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cosmo visão N.1
cosmo visão N.1

               Descobrindo a cosmovisão cristã - Parte I

O mundo pelas lentes da Bíblia O QUE É UMA COSMOVISÃO?


O termo cosmovisão é uma tradução da palavra alemã weltanschauung, que significa “modo de olhar o mundo” (welt – mundo, schauen – olhar). É a maneira como a pessoa encara, age e reage em relação aos acontecimentos; um conjunto de suposições e crenças que utilizamos para interpretar e formar opiniões acerca da nossa humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade e questões sociais.

A cosmovisão é como um mapa mental que nos diz como navegar de modo eficaz no mundo . É a impressão da verdade objetiva de Deus em nossa vida interior. Norman Geisler nos dá outra representação, em que a cosmovisão é semelhante a uma lente intelectual através da qual enxerga-se o mundo. Se alguém olha através de uma lente vermelha, o mundo lhe parece vermelho. Se outro indivíduo olha através de uma lente azul, o mundo lhe parece azul.

Todos os grandes pensadores do passado, tais como Platão, Aristóteles, Agostinho e Tomás de Aquino, cada um deles tinha o seu sistema de crença com respeito à filosofia, que foi escrito numa forma sistemática. Cada sistema expressou a cosmovisão do filosofo particular. Mas, mesmo que as pessoas não se dêem conta, todas elas (adultas), necessária e inescapavelmente, têm uma cosmovisão, um sistema filosófico de pensamento, também. “A cosmovisão delas pode não ser escrita, ou sistematizada, como as dos quatro pensadores mencionados acima, mas elas têm uma cosmovisão, apesar de tudo”.

Embora possua uma conotação filosófica a cosmovisão de uma pessoa possui natureza prática, afinal, idéias têm conseqüências reais. A propósito, essa visão de mundo não precisa necessariamente ser articulada, e nem vivida conscientemente. Isso pode ser melhor explicado com a definição dada por James Sire em o Universo ao Lado. Ele diz que cosmovisão é um comprometimento, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expressa como uma história ou um conjunto de pressuposições (hipóteses que podem ser total ou parcialmente verdadeiras ou totalmente falsas), que detemos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade e que fornece o alicerce sobre o qual vivemos, movemos e possuímos nosso ser. Como um comprometimento, Sire explica que a essência da cosmovisão repousa nos mais profundos e íntimos recônditos do eu humano. Uma cosmovisão - ele explica - envolve a mente; porém, é, acima de tudo, um compromisso, uma questão de alma. É uma orientação espiritual mais que uma questão de mente apenas.

Ao dizer que a visão de mundo é uma orientação espiritual, Sire não está fazendo referência à espiritualmente puramente religiosa, mas àquela disposição interna do ser humano, afeta às suas interioridades, que atingem o âmago do seu próprio ser e o influenciam a agir de um modo ou de outro. É exatamente essa predisposição que vai norteá-lo ante as decisões mais importantes da sua vida. Quando o casamento vai mal, qual a decisão a ser tomada? A infidelidade é normal? Como deve ser encarada a questão do aborto e do homossexualismo? Qual a forma de proceder no trabalho? Como educar os filhos? Como encarar a violência?
Frente a tais situações práticas da vida, as pessoas tomam suas decisões baseado naquilo que compreendem como sendo verdadeiro ou falso; certo ou errado. A cosmovisão que possuímos norteia nossas decisões e atitudes, e funciona como um guia, dando-nos senso de direção acerca da forma como devemos agir.

 

 

O RESULTADO PRÁTICO DAS COSMOVISÕES

 

Como já foi dito, as cosmovisões têm conseqüências práticas. A ‘forma de ver o mundo’ de uma pessoa não fica isolada apenas em sua mente. Pelo contrário, é a força que a impulsiona a agir em todas as esferas da vida. Com efeito, quando alguém acredita em uma cosmovisão completamente equivocada os resultados disso podem ser drásticos, não somente para a pessoa, mas também para toda a sociedade. Como exemplo claro e histórico tem-se o caso de Adolf Hitler. Suas nefastas ideias sobre a superioridade da raça ariana e as suas teses racistas e anti-semitas foram responsáveis pelo genocídio de milhares de pessoas, desencadeando, inclusive, a 2ª Guerra Mundial.

Da mesma forma, para todos quantos acreditam que Deus não existe, que o homem é fruto do acaso, e que não existe um Criador a quem terão que prestar contas mais cedo ou mais tarde, questões como adultério, homossexualismo, aborto e eutanásia são analisadas simplesmente pela ótica terrena e passageira. Caso em que, segundo a visão secular, tais atos são plenamente aceitáveis no pensamento do homem moderno.

No âmbito da moral, atualmente, os resultados da cosmovisão secular (aquela que “baniu” Deus da sociedade) são notórios. Conforme alerta Mathew Slick “O resultado da cosmovisão secular pode ser vista ao nosso redor. Ao observarmos a sociedade fica evidente que nem tudo vai bem. A televisão tem se degenerado tornando-se um “bordel” de violência, pornografia “leve”, seriados que destroem a família, comerciais que apelam para a gratificação imediata dos prazeres, e desenhos animados que são cheios de violência, ocultismo, e desobediência aos pais.”

Por outro lado, uma cosmovisão que acredita na existência do Criador, e que Ele haverá de julgar todos os moradores da terra, nesse caso, as ações de todos quantos nela acreditam serão voltadas não simplesmente para o ambiente terreno, mas celestial. Com isso, o adultério, o homossexualismo, o aborto e a eutanásia são considerados logicamente como afronta ao próprio Deus, que estabeleceu uma moral objetiva a ser seguida pelo homem, baseada na sua própria Palavra.

 

ELEMENTOS E ESCOLHA DE UMA COSMOVISÃO

 

Em síntese, uma cosmovisão possui como elementos principais informações nas quais possamos responder as maiores indagações do ser humano: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o propósito da vida? Por que o mal existe?

Os focos de uma cosmovisão são: criação ou origem, identidade, propósito e destino do ser humano. Como exemplo, no que tange ao elemento [origem], para a cosmovisão ateísta Deus não existe. O universo é tudo o que existe ou existirá. O homem é resultado da evolução. A vida do homem é destituída de [propósito] e o seu [destino] está vinculado somente à ordem física desta vida, afinal, segundo entendem, não existe vida eterna. Na cosmovisão panteísta Deus é o próprio universo. O [destino] do homem é determinado pelos ciclos da sua vida, o carma (erros a serem redimidos em inumeráveis reencarnações). E o sofrimento é uma ilusão causada pelos erros da mente.
Diante de tantas cosmovisões existentes no mundo (ateísmo, teísmo, panteísmo, deísmo, politeísmo, etc.) a pergunta que fica é a seguinte: Qual cosmovisão escolher? Seria simplesmente aquela que faz a pessoa sentir-se bem, ou aquela que funciona? Obviamente que nenhuma das duas alternativas, afinal essa seria um visão fundamentada simplesmente no bem estar terreno, muito comum hoje em dia, quando as pessoas escolhem suas religiões simplesmente por se sentirem mais confortáveis em determinado grupo de religiosos, ou então, aquela que lhe dê “resultados” mais rápidos.

Ora, a verdadeira cosmovisão deve ser escolhida sobre o enfoque da realidade, de forma a verificar se as respostas e modelos apresentados por cada ela são aceitáveis e se possuem lógica. Da mesma forma que uma pessoa não utilizaria óculos com lentes desfocadas para ver o mundo, assim também, no âmbito das cosmovisões, ninguém tem a intenção (pelo menos em sã consciência) de viver sob a influência de uma cosmovisão completamente desvirtuada, que apesar da aparência de perfeição, levará a pessoa para um trágico final. É que a cosmovisão, como já havia sido dito, é como um mapa. E se o mapa estiver errado, a pessoa não chegará ao destino esperado.

Segundo Gordon Clark “Se um sistema pode fornecer soluções plausíveis para muitos problemas enquanto outro deixa questões sem respostas, se um sistema tende ao ceticismo e dá mais significado à vida, se uma cosmovisão é consistente enquanto que outras são autocontraditórias, quem pode nos negar, visto que devemos escolher, o direito de escolher o primeiro princípio mais promissor?”.

 

 

Descobrindo a cosmovisão cristã - Parte II

O mundo pelas lentes da Bíblia

ELEMENTOS E ESCOLHA DE UMA COSMOVISÃO

 

Em síntese, uma cosmovisão possui como elementos principais informações nas quais possamos responder as maiores indagações do ser humano: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o propósito da vida? Por que o mal existe? 
Os focos de uma cosmovisão são: criação ou origem, identidade, propósito e destino do ser humano. Como exemplo, no que tange ao elemento [origem], para a cosmovisão ateísta Deus não existe. O universo é tudo o que existe ou existirá. O homem é resultado da evolução. A vida do homem é destituída de [propósito] e o seu [destino] está vinculado somente à ordem física desta vida, afinal, segundo entendem, não existe vida eterna. Na cosmovisão panteísta Deus é o próprio universo. O [destino] do homem é determinado pelos ciclos da sua vida, o carma (erros a serem redimidos em inumeráveis reencarnações). E o sofrimento é uma ilusão causada pelos erros da mente.

Diante de tantas cosmovisões existentes no mundo (ateísmo, teísmo, panteísmo, deísmo, politeísmo, etc.) a pergunta que fica é a seguinte: Qual cosmovisão escolher? Seria simplesmente aquela que faz a pessoa sentir-se bem, ou aquela que funciona? Obviamente que nenhuma das duas alternativas, afinal essa seria um visão fundamentada simplesmente no bem estar terreno, muito comum hoje em dia, quando as pessoas escolhem suas religiões simplesmente por se sentirem mais confortáveis em determinado grupo de religiosos, ou então, aquela que lhe dê “resultados” mais rápidos.

Ora, a verdadeira cosmovisão deve ser escolhida sobre o enfoque da realidade, de forma a verificar se as respostas e modelos apresentados por cada ela são aceitáveis e se possuem lógica. Da mesma forma que uma pessoa não utilizaria óculos com lentes desfocadas para ver o mundo, assim também, no âmbito das cosmovisões, ninguém tem a intenção (pelo menos em sã consciência) de viver sob a influência de uma cosmovisão completamente desvirtuada, que apesar da aparência de perfeição, levará a pessoa para um trágico final. É que a cosmovisão, como já havia sido dito, é como um mapa. E se o mapa estiver errado, a pessoa não chegará ao destino esperado.

Segundo Gordon Clark “Se um sistema pode fornecer soluções plausíveis para muitos problemas enquanto outro deixa questões sem respostas, se um sistema tende ao ceticismo e dá mais significado à vida, se uma cosmovisão é consistente enquanto que outras são autocontraditórias, quem pode nos negar, visto que devemos escolher, o direito de escolher o primeiro princípio mais promissor?”.

 

A BÍBLIA E A COSMOVISÃO CRISTÃ

 

Baseado nessa necessidade e direito de escolha de cada pessoa é que os cristãos possuem a sua cosmovisão, que oferece à humanidade as respostas mais contundentes para as suas maiores indagações: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o propósito da vida? Por que o mal existe?
Nesse tom, Charles Colson e Nancy Pearcey argumentam que o cristianismo vai além de João 3.16, além da fé privada e da salvação pessoal. Ele é nada menos que a estrutura para a compreensão total da realidade. É a forma de ver a própria vida. Ele vai além da mera realização de “eventos espirituais” e agendas festivas, sobretudo, é responsável por redimir toda uma cultura em decadência e implantar o padrão bíblico de vivência. Seus princípios abordam todos os campos de atuação do homem. Seus fundamentos adentram nos vários extratos sociais e intelectuais da sociedade, numa síntese daquilo que disse Cristo: “Vós sois do sal da terra e a luz do mundo”.

Acontece que muitos olham para o cristianismo, em especial para os protestantes, e pensam que suas atividades estão relacionadas simplesmente ao âmbito espiritual, cujos assuntos principais são oração, santidade, fé, etc; e que o seu objetivo é simplesmente a realização de cultos avivados, onde as coisas da “sociedade” nada interferem ou tem a ver com a vida religiosa. Mas esse é um pensamento equivocado. O cristianismo tem muito a dizer sobre a vida, trabalho, sexualidade, educação, política, e sobre muitas outras coisas presentes na sociedade, já que o pensamento cristão é mais que uma crença particular. Nas palavras de Colson: “O cristianismo oferece uma cosmovisão compreensível que cobre todas as áreas da vida, todos os aspectos da criação. Somente o cristianismo oferece uma maneira de ver o mundo de acordo com o mundo real”

Uma das principais diferenças entre as demais cosmovisões e a cristã, está no fato de que na cosmovisão cristã toda convicção é formado a partir das Escrituras Sagradas reveladas por Deus. É exatamente ela quem apresenta o núcleo da forma de pensar do cristão (ou pelo menos deveria ser). Os fundamentos da cosmovisão cristã estão presentes nela. Suas ideias possuem um encadeamento lógico e racional, podendo sem facilmente compreendido por qualquer pessoa.

 

De onde viemos, e quem somos?

 

Enquanto várias teorias acerca da criação do universo e da origem do homem são inventadas e estudadas pela ciência, Deus revela em sua Palavra que todo o universo foi Criado por Ele (No principio criou Deus o céu e a terra Gn 1.1). O cosmos não é resultado do acaso. Não somos frutos de poeiras estelares. O planeta terra não é resultado de explosão sem causa. O homem não é descendente de amebas do pântano e de macacos. Pelo contrário, tanto o universo, quanto todas as demais coisas, foram criadas pelo próprio Deus. Não é nenhum acidente que a distância entre o Planeta Terra e Sol faz deste planeta o único lugar onde pode existir vida. Não é nenhum acidente que o eixo de rotação da Terra tem uma inclinação de 23,5º produzindo as quatro estações do ano, ou que a Terra gira uma vez a cada 24 horas produzindo o dia e a noite. A complexidade e a beleza do universo e de todas as criaturas demonstram a impossibilidade de que sejamos resultados de meros efeitos físicos. Davi disse: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos” (Salmo 19:1). Portanto, somos filhos de Deus, criados para o seu louvor e glória!

 

O que aconteceu de errado com o mundo?

 

Não é preciso ser estudioso para entender que existe alguma coisa de errado com o mundo (leia-se: com a humanidade). O aumento da violência e da promiscuidade são somente alguns dos exemplos. Tal decadência teve inicio há muito tempo, com o primeiro homem, Adão. Apesar de ter sido criado perfeitamente por Deus, ele escolheu desobedecer ao próprio Criador. O pecado trouxe a morte ao mundo, a morte física e, pior ainda, a morte espiritual. Ainda, o solo se tornou menos fértil e a comida mais escassa. O homem começou a trabalhar mais para obter menos. A humanidade também perceberia logo o efeito que o pecado tem nas relações humanas: crueldade, assassinato, lascívia e desarmonia. Paulo disse da seguinte forma: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor", Rm 6.23. Portanto, o que aconteceu de errado, e o motivo do sofrimento no mundo é exatamente o pecado original cometido pelo homem.



Redenção – O que podemos fazer para consertar isso?

 

Em meio à turbulência social e moral percebida no meio da sociedade, devido ao pecado original, muitas propostas têm sido defendidas para a solução do problema do mundo. Uma delas é a auto-ajuda, segundo a qual o próprio homem é pode resolver todos os seus males. No entanto, o homem sozinho é incapaz de resolver um erro que ele mesmo cometeu. Assim, Deus na sua inefável sabedoria, realiza o ato que é o centro da fé cristã: Ele entrega o seu Filho, Jesus Cristo, para que, sendo morto no lugar do homem, pudesse apagar os seus pecados. E é o acontece. O Cristo deixa seu trono, desce às regiões terrenas, encarna-se, e morre no nosso lugar. Ele nos amou tanto que morreu em uma cruz para pagar o preço dos nossos pecados. E ele oferece a cada um de nós o perdão. Jesus Cristo é o único Caminho através do qual o homem pode ser perdoado e viver eternamente com Deus. E se nós queremos ser perdoados por Deus, nós devemos aceitar o presente que ele nos oferece livremente.

O interessante da cosmovisão cristã reside no fato dela ser simples, como disse C. S Lewis, como tema de seu livro, “Cristianismo puro e simples”. No entanto, simplicidade não é sinônimo de inverdade ou erro. Pelo contrário, as maiores verdades são simples. Tanto que o pensamento cristão vem ao longo de toda a sua história superando todos os desafios que lhe foram propostos, desde a Igreja primitiva, onde os cristão foram perseguidos, passando pelo período do iluminismo racionalista, o tempo do comunismo, e, atualmente, o pós-modernismo relativista. Em todos estes contextos, a cosmovisão cristã, guardada por próprio Deus, não sucumbiu. Afinal, como disse Jesus: “As portas do inferno não prevalecerão!” Mt. 16.18

Deve-se anotar, porém, que o principal fundamento do pensamento cristão não está simplesmente em respostas intelectuais para a mente humana. Posto que a lógica e a inteligência são somente meios de se compreender toda a realidade, especialmente do cristianismo. Por outra via, a base para o relacionamento com Deus chama-se FÉ, e como disse o escritor aos Hebreus, “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêm” Hb.11.1. A vida cristã, então, tem como primazia o relacionamento e a comunhão do homem com Deus, por meio de Cristo Jesus. A salvação, a transformação a nova vida e a paz (aquela que excede todo entendimento) provindas deste relacionamento é que dá ao cristão a razão de viver.

 

 

A cosmovisão cristã e a supremacia de Cristo

O ponto sublime da cosmovisão bíblica é a supremacia de Cristo sobre qualquer outra pessoa ou ícone religioso.

 

Uma forma bem simples e ao mesmo tempo desafiadora para assimilar e viver a dimensão integral da fé cristã é pensar como Jesus. Diante de qualquer situação cotidiana precisamos nos perguntar: “O que Jesus faria em meu lugar?”, e, depois, aplicar a resposta sem fazer quaisquer ajustes em virtude da reação dos outros.

George Barna nos lembra que Jesus foi capaz de modelar uma cosmovisão bíblica porque ele é Deus e, assim, conhece e corporifica a verdade e a justiça. No entanto, diz Barna, o fato de Jesus ser humano, enquanto esteve fisicamente na terra, sugere que ele também devia trabalhar para manter uma visão de tudo o que se deparava. Seu processo não foi acidental nem oculto: sua exortação aos discípulos foi: ‘Aprendei de mim’. O que podemos aprender com sua forma de tomar decisões?[i].

 

A SUPREMACIA DE CRISTO

 

O ponto sublime da cosmovisão bíblica é a supremacia de Cristo sobre qualquer outra pessoa ou ícone religioso. Jesus não é mais um no grande panteão de deuses criados pelo homem. Ele é o Filho Unigênito de Deus (Jo 3.16), o primogênito de toda Criação (Cl 1.15), o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6), o [único] Mediador entre Deus e o homem (1Tm 2.5).

Na epístola aos Hebreus, o escritor também evoca a superioridade de Cristo, começando com essa majestosa declaração:

“Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito para si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas; feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles” (Hb. 1.1-4).

A supremacia de Cristo é tão evidente que no capítulo dois de Hebreus Ele é apontado como sendo superior aos anjos, no capítulo três é superior a Moisés e no capítulo cinco é superior aos sumos sacerdotes do antigo pacto. Em virtude dessa supremacia é que o nome de Jesus é superior a qualquer outro nome, ante quem todo o joelho se dobrará, dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor. (Fp 2.9-11).

O próprio Jesus tinha total convicção de sua autoridade. Ele disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). E depois da sua ressurreição dos mortos afirmou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra”. (Mt 28.18). Cristo não se considerava um simples sábio, um mero homem de moral elevada ou somente um profeta. Ele sabia que era o filho unigênito de Deus, enviado com o propósito de proporcionar redenção ao homem.

Essa questão não é trivial. A forma como Jesus se auto identificava  serve como parâmetro fundamental no modo como as pessoas o veem.  C. S. Lewis, um dos maiores escritores cristãos do século XX, dizia que é uma tolice as pessoas afirmarem: “Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus”. Afinal, um homem que fosse um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral, mas sim um lunático ou coisa pior. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco, pois ele nunca nos deixou a opção de considerá-lo como simples mestre humano. Lewis também observa que parece ser óbvio que Jesus não era lunático, muito menos um demônio. Por isso, precisamos reconhecer que ele era, e é Deus. “Deus chegou sobre forma humana no território ocupado pelo inimigo”.[ii]

Permitam-me prosseguir um pouco mais nesse tema.

Ao realizar a pesquisa do seu livro Em defesa de Cristo, Lee Strobel entrevistou Gary R. Collins, Ph.D em psicologia, a fim de investigar se o perfil psicológico de Jesus revelava qualquer indício de que ele tinha problemas mentais, pelo fato de afirmar que era Deus. Collins, com todo o seu conhecimento, lembrou que os psicólogos não prestam atenção e avaliam somente o que as pessoas dizem, mas vão mais fundo, para observar suas emoções  e comportamento.

Jesus nunca demonstrou emoções inadequadas, quadro depressivo ou de angústia completa. Ao contrário, os relatos bíblicos comprovam a lucidez de um individuo emocionalmente saudável. Até mesmo os seus momentos de ira revelam reações ponderadas, contra a injustiça e os maus-tratos evidentes de que o povo era vítima. Jesus não tinha problemas de percepção – comum em pessoas perturbadas psicologicamente, e nunca perdeu o contato com a realidade. As narrativas bíblicas, destacam que ele, ao contrário de pessoas com problemas mentais, mantinha uma conversão lógica e bom relacionamento social com as demais pessoas.

O Dr. Collins ainda diz que “Ele era compassivo, mas nunca deixou que a compaixão o imobilizasse; não tinha um ego inflado, muito embora fosse constantemente rodeado por uma multidão de adoradores; conservou o equilíbrio, a despeito de um estilo de vida que impunha severas obrigações; sempre sabia o que estava fazendo e para onde ia; preocupava-se profundamente com as pessoas, inclusive com as mulheres e as crianças; que na época não eram consideradas importantes; acolhia as pessoas, embora não fizesse vista grossa para seus pecados; conversava com as pessoas onde quer que estivessem e sempre levava conta suas necessidades!”.

Além de afirmar que era o Filho de Deus, Jesus deu provas de seus atributos divinos de Onisciência (Jo 16.30), Onipresença (Mt 28.20), Onipotência (Mt 28.18), Eternidade (Jo 1.1) e Imutabilidade (Hb 13.8).

Jesus também tinha a credencial divina de perdoar pecados (Lc 7.48; Mc 2.5; Mt 9.2).  Enquanto os demais deuses criados pelo homem são apresentados como divindades dignas de adoração, somente Cristo se manifesta como o Salvador que morreu pelos pecados da humanidade, e por isso é capaz de ofertar perdão. Mas, apenas quem não comete pecados tem essa autoridade. Jesus também demonstrou em sua vida. Seu nascimento virginal foi o início de um vida extraordinariamente sem mácula, tanto é assim que nunca houve qualquer testemunho sobre erros cometidos por Jesus. Na verdade, a sua condenação à morte de cruz foi o julgamento mais injusto de toda a história da humanidade, com traição, falsas acusações, testemunhas subornadas, prisão preventiva sem fundamento, interrogatório ilegal e falta de ampla defesa.

Erwin Lutzer nos aconselha a esquadrinhar os horizontes religiosos, lendo a vida dos grandes mestres religiosos de todos os tempos; não apenas o que ensinaram, mas também o que disseram acerca deles mesmos. Ao buscar um Salvador qualificado e sem pecado você descobrirá que Cristo não tem rival: “Se houvesse outro que reivindicasse inculpabilidade, teríamos prazer em checar suas credenciais pra ver como elas se comparam com as de Cristo. Mencione a exigência de inocência e o campo religioso se define; só um homem permanece. Cristo vive de acordo com seu nome!”.[iii]

“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios; primeiramente, por seu próprios pecados e, depois pelos do povo; porque isso fez, uma vez, oferecendo-se a sim mesmo” (Hb 7.26, 27).

 

A RESSURREIÇÃO DE JESUS

 

Vale lembrar também que os evangelhos estão repletos de curas e milagres realizados por Cristo, a exemplo da transformação de água em vinho, multiplicação de pães, curas de aleijados, cegos e outras doenças. O milagre é uma intervenção divina na natureza. Contudo, o milagre mais magnífico em Jesus é a sua ressurreição dos mortos. A vitória dele sobre a morte, diz o apóstolo Paulo, é um dos pilares da fé cristã: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”.(1 Co 15:14)

A ressurreição de Jesus é um evento histórico, não um mito, e por isso é possível assegurar que temos elementos consistentes para acreditar no túmulo vazio. Algumas pessoas tentaram provar que Jesus nunca ressuscitou, mas no final acabaram se convencendo do contrário. Uma dessas pessoas foi Frank Morison, um jornalista inglês que se lançou a provar que a história do ressurreição de Cristo não passava de um mito. Porém, suas pesquisas o levaram a crer no Jesus ressurreto, resultando no livro Who Moved the Stone? (Quem moveu a pedra?). Ele escreveu:

“Eu desejava apanhar essa última etapa da vida de Jesus, com todo seu drama movimentado e vibrante, com seu contexto bem antigo e claramente definido, e com seu enorme interesse psicológico   e humano – desvencilhá-lo dessas crenças primitivas e suposições dogmáticas que tomaram conta da história, para então poder enxergar essa pessoa supremamente grande tal como era.

Não é preciso descrever aqui como, depois de mais de dez anos, surgiu a oportunidade de estudar a vida de Cristo tal como, havia muito tempo, eu desejava fazer; investigar as origens da literatura que trata dessa história, examinar pessoalmente algumas provas e formar meu próprio juízo sobre o problema que a vida de Cristo apresenta. Apenas direi que esse estudo operou uma revolução em minhas ideias. Daquela história muito antiga surgiram coisas que anteriormente eu julgara impossíveis. Lenta mas bem claramente cresceu dentro de mim a convicção de que o drama daquelas semanas inesquecíveis da história humana era mais estranho e de significado mais profundo do que parecia. Foi a singularidade de muitas coisas notáveis na história que primeiramente atraiu e manteve meu interesse. Somente mais tarde foi que a lógica irresistível do significado dessas coisas veio a aparecer”. (citado por Josh McDowell, Evidências que exigem um veredito)

Gary Habermas afirma que a singularidade da transformação dos discípulos de Jesus é um dos fatores comprobatórios da aparição de Cristo após  sua morte. Se antes da morte do Mestre os seu discípulos o abandonaram e o negaram, com medo de represálias do povo e do poder da época, após a ressurreição do Mestre suas vidas foram radicalmente alteradas, muitos inclusive foram martirizados. A ressurreição, diz Habermas, foi o catalisador e a exaltação dos discípulos. Se eles não tivessem passado por tal experiência, não haveria transformações, pois sem esse evento a vida deles seria vazia.[iv]

Nos dias atuais, se visitarmos o Père-LaChaise, o maior cemitério de Paris e um dos mais famosos do mundo, onde estão enterradas personalidades famosas como Oscar Wilde, Marcel Proust, Auguste Comte, Molière e outros, encontraremos também os restos mortais de Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido por Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita. Se formos à Índia, poderemos encontrar – espalhado em pelo menos oito lugares diferentes – o que sobrou das cinzas e da ossada de Siddartha Gautama, o Buda, fundador do budismo. Na cidade de Medina, Arábia Saudita, está o corpo de Ab? al-Q?sim Mu?ammad ibn ?Abd All?h ibn ?Abd al-Mu??alib ibn H?shim, mais conhecido como Maomé, o profeta do islamismo. Mas, se formos até Jerusalém, no lugar em que enterraram Jesus, não encontraremos nenhum vestígio de seus restos mortais, pois a pedra foi removida e o túmulo está vazio. Ele ressuscitou!

Ao longo da história os antiteístas tem tentado – em vão – colocar “pedras” à entrada do sepulcro para desacreditar na divindade de Cristo e no cristianismo. De acordo com Erwin Lutzer, Karl Marx rolou a pedra da economia, dizendo que a religião era o ópio do povo, mas o marxismo naufragou. Sigmund Freud rolou a pedra da psicoterapia, ao afirmar que Deus era a criação da nossa imaginação, mas hoje a própria psiquiatria está no divâ, com todas as suas contradições teóricas. Voltaire empurrou a pedra da cultura, ao afirmar que Deus estava morto e que em menos de cem anos a Bíblia seria um livro esquecido, mas Deus está vivo como nunca, o evangelho encontra-se em expansão e a Bíblia continua sendo o maior e melhor livro de todos os tempos. Darwin empurrou a pedra da ciência, mas hoje o seu darwinismo está despedaçando como um conto de fadas diante da dura realidade.

Não importa. Todas quantas pedras sejam colocadas diante do sepulcro serão removidas. Como afirmou A. W. Tozer: “A ressurreição demostra de uma vez por todos quem ganhou em quem perdeu”.

Notas

 

[i]BARNA, George. Pense como Jesus. São Paulo: Vida Nova. 2007, p.29.

[ii]LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: Martins Fontes. 2005, p. 68-71.

[iii]LUTZER, Erwin. Cristo entre outros deuses: uma defesa da fé crista numa era de tolerância. Rio de Janeiro: CPAD. 2000, p. 81.

 

[iv]HABERMAS, Gary. In: Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão crista. São Paulo: Hagnos, 2006, 231.

 

A cosmovisão cristã e a supremacia de Cristo

O ponto sublime da cosmovisão bíblica é a supremacia de Cristo sob

Uma forma bem simples e ao mesmo tempo desafiadora para assimilar e viver a dimensão integral da fé cristã é pensar como Jesus. Diante de qualquer situação cotidiana precisamos nos perguntar: “O que Jesus faria em meu lugar?”, e, depois, aplicar a resposta sem fazer quaisquer ajustes em virtude da reação dos outros.

George Barna nos lembra que Jesus foi capaz de modelar uma cosmovisão bíblica porque ele é Deus e, assim, conhece e corporifica a verdade e a justiça. No entanto, diz Barna, o fato de Jesus ser humano, enquanto esteve fisicamente na terra, sugere que ele também devia trabalhar para manter uma visão de tudo o que se deparava. Seu processo não foi acidental nem oculto: sua exortação aos discípulos foi: ‘Aprendei de mim’. O que podemos aprender com sua forma de tomar decisões?[i].

 

A SUPREMACIA DE CRISTO

 

O ponto sublime da cosmovisão bíblica é a supremacia de Cristo sobre qualquer outra pessoa ou ícone religioso. Jesus não é mais um no grande panteão de deuses criados pelo homem. Ele é o Filho Unigênito de Deus (Jo 3.16), o primogênito de toda Criação (Cl 1.15), o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6), o [único] Mediador entre Deus e o homem (1Tm 2.5).

Na epístola aos Hebreus, o escritor também evoca a superioridade de Cristo, começando com essa majestosa declaração:

“Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito para si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas; feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles” (Hb. 1.1-4).

A supremacia de Cristo é tão evidente que no capítulo dois de Hebreus Ele é apontado como sendo superior aos anjos, no capítulo três é superior a Moisés e no capítulo cinco é superior aos sumos sacerdotes do antigo pacto. Em virtude dessa supremacia é que o nome de Jesus é superior a qualquer outro nome, ante quem todo o joelho se dobrará, dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor. (Fp 2.9-11).

O próprio Jesus tinha total convicção de sua autoridade. Ele disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). E depois da sua ressurreição dos mortos afirmou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra”. (Mt 28.18). Cristo não se considerava um simples sábio, um mero homem de moral elevada ou somente um profeta. Ele sabia que era o filho unigênito de Deus, enviado com o propósito de proporcionar redenção ao homem.

Essa questão não é trivial. A forma como Jesus se auto identificava  serve como parâmetro fundamental no modo como as pessoas o veem.  C. S. Lewis, um dos maiores escritores cristãos do século XX, dizia que é uma tolice as pessoas afirmarem: “Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus”. Afinal, um homem que fosse um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral, mas sim um lunático ou coisa pior. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco, pois ele nunca nos deixou a opção de considerá-lo como simples mestre humano. Lewis também observa que parece ser óbvio que Jesus não era lunático, muito menos um demônio. Por isso, precisamos reconhecer que ele era, e é Deus. “Deus chegou sobre forma humana no território ocupado pelo inimigo”.[ii]

Permitam-me prosseguir um pouco mais nesse tema.

Ao realizar a pesquisa do seu livro Em defesa de Cristo, Lee Strobel entrevistou Gary R. Collins, Ph.D em psicologia, a fim de investigar se o perfil psicológico de Jesus revelava qualquer indício de que ele tinha problemas mentais, pelo fato de afirmar que era Deus. Collins, com todo o seu conhecimento, lembrou que os psicólogos não prestam atenção e avaliam somente o que as pessoas dizem, mas vão mais fundo, para observar suas emoções  e comportamento.

Jesus nunca demonstrou emoções inadequadas, quadro depressivo ou de angústia completa. Ao contrário, os relatos bíblicos comprovam a lucidez de um individuo emocionalmente saudável. Até mesmo os seus momentos de ira revelam reações ponderadas, contra a injustiça e os maus-tratos evidentes de que o povo era vítima. Jesus não tinha problemas de percepção – comum em pessoas perturbadas psicologicamente, e nunca perdeu o contato com a realidade. As narrativas bíblicas, destacam que ele, ao contrário de pessoas com problemas mentais, mantinha uma conversão lógica e bom relacionamento social com as demais pessoas.

O Dr. Collins ainda diz que “Ele era compassivo, mas nunca deixou que a compaixão o imobilizasse; não tinha um ego inflado, muito embora fosse constantemente rodeado por uma multidão de adoradores; conservou o equilíbrio, a despeito de um estilo de vida que impunha severas obrigações; sempre sabia o que estava fazendo e para onde ia; preocupava-se profundamente com as pessoas, inclusive com as mulheres e as crianças; que na época não eram consideradas importantes; acolhia as pessoas, embora não fizesse vista grossa para seus pecados; conversava com as pessoas onde quer que estivessem e sempre levava conta suas necessidades!”.

Além de afirmar que era o Filho de Deus, Jesus deu provas de seus atributos divinos de Onisciência (Jo 16.30), Onipresença (Mt 28.20), Onipotência (Mt 28.18), Eternidade (Jo 1.1) e Imutabilidade (Hb 13.8).

Jesus também tinha a credencial divina de perdoar pecados (Lc 7.48; Mc 2.5; Mt 9.2).  Enquanto os demais deuses criados pelo homem são apresentados como divindades dignas de adoração, somente Cristo se manifesta como o Salvador que morreu pelos pecados da humanidade, e por isso é capaz de ofertar perdão. Mas, apenas quem não comete pecados tem essa autoridade. Jesus também demonstrou em sua vida. Seu nascimento virginal foi o início de um vida extraordinariamente sem mácula, tanto é assim que nunca houve qualquer testemunho sobre erros cometidos por Jesus. Na verdade, a sua condenação à morte de cruz foi o julgamento mais injusto de toda a história da humanidade, com traição, falsas acusações, testemunhas subornadas, prisão preventiva sem fundamento, interrogatório ilegal e falta de ampla defesa.

Erwin Lutzer nos aconselha a esquadrinhar os horizontes religiosos, lendo a vida dos grandes mestres religiosos de todos os tempos; não apenas o que ensinaram, mas também o que disseram acerca deles mesmos. Ao buscar um Salvador qualificado e sem pecado você descobrirá que Cristo não tem rival: “Se houvesse outro que reivindicasse inculpabilidade, teríamos prazer em checar suas credenciais pra ver como elas se comparam com as de Cristo. Mencione a exigência de inocência e o campo religioso se define; só um homem permanece. Cristo vive de acordo com seu nome!”.[iii]

“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios; primeiramente, por seu próprios pecados e, depois pelos do povo; porque isso fez, uma vez, oferecendo-se a sim mesmo” (Hb 7.26, 27).

 

A RESSURREIÇÃO DE JESUS

 

Vale lembrar também que os evangelhos estão repletos de curas e milagres realizados por Cristo, a exemplo da transformação de água em vinho, multiplicação de pães, curas de aleijados, cegos e outras doenças. O milagre é uma intervenção divina na natureza. Contudo, o milagre mais magnífico em Jesus é a sua ressurreição dos mortos. A vitória dele sobre a morte, diz o apóstolo Paulo, é um dos pilares da fé cristã: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”.(1 Co 15:14)

A ressurreição de Jesus é um evento histórico, não um mito, e por isso é possível assegurar que temos elementos consistentes para acreditar no túmulo vazio. Algumas pessoas tentaram provar que Jesus nunca ressuscitou, mas no final acabaram se convencendo do contrário. Uma dessas pessoas foi Frank Morison, um jornalista inglês que se lançou a provar que a história do ressurreição de Cristo não passava de um mito. Porém, suas pesquisas o levaram a crer no Jesus ressurreto, resultando no livro Who Moved the Stone? (Quem moveu a pedra?). Ele escreveu:

“Eu desejava apanhar essa última etapa da vida de Jesus, com todo seu drama movimentado e vibrante, com seu contexto bem antigo e claramente definido, e com seu enorme interesse psicológico   e humano – desvencilhá-lo dessas crenças primitivas e suposições dogmáticas que tomaram conta da história, para então poder enxergar essa pessoa supremamente grande tal como era.

Não é preciso descrever aqui como, depois de mais de dez anos, surgiu a oportunidade de estudar a vida de Cristo tal como, havia muito tempo, eu desejava fazer; investigar as origens da literatura que trata dessa história, examinar pessoalmente algumas provas e formar meu próprio juízo sobre o problema que a vida de Cristo apresenta. Apenas direi que esse estudo operou uma revolução em minhas ideias. Daquela história muito antiga surgiram coisas que anteriormente eu julgara impossíveis. Lenta mas bem claramente cresceu dentro de mim a convicção de que o drama daquelas semanas inesquecíveis da história humana era mais estranho e de significado mais profundo do que parecia. Foi a singularidade de muitas coisas notáveis na história que primeiramente atraiu e manteve meu interesse. Somente mais tarde foi que a lógica irresistível do significado dessas coisas veio a aparecer”. (citado por Josh McDowell, Evidências que exigem um veredito)

Gary Habermas afirma que a singularidade da transformação dos discípulos de Jesus é um dos fatores comprobatórios da aparição de Cristo após  sua morte. Se antes da morte do Mestre os seu discípulos o abandonaram e o negaram, com medo de represálias do povo e do poder da época, após a ressurreição do Mestre suas vidas foram radicalmente alteradas, muitos inclusive foram martirizados. A ressurreição, diz Habermas, foi o catalisador e a exaltação dos discípulos. Se eles não tivessem passado por tal experiência, não haveria transformações, pois sem esse evento a vida deles seria vazia.[iv]

Nos dias atuais, se visitarmos o Père-LaChaise, o maior cemitério de Paris e um dos mais famosos do mundo, onde estão enterradas personalidades famosas como Oscar Wilde, Marcel Proust, Auguste Comte, Molière e outros, encontraremos também os restos mortais de Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido por Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita. Se formos à Índia, poderemos encontrar – espalhado em pelo menos oito lugares diferentes – o que sobrou das cinzas e da ossada de Siddartha Gautama, o Buda, fundador do budismo. Na cidade de Medina, Arábia Saudita, está o corpo de Ab? al-Q?sim Mu?ammad ibn ?Abd All?h ibn ?Abd al-Mu??alib ibn H?shim, mais conhecido como Maomé, o profeta do islamismo. Mas, se formos até Jerusalém, no lugar em que enterraram Jesus, não encontraremos nenhum vestígio de seus restos mortais, pois a pedra foi removida e o túmulo está vazio. Ele ressuscitou!

Ao longo da história os antiteístas tem tentado – em vão – colocar “pedras” à entrada do sepulcro para desacreditar na divindade de Cristo e no cristianismo. De acordo com Erwin Lutzer, Karl Marx rolou a pedra da economia, dizendo que a religião era o ópio do povo, mas o marxismo naufragou. Sigmund Freud rolou a pedra da psicoterapia, ao afirmar que Deus era a criação da nossa imaginação, mas hoje a própria psiquiatria está no divâ, com todas as suas contradições teóricas. Voltaire empurrou a pedra da cultura, ao afirmar que Deus estava morto e que em menos de cem anos a Bíblia seria um livro esquecido, mas Deus está vivo como nunca, o evangelho encontra-se em expansão e a Bíblia continua sendo o maior e melhor livro de todos os tempos. Darwin empurrou a pedra da ciência, mas hoje o seu darwinismo está despedaçando como um conto de fadas diante da dura realidade.

Não importa. Todas quantas pedras sejam colocadas diante do sepulcro serão removidas. Como afirmou A. W. Tozer: “A ressurreição demostra de uma vez por todos quem ganhou em quem perdeu”.

Notas

 

[i]BARNA, George. Pense como Jesus. São Paulo: Vida Nova. 2007, p.29.

[ii]LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: Martins Fontes. 2005, p. 68-71.

[iii]LUTZER, Erwin. Cristo entre outros deuses: uma defesa da fé crista numa era de tolerância. Rio de Janeiro: CPAD. 2000, p. 81.

 

[iv]HABERMAS, Gary. In: Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão crista. São Paulo: Hagnos, 2006, 231.