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doutrina biblica a oração n.3
doutrina biblica a oração n.3

                                         Jejum Intensifica Oração

                                                 Estudo parte  n.3

O melhor ponto de partida para um estudo da disciplina cristã do jejum encontra-se no Sermão do Monte. Em Mateus 6.1-18, Cristo dá instruções aos seus discípulos sobre três deveres interrelacionados: dar esmolas, orar, e jejuar.

Em cada um desses três, ele coloca a ênfase principal na motivação, e adverte contra a ostentação religiosa com vistas a impressionar os homens. Com esta ressalva, ele presume que seus discípulos praticarão regularmente a todos esses deveres. Sabemos isso pela forma como fala a respeito de cada um.

No versículo 2, ele diz: “Quando deres esmola…” No versículo 6, ele diz: “Quando orares (singular, ou individualmente)…”; e no versículo 7: “E, orando, não useis (plural, ou em conjunto)”… No versículo 16, ele diz: “Quando jejuardes…” (plural, ou em conjunto); e no versículo 17: “Tu, porém, quando jejuardes…” (singular, ou individualmente).

Em nenhum dos casos Cristo diz: “se”, mas sempre “quando”. A mensagem inferida é clara. Cristo espera que todos seus discípulos pratiquem regularmente todos esses três deveres.

Especialmente no caso da oração e do jejum o paralelo é exato. Se Cristo espera que seus discípulos orem regularmente, da mesma maneira espera que jejuem regularmente.
O jejum fazia parte do dever religioso entre os judeus na época de Cristo. Fora praticado continuamente desde o tempo de Moisés. Tanto os fariseus como os discípulos de João Batista jejuavam regularmente. O povo ficou surpreso quando viram que os discípulos de Jesus não faziam o mesmo, e perguntaram o motivo. Suas perguntas e a resposta de Cristo se encontram em Marcos 2.18-20.

“Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, e não jejuam os teus discípulos? Respondeu-lhes Jesus: Podem os convidados para o casamento jejuar enquanto está com eles o noivo? Enquanto têm consigo o noivo, não podem jejuar. Mas o tempo virá em que lhes será tirado o noivo, e naquele dia jejuarão.”

A resposta de Jesus foi dada na forma de uma parábola simples. É importante interpretar a parábola corretamente. O noivo, como sempre no Novo Testamento, é o próprio Jesus. Os convidados são os discípulos de Jesus, a respeito de quem foi formulada a pergunta. O período em que o noivo permanece com eles corresponde ao tempo de ministério de Cristo na terra, enquanto estava fisicamente presente com seus discípulos.

O período quando o noivo lhes seria tirado começou quando Cristo subiu de volta para o céu, e continuará até que ele volte para sua Igreja.
Enquanto isso, a Igreja como noiva está aguardando a volta do noivo. Este é o período em que vivemos agora, e a respeito do qual Jesus diz categoricamente: “Naquele dia jejuarão” (os discípulos).

Nos dias em que vivemos agora, portanto, o jejum é uma marca do verdadeiro discipulado cristão, ordenado pelo próprio Jesus. O jejum não é endossado apenas pelos ensinamentos de Jesus, mas também pelo seu exemplo pessoal. Imediatamente após seu batismo no Jordão por João Batista, Jesus foi levado pelo Espírito Santo a passar quarenta dias jejuando no deserto. Isto foi registrado em Lucas 4.1,2. De acordo com o texto, Jesus não comeu nada durante quarenta dias, mas não diz que não bebeu. Também lemos que no final do período “teve fome”, mas não diz nada sobre sede. A conclusão mais provável é que se absteve de alimento, mas não de água. Durante este período de quarenta dias, Jesus entrou em conflito espiritual direto com Satanás.

Há uma diferença notável entre as expressões usadas por Lucas para descrever Jesus antes e depois do seu jejum. Em Lucas 4.1, ele diz: “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão”. Depois do jejum, em Lucas 4.14, lemos: “Então, pelo poder do Espírito, voltou Jesus para a Galiléia”.

Quando Jesus foi para o deserto, já estava cheio do Espírito Santo. Mas quando saiu do deserto, depois do jejum, veio no poder do Espírito. Aparentemente, o potencial do poder do Espírito Santo, que Jesus recebeu no momento do seu batismo no Jordão, só foi liberado para uma plena manifestação após completar o jejum. O jejum foi a fase final da sua preparação que tinha de ser completada antes que pudesse entrar no seu ministério público.

As mesmas leis espirituais que se aplicaram no próprio ministério de Jesus, são válidas também no ministério de seus discípulos. Em João 14.12, Jesus diz: “…Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço…” Com estas palavras, Jesus abre o caminho para seus discípulos seguirem o padrão do seu próprio ministério. Porém, em João 13.16, Jesus também diz: “… o servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou”. Isto se aplica à preparação para o ministério. Se o jejum era uma parte necessária da preparação do próprio Jesus, deve ser uma parte importante também na preparação dos discípulos.

 

A Prática da Igreja Primitiva

 

Neste respeito, Paulo era um verdadeiro discípulo de Jesus. O jejum era uma parte essencial do seu ministério. Logo após seu primeiro encontro com Cristo na estrada para Damasco, Paulo passou os três dias seguintes sem comer nem beber (ver Atos 9.9). Daí em diante, o jejum era uma parte regular da sua disciplina espiritual. Em 2 Coríntios 6.3-10, Paulo relaciona várias maneiras em que provou ser um verdadeiro ministro de Deus.

No versículo 5, duas destas maneiras que citou são: “nas vigílias, nos jejuns”. Vigília é passar sem dormir; jejum significa passar sem comer. As duas disciplinas foram praticadas por Paulo em diversas épocas a fim de tornar seu ministério plenamente eficaz.

Outra vez, em 2 Coríntios 11.23-27, Paulo volta a este tema. Referindo-se a outros homens que se colocaram como seus rivais no ministério, ele diz: “São ministros de Cristo? … Eu ainda mais…” Em seguida, faz uma longa lista das diversas maneiras em que demonstrou ser um verdadeiro ministro de Cristo. No versículo 27, diz: “Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejuns muitas vezes…” Aqui também, Paulo liga vigílias com jejum. A forma plural “em jejuns”, indica que Paulo se dedicava a freqüentes períodos de jejum. “Fome e sede” refere-se a períodos em que nem comida nem água lhe estavam disponíveis. Os jejuns eram feitos quando havia comida, mas Paulo se abstinha deliberadamente por motivos espirituais.

Os cristãos do Novo Testamento não praticavam meramente o jejum individual como parte da sua disciplina pessoal. Praticavam-no também em conjunto, como parte do seu ministério público a Deus. Como prova disso, temos o relato em Atos 13.1-3, onde vários profetas e mestres estavam orando e jejuando em Antioquia. Este tipo de atividade é descrito pela Escritura como “servir” ou “ministrar ao Senhor”. A maioria dos líderes cristãos ou das congregações hoje conhece muito pouco deste aspecto de ministério. Entretanto, na ordem divina, ministério ao Senhor vem antes do ministério aos homens. Como fruto do ministério ao Senhor, o Espírito Santo traz a direção e o poder necessários para um ministério eficaz aos homens.

Foi assim em Antioquia. Enquanto aqueles cinco líderes oraram e jejuaram juntos, O Espírito Santo revelou que tinha uma tarefa especial para dois entre eles – Barnabé e Saulo (posteriormente chamado Paulo). Ele disse: “Separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”.

Porém, não estavam prontos ainda para assumir a tarefa. Ainda precisavam da transmissão de graça especial e poder que seriam necessários para esta tarefa diante de si. Com este propósito, os cinco homens oraram e jejuaram juntos uma segunda vez. Então, após o segundo período de jejum, os outros líderes impuseram as mãos sobre Barnabé e Paulo, e os enviaram para cumprir sua missão.

Desta forma, foi através de oração e jejum em conjunto que Barnabé e Paulo receberam, primeiro a revelação de uma tarefa especial, e segundo a graça e o poder necessários para cumpri-la. Inicialmente, enquanto todos estavam orando e jejuando juntos, Barnabé e Paulo, assim como os outros três, eram reconhecidos como profetas e mestres. Mas após serem enviados para sua missão, foram descritos como apóstolos (ver Atos 14.4,14). Podemos dizer, assim, que o ministério apostólico de Barnabé e Paulo nasceu de oração e jejum feitos coletivamente por cinco líderes da igreja em Antioquia.

Eventualmente, esta prática de oração e jejum em conjunto foi transmitida por Barnabé e Paulo às congregações dos novos discípulos que foram estabelecidas nas diversas cidades como resultado do seu ministério. O próprio estabelecimento de cada congregação foi realizado através da escolha de seus presbíteros locais, conforme descrito em Atos 14.21-23:

“E… voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, fortalecendo as almas dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé;… E, promovendo-lhe em cada greja a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.”

Em Atos 14.22, estes grupos de crentes em cada cidade são citados apenas como discípulos. Mas no versículo seguinte, o autor os chama de igrejas. A transição de “discípulos” para “igrejas” foi efetuada pela designação de líderes locais para cada congregação, que eram chamados de “presbíteros”. Em cada caso, quando se designava presbíteros, oravam “com jejuns”. É correto dizer, então, que o estabelecimento de uma igreja local em cada cidade era acompanhado por oração e jejum coletivos.

Olhando para os capítulos 13 e 14 do livro de Atos, podemos ver que oração e jejum praticado coletivamente era de importância vital no crescimento e desenvolvimento da igreja do Novo Testamento. Foi através de orarem e jejuarem juntos que os cristãos primitivos recebiam direção e poder do Espírito Santo para decisões ou tarefas de importância especial. Nos exemplos que mencionamos, isto ocorreu nos casos de: primeiro, a escolha e o envio dos apóstolos; e segundo, a escolha de presbíteros, e o estabelecimento de igrejas locais.

 

Como o Jejum Funciona

 

Há várias maneiras em que o jejum ajuda o cristão a receber direção e poder do Espírito Santo. Num sentido, jejum é uma forma de lamentar ou chorar. Psicologicamente, ninguém sente prazer em chorar ou lamentar, assim como, fisicamente, ninguém gosta da idéia de jejuar. Entretanto, há momentos quando tanto o choro como o jejum são benéficos: o choro está entre as bem-aventuranças. Em Mateus 5.4, Jesus diz: “Bem-aventurados os que chorar, porque eles serão consolados”. Em Isaías 61.3, o Senhor promete bênçãos especiais àqueles que choram e “estão de luto” em Sião. Ele promete dar-lhes “uma coroa em vez de cinzas”, óleo de alegria em vez de pranto, veste de louvor em vez de espírito angustiado…”

Estar de luto em Sião não é nem o remorso centrado em si mesmo, nem a tristeza sem esperança do incrédulo. Pelo contrário, é uma resposta ao toque do Espírito Santo através do qual o crente compartilha numa pequena medida a tristeza do próprio Deus a respeito do pecado e da estultice da humanidade. Quando consideramos nossas próprias falhas e limitações, como cristãos, e quando olhamos além de nós mesmos para a miséria e maldade do mundo ao nosso redor, há motivo de sobra para esta espécie de luto.

Em 2 Coríntios 7.10, Paulo contrasta a tristeza segundo Deus com a tristeza sem esperança do incrédulo: “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte”. O luto segundo Deus como se descreve aqui produz a seu tempo o óleo de alegria e a veste de louvor.

Na velha aliança, Deus ordenou para Israel um dia especial a cada ano em que deviam “afligir suas almas”. Este dia era o Dia da Expiação. Em Levítico 16.31, o Senhor instruiu Israel a respeito deste dia: “É sábado de descanso solene para vós outros, e afligireis as vossas almas: é estatuto perpétuo.” Do tempo de Moisés em diante, os judeus interpretaram isto como uma ordem para jejuar. Em Atos 27.9, é este Dia de Expiação anual que é chamado do tempo de Jejum.

Dezenove séculos depois, com seu nome hebraico Yom Kippur, o Dia da Expiação ainda é observado pelos judeus ortodoxos no mundo inteiro, como um dia de jejum.

Em dois de seus salmos, Davi também fala do jejum desta forma. No Salmo 35.13, ele diz: “Eu afligia a minha alma com jejum…” A palavra traduzida aqui como “afligia” é a mesma palavra usada para “afligir as almas” no Dia da Expiação. Outra vez, no Salmo 69.10, Davi diz: “Chorei, em jejum está a minha alma…” Podemos combinar as várias expressões usadas e dizer que o jejum, conforme praticado nas Escrituras, é uma forma de luto, e um meio de se afligir e humilhar.

O jejum também é um meio que o crente pode usar para levar seu corpo a sujeição. Em 1 Coríntios 9.27, Paulo diz: “Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”. Nosso corpo, com seus órgãos e apetites físicos, constitui um servo excelente, mas um mestre terrível. Portanto, é necessário sempre mantê-lo em sujeição.

Ouvi uma vez um colega pregador expressá-lo bem, quando disse: “Meu estômago não me diz quando devo comer, sou eu que digo a ele quando vou comer”. Cada vez que um cristão jejua para este propósito, está advertindo seu corpo: “Você é o servo, não o dono”.

Em Gálatas 5.17, Paulo desmascara a oposição direta que existe entre o Espírito Santo de Deus e a natureza carnal do homem: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si…” O jejum lida com as duas grandes barreiras ao Espírito Santo que são erigidos pela natureza carnal do homem. São a teimosa vontade própria da alma, e os insistentes apetites autogratificantes do corpo. Praticado da maneira certa, o jejum leva tanto a alma como o corpo a se sujeitarem ao Espírito Santo.

É importante compreender que o jejum muda o homem, não a Deus. O Espírito Santo, sendo o próprio Deus, tanto é onipotente como imutável. O jejum quebra as barreiras na natureza carnal do homem que se colocam no caminho da onipotência do Espírito Santo. Depois disso, com estas barreiras carnais removidas, o Espírito Santo pode operar desembaraçadamente na sua plenitude através das nossas orações.

Em Efésios 3.20, Paulo procura expressar o potencial inesgotável da oração: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós…” O poder que opera em e através das nossas orações é o Espírito Santo. Removendo as barreiras carnais, o jejum abre caminho para a onipotência do Espírito Santo operar o “infinitamente mais do que tudo” das promessas de Deus.

Existe de fato apenas um limite à onipotência de Deus, que é a eterna justiça de Deus. O jejum nunca alterará os justos padrões de Deus. Se algo estiver fora da vontade de Deus, o jejum jamais conseguirá colocá-lo dentro da vontade dele. Se algo for errado e pecaminoso, ainda será errado e pecaminoso, não importa quanto tempo a pessoa tiver jejuado.

Há um exemplo disso em 2 Samuel 12. Davi cometera adultério, do qual resultou uma criança. Deus declarou que uma parte do juízo sobre seu pecado seria a morte da criança. Davi jejuou sete dias, mas a criança ainda morreu. Jejuar sete dias não mudou o justo juízo de Deus sobre o ato pecaminoso de Davi. Se algo foi errado, o jejum não o consertará. Nada poderá fazer isso.

O jejum não é nem um truque nem uma solução universal. Deus não trata as coisas desta forma. Deus fez provisão completa para o bem-estar total do seu povo em todas as áreas das suas vidas: espiritual, física, e material. O jejum é uma parte desta provisão total.

O jejum não substitui nenhuma das outras partes da provisão de Deus. Igualmente, nenhuma outra parte da provisão de Deus substitui o jejum.
Em Colossenses 4.12, lemos que Epafras orou em favor de seus companheiros para que pudessem ser conservados “perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus”. Isto estabelece um padrão muitíssimo alto para todos nós. Um meio bíblico à nossa disposição para alcançar este padrão é o jejum.

Se quiséssemos representar simbolicamente a vontade de Deus para cada cristão, poderíamos desenhar um retângulo. Qualquer coisa fora daquele retângulo seria fora da vontade de Deus, e não conseguiríamos alcançá-lo por nenhum meio bíblico, seja por jejum, seja por outro meio qualquer. Só teríamos a opção de alcançá-lo por meios carnais. Agora, dentro deste retângulo, a maior parte do que Deus tem para cada um de nós nunca é atingido, por várias razões. Alguns aspectos da vontade de Deus podem ser apropriados por oração sem jejum. Porém, existem áreas que só podem ser apropriadas por oração e jejum combinados. Muitas das provisões mais especiais que Deus tem para seu povo estão enquadradas nesta categoria!

 

 

O Homem Que Orava

 

Testemunho de J. Pengwern Jones

 

John Hyde foi grandemente usado para abençoar minha vida. Já havia lido aquele precioso livro de Andrew Murray, “Com Cristo na Escola de Oração”, e pude ver neste homem um exemplo vivo de alguém que estava de fato com Cristo na sua escola de oração. Seu exemplo deu-me um profundo anseio e também inspiração para me matricular como aluno nesta escola…

Jesus, nosso grande Sumo Sacerdote, deseja “companheiros”, “colegas”, “participantes”, para entrarem junto com ele no santuário como intercessores. O sumo sacerdote dos tempos antigos tinha de entrar no Santo dos Santos sozinho, mas nosso Sumo Sacerdote suplica para que haja companheiros para estarem ao seu lado. Hyde era exatamente isto, e parece-me estranho que tenhamos tanta relutância em assumir este tremendo privilégio de ser “co-intercessores” junto com ele…

A primeira vez que encontrei John Hyde foi em Ludhiana, no Punjab (na índia), onde ele morava na época. Eu fora convidado para falar algumas palavras sobre o avivamento na região dos montes Khassia, na índia, para a Conferência da Missão Presbiteriana dos Estados Unidos, que estava realizando sua assembléia anual nesta época.

Viajei a noite toda, saindo de Allahabad e chegando em Ludhiana de madrugada. Levaram-me para tomar chá junto com os delegados do Congresso, e com os demais que estavam lá. Fui apresentado a Hyde que estava do lado oposto da mesa. Tudo que disse a mim foi: “Quero falar com você. Estarei esperando perto da porta.”

Lá estava ele me esperando, e suas primeiras palavras foram: “Venha comigo à sala de oração. Queremos você lá.”

Eu não sabia se era um pedido ou uma ordem. Sentia que tinha de ir. Falei com ele que havia viajado a noite toda, que estava cansado, e que teria de falar às quatro da tarde, mas acompanhei-o assim mesmo.

Encontramos meia dúzia de pessoas ali, e Hyde se colocou de rosto em terra diante do Senhor. Ajoelhei-me, e uma estranha sensação começou a tomar conta de mim. Algumas pessoas oraram, e depois Hyde começou a orar, e a partir daí não me recordo de muita coisa. Eu sabia que estava na presença do próprio Deus, e não tinha nenhum desejo de sair daquele lugar. Na verdade, acho que nem pensei de mim mesmo ou do lugar onde estava, pois havia entrado em um outro mundo e queria permanecer ali.

Entramos naquela sala por volta das oito horas da manhã. Várias pessoas entraram e outras saíram depois disso, mas Hyde ficou prostrado de rosto em terra, e dirigiu o grupo em oração várias vezes. Às refeições foram esquecidas, e minha sensação de cansaço evaporou. O relatório do avivamento e a mensagem que deveria entregar, que estavam me causando tanta ansiedade, saíram totalmente da minha mente, até umas três e meia da tarde, quando Hyde se levantou. Percebi então que estávamos sozinhos na sala de oração.

“Você vai falar às quatro horas,” ele disse para mim. “Vou levá-lo para tomar uma xícara de chá.”

Respondi que certamente ele também precisava comer alguma coisa, mas ele disse: “Não, não quero nada, mas você precisa de alguma coisa.”

Passamos rapidamente no meu quarto, e nos lavamos apressadamente, e em seguida tomamos uma xícara de chá cada um. Então já estava na hora da reunião.

Ele me levou até a porta, tomou minha mão e disse: “Entre e fale. Esta é a sua tarefa. Voltarei à sala de oração para orar por você. Este é o meu trabalho. Quando acabar o culto, venha para a sala de oração outra vez, e louvaremos a Deus juntos.”

Que sensação, semelhante a um choque elétrico, passou por mim quando nos separamos ali. Foi fácil falar, mesmo através de um intérprete. O que eu disse, não sei. Antes de terminar, porém, o intérprete indiano, sobremodo comovido pelos seus sentimentos e pelo Espírito de Deus, não conseguiu continuar, e teve de ser substituído. Sei que o Senhor falou naquela noite. Falou comigo, e falou com muitos outros.

 

Reconheci o Poder da Oração

 

Foi assim que reconheci o poder da oração. Quantas vezes já havia lido de bênçãos em resposta a oração, mas isto impactou-me de tal maneira naquela noite que desde então procuro alistar guerreiros de oração para orar por mim todas as vezes que tenho de entregar uma mensagem de Deus. Foi uma das reuniões mais maravilhosas que já tive o privilégio de experimentar, e sei que foi resultado do santo guerreiro de oração que estava lá por trás dos bastidores.

Voltei à sala de oração após o culto, para junto com ele louvar ao Senhor. Ele não fez pergunta alguma, se o culto fora bom ou não, se as pessoas foram abençoadas ou não, nem pensei em dizer-lhe da bênção que eu recebera pessoalmente, ou de como suas orações haviam sido respondidas.
Era como se já soubesse de tudo, e como era poderoso seu louvor ao Senhor! Foi tão fácil para mim louvar ao Senhor junto com ele, e falar com Deus da bênção que me enviara.

Conversei muito pouco com ele naquela conferência. Sabia muito pouco sobre ele, e estranhamente, não tive desejo de dirigir-lhe pergunta alguma. Mas um novo poder entrara na minha vida, humilhando-me e dando-me uma visão completamente nova da vida de um missionário, ou até mesmo da vida de um cristão. O ideal que me foi revelado naquela época nunca se perdeu, pelo contrário, com o passar dos anos, há um anseio cada vez mais profundo de atingi-lo.

Conversei com alguns missionários sobre Hyde, e descobri que antes muitos não o haviam compreendido, mas agora seus olhos estavam sendo abertos ao fato de que este não era um obreiro comum, mas alguém especialmente revestido com o espírito de oração, dado por Deus para a índia para ensinar as pessoas a orar.

Anos depois, perguntei-lhe se naquela época ele havia percebido que os missionários não estavam a favor da quantidade de tempo que passava em oração. Com aquele sorriso doce que eu jamais poderei esquecer, ele respondeu: “Oh sim, eu sabia, mas era porque não me compreendiam, só isto. Não era intenção deles ser antipáticos comigo.” Não pude detectar nele um átomo de amargura. E realmente agora os missionários já falavam da suas longas vigílias de oração com aprovação.

Provavelmente Hyde não passou uma noite dormindo durante aquela primeira conferência em que estivemos juntos, e o Senhor o honrou. Ele não apareceu diante do povo, mas em resposta a suas orações, muitos foram abençoados. Creio que uma nova era na história da Missão, e na história da província de Punjab, foi inaugurada naquela época.

 

Orando no Espírito

 

Logo no início de 1882, tive uma experiência que elevou minha vida a um novo patamar de compreensão e poder. As demandas de uma tarefa impossível estavam despertando em mim um imenso senso de necessidade. Não tinha poder nem força para servir e muito menos para orar.

Antes disso, pensava que já soubesse como orar, pois já havia orado muito pela obra à qual o Senhor me enviara. Já ouvira testemunhos, mas fechara meus ouvidos. Eram de pessoas que foram empurradas para Deus pela falta de poder, e que sempre associaram o poder de Deus com uma experiência de santidade, o que não me interessava muito. Eu estava atrás de poder. Queria poder para ser bem-sucedido, pois meu interesse no poder era por causa do sucesso que traria. Queria sucesso que viesse a encher a capela, salvar pessoas, e trazer abaixo as imensas fortificações de Satanás com um grande estrondo.

Eu era jovem, e tinha pressa. Junto com mais onze pessoas, começamos a orar. Deus nos levou ao Pentecoste. Despertou minha mente, e também purificou meu coração. Recebi uma nova alegria, um novo poder, um novo amor e uma nova compaixão. Ganhei uma nova Bíblia e uma nova mensagem. Acima de tudo, tive uma nova compreensão e uma nova intimidade em comunhão e no ministério de oração; aprendi a orar no Espírito.

 

A Cooperação do Espírito

 

A obra do Espírito Santo é sempre realizada em cooperação. Ele nunca trabalha sozinho. Depende da cooperação humana para transmitir sua mente, manifestar sua verdade e operar eficazmente. Ele habita no Corpo de Cristo, assim como Cristo habitou no corpo que lhe foi preparado pelo Espírito Santo. Revelação veio do Espírito da Verdade, enquanto homens de Deus foram inspirados por ele. A Palavra é dele, mas foi escrita com mãos de homens.

Esta mesma dupla ação se encontra em toda a obra de redenção por Cristo Jesus. Nosso Senhor nasceu de uma mulher, mas foi concebido pelo Espírito Santo de Deus. Cresceu em estatura e em conhecimento na casa de José, mas foi instruído e guiado pelo Espírito Santo. Seus ensinamentos e ministério foram no poder do mesmo Espírito. Ele se ofereceu sem mancha a Deus pelo Espírito Eterno, e foi o Espírito que levantou Cristo dos mortos.

Existe a mesma cooperação em toda a experiência da salvação. Há sempre um fator humano e um fator divino. Há dois fatores no testemunho, dois fatores na direção divina, dois fatores na obra de Deus, e dois fatores na intercessão. Oramos no Espírito, e o Espírito faz intercessão por nós.

 

A Comunhão do Espírito na Oração

O Espírito Santo não faz nada de si mesmo, nem faz coisa alguma por si mesmo. Sua missão é glorificar a Cristo, e tudo que faz se baseia na obra consumada de Cristo. Ele não pôde ser dado até que Jesus fosse glorificado, e na experiência pessoal não pode haver um Pentecoste até que haja uma Coroação. O Espírito é o presente de Coroação de Jesus, a quem o Pai tornou tanto Senhor como Cristo.

A comunhão do Espírito na oração se torna possível por uma experiência em Cristo. A seqüência está no capítulo 8 de Romanos (v. 9 a 27). Aqueles que oram no Espírito precisam estar no Espírito, e se o Espírito de Deus vai fazer intercessão por nós, é necessário que ele habite em nós. Se vivermos segundo a carne, morreremos, mas se formos guiados pelo Espírito e não andarmos segundo a carne, mas segundo o Espírito, então o Espírito habita em nós, vive através de nós, e trabalha através de nós.

Então acontece o que está escrito: ‘Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (Rm 8.26-27).

O Espírito Santo sonda as profundezas de Deus; toma as coisas de Cristo e as revela a nós. O Espírito conhece a mente de Deus; oramos no Espírito, instruídos e inspirados por ele, e ele intercede por nós com uma intercessão sem palavras. Esta é a explicação do Novo Testamento sobre a oração que prevalece.

Embora eu não soubesse disso até alguns anos depois, foi exatamente o que me aconteceu quando Deus me deu uma nova compreensão, uma nova alegria, e um novo poder na oração. Uma nova Pessoa entrou num novo templo, e estabeleceu um novo altar. Assim vivo, mas não eu; assim oro, entretanto não eu. Oro no Espírito, e o próprio Espírito também faz intercessão. O Espírito no meu espírito ora.

fonte jornal o arauto da sua vinda

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net