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Lições antigas CPAD livro de Romanos 1998
Lições antigas CPAD livro de Romanos 1998

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos 

2º Trimestre de 1998

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva  

Lição 1: A exposição magna da fé cristã

Data: 5 de Abril de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (Rm 1.17).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O Cristianismo poderia ser considerado mera seita do Judaísmo se não houvesse, no Novo Testamento, a Epístola de Paulo aos Romanos.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Rm 3.2

A doutrina das Escrituras em Romanos

 

 

Terça — Rm 1.20; 3.4

A doutrina de Deus em Romanos

 

 

Quarta — Rm 9.5

A doutrina de Cristo em Romanos

 

 

Quinta — Rm 15.13,16,19

A doutrina do Espírito Santo em Romanos

 

 

Sexta — Rm 5.12-19

A doutrina do pecado em Romanos

 

 

Sábado — Rm 3.21-26

A doutrina da expiação em Romanos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 1.1-7,16,17.

 

1 — Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus,

2 — o qual antes havia prometido pelos seus profetas nas Santas Escrituras,

3 — acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,

4 — declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,

5 — pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome,

6 — entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.

7 — A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

16 — Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.

17 — Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

 

PONTO DE CONTATO

 

Neste trimestre, você poderá servir-se da riqueza infindável, que é a Epístola de Paulo aos Romanos, para promover o crescimento espiritual de seus alunos. Todos os crentes precisam compreender que, diante de Deus, são justificados mediante a obra de reconciliação efetuada por Jesus Cristo em seu favor. Agora, o crente tem nova vida segundo o Espírito e, andando em santificação, é conduzido à glorificação. Deus, o mais interessado no crescimento de sua Igreja, o usará para contagiar os seus alunos e falar-lhes ao coração promovendo, assim, um grande avivamento em sua classe. Deus o abençoe!

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Conscientizar-se que a justiça de Deus é a justificação dos pecadores pela fé, mediante Jesus Cristo.
  • Identificar a diferença entre a justiça de Deus, a justiça pessoal e a justiça legal.
  • Verbalizar as bênçãos decorrentes de uma vida de fé.
  • Construir novas expectativas para sua vida baseada numa atitude de fé no que Deus fez em seu favor mediante Jesus Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A Epístola aos Romanos ocupa um lugar de alto destaque na literatura judaico-cristã e nos fundamentos doutrinários e teológicos da Igreja. Paulo escreveu aos cristãos em Roma antes de visitá-los pessoalmente. Ele se informou a respeito da igreja através de Áquila, Priscila e outros cristãos que viajavam pelo mundo mediterrâneo daquele tempo.

O apóstolo confessa no prólogo de sua carta e o confirma no epílogo da mesma, que desejava com todo o seu coração ir a Roma, mas seu intenso itinerário evangelístico não o permitiu. O plano era regressar de Corinto a Jerusalém, entregar a oferta das igrejas gentias aos cristãos em Jerusalém e empreender uma quarta viagem com destino a Espanha, fazendo escala na capital mundial, Roma. Ele realizou a quarta viagem, porém não como planejava; viajou como prisioneiro e não sabemos se depois conseguiu realizar o plano de ir a outros países da Europa ocidental.

No coração do apóstolo havia o objetivo missionário. Mas esse objetivo não o fazia ignorar os problemas doutrinários existentes na igreja em Roma. Por isso, tinha que ajudar a esclarecer as dúvidas doutrinárias. Diferentemente dos dias atuais, a Igreja no primeiro século não possuía livros doutrinários. O ensino vinha direto de seus pastores, que para tal finalidade valeram-se de epístolas.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para introduzir esta série de lições da Epístola de Paulo aos Romanos, você pode, nesta aula, destacar alguns fatos da vida do apóstolo Paulo quando ainda era fariseu e lutava contra o evangelho de Jesus Cristo. Não conte a história mas, usando a técnica de perguntas e respostas, faça com que seus alunos participem e relembrem em poucos minutos alguns fatos e a vida legalista que Paulo vivia, pensando estar agradando a Deus (Ver Gl 1.13,14). O objetivo desta dinâmica é comparar o posicionamento de Paulo, que, mesmo sendo zeloso da lei, estava condenado à perdição e, agora, quando escreve esta carta, está salvo pela justiça de Deus. Não esqueça de fazer aplicação à vida de seus alunos. Lembre-se que hoje muitos vivem no legalismo, pensando estar agradando a Deus.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Hoje, estamos iniciando uma série de estudos na Epístola de Paulo aos Romanos. Recomendamos, antes de tudo, que cada aluno e, principalmente o professor, leia no mínimo três vezes a epístola.

A Epístola de Paulo aos Romanos tem mudado muitas vidas, nações, e até os rumos da história.

 

  1. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE ROMANOS

 

  1. Títulos.Nenhum livro da Bíblia tem tantos títulos como Romanos: Evangelho Segundo Paulo, Evangelho do Cristo Ressurreto, Tratado Teológico Paulino, Mais Puro Evangelho, Principal das Epístolas Paulinas, etc.

Desde que foi estabelecido o Corpus Paulinum, no final do primeiro século, Romanos vem ocupando o primeiro lugar entre as epístolas de Paulo, não pela ordem cronológica, mas por sua importância. Em relação ao Judaísmo, é uma epístola apologética; em relação ao Cristianismo, é a exposição magna da fé evangélica. Entender Romanos é entender o Cristianismo.

  1. Local e data de Romanos.Com base em Romanos 16.1, sabemos que o apóstolo encontrava-se em Corinto, quando escreveu a epístola, pois Cencréia era a cidade portuária vizinha de Corinto. Paulo estava hospedado na casa de Gaio (Rm 16.23), amigo a quem ele batizou em Corinto (1Co 1.14). O apóstolo precisava ir a Jerusalém para levar os donativos levantados na Macedônia e na Acaia, para os irmãos pobres da Judeia. Pretendia depois ir para a Espanha, passando a Roma (Rm 15.22-30). À luz destes dados, os expositores do Novo Testamento são unânimes em afirmar que a epístola foi escrita em Corinto entre 57 e 58 d.C.
  2. Destinatário de Romanos.O endereçamento da carta são os versículos 5 e 6. A palavra “gente”, ethne, no grego, significa também “gentio, nação”; é o correspondente goiym, em hebraico; mostra que a carta foi dirigida aos cristãos gentios.

É óbvio que a igreja em Roma era composta de judeus e gentios (Rm 2.17; 4.1; 7.1).

  1. Roma (v.7).Roma era a capital do Império Romano. Até então Paulo ainda não havia visitado a metrópole (1.13; 15.23). A origem da igreja, nessa cidade, é desconhecida. Parece estar ligada à presença de “forasteiros romanos”, no dia de Pentecostes (At 2.10). Assim, podemos concluir que a igreja em Roma foi fundada por missionários anônimos. Há ainda quem afirme que o casal Áquila e Priscila, que morava em Roma (At 18.2; Rm 16.3), começou o trabalho nessa cidade. Mas acerca disso não há nada de concreto.
  2. A influência de Romanos.Qualquer cristão que compreender Romanos jamais será a mesma pessoa. Leia o que alguns homens de destaque na história disseram a respeito da epístola.
  3. a) João Wesley.Grande avivalista britânico do século XVIII, fundador da Igreja Metodista, afirma que tudo começou com Romanos.
  4. b) Agostinho.Testemunhou, em 386 a.C. que Romanos 13.13 mudou sua vida.
  5. c) Martinho Lutero.“Fundador da civilização protestante”. Fez uma exposição de Romanos aos seus alunos, de novembro de 1515 a setembro de 1516. É a epístola da Reforma Protestante. Disse que se apenas o Evangelho de João e a Epístola aos Romanos tivessem sobrevivido seriam o suficiente para preservar o Cristianismo. Na verdade, reconhecemos todos os 66 livros da Bíblia com a mesma autoridade e inspiração. A declaração de Lutero, porém, diz respeito meramente ao assunto de ambos os livros por ele citados.

 

  1. O AUTOR DA EPÍSTOLA

 

  1. O autor de Romanos.Seu nome hebraico é Shaul, o mesmo nome do primeiro rei de Israel, que significa “pedido”. Seu nome romano era Paulus, que significa “pequeno”. Ele mesmo afirma, no prefácio, ser o autor da epístola, sendo Tércio seu amanuense. O apóstolo, certamente, ditara e Tércio escreveu a epístola (Rm 16.22).
  2. “Servo de Jesus Cristo” (1.1).Servo”, vem do grego doulos(pronuncia-se dulos), traduzido mormente por “escravo, servo”. O mesmo que avoda no Antigo Testamento hebraico. Com relação ao povo de Deus o sentido é de escravo voluntário. Nós, os crentes, somos servos de Jesus Cristo, isto é, escravos voluntários. Reconhecemos Jesus como nosso Dono, somos dEle e pertencemos a Ele. Pertencer a Deus é o que há de mais sublime na vida humana.
  3. a) “Chamado”.Do grego kletosque aqui tem o sentido de vocacionado. Ele fora escolhido desde o ventre de sua mãe (Gl 1.15). O mesmo aconteceu com o profeta Jeremias (Jr 1.5). Paulo, portanto, foi constituído apóstolo por Deus, e não pelo homem (Gl 1.1).
  4. b) “Apóstolo”.Vem de duas palavras gregas: da preposição apo, que significa “da parte de”, e do verbo grego stello, que significa “enviar”. A palavra “apóstolo” significa enviado com mensagem confidencial. Aqui significa um mensageiro extraordinário, alguém que o próprio Deus encarregou de levar a notícia mais importante da terra, que toda a humanidade precisa ouvir o Evangelho de Jesus Cristo. O Novo Testamento afirma que Paulo é embaixador do céu, apóstolo e doutor dos gentios (At 22.21).

 

III. O SENHOR JESUS CRISTO NO PRÓLOGO DE ROMANOS

 

  1. “Santas Escrituras” (v.2).A vida de Jesus está registrada nos Evangelhos. Tudo o que Lhe aconteceu estava previsto na Lei de Moisés e nos profetas. Jesus tinha o testemunho da lei e dos profetas (Rm 3.21). E óbvio que o pensamento paulino sobre o Messias é o mesmo revelado na lei e nos profetas (At 26.22).
  2. Acerca de seu Filho (vv.3,4).Convém tomar cuidado com essa passagem, pois o apóstolo não está dizendo que Jesus tornou-se Filho de Deus pela ressurreição. Ele foi o Filho de Deus em fraqueza e humildade, durante seu ministério terreno, e, pela ressurreição, tornou-se o Filho de Deus em poder (At 2.36). O apóstolo, assim, revela a origem humana e divina de Jesus, declarando a sua ressurreição dentre os mortos.

 

  1. O TEMA DA EPÍSTOLA

 

  1. Evangelho, poder de Deus (v.16).A palavra “evangelho” vem de duas palavras gregas, “eu” que quer dizer “bem”, e de “angelia” que significa “mensagem, notícia, novas”. Assim, a palavra “euangelion” quer dizer “boas novas, notícias alvissareiras” “É o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crer” (1.16). A mensagem é que Cristo salva o mais vil pecador (Jo 3.16). A expressão “não me envergonho” é uma figura de linguagem chamada litotes, que significa afirmar pela negação do contrário.
  2. A revelação da justiça de Deus (v.17).A “justiça de Deus” aqui não é a justiça pessoal nem legal, mas a justiça com que Deus justifica os pecadores pela fé (Rm 3.21,22). Esse plano de Deus para a salvação não é pelas obras, mas pela fé (Rm 3.24-26). “De fé em fé” significa sola fides— a fé somente. Não é de “fé em obras” ou “de obras em fé” nem tampouco “de obras em obras”.
  3. A justificação pela fé.Toda a Epístola de Paulo aos Romanos gira em torno da “salvação pela fé”, pois “o justo viverá da fé” (1.17). Essa expressão significa que a salvação é pela fé (Ef 2.8,9; Tt 3.5). Esse é o tema da epístola.
  4. A Reforma Protestante.Martinho Lutero nasceu em 1493, em Eisleben, Alemanha. Ingressou na Universidade de Erfurt em 1501 para estudar Direito. Em 1505, entrou num convento, onde tornou-se monge. Foi Romanos 1.17 (“O justo viverá da fé”) que “mudou toda a sua vida e todo o curso da história” (H. H. Halley).

Em 31 de outubro de 1517, Lutero fixou, na catedral de Wittemberg, as 95 teses, dando início à Reforma Protestante, e rompendo com a Igreja Católica. Traduziu a Bíblia para a língua alemã, e levou avante a obra da Reforma. É o autor do hinoCastelo Forte, cantado hoje em muitas línguas em todo o mundo evangélico. Faleceu em 1546.

 

CONCLUSÃO

 

A justiça de Deus é a revelação fundamental do evangelho. Através de Romanos, o cristão pode compreender melhor o que Deus fez em seu favor mediante Jesus Cristo. Assim, você deve, em primeiro lugar, ler a referida epístola repetidas vezes, com oração e humildade, se possível até decorar para ruminar suas palavras no dia-a-dia. Deve procurar entender o que o apóstolo quer dizer com lei, graça, fé, justiça, carne, espírito, etc.

 

VOCABULÁRIO

 

Legalismo: Obediência formal e exterior à Lei de Moisés sem se atentar ao seu espírito, significado e propósito. Os legalistas, geralmente, são levados a desprezar a graça de Cristo.
Vindicação: Ato ou efeito de vindicar, reclamação.
Apologético: Que encerra apologia — discurso para justificar, defender ou louvar.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. A quem é destinada a Epístola?
  2. É destinada aos cristãos gentios.

 

  1. Quando e onde a Epístola foi escrita?
  2. Foi escrita em Corinto entre 57 e 58 AD.

 

  1. Cite alguns dos grandes homens da história influenciados pela Epístola aos Romanos?
  2. João Wesley, Agostinho, Karl Barth, Martinho Lutero.

 

  1. O que é justiça de Deus?
  2. A justiça com que Deus justifica os pecadores pela fé.

 

  1. O que significa a expressão “o justo viverá da fé”?
  2. Significa que a salvação é alcançada pela fé.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Histórico

 

O fato de Paulo ter enviado uma epístola à igreja em Roma ajuda a derrubar a tradição católica que afirma ser o apóstolo Pedro o seu fundador. A razão é que, quando Paulo escreveu a epístola aos Romanos, Pedro não se achava em Roma. Se Pedro lá estivesse, de alguma forma, haveria referência de Paulo ao apostolado naquela cidade, bem como ao pastorado de qualquer outro cristão que exercesse liderança espiritual na igreja de Roma.

 

 

Subsídio Teológico

 

Alguns termos difíceis desta lição são respondidos por F. F. Bruce em seu comentário sobre a Epístola aos Romanos: “‘demonstrado Filho de Deus’. A palavra traduzida por ‘demonstrado’ (horizõ) tem a mais completa força do termo ‘nomeado’ ou ‘constituído’ (usa-se em At 10.42; 17.31) referindo-se a nomeação de Cristo como Juiz de todos. Paulo não quer dizer que Jesus se tomou o Filho de Deus pela ressurreição, mas, sim, que Aquele que durante Sua vida terrena ‘foi o Filho de Deus em fraqueza e humildade’, pela ressurreição tomou-se ‘o Filho de Deus em poder’.

Semelhantemente, Pedro, no dia de Pentecostes, concluiu sua proclamação da ressurreição e exaltação de Cristo com as palavras: ‘Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo’ (At 2.36). A expressão ‘poderosamente’, literalmente com poder (en dunamei), aparece também em Marcos 9.1, onde a vinda do reino de Deus ‘com poder’ é provavelmente a sequência direta da morte e vindicação de Jesus.

‘Nele se descobre a justiça de Deus’. Notável antecipação deste duplo sentido da ‘justiça de Deus’ — (a) Sua justiça pessoal (b) a justiça com a qual Ele justifica os pecadores a partir da fé — aparece na literatura de Qumran. ‘Sua justiça apaga o meu pecado. ...se tropeço devido à iniquidade da carne, o meu julgamento está na justiça de Deus que estará firme para sempre. ...por Sua misericórdia Ele fez que eu me aproximasse e por Sua amável bondade traz para perto dele o meu julgamento. Por Sua justiça verdadeira me julga, e por Sua abundante bondade faz expiação de todas as minhas iniquidades. Por Sua justiça me limpa da impureza que mancha os mortais e do pecado dos filhos dos homens — para que eu louve a Deus por Sua justiça e ao Altíssimo por Sua glória’” (Romanos, Introdução e Comentário. F. F. Bruce).

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

2º Trimestre de 1998

 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva 

 

Lição 2: A depravação dos gentios

Data: 12 de Abril de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Apesar da pecaminosidade humana, todos podem ser alcançados pela fé em Cristo Jesus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Mc 7.21-23

O que contamina o homem vem de seu próprio interior

 

 

Terça — 1Co 6.9,10; 2Co 12.20

Lista de pecados de Corinto

 

 

Quarta — Gl 5.19-21

Lista de pecados da Galácia

 

 

Quinta — Ef 5.3-6

Devemos nos afastar do pecado

 

 

Sexta — Cl 3.5,8,9

Devemos estar revestidos do novo homem

 

 

Sábado — 2Tm 3.2-5

Pecados dos últimos dias

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 1.18-32.

 

18 — Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça;

19 — porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.

20 — Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

21 — porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

22 — Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

23 — E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

24 — Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem seu corpo entre si;

25 — pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém!

26 — Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.

27 — E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

28 — E, como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;

29 — estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade;

30 — sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pai e à mãe;

31 — néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia;

32 — os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.

 

PONTO DE CONTATO

 

Você tem identificado as maravilhas de Deus manifestas na criação? Já percebeu o que Deus tem feito em sua vida por causa da salvação? Veja se consegue enumerar as principais experiências de seu relacionamento com Deus e esteja pronto para compartilhar com seus alunos durante a aula. Por certo eles poderão fazer o mesmo, e receberão as bênçãos que estão reservadas para eles no plano eterno de Deus.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Diferenciara ira divina da ira dos homens.
  • Identificara origem da idolatria e da imoralidade na vida dos homens.
  • Enumeraras provas da existência de Deus.
  • Construirpara si novas estratégias de ação a fim de viver justificado por Deus neste mundo depravado e distanciado do evangelho.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Estudaremos nesta lição a consequência da escolha errada feita pelos homens, prefigurados aqui pelos gentios que representam a humanidade amada por Deus, porém, decaída e entregue a si mesma para sua própria condenação. Como consequência desta situação, Deus derrama sua ira sobre o homem, que passa a colher os amargos frutos de seu próprio plantio. Paulo começa, então, pelos gentios a mostrar que toda a humanidade está sujeita ao pecado e, portanto, sob a ira de Deus.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para facilitar o entendimento desta lição use a técnica de audiovisual, desenhando numa folha de papel ofício branca, um pequeno ponto preto no centro. Pergunte à classe o que estão vendo. Com certeza dirão um ponto preto. O seu objetivo será demonstrar que vemos sempre o que é sujo, feio e mau feito, mesmo sendo pequeno, esquecendo-nos do belo que está a nossa volta, que é imensamente maior. As obras de Deus são grandiosas, visíveis e, às vezes, não as percebemos. Se, contudo, escolhermos ter conhecimento de Deus e procurar obedecer-lhe, seremos diferentes neste mundo. Não nos contaminaremos com o que é mundano, mas, seremos limpos, justos e puros. Assim agradaremos a Deus e viveremos as consequências desta comunhão.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

O estudo de hoje é sobre a condição dos gentios diante de Deus. Nesse texto, eles representam a raça humana. O apóstolo discorre sobre o assunto, mostrando a pecaminosidade humana e realçando a justiça divina.

 

  1. A MANIFESTAÇÃO DA IRA DE DEUS

 

  1. Ira.A palavra grega traduzida por “ira” é orge, e aparece 12 vezes em Romanos (1.18; 2.5,8; 3.5; 4.15; 5.9; 9.22; 12.19; 13.4,5). Convém que se saiba que a ira de Deus é a reação de Sua santidade diante da impiedade, muito diferente da ira dos homens, que é egocêntrica, carregada de ódio e paixão. Esse tipo de ira não é apropriada para a natureza divina.
  2. A ira de Deus sobre o pecado.É a reação divina sobre o pecado. A Bíblia exemplifica a ira de Deus no passado: Dilúvio (Gn 6.17; Mt 24.37-39), Sodoma e Gomorra (Lc 17.28-30). Fala também da ira futura (1Ts 1.10) — julgamento das nações (Mt 25.32), Juízo Final (Ap 20.1-15), etc.
  3. A ira de Deus na história.Como a graça salvadora não é manifestada na consumação dos séculos, mas na experiência humana, assim também a ira de que fala o apóstolo, não é a futura. E a ira manifesta na vida dos homens ao longo de sua história. Veja que três vezes o apóstolo Paulo diz que Deus “os entregou” (vv.24,26,28). Isso mostra a atuação da ira divina neste mundo. Como disse Friedrich Schiller: “A história do mundo é o juízo do mundo”.
  4. Impiedade e injustiça.impiedade, aqui, diz respeito ao descaso que o homem faz de Deus, e a injustiçafala da conduta pecaminosa humana. Dessa maneira, a raça humana, por rejeitar a Deus e viver na injustiça, detém a verdade. “Deter” significa “impedir”, e isso perverte a verdade, transformando-a em mentira.

 

  1. A IDOLATRIA

 

  1. Definição.A palavra “idolatria” vem de duas palavras gregas: eidolon, que significa “ídolo”, e latreuo, que significa “adorar, servir, prestar serviço sagrado”. A idolatria, portanto, consiste em cultuar ao ídolo, e é consequência da apostasia geral do ser humano. A avareza é uma forma de idolatria (Ef 5.5; Cl 3.5). Tudo aquilo que o homem ama mais do que a Deus, torna-se o seu deus (Fp 3.19).
  2. Origem da idolatria.Essa prática era desconhecida no mundo pré-diluviano. A Bíblia fala de violência, maldade e corrupção (Gn 6.5,11,12). Não menciona a idolatria. Esta começou com Ninrode, o construtor da Torre de Babel (Gn 10.9-12). Foi o primeiro a ser adorado como deus. Sua mulher, Semíramis, é a mãe de Adônis, ou Tamuz, divindade de Babilônia (Ez 8.14).

As migrações humanas partiram de Babilônia para todos os quadrantes da terra, levando consigo suas crenças e divindades. Babilônia é, pois, o berço da idolatria.

  1. Provas da existência de Deus (vv.19,20).O Salmo 19 apresenta os três livros que provam a existência de Deus: o universo que Deus criou (1-6), a Bíblia (7-10) e o testemunho do cristão (11-14). Como o apóstolo está falando dos gentios, que não têm lei, (Rm 2.14), ele apresenta, aqui, a lei natural ou teologia natural.

As coisas invisíveis de Deus são claramente vistas como recursos que Ele proveu para que o homem reconheça a existência do Criador: “para que eles fiquem inescusáveis” (v.20). Por isso, ninguém pode alegar ignorância. O mais obtuso dentre os homens é capaz de reconhecer a existência de Deus, considerando as coisas que Ele criou.

  1. O homem rejeitou a Deus (v.21).Todos os homens vieram de um só casal. Adão e Eva tinham acesso a Deus e o conheciam. A luz de Gênesis 5 e 11, a vida de Metusalém coincidiu 243 anos com a de Adão, e 600 anos com a de Noé, e a vida de Sem coincidiu mais de 50 anos com a de Abraão. Assim, o conhecimento de Deus passou para toda a humanidade. Aos poucos, porém, os homens foram se fechando para Deus, e afastando-se cada vez mais dEle. Isso levou a raça humana à idolatria.

Sim, o homem caiu na idolatria ao recusar-se a tributar honra, glória e graças ao Criador.

A expressão seus discursos denota a alta confiança dos homens em seus raciocínios e argumentos artificiais, misturando discurso filosófico com iluminação espiritual, como o fazem hoje os adeptos da Nova Era e das demais seitas. Por causa desse orgulho, seu coração obscureceu-se, ficando destituído de entendimento espiritual e mergulhado em trevas medonhas.

  1. Substituiu a criatura pelo Criador (vv.22,23).Os gentios recusaram-se a reconhecer a fonte de sabedoria, que é Deus. Os materialistas orgulham-se de seus conhecimentos, fazendo-se sábios a seus próprios olhos, mas a Bíblia diz que eles tornaram-se loucos, pois somente “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Jó 28.28; Sl 111.10; Pv 1.7; 9.10; 15.33).

Essa loucura levou-os à idolatria. O v.23 é uma citação do Salmo 106.20. Assim como os hebreus cultuaram a um bezerro em lugar de Deus, dando ao animal a glória que pertence exclusivamente a Deus, da mesma maneira fizeram os gentios.

 

III. A IMORALIDADE

 

  1. Perversão sexual.A idolatria leva o homem à imoralidade. O que o apóstolo introduz no v.24, esclarece nos vv.26 e 27. Inclui como consequência dessa apostasia o homossexualismo, tanto masculino como feminino. Há sete passagens bíblicas que fazem menção do homossexualismo, e todas condenando ou mostrando tal prática como algo degradante e abominável (Gn 19.1-11; Lv 18.22; 20.13; Jz 19.22-25; Rm 1.25-27; 1Co 6.9,10; 1Tm 1.9,10).
  2. A sociedade moderna.À medida que o tempo vai passando, a sociedade vai se tornando cada vez mais permissiva, e os homens vão se afastando cada vez mais de Deus. Para nossa perplexidade, há pseudocrístãos alegando tais práticas como coisa natural. O apóstolo Paulo declara que “Deus os entregou às paixões infames”, porque não reconheceram a Deus. Declara, ainda, tais práticas como “torpeza”..., uso desnatural, “contrário à natureza”. Diz em outro lugar que os tais não herdarão o reino de Deus (1Co 6.9; Gl 5.19-21).
  3. Satanismo e perversão sexual.Satanás é o principal promotor da prostituição. Desde os tempos do Antigo Testamento que a sodomia e outras formas de prostituição estiveram ligadas ao culto pagão. Os pagãos praticavam, nesses rituais, o que se chama “prostituição sagrada”. Essas práticas são comuns nos cultos satânicos, pois o objetivo do Diabo é perverter a ordem das coisas. Tudo o que é perversão é uma afronta a Deus (Is 5.20,21).

 

  1. CATÁLOGO DE PECADOS

 

Nos vv.29-31, do capítulo 1, o apóstolo apresenta a mais longa lista de pecados encontrada em todas as suas epístolas. A depravação dos gentios é a fotografia da humanidade corrupta, sem Deus. Esses pecados são inerentes à natureza pecaminosa do homem (Mc 7.21-23). Nos versículos já citados (29-31) acha-se uma lista de 22 pecados, encabeçada pela palavra “iniquidade”, retratando a presente sociedade incrédula e distanciada de Deus.

 

CONCLUSÃO

 

O quadro funesto e aterrorizador em que se encontra o homem é mostrado nesta lição pelo apóstolo. Isso serve também para mostrar de onde viemos e, dessa forma, conscientizar cada crente da graça e da bondade de Deus. Sejamos agradecidos a Ele por sua provisão quanto à nossa completa e eterna redenção em Cristo Jesus.

 

VOCABULÁRIO

 

Contemporâneo: Que é do mesmo tempo, que vive na mesma época.
Depravação: Ato ou efeito de depravar (-se); perversão, corrução; degeneração mórbida.
Detrator: Aquele que difama, infama; detrata.
Inescusáveis: Que não se pode escusar ou dispensar; indesculpável.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. Qual é o conceito de ira divina em Rm 1.18?
  2. Reação de sua santidade diante da impiedade.

 

  1. Como os gentios, que não receberam a lei, tem conhecimento de Deus?
  2. Através das coisas que Ele criou.

 

  1. O que levou o homem à idolatria?
  2. O seu afastamento de Deus.

 

  1. Qual a consequência da idolatria, conforme Rm 1.24-27?
  2. A imoralidade.

 

  1. Qual é o nome da fotografia da humanidade corrupta, sem Deus, apresentada em Rm 1.29-31?
  2. Depravação dos gentios.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Antes de Paulo desenvolver mais o modo pelo qual a forma de justiça de Deus é exposta no Evangelho, ele mostra por que é tão urgentemente necessário que se conheça o meio de ficar certo para com Deus. Como as coisas são, os homens estão ‘no errado’ para com Deus, e Sua ira se revela contra eles. Na vida há uma lei moral segundo a qual os homens são deixados entregues às consequências do curso de ação que eles mesmos escolheram livremente. E a menos que essa tendência seja invertida pela graça divina, a situação deles irá de mal a pior. Três vezes aí ocorrem as palavra de condenação: ‘Por isso Deus os entregou...’ (vv.24,26,28).

O objetivo de Paulo é demonstrar que a humanidade toda está moralmente arruinada, incapaz de conseguir um veredito favorável no tribunal do juízo de Deus, em desesperada necessidade de Sua misericórdia e perdão.

Ele começa tratando de uma área da vida humana cuja falência moral era objeto de acordo geral entre os moralistas da época — a grande massa do paganismo contemporâneo de Paulo. O quadro que desenha é feio deveras. Não porém mais feio do que o quadro que disso vemos na literatura pagã contemporânea. Qual é a causa, pergunta ele, desta pavorosa condição que se desenvolveu no mundo? Donde vêm estas vergonhosas perversões, esta encarniçada inimizade entre homem e homem? Tudo surge, diz ele, de ideias errôneas a respeito de Deus. E essas ideias errôneas não surgiram inocentemente. O conhecimento do Deus verdadeiro era acessível aos homens, mas eles fecharam suas mentes para ele. Em vez de apreciarem a glória do Criador ao contemplarem o universo que Ele criou, davam a coisas criadas aquela glória que pertencia somente a Deus” (Romanos, Introdução e Comentário. F. F. Bruce).

 

 

Subsídio Devocional

 

O problema humano não é a ignorância, mas a oposição a Deus. O problema não é que o homem não conheça a Deus, mas sim, que, tendo conhecido, decidiu não glorificá-lo. “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1.22). O apóstolo Paulo assegura, por sua declaração, que Deus sempre tem oferecido evidência de sua verdade “desde a criação do mundo”. No entanto, este não é o ponto que interessa ao apóstolo. Na verdade, o que Paulo estabeleceu é que Deus tem revelado sua verdade mas o homem sempre se opôs a ela. Então, Paulo declara categoricamente que os homens, apesar de haver “conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças” (Rm 1.21). Só há uma esperança para os homens: voltarem-se para Deus e à sua verdade. Quando o homem busca estabelecer sua própria verdade independente de Deus, o resultado inevitável é a degradação, a destruição da maravilhosa criação de Deus, projetada por Ele para viver em glória, mas condenada à morte e à corrupção por causa do pecado.

 

 

Subsídio Bibliológico

 

O comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal destaca no texto sagrado a ira divina em três tempos: “No passado, a ira de Deus e seu ódio ao pecado revelou-se através do dilúvio (Gn 6-8), da fome e da peste (Ez 6.11ss). do abrasamento da terra (Dt 29.22,23), da dispersão do seu povo (Lm 4.16) e de incêndio através da terra (Is 9.18,19).

No presente, a ira de Deus é vista quando Ele entrega os ímpios à imundícia e às vis paixões e leva à ruína e à morte todos quantos persistem em lhe desobedecer (Rm 1.18-3.18; Ez 18.4; Ef 2.3).

No futuro, a ira de Deus incluirá a Grande Tribulação para os ímpios deste mundo (Mt 24.21; Ap 6-19) e um dia vindouro de juízo para todos os povos e nações (Ez 7.19; Dn 8.19) — ‘dia de alvoroço e de desolação, dia de trevas e de escuridão’ (Sf 1.15), um dia de prestação de contas para os iníquos (Rm 2.5; Mt 3.7; Lc 3.17; Ef 5.6; Cl 3.6; Ap 11.18; 14.8-10; 19.15). Por fim, Deus manifestará sua ira mediante o castigo eterno sobre os que não se arrependerem”.

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos 

2º Trimestre de 1998

 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva 

 

Lição 3: O fracasso espiritual dos judeus

Data: 19 de Abril de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Pois que? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado” (Rm 3.9).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Não obstante serem o povo eleito de Deus, os judeus rejeitaram a graça que fora anunciada na lei e nos profetas.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Rm 3.1-4

A incredulidade dos judeus não anula a fidelidade de Deus

 

 

Terça — Rm 11.28

Os judeus tornaram-se inimigos do evangelho por causa dos gentios

 

 

Quarta — 1Ts 2.14-16

Os judeus não agradam a Deus e são contrários a todos os homens

 

 

Quinta — Jr 30.11

A eleição de Israel não isenta os judeus do castigo divino

 

 

Sexta — Gn 12.1-4

O antissemitismo é condenado pela Palavra de Deus

 

 

Sábado — Hb 6.13-18

A eleição de Israel é uma determinação divina e por isso é imutável

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 2.1-16.

 

1 — Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo.

2 — E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem.

3 — E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?

4 — Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência, e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?

5 — Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus,

6 — o qual recompensará cada um segundo as suas obras,

7 — a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, e honra, e incorrupção;

8 — mas indignação e ira aos que são contenciosos e desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade;

9 — tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal, primeiramente do judeu e também do grego;

10 — glória, porém, e honra e paz a qualquer que faz o bem, primeiramente ao judeu e também ao grego;

11 — porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.

12 — Porque todos os que sem lei pecaram sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram pela lei serão julgados.

13 — Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.

14 — Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei,

15 — os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os,

16 — no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.

 

PONTO DE CONTATO

 

Estamos na terceira lição da Epístola de Paulo aos Romanos. Você já tem percebido algumas mudanças na vida de seus alunos em função das lições anteriores? Não?

Então ore, jejue e continue se preparando para que o seu trabalho seja, realmente, eficaz.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Identificarque o juízo de Deus é segundo a verdade independente de outras condições como, posição social, riqueza, nacionalidade, religiosidade, etc.
  • Compreenderque, diante de Deus, seja gentio ou judeu, todos são pecadores.
  • Conscientizar-sede que o juízo de Deus sobre gentios e judeus é com imparcialidade e equidade.
  • Decidirsubmeter-se cada vez mais a Deus, para que a sua consciência seja sempre dirigida por Ele.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Os judeus se achavam superiores e com direito de julgar a todos por serem descendentes de Abraão e detentores da lei. Mas, neste capítulo o apóstolo discorre sobre a incoerência deles, mostrando-lhes que são inescusáveis por conhecerem a lei e não praticá-la. Vemos a imparcialidade do julgamento divino, quando coloca a todos sob a condenação do pecado, tanto judeus como gentios, para que aceitem a justiça de Deus pela fé em Cristo Jesus.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Comece a lição de maneira gostosa e descontraída. Um ambiente alegre pode aumentar muito o índice de aprendizagem. Nesta lição você pode usar uma parábola para introduzir o assunto. Podemos pedir que um dos alunos leia Lc 7.40-43.

Depois da leitura pergunte-lhes: A quem Deus cobrará mais? A resposta deverá ser: a quem Ele der mais. Neste ponto deveremos aproveitar para fazer correlação com a nossa aula, explicando-lhes que os judeus eram detentores da lei. Então, Deus os havia dado muito, mas também cobraria muito deles, e não os constituía juízes dos povos. Porém, deveriam exercer misericórdia para com os que desconheciam ou conheciam pouco a vontade de Deus. Não esqueça de fazer aplicação para a igreja de hoje, mostrando-lhes que, semelhantemente ao recebermos a missão de levar o evangelho ao mundo, somos responsáveis diante de Deus pela salvação dos homens.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Na lição passada, estudamos a depravação generalizada dos gentios denunciada pelo apóstolo Paulo. Mas qual a situação dos judeus? Embora reprovassem o pecado dos gentios, continuaram indesculpáveis diante de Deus.

 

  1. CONSIDERAÇÕES GERAIS

 

  1. Os judeus.A conjunção “portanto”, no v.1, mostra a ligação com o texto anterior. O judeu é identificado, aqui, como aquele que condena pronta e energicamente os pecados dos gentios. Todavia, o apóstolo mostra que eles também são inescusáveis: embora acusem os gentios, praticam os mesmos pecados e iniquidades.
  2. Judeus e gentios.A primeira parte do capítulo 2 (vv.1-16), diz respeito aos judeus como inescusáveis diante de Deus, transgressores da lei divina, tanto quanto aos gentios (ver os vv.9,10,11), já a segunda parte do mesmo capítulo (vv.17-29) diz respeito diretamente aos judeus como inescusáveis. Paulo evidencia a partir deste capítulo o modo de Deus lidar com a raça humana no seu todo. Ou seja: diante de Deus, seja gentio ou judeu, todo mundo é escravo do pecado.
  3. Caráter universal da mensagem divina.Havia entre os pagãos muitos moralistas. Isso significa que tantos os devassos como os moralistas estão sob o pecado. Trazendo essa situação para a atualidade, vemos que tantos os iníquos, identificados em Romanos 1.18-32, como os pecadores “respeitáveis” — religiosos e moralistas, identificados em Romanos 2, precisam nascer de novo, necessitam de um encontro pessoal e transformador com Jesus (Jo 3.3).

 

  1. O JUÍZO DE DEUS

 

  1. Juízo segundo a verdade (vv.2,3).Deus é Deus de justiça e de verdade. É estultícia imaginar que é possível escapar do juízo divino por condenar os pecados dos outros. Infelizmente, há quem aponte os erros alheios como se isso viesse a resolver seus problemas (Mt 7.1-5). Paulo apresenta, aqui, dois grupos: os gregos e os judeus. Ambos mostram que Deus reprova as pessoas manifestamente iníquas. O primeiro por se considerar “melhor” ao pertencer a uma determinada raça, civilização, cultura ou educação considerada superior (2.1-16). O segundo por se escudar em sua religião (2.17-29). Saiba-se, porém, que o juízo de Deus independe de tudo isso, ele é “segundo a verdade” (v.2).
  2. Juízo segundo a culpa acumulada (v.5).Os judeus achavam que, por conhecerem a misericórdia de Deus, não seriam julgados como os gentios. Não se deram conta de que a bondade de Deus era para levá-los ao arrependimento (v.4). Eles falharam em não aproveitar a benignidade divina e, com isso, acumularam, como tesouro, a ira de Deus. “Dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” apresenta seus indícios na atualidade, conforme estudamos na lição passada (Sl 7.11), mas a manifestação plena do juízo está reservada para o dia da ira (Tg 5.3).
  3. Conforme as obras (vv.6,7).E verdade que as obras não salvam, mas elas dão a evidência pública que servem como instrumento para Deus julgar (Pv 24.12). O juízo, segundo a obra de cada um, é um princípio divino baseado na justiça, e não podia ser diferente. É outra maneira da expressão da lei da sementeira (Gl 6.7).

Não confundir, portanto, a doutrina paulina da salvação pela fé. O apóstolo não está ensinando a salvação pelas obras, mas salientando a imparcialidade do julgamento divino sobre gentios e judeus. Caso contrário, o apóstolo estaria numa contradição insuperável (Rm 1.17; Gl 3.11; Ef 2.8,9; Tt 3.5). Devemos entender “vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção” (v.7) como resultado da vida cristã — fruto do Espírito (Gl 5.22).

 

III. O JUDEU

 

  1. O que é um judeu?Responde o rabino Morris Kertzer: “É muito difícil encontrar uma simples definição do que é um judeu. Judeu é todo aquele que aceita a fé judaica. Esta é a definição religiosa. Judeu é aquele que, não tendo afiliação religiosa formal, considera os ensinamentos do Judaísmo — sua ética, seus costumes, sua literatura — como propriedade sua. Esta é a definição cultural. Judeu é aquele que se considera judeu ou que assim é considerado pela sua comunidade. Esta é a definição prática”.

No Novo Testamento, o termo “judeus” indica todo o povo de Israel que tem Abraão como pai (Jo 8.56,57).

  1. Judaísmo.E uma religião que veio de Deus, através de Moisés no monte Sinai. Em nenhum momento Jesus e Paulo desrespeitaram essa religião. O conceito que os rabinos tinham do Judaísmo era calcado no Talmude, que era em si um fardo insuportável (Gl 1.13,14).

Paulo conhecia profundamente o Judaísmo. Jesus disse que não se pode costurar remendo novo em vestido velho, nem colocar vinho novo em odres velhos (Mt 9.16,17; Mc 2.21,22). Na visão do apóstolo, o judeu precisava despir-se do velho homem, e aceitar a justiça de Deus pela fé em Cristo. Os judeus rejeitaram essa provisão divina para a salvação, por isso Paulo critica a hipocrisia dos judeus.

  1. O orgulho do judeu (vv.8-10).A responsabilidade dos judeus é maior do que a dos gentios por causa de seus pendores religiosos e das bênçãos espirituais que Deus lhes conferiu (Rm 9.4,5). Como as bênçãos divinas foram dirigidas primeiramente aos judeus, o julgamento há de vir na mesma proporção (vv.9,10).

 

  1. OS GENTIOS

 

  1. O Juiz.Antes de tudo, convém salientar que o justo Juiz de toda a terra saberá fazer justiça (Gn 18.25). “Porque, para com Deus não há acepção de pessoas” (Rm 2.11; Dt 10.17; At 10.34). Seu juízo é segundo a verdade, e independe de condições externas como posição social, riqueza, nacionalidade, etc. Por isso, os judeus não devem esperar nenhum tratamento especial no dia do juízo. O apóstolo não está enfatizando a culpa do judeu, mas defendendo a equidade do juízo divino.
  2. A obra de cada um (vv.12-14).Jesus disse: “Haverá menos rigor para os de Sodoma, no Dia do Juízo, do que para ti” (Mt 11.24). Isso mostra que há graus de castigo no juízo divino. Assim como há escalonamento no galardão dos salvos (Ap 22.12), da mesma forma haverá também graus de punição para os condenados.

Os judeus incrédulos serão condenados pela própria lei, pois foram agraciados por Deus pela lei escrita — a luz maior. Os gentios, por outro lado, terão um julgamento proporcional à luz natural — luz menor. Como não tiveram acesso à lei, serão julgados pela luz de sua consciência.

  1. A consciência (vv.15,16).É a faculdade inata no ser humano capaz de discernir entre o bem e o mal. É a lei de Deus nos corações. Se nos incrédulos é o testemunho capaz de convencer o homem natural entre o certo e o errado, quanto mais nos crentes! Temos a consciência iluminada pelo Espírito Santo e gravada pela graça! (Jr 31.33). Todo o conteúdo a partir do v.6, é resumido no v.16. Jesus Cristo é o Juiz de todos os homens (At 17.31; 2Co 5.10) e conhece o mais profundo do coração dos homens.

 

CONCLUSÃO

 

Os judeus servem de aviso para todos nós. Muitas vezes nos orgulhamos por motivos infundados (por exemplo: orgulharmo-nos do pentecostalismo), quando deveríamos cuidar sempre da obra da evangelização e de buscarmos o poder do Espírito Santo, e, assim, não corremos o risco de perder as bênçãos de Deus.

 

VOCABULÁRIO

 

Estultícia: Qualidade ou procedimento de estulto; tolo, néscio, imbecil, insensato, inepto; estúpido.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. Qual é o modo de Deus lidar com a raça humana no seu todo?
  2. Diante de Deus, seja gentio ou judeu, todo mundo é escravo do pecado.

 

  1. O que declara o capítulo 2 de Romanos em relação aos judeus?
  2. Todos os judeus são inescusáveis diante de Deus.

 

  1. O que significa “juízo segundo a verdade”?
  2. A justiça de Deus independe de critérios humanos. Ela é segundo a Sua justiça.

 

  1. Por que Paulo critica a hipocrisia dos judeus?
  2. Os judeus rejeitaram a provisão divina para a salvação.

 

  1. Como os gentios serão julgados?
  2. Como não tiveram acesso à lei, serão julgados pela luz de sua consciência.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

O v.11 diz: “porque, para com Deus, não há acepção de pessoas”. O julgamento divino para com os homens é de acordo com a sua resposta à revelação divina. A verdade de Deus se manifesta em diferentes maneiras. No entanto, esta diferença não causa nenhuma mudança na justiça de Deus. O que interessa é que Deus manifesta a sua verdade aos homens e Ele espera deles uma resposta positiva: aceitar a verdade, obedecer a Deus. glorificá-Lo é dar-Lhe graças.

O v.13 emprega dois verbos chaves para a compreensão do ensino de Paulo quanto à relação judeu — lei: ouvir e praticar. A justiça de Deus não era para os que apenas escutaram a lei, mas para os que se arrependeram (“praticam”). Praticar significa dar resposta com fé à oferta divina de justificação. E impossível para todos os homens, tanto judeus quanto os gentios, cumprirem integralmente a lei, mas crer em Deus que c capaz de conceder a justificação é possível. Por isso. Deus não faz acepção de pessoas. Ele justifica os que são “praticantes”, seja dentro (judeus) ou fora (gentios) da lei. Praticantes da lei, aqui, não é praticar os ritos e sinais externos, mas viver a verdade revelada na lei — “mostram a obra da lei no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos...” (v.15).

 

 

Subsídio Doutrinário

 

“‘Portanto és indesculpável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas’.

Quando o apóstolo Paulo fez esta declaração, estava na verdade, acusando os judeus que se consideravam inculpáveis. Paulo coloca o judeu e o gentio na mesma condição espiritual diante de Deus: Culpados! O escritor condena os moralistas que julgavam os erros dos gentios, pois julgavam erros que eram cometidos por eles mesmos. Os judeus julgavam que pelo fato de Deus ter mostrado graça e favor especial à sua raça, os livraria da condenação. Imaginavam que, pelo simples fato de serem israelitas de sangue, estariam salvos. Entretanto, era um conceito comodista e falso. Lucas escreveu a mensagem de João Batista que colocava cada judeu na mesma condição dos demais seres humanos. Se não se arrependessem, de nada valeria serem filhos de Abraão, pois dizia: ‘Porque eu os afirmo que mesmo destas pedras Deus pode Suscitar filhos a Abraão’ — (Lc 3.3-9) (Compare João 8.31-47: Romanos 9.1-13).

Entendemos então que, diante de Deus, tanto judeus como gentios são pecadores e estão debaixo da ira divina. São dois tipos de pecadores, que se protegem atrás de sua ‘própria moralidade’ para se justificarem diante de Deus. O judeu justificava-se na sua ‘religião’ e o gentio na sua moralidade. Porém, a Bíblia responde a ambos e diz: ‘O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará’ (Pv 28.13). ‘És indesculpável quando julgas, ó homem’ (2.1). Esta expressão anula a pretensão do pecador de querer julgar. Na verdade, ele não está em condições de julgar, porque Deus é quem julga. Ele é o Supremo Juiz! Quando Ele sentencia, não há apelação, pois seu julgamento é justo e nele não há possibilidade de erro” (Carta aos Romanos, CPAD).

 

 

Subsídio Devocional

 

Jesus disse em Mt 5.20: “Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus”. O que Jesus pretendia dizer com essas palavras é respondido em Mt 5.21-48. A verdade é que o pecado está no coração dos homens e que as suas intenções são más. A natureza humana é má, ainda que o homem não cometa o ato de pecado. Esta verdade pode ser exemplificada na vida dos próprios judeus. Eles não matavam, mas muitas vezes estavam cheios de ódio; não cometiam adultério, mas permitiam que um homem olhasse para uma mulher com desejos lascivos; exigiam justiça (“olho por olho”), mas não se dispunham a perdoar uns aos outros; amavam aos que os amavam, mas odiavam os inimigos. Que nenhum crente tenha o mesmo pensamento que os judeus, principalmente, os escribas e fariseus — achavam que a sua religiosidade exterior os tomariam salvos diante de Deus. Mas tinham coração cheio de ira, de lascívia, de mentira, de vingança, e de preconceito.  

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos 

 

2º Trimestre de 1998

 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva

 

Lição 4: A experiência de Abraão, nosso pai na fé

Data: 26 de Abril de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça” (Gn 15.6).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A justificação pela fé não é um mero perdão: é o processo pelo qual Deus declara o homem justo, como se este jamais tivesse cometido qualquer pecado.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Is 41.8

Abraão, amigo de Deus

 

 

Terça — Gn 26.5

Abraão obedeceu à Palavra de Deus

 

 

Quarta — Jo 8.53-56

Abraão, pai dos judeus

 

 

Quinta — Gl 3.7

Abraão, pai dos cristãos

 

 

Sexta — Gn 21.13,18

Abraão, pai dos árabes

 

 

Sábado — Hb 11.8-16

Deus não se envergonha de ser chamado “Deus de Abraão”

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 4.1-16.

 

1 — Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne?

2 — Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.

3 — Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

4 — Ora, àquele que faz qualquer obra, não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida.

5 — Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.

6 — Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo:

7 — Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.

8 — Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.

9 — Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão.

10 — Como lhe foi, pois, imputada? Estando na circuncisão ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas na incircuncisão.

11 — E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que creem (estando eles também na incircuncisão, a fim de que também a justiça lhes seja imputada),

12 — e fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé de Abraão, nosso pai, que tivera na incircuncisão.

13 — Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé.

14 — Pois, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada.

15 — Porque a lei opera a ira; porque onde não há lei também não há transgressão.

16 — Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós.

 

PONTO DE CONTATO

 

Você está preocupado com a sua classe? Parabéns! O professor deve ministrar a lição sempre buscando a Deus para que Ele produza a Sua vontade na vida de seus alunos. Sua Palavra é poderosa, por si só, para fazê-lo. Contudo, muitas vezes não vemos mudanças. Então, deveremos repensar o trabalho que estamos realizando, as técnicas utilizadas em nossa aula, e pedir a Deus que nos ajude a promover mudanças, continuando em oração pela classe na busca de melhores frutos.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir, claramente, a justificação operada por Deus na vida do cristão.
  • Explicarporque Abraão é o nosso pai na fé.
  • Entenderque a circuncisão atestou a justificação de Abraão e o significado é o mesmo para o batismo em água.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Nesta lição estudaremos a doutrina da justificação pela fé, usando como base a experiência de Abraão, nosso pai na fé. Na justificação Deus não nos livra do pecado e sim da condenação do pecado. Ele mesmo proveu a justificação através de Cristo Jesus. Não o fez por nosso merecimento, mas por graça. Se provesse livramento da condenação por nosso merecimento, seria por dívida, e isto não seria justificação.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para estudarmos esta lição de maneira interativa e dinâmica poderemos lançar mão da técnica de pequenos grupos de estudo, caso sua classe disponha de sala ou tenha espaço para movimentação de alunos.

Divida a classe em vários grupos, propondo os seguintes temas para serem discutidos, em 5 minutos.

  1. O que é justificação?
  2. Por que Abraão é o nosso pai na fé?
  3. Qual o significado da circuncisão?
  4. Explique o versículo 4.

Após o tempo dado para reflexão os grupos deverão apresentar, sucintamente, a sua conclusão.

O professor poderá pedir a apresentação dos grupos no início da aula ou durante o desenvolvimento da lição, de acordo com a necessidade, fazendo a complementação do assunto, pessoalmente, ou usando a técnica de perguntas e respostas, buscando a participação de todos para a conclusão de cada tema.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

O tema da Epístola aos Romanos: “O justo viverá da fé” (Rm 1.17) é demonstrado no capítulo 4 dessa epístola. Hoje, vamos estudar os elementos usados pelo apóstolo Paulo como sustentação dessa doutrina.

 

  1. A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

 

  1. Definição.A justificação é um ato divino, de cunho jurídico, e implica em declarar justo o indivíduo. Diz Daniel B. Pecota, na obra Teologia Sistemática, Uma Perspectiva Pentecostal (CPAD): “O termo ‘justificação’ refere-se ao ato mediante o qual, com base na obra infinitamente justa e satisfatória de Cristo, na cruz, Deus declara os pecadores condenados livres de toda a culpa do pecado e de suas consequências eternas, declarando-os plenamente justos aos seus olhos”.

Myer Pearlman definiu assim a justificação: “É um ato da livre graça de Deus pelo qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos aos seus olhos somente por ser imputada a justiça de Cristo, que se recebe pela fé”.

  1. Justificação significa perdão dos pecados (vv.7,8).O sentido do verbo “justificar”, (que aparece 39 vezes no Novo Testamento, 27 das quais nos escritos paulinos), vai muito além de um mero conceito jurídico humano e diminuto, e de um estéril pronunciamento forense. Através da justificação, sublime doutrina fundamental, o pecador arrependido passa a ser visto por Deus como um justo.
  2. O que isso representa?Representa vida (Rm 5.17-19), perdão de pecados (vv.7,8), cujo resultado é a santificação. Romanos 4.25 diz que a ressurreição de Jesus originou a nossa justificação. Se Jesus não tivesse ressuscitado não haveria justificação, nem salvação.

 

  1. O PATRIARCA ABRAÃO

 

  1. A fé de Abraão (v.1).Ele estava com 75 anos quando partiu de Harã. Deus prometera-lhe multiplicar a sua descendência, e dar-lhe a terra de suas peregrinações. Promessa esta ratificada quando Abraão era já velho, o qual não duvidou do poder de Deus nem de sua promessa. Abraão não levou em conta a sua idade nem a de Sara, cujo período de maternidade já havia passado. Além disso, ela era estéril.

Essa fé em Deus foi-lhe imputada como justiça. Todo o capítulo 4 de Romanos gira em torno de Gênesis 15.6: “E creu ele no SENHOR, e foi-lhe imputado isto por justiça”. O apóstolo está mostrando que Abraão foi justificado diante de Deus pela fé e não pelas obras.

  1. Uma doutrina coerente (vv.2-5).Essa passagem citada por Paulo não foi uma escolha aleatória. As boas obras de Abraão eram frutos de sua fé em Deus. Vejamos o desdobramento dos versículos acima. Você já viu alguém agradecer a seu patrão por haver recebido seu salário? Claro que não! Por que? Porque o patrão cumpriu com o seu dever, retribuindo-lhe um serviço prestado: “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida” (v.4).

 

III. O REI DAVI

 

  1. A bem-aventurança do perdão (vv.6,7).O apóstolo aproveitou a oportunidade para citar o Salmo 32, que corresponde ao mesmo contexto. O verbo “imputar” no Salmo 32 é o mesmo de Gn 15.6. “Imputar” é creditar ou lançar na conta de uma pessoa. Deus credita a justiça na conta do pecador. Isto é: Deus “conta” os homens como justos por causa do que creem e não por causa de suas obras. Assim, diante de Deus o cristão, embora pecador na condição humana seja posto na posição (imputado) de justo. O salmista diz que é bem-aventurado o homem que obtém o perdão de Deus. O perdão é gratuito, depende de o pecador buscar e crer na bondade de Deus.
  2. Pecados cobertos.Esta expressão dizia respeito às transgressões e pecados “cobertos” com o sangue expiador do sacrifício de animais no tempo do Antigo Testamento (Lv 4.1-5.13; 6.4-30; 8.14-17; 16.3-22). Mas, agora, o perdão dos pecados é alcançado pelos homens através da fé no sacrifício único e perfeito de Cristo pelos pecados (Hb 10.1-12). Essa fé é contada como justiça diante de Deus.

Cabe aqui uma observação: Não confundir “pecados cobertos” com “pecados encobertos”. Esta última expressão diz respeito a pecados escondidos, que, na dispensação da graça, no caso dos fiéis, é necessário confessá-los para se obter vitória (Pv 28.13).

 

  1. A CIRCUNCISÃO

 

  1. Definição.Circuncisão é uma espécie de cirurgia de remoção do prepúcio. Essa prática, em Israel, foi instituída por Deus como sinal da aliança feita com Abraão (Gn 17.11), e depois com toda a nação israelita (Dt 10.16; 30.6).
  2. Novo Testamento.Os cristãos, tanto gentios como judeus, estão desobrigados dessa prática (At 15.3-21; Gl 2.3; 5.6). O apóstolo já havia advertido os gálatas: o cristão que observa tal prática, como condição para a salvação, ainda reconhece a sua dívida com a lei, e, por isso, está obrigado a cumpri-la na sua totalidade (Gl 5.1-4). Em outras palavras, ele volta ao seu estado original de pecador, carente de salvação.
  3. Significado da circuncisão de Abraão (vv.9,10).Se Abraão é o pai dos judeus, segundo a carne (v.1), isso significa que a justificação pela fé é só para os judeus? O apóstolo lembra que Abraão foi justificado pela fé quando ainda era incircunciso. Pois de Gênesis 15.6, (justificação de Abraão pela fé) a Gênesis 17.11, época em que ele foi circuncidado, há um período de 14 anos. Assim, Abraão é o pai de todos os que creem — tanto judeus como gentios. Daí, a Igreja Cristã ser reconhecida como o verdadeiro Israel. O fator raça já não tem qualquer importância na dispensação da graça.
  4. Abraão é nosso pai (vv.11,16).Esta doutrina era uma afronta para os judeus. Para nós que nascemos numa cultura diferente da que viveu Paulo, e por estarmos habituados aos conceitos cristãos, nada disso soa estranho. Naquela época, porém, afirmar que os verdadeiros filhos de Abraão eram os cristãos, independentemente de serem ou não judeus, caía como uma bomba no meio judaico. Nesse sentido, Paulo era visto como progressista e inovador.

Os judeus daqueles dias achavam que Paulo estava destruindo os costumes de seus antepassados, e não se contentaram com isso. Eles também achavam que o apóstolo estava-lhes roubando Abraão como o patriarca da nação israelita. Até mesmo no seio da Igreja, Paulo enfrentava perseguição dos judeus e oposição dos judeus cristãos (2Co 11.24-26). A fúria dos judeus chegava a ponto de perseguirem a Paulo de cidade em cidade, até o prenderem (At 21.20-22,28).

  1. Selo da justiça da fé (v.11).O selo não é a essência de algo que foi selado, mas a sua confirmação ou aprovação oficial do que se acha escrito. Uma pessoa pode ser um exímio motorista, um ás no volante, mas precisa submeter-se a um exame a fim de receber a carteira, que é o certificado que atesta a sua habilitação: No caso de Abraão, a circuncisão atestava a sua justificação; isto é: ele já estava justificado quando foi circuncidado.

O mesmo se pode dizer com respeito ao batismo. O cristão é batizado porque já é salvo, e não para ser salvo. O batismo serve como selo daquilo que já possuímos — a salvação pela fé em Jesus. Se acrescentarmos qualquer coisa à fé, como condição para se obter a salvação, voltaremos ao legalismo. Por isso pregamos que o batismo não é salvação.

 

CONCLUSÃO

 

Se o homem é salvo pelas obras, como ensinam o Judaísmo, o Catolicismo e as seitas, ele não tem de agradecer a Deus. O homem estaria recebendo o salário condizente aos seus feitos. A salvação, portanto, é um ato soberano da graça de Deus (Ef 2.8,9; Tt 2.11; 3.5), e não dos méritos humanos (Is 64.6).

 

VOCABULÁRIO

 

Forense: Respeitante ao foro judicial.
Aleatório: Dependente de fatores incertos, sujeitos ao acaso; casual, fortuito, acidental.
Ad hominem: Argumento com que se procura confundir o adversário, opondo-lhe seus próprios atos ou palavras.
Enfeixar: Atarem feixe, ajuntar, juntar, reunir.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. O que é demonstrado no capítulo 4 de romanos?
  2. O tema da Epístola aos Romanos: o justo viverá da fé.

 

  1. Qual é a definição de justificação?
  2. É um ato divino, de cunho jurídico, que implica em declarar justo o indivíduo.

 

  1. O que significa “imputar como justiça”?
  2. Deus “conta” os homens como justos por causa do que creem e não por causa de suas obras.

 

  1. Por que Abraão é o pai dos que creem?
  2. Porque Abraão foi justificado pela fé quando ainda era incircunciso.

 

  1. Para que serve o batismo em água?
  2. O batismo serve como selo daquilo que já possuímos — a salvação pela fé em Jesus.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Paulo já tinha dito que esta ‘justiça de Deus à parte da lei’ é credenciada pela lei e os profetas — pelo Velho Testamento.

É preciso demonstrá-lo agora, e Paulo se dispõe a fazê-lo baseando-se principalmente na história de Abraão, com uma olhada de relance na experiência de Davi.

De todos os justos de que fala o Velho Testamento, ninguém pôde sobrepujar Abraão — ‘Abraão, meu amigo’, como lhe chama Deus em Isaías 41.8. O testemunho de Deus em favor de Abraão está registrado em Gênesis 26.5: ‘Abraão obedeceu à minha palavra, e guardou os meus mandamentos, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis’. Então, que dizer de Abraão? Se são as obras praticadas pelo homem que o justificam diante de Deus, Abraão teria melhor possibilidade do que a maioria — e poderia candidatar-se a obter algum crédito por isso. Mas não é esse o meio divino. O meio divino está claramente indicado no registro de Gênesis 15.6 quando a promessa divina alcançou Abraão, a despeito da extrema impossibilidade do seu cumprimento por todas as considerações naturais, ‘ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça’. Paulo já tinha usado esta afirmação como base de um argumento ad hominem às igrejas da Galácia, quando se dispunham a abandonar o princípio da fé pelo das obras da lei. Agora ele a emprega como texto de uma exposição mais sistemática do princípio da fé.

O fato de Deus aceitar a Abraão evidentemente não se baseava em suas obras, por boas que fossem. O argumento de Paulo não é apenas textual e verbal, dependendo de uma escolha de Gênesis 15.6 em preferência a outros textos daqueles de Gênesis que podiam ter apontado por outra direção. Pois as boas obras praticadas por Abraão, suas obediências aos mandamentos divinos eram fruto de sua incontestável fé em Deus. Se não tivesse crido primeiro nas promessas de Deus, nunca teria conduzido sua vida daí em diante à luz daquilo que sabia da vontade de Deus. Não. Quando Deus fez uma promessa a Abraão (cujo cumprimento, casualmente, enfeixava o Evangelho todo), ele simplesmente tomou Deus ao pé da letra, e agiu de acordo.

Agora, note a diferença, prossegue Paulo. Quando alguém trabalha por alguma recompensa, essa recompensa lhe cabe. Quando simplesmente põe sua confiança em Deus, é por pura graça que sua fé lhe é imputada para justiça” (Romanos, Introdução e Comentário. F. F. Bruce).

 

 

Subsídio Doutrinário

 

“A expiação de Cristo sobre a cruz importou em satisfação, pois atendeu as reivindicações da lei e da justiça de Deus. Ela proveu-nos um ponto de apoio para que Deus nos olhasse como fôramos justos, e de fato agora o somos: ‘A justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem: porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, [a seu Filho como um sacrifício expiatório. No grego, hilasterion, ‘expiatório’, significa ‘cobriam o propiciatório’. Hb 9.5. Deus o fez] para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus’ (Rm 3.22-25). Ele não leva em conta o tempo da ignorância. Torna-se Ele, assim, justificador daqueles que têm fé em Jesus. Noutras palavras: os sacrifícios do Antigo Testamento demonstravam a profunda paciência de Deus, mas não lhe satisfaziam plenamente a justiça, pois a morte de um animal não pode substituir adequadamente o ser humano. Foi mister o sangue de Jesus para que fosse provido um sacrifício suficiente tanto para os santos do Antigo Testamento quanto para os que, agora, confiam em Jesus, mostrando que Deus é verdadeiramente justo” (Doutrinas Bíblicas. CPAD). 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos 

2º Trimestre de 1998 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva

 

Lição 5: Privilégios dos justificados pela fé

Data: 3 de Maio de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque todas quantas promessas há de Deus são nele sim; e por ele o Amém, para glória de Deus, por nós” (2Co 1.20).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A justificação pela fé é o começo de uma nova vida, trazendo paz, graça, glória e absolvição da ira futura.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Fp 4.7

A paz de Deus excede todo o entendimento

 

 

Terça — Ef 2.18

Por Jesus temos acesso ao Pai

 

 

Quarta — Mt 11.28-30

Em Jesus, encontramos descanso para nossas almas

 

 

Quinta — Mt 5.11,12

Somos participantes dos sofrimentos de Cristo

 

 

Sexta — 1Pe 4.12-16

Se padecemos como cristãos, devemos glorificar a Deus

 

 

Sábado — 1Jo 4.19

Deus nos amou primeiro

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 5.1-11.

 

1 — Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo;

2 — pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

3 — E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência;

4 — e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança.

5 — E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.

6 — Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.

7 — Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.

8 — Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

9 — Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

10 — Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

11 — E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.

 

PONTO DE CONTATO

 

Como está a motivação dos seus alunos pelo estudo da Epístola aos Romanos? Você tem percebido interesse e animação durante as aulas? Que bom! Mas, não se acomode, continue buscando melhorias para a sua classe, com oração, leitura da Bíblia, livros teológicos e didáticos, buscando material auxiliar para enriquecer as suas aulas e tornando-as mais agradáveis e proveitosas. Dessa maneira você irá promover uma maior aprendizagem destes temas tão importantes para a edificação espiritual de seus alunos.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Enumeraros privilégios daqueles que são justificados pela fé.
  • Identificarqual é o efeito imediato da justificação.
  • Explicarque o sofrimento para o cristão tem, como objetivo final, produzir a esperança do porvir.
  • Distinguira situação do homem em inimizade com Deus daquele que é reconciliado mediante Jesus Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Nesta lição estaremos estudando os frutos da justificação pela fé, sua fonte, seus beneficiários e os seus resultados na vida dos cristãos.

Veremos, também, a maneira objetiva e subjetiva do amor de Deus derramado pelos pecadores e a mudança de posição destes, diante de Deus, por causa da Sua graça.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Procure fazer com que seus alunos se sintam valorizados, como pessoa, mostrando-lhes que são importantes para Deus. Todos têm valor inestimável. Demonstre isto promovendo a participação de todos e aproveitando, na medida do possível, a colaboração de cada um. Nesta lição, por exemplo, você poderá distribuir algumas questões escritas num papel para que respondam durante a aula:

  1. Explique a palavra “paz” do versículo 1.
  2. Como “gloriar-se nas tribulações”?
  3. A tribulação produz o quê?
  4. E a paciência?
  5. E a experiência?
  6. E a esperança?
  7. Quando pedimos paciência a Deus o que poderá vir antes?

Pode-se fazer outras questões de acordo com o número de alunos.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Depois de demonstrar, com base no Antigo Testamento, a doutrina da justificação pela fé, Paulo, agora, começa a enumerar as bênçãos provenientes dessa doutrina. Em Romanos 4.25, o apóstolo declara que Jesus ressuscitou para a nossa justificação. Isso serve como ponto de partida para o capítulo 5, que é o estudo de hoje.

 

  1. FRUTOS DA JUSTIFICAÇÃO

 

  1. A segunda seção de Romanos.Os capítulos 5 a 8 de Romanos registram os privilégios dos que são justificados pela fé: paz com Deus (Rm 5): união com Cristo (Rm 6); libertação da lei (Rm 7) e vida abundante no Espírito (Rm 8).
  2. “Temos” ou “tenhamos”? (v.1).A expressão “tenhamos paz com Deus” não é apropriada nesse contexto. “Temos” é a tradução mais adequada, pois a “paz com Deus” nos toma aceitos por Cristo. E, dessa forma, não estamos mais sob a ameaça da ira de Deus. A palavra hebraica para “paz” é shalom, e a grega, eirene, que significa “completo”.
  3. “Paz com Deus” (v.1).O homem no pecado é inimigo de Deus (v.10); mas quando é justificado pela fé em Jesus Cristo, é reconciliado com Deus, e essa reconciliação traz-lhe paz. Esse é o efeito imediato da justificação.
  4. “Entrada pela fé a esta graça” (v.2a).Graça é favor imerecido. Nós não merecíamos a salvação, mas por Jesus, agora, temos acesso a esta graça. É Cristo quem introduz o pecador à presença de Deus. “Estamos firmes” significa o efeito contínuo da justificação.
  5. “E nos gloriamos na esperança da glória de Deus” (v.2b).“Gloriamos” revela o regozijo e o gozo inefável do crente como antecipação das bênçãos futuras. “Glória de Deus” é o mesmo que a manifestação de Deus. Aqui, é uma expressão que significa o céu, lugar da habitação de Deus e de sua manifestação.

 

  1. O SOFRIMENTO

 

  1. Gloriar-se nas tribulações (v.3a).O quadro glorioso registrado nos versículos 1 e 2 não significa uma vida totalmente isenta de tribulações. Jesus disse: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (Mc 8.34)

Essas tribulações não são apenas dores, enfermidades, depressões, tristezas nem aflições; são também as pressões deste mundo hostil que crucificou o nosso Senhor Jesus Cristo (At 14.22). Jesus disse que no mundo teríamos aflição, mas que ficássemos seguros, pois Ele venceu o mundo (Jo 16.33).

  1. Ser cristão não significa ser masoquista.Paulo não afirma nem dá a entender que ser cristão seja sentir prazer no sofrimento. Veja o que ele diz: “mas também nos gloriamos”. A Palavra é realista, mostrando que encontramos espinhos na jornada da vida cristã, e que, mesmo assim, o crente é feliz e glorifica a Deus. Isso em virtude da glória que em nós será revelada (Rm 8.18), e que traz resultados positivos para a vida cristã, pois tudo concorre para o bem dos que amam a Deus (Rm 8.28). Temos júbilos nas bênçãos e também nas tribulações.
  2. “A tribulação produz a paciência” (v.3b).Aqui “paciência”, no grego, é hypomene, que vem de duas palavras gregashypo, “sob” e o verbo meno, “permanecer”.

O referido vocábulo significa: “paciência, perseverança, firmeza, fortaleza”. É a virtude de alguém sofrer com resignação. Se não existisse sofrimento não existiria paciência. Estejamos certos de que o bem proveniente da paciência é maior que os males das tribulações.

  1. A paciência produz a experiência (v.4a).A paciência nas perseguições torna o cristão aprovado e vitorioso (2Ts 1.4,5). Isso serve para o nosso amadurecimento e para uma maior aproximação com Deus.
  2. A experiência produz a esperança (vv.4b,5).O caráter cristão é produzido em meio aos sofrimentos. É nessas circunstâncias que o Espírito Santo mais trabalha a nossa vida, gerando em nós a confiança de que Deus nos levará à glória do porvir. A esperança está entre as principais virtudes da fé cristã, ao lado do amor e da fé (1Co 13.13).

 

III. A MORTE DE CRISTO PELOS PECADORES

 

  1. Quem pode garantir que essa esperança não falhe?A base da justificação são a morte e a ressurreição de Jesus Cristo (Rm 3.24-26; 4.25). Tudo isso provém do amor de Deus (v.8). Paulo demonstra nos vv.6-8 por que a esperança não falha. Ele apresenta duas provas: a evidência subjetiva e a evidência objetiva.
  2. Prova subjetiva (v.5).O amor de Deus derramado em nossos corações, e isso através do Espírito Santo. Esta é a prova subjetiva. Interessante é que o apóstolo acrescentou: “que nos foi dado”. O Espírito Santo nos foi dado quando recebemos a Jesus Cristo como Salvador.

Nada no mundo pode roubar a convicção da vida eterna, pois o Espírito Santo de Deus “testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16). E algo que Deus colocou em nós, e está dentro de nós. Esse amor de Deus inunda todo o nosso ser de esperança e de júbilo. Essa prova, porém, não serve para os outros, mas só para quem tem essa comunhão com Deus.

  1. Prova objetiva (vv.6-8).O amor de Deus está no fato de haver Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. A morte de Jesus é um fato histórico. Por isso é uma prova objetiva.

Éramos inimigos de Deus; ultrajávamos o seu santo nome com palavras e ações. Que interesse Deus poderia ter por nós? Paulo diz: “pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer” (v.7). Ora, se Deus se interessou por nós quando ainda éramos seus inimigos, quanto mais agora que estamos reconciliados com Ele. A morte de Jesus é a prova objetiva e externa do amor de Deus por nós (Jo 3.16).

 

  1. A RECONCILIAÇÃO DOS PECADORES

 

  1. “Muito mais” (vv.9,10).O argumento do apóstolo é indestrutível. No capítulo 5 de Romanos, ele usa quatro vezes a expressão “muito mais”. Duas com referência à segurança do crente, e outras duas (vv.15-17) acerca da abundância da graça. Nós, que estávamos em estado de miséria, e éramos rebeldes e inimigos de Deus, fomos alvos de seu amor inaudito. Fomos justificados no tempo presente. Portanto, “muito mais” agora, que somos filhos de Deus, estamos, por Ele, livres da condenação futura (1Ts 1.10).
  2. Reconciliação (v.11).O referido substantivo só aparece quatro vezes no Novo Testamento grego, e vem do verbokatallasso, “reconciliar”. Quanto ao verbo reconciliar, encontrado nestas passagens: Rm 5.10; 1Co 7.11; 2Co 5.18-20, significa mudar de inimizade para amizade. Foi isso que aconteceu entre nós e Deus!

 

CONCLUSÃO

 

Agora, sabemos e sentimos que estamos reconciliados com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, desfrutamos desses benefícios e privilégios. Quem ainda não tem essa esperança nem está usufruindo das bênçãos mencionadas nessa lição, precisa urgentemente crer na graça de Deus, aceitando a Jesus como o seu Salvador pessoal.

 

VOCABULÁRIO

 

Inefável: Que não se pode exprimir por palavras; indizível.
Masoquista: Que se deleita com o próprio sofrimento.
Hostil: Contrário, adverso, inimigo, agressivo.
Ultrajar: Ofender a dignidade de; difamar, injuriar, insultar, afrontar.
Inaudito: Que nunca se ouviu dizer; de que não há exemplo; extraordinário.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. Quais os privilégios dos que são justificados pela fé?
  2. Paz com Deus (Rm 5); união com Cristo (Rm 6); libertação da lei (Rm 7) e vida abundante no Espírito (Rm 8).

 

  1. Quais são os resultados do sofrimento para o cristão?
  2. Traz resultados positivos para a vida cristã, pois tudo concorre para o bem dos que amam a Deus (Rm 8.28).

 

  1. Por que a experiência produz a esperança?
  2. É nas circunstâncias que o Espírito Santo mais trabalha a nossa vida, gerando em nós a confiança de que Deus nos levará à glória do porvir.

 

  1. Qual a base de nossa justificação?
  2. A base da nossa justificação são a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

 

  1. O que significa a palavra “reconciliar”?
  2. Significa mudar de inimizade para amizade. Foi isso que aconteceu entre nós e Deus!

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“A justificação é o anúncio extraordinário de que o pecador já está plenamente justificado. Aos olhos de Deus, seus pecados já não existem mais, pois ‘quanto está longe o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões’ (Sl 103.12). Miqueias expressa lindamente esse benefício da graça: ‘Quem, ó Deus, é semelhante a ti. que perdoas a iniquidade, e que te esqueces da rebelião do restante da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na benignidade. Tomará a apiedar-se de nós; subjugará as nossas iniquidades, e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar’ (Mq 7.18.19).

Três bênçãos específicas fluem da justificação. A primeira é a redenção dos pecados, cuja pena é a morte — espiritual e física (Gn 2.16.17; Rm 5.12-14; 6.23). Essa penalidade foi removida pela morte de Cristo, o qual suportou o castigo que nos estava reservado (Is 53.5,6; 1Pe 2.24). A justificação implica também a restauração do favor divino. Além de havermos incorrido na penalidade requerida pelas nossas transgressões, havíamos também perdido o favor divino, pois Deus não tem comunhão com o pecado (Jo 3.36; Rm 1.18). No entanto, através da fé em Cristo, fomos restaurados à comunhão com o Pai Celeste (Gl 3.26 e 1Jo 1.3). Finalmente, a justificação traz consigo a imputação da retidão. Assim como a pena pelo pecado fora ‘debitada em nossa conta’, a retidão de Cristo, no ato da justificação, é creditada em nossa conta (Fp 3.9; Gn 15.6). Fomos envolvidos com a pureza de Cristo. Ele tornou-se nossa veste nupcial (Mt 22.11,12)” (Doutrinas Bíblicas. CPAD).

 

 

Subsídio Doutrinário

 

“Mais uma vez é mediante Jesus Cristo que obtivemos igualmente acesso pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes.

Esse segundo benefício da justificação nos introduz à presença de Deus diante do trono da graça, para usufruir de todas as bênçãos a que temos direito como justificados em Cristo. Somos colocados em uma nova posição, visto que já alcançamos a ‘paz com Deus’. Temos agora uma nova posição em Cristo e isto resulta na possibilidade de termos acesso à graça de Deus.

Esse acesso a Deus nos torna filhos de Deus, e a posição de ‘filhos’ em adoção por Jesus Cristo é o passaporte para entrarmos na presença do Pai Todo-Poderoso. Esse acesso significa comunhão mais perene e pessoal com Deus. A palavra acesso no grego é ‘prosagoge’ que dá a ideia de ‘aproximação, introdução’. A palavra introdução dá ideia neste texto de apresentação. Por Jesus Cristo somos apresentados a Deus Pai, sem qualquer outro protocolo. A fé em Jesus é o meio de entrarmos na presença de Deus. Não é um ‘acesso a Deus’ semelhante a alguém que busca entrar ou ter acesso à presença de uma autoridade secular. Não se trata de um acesso mecânico, seco e formal. Para com Deus, o acesso resulta de uma reconciliação feita anteriormente por Jesus Cristo, e que agora, esse ‘acesso à graça’ é espontâneo, sem protocolo, sem impedimentos. É um acesso que significa intimidade com Ele” (Carta aos Romanos, CPAD).

 

 

Subsídio Devocional

 

O cristão não deve encarar o sofrimento da mesma maneira que um não crente. Com as tribulações o caráter cristão alcança aprofundamento e aprimoramento.

Justificado por Deus, o cristão está num processo de transformação de acordo com a imagem de Jesus Cristo. O agente dessa transformação é o Espírito Santo. A tribulação dá a oportunidade para o Espírito Santo operar no cristão essa obra. Imagine se a vida só nos reservasse o sucesso e a alegria, nosso progresso espiritual seria mínimo. Não queremos dizer que o cristão deve viver num conformismo que beira ao masoquismo. Mas que, o sofrimento, inerente à natureza humana, Deus o usa para produzir magníficos resultados no cristão. 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos 

2º Trimestre de 1998

 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva

 

Lição 6: A eficácia da graça de Deus

Data: 10 de Maio de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus” (Cl 3.1).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Não devemos abusar da infinita bondade de Deus mediante a desculpa de que, quanto maior o pecado, maior será a graça divina.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — 1Ts 4.2-7

Nossa santificação é a vontade de Deus

 

 

Terça — Ef 2.8-10

Praticamos as boas obras porque somos salvos e não para sermos salvos

 

 

Quarta — 1Pe 1.14-16

Devemos viver em santidade porque Deus é santo

 

 

Quinta — Gl 2.20

Estamos crucificados com Cristo, pois vivemos para Ele

 

 

Sexta — Hb 12.14

Sem a santificação ninguém verá a Deus

 

 

Sábado — 1Pe 2.11-16

Como deve ser a conduta cristã na sociedade

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 6.1-14.

 

1 — Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?

2 — De modo nenhum! Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

3 — Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?

4 — De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

5 — Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição;

6 — sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado.

7 — Porque aquele que está morto está justificado do pecado.

8 — Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos;

9 — sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele.

10 — Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

11 — Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor.

12 — Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências;

13 — nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.

14 — Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.

 

PONTO DE CONTATO

 

Professor, grande é o seu privilégio de estar junto a uma classe ensinando a Palavra de Deus. A palavra “educar” é derivada do latim educare que significa “conduzir para fora”. Logo, podemos afirmar que o seu trabalho como professor é conduzir para fora o potencial inato do seu aluno. Esta definição de educação também revela-nos, de forma implícita, que o professor não é exatamente quem ensina o educando, mas sim, quem o orienta em sua aprendizagem. Portanto, ao trabalhar este tema, você o levará a descobrir as bênçãos que Deus lhe reservou conduzindo-o a uma vida vitoriosa.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicara função da fé na obra da salvação em relação à lei.
  • Distinguiro viver pela graça de Deus do abuso da liberdade em Cristo.
  • Resolverdeixar as coisas do velho homem e ser beneficiário das bênçãos advindas da nova vida em Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

No capítulo anterior o apóstolo discorre sobre a justificação e a graça encontrada em Cristo Jesus. No capítulo estudado nesta lição, o apóstolo continua o assunto falando agora da eficácia da graça provida por Deus, através de Jesus Cristo. Expõe ao povo sobre a nulidade de viver nos rudimentos da velha doutrina, e desafia-o a viver uma nova vida para Deus, ofertando seus membros como instrumentos de justiça.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

O professor da Escola Bíblica Dominical precisa ser sempre exemplo para seus alunos. Seja amigo, fiel, disciplinado, ordeiro, grato, etc. Nesta lição o apóstolo concita-nos a vivermos para Deus porque fomos salvos pela Sua graça. Então, a nossa atitude precisa ser de gratidão por tudo o que Ele fez e faz.

Sugerimos ao professor que leia com a classe o versículo 13 e pergunte quais são os membros, a que se refere este versículo e que devem ser apresentados a Deus. Após discorrerem sobre o assunto, pergunte-lhes como apresentar estes membros a Deus, e por que fazê-lo? Deixe que cada um participe. Se, você professor, perceber que estão levando muito tempo na condução do assunto, interfira com bastante carinho e tato para não desanimá-los. Inicie a lição nesse clima amistoso e interativo.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Até aqui temos visto que o homem é salvo pela graça de Deus, sem as obras da lei. O capítulo 6 de Romanos mostra que a vida cristã requer santidade e um coração puro.

A graça não significa que o cristão esteja isento de suas responsabilidades diante de Deus, da Igreja e da sociedade. Há incompatibilidade entre o cristão e o pecado. Esse é o tema desta lição.

 

  1. CORRIGINDO UM MAL-ENTENDIDO

 

Depois de haver demonstrado que a salvação dos gentios e judeus dá-se unicamente pela fé, por meio de Jesus Cristo, agora surge uma dificuldade gerada por uma interpretação errônea.

  1. O duplo problema.Se a salvação é pela fé, então cada um pode fazer o que quer e andar como quiser? Se a lei não salva, temos algum compromisso com ela? A dificuldade era dupla, porque havia os que se interessavam por essa interpretação distorcida (Jd v.4). Por outro lado, os que entendiam o ensino paulino dessa forma o condenavam. Haja vista os judeus (Rm 3.8). Mais adiante, o apóstolo defende-se dessa acusação (v.31).
  2. A preocupação do apóstolo.A preocupação de Paulo não era somente evitar o mal-entendido dos seus leitores, mas também defender-se dos que o interpretavam de maneira errônea. O apóstolo via nisso o risco de o Cristianismo cair no antinomianismo, que é libertinagem. A preposição grega anti, significa “contra”, e o substantivo nomos, “lei, norma”. A partir daí o apóstolo dos gentios faz uma exposição mostrando, provando e justificando ser incompatível com o espírito do evangelho de Cristo o crente viver em pecado.
  3. A doutrina de Paulo.Convém lembrar que a Epístola aos Romanos não é fruto do acaso, nem o apóstolo a ditou de improviso conforme as ideias lhe iam surgindo (Rm 16.22).

Essa carta representa o que Paulo vivia. Ele respirava essas coisas. São frutos de muitos anos de experiências com Deus. Ele pregava essa doutrina em todas as igrejas (At 21.21). E, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu essas mesmas coisas aos romanos.

 

  1. A INCOMPATIBILIDADE DO CRISTÃO COM O PECADO

 

  1. Origem das perguntas.As perguntas do apóstolo nos versículos 1 e 2 são diretamente em decorrência dos versículos 20 e 21 do capítulo anterior: “... onde o pecado abundou, superabundou a graça”.

Paulo esclarece que isso não significa que devamos pecar e continuar a pecar para recebermos mais graça. Essas perguntas são o ponto de partida para esclarecer a necessidade de santificação dos crentes, para que ninguém venha confundir a graça de Deus com abuso da liberdade cristã.

  1. Romanos 5.12-19.Nesse texto, o apóstolo traça um paralelo entre Adão e Cristo, mostrando que toda a humanidade está unificada em Adão e em Cristo.

Por causa da transgressão de Adão, todos os homens tomaram-se pecadores, e por isso a morte passou a todos os homens. Mas em virtude da justiça de Cristo, Deus coloca gratuitamente, pela fé em Jesus, a salvação à disposição de toda a raça humana.

  1. O paralelo exato.O apóstolo afirma que, com a promulgação da lei, abundou o pecado. A condição humana piorou ao invés de melhorar. Até que veio o Salvador e então “superabundou a graça”. No v.21, Paulo apresenta um paralelo exato com relação à graça: “Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor”.
  2. O significado de Romanos 5.20.Isso não significa que o cristão deve aprofundar-se no pecado esperando obter maior graça. Mas, assim como o pecado reinou com domínio total sobre o homem, Deus quis que sua graça dominasse, por meio da justiça de Cristo, produzindo vida abundante, no povo salvo.

 

III. MORTO PARA O PECADO

 

Morto para o pecado não significa que o pecado, no cristão, tenha sido zerado. Isso seria perfeição absoluta. Vejamos o que Paulo ensina a respeito.

  1. “Morto para o pecado” (v.2).Essa fraseologia era muito comum entre judeus, gregos e romanos. Para esses povos, “morrer” para uma pessoa, ou coisa, significava separar-se totalmente, não ter mais nada com a situação anterior.

Isso significa que o novo nascimento é o divisor de águas entre o velho homem e a nova vida em Cristo. Não temos mais nada com o mundo; agora vivemos para Cristo (Cl 3.3-5). Como pode alguém estar morto para o pecado e, ao mesmo tempo, continuar a viver nele? Não é possível o cristão viver do mesmo modo que vivia antes de conhecer Jesus.

  1. O velho homem crucificado (v.6a).Não confundir com Gálatas 5.24: “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências”, pois, no v.6, o apóstolo fala de algo que já nos aconteceu, enquanto que, em Gálatas, ele fala de algo que acontece com todos os que são crucificados com Cristo. A primeira (v.6a) fala de morte definitiva, legal — cravado, abolido legalmente —, e é algo passado; enquanto que a segunda diz respeito à morte moral, que é contínua, repetitiva. Essa morte espiritual do cristão, com respeito à santidade, é morte para o pecado; e a de Gálatas 5.24 é a mortificação do “eu”.
  2. Desfeito o corpo do pecado (v.6b).Essa expressão, usada pelo apóstolo, denota a natureza pecaminosa que se exterioriza por meio do corpo. O pecado foi abolido legalmente na morte de Cristo, e com Ele, morremos (2Co 5.14). Diante disso não há como servir a um tirano destronado nem obedecer a um sistema caído.

A palavra grega para “desfeito” tem o sentido de “vencido, dominado” e não destruído. A expressão: “A fim de que não sirvamos mais ao pecado”, assinala o propósito de tudo isso. Ou seja: devemos servir unicamente a Cristo, que é o nosso Senhor.

  1. A morte liberta o homem de suas obrigações (v.7).“Porque aquele que está morto está justificado do pecado”. Não se pode aplicar uma sentença a um morto. Por conseguinte, nosso compromisso com o pecado se foi quando morremos com Cristo. Por isso, estamos libertos do reino do pecado. “Justificado”, aqui, diz respeito à libertação do poder do pecado.

 

  1. VIVO PARA CRISTO

 

  1. A ilustração do batismo (vv.4,5).Paulo ilustra essa situação na prática do batismo, pois os cristãos de então tinham essa experiência (Mt 28.19; At 2.38). Era, portanto, fácil compreender a ilustração do batismo. Essa passagem mostra, com muita clareza, que o batismo é por imersão, como o próprio verbo grego baptizosugere: “mergulhar, imergir”, o oposto de aspergir.
  2. Nossa identidade com Cristo (vv.8-11).Leia mais uma vez os versículos 4 e 5, e veja a analogia que o apóstolo faz. “Sepultados com ele pelo batismo na morte” significa que estamos identificados com Cristo na sua morte. Da mesma maneira, fomos ressuscitados com ele na sua ressurreição (vv.9,10). Diante disso, vem a conclusão: “Considerai-vos como mortos para o pecado; mas vivos para Deus, em Cristo Jesus nosso Senhor” (v.11).
  3. Santificação (v.11).“Vivo para Deus” significa viver em santidade. A santificação é um dos aspectos da salvação, bem como a justificação e regeneração (1Co 6.11; Tt 3.5-7). O termo original grego, hagiasmos, “santificação”, significa “separar do mundo, apartar-se do pecado, consagrar”.
  4. Agora devemos dominar o pecado (vv.12-14).A salvação pela graça traz como resultado a santificação (1Co 6.11). “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal” (v.12), implica viver em retidão moral, de maneira irrepreensível e inculpável no meio de uma geração perversa e corrompida (Fp 2.15; Cl 1.22; 1Ts 2.10).

 

CONCLUSÃO

 

Ainda hoje há quem interprete erroneamente a doutrina bíblica “pela graça e pela fé somente” da sola graciasola fide. Essa doutrina, porém, mostra que não somos servos da lei, mas servos voluntários de Cristo.

Somos livres do pecado para servir à justiça de Deus (Rm 6.18). A salvação pela graça não nos exime de compromissos com Deus, com a Palavra e com a Igreja. Devemos ter muito cuidado, pois o abuso da liberdade cristã leva o cristão à libertinagem.

 

VOCABULÁRIO

 

Libertinagem: Devassidão, desregramento, licenciosidade, crápula.
Fraseologia: Construção de frase peculiar a uma língua, ou a um escritor.
Nulidade: Estado ou qualidade de nulo; que não é válido, que não tem valor.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. Qual é o risco que o Cristianismo corria se cada um pudesse fazer o que quer e andar como quiser, só por que a salvação é pela fé?
  2. O Cristianismo cairia no antinomianismo, que é libertinagem.

 

  1. O que significa a expressão “onde o pecado abundou, superabundou a graça”?
  2. Paulo esclarece que isso não significa que devamos pecar e continuar a pecar para recebermos mais graça. Mas, assim como o pecado reinou com domínio total sobre o homem, Deus quis que sua graça dominasse, por meio da justiça de Cristo, produzindo vida abundante, no povo salvo.

 

  1. Que ilustração o apóstolo apresenta para mostrar a nossa identificação com Cristo?
  2. Paulo ilustra com o batismo em água.

 

  1. O que implica a expressão “não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal”?
  2. Implica viver em retidão moral, de maneira irrepreensível e inculpável no meio de uma geração perversa e corrompida.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

“No AT Deus revelou-se como o Deus da graça e misericórdia, demonstrando amor para com o seu povo, não porque esse merecesse, mas por causa da fidelidade de Deus à sua promessa feita a Abraão, Isaque e Jacó. Os escritores bíblicos dão prosseguimento ao tema da graça como sendo a presença e o amor de Deus em Cristo Jesus, transmitidos aos crentes pelo Espírito Santo, e que lhes outorga misericórdia, perdão, querer e poder para fazer a vontade de Deus (Jo 3.16; 1Co 15.10; Fp 2.13; 1Tm 1.15.16). Toda atividade da vida cristã, desde o seu início até o fim, depende desta graça divina.

(1) Deus concede uma medida da sua graça como dádiva aos incrédulos (1Co 1.4; 15.10). a fim de poderem crer no Senhor Jesus Cristo (Ef 2.8,9; Tt 2.11; 3.4).

(2) Deus concede graça ao crente para que seja ‘liberto do pecado’ (Rm 6.20,22), para que nele opere ‘tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade’ (Fp 2.13; cf. Tt 2.11,12), para orar (Zc 12.10), para crescer em Cristo (2Pe 3.18) e para testemunhar de Cristo (At 4.33; 11.23).

(3) Devemos diligentemente desejar e buscar a graça de Deus (Hb 4.16). Alguns dos meios pelos quais o crente recebe a graça de Deus são: estudar as Escrituras Sagradas e obedecer aos seus preceitos (Jo 15.1-11; 20.31; 2Tm 3.15), ouvir a proclamação do evangelho (Lc 24.47; At 1.8; Rm 1.16; 1Co 1.17,18), orar (Hb4.16; Jd v.20), jejuar (cf. Mt 4.2; 6.16), adorar a Cristo (Cl 3.16); estar continuamente cheio do Espírito Santo (cf. Ef 5.18) e participar da Ceia do Senhor (cf. At 2.42).

(4) A graça de Deus pode ser resistida (Hb 12.15), recebida em vão (2Co 6.1), apagada (1Ts 5.19), anulada (Gl 2.21) e abandonada pelo crente (Gl 5.4)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD).

 

 

Subsídio Teológico

 

“As palavras mais frequentemente usadas no Antigo Testamento para transmitir a ideia de graça são chanan (‘demonstrar favor’ ou ‘ser gracioso’) e suas formas derivadas (especialmente chên) e chesedh (‘bondade fiel’ ou ‘amor infalível’). A primeira refere-se usualmente ao favor de livrar o seu povo dos inimigos (2Rs 13.23; Sl 6.2,7) ou aos rogos pelo perdão de pecados (Sl 41.4; 51.1). Isaías revela que o Senhor anseia por ser gracioso com o seu povo (Is 30.18). Mas a salvação pessoal não é o assunto de nenhum desses textos. O substantivo chên aparece principalmente na frase ‘achar favor aos olhos de alguém’ (dos homens: Gn 30.27; 1Sm 20.29; de Deus: Ex 34.9; 2Sm 15.25). Chesedh contém sempre um elemento de lealdade às alianças e promessas, expresso espontaneamente em atos de misericórdia e amor. No Antigo Testamento, a ênfase recai sobre o favor demonstrado ao povo da aliança, embora as demais nações também estejam incluídas.

No Novo Testamento, a ‘graça’, como o dom imerecido mediante o qual as pessoas são salvas, aparece primariamente nos escritos de Paulo. E um ‘conceito central que expressa mais claramente seu modo de entender o evento da salvação... demonstrando livre graça imerecida. O elemento da liberdade.... é essencial’. Paulo enfatiza a ação de Deus, e não a sua natureza. ‘Ele não fala do Deus gracioso; fala da graça concretizada na cruz de Cristo’. Em Efésios 1.7, Paulo afirma: ‘Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça’, pois ‘pela graça sois salvos’ (Ef 2.5,8)” (Teologia Sistemática. CPAD). 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos  

2º Trimestre de 1998 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva

 

 

Lição 7: A liberdade cristã

Data: 17 de Maio de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl 2.14).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O cristão é servo do Senhor Jesus Cristo é, como tal, não pode ser servo da lei, pois acha-se livre dela.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Tg 2.10

Se alguém tropeçar em um só mandamento é culpado de todos

 

 

Terça — Gl 5.1

Cristo nos libertou da servidão

 

 

Quarta — 2Co 3.9

O ministério da condenação

 

 

Quinta — Gl 3.19

A lei foi ordenada por causa das transgressões

 

 

Sexta — Mt 6.24

Ninguém pode servir a dois senhores

 

 

Sábado — Jr 31.31-33

A promessa do Novo Concerto

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 7.1-12.

 

1 — Não sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive?

2 — Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido.

3 — De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for doutro marido; mas, morto o marido, livre está da lei e assim não será adúltera se for doutro marido.

4 — Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.

5 — Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte.

6 — Mas, agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.

7 — Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão peia lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.

8 — Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência: porquanto, sem a lei, estava morto o pecado.

9 — E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;

10 — e o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte.

11 — Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou e, por ele, me matou.

12 — Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom.

 

PONTO DE CONTATO

 

A Bíblia diz em Provérbios 11.14, que não havendo sábia direção, o povo cai. Isto está relacionado também com o professor. Você é um líder. Seu exemplo e motivação conduzirão a sua classe ao sucesso ao fracasso. Portanto, não culpe seus alunos por aparentes fracassos, ou desinteresse. Ore, jejue, planeje, trabalhe, estude métodos e técnicas buscando resolver as dificuldades de sua classe. Deus que é fiel e verdadeiro cumprirá a Sua promessa feita em Gálatas 6.7 “tudo o que o homem semear também ceifará”.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Identificaro verdadeiro objetivo da Lei de Moisés.
  • Reconhecerque, mortos para o pecado, estamos livres para servir ao Senhor.
  • Escolherviver uma vida de submissão com entendimento e gratidão ao Senhor.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

No capítulo anterior, o apóstolo Paulo tratou sobre a libertação do poder do pecado. Agora, no capítulo 7, ele trata sobre a libertação do poder da lei. Para explicar eficazmente essa libertação, o apóstolo usa a ilustração do matrimônio, a fim de mostrar até que ponto um cônjuge está ligado ao outro mediante a lei do matrimônio.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

O aluno, apesar de estar na posição de aprendiz, pode ser um grande colaborador para o seu professor e trazer enriquecimento para a aula. Cada pessoa tem a sua cosmovisão, ou seja, maneira própria de ver o mundo, que precisa ser respeitada, mesmo que seja contrária a posição do grupo. Contudo, o aluno pode perceber na lição aspectos diferentes dos alcançados pelo professor. Neste caso, um professor sábio aproveitará a oportunidade, trabalhando a motivação da classe, valorizando a contribuição, sem contudo, fugir aos objetivos propostos. Nesta lição você poderá incentivar a participação dos alunos ministrando a lição com perguntas. Por exemplo: Quais as especulações rabínicas sobre a lei? Ou, Como ficou reduzida a Lei de Moisés? Todos os outros tópicos da lição poderão ser usados como perguntas.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

O capítulo 7 de Romanos surpreende tanto cristãos como judeus. Estudamos, na lição passada, a necessidade da libertação do pecado, o que é perfeitamente compreensível. Agora vamos estudar a libertação da lei. O que é a lei afinal? Por que precisamos estar libertos dela? O que o apóstolo quer dizer com tudo isso? São esses os pontos da lição de hoje.

 

  1. A LEI DE MOISÉS

 

  1. Definição.A lei revelava a vontade de Deus quanto à conduta do seu povo; ela não foi dada como meio de salvação. Os judeus definem a Lei de Moisés como a expressão máxima da vontade de Deus. A lei foi abrogada por Cristo (Mt 5.17; Rm 10.4, Hb 7.12).
  2. Especulações rabínicas.Os rabinos afirmavam que a Lei de Moisés consistia de 613 preceitos divididos em dois grupos. Os preceitos positivos (o que se deve fazer) são em número de 248. e representavam o número de órgãos do corpo humano segundo a medicina da época; os preceitos negativos (o que não é permitido fazer) são em número de 365, e representam os dias do ano.
  3. Resumo da Lei de Moisés.Estes preceitos, segundo eles, foram reduzidos a 11, nos dias de Davi (Sl 15.2-5); a 6, nos dias do profeta Isaías (Is 33.15); depois a 3 (Mq 6.8); depois a 2 (Am 5.4); e, finalmente a 1: “O justo pela sua fé viverá” (Hc 2.4b). A doutrina da justificação tem base, portanto, na própria Escritura dos judeus: o Antigo Testamento.
  4. Jesus e a Lei de Moisés (Mt 5.17,18).Havia muitas especulações sobre os preceitos da Lei de Moisés, principalmente nos dias de Herodes, o Grande.

Muitos rabinos resolveram buscar a perfeição na observância dos preceitos da lei. O mais excelente desses mestres só conseguiu observar 230 dos 248 preceitos positivos. Só Jesus cumpriu integral e perfeitamente a lei.

Como querem, pois, os judeus e outros como os adventistas do sétimo dia a justificação pelas obras da lei?

 

  1. A LEI E A ANALOGIA DO CASAMENTO

 

  1. O princípio (v.1).O princípio apresentado pelo apóstolo é que a lei tem domínio sobre o homem enquanto este viver. Estudamos, na lição passada, que a morte isenta o homem de suas obrigações. Esse princípio era bem conhecido de seus leitores, tanto judeus quanto romanos, pois era também comum à legislação romana.
  2. A ilustração (vv.2,3).O apóstolo Paulo, para ilustrar essa doutrina, usa a regra geral e absoluta da indissolubilidade do casamento. Assim como a lei tem domínio sobre homem, da mesma forma a mulher está ligada à lei do marido.

Por essa razão, ela não poderá ser de outro homem enquanto o marido viver. Se isso vier a acontecer, ela tornar-se-á adúltera: “Será considerada adúltera se, vivendo o marido, unir-se com outro homem” (v.3). Morrendo o marido, contudo, ela estará livre para contrair novas núpcias.

  1. A aplicação (vv.4-6).A ilustração mostra que os cristãos estão mortos para a lei. Ou seja: estão livres dela, pois a lei só tem domínio sobre o homem enquanto este vive (v.1).

Nós já morremos com Cristo, por isso estamos livres da lei (Gl 5.1). Na lição passada, estudamos que morremos com Cristo, sendo “sepultados com ele no batismo na morte” (Rm 6.4).

  1. A união com Cristo.Com esses três passos: princípio, ilustração e aplicação, Paulo mostra-nos que, mortos para a lei somos servos voluntários de Jesus. Isso evidencia que não estamos mais sob o domínio da lei. Pois o Senhor Jesus cumpriu a lei (Mt 5.17,18), e morreu por nossos pecados (1Co 15.3).

Como Cristo já satisfez todas as exigências da lei, não estamos mais sob a tutela da lei, mas debaixo da graça (Rm 6.14).

 

III. A TRÍPLICE FUNÇÃO DA LEI

 

  1. “É a lei pecado?” (v.7).Agora cantamos juntamente com o apóstolo Paulo e, com muita alegria, que estamos livres da lei.

Todavia, temos de perguntar: A lei não veio de Deus através de Moisés? (Jo 1.17) Ela não condena o pecado? Por que essa alegria?

Antes que se levante conceitos errôneos sobre a visão paulina da lei, o apóstolo pergunta: “É a lei pecado?”. A resposta é dada imediatamente: “De modo nenhum!”. Então, ele começa a segunda seção do capítulo 7, que vai até ao v.12, justificando a sua resposta.

  1. A lei veio revelar o pecado (v.7).O apóstolo disse que não conheceu o pecado senão pela lei. Isso, aliás, ele já havia dito antes: “Pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20). O apóstolo afirma ainda que a lei serviu como um holofote para trazer à tona o pecado: “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.20).

Por conseguinte, Paulo atribui a lei uma função terapêutica. Ou seja: a lei serviu para mostrar a causa do pecado e o remédio para curá-lo. Esse remédio, logicamente, não é a lei, mas o sangue de Jesus (Rm 3.24-26).

  1. A lei veio provocar o pecado (v.8).Paulo declara que a lei despertou nele toda a concupiscência: “Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência: porquanto, sem a lei, estava morto o pecado” (Rm 7.8).
  2. a) Infância.No v.9, ele diz: “E eu, nalgum tempo, vivia sem lei”. É uma referência à sua infância.
  3. b) O bar mitzvah.“Mas, vindo o mandamento”, uma referência ao bar mitzvah, expressão aramaica que significa “filho do mandamento”. É a maioridade espiritual do judeu, cerimônia religiosa em que o menino faz pela primeira vez a leitura pública da Torah — Lei de Moisés —, ao completar 13 anos. Os judeus dizem que, a partir daí, o menino passa a ser responsável diante de Deus. A passagem de Lucas 2.42 diz respeito ao bar mitzvahde Jesus.
  4. c) O pecado foi ativado.Tendo passado por esse rito judaico, confessa o apóstolo: “Reviveu o pecado, e eu morri”. A lei provocou o pecado. Todos sabem que as proibições tendem a despertar o desejo (v.8).
  5. A lei veio condenar o pecado (v.7).Dos dez mandamentos, o apóstolo tomou o último: “Não cobiçarás” (Êx 20.17). Esse mandamento era então o que mais incomodava Paulo, pois refletia algo interior; não era meramente uma ação exteriorizada. Ele estava mostrando que o pecado não consiste apenas em atos exteriores, mas no que se passa no interior do homem (Mt 5.27,28). Um exemplo é a cobiça.

 

  1. A SANTIDADE DA LEI

 

  1. O problema é o pecado e não a lei (vv.10,11).O apóstolo viveu uma contradição tremenda quando professava o Judaísmo. O mandamento foi ordenado para a vida (Lv 18.5; Rm 10.5), porém, diz ele: “achei eu que me era para a morte” (v.10), por causa do pecado. Confessa Paulo “o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou e, por ele, me matou” (v.11). Essa passagem faz-nos lembrar da queda de Adão: “A serpente me enganou” (Gn 3.13). Há uma ligação dessa experiência pessoal do apóstolo com o episódio do Éden. Isso, portanto, representa a experiência de todo o homem.
  2. A lei é santa (v.12).Paulo responde a pergunta do v.7: “É a lei pecado?”. Depois dessa demonstração até ao v.11, ele conclui: “Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom” (v.12).

Neste sentido comentou o Dr. F. F. Bruce: “O vilão da peça é o pecado. O pecado agarrou a oportunidade que teve quando a lei me mostrou o que era certo e o que era errado, sem me dar poder para fazer o primeiro e evitar o último”. A lei não proveu condições para o homem ser salvo.

  1. A queixa dos judeus não é justa.O criminoso, no cárcere, pode culpar o sistema legal que o levou à prisão, mas o culpado de ele estar na cadeia são os seus próprios atos, e não a lei. Essa analogia se aplica com relação à lei e ao pecado. Isso é o que os judeus ainda não entenderam. Por essa razão os judeus não conseguem simpatizar-se com o apóstolo Paulo. Dizem eles que João Batista nasceu judeu e morreu judeu. Jesus nasceu judeu e morreu judeu. Paulo, porém, nasceu judeu e morreu cristão.

 

CONCLUSÃO

 

Estávamos casados com o nosso primeiro marido: a lei. O apóstolo, porém, trouxe-nos uma notícia do céu: o nosso contrato de casamento fora dissolvido, pois morremos com Cristo (v.4). A lei não tem mais domínio sobre nós. Estamos livres dela para servir, na liberdade do Espírito, a outro Senhor — aquEle que morreu por nós. Que cada crente reconheça essa liberdade a fim de produzir frutos para Deus!

 

VOCABULÁRIO

 

Analogia: Ponto de semelhança entre coisas diferentes. Semelhança, similitude, parecença.
Holofote: Projetor de grande intensidade cuja luz ilumina os objetos à distância.
Terapêutica: Parte da medicina que estuda e põe em prática os meios adequados para aliviar ou curar os doentes; terapia.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. Qual é a definição dos judeus para a lei?
  2. Os judeus definem a Lei de Moisés como a expressão máxima da vontade de Deus.

 

  1. Quem cumpriu integral e perfeitamente a lei?
  2. Jesus Cristo.

 

  1. Qual é a aplicação da ilustração do casamento usada por Paulo?
  2. Mostra que os cristãos estão mortos para a lei. Ou seja: estão livres dela, pois a lei só tem domínio sobre o homem enquanto este vive.

 

  1. Qual é a tríplice função da lei?
  2. A lei veio revelar o pecado; a lei veio provocar o pecado; e a lei veio condenar o pecado.

 

  1. Que notícia o apóstolo trouxe-nos do céu?
  2. O nosso contrato de casamento com lei fora dissolvido, pois morremos com Cristo.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“A palavra traduzida ‘lei’ (gr. nomos; hb. torah) significa ‘ensino’ ou ‘instrução’. O termo lei pode referir-se aos Dez Mandamentos, ao Pentateuco ou a qualquer mandamento no AT. O uso por Paulo da palavra ‘lei’ pode incluir o sistema sacrificial do concerto mosaico. A respeito dessa lei. Paulo declara várias coisas:

(1) Ela foi dada por Deus ‘por causa das transgressões’, i.é., a fim de demonstrar que o pecado é a violação da vontade de Deus, e despertar os homens a verem sua necessidade de misericórdia, graça e salvação de Deus em Cristo (v.24; cf. Rm 5.20; 8.2).

(2) Embora o mandamento fosse santo, bom e justo (Rm 7.12), era inadequado, porque não conseguia transmitir vida espiritual nem força moral (3.21; Rm 8.3; Hb 7.18.19).

(3) A lei funcionou como ‘aio’ ou tutor do povo de Deus até que viesse a salvação pela fé em Cristo (vv.22-26). Nessa função, a lei revelou a vontade de Deus para o comportamento do seu povo (Êx 19.4-6; 20.1-17; 21.1—24.8), proveu sacrifícios de sangue para cobrir os pecados do seu povo (ver Lv 1.5; 16.33) e apontou para a morte expiatória de Cristo (Hb 9.14; 10.12-14).

(4) A lei foi dada para nos conduzir a Cristo a fim de sermos justificados pela fé (v.24). Mas agora que Cristo já veio, finda está a função da lei como supervisora (v.25). Por isso, já não se deve buscar a salvação através das provisões do antigo concerto, nem pela obediência às suas leis e ao seu sistema de sacrifícios. A salvação, agora, tem lugar de conformidade com as provisões no novo concerto, a saber, a morte expiatória de Cristo, a Sua ressurreição gloriosa e o privilégio subsequente de pertencer a Cristo (vv.27-29)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD).

 

 

Subsídio Devocional

 

No livro Carta aos Romanos, CPAD, o pastor Elienai Cabral oferece um comentário esclarecedor a respeito da analogia do casamento usada por Paulo nos versículos 1 a 6:

“‘Assim, meus irmãos, também vós’ (v.4). Paulo faz a aplicação da ilustração do matrimônio aos crentes em Cristo. Num sentido espiritual, o crente está morto para a lei do pecado, estando livre para pertencer a outro. — A quem pertence o crente, uma vez que está livre do poder da lei? — Pertence a Cristo! Aprendemos aqui, conforme a ilustração, que a mulher casada está sob o domínio da lei do matrimônio enquanto o marido estiver vivo. Porém, a morte encerra esse domínio e a mulher fica livre para casar-se outra vez. Entende-se, então, que a mulher casada está sujeita à lei do matrimônio durante o curso da existência do marido, ‘mas se morrer o marido, está livre da lei’ (7.3). Paulo fala especialmente a alguns judeus cristãos que tinham dificuldades de se desvencilharem das ‘amarras da lei’. Imaginavam-se presos a ela, porque nasceram sob a tutela da lei. Paulo ensina que, uma vez que Cristo morreu por todos, sua morte os libertou do poder da lei, ficando livres para um novo modo de vida”. 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos  

2º Trimestre de 1998

 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva

 

 

Lição 8: A liberdade sob a lei do Espírito

Data: 24 de Maio de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão” (Gl 5.1).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A atividade do Espírito Santo na vida do crente não é uma mera ação. E um ministério que nos fortalece como filhos de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Mt 28.19

O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade

 

 

Terça — Jo 14.17

O Espírito Santo habita nos fiéis

 

 

Quarta — Tt 3.5

O Espírito Santo regenera o pecador

 

 

Quinta — 1Co 3.16,17

Somos o templo do Espírito Santo

 

 

Sexta — 1Co 6.11

O Espírito Santo lava, justifica e santifica o homem

 

 

Sábado — Gl 5.18

Somos guiados pelo Espírito Santo porque não estamos debaixo da lei

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 8.1-14.

 

1 — Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.

2 — Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.

3 — Porquanto, o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne,

4 — para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.

5 — Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito.

6 — Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.

7 — Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.

8 — Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.

9 — Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

10 — E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.

11 — E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita.

12 — De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne.

13 — Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.

14 — Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.

 

PONTO DE CONTATO

 

A definição humana de liberdade, segundo Aurélio, é: “Faculdade de cada um decidir ou agir segundo a própria determinação. Estado ou condição de homem livre”. Seguindo este raciocínio, as pessoas tendem a pensar que liberdade é simplesmente poder fazer na vida tudo o que desejam. Mas, a Palavra de Deus ensina que não se pode ser livre “andando segundo a carne”, pois a carne escraviza. Por outro lado, quem anda segundo o Espírito é, de fato, livre. Pode. assim, servir a Deus livremente, pois “os que são segundo o Espírito inclinam-se para as coisas do Espírito”.

Desta forma, esta lição explica a liberdade debaixo da lei do Espírito, a qual mostra-nos que embora submissos à lei de Cristo. Ele não nos trata como escravos, mas como filhos amados. Recebemos o Espírito Santo e por meio dEle somos guiados.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Identificaro conflito espiritual que os cristãos estão sujeitos por causa da carne e do pecado.
  • Descrevera liberdade dos cristãos sob a lei do Espírito.
  • Distinguiras inclinações espirituais das inclinações carnais.
  • Enumeraras provas bíblicas da habitação do Espírito Santo no cristão.
  • Aplicarem sua vida a verdade bíblica que declara nada podermos fazer para obedecer a Deus sem a ajuda do Espírito Santo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Estamos dando continuidade ao assunto anterior que pauta sobre a liberdade cristã e a lei. Porém, nesta lição, encontramos uma nova lei, a do Espírito de vida, um novo princípio que veio quebrar a lei outrora existente, a do pecado e da morte.

Estaremos, agora, estudando sobre a submissão do cristão à lei de Cristo, que é a lei do Espírito de vida, e os seus resultados.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Quem procura, acha. Com esta expressão popular poderemos dar introdução a uma reflexão bastante interessante e de resultados eficazes.

É de se esperar que uma pessoa ao descobrir algo de bom queira praticá-lo. Contudo, só pode fazê-lo quando já o conhece.

Uma pessoa normal e consciente jamais procura ou busca algo sem conhecê-lo, não anda sem destino ou trabalha sem finalidade. Então para obter a liberdade do Espírito precisamos saber exatamente o que é, como consegui-la e como se manifesta na vida do cristão.

Para isto o professor deve, antes de iniciar a aula, investigar o tema junto aos alunos, com o objetivo de conduzi-los a uma reflexão numa busca consciente.

Usando a técnica de perguntas e respostas poderemos fazer o seguinte questionamento:

  • O que é liberdade do Espírito?
  • Como adquiri-la?
  • Como se manifesta na vida do crente?
  • Quais as suas consequências?

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Desde o capítulo 5 até aqui, o Espírito Santo foi mencionado apenas uma vez (5.5). O capítulo 8, porém, mostra que a vida cristã é abundante no Espírito, como bênção da justificação pela fé. Este é o ministério do Espírito, que vamos estudar hoje.

 

  1. O CONFLITO DA LEI

 

  1. Considerações preliminares.Observe que o texto em pauta começa com a conjunção “portanto” (v.1), que mostra sua ligação com o capítulo anterior. E necessário entender a parte final do referido capítulo (7.13-25). Pois só entenderemos o capítulo 8 de Romanos se compreendermos devidamente o conflito da lei.
  2. Paulo como cristão.Há muitas discussões sobre este tema: “O conflito da lei” (7.13-25). O mais provável é que o homem do conflito, em questão, é o apóstolo Paulo, representando os cristãos na sua luta contra o pecado. E, para essa interpretação, há três argumentos:
  3. a) A natureza pecaminosa do homem.Ninguém está totalmente isento do pecado: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos” (1Jo 1.8).
  4. b) O tempo verbal.Antes do v.12, o apóstolo usa o verbo no tempo presente, por exemplo: “...mas eu soucarnal” (v.14), “o que faço não aprovo... o pecado que habita em mim” (vv.15,17). O que não acontece antes do v.13: “... despertou em mim...reviveu o pecado e eu morri... me enganou, e me matou” (vv.8,9,11), que dá a ideia de passado.
  5. c) Reconhecimento de suas fraquezas.O conflito espiritual abrange a confissão de alguém com elevado grau de maturidade cristã, pois reconhece suas debilidades diante da lei, algo que um não convertido dificilmente reconheceria.
  6. Objetivo do texto de Rm 7.13-25.Paulo mostra a luta do homem religioso querendo obedecer à vontade de Deus, sem Jesus e sem o Espírito Santo. O propósito do apóstolo, nessa passagem, é mostrar que nada podemos fazer para obedecer a Deus sem a ajuda do Espírito Santo.

Somos absolutamente impotentes, e necessitamos da libertação do pecado e do “eu”. Mas isso só é possível em Jesus Cristo, nosso Senhor. Por isso, o Espírito Santo não aparece nessa passagem, e o nome de Jesus só aparece no v.25, que é o versículo de transição para o capítulo 8, e que inicia com “portanto”.

 

  1. OS QUE ESTÃO EM CRISTO JESUS

 

  1. A dupla bênção (vv.1,2).Jesus Cristo, em sua morte e ressurreição, nos salvou da condenação — “nenhuma condenação há” (v.1) e “a lei do Espírito de vida me livrou da lei do pecado e da morte” (v.2). Em Romanos, a palavra “lei” pode ser aplicada ao Pentateuco (3.21) e a todas as Escrituras (3.19), pois dos vv.10 a 18 há uma citação de Isaías e cinco dos Salmos. Aqui, no v.2, “lei do Espírito de vida” significa um princípio divino. Princípio esse que quebrou outro princípio maligno — a “lei do pecado e da morte”.
  2. Carne (v.3).O conceito paulino de carne em Romanos pode aplicar-se à humanidade (Rm 3.20), à natureza humana (1.3), ao corpo (2.28), à descendência de um homem (4.1), à fragilidade humana (6.19), à velha natureza do crente (6.6; 7.18,25) e ao homem não regenerado (8.8). No v.3 diz respeito à natureza humana de Cristo (8.3). Ver 1Jo 3.5; 1Pe 2.22; 2Co 5.21.
  3. Uma obra divina.Uma vez que a carne está debilitada e impotente para guardar a lei, acha-se esta impossibilitada de salvar. O problema, então, não era da lei, mas do homem sem qualquer poder para guardá-la.

A lei diz: “faça e viva”, entretanto, a graça diz: “viva e faça”. Fazemos a vontade de Deus com a ajuda e a direção do Espírito Santo para a nossa santificação.

  1. A liberdade do Espírito (v.4).A liberdade em Cristo que gozamos advém do fato de não estarmos debaixo da lei, mas da graça (Rm 6.14). Uma vez debaixo da graça, “não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”. É no capítulo 8 que a operação do Espírito Santo na vida do cristão é manifesta com mais clareza.

 

III. A INCLINAÇÃO DA CARNE E A INCLINAÇÃO DO ESPÍRITO

 

  1. Carnais e espirituais (vv.5,6).O apóstolo fala de dois grupos de pessoas os carnais e os espirituais. Cabe a cada crente fazer uma análise introspectiva para verificar se suas inclinações são carnais ou espirituais.

O homem é aquilo que imagina a sua alma (Pv 23.7). E Jesus afirmou que o homem fala daquilo que o seu coração estiver cheio (Lc 6.45).

O pensamento do homem norteia o seu comportamento. Se a mente é carnal, seu comportamento é carnal, resultando em morte; se a mente é espiritual, seu comportamento é espiritual, resultando em vida e paz.

  1. Inclinação da carne (v.7).Isso significa ter mente carnal, vida controlada pela carne. Tal pessoa não está sob o domínio do Espírito. Quem assim vive, não pode agradar a Deus (v.8). Só conseguiremos agradar a Deus fazendo-lhe a vontade. Mas só o conseguiremos se estivermos sob a direção do Espírito Santo.
  2. Inclinação do Espírito.Os que são justificados pela fé em Cristo, nasceram de novo, e, portanto, são regenerados. São filhos de Deus. Eles ocupam-se inteiramente das coisas de Deus. Procuram conhecer cada vez mais a Cristo, inteirar-se da Palavra de Deus, dedicar-se à evangelização, à oração, ao jejum, ao louvor. Sua expectativa é a vinda de Jesus!

 

  1. O ESPÍRITO SANTO MORA EM NÓS

 

  1. Mudança de homem religioso para homem espiritual.Interessante é observar o contraste entre os capítulos 7 e 8 de Romanos. No capítulo 7, o apóstolo afirma por duas vezes: “o pecado habita em mim” (Rm 7.17,20). No capítulo 8, é o Espírito Santo quem habita em nós (v.9).

Agora, somos devedores ao Espírito, que nos deu vida, e não à carne, que resulta em morte (vv.12,13).

  1. O Espírito de Deus (v.9).O Espírito Santo é chamado “Espírito de Cristo” (At 16.7; Fp 1.19). São referências à deidade absoluta de Jesus (Jo 1.1; 9.5; Tt 2.13). Veja que o Espírito Santo, ou “Espírito de Cristo”, habita em nós (v.9). No versículo seguinte, lemos que Cristo habita em nós (v.10), e o v.11 diz que somos morada da Trindade.
  2. Filhos de Deus (v.14).Somos filhos de Deus por adoção através do sacrifício de Jesus (vv.15-17; Gl 4.5,6). Como filhos, recebemos o Espírito Santo, e, por meio dEle, somos guiados (v.14). Eis porque o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (v.16). O grande privilégio dos filhos de Deus é ser morada do Espírito Santo (1Co 3.16,17).

 

CONCLUSÃO

 

Os muçulmanos prostram-se diante de Alá (Deus em árabe) como escravos e não como filhos. Os judeus não ousam dirigir-se a Deus como Pai apesar de Deus chamar Israel de filho (Os 11.1). No entanto, podemos dirigir-nos a Deus, clamando: Aba Pai. Quão grande é o nosso privilégio!

 

VOCABULÁRIO

 

Introspectivo: Relativo ou pertencente à introspecção; observação da vida interior pelo próprio sujeito; exame que alguém faz dos próprios pensamentos e sentimentos.
Impotente: Que não pode; fraco, débil.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. Qual é o objetivo do texto de Rm 7.13-25?
  2. Paulo mostra a luta do homem religioso querendo obedecer à vontade de Deus. sem Jesus e sem o Espírito Santo.

 

  1. De onde vem a nossa liberdade em Cristo?
  2. Vem do fato de não estarmos debaixo da lei, mas da graça.

 

  1. Por que não podem agradar a Deus os que andam na carne?
  2. Porque têm mente carnal, vida controlada pela carne.

 

  1. Qual é o contraste entre os capítulos 7 e 8 de Romanos?
  2. No capítulo 7, o apóstolo afirma por duas vezes: “o pecado habita em mim” e no capítulo 8, é o Espírito Santo quem habita em nós.

 

  1. Por que o Espírito Santo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus?
  2. Como filhos, recebemos o Espírito Santo e, por meio dEle, somos guiados.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

“Paulo descreve duas classes de pessoas: as que vivem segundo a carne e as que vivem segundo o Espírito.

(1) Viver ‘segundo a carne’ (‘carne’, aqui, é o elemento pecaminoso da natureza humana) é desejar e satisfazer os desejos corrompidos da natureza humana pecaminosa; ter prazer e ocupar-se com eles. Trata-se não somente da fornicação, do adultério, do ódio, da ambição egoísta, de crises de raiva, etc. (ver Gl 5.19,21), mas também da obscenidade, de ser viciado em pornografia e em drogas, do prazer mental e emocional em cenas de sexo, em peças teatrais, livros, vídeo, cinema e assim por diante.

(2) Viver ‘segundo o Espírito’ é buscar a orientação e a capacitação do Espírito Santo e submeter-nos a elas e concentrar nossa atenção nas coisas de Deus. É estar sempre consciente de que estamos na presença de Deus, e nEle confiarmos para que nos assista e nos conceda a graça de que carecemos para que a sua vontade se realize em nós e através de nós.

(3) É impossível obedecer à carne e ao Espírito ao mesmo tempo (vv.7,8; Gl 5.17,18). Se alguém deixa de resistir, pelo poder do Espírito Santo, a seus desejos pecaminosos e, pelo contrário, passa a viver segundo a carne (v.13), toma-se inimigo de Deus (8.7; Tg 4.4), e a morte espiritual e eterna o aguarda (v.13). Aqueles cujo amor e solicitude estão prioritariamente fixados nas coisas de Deus, podem esperar a vida eterna e a comunhão com Ele (vv.10,11,15,16)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD).

 

 

Subsídio Teológico

 

Adoção de filhos é uma das grandes doutrinas da fé cristã. Ela nada tem com filiação, e sim com posição. A expressão deriva de dois termos gregos: “huios” = filho, e “thesis” = posição. A adoção quase não era usada entre os judeus. Os casos mencionados na Bíblia ocorreram fora do ambiente cultural de Israel, como o caso de Moisés (no Egito), Êx 2.10 e At 7.21. O caso de Ester (na Pérsia), Et 2.7,15. O mundo greco-romano onde foi escrito o Novo Testamento, sim, este praticava a adoção de filhos. O termo “huiothesia” é de origem romana, adotado pelos gregos. Paulo, inspirado pelo Espírito Santo o emprega cinco vezes: Rm 8.15,23; 9.4; Gl 4.5; Ef 1.5.

Em nossa cultura, adota-se quem não é filho, mas no caso da Bíblia a adoção espiritual é para quem já é filho de Deus. A Bíblia é clara: “adoção de filhos” (Rm 8.15; Gl 4.5). Deus não adota um crente como filho; este é gerado como tal, pelo Espírito Santo, na regeneração. Na adoção, recebemos a posição de filhos adultos e herdeiros, espiritualmente falando. “Adoção de filhos” não é nossa colocação na família de Deus; isto se dá no novo nascimento. Na adoção, o crente já como filho é elevado à posição de filho adulto e herdeiro da família. Na regeneração há mudança de natureza, pela filiação; na adoção, há mudança de posição.

Lembremo-nos: Deus só adota a quem já é seu filho!

A nossa adoção de filhos de Deus tem ainda um aspecto a cumprir-se no futuro: Rm 8.23 — é a nossa ressurreição ou transformação do nosso corpo, quando então seremos conformados com Jesus Cristo (1Jo 3.2).

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos 

2º Trimestre de 1998

 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva

 

 

Lição 9: Problema da rejeição de Israel

Data: 31 de Maio de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

E, se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição, a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude!” (Rm 11.12).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Embora a Igreja se encontre numa posição espiritual superior a Israel, nem por isso os judeus deixam de ser povo de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Gn 28.14-16

Deus escolheu Israel para abençoar todas as famílias da terra

 

 

Terça — Êx 19.4-6

Deus fez de Israel sua propriedade peculiar

 

 

Quarta — Zc 2.8-12

Israel é a menina dos olhos de Deus

 

 

Quinta — Rm 9.30-33

Israel tropeçou na Pedra da Esquina

 

 

Sexta — Zc 12.10

Israel se converterá ao Senhor Jesus nos últimos dias

 

 

Sábado — Hb 6.13-18

A promessa da eleição de Israel é irrevogável

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 9.4,5; 11.1,25-32.

 

Romanos 9

4 — ...são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas;

5 — dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém!

 

Romanos 11

1 — Digo, pois: Porventura, rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum! Porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.

25 — Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.

26 — E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades.

27 — E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados.

28 — Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.

29 — Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.

30 — Porque assim como vós também, antigamente, fostes desobedientes a Deus, mas, agora, alcançastes misericórdia pela desobediência deles,

31 — assim também estes, agora, foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada.

32 — Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.

 

PONTO DE CONTATO

 

Nesta lição vamos estudar sobre a eleição do povo de Israel. Um tema fundamental para entendermos o propósito de Deus para Israel e sua situação espiritual na atualidade. Trabalhe com sua classe de tal forma que possa se situar nesse contexto histórico-teológico e alegrar-se com a misericórdia divina para com os não-judeus, concedendo-lhes a salvação.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Enumeraros três propósitos de Deus para a humanidade através do povo israelita.
  • Identificarquem são os verdadeiros israelitas diante de Deus.
  • Construirpara sua vida expectativas constantes da volta de Jesus com base no sinal que Israel representa.
  • Aplicarem sua vida a bênção de sermos “participantes da raiz e seiva da oliveira”, porque a rejeição de Israel é a reconciliação do mundo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Contrariando a opinião dos judeus, que, como “povo escolhido” de Deus não se consideravam necessitados da salvação, o apóstolo Paulo explica no capítulo 9 a verdadeira situação espiritual do povo de Israel diante de Deus.

Eles criam que, sendo filhos de Abraão, automaticamente tinham direito a todas as bênçãos da aliança de Deus com Abraão e, por conseguinte, a justificação e a glorificação eram direitos exclusivos dos judeus mediante o seu nascimento natural.

Mas, foi Israel quem rejeitou o Salvador, pelo seu endurecimento espiritual. Assim como os gentios. Deus colocou os judeus em situação de desobediência para usar de misericórdia com todos.

Haverá um dia, então, que Israel embora povo eleito, se voltará para Deus e todos os seus pecados serão tirados.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Podemos introduzir esta aula com uma interessante ilustração.

Na Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo compara Deus a um agricultor que cuida de árvores frutíferas.

A oliveira era uma árvore muito importante para os romanos. Seu fruto tinha várias utilidades. Era usado na salada e, depois de esmagada, a azeitona dava o azeite usado na comida.

Esta imagem é aplicada em Romanos para falar dos judeus, povo especial de Deus, que era a oliveira. Porém, não estavam dando bons frutos. Como num enxerto em árvores frutíferas, o agricultor podou muitos dos ramos e indo ao bosque cortou galhos da oliveira brava, e colocou no lugar dos ramos que havia cortado. Colocou uma casca e amarrou com um barbante. Logo, os novos galhos brotaram e deram bons frutos.

Você poderá tornar a sua aula mais educativa se de alguma maneira, conseguir que seus alunos conheçam a técnica do enxerto.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Os três capítulos de Romanos que tratam da situação de Israel podem ser divididos em três partes: análise da eleição de Israel no passado (9.6-29); a rejeição do Messias por Israel (9.30-10.21); e Israel ocupa o segundo plano até que a plenitude dos gentios se complete (11.1-36).

 

  1. PROPÓSITOS DE DEUS COM ISRAEL

 

  1. O tríplice propósito.Israel, em relação a Deus, enquadra-se biblicamente no contexto histórico, teológico e escatológico das Sagradas Escrituras. Deus escolheu o povo israelita com um tríplice propósito para a humanidade: revelar Seu poder, dar a Bíblia e enviar o Salvador ao mundo. Sem os três capítulos já mencionados, ficaríamos impossibilitados de entender os discursos dos profetas sobre o futuro de Israel, e o Cristianismo poderia correr o risco de ser interpretado como religião antissemita.
  2. Revelar o poder de Deus.Deus mostrou ao mundo a sua grandeza, poder e glória através de Israel (Rm 9.17). Haja vista que Ele suscitou a Faraó para, através da intolerância deste com os israelitas, abater o monarca e dar liberdade ao povo da promessa, e assim mostrar ao mundo o seu grande e eterno poder.
  3. Dar a Bíblia ao mundo.O segundo propósito de Deus para com o povo judeu foi trazer ao mundo os seus oráculos. Israel foi receptáculo dos arcanos divinos; a Bíblia foi dada às nações através de Israel.

O apóstolo Paulo pergunta aos irmãos de Roma: “Qual é logo a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhes foram confiadas” (Rm 3.1,2). Então, através de Israel, Deus entregou a Bíblia ao mundo.

  1. Dar ao mundo o Salvador.A terceira razão da eleição de Israel por Deus foi para dar o Salvador ao mundo. Deus prometeu a Abraão: “... em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Jesus disse para a mulher samaritana: “... porque a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22).

 

  1. ANÁLISE HISTÓRICA DE ISRAEL

 

  1. A ameaça da dispersão.A segurança do povo de Israel residia na sua obediência a Deus; uma vez rompida esta aliança, o povo estaria vulnerável diante das nações. A diáspora (ou dispersão) ser-lhe-ia uma ameaça constante (Lv 26.36-37; Dt 28.25,36,37).

A primeira diáspora ocorreu nos dias de Nabucodonosor, rei de Babilônia (2Rs 24.10-16). A segunda diáspora dos judeus, veio com a destruição de Jerusalém, em 70 d.C, e deu-se por causa de sua incredulidade — rejeitaram o seu Messias (Lc 21.24; 23.28-31).

  1. A incredulidade de Israel.O apóstolo começa o capítulo 9 lamentando a incredulidade de seus compatriotas, e reconhece os privilégios que Deus conferira a Israel no passado (vv.1-5). Em seguida, mostra que o verdadeiro israelita é o que vive pela fé (9.6-8).
  2. A soberania de Deus.A seguir, o apóstolo cita exemplos do Antigo Testamento para mostrar a soberania de Deus sobre suas criaturas, e o direito dEle escolher quem Ele quiser para ser o seu povo. Deste modo, Ele escolheu a Jacó e rejeitou a Esaú, antes mesmo do nascimento destes (9.10-16). A partir do v.23, Paulo mostra, citando os profetas Oséias e Isaías, que o plano de Deus, desde o princípio, era salvar os gentios.
  3. Israel tropeçou.O apóstolo Paulo conclui dizendo que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram-na. Porém, a justiça “que é pela fé” (v.30). Israel, entretanto, que buscava a lei da justiça, não a conseguiu (v.31). Por quê? Porque Israel não seguiu o caminho da fé, mas o das obras, e por isso tropeçou (v.32). Israel tropeçou por haver rejeitado o seu Messias (v.33).

 

III. O VERDADEIRO ISRAEL

 

  1. Deus não rejeitou o seu povo (11.1).Paulo argumenta que Deus não rejeitou o seu povo, cita como prova disso, os judeus cristãos. O exemplo de Elias, que ele apresenta, mostra que os sete mil que não dobraram os joelhos diante de Baal, eram os verdadeiros israelitas (11.2-4). Da mesma forma, a minoria de judeus, que creu em Jesus, são os israelitas de fato (11.5).
  2. Os incrédulos.Como fica a situação dos rebeldes? Pode perguntar alguém. Em Roma, nos dias de Paulo, essa questão obrigou o apóstolo a deter-se um bom tempo sobre o assunto. O fato de Israel ter rejeitado o seu Messias não significa ser ele um povo proscrito por Deus. Isto faz parte do gigantesco plano que Deus traçou antes da fundação do mundo (11.7-12).
  3. Devemos considerar a bondade de Deus.A triste experiência de Israel deve servir de exemplo para a Igreja. Os israelitas eram os filhos naturais de Deus e, não obstante, foram cortados da verdadeira oliveira por causa da incredulidade (11.17-20). Cada cristão, portanto, deve valorizar a sua posição diante de Deus. O que Deus fez conosco é de uma grandeza infinita. Quem vacilar pode ser cortado por Deus assim como aconteceu com Israel (11.21-24).
  4. Israelita espiritual.É o verdadeiro israelita (Rm 4.11-16). O cristão é reconhecido, no Novo Testamento, como judeu, no sentido espiritual. Isto é: pela fé em Jesus, tornou-se ele filho de Abraão (Gl 3.7). “Nem todos que são de Israel são israelitas” (Rm 9.6).
  5. O enxerto.É verdade que hoje a “menina dos olhos” de Deus é a Igreja. A nossa posição espiritual está acima da dos judeus. Os ramos foram quebrados, por culpa dos próprios judeus: “Não que a palavra de Deus haja faltado” (9.6).

A promessa de Deus não foi quebrada, mas os judeus é que recusaram a promessa. Somos como zambujeiros enxertados no lugar deles, e, assim, participamos da raiz e da seiva da oliveira (11.15-19).

 

  1. A SALVAÇÃO DE ISRAEL

 

  1. Restauração nacional.A restauração nacional será seguida da restauração espiritual (Ez 36.24; 37.21). Ou seja: quando todos os ossos se juntarem e formarem os nervos, e as carnes recobrirem os ossos, estará pois o corpo pronto (Ez 36.24; 37,21).
  2. Restauração espiritual.Depois, em 36.25 e 37.22 de Ezequiel, vemos a restauração espiritual dos judeus. Diz ainda o profeta depois de haver profetizado acerca da formação do corpo: “Mas não havia neles espírito” (Ez 37.8).

Quando o espírito de graça e de súplica vier sobre os judeus, aí ocorrerá a restauração espiritual (Zc 12.10; Ez 37.23-28). A partir de então os judeus não mais rejeitarão o seu Messias.

  1. A salvação de todos os judeus (11.26,27).Quando a plenitude dos gentios se cumprir. Deus voltará a tratar com Israel. A rejeição de Israel é parcial e temporária. Por isso que afirmamos que Israel continua sendo povo de Deus. O apóstolo prevê a salvação em massa dos judeus (11.26,27), quando o Messias voltar (Ap 1.7), algo também previsto pelos profetas do Antigo Testamento (Is 59.20; Zc 12.10).

 

  1. A ELEIÇÃO DE ISRAEL

 

  1. Decreto divino.Os decretos, ou conselhos divinos, são imutáveis, irrevogáveis e incondicionais. São coisas que não dependem da vontade, ou da conduta, do homem, pois nasceram no coração e no propósito de Deus.
  2. A promessa do Salvador.Deus prometeu dar à humanidade um Redentor, mas não estabeleceu condições (Gn 3.15). Qualquer que fosse a conduta do homem: crendo nesta promessa ou não; obedecendo a Deus ou não. Ou seja: independentemente de tudo isto, o Salvador viria da mesma forma. E foi o que realmente aconteceu! Este é o conselho divino.
  3. A eleição de Israel é irrevogável (11.28-29).Paulo diz que a eleição de Israel é irrevogável porque é decreto divino. Mesmo sendo os judeus indiferentes ao evangelho, não importa, pois os conselhos divinos são incondicionais: “Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (11.28,29).

Então, por causa da promessa que Deus fez aos pais Abraão, Isaque e Jacó, Israel continuará sendo o povo escolhido (Hb 6.13-18).

 

CONCLUSÃO

 

Israel é o relógio de Deus na terra. Jesus disse: “Olhai para a figueira (Israel), e para todas as árvores; quando já têm rebentado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão” (Lc 21.29-30).

A figueira é Israel. Pelas palavras de Jesus, conscientizamo-nos de quão próximo está “o verão”, pois a figueira está brotando. A restauração nacional já ocorreu, falta apenas chegar o verão para a restauração espiritual.

 

VOCABULÁRIO

 

Iminente: Que ameaça acontecer breve; que está em via de efetivação imediata.
Diáspora: A dispersão dos judeus, no decorrer dos séculos.
Oráculo: Palavra, sentença ou decisão inspirada, infalível, ou que tem grande autoridade.
Arcanos: Segredos, mistérios.
Proscrito: Aquele que foi desterrado; emigrado.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. Quais são os três propósitos divinos com Israel?
  2. Revelar o poder de Deus; dar a Bíblia ao mundo; e dar ao mundo o Salvador.

 

  1. Por que Israel tropeçou?
  2. Porque Israel não seguiu o caminho da fé, mas o das obras.

 

  1. Quem é o verdadeiro israelita?
  2. É o israelita espiritual. Isto é: tanto judeu quanto gentio tornam-se filho de Abraão pela fé em Jesus.

 

  1. Quando se dará a salvação de todo o Israel?
  2. Quando a plenitude dos gentios se cumprir, Deus voltará a tratar com Israel.

 

  1. Por que a eleição de Israel é irrevogável?
  2. Paulo diz que a eleição de Israel é irrevogável porque é decreto divino.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

A respeito dos três elementos distintos no exame que Paulo fez de Israel no plano divino da salvação, a Bíblia de Estudo Pentecostal traz comentário tratando-os na seguinte perspectiva:

“(1) Esse exame de condição de Israel não se refere à vida ou morte eterna de indivíduos após a morte”. Pelo contrário, Paulo está tratando do modo como Deus lida com nações e povos do ponto de vista histórico, i.é., do seu direito de usar povos e nações conforme Ele quer. Por exemplo, sua escolha de Jacó em lugar de seu irmão Esaú (9.11) teve como propósito fundar e usar as nações de Israel e de Edom, oriundas dos dois. Nada tinha que ver com seu destino eterno, i.é., quanto à sua salvação ou condenação como indivíduos. Uma coisa é certa: Deus tem o direito de chamar as pessoas e nações que Ele quiser, e determinar-lhes responsabilidades a cumprir.

(2) Paulo expressa sua constante solicitude e intensa tristeza pela nação judaica (9.1-3). O próprio fato que Paulo ora para que seus compatriotas sejam salvos, revela que ele não admitia o ensino teológico da predestinação, afirmando que todas as pessoas já nascem predestinadas, ou para o céu, ou para o inferno. Pelo contrário, o sincero desejo e oração de Paulo reflete a vontade de Deus para o povo judaico (cf. 10.21). No NT não se encontra o ensino de que determinadas pessoas foram predestinadas ao inferno antes de nascer.

(3) O mais relevante neste assunto é o tema da fé. O estado espiritual de perdido, da maioria dos israelitas, não fora determinado por um decreto arbitrário de Deus, mas, resultado da sua própria recusa de se submeterem ao plano divino da salvação mediante a fé em Cristo (9.33; 10.3; 11.20). Inúmeros gentios, porém, aceitaram o caminho de Deus, que é o da fé, e alcançaram a justiça mediante a fé. Obedeceram a Deus pela fé e se tornaram ‘filhos do Deus vivo’ (9.25,26). Esse fato ressalta a importância da obediência mediante a fé (1.5; 16.26) no tocante à chamada e eleição da parte de Deus.

(4) A oportunidade de salvação está perante a nação de Israel, se ela largar sua incredulidade (11.23). Semelhantemente, os crentes gentios que agora são parte da Igreja de Deus são advertidos de que também correm o mesmo risco de serem cortados da salvação (11.13-22). Eles devem sempre perseverar na fé com temor. A advertência aos crentes gentios em 11.20-23, pelo fato da falha de Israel, é tão válida hoje quando o foi no dia em que Paulo a escreveu.

(5) As Escrituras estão repletas de promessas de uma futura restauração de Israel ao aceitarem o Messias. Tal restauração terá lugar ao findar-se a Grande Tribulação, na iminência da volta pessoal de Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD). 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos  

2º Trimestre de 1998

 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva

 

 

Lição 10: Vivendo uma vida de consagração

Data: 7 de junho de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2.15).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Consagração é exclusividade para Deus e submissão diária a Ele da parte do crente; essa é a vontade de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — 1Jo 5.19

O mundo jaz no maligno

 

 

Terça — Gl 1.4

O presente sistema humano e secular é mau

 

 

Quarta — Fp 2.5

Devemos conformar nossa mente à vontade de Deus

 

 

Quinta — Sl 119.11

O nosso padrão é a Palavra de Deus

 

 

Sexta — Sl 119.104

Devemos aborrecer tudo o que é mau

 

 

Sábado — 2Co 4.4

Satanás cegou o entendimento dos incrédulos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 12.1,2,9-21.

 

1 — Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

2 — E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

9 — O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.

10 — Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.

11 — Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;

12 — alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;

13 — comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade.

14 — Abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis.

15 — Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.

16 — Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos.

17 — A ninguém torneis mal por mal; procurais as coisas honestas perante todos os homens.

18 — Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.

19 — Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.

20 — Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.

21 — Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

 

PONTO DE CONTATO

 

Você tem observado seus alunos? Será que estão vivendo de conformidade com a vontade de Deus? Você tem percebido sinais de mudança em suas vidas como resultado do que estão aprendendo na Escola Bíblica Dominical?

O apóstolo Paulo escreveu a igreja de Roma sobre consagração, possivelmente pelo fato de estar preocupado com o padrão de vida espiritual dos membros daquela igreja. Em 1 Coríntios 11.1o apóstolo nos desafia a sermos seus imitadores. Portanto, devemos ajudar os nossos alunos a viverem uma vida íntegra e fiel, diante de Deus e dos homens.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Descrever como deve ser o culto racional.
  • Resolver fazer a sua parte para que sua mente e interior sejam transformados pela renovação do entendimento, repelindo o modelo mundano.
  • Identificar que o amor, o respeito mútuo e a solidariedade constituem-se no padrão bíblico para os cristãos.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Viver uma vida de consagração é muito mais que ir a reuniões de consagração. Nesta lição estaremos estudando a consagração pessoal. Ou seja: cada pessoa deve fazer sua entrega, dedicação ao Senhor de tudo o que é, de tudo que faz, de tudo que tem, em todos os momentos de sua vida. Deve buscar de Deus transformação para não agir de conformidade com o mundo, e mostrar com suas atitudes que seu viver está de acordo com Aquele a quem se dedica.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para introduzir esta aula poderemos levar os nossos alunos a refletirem sobre “renovação do entendimento”, conforme apresentado no versículo 2. Sugerimos que discutam o tema, porém, usando o versículo 16 de 1 Coríntios 2, com o seguinte questionamento: O que é ter a mente de Cristo? Dê alguns minutos para discutirem sobre o assunto e depois complemente a exposição apresentada pela classe, utilizando a ajuda da Bíblia de Estudo Pentecostal: “Ter a mente de Cristo significa conhecer sua vontade e seu plano e propósito redentor. Significa avaliar e considerar as coisas, da mesma maneira que Deus as vê, atribuir-lhes a importância que Deus lhes atribui, amar o que Ele ama e detestar o que Ele detesta”.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Depois da parte teológica na Epístola aos Romanos, o apóstolo começa a parte prática. E um apelo apostólico a fim de que os cristãos vivam uma vida de consagração a Deus. É o que Deus espera de todos os que desfrutam das bênçãos mencionadas pelo apóstolo na primeira parte de Romanos.

 

  1. ELEMENTOS DO CULTO

 

  1. “Rogo-vos” (v.1).No grego, o verbo é parakaleo, que vem de duas palavras: para, uma preposição grega que significa “ao lado de”; e kaleo, o verbo “chamar”, traduzido no Novo Testamento por “exortar, apelar, recomendar, solicitar”. Deus não está exigindo, mas pedindo. Muitos expositores da Bíblia se surpreendem com essa expressão. Disse um desses grandes expositores: “Surpreendente expressão vinda de Deus! De um Deus contra o qual havíamos pecado, e sob cujo juízo estávamos”.
  2. “Apresenteis o vosso corpo (v.1)”.O verbo “apresentar”, aqui, tem o sentido de “oferecer”. É um ensino extraído dos sacrifícios que se ofereciam sobre o altar, no culto levítico. O hebreu escolhia o melhor para sacrifício e uma vez oferecido a Deus, tal oferenda era propriedade absoluta do Senhor.
  3. Entrega total.É essa a analogia que o apóstolo faz no v.1, com relação à nossa adoração a Deus. Deste modo o apóstolo exorta os crentes para uma vida consagrada. O corpo é o invólucro da alma e do espírito, e é o meio pelo qual revelamos o nosso interior (2Co 5.10). O mesmo corpo que no passado era instrumento para o pecado, agora é o templo do Espírito Santo (1Co 3.16,17), para servir à justiça (Rm 6.13).
  4. “Sacrifício vivo” (v.1).O culto bíblico apresenta pelo menos cinco elementos: oração, cântico, leitura da Palavra de Deus, pregação com o sobrenatural ou testemunho e ofertas (1Co 14.26; 16.1-3). A expressão “sacrifício vivo” mostra o contraste com o serviço religioso externo de Israel nos tempos do Antigo Testamento, pois era um ritual e praticado por força da lei.
  5. Culto.“Culto racional” é a adoração cristã, muito diferente do culto do Antigo Testamento, onde se ofereciam criaturas irracionais. A palavra “culto” é latreia, na língua grega do Novo Testamento e significa “serviço sagrado, adoração”, de onde vem a palavra “liturgia”.
  6. Racional.Do grego logikos, derivado do logos, “palavra, razão”, de onde vem a nossa palavra “lógica”. Os principais dicionários de grego afirmam que logikossignifica também espiritual. A Nova Versão Internacional (NVI), no rodapé, coloca como opção a tradução “culto espiritual”. Essa palavra só aparece mais uma vez no Novo Testamento (1Pe 2.2), onde “leite racional” é traduzido por “leite espiritual” na Versão Almeida Atualizada. Então, “racional”, aqui, não se refere a racionalismo humanista, frio, sem vida e à parte de Deus, mas algo espiritual. Isto é: culto espiritual, resultado da sabedoria e da inteligência espiritual de Cl 1.9. Devemos oferecer a Deus um culto vivo e espiritual.

 

  1. O MUNDO NÃO É PADRÃO PARA A IGREJA

 

  1. O cristão e o mundo (v.2).As palavras gregas para “mundo” no Novo Testamento grego são kosmosaion. Ambas significam o mundo físico e também o pecado.
  2. a) Mundo físico.“Vós sois a luz do mundo [kosmos]” (Mt 5.13). “Pela fé entendemos que os mundos [aion] pela Palavra de Deus foram criados” (Hb 11.3).
  3. b) Pecado.A palavra “mundo”, mencionada no (v.2), é aion, e refere-se ao pecado. Aiontem o sentido de “sistema de coisas; século” e aparece, por exemplo, na expressão “deus deste século” (2Co 4.4).
  4. “...mas transformai-vos” (v.2).A expressão “Não vos conformeis com este mundo” significa que não devemos nos moldar ao mundo. A transformação de nossa mente, e de nosso interior — transformação pelo Espírito Santo (2Co 3.18) repele o modelo mundano. Por isso devemos nos transformar pela renovação de nosso entendimento.
  5. O que é mundanismo?Nenhum crente contesta o fato de que a Bíblia condena o mundanismo. Isso é ponto inquestionável. Embora a palavra “mundanismo” não se encontre na Bíblia, todavia, seu conceito sim. E tudo aquilo que desagrada a Deus (Tg 4.4; 1Jo 2.15-16). O conceito de mundanismo nos dias dos apóstolos, segundo informa a Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, consistia nos teatros, jogos e devassidão.
  6. O mundanismo hoje.O mundanismo hoje está multiplicado em relação aos tempos do Novo Testamento. Segundo aBíblia de Estudo Pentecostal, Satanás apresenta uma ideia mundana de moralidade, “das filosofias, psicologia, desejos, governos, cultura, educação, ciência, arte, medicina, música, sistemas econômicos, diversões, comunicação de massa, esporte, agricultura, etc, para opor-se a Deus e ao seu povo, à sua Palavra e aos seus padrões de retidão”.
  7. O contexto.Tudo isso deve ser analisado à luz de seu respectivo contexto. Não é pecado ser médico nem o crente estudar medicina. O Diabo, porém, pode usar, como tem feito, a medicina para destruir os valores cristãos: prática do aborto e da eutanásia, etc. A ciência, para o ateísmo. A música, para o sensualismo. O mesmo pode acontecer na política, nos sistemas econômicos, etc, mas nem por isso a Bíblia condena alguém ser músico, cientista, político, empresário. Tudo depende do contexto e da finalidade.
  8. A vontade de Deus.Geoffrey B. Wilson afirma com muita propriedade que os três adjetivos “boa, agradável e perfeita” mostram que a vontade de Deus é definida no “que é moralmente bom, prescreve o que é agradável a Ele, e provê um padrão que é eticamente completo” (Mt 5.48). Devemos influenciar o mundo para o bem e não sermos influenciados por ele, para o mal.

 

III. O AMOR FRATERNAL

 

  1. A fraternidade.A segunda parte de Romanos apresenta o mesmo tom das exortações de Jesus no Sermão do Monte. O texto dos vv.9-21 trata do amor fraternal, profundo, sincero e prático, sem hipocrisia, que deve reinar entre os crentes. O amor, o respeito mútuo e a solidariedade constituem-se no padrão para o Cristianismo.
  2. O amor sincero.A partir do v.9 o apóstolo exorta os crentes a observar alguns preceitos sociais, principalmente a comunhão fraternal. Quem não ama ao seu próximo, não ama a Deus (1Jo 4.20). Esse amor deve ser sincero. Isto é: em obras e em verdade, não só em palavras (1Jo 3.18). Essa era a característica da Igreja no primeiro século (At 2.42-47).
  3. Amar os crentes e os inimigos.A grandeza dessa passagem reside também no fato de o apóstolo nos exortar a amar e a perdoar até mesmo os de fora (vv.14,17-21). Isso já fora dito por Jesus no Sermão do Monte (Mt 5.42-48). Devemos procurar essa convivência pacífica com todos, até onde for possível: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (v.18).

 

  1. SOBRE A VINGANÇA

 

  1. Não devemos retribuir mal por mal (v.19).A vingança é prerrogativa de Deus, que é o Juiz de toda a terra (Gn 18.25). Ele como justo Juiz (2 Tm 4.8), além de soberano sabe fazer justiça. “Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor” (v.19) é uma citação de Dt 32.35. É difícil, mas é possível, com a ajuda do Espírito Santo. Deus nos recompensará. Não é pecado requerer seus direitos em juízo. O que não é cristão é um crente levar seu irmão a juízo por questões litigiosas, causando escândalos, quando deveria levar tais coisas ao pastor (1Co 6.1-8).
  2. O exemplo de Jesus. Jesus fundou um império pelo amor.Conquistou as almas pelo amor. Se ele tivesse o nosso ressentimento não teria conquistado Saulo de Tarso, pois o mesmo teve participação na morte de Estêvão (At 7.58: 8.1-3; 22.20). Por isso que a nossa oração a Deus deve ser pela salvação de tais pessoas. Nada melhor do que nosso testemunho e demonstração sincera de amor por elas. Isso fala tão forte a ponto de muitos inimigos, oponentes, perseguidores e faladores se converterem.

 

CONCLUSÃO

 

Vida consagrada envolve todo o nosso ser e em todos os aspectos da vida. É uma entrega total ao Senhor que nos leva a estarmos cada vez mais próximos dEle e, consequentemente, vivermos em amor com os nossos irmãos em Cristo. Assim, teremos poder e graça para vencermos o mundo. E mais do que isso, com o nosso testemunho de fidelidade ao Senhor, conquistarmos os não-crentes para Cristo.

 

VOCABULÁRIO

 

Litigioso: Que envolve litígio; questão judicial; pleito, demanda, pendência.
Eutanásia: Prática, sem amparo legal, pela qual se busca abreviar, sem dor ou sofrimento, a vida de um doente reconhecidamente incurável.
Obsoleto: Que caiu em desuso; arcaico.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. Quais são os elementos do culto bíblico?
  2. Oração, cântico, leitura da Palavra de Deus, pregação com o sobrenatural ou testemunho e ofertas.

 

  1. O que significa “culto racional”?
  2. Significa que o cristão deve oferecer a Deus um culto vivo e espiritual.

 

  1. O que é mundanismo?
  2. E tudo aquilo que desagrada a Deus.

 

  1. O que se constituem no padrão para o Cristianismo?
  2. O amor, o respeito mútuo e a solidariedade.

 

  1. Por que não devemos retribuir mal por mal?
  2. Porque a vingança é prerrogativa de Deus, que é o Juiz de toda a terra.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

“As palavras hebraicas e gregas para ‘santificação’, ‘santo’, ‘dedicação’, ‘consagração’ e ‘santidade’ estão todas relacionadas à ideia de separação. De fato, o conceito central do termo ‘santificação’ é separação. Assim, santificar-se é separar-se do pecado a fim de separar-se para Deus e para a adoração e serviço reverentes e jubilosos. Rica tipologia, temos no sacerdócio levítico do Antigo Testamento, bem como nas cerimônias associadas ao Tabernáculo e, mais tarde, ao Templo. Tudo o que era oferecido a Deus deveria ser separado de modo especial, enfatizando a santidade daquEle que recebia a adoração. Essa dedicação positiva a Deus é sempre a ênfase principal. Para exemplificar, os vasos santos usados no Tabernáculo e no Templo eram separados do liso comum, ordinário. Não podiam ser usados noutro lugar. Porém, não era isso que os tornava santos. Só se tornavam santos ao serem levados ao Tabernáculo, ou ao Templo, e usados na adoração ao Senhor”.

(Doutrinas Bíblicas: Uma perspectiva Pentecostal. CPAD)

 

 

Subsídio Teológico

 

O comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal explica que as expressões “exorta”, “reparte”, “preside”, “exercita”, e “misericórdia”, tratam-se dos dons espirituais:

“(1) Exortar é a disposição, capacidade e poder dados por Deus. para o crente proclamar a Palavra de Deus de tal maneira que ela atinja o coração, a consciência e a vontade dos ouvintes, estimule a fé e produza nas pessoas uma dedicação mais profunda a Cristo e uma separação mais completa do mundo (ver At 11.23; 14.22: 15.30-32; 16.40; 1Co 14.3; 1Ts 5.14-22; Hb 10.24,25)”.

“(2) Repartir é a disposição, capacidade e poder, dados por Deus a quem tem recursos além das necessidades básicas da vida, para contribuir livremente com seus bens pessoais, para suprir necessidade da obra ou do povo de Deus (2Co 8.1-8; Ef4.28)”.

“(3) Presidir ou liderar é a disposição, capacidade e poder dados por Deus, para o obreiro pastorear, conduzir e administrar as várias atividades da igreja, visando ao bem espiritual de todos (Ef 4.11,12; 1Tm 3.1-7; Hb 13.7,17,24)”.

“(4) Misericórdia é a disposição, capacidade e poder dados por Deus para o crente ajudar e consolar os necessitados ou aflitos (cf. Ef 2.4)”.

 

 

Subsídio Devocional

 

Tendo em vista o significado do sacrifício para o viver diário do cristão, F.F. Bruce comenta o seguinte em Romanos, Introdução e Comentário: “Em vista de tudo quanto Deus fez por Seu povo em Cristo, como Seu povo deve viver? Deve apresentar-se a Deus como ‘sacrifício vivo’, consagrado a Ele. Os sacrifícios de animais, oferecidos numa época anterior tomam-se obsoletos graças à oferta que Cristo fez de Si mesmo. Mas sempre há lugar para o serviço divino prestado por corações obedientes. Em vez de viverem pelos padrões de um mundo em desacordo com Deus, os crentes são exortados a deixar que a renovação das suas mentes, pelo poder do Espírito, transforme as suas vidas harmonizando-as com a vontade de Deus”. 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos  

2º Trimestre de 1998

 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva

 

 

Lição 11: O cristão e o Estado

Data: 14 de junho de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Mt 22.21).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Deus delegou poder às autoridades para administrar o Estado, manter a ordem pública para o bem-estar social e garantir o direito de seus cidadãos.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Dt 17.14-20

Os deveres de um rei

 

 

Terça — Tt 3.1,2

O cristão não deve difamar o governo

 

 

Quarta — Is 10.1,2

Aviso de Deus aos parlamentares

 

 

Quinta — Fp 3.20

O crente é cidadão do céu

 

 

Sexta — At 22.25-28

A cidadania do céu não anula a cidadania terrestre

 

 

Sábado — 1Pe 2.13,14

A obediência às autoridades

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 13.1-7.

 

1 — Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.

2 — Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.

3 — Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela.

4 — Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal.

5 — Portanto, é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência.

6 — Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo.

7 — Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.

 

PONTO DE CONTATO

 

Você sabe o que é ser patriota? É a pessoa que ama a pátria e procura servi-la. O patriotismo é, normalmente, fruto de uma boa educação. Contudo, um crente submisso a Deus, mesmo que não tenha tido uma boa formação, intercede pelo seu povo, obedece às autoridades e é fiel aos compromissos para com a sua pátria. Você, professor, pode ajudar seus alunos a assumirem atitudes corretas para com a sua nação.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Identificaro compromisso do cristão com as duas pátrias — a terrestre e a celestial.
  • Justificarporque o cristão deve ser submisso às autoridades.
  • Diferenciara conduta do cristão diante do Estado quando suas leis ferirem a consciência cristã fundamentada na Bíblia.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Esta lição define com clareza os papéis estabelecidos por Deus para Seus Filhos no exercício da cidadania. Estudaremos as atitudes de Jesus e Seus discípulos diante dos deveres para com o Estado e às autoridades constituídas. Estas autoridades foram estabelecidas por Deus para o bem, para a ordem e o cumprimento da lei. Portanto, seguindo o exemplo do Mestre, o cristão deve submeter-se às autoridades conscientemente.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Cada lição deste trimestre oferece uma oportunidade preciosa para corrigirmos atitudes e valores errados que nossos alunos trazem na bagagem de sua educação ao longo de suas vidas. Sugerimos que aproveite esta ocasião para ajudá-los a se posicionarem no exercício da cidadania.

Para esta aula você pode dividir a classe em três grupos, pedindo-lhes que estudem os versículos 8, 9 e 10 de Romanos 13. Dê-lhes alguns minutos para estudo do texto. Peça que cada grupo apresente relato da pesquisa feita a um desses versículos.

Complete a reflexão dos grupos, explorando ao máximo os versículos estudados. E, usando a técnica de perguntas e respostas, incentive a participação de todos procurando averiguar as ideias preconcebidas.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Ser cristão não nos exime de nossos deveres cívicos. A Igreja na condição de segmento da sociedade deve ser submissa ao Estado. A Epístola aos Romanos discorre sobre os cristãos quanto ao seu relacionamento com Estado. É sobre isso que vamos estudar hoje, na apropriada seção da Epístola.

 

  1. CONCEITO DE ESTADO

 

  1. Estado.O apóstolo nessa breve seção de sete versículos, descarta a possibilidade de a Igreja desconsiderar as autoridades constituídas. O Estado é a nação politicamente organizada ou uma coletividade organizada para fins de governo, e a política é a arte de bem governar e administrar. Onde houver uma comunidade, há necessidade de uma hierarquia política e de uma organização para protegê-la, beneficiá-la e regê-la por leis que regulamentem com justiça e equidade a vida em sociedade.
  2. Pátria.Disse Rui Barbosa: “A pátria não é ninguém: são todos... não é um sistema e nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo, é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade”. O cristão, portanto, deve ser patriota, pois é um filho de Deus, tendo na sua vida o amor de Deus e a direção do Espírito Santo para praticar a justiça baseada no amor cristão.
  3. As duas pátrias.O apóstolo Paulo também era cidadão de duas pátrias — cidadão do céu (Fp 3.20) e ao mesmo tempo cidadão romano (At 22.25-28). Era cidadão romano, mesmo sendo judeu e, portanto, pertencente a uma raça subjugada por Roma. Ele reconhecia essa dupla cidadania, pois não renunciou a sua cidadania da terra por se tornar cristão, antes se valeu de suas prerrogativas (At 25.11). Por isso também temos compromisso com as duas pátrias — a terrestre e a celestial.
  4. As leis romanas.Roma era um império tirano e pagão. Uma pirâmide de corrupção e poder, quase que indestrutível. Mesmo assim, suas leis protegeram até mesmo o apóstolo Paulo quando sua vida corria risco entre os judeus (At 23.20-24). Paulo recorreu às leis romanas, quando sentiu-se violado nos seus direitos como cidadão de Roma (At 25.9-11).

 

  1. AS AUTORIDADES CONSTITUÍDAS

 

  1. A submissão (v.1a).“Toda a alma” é o mesmo que todo o homem. O apóstolo escreveu esta mensagem para os cristãos em Roma, a capital do Império. Com certeza devia haver naquela igreja alguma relutância por parte de alguns, com relação ao Estado, de outra forma o apóstolo não iria abordar esse assunto.
  2. “Ordenadas por Deus” (v.1b).A submissão às autoridades é pelo fato destas serem constituídas por Deus para o bem-estar social do povo, incluindo os cristãos. O próprio apóstolo viveu essa experiência, quando as próprias leis romanas protegeram o apóstolo da fúria dos judeus (At 25.9-11). Deus delegou aos homens a sua autoridade.
  3. É pecado resistir às autoridades (v.2).Quem desconsidera as leis e os líderes de sua nação, estado ou município, está simultaneamente desconsiderando o bem-estar da população e a ordem pública. Se o cristão se recusa servir a sua nação, ele não está amando o seu próximo, nem colaborando para o bem-estar da sociedade.
  4. Oração pelos governantes.Agora, a vida espiritual de cada um é outro assunto; por isso devemos orar por eles (1Tm 2.1-4). Devemos orar pelos nossos governantes, tanto pela sua administração como também para a salvação deles, e para que possamos ter uma vida pacífica na sociedade.

 

III. O SERVIÇO MILITAR

 

  1. A espada (v.4).As forças armadas e as polícias civil e militar ou qualquer corporação afim, não são uma figura decorativa. Essas instituições existem para manter a ordem pública. Por isso é necessário punir os infratores da lei. Essa punição é representada nesse texto (v.4), pela palavra “espada”.
  2. Pena capital.Muitos entendem que o v.4 é uma referência à pena capital. Pode ser. Deus instituiu a pena capital (Gn 9.6; Lv 20.10). Essas penas no Antigo Testamento foram substituídas na Nova Aliança pelas exclusões do rol de membros da Igreja (cf. Lv 20.10; 1Co 5.1-5). O apóstolo não ordena, não encoraja e nem aconselha a pena capital; simplesmente reconhece que ela existe.
  3. A Bíblia não condena um cristão ser militar.Não há na Bíblia nenhuma proibição ao serviço militar ou a quaisquer cargos públicos. João Batista recomenda aos soldados que fossem bons servidores do Estado (Lc 3.12-14). Não está escrito que Pedro obrigou Cornélio a abandonar a sua centúria (At 10.30-46), nem tampouco obrigou Paulo ao carcereiro de Filipos a deixar a sua função pública, pois o mesmo carcereiro transmitiu a Paulo e a Silas a ordem de soltura deles (At 16.31-36).
  4. O centurião de Cafarnaum.Jesus em nenhum momento condenou ou desprezou o serviço militar ou a quem a ele servia. Tanto é verídico isto que Ele curou o criado deste militar (Mt 8.13). É importante notar que o mesmo que ensinou o amor ao próximo não condenou o centurião por ser um servidor do exército que dominava o próprio povo judeu.
  5. Cafarnaum.Provavelmente Cafarnaum era um posto militar importante do governo romano. Jesus não mandou que o centurião de Cafarnaum abandonasse o cargo (Mt 8.5-13). Centurião é o comandante militar de uma centúria (companhia de cem homens), mas poderia ser uma unidade militar maior.
  6. Atitude do centurião.Pela atitude que o centurião tomou (Mt 8.8) podemos observar que ele era um homem humilde, talvez até religioso, pois tinha bom testemunho dos judeus (Lc 7.5). A demonstração de fé do centurião, que muito impressionou o Senhor Jesus Cristo, foi exatamente sobre o serviço militar: “Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai, e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faz isto, e ele o faz” (Mt 8.9). Jesus se admirou da fé dele (Mt 8.10).

 

  1. RECONHECENDO OS DIREITOS DO ESTADO

 

O cristão tem o dever de cuidar do bem-estar de todos, e isso inclui o princípio bíblico de amar ao próximo. Não reconhecer as normas baixadas pelo Estado com o propósito de preservar a ordem e o bem-estar da sociedade é uma rebeldia contra os governantes diametralmente contrária a Deus, pois a autoridade “é ministro de Deus para o teu bem” (Rm 13.4).

  1. Os limites de César.O apóstolo Paulo escreveu esse ensino num período histórico de relativa calma no Império Romano, com o objetivo de estabelecer regras gerais sobre a conduta do cristão em relação aos governantes terrenos. Essa obediência aplica-se a circunstâncias normais, porque, se de alguma forma essas leis vierem a ferir a consciência cristã fundamentada na Bíblia, não devemos considerá-las, pois os direitos de César terminam onde começam os de Deus. César não pode ir além dos limites delegados por Deus. Numa situação como essa ficamos com a Palavra de Deus (At 4.18,19).
  2. Em caso de anomalia estatal.Num sistema monstruoso, brutal, como o nazismo, a atitude do cristão torna-se bem diferente da que seria numa situação normal. Numa situação de anomalia, a atitude do cristão deve ser semelhante à de Pedro e João: “Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus?” (At 4.19; 5.29).
  3. O tributo (v.6).A tributação existe como recursos para gerir o Estado e desta forma proporcionar a segurança do povo, o bem-estar social e manter a ordem pública. Os impostos são revertidos para benefícios da própria sociedade: “Por esta razão pagais tributos”. É, portanto, nosso dever obedecer às autoridades, pagando-lhes impostos (v.7).
  4. A responsabilidade cristã.O cristão como cidadão tem o dever de obedecer às autoridades, pagando-lhes os impostos porque é mandamento bíblico (Rm 13.7). É pecado sonegar impostos. Somos a luz do mundo (Mt 5.14). A Igreja deve sempre ser o espelho da sociedade. O próprio Jesus pagou impostos, sendo Ele dono de tudo; isso para não escandalizar os que estavam de fora e para nos deixar o exemplo (Mt 17.24-27).

 

CONCLUSÃO

 

Vivemos num país democrático. Demos graças a Deus por isso. Oremos com perseverança pelas nossas autoridades. É melhor um governo imperfeito do que governo nenhum, onde prevalece o poder absoluto, arbitrário, perverso e desumano. Também, diante de leis perversas não devemos ser omissos. Ver Is 10.1,2; Tg 5.4-6.

 

VOCABULÁRIO

 

Cidadania: Qualidade ou estado de cidadão — indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este.
Cívico: Relativo aos cidadãos como membros do Estado.
Hierarquia: Ordem e subordinação dos poderes eclesiásticos, civis e militares; graduação da autoridade, correspondente às várias categorias de funcionários públicos; classe.
Monopólio: Exploração, posse, direito ou privilégio exclusivos.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. Por que temos compromisso com as duas pátrias — a terrestre e a celestial?
  2. A exemplo de Paulo, não renunciamos a cidadania da terra por nos tornamos cristãos.

 

  1. Por que devemos ser submissos às autoridades?
  2. A submissão às autoridades é pelo fato destas serem constituídas por Deus para o bem-estar social do povo, incluindo os cristãos.

 

  1. Por que devemos orar pelos nossos governantes?
  2. Para que possamos ter uma vida pacífica na sociedade.

 

  1. O que devemos fazer quando as leis do Estado vierem a ferir a consciência cristã fundamentada na Bíblia?
  2. Não devemos considerá-las, pois os direitos de César terminam onde começam os de Deus. Nessa situação ficamos com a Palavra de Deus.

 

  1. Porque Jesus pagou impostos?
  2. Para não escandalizar os que estavam de fora e para nos deixar o exemplo.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Deus ordena que o cristão obedeça ao estado, porque este, como instituição, é ordenado e estabelecido por Deus. Deus instituiu o governo porque, neste mundo caído, precisamos de leis para nos proteger do caos e da desordem como consequências naturais do pecado.

(1) O governo civil, assim como tudo mais na vida, está sujeito à lei de Deus.

(2) Deus estabeleceu o estado para ser um agente da justiça, para refrear o mal mediante o castigo do malfeitor e a proteção dos elementos bons da sociedade (vv.3,4; 1Pe 2.13.17).

(3) Paulo descreve o governo, tal qual ele deve ser. Quando o governo deixar de exercer a sua devida função, eleja não é ordenado por Deus, nem está cumprindo com o seu propósito. Quando, por exemplo, o estado exige algo contrário à Palavra de Deus, o cristão deve obedecei a Deus, mais do que aos homens (At 5.29, cf. Dn 3.16-18; 6.6-10).

(4) É dever de todos os crentes, orar em favor das autoridades legalmente constituídas (1Tm 2.1.2)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD).

 

 

Subsídio Doutrinário

 

“A respeito da relação entre Igreja e Estado mencionada no texto de Rm 13.1-7, o pastor Elienai Cabral, no livro Carta aos Romanos, CPAD, afirma que cada qual tem a sua missão distinta, mas são interligados pelos objetivos. Prossegue: ‘O serviço cristão nesta esfera alcança toda a sociedade, e o crente deve ter um comportamento à altura dos verdadeiros ideais do cristianismo’.

13.1. ‘Toda alma esteja sujeita às potestades superiores’. O apóstolo recomenda a submissão à autoridade constituída. A seguir, o texto declara a razão por que devemos nos submeter às autoridades: ‘Porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus’. A palavra ‘potestade’ refere-se a ‘autoridade, ou poder delegado’. Nesta parte do versículo, Paulo declara que toda a autoridade vem de Deus.

13.2. Neste versículo, o resistir às autoridades significa resistir a Deus, por isso estamos legalmente obrigados a reconhecer e a obedecer às autoridades constituídas. Resistir à autoridade é opor-se à lei divina, pois Deus mesmo reconhece a lei civil. Quebrar a lei ou transgredi-la implica em consequências negativas, isto é, em condenação, não só da parte das autoridades civis, mas também da parte de Deus.

13.3,5. ‘Porque os magistrados não são terror para as boas obras’. Quando alguém pratica o bem não tem o que temer. Note que Paulo declara que a autoridade civil é ministro de Deus (v.4), por isso, o crente deve orar a Deus pelas autoridades constituídas e submeter-se a elas (v.5). Devemos nos submeter às autoridades por dever de consciência. O crente obedece, não por medo de ser punido, mas porque sua consciência lhe mostra o que deve fazer.

13.6,7. Nossa responsabilidade para com as autoridades. Não só devemos acatá-las e obedecer-lhes na ‘letra da lei’, mas devemos cumprir os seus regulamentos. Paulo declara que, por razão de consciência, devemos também 'pagar tributos'. Esses tributos são os impostos que sustentam os governos. No versículo 7 diz: ‘Dai a cada um o que deveis’. Esse é um dever de todo o crente. Se for tributo, dê-se a quem se deve dar tributo. Se o temor, dê-se a quem se deve temor, isto é, respeito e reverência. Se é honra, dê-se honra a quem se deve honra”. 

 Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos  

2º Trimestre de 1998

 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva

 

 

Lição 12: A tolerância para com os fracos na fé

Data: 21 de Junho de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão” (Lc 6.37).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Não existe pecado que os cristãos mais “ardorosos” sejam mais inclinados a cometer do que o de criticar os outros.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Pv 6.16-19

Qual a sétima coisa que Deus abomina?

 

 

Terça — Mt 7.1-5

O Senhor Jesus condena o julgamento temerário do próximo

 

 

Quarta — Jo 7.24

Não julgueis segundo a aparência

 

 

Quinta — 1Co 4.3-5

Quem nos julga é o Senhor

 

 

Sexta — Rm 2.1-3

Deus condena quem julga os outros e comete os mesmos pecados deles

 

 

Sábado — Tg 1.26,27

Quem cuida ser religioso e não refreia a sua língua a religião desse é vã

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 14.1-12.

 

1 — Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas.

2 — Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes.

3 — O que come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu.

4 — Quem és tu que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar.

5 — Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo.

6 — Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. O que come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come para o Senhor não come e dá graças a Deus.

7 — Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre para si.

8 — Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.

9 — Foi para isto que morreu Cristo e tornou a viver; para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos.

10 — Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo.

11 — Porque está escrito: Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante mim, e toda língua confessará a Deus.

12 — De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.

 

PONTO DE CONTATO

 

Você é tolerante? E os seus alunos, será que são tolerantes? Ser tolerante é admitir e respeitar opiniões contrárias à sua. Será que seus alunos respeitam as diferenças existentes no seu meio? Ajude-os a refletir sobre o assunto. Por mais que o grupo seja unido, coeso, sempre haverá diferenças. Estas precisam ser vistas com amor. carinho e respeito. Pois, em última instância, cada pessoa é livre para tomar as suas decisões e viver como bem lhe aprouver. Nem Deus lhe tira esse direito. Embora, isso não signifique dizer que os homens são isentos de responsabilidades e compromissos.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Distinguiro padrão de conduta judaico do padrão estabelecido pelo Cristianismo.
  • Identificarem quais questões se envolvem os cristãos fracos na fé.
  • Aplicarem seu viver diário a atitude bíblica da tolerância.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A Igreja de Cristo é constituída de diferentes pessoas. São cristãos que têm valores e formações distintas e com qualificações diversificadas. Não obstante estarem unidos numa só fé, continuam sendo diferentes, pois são únicos. Nesta lição estaremos estudando a vontade de Deus para sua Igreja com relação a valores terrenos, pessoais e como tratar com estas diferenças de maneira pacífica e cristã.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Sugerimos para esta lição o uso da técnica de perguntas e respostas para avaliar o conhecimento prévio da classe com relação a julgamento. O nosso objetivo final é levá-los a serem tolerantes com os fracos. Contudo, se forem juízes de seus irmãos não conseguirão ser tolerantes como Deus deseja. Pergunte se sabem conceituar a palavra julgar. Ouça-os e depois dê o resultado de acordo com o dicionário Aurélio: “Decidir como juiz ou árbitro: julgar uma pendência”. Leve-os a arrazoar sobre a atitude de serem árbitros de alguém. Será que temos este direito? E Jesus como agiria em nosso lugar? Como Ele agiu no caso da mulher adúltera? Se Ele teve uma atitude de perdão para com uma pecadora, como devemos agir com os nossos irmãos em Cristo?

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Estudamos na primeira parte da Epístola aos Romanos a teologia paulina da justificação pela fé, sem as obras da lei, centrada em 1.17; 3.28. Nas duas últimas lições estudamos a parte prática, começando com a consagração a Deus e depois o nosso compromisso com o Estado. De 14.1 a 15.6 o apóstolo discorre sobre a tolerância — o cristão não deve julgar e nem criticar o outro. É o tema que vamos estudar hoje.

 

  1. JUDEUS E GENTIOS FORMANDO A IGREJA

 

  1. A ética judaica.Os judeus tem um alto padrão de conduta e um modus vivendiexemplar, porque isso aprendem nas sinagogas todos os sábados (At 15.21). Uns achavam que o padrão judaico devia ser vivido pelos gentios e não somente isso, que tal procedimento era condição para salvação. Os pontos básicos eram a guarda do sábado, a circuncisão (At 15.1,5) e a prescrição dietética da Lei de Moisés, que os judeus ainda hoje chamam de kash'rut (At 15.20,28).
  2. Salvação pelas obras?As seitas e as religiões falsas acrescentam algo mais que a fé para a salvação. Aplicar essa conduta judaica aos gentios era o mesmo que afirmar que a graça do Senhor não era suficiente. A Lei de Moisés seria o complemento para a salvação. Isso reduziria o Cristianismo a uma mera seita do Judaísmo e além disso confundiria aquele com a identidade judaica.
  3. A ética dos gentios.Os gentios não aprenderam os bons costumes porque nunca tiveram quem os ensinasse, por essa razão o modus vivendi deles era precário. Agora ambos os povos formam a Igreja (1Co 10.32). Eles foram transformados pelo poder do Espírito Santo. Deviam, portanto, mudar sua maneira de viver, mas nem por isso estavam obrigados a viver como judeus (At 15.10,11).

 

  1. QUANTO AO ALIMENTO

 

  1. Enfermo e fraco (vv.1,2).As palavras, “enfermo” e “fraco” não significam, nesse contexto, fé vacilante, mas imaturidade nas questões práticas, pois muitos deles são sinceros e tementes a Deus. A questão não era sobre pontos vitais da doutrina cristã; do contrário, não seriam membros da Igreja, mas sobre assuntos secundários.
  2. a) Não contender.“Recebei-o” significa que devemos receber a cada irmão como ele é e não como queremos que ele seja. Não temos o direito de impor a ele a nossa maneira de ver o Cristianismo, nem discutir na tentativa de convencê-lo do contrário (1Co 11.16; 1Tm 6.4). Devemos recebê-lo com amor sincero dentro da fraternidade cristã.
  3. b) Convivendo com os enfermos e fracos.A questão dos bêbados, por exemplo, a Bíblia diz que os tais não herdarão o reino de Deus — a menos que se convertam (1Co 6.10,11). O crente que se associa com os tais está pecando (1Co 5.11). Não é o caso aqui. Esses enfermos e fracos são nossos irmãos que ainda não se emanciparam de sua escravidão espiritual.
  4. Legumes (v.2).Convém lembrar que o vegetarianismo religioso teve a sua origem no hinduísmo. Os gnósticos eram também vegetarianos. Havia até os que considerasse canibais aquele que comesse carne. Talvez alguns judeus tivessem chegado a esse extremo por causa de uma interpretação judaica forçada de Deuteronômio 14.21: “Não cozerás o cabrito com o leite da sua mãe”. Não é permitido ao judeu consumir a carne do cabrito juntamente com o leite da cabra, mãe do animal, como faziam os povos idólatras, vizinhos de Israel. Os judeus, portanto, evitando correr o risco de o leite comercializado ser da mãe do cabrito comprado no açougue, resolveram proibir o consumo de carne com leite.
  5. Restrição alimentar dos cristãos.A única restrição alimentar dos cristãos está na determinação do Concílio de Jerusalém (At 15.20,28), com relação ao sangue, carne sufocada e sacrificada aos ídolos. Mesmo assim, essa determinação parece mais injunções do que ordenanças obrigatórias (Rm 14.13-16; 1Co 8.7-13; 10.27-29), pois, Paulo defendia essa liberdade cristã (vv.14,20; 1Co 10.25; 1Tm 4.4,5).
  6. Evitando o risco.O crente fraco ou enfermo mencionado nos vv.1,2 deve ser judeu muito escrupuloso quanto à alimentação, o qual resolveu ser vegetariano para evitar o risco de comer carne sacrificada aos ídolos ou sufocada. Abster-se de alimento por questões de saúde é algo pessoal. Praticar, porém, tal coisa como condição para ir ao céu, a ponto de criticar os que não seguem esse padrão, isso caracteriza seita.

 

III. A QUESTÃO DOS DIAS

 

Provavelmente, a expressão “um faz diferença entre dia e dia” (v.5) trata-se dos dias especiais de festa segundo as leis cerimoniais do Antigo Testamento. O comentário da é do parecer que alguns cristãos, mormente os judeus cristãos, ainda consideravam que os dias sagrados do Antigo Testamento continuavam válidos, ao passo que muitos outros os tinham como dias comuns.

  1. O sábado.O fim do sábado estava previsto nos profetas (Os 2.11). A palavra profética previa a chegada do Novo Concerto (Jr 31.31-33) e o fim do sábado que se cumpriu em Jesus (Cl 2.14-17). A questão não é o sábado em si, mas o fato de que não estamos debaixo do Antigo Concerto (Hb 8.6-13), por essa razão o sábado não aparece nos quatro preceitos de Atos 15.20,29.
  2. O sábado cerimonial.As festas judaicas eram anuais, mensais ou lua nova, e semanais (1Cr 23.31; 2Cr 2.4; 8.13; 31.3; Ez 45.17). O sábado cerimonial ou anual já está incluído na expressão “dias de festa”, que são as festas anuais; “lua nova”, mensais; e “dos sábados”, festas semanais (Cl 2.16). No versículo seguinte o apóstolo diz: “Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl 2.17). Isto é: são figuras das coisas futuras, que se cumpriram em Jesus. Por isso que Jesus afirmou ser Senhor do sábado (Mc 2.28).
  3. Constantino e o Domingo.Afirmar que o imperador romano, Constantino, substituiu o sábado pelo domingo é uma falácia. A palavra “domingo” significa “dia do Senhor”. Isso porque nesse dia Jesus ressuscitou (Mc 16.9). O primeiro culto cristão aconteceu num domingo (Jo 20.1) e o segundo também (Jo 20.19,20). As reuniões cristãs de adoração aconteciam no primeiro dia da semana (At 20.7; 1Co 16.2). Aos poucos essa prática foi se tornando comum, sem decreto e sem imposição. Foi algo espontâneo. O imperador apenas confirmou uma prática cristã antiga.
  4. Lição prática.O apóstolo conclui que “cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo” (v.5b) e que “aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz” (v.6). Isto é: quando adoramos não é tão importante, quanto o que, como e por que adoramos. O que realmente importa é Cristo ser o centro em tudo quanto o crente faz.

 

  1. A PREOCUPAÇÃO DO APÓSTOLO

 

  1. O que o apóstolo condena? (vv.4,10).Nem o crente enfermo ou fraco e nem o mais esclarecido espiritualmente são a preocupação do apóstolo. Isso porque ambos agiam de forma diferente com o propósito de servir a Deus (vv.6,7). O que ele condena é a crítica e não essas práticas: “Quem és tu que julgas o servo alheio?” (v.4) “Mas, tu, por que julgas teu irmão?” (v.10). A preocupação do apóstolo era evitar divisões na Igreja por causa de assuntos secundários.
  2. O respeito à consciência cristã.O apelo do apóstolo era que houvesse respeito mútuo entre os crentes. Cada um deve seguir a sua consciência cristã (v.5). Se algo lhe parece pecado, se a consciência lhe acusa, não deve praticar tal coisa, pois se assim fizer estará pecando (v.23). Nem por isso deve criticar os outros (Tg 4.11,12).
  3. Cada um prestará contas a Deus (vv.10-12).Com essas palavras o apóstolo está dizendo que devemos deixar as coisas secundárias com a pessoa e Deus. Ninguém tem o direito de interferir na vida privada do cristão. As questões do alimento e dos dias são de somenos importância, mas a crítica Deus não tolera (Pv 6.16-19; Tg 1.26).

 

CONCLUSÃO

 

Na Igreja atual existe também os mesmos problemas, de maneira ainda mais dilatada, pois as práticas sociais vão aumentando a cada dia que se passa. A melhor solução é olhar para Jesus, Autor e Consumador da fé (Hb 12.1,2) e não à vida alheia. Seu dever é orar por aquele que, por causa de certas práticas, você considera fora da Palavra de Deus, e não criticá-lo, pois em cada crente o desenvolvimento da sua consciência depende do conteúdo bíblico doutrinário nela entesourado e da maturidade espiritual desse crente.

 

VOCABULÁRIO

 

Modus vivendi: Do latim, maneira de viver.
Escrupuloso: Cuidadoso, zeloso, rigoroso, meticuloso.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. O que significaria aplicar a conduta judaica aos gentios?
  2. Seria o mesmo que afirmar que a graça do Senhor não era suficiente.

 

  1. O que significa a expressão “recebei-o”?
  2. Devemos receber a cada irmão como ele é e não como queremos que ele seja.

 

  1. Por que o sábado não aparece nos quatro preceitos de Atos 15.20,29?
  2. Não estamos debaixo do Antigo Concerto (Hb 8.6-13).

 

  1. O que apóstolo Paulo condena nos vv.4,10?
  2. Ele condena a crítica no sentido do julgamento alheio.

 

  1. O que o apóstolo quer dizer com as palavras “cada um prestará contas a Deus”?
  2. Ele está dizendo que devemos deixar as coisas secundárias com a pessoa e Deus. Ninguém tem o direito de interferir na vida particular do cristão.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

“O dever do crente sadio para com o ‘enfermo na fé’, é o que trata o apóstolo Paulo. Da mesma forma que hoje nos deparamos com os crentes fracos na fé, que facilmente se ofendem e se escandalizam, também, havia isso entre os crentes em Roma. Era um grupo de crentes, não muito grande, mas que merecia a atenção do grande apóstolo.

14.1. Esses crentes são tratados como ‘enfermos’ na fé, por isso, devem merecer o nosso amor complacente para com as suas fraquezas. Há coisas em que a consciência dos homens diverge e não convém discutir, nem querer provar o contrário. Pelo fato de serem ‘enfermos na fé’ não devem ser rejeitados no meio da igreja, mas Paulo diz: ‘Recebei-os’. Disputar com eles seus preconceitos não vale a pena, não traz benefício a ninguém. A verdade é que dentro da igreja existiam dois grupos bem distintos: os mais abertos e liberais e os extremistas, ou excessivamente escrupulosos.

14.2,3,4. Neste texto o fraco deve ser recebido com amor porque Deus o recebeu (v.3), e é ‘servo do Senhor’ e não servo dos nossos preconceitos e interesses. Diz Paulo: ‘Para seu próprio Senhor está em pé ou cai’ (v.4), isto significa que não temos o direito de julgar os outros, não importa o estado da pessoa, se está em pé ou caído, o julgamento é do Senhor.

14.5,6. A divergência de consciência quanto aos hábitos e costumes existe. Essas questões devem ser tratadas de acordo com a relação com Deus. A questão de certo e errado tem sido uma barreira para muitos, mas isto não nos compete julgar, antes devemos nos basear, para esse julgamento, na responsabilidade pessoal de cada um.

14.7-9. Nestes versículos está a solução apontada. Todos são do Senhor e vivem para o Senhor. Portanto, fracos ou fortes, todos estamos ‘em Cristo’” (Carta aos Romanos, CPAD).

 

 

Subsídio Teológico

 

Dicionário Teológico, CPAD, traz uma definição clara de consciência com aplicação aos cristãos e que se encaixa ao que o apóstolo quis dizer no v.5: “Do latim, conscientia, senso íntimo. Voz secreta que temos na alma que aprova ou reprova nossos atos. E alimentada pelo direito natural que o Todo-Poderoso incutiu em cada ser humano. Se a consciência não for devidamente educada, fatalmente será induzida a esquecer-se dos reclamos divinos. Eis a melhor forma de se educá-la: instrui-la na Palavra Deus”.

                                 

  Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos 

 

2º Trimestre de 1998

 

Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus

Comentarista: Esequias Soares da Silva

 

 

Lição 13: As obras sociais na igreja

Data: 28 de Junho de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque, com tais sacrifícios, Deus se agrada” (Hb 13.16).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A prática da filantropia ou serviço social deve estar baseada no amor, na prática do bem e na mútua cooperação.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Pv 11.26

Quem retém o trigo o povo amaldiçoa

 

 

Terça — Pv 14.34

A justiça exalta as nações

 

 

Quarta — Pv 19.17

Quem dá ao pobre empresta a Deus

 

 

Quinta — Mt 25.35-40

Jesus prometeu retribuir aos que fizerem algo pelos seus pequeninos

 

 

Sexta — 2Co 8.9

Jesus se fez pobre para nos enriquecer

 

 

Sábado — 2Co 8.14

Deus multiplica o que é dado aos pobres

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 15.22-29

 

22 — Pelo que também muitas vezes tenho sido impedido de ir ter convosco.

23 — Mas, agora, que não tenho mais demora nestes sítios, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir ter convosco,

24 — quando partir para Espanha, irei ter convosco; pois espero que, de passagem, vos verei e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia.

25 — Mas, agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos.

26 — Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém.

27 — Isto lhes pareceu bem, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes dos seus bens espirituais, devem também ministrar-lhes os temporais.

28 — Assim que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha.

29 — E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da bênção do evangelho de Cristo.

 

PONTO DE CONTATO

 

Quais são as necessidades dos seus alunos? Será que necessitam apenas ouvir a Palavra de Deus e receber edificação espiritual? Na verdade, não. Seus alunos têm outras necessidades e você, professor, deve buscar atendê-las, pois, também, há edificação quando se satisfaz uma necessidade material, pois demonstramos o amor de Deus em nossos corações. Se a assistência social assim ocorrer, não haverá dificuldades para aplicar valores espirituais às vidas dos seus alunos. Você estará abrindo caminho para que recebam também os bens espirituais que deseja transmitir-lhes.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Descreveros dois sentidos em que se direciona a atividade da Igreja.
  • Justificarporque é tarefa da Igreja atender aos necessitados.
  • Identificarquais são as bênçãos de Deus para quem ajuda aos necessitados.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A Igreja de Cristo tem trabalhado com grande afinco e denodo na tarefa de evangelização dos perdidos. Não obstante a Igreja prosseguir na sua tarefa principal, depara-se com o enorme desafio de atuar no ministério de compartilhamento com os menos favorecidos. Nesta lição estaremos estudando o plano, as bênçãos e o galardão de Deus para a igreja que exercita misericórdia para com os necessitados.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para introduzirmos esta lição poderemos pedir à classe que participe comentando sobre os textos das leituras diárias. Poderemos dividir a classe em seis partes. Cada grupo fará uma análise rápida de uma das leituras diárias e, poderá ainda comentá-la no momento determinado pelo professor. O comentário do texto lido poderá enriquecer a aula, tornando-a interativa e dinâmica. Fazendo isto, você estará lançando mão do que consta nas Leis do ensino e da aprendizagem, apresentadas no Manual da Escola Dominical, CPAD, as quais dizem que o aluno normal aprende quando: motivado: gosta; necessita; vê fazer; faz; há métodos certos de ensino; investiga; é interessado; crê, confia; ora; e recebe atenção pessoal.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

A parte prática da Epístola aos Romanos mostra que Deus tem interesse no bem-estar social do ser humano. Isso pode ser encontrado em toda a Bíblia. As atividades sociais devem acompanhar o trabalho de evangelização.

 

  1. OS CRISTÃOS POBRES DE JERUSALÉM

 

  1. O papel da Igreja na sociedade.O objetivo principal da Igreja é glorificar a Deus: “Quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Alguém pode perguntar: “A tarefa principal da Igreja não é a evangelização?”. A resposta é afirmativa. Isso, porém, é consequência do glorificar a Deus. A atividade da Igreja se direciona em dois sentidos: vertical — adoração, atividades espirituais; horizontal — servir ao próximo, atividades filantrópicas e sociais. Por isso Deus estabeleceu ministérios na Igreja.
  2. O reconhecimento dos gentios (v.27).Os gentios deviam se sentir endividados espiritualmente com os judeus; afinal Jerusalém era a igreja-mãe. Como nós, no Brasil, reconhecemos os nossos pioneiros suecos, e temos uma admiração profunda pela Suécia, a nossa mãe, que nos enviou os primeiros missionários. Assim também, os gentios tinham um apreço especial pelos irmãos judeus de Jerusalém.
  3. Jerusalém e suas necessidades.Agora, a igreja de Jerusalém padecia necessidades. O apóstolo Paulo era um homem muito cuidadoso. Tudo o que fazia, o fazia com dedicação e empenho (Ec 9.10). Seu cuidado com as igrejas não se restringia apenas ao plano espiritual. Paulo, sabendo dessa necessidade, levantou ofertas na Macedônia, na Acaia (v.26; 2Co 8.1), em Corinto e na Galácia (1Co 16.1-3; 2Co 8.6-11; 9.1-5), para suprir as necessidades dos irmãos pobres de Jerusalém.
  4. Objetivo de Paulo.O apóstolo Paulo via a necessidade de unir as igrejas gentias com a de Jerusalém. Os gentios ainda eram vistos com suspeitas por causa dos costumes judaicos. Essa oferta era um gesto espontâneo baseado no amor fraternal, e com isso levava os gentios a reconhecerem sua dívida espiritual com Jerusalém. Não era uma inovação, pois, cerca de 11 anos antes, juntamente com Barnabé, Paulo levou uma oferta para os necessitados de Jerusalém (At 11.30).

 

  1. A NECESSIDADE ATUAL

 

  1. “Ministrar aos santos” (v.25).Essa expressão diz respeito ao serviço social prestado pelo apóstolo aos irmãos pobres de Jerusalém. Ministério significa serviço. Deus incluiu entre os ministérios dados à Igreja, o serviço social: “Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” (Rm 12.8). “...depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” (1Co 12.28).
  2. Mazelas sociais.Jesus disse: “Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes” (Mc 14.7). Hoje se fala dos meninos e meninas de ruas juntamente com os idosos abandonados, da prostituição infantil, das frequentes invasões de terra, do desemprego e de outras mazelas. O que a Igreja tem feito para aliviar o sofrimento dessa gente? É bom lembrar que desde o princípio do mundo que os trabalhos filantrópicos estiveram sempre ligados à religião (Tg 1.27).
  3. Pão para quem tem fome.Não podemos ficar alheios ao sofrimento do próximo (1Jo 3.17). Convém lembrar que uma cesta básica não resolve o problema do pobre. O problema é resolvido à medida que essas pessoas forem absorvidas no mercado de trabalho, ganhando seu pão com o suor do seu rosto. A cesta básica é um paliativo até que essas pessoas consigam emprego. O que não se deve é despedir sem nada o necessitado. Tiago chama esse procedimento de fé morta (Tg 2.14-17).

 

III. A FILANTROPIA NA BÍBLIA

 

  1. A filantropia.A palavra significa “humanitário, amigo da humanidade”, e vem do grego filos, “amigo” e anthropos, “homem”. Ora, se os que não têm esperança estão sempre dispostos a ajudar a seu próximo, por que não nós, que somos filhos da luz? O cristão tem inclinação para ajudar os pobres e necessitados, porque ele é “participante da natureza divina” (2Pe 1.4).
  2. Desde Moisés.O assunto da filantropia vem desde Moisés e perpassa toda a Bíblia. Jesus deu o exemplo de filantropia numa época em que não havia infraestrutura e nem organização estatal. Quando falamos de trabalhos sociais e filantrópicos queremos mostrar as várias maneiras pelas quais a Igreja procura socorrer os pobres nas suas necessidades. Como o pecado é a causa primária dessa miséria, enquanto o mundo subsistir, estas coisas estarão presentes.
  3. No Cristianismo.Não demorou muito para que os serviços sociais surgissem na Igreja. Os apóstolos delegaram esses trabalhos aos irmãos vocacionados, de boa reputação, cheio do Espírito Santo e de sabedoria. Os apóstolos deram, assim importância a essa atividade, não ficando alheios aos problemas dos necessitados. Isso está muito claro em Atos 6.1-6, quando houve a separação de crentes para o diaconato, a fim de servirem nesse ministério.

 

  1. AS BÊNÇÃOS DE DEUS

 

  1. Comunicar e comunicação.O apóstolo Paulo costuma usar o verbo “comunicar” ou o substantivo “comunicação” com referência ao ato de o cristão compartilhar o que tem com os demais (2Co 8.4; Fp 4.15). A Versão Almeida Atualizadausa o verbo “associar”. Isso diz respeito à ajuda aos necessitados (Hb 13.16) e também à ofertas ou ao sustento missionário (Fp 4.15).
  2. Deus promete retribuir.Quem ajuda ao necessitado, Deus o abençoa (2Co 9.8-12). Temos a promessa de Deus de uma boa colheita — salário abençoado. Por isso, Jesus disse que é melhor dar do que receber (At 20.35). Jesus garantiu que quem assim faz, de maneira nenhuma perderá o seu galardão (Mt 10.42).
  3. A omissão dessa responsabilidade é pecado.Deus abençoa, tanto no sentido espiritual como no material aos que ajudam os necessitados. Ele aumenta os bens materiais para que também aumente as condições de ajuda aos necessitados. Quem dá ao pobre empresta a Deus (Pv 19.17). Qualquer omissão diante desta responsabilidade espiritual, que pesa sobre a Igreja, pode resultar em graves consequências. A Bíblia diz que o “que retém o trigo, o povo o amaldiçoa” (Pv 11.26).
  4. A caridade fraternal.Infelizmente ainda há igrejas que continuam insensíveis às necessidades do pobre e aos serviços sociais. Dão muita ênfase à guerra espiritual, ao mundo invisível, mas não se importam com o mundo visível. Não devemos nos esquecer da hospitalidade, dos presos e dos maltratados (Hb 13.1-3).

 

CONCLUSÃO

 

A generosidade cristã não deve se restringir apenas aos trabalhos filantrópicos. Deve ser extensivo ao trabalho de Deus, nos dízimos e nas ofertas, para a expansão do reino de Deus. O ex primeiro ministro de Israel, Ben Gurion, disse certa vez que Israel vive dos missim e nissim, jogo de palavras hebraicas que significa: “impostos e milagres”. A obra de Deus se faz com recursos financeiros — dízimos e ofertas —, e com os milagres. A igreja de Filipos tinha essa visão e não se esqueceu do apóstolo Paulo. O apóstolo ficou deveras agradecido aos filipenses pela lembrança e pela ajuda (Fp 4.14-19).

 

VOCABULÁRIO

 

Filantrópico: Relativo à filantropia, ou inspirado nela — amor à humanidade; humanitarismo.
Interativo: Relativo a ou em que há interação; ação que se exerce mutuamente entre duas ou mais coisas, ou duas ou mais pessoas; ação recíproca.
Salvífico: Que traz ou produz salvação.

 

QUESTIONÁRIO

 

  1. Quais os dois sentidos se direciona a atividade da Igreja?
  2. Vertical — adoração, atividades espirituais; e horizontal — servir ao próximo, atividades filantrópicas e sociais.

 

  1. Qual era o objetivo de Paulo ao promover as ofertas das igrejas gentias para a igreja em Jerusalém?
  2. O apóstolo via a necessidade de unir as igrejas gentias com a de Jerusalém. As ofertas eram um gesto espontâneo baseado no amor fraternal, e com isso levava os gentios a reconhecerem sua dívida espiritual com Jerusalém.

 

  1. O que significa a expressão “ministrar aos santos”?
  2. A expressão diz respeito ao serviço social prestado pelo apóstolo aos irmãos pobres da igreja de Jerusalém.

 

  1. Por que o cristão tem inclinação para ajudar aos pobres e necessitados?
  2. Porque ele é “participante da natureza divina”.

 

  1. Como Deus abençoa aos que ajudam os necessitados?
  2. Deus abençoa, tanto no sentido espiritual como no material aos que ajudam os necessitados.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Eu não conheço qualquer outra declaração de nossa dupla responsabilidade cristã, social e evangelística, melhor do que aquela feita pelo Dr. W. A. Visser: ‘Eu creio’, disse ele, ‘que com respeito à grande tensão entre a interpretação vertical do Evangelho como essencialmente preocupada com ao ato da salvação de Deus na vida dos indivíduos e a interpretação horizontal disto, como principalmente preocupada com as relações humanas no mundo, devo fugir daquele movimento oscilatório mais do que primitivo de ir de um extremo para o outro. Um cristianismo que tem perdido sua dimensão vertical tem perdido seu sal e é, não somente insípido em si mesmo, mas sem qualquer valor para o mundo’.

Mas um cristianismo que usaria a preocupação vertical como um meio para escapar de sua responsabilidade pela vida comum do homem é uma negação do amor de Deus pelo mundo, manifestado em Cristo. Deve tornar-se claro que membros de igreja que de fato negam suas responsabilidades com o necessitado em qualquer parte do mundo são tão culpados de heresia, quanto todos os que negam este ou aquele artigo de Fé” (Cristianismo Equilibrado. CPAD).

 

 

Subsídio Doutrinário

 

“(1) A verdadeira fé salvífica é tão vital que não poderá deixar de se expressar por ações, e pela devoção a Jesus Cristo. As obras sem a fé são mortas. A fé verdadeira sempre se manifesta em obediência para com Deus e em atos compassivos para com os necessitados.

(2) Tiago objetiva seus ensinos contra os que na igreja professavam fé em Cristo e na expiação pelo seu sangue, crendo que isso por si só bastava para a salvação. Eles também achavam que não era essencial no relacionamento com Cristo obedecer-lhe como Senhor. Tiago diz que semelhante fé é morta e que não resultará em salvação, nem em qualquer outra coisa boa (Tg 2.14-16,20-24). O único tipo de fé que salva é ‘a fé que opera por caridade’ (Gl 5.6)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD).

 

 

Subsídio Devocional

 

Se alguém disser: “Amo a Deus!” e, no entanto, não se comover ante os sofrimentos do próximo, contribuindo materialmente para aliviá-los, na medida de suas possibilidades, será um mentiroso. Pois o amor de Deus requer que compartilhemos de nossos bens com os irmãos necessitados. O comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, ressalta o seguinte: “O amor se expressa pela ajuda sincera aos necessitados, compartilhando com eles nossos bens terrestres” (ver Tg 2.14-17). Recusar a doar parte do nosso alimento, das nossas roupas, ou do nosso dinheiro para ajudar os necessitados, é fechar-lhes o nosso coração (ver Dt 15.7-11). Por amor devemos também contribuir com nosso dinheiro para ajudar a propagar o evangelho aos que ainda não o ouviram.

 fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net