shaking the Foundations, pág. 148).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 32-33.

A exaltação de Cristo é uma exaltação proclamada universalmente (2.11). Toda língua vai confessar que Jesus é Senhor. Ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o todo-poderoso Deus, diante de quem os poderosos deste mundo vão ter de se curvar e confessar que Ele é Senhor. Aqueles que zombaram Dele, vão ter de confessar que Ele é Senhor. Aqueles que O negaram e Nele não quiseram crer, vão ter de admitir e confessar que Ele é Senhor. Essa confissão será pública e universal.

Todo o Universo vai ter de se curvar diante daquele que se humilhou, mas foi exaltado sobremaneira!

Isso não significa, obviamente, que todas as pessoas serão salvas. Somente os que agora reconhecem que Jesus é Senhor e O confessam como tal serão salvos (Rm 10.9).

Entretanto, na segunda vinda de Cristo, nenhuma língua ficará silenciosa, nenhum joelho ficará sem se dobrar. Todas as criaturas e toda a criação reconhecerão que Jesus é Senhor (2.11; Ap 5-13).

A exaltação de Cristo é uma exaltação que tem um propósito estabelecido (2.11).

A exaltação de Jesus tem dois propósitos claros:

Que todos, em todo o Universo reconheçam o senhorio de Jesus Cristo. Deus O exaltou, O fez assentar à Sua destra e O constituiu Senhor absoluto de todo o Universo. O senhorio de Cristo foi a grande ênfase da pregação apostólica (At 2.36; Rm 10.9; Ap 17.14; 19.16). Importa que todos, em todos os lugares, em todos os tempos, reconheçam e confessem que Jesus é Senhor. Em virtude do poder e majestade de Jesus Cristo, e pelo reconhecimento de que Ele é Senhor, toda língua O proclamará.

Pense nos termos pelos quais temos o privilégio de darmos glória a Ele. Pense sobre os Seus nomes. Jesus Cristo é o Maravilhoso Conselheiro, o Deus Forte, o Pai da Eternidade, o Príncipe da Paz. Ele é o Messias, o Senhor, o Primeiro e o Ultimo, o Começo e o Fim, o Alfa e o Omega, o Ancião de Dias, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, o Deus conosco. Aquele que era, que é e que há de vir. Ele é chamado de a Porta das Ovelhas, o Bom Pastor, o Grande Pastor e o Supremo Pastor, o Bispo das nossas almas. Ele é o Cordeiro sem defeito e sem mácula, o Cordeiro imolado antes da fundação do mundo. Ele é a Palavra, a Luz do Mundo, a Luz da Vida, a Árvore da Vida, a Palavra da Vida, o Pão que desceu do céu, a Ressurreição e a Vida, o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele é o Deus Emanuel. Ele é a Rocha, o Noivo, a Sabedoria de Deus, nosso Redentor. Ele é o Cabeça de todas as coisas, o Amado em quem Deus tem todo o seu prazer.

Meu caro amigo, é Jesus Cristo tudo isso para você? Se Jesus representa todas essas gloriosas verdades para você, então os seus joelhos se dobrarão e a sua língua confessará que Ele é Senhor para a glória de Deus Pai.

Que o Pai seja glorificado pela exaltação do Filho. O fim último de todas as coisas é a glória de Deus (lC o 10.31). Paulo já havia advertido contra o pecado da vanglória (2.3). Toda a glória que não é dada a Deus é glória vazia, é vanglória. Cristo se humilhou e suportou a cruz, para a glória de Deus (Jo 17.1). Ele ressuscitou, e foi exaltado para a glória de Deus (2.11). Ralph Martin sintetiza esse glorioso pensamento de forma sublime:

O senhorio de Cristo não compete com o de Deus, nem a entronização do Filho ameaça a monarquia única do Pai. Cristo rege para a glória de Deus Pai. Sua soberania é dom do Pai (2.9). Aquilo que Ele se recusou a usurpar egoisticamente, num ato de enaltecimento próprio, destituído de sentido, aprouve ao Pai conceder-lhe, agora. A última palavra é Pai, como que para enfatizar que, agora, no Cristo preexistente, encarnado, humilhado, exaltado, Deus e o mundo estão unidos, e um novo segmento da humanidade, um microcosmo da nova ordem de Deus para o Universo, está nascendo (Ef 1.10).

Toda a vida e obra de Jesus apontam não para a Sua glória pessoal, mas objetiva a glória de Deus. Jesus atrai os homens para si para poder levá-los a Deus. Na igreja de Filipos, havia alguns que tinham o propósito de satisfazer as suas ambições egoístas. No entanto, o único propósito de Jesus era servir a outros, ainda que isso lhe tenha custado a maior de todas as renúncias. Enquanto alguns membros da igreja de Filipos queriam ser o centro das atenções, Jesus queria que o único centro da atenção fosse Deus. Assim, também, o seguidor de Cristo nunca deve pensar em si mesmo, senão nos demais; não deve buscar a sua própria glória, senão a glória de Deus.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 138-140.

fonte estudaalicao.blogspot.com