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comunhaõ cristã e fraternidade
comunhaõ cristã e fraternidade

                              COMUNHÃO CRISTÃ E FRATERNIDADE

Agora o autor sagrado se dirige à comunidade cristã inteira, e não a alguma classe distinta da mesma, conforme foi caracterizado nas seções anteriores. Todos são exortados a manter a «unidade de espírito, a simpatia, o amor fraternal, um coração terno de uma mente humilde»; e a esta seção é então adicionada a bela citação do Sl 34. Um pensamento subjacente em toda esta seção sobre os deveres cristãos, a começar em I Pe 2:11, é que toda a conduta do crente é potencialmente evangelística. As pessoas «estranhas», vendo como o amor genuíno regula tudo o que fazemos, e que o amor é produto do evangelho, ficarão impressionadas talvez o suficiente para também buscarem ao Senhor. «Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros» (Jo 13:35). «...a fim de que todos sejam um...para que o mundo creia que tu me enviaste» (Jo 17:21).

 3:8: Finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, cheios de amor fraternal, misericordiosos, humildes,

 «...Finalmente...»No grego é «to telos», um artifício literário que assinala o final de uma seção - neste caso, dos «deveres cristãos» no tocante a diversas classes, a começar em I Pe 2:11. Essas palavras gregas também marcam o começo da declaração final, que prove uma espécie de sumário geral sobre os deveres exigidos pelo evangelho da parte dos crentes.

 «...sede todos de igual ânimo...» Ou então, «...tende todos a mesma maneira de pensar...», «...tende unidade de espírito...» O chamamento cristão é para a unidade no seio da igreja e entre os crentes individuais. A unidade do corpo é um fato, mas deve ser aplicada constantemente à prática da vida diária. É produzida pelo Espírito, pelo que a unidade será resultante do desenvolvimento espiritual e da maturidade. Mas, onde impera a desunião, a qual é acompanhada pela contenda, os homens tornam-se carnais. Paulo deixa isso bem claro em I Co 3:1 e ss. A unidade é produzida pela disposição em dar e tomar, e não meramente por tomar, em qualquer problema ou questão. Os homens que somente tomam, tornam-se facciosos; esses são os «hereges» do N.T., pois o espírito faccioso, antes de tudo, é uma heresia (ver I Co 11:18,19). Os homens podem entreter «opiniões» diferentes, mas, se tiverem todos um só «sentimento» espiritual, poderão resolver suas diferenças. A maior parte da desunião nas igrejas, que alienam um crente de outro, em base pessoal, é causada por alguma espécie de «jogo de poder», em que um deles espera obter maior posição de autoridade e prestígio. Todos esses conchavos se baseiam no egoísmo, que é o contrário do amor, já que o amor cristão busca o bem dos outros, e não somente o nosso próprio.

 «Não que os crentes devam conformar-se servilmente a padrões doutrinários de outros, mas devem estar profundamente unidos no 'sentimento' e na 'disposição'. Essa unidade não é um 'luxo espiritual', mas algo essencial ao bem-estar da igreja. A lealdade comum dos crentes a seu Senhor não elimina diferenças reais e tensas entre eles, que podem envolver questões de raça, nacionalidade ou posição econômica; mas antes, une-os mediante um laço firme. Deve ser sempre mais forte do que todas as nossas divisões. Quando essas divisões se tornam mais evidentes que a unidade cristã, cometemos pecado; nossos interesses tornam-se mais importantes que o senhorio de Cristo. As tensões no seio da igreja deveriam levar os crentes não a conflitos amargos, mas a maior humildade e penitência, para que Cristo não seja desonrado e o testemunho cristão não seja debilitado». (Homrighausen, in loc).

 «...compadecidos...» No grego é sumpathestermo usado exclusivamente aqui, em todo o N.T., embora haja um termo correlato em Hb 4:15 e 10:34. Nosso Sumo Sacerdote é tocado pelo sentimento de nossas debilidades: ele simpatiza conosco. Os homens devem ser «compassivos», desenvolvendo a capacidade de entristecer-se pelos outros, levando suas tristezas; a simpatia, porém, não deve limitar-se às questões que envolvem «tristeza». Deve ser mais lata do que isso. Indica a capacidade de compartilhar das esperanças, dos desejos, das ambições de outros, considerando essas coisas como benéficas ao próprio «eu», já que são benéficas aos outros. O evangelho exige a existência de um «sentimento comunitário», o «espírito comunitário», o regozijo com os que se alegram e o entristecer-se com os que choram, porquanto todos são de uma só mente, cuidando uns dos outros. (Ver Rm 12:15,16).

 «...fraternalmente amigos...»A tradução literal diria «amor fraternal». O amor aos irmãos é o novo mandamento de Cristo, o qual deve ser o impulso orientador de todas as ações da comunidade cristã. O amor é um dos aspectos do «fruto do Espírito Santo»2 sendo, por isso mesmo, produto do desenvolvimento espiritual (ver Gl 5:22). Trata-se de um poder constrangedor (ver II Co 5:14). O amor consiste no interesse pelos outros que normalmente reservamos para nós mesmos. É o genuíno altruísmo, que consiste em querermos para os outros aquilo que queremos para nós mesmos.

 Referências e Idéias sobre o Amor. 

1.         O amor a Deus nos é ordenado (ver Dt 11:1).

2.         O amor é o primeiro e grande mandamento, e o segundo é o amor ao próximo (ver Mt 22:38).

3.         O amor é produto da atuação do Espírito (ver Gl 5:22).

4.         O amor é supremamente exibido na pessoa de Cristo (ver Jo 14:31).

5.         O amor aos santos é algo ordenado (ver I Jo 5:1).

6.         O amor deve guiar a família de Deus, como se fosse o solo de onde se originam todas as virtudes (ver Jo 14:21e 15:10).

7.         O amor é necessário à felicidade (ver Pv 15:17).

8.         O amor é a evidência do verdadeiro discipulado a Cristo (ver Jo 13:35).

9.         A medida em que amamos a nós mesmos deve ser a medida em que amamos ao próximo (ver Mc 12:33).

10.       Até mesmo os dons sobrenaturais nada são, sem o amor (décimo terceiro capítulo da primeira epístola aos Coríntios).

 «...misericordiosos...» No grego é usado o termo «eusplangchnoi». Literalmente, a palavra significa «eu» (bem) e «splagchna» (as entranhas mais nobres como o coração e os pulmões, mas, às vezes, até os intestinos e o ventre são referidos por essa palavra). Seu uso equivalia ao uso popular e moderno da palavra «coração», como a sede dos afetos e das emoções gentis e amorosas. Provavelmente, a palavra veio a ser empregada para indicar as emoções, incluindo o espírito de misericórdia, por ter-se observado que as emoções fortes afetam os intestinos, levam o coração a pulsar mais rápido, etc. Devemos participar dos sofrimentos alheios, e, inspirados por isso, sermos levados a atos de socorro misericordioso. Isso incluirá o suprimento das necessidades físicas, os atos de caridade e de bondade.

 Essa palavra é relativamente comum nas páginas do N.T., onde ela é usada por sete vezes. (Consultar também os trechos de At 20:19; Ef 4:2; Fp 2:3;.Cl 2:18;23 e 3:13). A referência na epístola aos Filipenses mostra que essa «humildade de mente», levará cada crente a estimar seu irmão em Cristo como melhor do que ele mesmo; e assim as contendas sumirão do seio da igreja. Esse mesmo capítulo mostra que a missão remidora de Cristo foi inspirada por essa atitude mental. Ele se preocupava supremamente quanto ao bem-estar dos outros, sacrificando o seu próprio bem-estar de acordo com isso. Essa atitude deveria permear a igreja.

 O cristianismo é a fé religiosa que tem ensinado as pessoas a cuidarem, a desejarem o bem-estar e o direito dos outros. Jesus se compadecia de seus semelhantes humanos; ele se opunha à violência, ao ódio e à ganância; e prestou um serviço humilde até mesmo em favor de seus inimigos. Os antigos tinham pouco respeito por aquilo que agora é declarado como algo respeitável, isto é a «humildade mental». Porém, esse respeito continua sendo principalmente acadêmico, não sendo deveras praticado na sociedade ou mesmo no seio da igreja evangélica. Contudo, é algo largamente reconhecido que o «ego» descontrolado pode causar dano e sofrimento. Continua sendo verdade que aquele que deseja encontrar a vida, deve estar disposto a sacrificar a sua própria vida. Continua sendo verdade que os verdadeiramente grandes entre nós são aqueles que são servos de todos.

 3:9: não retribuindo mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrario, bendizendo; porque para isso fostes chamados, para herdardes uma bênção.

 Este versículo é extremamente parecido com a passagem de Rm 12:17-21.

 «...não pagando mal por mal...» Como dissemos, Rm 12:17 é virtualmente igual, até nas palavras, exceto quanto à ordem das mesmas. Talvez ambos os trechos, este e o de Rm 12:17 se tenham baseado sobre Pv 17:13; que declara: «Quanto àquele que paga o bem com mal, não se apartará o mal da sua casa». A versão dessa declaração bíblica, nos evangelhos, entretanto, é ainda mais forte, porquanto o mal recebido não deve ser devolvido com vingança, tão longe devemos estar de pagar o bem com o mal. O trecho de I Ts 5:15 também é virtualmente idêntico. E o Senhor Jesus, em Lc 6:27,28, declara essa regra em uma forma ainda mais vivida: «Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam». Essa afirmativa exige o bem ativo, praticado em favor daqueles que nos prejudicam, não meramente proibindo que devolvamos seus atos com outros atos maldosos. O que Cristo aqui exige é muito mais difícil de fazer, apesar da forma mais branda do mandamento não ser fácil de cumprir. Ambos esses mandamentos vão contra as inclinações humanas naturais, que dizem que só devemos ser bons para com os que são bons conosco, e que, devemos, tirar vingança contra os que nos prejudicam. «Não digas: Vingar-me-ei do mal; espera pelo Senhor, e ele te livrará». (Ver também Mt 5:38 ess).

 A regra aqui exarada se baseia no amor cristão, até mesmo pelos próprios inimigos. As vezes temos dificuldades até em tolerar os vizinhos, quanto mais em amar a nossos inimigos! Isso ilustra que tal tipo de amor deve ser divinamente derramado em nós, pelo poder do Espírito Santo, em nós residente, segundo se vê em Gl 5:22. É produto do crescimento espiritual; nunca será produto meramente humano. Ora, desenvolvemo-nos espiritual­mente mediante o estudo das questões espirituais (desenvolvimento do intelecto na piedade); através da oração, quando falamos com Deus; através da meditação, quando damos ouvidos a Deus; através da busca e do uso dos dons espirituais, o toque místico na vida cristã, do que necessitamos urgentemente. Somente em meio a tal desenvolvimento é que pode o verdadeiro amor (participação no próprio amor divino, expressando o mesmo) ser expresso. A natureza de Jesus Cristo vai sendo assim formada em nós, pelo Espírito Santo. E, desse modo, passamos de um estágio de glória para outro. (Ver II Co 3:18).

 «...injúria por injúria...» No grego, «loidoria», «reprimenda», «vilipen­dio». O autor leva-nos de volta ao pensamento de I Pe 2:23; onde vemos que Jesus mesmo debaixo das mais difíceis circunstâncias, não devolveu os insultos e as injúrias de seus adversários. Cristo é o exemplo supremo; e, visto que o seu Espírito está formando em nós a sua natureza moral, é possível seguirmos o seu exemplo. Os crentes da Ásia Menor, que sofriam perseguição, poderiam ser tentados a fazer tudo quando estivesse a seu alcance, para prejudicar seus perseguidores. Mas Pedro os exorta a seguirem o exemplo de Cristo.

 «...pelo contrário, bendizendo...» Isso nos ordena bendizer a nossos inimigos, perseguidores e rivais, mediante nossas palavras e nossas ações; e aqui nos aproximamos da verdade da declaração de Jesus, contida em Lc 6:27,28, citada acima. O bem positivo, a bênção espiritual, devem ser conferidos àqueles que, mediante uma hostilidade perversa, se opõem apenas a si mesmos e a seus melhores interesses.

 «...pois para isto mesmo fostes chamados...» O crente é «chamado para abençoar» e é «chamado para a bênção eterna», para a herança celestial. É chamado para Cristo, a fim de que nele se forme a espiritualidade e a santidade pessoal, o que o levará a abençoar, ao invés de amaldiçoar a outros, tal como Jesus conduziu-se a si mesmo. «Essa é a vossa vocação, abençoar e herdar bênção». (Tradução de Moffatt). Podemos estar certos que a mesma graça que operou o milagre da transformação do crente, a fim de que, em alguma medida, venha a amar como Cristo amou, também seráeficaz, levando a ele a plenitude da vida eterna, a bênção e o benefício supremo.

 «...afim de receberdes bênção por herança...» A «herança» será a bênção suprema que produz o bem-estar absoluto da alma. A isso é que os crentes são convocados. Porém, não poderão atingir esse ponto sem passarem pelo treinamento moral em que terão de aprender a expressar amor, até mesmo por seus inimigos. O próprio espírito de amor divino é que deve ser duplicado em nós; e isso seria impossível sem o treinamento apropriado, debaixo de pressão. Portanto, «a esperança cristã também é a regra cristã», no dizer de Bigg (m loc). O crente espera pela bênção; também terá de aprender, primeiramente, a conferi-la a outros. Jesus disse: «...se perdoardes... vosso Pai celeste vos perdoará...» (Mt 6:14,15). Pedro repete, como que em estribilho: «Se quiserdes ser abençoados, tereis de abençoar!»

 «Isso é, realmente, muito difícil, mas devemos imitar, nesse caso, nosso Pai celeste, o qual faz seu sol levantar-se para os indignos... Pedro deixa entendido que aqueles que buscam vingar-se das injúrias recebidas, tentam aquilo que não lhes redundará em bem nenhum, porquanto assim se privam da bênção de Deus». (Calvino, in loc).

 «Deus tem um propósito ao chamar aos crentes para tarefa tão difícil, e ao exigir deles agora o cumprimento da mesma. E esse propósito é que recebam uma bênção. Não devem pensar nisso como uma dureza arbitrária, ou como uma restrição que, por fim, não lhes seja benéfica. A bênção completa e eterna de Deus só pode ser obtida através de tal curso de auto-supressão e de amor, até mesmo para com aqueles que nos odeiam... Abençoemos, ao invés de revidarmos, pois isso é mais próprio para aqueles que estão esperando ser abençoados». (Mason, in loc).

 «Antes, éreis inimigos de Deus; mas agora vos tornastes participantes da sua chamada celestial (ver Hb 3:1), para que recebais a bênção. Isso nos deveria impelir para abençoar até aos nossos inimigos». (Lumby, in loc.).

 «O fogo não é extinto pelo fogo, mas pela água; por igual modo, o erro e o ódio, são extintos não com a retaliação, mas com a gentileza, com a humildade e com a bondade». (Crisóstomo).

 

FONTE Bibliografia Champlin,COMENTARIO DO NOVO TESTAMENTO,2003