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estudo e comentario de 1 Timótio (parte N.3)
estudo e comentario de 1 Timótio (parte N.3)

                   ESTUDO E COMENTARIO DE 1 TIMÓTIO N.3

 

Qualificações dos Presbíteros (3.1-7)

 

Até este ponto Paulo falou de algumas preocupações concernentes à comunidade, no culto, e corrigiu alguns abusos gerados pelas atividades dos presbíteros heréticos. Agora, ele se volta para os próprios presbíteros e estabelece algumas qualificações para o "ofício".

Ele começa, nos VV. 1-7, com um grupo chamado episkopoi ("super­visores" ); a seguir, nos vv. 8-13, passa para um grupo chamado diakonoi (" servos"," diáconos"), com uma nota também sobre algumas mulheres no v. 11. É de todo provável que ambos os ofícios, o de presbítero (supervisor) e o de "diácono" estejam sob a categoria mais ampla presbyteroi ("anciãos", ou "presbíteros"). Em qualquer caso, a evidên­cia que temos de Atos 20:17 e 28, e de Tito 1:5 e 7 indica que os termos episkopoi, "supervisores" (At 20:28; Tt 1:7), e presbyteroi, "pres­bíteros", "anciãos" (At 20:17; Tt 1:5), são parcialmente intercambiáveis. Assim, pelo menos os supervisores(episkopoi) deste primeiro parágrafo são presbíteros da igreja.

Convém notar que em contraste com Tito (1:5), Timóteo não foi deixado em Éfeso para designar presbíteros. Em verdade, tudo em Timóteo, bem como a evidência de Atos 20, indica que já havia presbí­teros nessa igreja. Por que, pois, esta instrução? Novamente, a evidência aponta para o caráter e para as atividades dos falsos mestres. Quanto a isto, duas coisas devem ser notadas: Primeira, muitos dos itens constantes da lista estão em nítido contraste com o que está escrito algures na carta acerca dos falsos mestres. Segunda, a lista em si tem três aspectos notáveis:

(1) Ela dá as qualificações, e não os deveres;

(2) a maioria dos itens reflete o comportamento exterior, observável; e

(3) nenhum dos itens é distintamente cristão (p.e., amor, fé, pureza, perseverança; cp. 4:12; 6:12); antes, refletem os mais elevados ideais da filosofia moral helenística. Uma vez que a passagem toda aponta para o v. 7, com o qual conclui, isto é, concerne à reputação da igreja entre os estranhos, isto sugere que os falsos mestres traziam, por seu comportamento, infâmia ao evangelho. Portanto, Paulo está preocupado não somente em que os presbíteros tenham virtudes cristãs (estas são presumidas), mas que também reflitam os mais elevados ideais da cultura.

Se estivermos corretos em identificar os falsos mestres como sendo presbíteros, o motivo por que Paulo estabelece este conjunto de instru­ções é que Timóteo deve cuidar de que os presbíteros vivam à altura de sua designação, isto é, por esses padrões. Ao mesmo tempo, é claro, a igreja toda estará ouvindo e, desse modo, recebendo as bases para disciplina dos presbíteros transviados, bem como para a substituição deles (cp. 5:22, 24-25).

 

3:1 A seção começa com nossa segunda palavra fiel (ditado, 1:15). Visto que a palavra em si pareceria um tanto pedante e porque o verbo "salvar" (cp. 1:15) surge em 2:15, alguns têm alegado que o versículo precedente é a palavra fiel digna de toda a aceitação. Porém, 2:15 não tem as características de "ditado", enquanto 3:1 tem, a despeito de seu conteúdo nada ter que ver com o credo. Talvez se tenha exagerado o conceito de "ditado", como se todos os "ditados" ou palavras dignas "de toda aceitação" estivessem circulando abertamente na igreja (como 1:15 talvez circulasse). Mais provável é que tais palavras se tenham tornado para Paulo uma espécie de fórmula de reforço: "O que vou dizer tem importância especial", ou, "pode ser aceito em geral como verda­deiro".

A palavra fiel em si é: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja. Parece emprestar algum crédito ao ponto de vista comumente aceito de que as pessoas estavam "candidatando-se ao cargo". Mas não existe nenhuma outra evidência no NT de que as pessoas "aspirassem a" posições de liderança na igreja. A pouca evidência que temos implica que os chefes de famílias dentre os mais antigos conver­tidos eram normalmente designados para tais posições (At 14:23; cp. 1 Co 1:16 e 16:15-16).

A palavra fiel, com efeito, concentra-se menos na pessoa e mais no cargo. Portanto, Paulo não está elogiando as pessoas que têm grande desejo de tornar-se líderes; ao contrário, ele está dizendo que o cargo de presbítero (episcopado) é questão sobremodo significativa, uma exce­lente obra, que deveria ser, na verdade, o tipo de tarefa à qual uma pessoa podia aspirar. Assim, a despeito das atividades de alguns, não é por essa razão que ele vai negar o cargo em si.

 

3:2-3 Considerando-se que aspirar ao episcopado é aspirar excelente obra, Paulo está interessado em que os presbíteros em Éfeso manifestem vidas verdadeiramente exemplares. O bispo, portanto, deve ser irre­preensível. Isso pareceria excluir qualquer aspirante ao cargo! A expres­são irrepreensível, porém, que se repete com referência às viúvas em 5:7 e ao próprio Timóteo em 6:14(num contexto escatológico), relacio­na-se com a conduta observável irrepreensível. Parece que o termo foi criado de modo que cobrisse a seguinte lista de onze virtudes ou quali­dades (na maioria, palavras no singular, no grego), que deveriam caracterizar um bispo.

O primeiro item da lista, marido de uma só mulher, é uma das frases verdadeiramente difíceis das EP (cp. 3:12; 5:9, sobre as "verdadeiras" viúvas, e Tt 1:6). Há, pelo menos, quatro opções:

Primeira, poderia exigir que o supervisor fosse casado. O apoio encontra-se no fato de que os falsos mestres proíbem o casamento, e Paulo insiste no casamento para as viúvas desviadas (5:14; cp. 2:15). Mas contra esta interpretação verifica-se que ela enfatiza o termo é necessário e a palavra mulher, enquanto o texto enfatiza a palavra uma. Talvez Paulo e Timóteo não fossem casados, e tal interpretação estaria em contradição com 1 Coríntios 7:25-38. Ademais, havia um pressuposto cultural segundo o qual as pessoas, em sua maioria, deveriam ser casadas.

Segunda, talvez o texto esteja proibindo a poligamia. Isto se acentua de modo correto pela expressão uma só mulher; contudo, a poligamia era característica tão rara na sociedade pagã que tal proibição seria insignificância inaplicável. De mais a mais, não pareceria ajustar-se à frase idêntica usada com referência às viúvas em 5:9.

Terceira, poderia estar proibindo um segundo casamento. Tal inter­pretação conta com o apoio de muitos dados: Ajustar-se-ia às viúvas de modo especial. Todos os tipos de evidência louvam as mulheres (a elas de modo especial e às vezes também os homens) que "se casaram uma única vez" e permaneceram "fiéis" a esse casamento, depois que seus parceiros morreram. Esta perspectiva proibiria, pois, o segundo casa­mento após a morte do cônjuge, mas também proibiria, é óbvio — talvez de modo especial — o divórcio e o novo casamento. Alguns eruditos (p.e., Hanson) tratam do texto como referindo-se somente a esta última interpretação.

Quarta, talvez o texto esteja exigindo fidelidade marital a uma só mulher (cp. GNB:" fiel à sua única esposa"). Neste caso, exige-se do bispo que viva uma vida matrimonial exemplar (o casamento fica implícito), fiel a uma só mulher numa cultura em que a infidelidade marital era comum e, às vezes, implícita. Seria, é natural, um meio de se eliminar a poligamia e o divórcio e novo casamento, mas não eliminaria, necessariamente, o novo casamento de um viúvo (embora esse ainda não fosse o ideal paulino; cp. 1 Co 7:8-9, 39-40). Embora ainda haja muito que ser dito a favor de uma ou de outro entendimento da terceira opção, a preocupação de que os líderes da igreja vivam vida matrimonial exemplar parece ajustar-se melhor ao contexto — dada a aparente desvalorização do casamento e da família apregoada pelos falsos mestres (4:3; cp. 3:4-5).

A próxima palavra, vigilante, muitas vezes se relaciona, no grego, ao uso de bebidas alcoólicas. Contudo, uma vez que está dito de modo específico no v. 3, não dado ao vinho, o termo vigilante talvez esteja sendo usado de maneira figurada, significando: "livre de todas as formas de excesso, paixão ou temeridade" (cp. 2 Tm 4:5). O bispo deve também ser sóbrio e honesto, palavras que muitas vezes ocorrem juntas nos escritos pagãos como elevados ideais de comportamento. Portanto, um líder cristão deve estar acima, e não abaixo, desses ideais.

É necessário que ... o líder da igreja seja ... também hospitaleiro. Esta era, de igual modo, uma virtude grega, mas constituía a expectação extrema de todos os cristãos da igreja primitiva (cp. 5:10; Rm 12:13; 1 Pe 4:9; Aristides, Apology 15). De igual modo... énecessá­rio... que ele também seja apto para ensinar. Este é o único item da lista que também implica deveres, assunto que se tornará claro em 5:17. Este adjetivo se repete em 2 Timóteo 2:24 e Tito 1:9, cujos contextos sugerem que apto para ensinar significa capacidade tanto para ensinar a verdade como para refutar o erro.

Ao acrescentar:... é necessário, pois, que o bispo seja não dado ao vinho, está Paulo também estabelecendo um contraste com os falsos mestres? Talvez não, em face do ascetismo observado em 4:3. Todavia, pode ser que tenham sido ascetas acerca de determinados alimentos, mas beberrões de vinho bastante indulgentes. Em qualquer caso, a embria­guez era um dos vícios comuns da Antigüidade, e poucos autores pagãos a verberam de modo aberto — somente contra outros "pecados" que pudessem acompanhá-la (violência, repreensão e xingação pública dos escravos, etc. ). O bispo não tem de ser, necessariamente, abstêmio (5:23), mas tampouco deve ser dado ao vinho (cp. 3:8; Tt 1:7); o alcoolismo é condenado nas Escrituras de modo insistente.

As próximas três qualidades talvez andem juntas e, deveras, parecem refletir o comportamento dos falsos mestres.... Énecessário, pois, que o bispo seja... não espancador, mas moderado, inimigo de contendas. A descrição dos falsos mestres em 6:3-5, bem como em 2 Timóteo 2:22-26 (cp. Tt 3:9), dá a entender que esses homens são dados a dissensões e a brigas. O verdadeiro presbítero deve ser moderado, mesmo quando corrige os oponentes (2 Tm 2:23-25).

A lista conclui com não ganancioso. De acordo com 6:5-10, a ganância se revela um dos "pecados mortais" dos falsos mestres, dire­tamente responsável pela ruína deles. Assim, uma advertência contra a avareza aparece em todas as listas de qualificações para liderança (3:8; Tt 1:7; cp. At 20:33).

 

3:4-5 Paulo agora passa, nos vv. 4-7, a falar sobre três outras preocupações. O líder da igreja deve ter família exemplar (vv. 4-5), não deve ser recém-convertido (v. 6), mas deve ser pessoa de boa reputação entre os de fora (v. 7). Estes qualificativos talvez também reflitam a situação em Éfeso.

Esta passagem apenas supõe, também, que o episkopos será casado (mas não o exige; cp. v. 2). Não somente isso, mas a sociologia do primeiro século também torna muitíssimo provável que os que eram designados "supervisores" nas igrejas primitivas, levando-se em conta, de modo especial, que estamos tratando com igrejas em lares, eram, com efeito, os chefes das "casas" onde as igrejas se reuniam. Desse modo, como está implícito no v. 5, prevalece o mais estreito relacionamento entre família e igreja. O homem que fracassa no primeiro caso (família) é, por isso mesmo, desqualificado para o outro (igreja). Em verdade, conforme 3:15 e 5:1-2 indicam, a palavra oikos "lar"; NIV, família; ECA, casa) para Paulo é metáfora rica que subentende "igreja".

Portanto, o bispo que governe bem sua própria casa, porque ele também cuidará da igreja de Deus. O verbo governar é usado de novo com referência aos presbíteros em 5:17 (NIV, "dirigir" [como foi usado anteriormente em 1 Ts 5:12, onde é traduzido "presidir";NIV," estão sobre" ]), verbo que tem o sentido de " comandar, governar", ou "estar preocupado com, cuidar de" (cp. "devotar-se a" em Tt 3:8). A pista para seu significado aqui está em entender o verbo acompanhante com referência à igreja, no v. 5, "cuidar de", que carrega a força total da expressão idiomática em inglês. Em outras palavras, "cuidar de" implica. tanto a liderança (orientação) como o interesse atencioso. No lar e na igreja, a orientação e o interesse atencioso não têm validade se um não estiver ligado ao outro.

O bom presbítero será conhecido por exercer uma liderança tal, no lar, que tem seus filhos sob disciplina, com todo o respeito(lit., "tem filhos em submissão", como 2:11). A força da frase com todo o respeito talvez signifique não tanto que eles obedecerão comrespeito, mas que eles serão conhecidos tanto por sua obediência como por seu bom comportamento. Em Tito 1:6 a idéia é mais esmerada ainda, de modo que sugere serem esses filhos bons crentes, ao lado da preocupação pela reputação entre os de fora. Há tênue linha entre exigir obediência e obtê-la. O líder de igreja, que na verdade deve exortar as pessoas à obediência, não "governa" a família de Deus por essa razão. Ele "cuida dela" de tal modo que seus "filhos", isto é, os filhos da igreja, serão conhecidos por sua obediência e bom comportamento.

 

3:6 / Portanto, o líder da igreja, também não deve ser neófito, metáfora que no grego significa literalmente "uma pessoa plantada há pouco tempo". Conforme se repetirá de modo diferente em 5:22, o episkopos deve ser maduro na fé. O motivo para que assim seja é o grande perigo de envaidecimento: para que não se ensoberbeça. Uma vez que é precisamente isto que se diz dos falsos mestres em 6:4 (cp. 2 Tm 3:4), perguntamo-nos se alguns deles eram neófitos (convertidos recen­tes), cujos "pecados... são manifestos antes... os de outros, manifestam-se depois" (5:24).

Em qualquer caso, para que não se ensoberbeça significa também não cair na condenação do diabo. Embora o grego de Paulo seja um tanto ambíguo (lit., "cair no julgamento do diabo"), talvez a linguagem esteja refletindo o tema comum de que no ministério de Cristo, de modo especial na sua morte e ressurreição, Satanás sofreu sua derrota decisiva, que será finalizada plenamente no fim (cp. Ap12:7-17 e 20:7-10).

 

3:7 Finalmente, Paulo chega à questão de que o líder da igreja deve ser pessoa que tenha bom testemunho dos que estão de fora. Conforme foi notado na discussão de 2:2, esta é uma preocupação genuinamente paulina no NT. Em verdade, esta preocupação é que coloca em perspec­tiva essa lista de atributos. Tal lista tem que ver com o comportamento observável, constituindo testemunho paraos de fora. Como no v. 6, O grego de Paulo não é bem claro, mas parece que a ênfase está em que uma reputação má junto ao mundo pagão fará que o episkopos caia em opróbrio, isto é, será difamado e, com ele, a igreja; e isso seria equiva­lente a cair no laço do diabo.É laço armado pelo diabo o mau comportamento dos líderes da igreja, de tal modo que os de fora não se motivarão a ouvir o evangelho. Perguntamo-nos de novo se a ganância e a conduta abusiva dos falsos mestres não estão trazendo opróbrio à casa de Deus em Éfeso, especialmente quando se considera que Paulo havia sido acusado assim em Tessalônica (1 Ts 2:1-10) e que os moralistas pagãos em particular condenavam tais atividades entre os "falsos" filósofos.

 

Bibliografia D. Fee

 

QUALIFICAÇÕES MORAIS DO PASTOR

 

 

 

1Tm 3.1,2 “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar.”

 

Se algum homem deseja ser “bispo” (gr. episkopos, i.e., aquele que tem sobre si a responsabilidade pastoral, o pastor), deseja um encargo nobre e importante (3.1). É necessário, porém, que essa aspiração seja confirmada pela Palavra de Deus (3.1-10; 4.12) e pela igreja (3.10), porque Deus estabeleceu para a igreja certos requisitos específicos. Quem se disser chamado por Deus para o trabalho pastoral deve ser aprovado pela igreja segundo os padrões bíblicos de 3.1-13; 4.12; Tt 1.5-9. Isso significa que a igreja não deve aceitar pessoa alguma para a obra ministerial tendo por base apenas seu desejo, sua escolaridade, sua espiritualidade, ou porque essa pessoa acha que tem visão ou chamada. A igreja da atualidade não tem o direito de reduzir esses preceitos que Deus estabeleceu mediante o Espírito Santo. Eles estão plenamente em vigor e devem ser observados por amor ao nome de Deus, ao seu reino e da honra e credibilidade da elevada posição de ministro.

 

(1) Os padrões bíblicos do pastor, como vemos aqui, são principalmente morais e espirituais. O caráter íntegro de quem aspira ser pastor de uma igreja é mais importante do que personalidade influente, dotes de pregação, capacidade administrativa ou graus acadêmicos. O enfoque das qualificações ministeriais concentra-se no comportamento daquele que persevera na sabedoria divina, nas decisões acertadas e na santidade devida. Os que aspiram ao pastorado sejam primeiro provados quanto à sua trajetória espiritual (cf. 3.10). Partindo daí, o Espírito Santo estabelece o elevado padrão para o candidato, i.e., que ele precisa ser um crente que se tenha mantido firme e fiel a Jesus Cristo e aos seus princípios de retidão, e que por isso pode servir como exemplo de fidelidade, veracidade, honestidade e pureza. Noutras palavras, seu caráter deve demonstrar o ensino de Cristo em Mt 25.21 de que ser “fiel sobre o pouco” conduz à posição de governar “sobre o muito”.

 

(2) O líder cristão deve ser, antes de mais nada, “exemplo dos fiéis” (4.12; cf. 1Pe 5.3). Isto é: sua vida cristã e sua perseverança na fé podem ser mencionadas perante a congregação como dignas de imitação.

(a) Os dirigentes devem manifestar o mais digno exemplo de perseverança na piedade, fidelidade, pureza em face à tentação, lealdade e amor a Cristo e ao evangelho (4.12,15).

(b) O povo de Deus deve aprender a ética cristã e a verdadeira piedade, não somente pela Palavra de Deus, mas também pelo exemplo dos pastores que vivem conforme os padrões bíblicos. O pastor deve ser alguém cuja fidelidade a Cristo pode ser tomada como padrão ou exemplo (cf. 1Co 11.1; Fp 3.17; 1Ts 1.6; 2Ts 3.7,9; 2Tm 1.13).

 

(3) O Espírito Santo acentua grandemente a liderança do crente no lar, no casamento e na família (3.2,4,5; Tt 1.6). Isto é: o obreiro deve ser um exemplo para a família de Deus, especialmente na sua fidelidade à esposa e aos filhos. Se aqui ele falhar, como “terá cuidado da igreja de Deus?” (3.5). Ele deve ser “marido de uma [só] mulher” (3.2). Esta expressão denota que o candidato ao ministério pastoral deve ser um crente que foi sempre fiel à sua esposa. A tradução literal do grego em 3.2 (mias gunaikos, um genitivo atributivo) é “homem de uma única mulher”, i.e., um marido sempre fiel à sua esposa.

 

(4) Conseqüentemente, quem na igreja comete graves pecados morais, desqualifica-se para o exercício pastoral e para qualquer posição de liderança na igreja local (cf. 3.8-12). Tais pessoas podem ser plenamente perdoadas pela graça de Deus, mas perderam a condição de servir como exemplo de perseverança inabalável na fé, no amor e na pureza (4.11-16; Tt 1.9). Já no AT, Deus expressamente requereu que os dirigentes do seu povo fossem homens de elevados padrões morais e espirituais. Se falhassem, seriam substituídos (ver Gn 49.4; Lv 10.2; 21.7,17; Nm 20.12; 1Sm 2.23; Jr 23.14; 29.23).

 

(5) A Palavra de Deus declara a respeito do crente que venha a adulterar que “o seu opróbrio nunca se apagará” (Pv 6.32,33). Isto é, sua vergonha não desaparecerá. Isso não significa que nem Deus nem a igreja perdoará tal pessoa. Deus realmente perdoa qualquer pecado enumerado em 3.1-13, se houver tristeza segundo Deus e arrependimento por parte da pessoa que cometeu tal pecado. O que o Espírito Santo está declarando, porém, é que há certos pecados que são tão graves que a vergonha e a ignomínia (i.e., o opróbrio) daquele pecado permanecerão com o indivíduo mesmo depois do perdão (cf. 2Sm 12.9-14).

 

(6) Mas o que dizer do rei Davi? Sua continuação como rei de Israel, a despeito do seu pecado de adultério e de homicídio (2Sm 11.1-21; 12.9-15) é vista por alguns como uma justificativa bíblica para a pessoa continuar à frente da igreja de Deus, mesmo tendo violado os padrões já mencionados. Essa comparação, no entanto, é falha por vários motivos.

(a) O cargo de rei de Israel do AT, e o cargo de ministro espiritual da igreja de Jesus Cristo, segundo o NT, são duas coisas inteiramente diferentes. Deus não somente permitiu a Davi, mas, também a muitos outros reis que foram extremamente ímpios e perversos, permanecerem como reis da nação de Israel. A liderança espiritual da igreja do NT, sendo esta comprada com o sangue de Jesus Cristo, requer padrões espirituais muito mais altos.

(b) Segundo a revelação divina no NT e os padrões do ministério ali exigidos, Davi não teria as qualificações para o cargo de pastor de uma igreja do NT. Ele teve diversas esposas, praticou infidelidade conjugal, falhou grandemente no governo do seu próprio lar, tornou-se homicida e derramou muito sangue (1Cr 22.8; 28.3). Observe-se também que por ter Davi, devido ao seu pecado, dado lugar a que os inimigos de Deus blasfemassem, ele sofreu castigo divino pelo resto da sua vida (2Sm 12.9-14).

 

(7) As igrejas atuais não devem, pois, desprezar as qualificações justas exigidas por Deus para seus pastores e demais obreiros, conforme está escrito na revelação divina. É dever de toda igreja orar por seus pastores, assisti-los e sustentá-los na sua missão de servirem como “exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (4.12).

 

            Bibliografia Bíblia Pentecostal

 

O PERIGO DO ASCETICISMO DESCOMEDIDO, 4.1-5

 

Surgirão Falsos Ensinos (4.1,2)

O apóstolo passa a tratar dos falsos ensinos que vinham infestando a igreja em Éfeso, cuja dificuldade ele alude no capítulo 1. O erro sempre se opõe à verdade do evangelho, conflito ao qual Deus prepara a sua igreja: Mas o Espírito expressamen­te diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé (1). Paulo está se refe­rindo ao Espírito Santo, que é o espírito de profecia. E impossível determinar que profecia em particular o escritor tinha em mente. Às vezes, o apóstolo era movido pelo Espírito para profetizar. Um dos numerosos exemplos dessa inspiração envolvia esta igreja efésia, onde Timóteo servia: "Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípu­los após si" (At 20.29,30). Este desdobramento, tão claramente previsto poucos anos antes, está próximo; na verdade, já começou. Guthrie entende que 'nos últimos tem­pos' é expressão que indica um futuro mais iminente que 'nos últimos dias' (usado em 2 Tm 3.1). [...] Como é comum ocorrer em declarações proféticas, o que é predito acerca do futuro concebe-se que já está em operação no presente, assim as palavras têm signi­ficação contemporânea específica".

Não só amanhã, mas esta levedura de erro está em ação hoje. Alguns já se desvia­ram da fé, seduzidos pelos "estratagemas de Satanás e seus aliados" (Kelly). Paulo denomina essas forças sobrenaturais de "principados, [...] potestades, [...] príncipes das trevas deste século, [...] hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (Ef 6.12). A palavra grega traduzida por espíritos enganadores (1) significa, de fato, "curandeiros ambulantes" ou "vagabundos, errantes" (Simpson), indicando o poder de iludir e enga­nar. Esses espíritos malignos empregam suas vítimas sucessivamente como agentes dos seus propósitos abomináveis. Prosseguindo na descrição destes agentes do erro, diz o apóstolo: Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência (2). O termo hipocrisia fala do esforço consciente e delibera­do em enganar, o conhecimento moral de que os ensinos que eles propagam sãomenti­ras. Esses indivíduos estão tão cegos pela incredulidade e são tão endurecidos de coração que a consciência não é mais capaz de exercer suas funções designadas. Ela está cauterizada. Em Efésios 4.19, o apóstolo descreve a pessoa nesta condição moral: "havendo perdido todo o sentimento".

 

Asceticismo Sem Sentido (4.3-5)

Paulo define dois detalhes do ensino que ele está denunciando: Proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças (3). Esta proibição de casar-se e comer certos alimentos mostra que o erro que ganhara posição segura na igreja em Éfeso era um tipo inicial de gnosticismo. O principal ata­que do gnosticismo em busca de um lugar de influência na igreja primitiva ocorreu somente no século II. Mas uma forma incipiente desta heresia, forma de caráter am­plamente judaico, já havia assumido proporções ameaçadoras no século I. Todas as formas de gnosticismo defendiam em comum a idéia de um dualismo fundamental entre matéria e espírito. Isto significava que tudo que pertencesse ao corpo era intrinsecamente mau. Estes mestres mal orientados promoviam um asceticismo rígido e es­sencialmente falso. Seus adeptos tinham de evitar o casamento e praticar a absti­nência de certos alimentos.

O primeiro destes dois ensinos Paulo condena, mas, como ressalta Kelly, "não refuta por argumentação. A explicação provável é que ele já deixara perfeitamente clara sua posição acerca da naturalidade e decoro do casamento, quando falou das qualidades exigidas para os detentores de cargos". E verdade que o apóstolo preferia para si o estado de solteiro ao de casado, e que ao escrever aos crentes coríntios (1 Co 7) ele sugere que seria melhor que outros cristãos seguissem seu exemplo. Contudo, a razão para este julgamento estava muito longe das opiniões errôneas às quais ele se opunha em Éfeso. No texto Coríntio, ele destaca a "instante necessidade" (1 Co 7.26) e lembra os leitores que "o tempo se abrevia" (1 Co 7.29). Ambas as passagens são, ao que parece, insinuações veladas à expectativa paulina da vinda próxima de Cristo. Em vista do fato de que "a aparência deste mundo passa" (1 Co 7.31), muitas coisas que em si são certas e adequa­das assumem importância secundária, entre elas a questão do celibato e casamento. Mas ele não pôde ser tolerante com a proibição do casamento pela razão errada, como ocorria em Éfeso.

Contra o segundo falso ensino — a abstinência de certos alimentos —, o apóstolo apresenta razões cuidadosamente argumentadas: Porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças (4). Paulomantém sua posição de liberdade das proibições impostas pelos rituais dos judeus. Estas proibições tinham sido ab-rogadas claramente pela visão de Pedro no terraço da casa em Jope (At 10.9-16). A única estipulação que Paulo estabeleceu concernente ao dom divino de alimentos nutritivos era que fosse recebido com ações de graças. E a maneira em que tais ações de graças devem ser expressas é, pelo menos, sugerida: Porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada (5; "consagrado", CH; "sagrado", NEB). É evidente que dar graças antes das refeições era um dos costumes mais antigos da igreja. Pelo visto, além da oração de ações de graças, era costume de os crentes primi­tivos empregarem trechos das Escrituras em suas expressões de gratidão a Deus. A ora­ção de ações de graças antes de participar dos alimentos, por mais escassa que seja a comida, é a obrigação mínima do cristão. E não há oração de ações de graçasmais adequada que a que João Wesley e seus pregadores empregavam:

Invocamos tua presença a esta mesa, Senhor; Aqui e em todos os lugares te adoramos; Abençoa-nos, e concede que participemos contigo do banquete no Paraíso.

 

               Bibliografia C. B. Beacon

 

Refutado o Falso Asceticismo (4:1-5)

 

Pela primeira vez Paulo torna-se espe­cífico a respeito do problema dos efésios. Ele lança sua refutação em forma de profecia, uma forma "profundamente arraigada no pensamento cristão primi­tivo (Kelly; cf. Mc 13:22; At 20:29,30; II Ts 2:3, 11 e s.; II Tm 3:1 e ss.; Ap 13). Os essênios, que podem ter sido o canal para o erro efésio, regular­mente usavam este estilo para comentar os eventos contemporâneos; e Paulo, aqui, provavelmente não tinha em mente um problema futuro, mas imediato, como o demonstra a sua refutação nos versos 3 a 5.

A palavra traduzida como expressa­mente, em todo o Novo Testamento usa­da apenas aqui, aparece várias vezes na Primeira Apologia de Justino Mártir (35:10; 63:11), para introduzir uma profecia do Velho Testamento. Sem dúvida, Paulo está aludindo a um profeta vivo, inspirado pelo Espírito, como em At 11:27 e s., 13:1 e s. e I Co 14. Em tempos posteriores significa "nos últimos tempos", isto é, entre a primeira e a segunda vindas de Cristo, como em II Tm 3:1.

Paulo atribui a apostasia deliberada de "alguns" ao fato de darem ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios. Isto pode significar (1) que os mestres errôneos gastavam muito tempo falando acerca de espíritos malignos e demônios. Colossenses 2:8 e ss., atesta o fato de que houve debates semelhantes em Colossos. O Rolo de Guerra de Qumran propicia amplos subsídios no judaísmo para essas discussões. No entanto, muitos eruditos (2) interpretam essa referência a demô­nios no sentido subjetivo. Isso daria a entender que, como em II Coríntios 2:11 e 4:4, Paulo crê que Satanás e suas hostes demoníacas haviam assumido o controle deles, resultando daí que o ensino deles era demoníaco (cf. Jeremias).

Seja como for, como homens, eles agiam pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria cons­ciência cauterizada. O seu problema relaciona-se com uma consciência fraca ou contaminada. Há outra forma de inter­pretar o verbo traduzido como cauteri­zada. O Diabo os levou cativos (3:6,7) e colocou a sua marca neles, em lugar da marca de Cristo.

A má consciência leva a dois erros: (1) proibição do casamento e (2) abstinência de certos alimentos. O celibato era prati­cado pelos essênios. As leis dietéticas consistiam parte importante do pensa­mento judaico primitivo, e figuravam decisivamente nas tensões entre os cris­tãos judeus e gentios (cf. Gl 2; At 15). Paulo não se dá ao trabalho de refutar a primeira opinião, pois já tornara a sua posição clara em 2:15. Ele a reafirmará em 5:14 e em Tito 2:4. O problema dietético, talvez, o mesmo que em Roma­nos 14:1 e s. e Colossenses 2:20-23, é atacado citando a maneira como o Anti­go Testamento entende a criação e o conceito cristão de ação de graças. (1) Os alimentos são bons visto que foram cria­dos por Deus, pois todas as coisas cria­das por Deus são boas (Gn 1:31). (2) Eles são bons também quando recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade, isto é, os crentes, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas. Assim Paulo insiste também em Roma­nos 14:6, I Coríntios 10:30 e Filipenses 4:6. A palavra de Deus pode significar: (1) a palavra falada por ocasião da criação em Gênesis 1, (2) certas palavras das Escrituras usadas em orações ou ações de graças (v.g., Sl 145:15,16),. ou (3) sim­plesmente a oração propriamente dita. O que Paulo quer dizer é: quando se dá ação de graças à hora das refeições, o próprio Deus santifica novamente a comida, como por um novo ato de criação. O fato é que ele continua sempre a sua atividade criadora; na oração, partici­pamos com ele dessa atividade, e goza­mos dos seus benefícios.

 

Bibliografia G. Hinson

 

A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA (5.1-25)

 

A MOCIDADE DEVE RESPEITAR A VELHICE (5.1,2)

 

Com o início do capítulo 5, Paulo lança instruções de natureza mais específica dirigidas a Timóteo como pastor e líder da igreja em Efeso. O apóstolo interessa-se, sobretudo, que Timóteo prossiga alegremente e de modo acima de repreensão com todos os grupos ido­sos sob sua responsabilidade. Não repreendas asperamente os anciãos, mas admo­esta-os como a pais (1). A igreja de então como a de hoje era composta de homens e mulheres de todas as faixas etárias. O sucesso ministerial de Timóteo e a felicidade da igreja dependiam, em grande parte, de sua habilidade manifesta em lidar com cada um destes grupos. Este fato era particularmente importante para um jovem pastor como Timóteo, quando surgissem problemas envolvendo os membros mais velhos da congre­gação. A advertêncianão repreendas asperamente não se relaciona com os ministros ordenados na igreja, "não com os 'anciãos' no sentido eclesiástico, mas com os homens mais velhos na comunidade cristã".

Nenhum ministro ordenado tem o direito de invocar esta palavra de Paulo para escapar de ser repreendido por alguma loucura cometida. A diretiva do apóstolo visa somente orientar um jovem em seus procedimentos com pessoas mais velhas. O verbo grego traduzido por repreendas asperamente é bem forte ("nunca sejas severo com um ancião", NEB; "não repreendas duramente o ancião", BJ). Isto não quer dizer que a correção e disciplina não tenham lugar nas atividades do pastor. Antes, enfatiza a impor­tância de tato ao lidar com casos que exijam correção e melhoria. Ninguém exibiu esta qualidade essencial mais magnificamente que o próprio Paulo. Por exemplo, ao escrever a Epístola a Filemom (obra excelentemente perfeita), rogando misericórdia e perdão por Onésimo, ele diz: "Ainda que eu sinta plena liberdade em Cristo para te ordenar o que convém, prefiro, todavia, solicitar em nome do amor" (Fm 8,9, RA). O conselho de Paulo a Timóteo está de acordo com sua prática. Em vez de repreender o mais velho, solicite-lhe; "apela a ele como se ele fosse teu pai" (NEB; cf. CH).

O mesmo verbo grego, traduzido por admoesta (ou "apele", CH), rege as três frases restantes nos versículos 1 e 2: Aos jovens, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães, às moças, como a irmãs, em toda a pureza. E inequívoco que a analogia da família está na mente do apóstolo quando ele define estas relações sociais delicadas. A igreja é a família ou casa de Deus, e o amor que une cada um ao outro nessa comunidade é como o amor de pais e filhos, de irmãos e irmãs. Se não nos esquecêssemos disso e fosse exemplificado por todos os interessados na igreja de Cristo, veríamos o fim de erros e discussões que tão freqüentemente dividem a igreja.

Falando da relação de Timóteo com as mulheres mais jovens, o apóstolo adiciona a frase significativa em toda a pureza (2). Scott é exato ao observar que "a mais delicada de todas as relações nas quais [...] [Timóteo] foi colocado, como conselheiro espiritual, seja mencionada primorosamente em palavras simples que dizem tudo". Quantos ho­mens ao longo dos séculos acabaram com seu ministério de modo vergonhoso e cheios de remorso por não atenderem esta palavra!

 

 

 Três grupos específicos no capitulo 5

 

Função do Ministro quanto a Grupos Específicos (5:1,2)

 

Tendo esboçado, em termos gerais, o que se deve esperar dos pastores, no tocante ao seu trabalho e no tocante à sua lealdade e dedicação a Cristo, o escritor sagrado passa a considerar as relações que os pastores devem manter para com diversos grupos na igreja. Antes de tudo, o pastor deve lembrar-se que todos esses grupos de pessoas fazem parte da família de Deus, pelo que também merecem uma atenção bondosa e grande consideração, tudo alicerçado sobre o amor, que deveria ser a força motivadora de tudo quanto é feito na igreja. Essa qualidade do amor cristão deveria ser possuída pelos pastores mais do que por quaisquer outros, visto serem os pastores os principais representantes de Cristo na comunidade cristã. Os vários grupos especificados, nos versículos, que se seguem, parecem ser agrupamentos «informais», e não formais, como se «patentes» diversas estivessem sendo abordadas. Isso explica a paráfrase de Lock (inloc): «Se tiveres de corrigir a alguém, adapta a correção à idade desse alguém. Nunca repreendas severamente a um homem idoso, mas apela para ele como se fosse teu próprio pai; a jovens como se fossem teus irmãos; a mulheres idosas, trata como a mães; a donzelas, como irmãs, com pureza de pensamento, nas palavras e nas ações».

O décimo versículo deste capítulo usa definidamente o termo grego «presbuteroi», isto é, «anciãos», no sentido formal de anciãos da igreja, ou seja, pastores e outros líderes principais. Seja como for, o que é determinado aqui é a forma como os pastores devem tratar dos homens idosos, o que, naturalmente, se aplica a homens idosos que também sejam líderes da igreja.

 

A Ordem das Viúvas em Relação à Igreja (5:3-16).

 

O grande espaço conferido a esta questão, mostra-nos a sua grande importância. O judaísmo sempre teve o cuidado de cuidar dos órfãos e das viúvas, enfatizando a necessidade da doação de esmolas aos pobres, e isso tanto dentro da comunidade religiosa como fora dela.

Naquela época, tal como agora, as mulheres geralmente tinham vidas terrenas mais longas que os homens, e isso produzia certo número de mulheres idosas e dependentes, sem recursos financeiros, sem meios de se sustentarem, ainda que fossem saudáveis bastante para trabalhar. Naquele tempo não havia programas de previsão social, conforme se vê hoje em dia em muitas sociedades modernas. Portanto, cabia aos familiares das viúvas, ou aos membros da igreja, cuidarem de tais mulheres, quando fossem elas cristãs. Mas houve muitos abusos, porquanto viúvas mais jovens, que poderiam trabalhar ou casar-se novamente, se aproveitavam da possibilidade de viver «às custas» da igreja. Além disso, havia aquelas famílias egoístas que lançavam a carga do sustento de suas viúvas sobre a comunidade cristã, quando elas mesmas facilmente poderiam ter cuidado de suas viúvas necessitadas. Por causa de tais abusos é que surgiu a presente passagem.

O cuidado pelas viúvas e pelos órfãos é um aspecto natural da simpatia que os piedosos sentem pelos que sofrem e pelos desamparados. Essa foi sempre uma característica da sociedade judaica (ver Sl 68:6; Dt 10:18; 24:17; Is 1:17 e Lc 2:37); e essa atitude foi transferida para a igreja cristã (ver At 6:1 e Tg 1:27). Isso também é mencionado como parte das normas eclesiásticas, por parte de diversos dos pais da igreja, como Inácio (Esmirna 6), Justino Mártir (Apologia 67). Com freqüência, as viúvas formavam uma espécie de grupo distinto dentro da igreja, exercendo as funções de oração e de serviço prestado aos pobres; e assim se tornavam elementos úteis. (Ver At 9:39,41). Tertuliano (de Virg., v. 9) mostra-nos que havia listas oficiais de viúvas. Duas classes eram distinguidas entre elas: (1) Havia as que eram objeto de honra e caridade; e (2) havia aquelas que ocupavam posições de ofício ativo na igreja, juntamente com a ordem das diaconisas. Hipólito (Cân. 59 e 157) fala sobre muitos detalhes sobre esse particular, e como a questão era manuseada pelos primeiros crentes.

O texto presente parece dar a entender a existência de alguma espécie de lista oficial (ver o nono versículo). Esse texto adverte-nos contra aquelas que recebiam, indevidamente, a ajuda da irmandade, tanto do ponto de vista que eram jovens demais para serem classificadas como viúvas autênticas, visto que poderiam casar-se novamente (ver o décimo primeiro versículo deste capítulo), como do ponto de vista que seus familiares poderiam cuidar delas (ver o décimo sexto versículo). Outrossim, algumas não podiam fazer parte da lista de autênticas viúvas devido a defeitos morais, que serviam de opróbrio à igreja (ver os versículos décimo primeiro a décimo terceiro). O décimo versículo deste capítulo deixa entendido que as viúvas que gozassem de boa saúde, deveriam mostrar-se ativas em atos de caridade e não meras recebedoras da ajuda da congregação, não devendo elas ficarem ociosas, sem quaisquer deveres a cumprir. Poderíamos até mesmo supor que das fileiras das viúvas, nessa época e posteriormente, é que eram tiradas as «diaconisas», embora isso não seja diretamente declarado em parte alguma da Bíblia.

 

O Sustento e a Disciplina dos Ministros (5:17-25).

 

No primeiro versículo deste capítulo é usado o termo «ancião», referindo-se a algum «homem idoso»; e ali são dadas regras sobre como um «jovem pastor» deve tratar com o mesmo; havendo em seguida instruções acerca de outros grupos de idade. Mas, neste ponto, o «ancião» é um título eclesiástico, indicando um pastor, um dirigente da congregação local, juntamente com outros «anciãos», embora em posição inferior ao «bispo» ou «supervisor». É correto dizer-se que, no restante, do N.T., os «anciãos» e os «bispos» ou supervisores, são as mesmas pessoas, porquanto «ancião» e «supervisor» são termos sinônimos. Mas, nestas «epístolas pastorais», não se dá exatamente o mesmo.

Neste ponto, damos o comentário extraído do Word Studies, de autoria de Vincent, acerca desse assunto: «A opinião dos críticos modernos tem abandonado quase inteiramente o ponto de vista que o governo cristão original imitava o governo da sinagoga. As autoridades seculares e religiosas das comunidades judaicas, pelo menos em localidades puramente judaicas, eram as mesmas; e bastaria esse fato contra a probabilidade de tal norma ter sido diretamente transferida para a igreja cristã. As prerrogativas dos anciãos do judaísmo nada têm que correspondam ao que sucedia nas comunidades cristãs. Funções que emergem posteriormente, nas comunidades judaico-cristãs da Palestina, não existem na sociedade palestino-cristã inicial. Quando muito, segundo observa Wiezsacker, tudo se resumiu no empréstimo de um título corrente.

Penso que a crítica moderna compele-nos a abandonar a idéia que os títulos de bispo e ancião são idênticos, idéia essa que tem obtido larga aceitação, especialmente entre os eruditos ingleses, mediante as discussões de Lightfoot e Hatch. O testemunho de Clemente de Roma (Epístola aos Corintios) mostra que os bispos (egoúmenoi ou proegoúmenoi) eram distinguidos dos anciãos, e que se os bispos eram aparentemente designados como anciãos, isso se devia ao fato de terem aqueles sido escolhidos dentre os anciãos, tendo retido o mesmo nome, mesmo depois de terem deixado de manter o ofício. Por essa razão, os bispos falecidos eram chamados anciãos. Nos escritos de Clemente, os anciãos indicam uma classe ou estado—membros de longa data e de caráter aprovado, e não titulares de ofício, regularmente nomeados. Entre esses é que os bispos devem ser procurados. Os bispos são reputados anciãos, não porque um ancião, como tal, seja um bispo, mas porque um bispo, como tal, seja um ancião. Nas epístolas pastorais, os bispos e diáconos são associados uns aos outros, sem haver menção aos anciãos (ver I Tm 3:1-13). Os anciãos são referidos em I Tm 5:17-19, mas em uma conexão inteiramente diferente. As qualificações dos bispos e diáconos são detalhadas na primeira dessas passagens, e a lista de qualificações termina com a declaração de que assim estava organizada a igreja, como casa de Deus (ver os versículos catorze e quinze). Os ofícios são exauridos na descrição dos bispos e diáconos. Nada é dito acerca dos anciãos até o quinto capítulo desta primeira epístola a Timóteo, onde as relações de Timóteo, com membros individuais da igreja são prescritas; e em Tito 2:2 e ss., onde esses membros são descritos como 'homens idosos' (presbútas).Fica implícita certa distinção entre duas classes de bispos—aqueles que governam bem, e aqueles que não o fazem; mas a distinção é obviamente feita entre os membros de igreja antigos e honrados, coletivamente considerados, formando o corpo do presbitério, e certos dentre seu número, que mostram suas qualificações por terem sido nomeados como supervisores. Os anciãos, como tais, não estavam investidos de qualquer ofício. Não havia ato formal constitutivo dos anciãos. Os bispos eram contados entre os anciãos, mas estes últimos não formavam um ofício.

Dessa maneira, precisamos explicar as alusões aos anciãos 'nomeados' (em Tt 1:5 e At 14:23). Os anciãos devem ser nomeados como supervisores ou bispos, pois os supervisores devem ter as qualificações de anciãos aprovados. A consagração de anciãos consiste da dedicação de anciãos para a posição de supervisores. O presbitério denota um estado honroso e influente, na igreja, com base na idade, na duração como membro de igreja e no caráter aprovado. Somente os bispos eram 'nomeados'. Não havia nomeação para o presbitério. Ao término da epístola de Clemente aos Coríntios, as qualificações de um ancião são indicadas na descrição dos três comissários, enviados pela igreja romana, que eram os portadores da epístola, e aos quais nenhum título oficial foi conferido. Eram antigos membros da igreja romana, onde estavam desde a juventude, sem mácula na vida, crentes e sóbrios.

O falecido dr. Hort, em sua 'Ecclesia', afirmava que 'bispo' não era a designação de um ofício, e, sim, de uma função. Era uma descrição da função dos anciãos. Diz ele: 'Atualmente se reconhece bem geralmente... que não temos aqui (na palavra epískopos) um ofício diferente, mantido por alguma pessoa, em contraste com o plural «anciãos». E acrescenta ele: 'É dificilmente menos errôneo compreender (epískopos) como mero segundo título, capaz de ser usado intercambiavelmente com «presbúteros». (pág. 190)».

Além dessas distinções, feitas por Vincent, deveríamos salientar que os «bispos» ou «supervisores», nas «epistolas pastorais», estão investidos de maior esfera de governo que os «anciãos», pois Timóteo é apresentado como «bispo consagrado», o qual, portanto, tinha autoridade sobre um território ou distrito, e não meramente sobre alguma igreja local, que era o caso relacionado aos «anciãos». E embora talvez não houvesse supervisores com toda a autoridade e com todos os deveres atribuídos aos «bispos» posteriores, contudo, pelo tempo em que estas epístolas foram escritas, grandes passadas tinham sido dadas na formação de um autêntico bispado. E isso significa que o «bispo» era mais que uma palavra para indicar as funções de um ancião. Antes, trata-se de um vocábulo que indica autoridade superior à dos anciãos, ainda que não tivesse o total sentido que veio a adquirir nos meados do segundo século de nossa era, conforme se vê nas epístolas de Inácio.

A secção que se segue mostra-nos que apesar de todos os «anciãos» terem autoridade na igreja, fazendo parte do governo eclesiástico, alguns deles se ocupavam da pregação e do ensino. Os anciãos eram, essencialmente, oficiais administrativos, embora alguns tivessem também outras funções. Alguns dos anciãos, ou mesmo todos eles, recebiam algum pagamento da congregação local, por seus serviços mas os pregadores e mestres deveriam receber um mais amplo salário. (Ver os versículos dezessete e dezoito deste capítulo). É bem possível que muitos deles trabalhassem gratuitamente, conforme faziam os rabinos judeus mais espirituais, ou como faziam Paulo e Barnabé (ver I Co 9:6). Contudo, o ofício de ancião era visto como algo que merecia remuneração de alguma sorte. Com base nisso devemos supor que foi imposto um limite ao número dos homens que seriam reputados anciãos, em uma igreja local; e que ainda que houvesse um número excessivo deles, alguns tinham tal ofício como «honra», apenas, sem receber qualquer recompensa financeira por seus labores, embora pudessem compartilhar também do governo. Todavia, o trecho que temos à frente não entra em detalhes sobre essa questão, pelo que também não sabemos como essas questões eram regulamentadas.

Hoje em dia, um dos grandes problemas da igreja é a determinação de quais líderes da igreja devem ser considerados dignos de salário. Na congregação média, esse problema e solucionado mediante o ministério «profissional», que postula o «governo de um homem», o qual e o único que recebe salário da igreja. Isso, naturalmente, passou a ocorrer quando os dons ministeriais espirituais desapareceram, tornando-se mister o aparecimento de um ministério profissional. Mas isso não representa as verdadeiras condições existentes na igreja cristã primitiva; e se a igreja atual ainda contasse com anciãos, segundo o molde primitivo, ainda assim o problema financeiro permaneceria de pé. O texto sagrado é bastante definido sobre um ponto aqueles que pregam e ensinam deveriam ser os primeiros da lista a receber ajuda financeira, o que lhes permitiria serem melhores mestres, se prepararem melhor, a fim de exercerem suas habilidades sem empecilhos de ordem financeira.

Esta secção também envolve o tópico necessário da disciplina dos lideres da igreja. Infelizmente essa disciplina é necessária, e homens bons, até mesmo homens de Deus, caem em pecados e erros sérios. A igreja deve contar com algum meio de tratar com os tais. A antiga regra judaica, de serem apresentadas duas ou três testemunhas, para que alguma acusação fosse feita contra os anciãos, é aplicada aqui (ver o décimo nono versículo deste capítulo). E o vigésimo versículo parece aplicar a regra democrática da disciplina, embora não haja menção alguma de «voto» que anule o ofício dado a alguém por chamada divina, ou mesmo que o exclua, ainda que tal ação drástica se torne necessária. O trecho de Mt 18:15 e ss., tal como a passagem de 1 Co 5:4 e ss., dá a entender a necessidade de ação democrática em todos os casos de disciplina.

 

A RESPONSABILIDADE PELAS VIÚVAS DEPENDENTES (5.3-16)

 

Estes versículos falam de um problema sério que a igreja em seus primeiros tempos foi compelida a enfrentar, qual seja, a situação difícil das viúvas no mundo antigo. Este problema surgira cedo na história da igreja em Jerusalém. A narrativa de Atos 6.1 diz: "Naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano". O tremendo apuro das viúvas era particularmente doloroso, porque existia pouca oportu­nidade econômica para elas no mundo romano. Como escreve Holmes Rolston: "A mu­lher que enviuvava tinha pouquíssimas oportunidades de entrar no mercado de trabalho para ganhar a vida". É evidente que a igreja efésia fora atormentada por este problema, e Paulo oferece a Timóteo algumas orientações para resolver a situação. Parry destaca que esta porção que fala das viúvas "divide-se naturalmente em duas subdivisões: 1) versículos 3 a 8, e 2) versículos 9 a 16. Na primeira subdivisão, o assunto é o socorro das viúvas em necessidade; o objeto é insistir no dever particular dos parentes e no caráter pessoal das viúvas, dois aspectos a serem analisados antes de a igreja prestar assistên­cia. Na segunda subdivisão, as viúvas são consideradas como empregadas da igreja para certos fins. A igreja tem de fazer uma lista dessas viúvas conforme regras estabelecidas. Estas viúvas têm de ser sustentadas pela igreja, a menos que possuam um parente que possa sustentá-las e, assim, isentar a igreja da responsabilidade".

 

1. Deveres da Igreja para com as Viúvas (5.3-8)

 

Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas (3). Por viúvas que verdadeiramente o apóstolo quer dizer "viúvas que estão realmente sozinhas no mundo" (CH). Estas seriam mulheres não só desoladas pela perda do marido, mas que não tives­sem filhos, netos ou outros parentes que pudessem contribuir para o seu sustento. As viúvas desta categoria deviam ser tratadas "com grande consideração" (CH). É provável que Wesley esteja correto quando interpreta imparcialmente que o verbo honra signifi­ca "mantém fora do fundo público". Paulo estava muito preocupado que as viúvas que estivessem verdadeiramente necessitadas, com direito à assistência da igreja, recebes­sem o devido sustento. É interessante fazer uma análise rápida da situação em que a igreja faz suas obras de caridade. No princípio, tais distribuições eram amplamente de­legadas ao estado ou às agências de assistência social, como hoje.

O apóstolo também está preocupado com parentes gananciosos que, em vez de assumirem o sustento da viúva necessitada, deixavam alegremente que a igreja a sustentas­se. Para evitar tal eventualidade, diz Paulo: Mas, se alguma viúva tiver filhos ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus (4). Eis um padrão de responsabilidade familiar que em nossos dias é honrado mais na contra­venção do que na observância. Como é freqüente vermos o triste espetáculo de pais e avós idosos compelidos a viver parcamente à custa do estado, enquanto os filhos e netos gastam egoisticamente os bens e capitais desses mesmos pais e avós idosos! Os pais que dão de tudo para os filhos deviam sentir a discrepância de suas ações, quando dão pouca importância às privações suportadas por seus pais velhinhos. A primeira responsabilida­de por tal cuidado deve ser arcada, como insiste Paulo, pela família da qual a viúva faz parte. Só quando este recurso for exaurido é que o sustento dessas viúvas se torna a responsabilidade da igreja.

O apóstolo reconhece que há diferenças qualitativas entre as pessoas na categoria das viúvas, diferenças que afetam a obrigação da igreja. Ora, a que é verdadeiramen­te viúva e desamparada (i.e., aquela completamente só no mundo; cf. NTLH), espera em Deus e persevera de noite e de dia em rogos e orações (5). O texto está descre­vendo alguém que, não só por causa de sua viuvez desamparada, mas por causa de sua devoção consistente e genuína a Cristo e sua igreja, tem direito a toda consideração que a igreja puder lhe dar. Mas o apóstolo admite que nem todas as viúvas têm esse direito. Ele reconhece que, entre as viúvas da igreja, pode haver algumas que, longe de colocar a esperança em Cristo, são comodistas e pessoas de atitudes e conduta sensuais. Sobre tais pessoas o apóstolo observa: Mas a que vive em deleites ("prazeres libertinos", NASB; cf. CH), vivendo, está morta (6). A implicação disso é que a igreja não tem obrigação de assumir o sustento da viúva que é apegada às coisas do mundo.

Estas são as diretrizes que Timóteo tem de seguir na determinação do programa de ação da igreja pertinente às obras assistenciais.Manda ("prescreve", BJ, RA), pois, estas coisas, para que elas sejam irrepreensíveis (7). O pronome elas diz respeito obviamente às viúvas que são sustentadas pela igreja. É importante que o sustento da igreja seja reservado para as viúvas que verdadeiramente têm direito a isso.

Antes de encerrar o assunto da responsabilidade familiar, Paulo é forçado a adicio­nar uma observação calculada a estigmatizar todo aquele que negligenciar este dever fundamental. Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel (8). Não devemos deduzir que o apóstolo esteja equiparando essa conduta com a infidelidade, embora seja igualmente repreensível. Ele está falando presumivelmente, "porque até os não-crentes, que não conhecem os mandamentos ou a lei de Cristo, reconhecem e dão grande importância às obrigações dos filhos para com os pais".

 

2. Deveres das Viúvas para com a Igreja (5.9-16)

 

Agora o apóstolo trata de outro aspecto da relação das viúvas com a igreja. Sobre esse assunto temos informação extremamente escassa: Nunca seja inscrita viúva com menos de sessenta anos, e só a que tenha sido mulher de um só marido; tendo testemunho de boas obras, se criou os filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés aos santos, se socorreu os aflitos, se praticou toda boa obra (9,10). A expressão seja inscrita pode ser traduzida por "coloque na lista" (NTLH). É algo mais que um cadastro de viúvas, embora os estudiosos não estejam de acordo quanto a isso. Rolston está provavelmente certo quando diz: "Pelo visto, na ocasião em que Paulo escre­veu, havia na igreja uma ordem mais ou menos organizada de viúvas mais velhas que serviam as pessoas em nome de Cristo e sua igreja, e que eram sustentadas, pelo menos em parte, pela igreja".

Examinando superficialmente, temos a impressão de que a ordem das viúvas que Paulo descreve era formada por diaconisas, ou no mínimo eram mulheres que faziam o trabalho de diaconisa. Segundo identificação de Wesley, estas viúvas eram "diaconisas que ajudavam as mulheres doentes ou os pregadores itinerantes". Mas os intérpretes, em sua maioria, hesitam em ir tão longe assim. O ponto claro é que estas viúvas faziam parte de um grupo altamente seleto. A idade mínima de sessenta anos garantiria a maturidade. A fim de ser qualificada para esta lista, a viúva deveria ter sido mulher de um só marido. Pode significar, como Wesley interpreta, "depois de ter vivido em casamento legal com uma ou mais pessoas sucessivamente". No mínimo, significa que tal viúva tem de possuir um bom caráter moral. Em vista das exigências impostas nos bispos e diáconos, temos justificativa em identificar aqui um reflexo do preconceito do século I contra casar-se de novo, ainda que legitimamente, segundo nosso ponto de vista. Scott ressalta que "o sentimento antigo dava um crédito especial à viúva que não se casasse de novo".

Outra qualificação para a inclusão na lista das viúvas que serviam a igreja era a reputação de boas obras (10) de qualquer tipo. Entre estas boas obras incluíam-se a habilidade de cuidar e criar filhos; a disposição à hospitalidade, que era questão vital na vida da igreja primitiva, quando evangelistas, apóstolos, mensageiros e cristãos comuns estavam constantemente indo e vindo; a boa vontade de fazer qualquer tarefa, ainda que servil, como, por exemplo, lavar os pés aos santos; e o zelo de socorrer os aflitos de qualquer necessidade. Não há dúvida de que estas eram obras que faziam parte do cargo de diaconisa, e as viúvas que faziam parte da lista tinham de praticá-las diligentemente.

A seguir, o apóstolo justifica sua exigência de as viúvas da lista terem pelo menos 60 anos de idade: Mas não admitas as viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo, querem casar-se; tendo já a sua condenação ("tornando-se condenáveis", BAB, RA) por haverem aniquilado a primeira fé (11,12). Para se­rem inclusas na ordem das viúvas, a candidata tinha de se comprometer a não se casar outra vez, e o apóstolo percebia que as viúvas mais novas teriam muita dificuldade em manterem-se fiéis a tal compromisso. O descumprimento deste quesito as colocaria sob condenação. Nesta tradução os versículos ficam bastante claros: "As viúvas mais jo­vens não podem ser aceitas na lista. Pois quando suas paixões as afastam de Cristo, elas desejam ardentemente casar-se e tornam-se condenáveis por quebrar a promessa de fidelidade feita a ele" (NEB).

Paulo dá mais uma razão para que somente as viúvas mais velhas sirvam a igreja neste ministério: E, além disto, aprendem também a andar ociosas de casa em casa; e não só ociosas, mas também paroleiras e curiosas, falando o que não convém (13). Este é o padrão usual de conduta. A maioria dos pastores experientes já teve de lidar, em um momento ou outro do ministério, com os resultados trágicos da fofoca e calúnia. Sejamos francos e admitamos que, às vezes, as viúvas mais velhas são tão culpadas deste tipo de conduta quanto as mais novas, e que tanto os homens como as mulheres podem se ocupar deste passatempo maldoso. Pelo visto, o apóstolo contava que as viúvas mais velhas tivessem aprendido por experiência e maturidade a loucura desse comportamento.

É nítido que Paulo está convencido de que o campo de serviço apropriado para as viúvas mais jovens não está nesta área sensível dos contatos sociais. Ele é muito franco ao dizer: Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa e não dêem ocasião ao adversário de maldizer. Porque já algumas se des­viaram, indo após Satanás (14,15). Seja qual for o ideal que Paulo manteve com rela­ção às viúvas se casarem de novo, o seu melhor parecer reconhece que o novo casamento, a manutenção de uma casa e a criação de filhos têm maior probabilidade de lhes satisfa­zer os desejos instintivos. A advertência concernente a já algumas se desviaram, indo após Satanás pode ter sido baseada em exemplos de viúvas menos etariamente madu­ras que assumiram compromissos que depois lastimaram e violaram. Talvez tenham sido experiências como estas que o propeliram a fixar a idade mínima de 60 anos paraas viúvas empregadas pela igreja.

Esta passagem se encerra com o versículo 16: Se algum crente ou alguma crente tem viúvas (entre seus parentes), socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar as que deveras são viúvas. Esta é recapitulação do argumento de Paulo exposto nos versículos 4 a 8, e enfatiza o fato adicional de que os recursos que a igreja tinha para as assistências sociais devem ser gastos somente em casos mais dignos e merecidos.

FONTE escoladominical-ensinar.blogspot.com.br