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Lições biblicas CPAD adultos 2 trim-2016 a graça
Lições biblicas CPAD adultos 2 trim-2016 a graça

                                                          

 

                                                     LISTA DE ASSUNTOS

Lição 1- A Epístola aos Romanos 
Lição 2- A Necessidade Universal da Salvação em Cristo 
Lição 3- Justificação, somente pela fé em Jesus Cristo 
Lição 4-  Os Benefícios da Justificação 
Lição 5- A Maravilhosa Graça 
Lição 6- A Lei, a Carne e o Espírito 
Lição 7-A Vida Segundo o Espírito 
Lição 8 - Israel no Plano da Redenção 
Lição 9 - A Nova Vida em Cristo 
Lição 10 -  Deveres Civis, Morais e Espirituais 
Lição 11- A Tolerância Cristã 
Lição 12 -  Cosmovisão Missionária 
Lição 13 - O cultivo das relações interpessoais



Lições Bíblicas CPAD

Jovens2º Trimestre de 2016

Título: Eu e minha casa — Orientações da Palavra de Deus para a família do Século XXI

Lição 1: A instituição da Família

Data: 03 de Abril de 2016

 

TEXTO DO DIA 

“Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2.24).

 

SÍNTESE 

A instituição da família foi o primeiro projeto plural de Deus para a humanidade; com ela, o Senhor estabeleceu as bases da vida em sociedade.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Gn 2.18

Família é ideia de Deus 

TERÇA — Gn 2.8

Família é lugar de proteção 

QUARTA — Gn 6.18,21

Família é lugar de salvação 

QUINTA — Gn 24.38

Família é lugar de bênção 

SEXTA — 2Tm 1.5; 3.15

Família é lugar de aprendizado

SÁBADO — Lc 1.80

Família é lugar de crescimento

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

MOSTRAR que o propósito de Deus é que o homem viva em família, não sozinho;

EXPLICAR em que consiste a família;

VALORIZAR os ensinamentos recebidos no ambiente familiar. 

INTERAÇÃO 

Caro professor, neste trimestre estudaremos acerca da família, um dos pilares da sociedade, cujos valores têm sido relativizados. Você terá a oportunidade de discutir com os jovens assuntos como o surgimento da família, suas mudanças históricas, como se preparar para construir um novo lar, os papéis do marido e mulher, a importância da comunicação entre seus membros e os diversos conflitos nesse contexto, bem como a família de Jesus e a família no século XXI. O comentarista, Reynaldo Odilo Martins Soares, é evangelista, juiz de direito (atua em Vara de Família), graduado em Direito pela UFRN, pós-graduado em Direito Processual pela UnP, mestre e doutorando pela Universidade do País Basco — Espanha.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Professor, para a aula de hoje, sugerimos que você inicie falando a respeito de sua vida familiar (informações que seus alunos não saibam), depois solicite aos alunos que façam o mesmo (indague-os sobre o que você desconhece), dessa forma o tema do trimestre será contextualizado e vocês se conhecerão um pouco mais.

Tenha cuidado com o tempo e, caso haja muitos alunos, limite o número de participantes.

No tópico III, outros alunos poderão participar relatando algum aprendizado relevante que obtiveram no seio da família.

 

TEXTO BÍBLICO 

Gênesis 2.18-25. 

Provérbios 23

18 — E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele.

19 — Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo animal do campo e toda ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.

20 — E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo animal do campo; mas para o homem não se achava adjutora que estivesse como diante dele.

21 — Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar.

22 — E da costela que o Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão.

23 — E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.

24 — Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.

25 — E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Em toda narrativa bíblica, quando o Todo-Poderoso decidiu fazer algo significativo, Ele formou uma equipe. O próprio Jesus, sendo Deus, poderia realizar qualquer coisa sem a cooperação de outros, entretanto preferiu convocar doze indivíduos para, juntos, anunciarem as Boas-Novas de salvação. Aliás, o próprio Deus é Triúno (Pai, Filho e Espírito Santo). Assim, quando o Eterno pensou na vida na Terra, resolveu estabelecer um projeto plural para o homem, o qual não deveria estar só. Por isso, criou Eva, não objetivando que ela fosse igual a Adão, uma concorrente, mas que o auxiliasse e o complementasse. Com o homem e a mulher Deus instituiu a família — o centro de todo o desenvolvimento dos seres humanos (Gn 1.28). O objetivo de Deus era que a sua presença, por intermédio da primeira família, se expandisse, pois nesse ambiente de preparação para a vida em sociedade, eles conheceriam o Senhor e aprenderiam os fundamentos espirituais, morais e sociais para a plena realização humana.

 

  1. UM PROJETO CHAMADO FAMÍLIA 
  1. O problema de estar só. Há momentos em que o homem necessita ficar só. Isso, porém, não significa passar toda a sua vida isolado das outras pessoas. Adão, por exemplo, viveu sua fase de isolamento antes da chegada de Eva. Deus certamente queria que ele aprendesse algumas coisas. Aliás, em Lamentações 3.27,28 está escrito que “bom é para o homem suportar o jugo de sua mocidade; assentar-se solitário e ficar em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele”. Assim, ficar sozinho durante alguns instantes para refletir sobre a vida, para orar, não significa viver em isolamento indefinidamente. Afinal, como dizia o poeta e pastor inglês John Donne, “nenhum homem é uma ilha”. Aliás, quando Deus viu o homem vivendo algum tempo sem companhia, afirmou que isso não era bom (Gn 2.18).
  2. A solução para quem está só. Adão tinha grandes responsabilidades no Éden (Gn 1.15), vivia confortavelmente, desfrutava de plena saúde, mas precisava de uma adjutora que lhe fosse idônea. E ninguém faz nada significativo estando só. Para resolver esse drama, o Senhor — enquanto Adão dormia — criou Eva e, após, trouxe-a para ele (Pv 18.22; 19.14). Isso nos revela uma verdade: é Deus quem dá o cônjuge. Esse foi o primeiro casamento. O Senhor sabia da necessidade de complementação e companheirismo que Adão tinha e criou uma estratégia perfeita, da própria substância de Adão, não do pó da terra, extraiu um novo ser. Havia, portanto, identidade entre eles. E, como se sabe, é preciso existir identidade (não igualdade) para haver complementariedade. Diz um sábio ditado africano: “Se quiser ir rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá com alguém”. Isso serve perfeitamente para a vida em família. Para se ir longe, precisa-se seguir com alguém. E a família é a melhor companhia. A força da união familiar traz vida longa (Sl 128.3,6) e faz dos filhos flechas nas mãos do valente (Sl 127.4). Além de livrar o homem da solidão, a família pode levar o homem a conquistas impressionantes (Dt 32.30). Glória a Deus pelo seu plano maravilhoso.
  3. A vida a dois. Após um período solitário de espera, Adão foi presenteado com uma linda esposa. Eva complementava Adão física, emocional, intelectual e espiritualmente. No texto de Gênesis 2.23,24, pode-se perceber a alegria de Adão ao recebê-la. Ele agradeceu a Deus em forma de poesia, ao mesmo tempo em que fez uma declaração de amor eterno a Eva! Adão esperou em Deus (“dormia”) e isso valeu muito a pena. Você está disposto a esperar em Deus?

 Pense! 

Como resolver o problema humano da necessidade de companhia? Vale à pena esperar pelo tempo de Deus? 

Ponto Importante 

Há momentos em que é preciso estar sozinho, mas Deus nunca projetou uma vida inteiramente sem companhia para ninguém. Afinal, não é bom que o homem esteja só.

 

  1. EM QUE CONSISTE A FAMÍLIA 
  1. A família é o ponto de convergência entre Deus e os homens. Paulo compara o casamento entre homem e mulher à união entre Cristo e a Igreja (Ef 5.23-32) e isso ele faz porque a família é o ponto de convergência entre céu e terra. A constituição da família, no Éden, realizou um novo milagre na criação humana. Deus, de um (Adão), fez dois (Adão e Eva) e, com o casamento, de dois o Senhor tornou a fazer um (Gn 2.24 — o casal). Assim, uma vez unidos matrimonialmente, eles voltaram a ser vistos pelo Senhor como “uma só carne”. Deus estava firmando uma aliança com eles e Ele mesmo faria parte daquilo (1Co 7.39). Sua glória estaria presente. A partir da família, Deus trataria com os homens. Afinal, todos os projetos significativos de Deus são plurais. Envolvem a formação de uma equipe. É, pois, através da família que o Senhor ordena a bênção ao mundo.
  2. A família é o campo de treinamento de Deus. Observa-se claramente nas Escrituras que a família é o campo de treinamento usado por Deus para preparar o ser humano para as experiências da vida. A família é o microcosmo da vida social (Êx 2.7-9,11,12; Jz 11.1-3,11). Analisando cuidadosamente, vê-se que as experiências vivenciadas no seio familiar são preparações para o viver em sociedade.

Os conflitos familiares de José, por exemplo, foram indispensáveis para fazer dele um “sucesso” na casa de Potifar, na prisão e, por fim, no governo egípcio. A mesma coisa pode ser dita em relação a Isaque, Jacó, Davi, Paulo, eu e você. Que tal agradecer a Deus pela magnífica experiência de viver em família, mais especificamente, de viver na sua família?

  1. A família é a única possibilidade de realização total do homem. O rapaz e a moça jamais serão totalmente felizes se não estiverem em família. Deus mandou Jacó voltar para sua terra para poder reparar os erros do seu passado (Gn 31.3); o filho pródigo, também teve que retornar, a fim de curar as feridas familiares (Lc 15.17-19). De outra forma eles nunca seriam felizes, pois não existe felicidade solitária. Como o homem é um ser imperfeito, carente de complemento, ninguém conseguirá ser feliz fechando-se numa redoma de emoções egoístas. Como se sabe, não há peixes no mar morto porque ele apenas recebe água, mas nunca partilha o que tem. Em outras palavras, é preciso morrer para si mesmo, renunciar às paixões da alma, a fim de viver em prol de um projeto plural de Deus chamado família, para que o homem não fique só, parafraseando a ideia de Jesus em relação à semente (Jo 12.24). Da mesma forma que o crente não pode viver fora do corpo de Cristo, não existe realização pessoal total fora da família. Seja na casa dos pais, enquanto solteiro, ou no momento de criar um novo núcleo familiar, quando deverá ter o seu próprio espaço geográfico (casa), o jovem somente alcançará o centro da vontade de Deus se estiver vivendo em família, dentro dos princípios traçados pelo Senhor.

 

Pense! 

O que fazer quando não estamos gostando da vida em família? Ir embora ou permanecer sendo moldado por Deus? 

Ponto Importante

 A família é o campo de treinamento que Deus usa para nos preparar para a vida. É o microcosmo da vida social.

 

III. ENSINAMENTOS RECEBIDOS NA FAMÍLIA 

  1. É na família que se cresce enquanto ser humano. Nesse grande laboratório divino, o homem conhece a si mesmo. É ali que as aptidões são desenvolvidas. Jesus, certamente, tornou-se carpinteiro por causa da profissão de seu pai José. A mesma coisa deve ter acontecido com os filhos de Zebedeu, Tiago e João, que eram pescadores. Com o crescimento pessoal, aprende-se a ser forte, bem como a superar os obstáculos da vida. Esse processo aconteceu com João Batista (Lc 1.80), com Jesus (Lc 2.39,40,52) e também acontece com cada pessoa. Esse é o projeto de Deus.

Para existir crescimento, porém, é necessário admitir as tensões. Se nos lares houvesse apenas “paz e amor”, as pessoas entrariam em choque com a realidade da vida “exterior”. Por tal razão, nas famílias sempre existem conflitos interpessoais. Alguns crônicos, outros não, pois é na ambiência da tempestade que as árvores fincam mais fortemente suas raízes no solo.

  1. É na família que aprendemos a depender dos semelhantes. É interessante como o bebê humano somente sobrevive se houver intervenção dos pais. Ele precisa aprender com outra pessoa a fazer quase tudo, diferentemente do que acontece com os animais irracionais, os quais, em regra, sobrevivem praticamente sozinhos, pois foram dotados de estrutura genética e psicológica distinta. Na família aprende-se o mandamento de que precisamos do outro para viver (Ec 4.9,10). Impressionante como Caim se esqueceu disso, pois em Gênesis 4.9 Deus perguntou a ele sobre Abel, ao que respondeu: “[...] não sei; sou eu guardador do meu irmão?”. Ele era exatamente o guardador de Abel, mas a rivalidade o cegara. Todos nós somos guardadores uns dos outros. Para isso Deus nos colocou em família.
  2. É na família que conhecemos a Deus. Deus estabeleceu a família como o primeiro lugar de adoração. Um lugar em que se conhece o Senhor (Dt 11.18,19; 2Tm 1.5; 3.15). O ponto de partida de Deus para a realização do seu projeto, que começou no Éden, é a família. Deus tratou também com a família de Noé, por exemplo, e salvou a raça humana da extinção. Com a linhagem (família) de Abraão e de Davi, Deus se fez conhecer e dela nasceu o Messias (Mt 1.1,2). É óbvio que hoje o homem moderno deturpou esse sentido original (2Tm 3.1-4). Muitas das famílias atuais levam as crianças a um total desconhecimento do Criador, ensinando mentiras, levando-as ao hedonismo e ao materialismo, porém cabe ao cristão fazer a vontade de Deus — ser um diferencial nesta geração. Talvez não se consiga, com isso, mudar a cosmovisão relativista da sociedade, nem suas práticas pecaminosas, mas certamente os fiéis serão um luzeiro na escuridão (Fp 2.15). E isso faz toda a diferença.

 

Pense! 

Até que ponto minha família tem cumprido o propósito de Deus?  

Ponto Importante 

Por intermédio de uma vida familiar equilibrada, o homem cresce saudável em todos os sentidos. 

 

CONCLUSÃO 

Viver em família é a mais emocionante aventura da vida. Conviver com pessoas diferentes e suportá-las em amor é, sem dúvida, um exercício extraordinário de fé e obediência.

 

HORA DA REVISÃO 

  1. Em qual versículo bíblico Deus diz que não é algo bom para o ser humano estar só?

Gênesis 2.18. 

  1. Como Deus resolveu o drama de Adão?

Criou Eva. 

  1. Segundo a lição, qual patriarca retornou à sua terra para resolver erros do passado?

Jacó. 

  1. Segundo a lição, qual o campo de treinamento de Deus?

A família. 

  1. Segundo a lição, qual ditado africano apresenta aspectos importantes sobre a vida em família?

“Se quiser ir rápido, vá sozinho; Se quiser ir longe, vá com alguém”.

 

SUBSÍDIO I 

“Várias palavras expressando a ideia de família aparecem na Bíblia. No Antigo Testamento, o heb. bayith (lit., ‘casa’) pode significar a família que vive na mesma casa (por exemplo, 1Cr 13.14) e é frequentemente traduzido por ‘casa’ (por exemplo, Gn 18.19; Êx 1.1; Js 7.18). Mais frequentemente encontrado, é o termo heb. mishpaha com o significado de ‘parentesco’ (por exemplo, Gn 24.38-41), ‘família’ ou ‘clã’, usualmente com uma conotação mais ampla do que a do termo ‘família’ que usamos (por exemplo, Gn 10.31,32). O Novo Testamento usa o gr. oikia (‘casa’, ‘lar’, ‘os da casa’, por exemplo, Lc 19.9; At 10.2; 16.31; 18.8; 1Co 1.16) e oikiakos (‘membros do grupo familiar de alguém’, Mt 10.25,36)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2012, p.772).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Adultos 2º Trimestre de 2016

Título: Maravilhosa Graça — O Evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos Romanos

Comentarista: José Gonçalves

Lição 2: A necessidade universal da Salvação em Cristo

Data: 10 de Abril de 2016

 

 

TEXTO ÁUREO

 

“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” (Rm 3.10).

 

VERDADE PRÁTICA 

O pecado manchou toda a raça humana e somente o sangue de Cristo é suficiente para purificá-la.

 

LEITURA DIÁRIA 

Segunda — Rm 3.9

Todos os homens, depois da Queda, estão debaixo do pecado 

Terça — Rm 3.10

Não há um nenhum justo sob a face da Terra, judeu ou gentio 

Quarta — Rm 3.23

Todos pecaram e foram afastados da presença de Deus 

Quinta — Rm 3.20

Nenhum homem pode ser justificado diante de Deus pelas obras da lei 

Sexta — Rm 6.23

O castigo ou o salário para o pecado é a morte 

Sábado — Rm 3.24

Somos justificados somente pela graça e redenção de Jesus Cristo

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 

Romanos 1.18-20,25-27; 2.1,17-21. 

Romanos 1

18 — Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça;

19 — porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.

20 — Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

25 — pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém!

26 — Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.

27 — E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

 

Romanos 2

1 — Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo.

17 — Eis que tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus;

18 — e sabes a sua vontade, e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei;

19 — e confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas,

20 — instruidor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei;

21 — tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?

 

HINOS SUGERIDOS

 235, 291 e 294 da Harpa Cristã. 

OBJETIVO GERAL 

Mostrar que o pecado manchou toda a raça humana, por isso, todos necessitam de salvação.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos. 

  1. Apontar a necessidade de salvação dos gentios;
  2. Mostrar a necessidade de salvação dos judeus;

III. Explicar a necessidade de salvação da humanidade.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR 

Adão e Eva pecaram ao desobedecer a Deus. O pecado deles afetou toda a humanidade, por isso, as Escrituras afirmam que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). O castigo para o pecado é a morte, porém Deus por sua infinita graça, amor e misericórdia, enviou seu filhos Jesus Cristo ao mundo para morrer por nossos pecados. O Filho de Deus morreu pelos judeus e gentios, pois ambos necessitam de salvação. Somente Jesus Cristo pode salvar o homem libertando-o do pecado. A salvação não pode ser alcançada pelo cumprimento da Lei ou por qualquer tipo de esforço ou sacrifícios humanos. Somos libertos do poder do pecado unicamente pela graça de Jesus Cristo.

 

COMENTÁRIO 

INTRODUÇÃO 

Na lição de hoje teremos a oportunidade de compreender que o pecado, em sua universalidade, atingiu os gentios, os judeus e toda a raça humana. Todos ficaram debaixo do impiedoso jugo do pecado. A necessidade de uma salvação universal, na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo é um tema bastante claro na argumentação do apóstolo Paulo em Romanos 1.18 a 3.20.

Paulo nos mostra em Romanos que tanto os pagãos, que estavam nas trevas do pecado, quanto os judeus, que se orgulhavam de possuir a Lei divina entregue a Moisés no Sinai, estão sob o domínio do pecado. Veremos nesta lição que somente a revelação da justiça de Deus em Cristo Jesus é suficiente para salvar tanto os judeus quanto os gentios. 

 

PONTO CENTRAL 

O pecado afetou toda a raça humana, por isso, todos precisam de salvação.

 

  1. A NECESSIDADE DA SALVAÇÃO DOS GENTIOS (Rm 1.18-32) 
  1. A rejeição. Ao dar início a sua argumentação em Romanos 1.18-32, o apóstolo tem em mente a triste situação na qual se encontra o mundo gentílico. Esse estado de insensibilidade frente à realidade das coisas espirituais foi proporcionado pela ignorância na qual eles viviam. O pecado os havia lançado para longe de Deus. Quanto mais distante do Criador, mais o pecado manifesta os seus tentáculos e ganha força. Essa atitude de rebelião contra Deus culmina na idolatria, ou seja, coloca a criatura em lugar do Criador. O homem, com suas paixões e concupiscências, e não Deus, se torna o centro da existência: “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Rm 1.23). A ignorância espiritual conduz à idolatria religiosa.
  2. A revelação. Se o mundo está em trevas, Deus não pode ser responsabilizado por isso. Esta é a argumentação de Paulo aos romanos. Deus sempre se revelou aos homens ao longo da história. Aqui fica evidente que o Senhor se deu a conhecer através das coisas criadas (Rm 1.20). Essa revelação natural, também denominada na teologia bíblica de “revelação geral”, é uma testemunha contra a falta de sensibilidade da criatura diante do seu Criador. Embora o homem não possa conhecer a Deus perfeitamente através da revelação natural ou geral, conhecimento que só se torna possível através da revelação especial de Deus, Jesus Cristo, todavia ele deveria se sentir despertado para a realidade espiritual através das coisas criadas (Rm 1.21).
  3. A punição. Os versículos 22 até o 32 do capítulo primeiro de Romanos revelam as consequências do pecado na vida dos homens. Eles tiveram a oportunidade de glorificar a Deus, mas não o fizeram (Rm 1.21), e agora colhem os maus frutos dessa obstinação. A expressão “Deus os entregou” não tem o sentido de causalidade, o que demonstra que Deus não é o responsável por essa obstinação humana. Ele apenas permitiu que os homens, como consequência de suas próprias ações e escolhas, andem nos seus próprios caminhos. Todavia, precisam saber que serão responsabilizados por isso. E de fato o foram. Paulo destaca que essa atitude reprovada cegou os homens, lançando-os na insensatez da idolatria, pois trocaram o Criador pela criatura (Rm 1.23). Depois os levou ao desvio da sexualidade (Rm 1.26,27) e, por último, fez com que eles adotassem uma diversidade de vícios morais e sociais (Rm 1.28-32). 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I) 

Os gentios necessitam de salvação, pois também foram afetados pela Queda. 

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO 

“Paulo retratou claramente a inevitável decadência em direção ao pecado. Primeiro, as pessoas rejeitaram a Deus; em seguida, elaboraram seu conceito de como Ele deveria ser; depois cedem a toda espécie de iniquidades: ganância, ódio, inveja, crimes, lutas, engano, malícia; finalmente, chegam a odiar a Deus e a encorajar os outros a fazerem o mesmo. Mas Ele não é o agente dessa progressão em direção ao mal. Quando as pessoas o rejeitam, Deus permite que elas vivam como desejam. Permite que experimentem as consequências naturais dos pecados que praticam. Uma vez preso nesse movimento descendente rumo ao pecado, ninguém poderá libertar-se por suas próprias forças. Os pecadores devem confiar somente em Cristo para libertá-los da destruição” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, p.1553). 

  1. A NECESSIDADE DE SALVAÇÃO DOS JUDEUS (Rm 2.1 — 3.8). 
  1. Os judeus em relação aos gentios. Paulo valeu-se do método de diatribe na carta aos Romanos, pois tal recurso permitia que ele dialogasse com os leitores. É de imaginar que um judeu, quando lesse o que Paulo dissera anteriormente sobre o mundo gentílico, ficasse eufórico pelo tom duro adotado no discurso de Paulo. Os gentios, de fato, encontravam-se numa situação deplorável diante de Deus. Entretanto, os judeus moralistas não estavam em melhor situação (2.1-16). Eles também eram igualmente condenáveis diante de Deus (Rm 2.1-3). Eles condenavam os gentios, mas praticavam pecados semelhantes. Por isso, eram carentes da graça de Deus da mesma forma.
  2. Os judeus em relação à Lei. Outro aspecto da argumentação do apóstolo em relação aos judeus encontra-se nos versículos 17-29 do capítulo 2 de Romanos. Paulo sabia que todo judeu se orgulhava da Lei que lhes fora outorgada no Sinai (Rm 2.17,18). Ao contrário dos gentios que possuíam apenas a revelação natural, a eles fora dado também a Lei. Contudo, havia uma incongruência entre o conhecer a Lei e o praticá-la. Apenas o conhecimento da letra da Lei, sem a devida interiorização das suas normas e preceitos, conduziu o judaísmo a um moralismo estéril e farisaico. Nesse aspecto, de nada adiantava conhecer a Lei e não vivê-la (Rm 2.28,29). O judeu se tornara tão culpável quanto o gentio. Infelizmente, é ainda exatamente assim que muitos cristãos agem.
  3. Os judeus em relação à aliança. A pergunta que todo judeu faria Paulo fez para logo depois dar a resposta: “Qual é, logo, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas” (Rm 3.1,2). Mesmo tendo afirmado anteriormente que o que vale mesmo é a circuncisão do coração, o apóstolo não nega os privilégios de pertencer ao povo de Deus (Israel). Isso é mostrado no privilégio que eles tiveram de serem os despenseiros dos mistérios de Deus. A palavra grega logion, traduzida aqui como “palavras de Deus”, significa oráculo. A expressão refere-se é a revelação da Lei que Deus deu a Israel no Sinai. Era uma alta honra ter sido escolhido dentre todas as nações para ser despenseiro dos mistérios de Deus. Todavia, como bem observou F. F. Bruce, essa alta honra levava consigo uma grande responsabilidade. Se se mostrassem infiéis à confiança depositada neles, seu caso seria pior do que o das nações as quais Deus não se tinha revelado.

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II) 

Os judeus, embora fosse o povo escolhido de Deus, também necessitam de salvação.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO 

“‘Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade’ (Rm 2.2). Que podemos entender nessa declaração? O julgamento de Deus é instituído aqui em razão dos pecados do paganismo e do falho moralismo dos judeus em condenar os gentios. A questão da condenação do pecado é uma só para todos. Uma vez que tenha pecado, qualquer um incorre na condenação de Deus. Paulo declara que os gentios pecaram (1.18-32) e os judeus também pecaram (2.17 — 3.8). Portanto, uma vez que, tanto judeus como gentios pecaram, todos carecem da justiça de Deus (3.9-20).

O judeu cria que possuía privilégio especial, e por isso poderia escapar do juízo já conhecido para os gentios, mas a realidade era que o juízo seria ‘segundo a verdade’. Esta expressão ‘segundo a verdade’ significa que o julgamento divino seria conforme a culpa de cada um, baseada nos pecados cometidos por cada um. O judeu interpretava erradamente a misericórdia, pois imaginava como um ato de tolerância divina com o pecado.

[...] Deus demonstrou aos judeus sua ‘bondade, tolerância e longanimidade’, a fim de que eles deixassem o pecado e se arrependessem. Mas não fizeram caso dessa ‘riqueza’ (2.4) e, por isso, por sua ‘dureza e impenitência’ (falta de arrependimento), e por julgarem negativamente o propósito divino, entesouraram para si ‘ira para o dia da ira’ (2.5). Qual é o dia da ira? É o dia do ajuste de contas. É o dia quando a balança julgadora de Deus vai pesar nossos atos e, mediante seu peso, serão julgados. É o dia da retribuição ao pecado e da sua inevitável punição” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição.ed. RJ: CPAD, 2005, pp.39-40). 

 

III. A NECESSIDADE DA SALVAÇÃO DA HUMANIDADE (Rm 3.9-20). 

  1. A universalidade e o jugo do pecado. A argumentação de Paulo em Romanos 3.9-20 é que tanto os gentios como os judeus sem Cristo estão debaixo da condenação do pecado (Rm 3.9). A raça humana sem Cristo está sob o domínio do pecado. A expressão grega hüpo hamartían, traduzida como “debaixo do pecado”, tem o seguinte sentido: no poder de, debaixo da autoridade de. Essa mesma construção gramatical ocorre em Mateus 8.9. Nessa passagem encontramos o centurião dizendo: tenho soldados hüpo emautón (por debaixo de mim), que em português tem o sentido de às minhas ordens. A ideia de Paulo é mostrar que a humanidade em seu estado natural, separada de Cristo, portanto, sob o domínio do pecado, é incapaz de libertar-se por si mesma.
  2. Valores e comportamentos. Outras duas verdades que podemos perceber na argumentação de Paulo em Romanos 3.10 a 18, estão relacionadas com o caráter e a conduta. O pecado distorceu valores e comportamentos na sociedade. Valores invertidos são marcas de uma humanidade caída. Somente em Cristo eles podem ser reorientados.

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III) 

Todos, judeus e gentios, pecaram e necessitam da salvação que só pode ser encontrada em Jesus Cristo. 

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO 

“Não há um justo, nem um sequer (3.9-18). Paulo havia argumentado que tanto os judeus quanto os gentios haviam pecado, e não alcançaram a glória de Deus. Agora ele prova essa observação citando vários Salmos. Seus leitores judeus poderiam rejeitar seu argumento, mas dificilmente rejeitariam o veredicto das palavras que eles sabem que são palavras de Deus.

‘Tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus’ (3.19,20). A palavra bupodikos foi usada no sentido legal de ‘passível de punição’. A lei moral, na qual esperam o judeu e o gentio de boa moral, provou não ser uma fonte de esperança, e sim o padrão pelo qual foi estabelecido o insucesso deles. Assim, a lei não é marco de estrada nos direcionando à recompensa divina, mas espelho que, quando usado corretamente, nos revela nossos pecados” (RICHARDS, Lawrence. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 7ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.292).

 

CONCLUSÃO 

A universalidade do pecado, isto é, que todos os homens estão debaixo da condenação eterna, é uma doutrina claramente demonstrada na Epístola aos Romanos. Por outro lado, o universalismo, doutrina herética que afirma que todos os homens, independentemente se acreditam em Cristo ou não, no fim de tudo, serão salvos, é claramente rejeitada nessa mesma carta.

Cabe a nós, portanto, conhecedores desses fatos, viver essa bendita salvação e compartilhá-la com quem ainda não a possui.

 

PARA REFLETIR

 A respeito da Carta aos Romanos, responda: 

Segundo a lição em que culmina a atitude de rebelião contra Deus?

Essa atitude de rebelião contra Deus culmina com a adoração idólatra que põe a criatura em lugar do Criador. 

A ignorância espiritual conduz a quê?

A ignorância espiritual conduz à idolatria religiosa. 

Os judeus moralistas estavam em melhor situação espiritual que os gentios?

Não. A argumentação de Paulo é que tanto os gentios como os judeus sem Cristo estão debaixo da condenação do pecado (Rm 3.9). 

O que produziu o conhecimento da Lei, sem a devida interiorização das normas e preceitos?

Apenas o conhecimento da letra da Lei, sem a devida interiorização das suas normas e preceitos, conduziu o judaísmo a um moralismo estéril e farisaico. 

Segundo Paulo, qual a vantagem de ser judeu?

“Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas” (Rm 3.1,2).

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO 

A necessidade universal da Salvação em Cristo 

Caro professor, abordaremos a seção da Epístola aos Romanos que se inicia em Romanos 1.18 e se encerra em 3.9. Observando a estrutura da lição ora estudada: I. A necessidade da salvação dos gentios; II. A necessidade da salvação dos judeus; III. A necessidade da salvação da humanidade percebemos que o comentário segue a estrutura que o apóstolo Paulo estabeleceu nesta seção de Romanos, 1.18-3.9. E fundamental que a organização da estrutura da epístola esteja bem clara em sua mente.

Sobre os gentios

Na seção de Romanos 1.18-32, é demonstrada com muita clareza a situação dos gentios diante de Deus. Eles não reconheceram a Deus, que se manifestou por intermédio da criação, fazendo que o Pai Celestial os entregasse “aos desejos dos seus corações, à impureza”. Esta expressão é uma das mais importantes no desenvolvimento da explicação de Paulo em relação à situação dos gentios. Os principais estudiosos dessa epístola concordam que a expressão “Deus os entregou” não tem o sentido de uma condição “decretada” por Deus para que os gentios jamais se arrependessem, mas, pelo contrário, seria uma deliberação divina permitindo que o gentio seguisse o seu próprio caminho de futilidade de vida, aprofundando mais no pecado e na imundícia, pois na verdade esta seria uma consequência natural de escravidão do pecado. Como frisa C. E. B Cranfield, esta condição não seria um “privilégio” só dos gentios, mas de toda a humanidade, mostrando assim que a sessão 1.18-32 também engloba a realidade dos judeus, que, de maneira oculta, repetia o caminho dos gentios (2.1). Ou seja, ainda assim Deus não perderia de vista a possibilidade do mais vil pecador se arrepender, pois Ele quer que todos os homens sejam salvos (1Tm 2.4).

 

Sobre os judeus

Ora, a eleição dos judeus como povo de Deus deveria lhes trazer humildade, gratidão e quebrantamento. Mas aconteceu o contrário. A soberba, a ingratidão e a dura cerviz fizeram com que esse povo vivesse de maneira hipócrita perante Deus. Enquanto criticava os gentios, ele ocultamente vivia os caminhos do ser humano escravo do pecado. Por isso, o homem judeu não tinha a desculpa de ser filho de Abraão, pois na prática era filho do pecado: “Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós” (Rm 2.23,24 cf. vv.17-22).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net

 

 

Lições Bíblicas CPAD Adultos

2º Trimestre de 2016

Título: Maravilhosa Graça — O Evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos Romanos

Comentarista: José Gonçalves

Lição 3: Justificação, somente pela fé em Jesus Cristo

Data: 17 de Abril de 2016

 

TEXTO ÁUREO 

“E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus” (Rm 4.20).

 

VERDADE PRÁTICA 

A justificação dos pecados diante de Deus ocorre somente pela fé.

 

LEITURA DIÁRIA 

Segunda — Rm 4.2

Abraão foi justificado pela fé e não pelas obras da carne

Terça — Rm 4.3

Abraão creu em Deus e por isso Ele o aceitou e justificou 

Quarta — Rm 4.6

Feliz é o homem a quem Deus imputa a sua justiça 

Quinta — Rm 4.7

Felizes são aqueles a quem o Senhor perdoa as iniquidades 

Sexta — Rm 4.9

A Palavra de Deus afirma que a fé foi imputada como justiça a Abraão 

Sábado — Rm 4.16

Salvação somente pela fé, mediante a graça divina

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 

Romanos 4.17-22. 

17 — (como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí), perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem.

18 — O qual, em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.

19 — E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido (pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara.

20 — E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus;

21 — e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.

22 — Pelo que isso lhe foi também imputado como justiça.

 

HINOS SUGERIDOS 

27, 156 e 464 da Harpa Cristã. 

OBJETIVO GERAL 

Explicar que somos justificados diante de Deus somente pela fé e não pelas obras da carne.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

 

  1. Abalizar que a justificação manifestada em Jesus Cristo veio para salvar judeus e gentios;
  2. Mostrar que Paulo procurou responder, de forma bíblica, as contestações que seus interlocutores faziam quanto à justificação;

III. Explicar como Paulo utilizou o exemplo de Abraão para tratar a respeito da justificação pela fé.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR 

Professor, a lição de hoje trata a respeito de uma das doutrinas mais importantes apresentadas por Paulo na Epístola de Romanos — a justificação pela fé. Ressalte, no decorrer de toda a lição, que ninguém pode ser justificado diante de Deus pela Lei ou pelas obras da carne. O caminho da justificação é somente pela fé na obra expiatória de Jesus Cristo. Paulo mostra que Cristo é o único caminho para que judeus e gentios sejam absolvidos da penalidade do pecado. O apóstolo, de maneira sábia, utiliza o exemplo do patriarca Abraão para desfazer a ideia errada que os judeus tinham de que a aceitação de Deus era obtida mediante as obras da Lei.

Glória a Deus, pois na Nova Aliança, tudo que recebemos da parte do Senhor, inclusive a salvação, é decorrente única e exclusivamente da graça de Deus.

 

                    COMENTÁRIO INTRODUÇÃO

 

Na lição de hoje, estudaremos a doutrina bíblica da justificação pela fé, conforme a Carta aos Romanos nos capítulos 3.1- 4.25. Esses textos contêm uma das mais contundentes defesas de Paulo em favor da justificação pela fé, independente das obras. Para uma melhor compreensão deste tema tão relevante, a argumentação do apóstolo será dividida em três partes: a justificação manifestada, a justificação contestada e a justificação exemplificada. A chamada de Abraão, o grande patriarca de Israel, será a base da argumentação de Paulo para provar a doutrina da justificação somente pela fé. O argumento de Paulo é que todas as bênçãos de Deus e todas as suas promessas são frutos da sua graça para conosco.

 

PONTO CENTRAL 

A justificação diante de Deus é somente pela fé. 

 

  1. A JUSTIFICAÇÃO MANIFESTADA (Rm 3.21-26) 
  1. Um culpado que é inocentado. Em Romanos 3.21, lemos: “Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas”. Paulo nos mostra como Deus se revelou para alcançar os gentios e judeus. Os gentios estavam debaixo da ira de Deus, porque falharam em conhecê-lo. Os judeus também estavam debaixo da ira divina, por não conseguirem guardar a Palavra do Senhor. O vocábulo manifestou, no grego, vem de uma raiz cujo significado é tornar manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido. Deus, na pessoa de Jesus Cristo, tornou conhecido o seu grande amor para com os pecadores. Encontramos Paulo recorrendo a uma figura extraída do mundo jurídico para esclarecer o seu pensamento. O termo justiça traduz a palavra grega dikaiosyne, muito comum no contexto de um tribunal. A imagem é de alguém que é inocentado por um juiz, mesmo sendo culpado pelos seus atos. Concluímos então que, mesmo culpados, Deus quis nos justificar e perdoar.
  2. Um prisioneiro que é libertado. Em Romanos 3.24, Paulo usa o verbo grego apolytroseo para se referir à redenção efetuada por Jesus Cristo. Essa palavra, conforme definem os léxicos da língua grega, tem o sentido de redenção, resgate ou libertação. No contexto neotestamentário tem o sentido de libertar mediante o preço de um resgate. No mundo antigo um escravo podia ser resgatado mediante o pagamento de um preço. É exatamente isso que Deus fez. Enviou Jesus Cristo para resgatar o homem que estava preso em seus delitos e pecados (Ef 2.1,2). Tanto judeus como gentios deveriam se conscientizar dessa realidade. Ninguém pode se autolibertar.
  3. Um inocente que é culpado. Se o sistema judicial foi útil para elucidar o pensamento do apóstolo, da mesma forma a figura extraída do sistema de sacrifícios levítico também o auxiliou. Isso pode ser visto no texto: “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” (Rm 3.25). A palavra propiciação (gr. hülasterion), que está relacionada ao termo propiciatório é uma terminologia muito utilizada no Antigo Testamento para se referir aos sacrifícios pelo pecado. No sistema levítico, quando alguém pecava tornava-se culpado de algo, e um animal inocente era sacrificado para que a culpa fosse expiada. Paulo mostra que tanto os gentios como os judeus não podem chegar a Deus pelos seus esforços ou obras, mas única e exclusivamente pelo sangue de Jesus: o inocente Cordeiro de Deus que foi sacrificado por nós.

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I) 

Paulo nos mostra como Deus manifestou a sua justificação para alcançar os gentios e judeus. 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO 

“A Doutrina da Justificação

A estudarmos a Doutrina do Pecado descobrimos que ninguém pode ser justificado pela justiça humana. Entretanto, é na doutrina da justificação, no texto de 3.1 a 5.21, que o pecador encontra o caminho da justificação, através da obra expiatória de Cristo. No primeiro estado, o pecador está perdido e sem possibilidade alguma de se justificar diante de Deus. No segundo estado, o pecador encontra Cristo que o justifica.

É a partir do capítulo 3.21 que o pecador, judeu ou gentio, encontra um novo caminho através dos méritos de Cristo Jesus. É aqui que ele pode ser perdoado e declarado livre da pena do seu pecado, perante Deus.

Justificação significa absolvição da culpa, cuja pena foi satisfeita. Significa ser declarado livre de toda culpa tendo cumprido todos os requisitos da lei.

Justificação é um termo forense que denota um ato judicial da administração da lei. Esse ato judicial legaliza a situação do transgressor perante a lei e o torna justo, isto é, livre de toda a condenação. Cristo assumiu a pena do pecador e foi sentenciado no lugar do pecador. Ele sofreu a pena contra o pecador. Cumprida a pena, o veredicto final da justiça divina é a justificação do pecador. Entende-se então que ser justificado não significa que a justiça tenha sido adiada, ou que ela não tenha sido cumprida” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.52).

 

  1. A JUSTIFICAÇÃO CONTESTADA (Rm 3.27-31) 
  1. A justificação se opõe à salvação meritória. Paulo desejava que o seu ensino não fosse mal interpretado, então recorrendo ao método da diatribe, se adiantando em responder as contestações que seus interlocutores poderiam fazer-lhe. “Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé” (Rm 3.27). A lei dizia faça e o judeu devoto estava convicto de que Deus o justificaria pelo que fazia. No entanto, a graça que Paulo ensinava dizia não faça, mas aceite o que Jesus já fez. O que seria feito então do orgulho judaico que se vangloriava em ser o povo eleito de Deus e das boas obras que praticavam? Não levaria Deus isso em conta nessa nova doutrina de Paulo? Nas palavras do apóstolo, não! É bem fácil imaginar que para um judeu devoto, guardador da lei e praticante de boas obras, que o ensino da justificação “pela fé somente” era bem difícil de digerir. Não é fácil abrirmos mão do nosso orgulho e deixarmos de nos vangloriarmos pelos nossos feitos. Todavia, a doutrina da justificação pela fé diz que não há mérito humano quando a graça de Deus se manifesta. A conclusão de Paulo é que “o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rm 3.28).
  2. A justificação se opõe ao orgulho nacionalista. A segunda indagação que Paulo procura responder é a seguinte: “É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente” (Rm 3.29). Esse é outro ponto que contrastava com a crença do judaísmo do primeiro século — o exclusivismo. A doutrina da justificação pela fé revela que Deus não é somente dos judeus, que se achavam privilegiados pelo legalismo em relação à Torá, mas dos gentios também. Deus não é uma divindade nacionalista, mas Ele é o Deus de toda a Terra. Não há dúvidas de que Paulo tinha em mente o shema judaico quando argumentou sobre esse assunto: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4). Se Deus é o único Deus, como de fato afirma o monoteísmo judaico, então Ele é o Deus dos gentios também. Não podemos cair no erro de achar que Deus é nossa propriedade exclusiva.
  3. A justificação se opõe ao antinomismo. “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes estabelecemos a lei” (Rm 3.31). Essa é última pergunta a ser respondida por Paulo dentro dessa seção. Os judeus legalistas defendiam a observância dos preceitos da lei e acusavam Paulo de ser antinomista, isto é, ensinar que a lei não tem mais nenhum sentido. Paulo estaria ensinando que a justificação pela fé tornara a lei desprezível? A resposta de Paulo é não! O problema não era com a Lei, que tinha a função de servir de condutora até Cristo, mas com os homens que se mostraram incapazes de cumpri-la. Nem judeu nem tampouco gentio algum foi capaz de cumprir a Lei. Somente Jesus Cristo a cumpriu em nosso lugar. Qualquer tentativa de cumprir a Lei hoje é nula, além de ser uma afronta àquEle que se mostrou o único habilitado a fazê-lo — Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II) 

A justificação anunciada por Paulo se opunha a ideia que os judeus tinham da salvação por méritos religiosos. 

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO 

Professor, o subtópico três mostra que o antinomismo se opõe a justificação. Antes de discorrer a respeito do assunto faça a seguinte indagação: “O que é antinomismo?”. Ouça os alunos com atenção e explique que “literalmente significa contra a lei. Doutrina que assevera não haver mais necessidade de se pregar nem de se observar as leis morais do Antigo Testamento. Calibrando esta assertiva, alegam os antimonistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés.

Ignoram porém, serem as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o Criador incrustara na alma de Adão. Como podemos desprezar os Dez Mandamentos? Todo crente piedoso os observa, pois o Cristo não veio revogá-los; veio cumpri-los e sublimá-los. Além do mais, as legislações modernas estão alicerçadas justamente no Decálogo” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 8ª Edição. RJ: CPAD, 1999, p.44).

 

III. A JUSTIFICAÇÃO EXEMPLIFICADA (Rm 4.1-25) 

  1. Abraão, circuncisão e justificação (Rm 4.1-8). Na seção de Romanos 4.1-8, o apóstolo Paulo toma o exemplo do patriarca Abraão para fazer um contraste entre a justificação pela fé e pelas obras. A antiga tradição judaica afirmava que Abraão já guardava a Torá, mesmo tendo vivido séculos antes dela. Ele a teria guardado por “antecipação”, pois segundo o judaísmo, apoiando-se em Gênesis 17.23, Abraão é circuncidado como sinal da aliança entre ele e Deus. Da mesma forma o sacrifício de Isaque confirmaria tal crença (Gn 22). Em outras palavras, as obras justificaram Abraão. Contra essa argumentação, Paulo mostra que Abraão não poderia ter sido aceito por Deus em virtude da circuncisão, pois ele creu em Deus, tendo sido isso imputado como justiça, antes dele ser circuncidado e pelo menos quatro séculos antes do advento da Lei. O que justificou Abraão não foi o que ele fez, mas o que Deus fez por ele. Esse é o princípio do Evangelho — somos aceitos não pelo que fizemos, mas pelo que Cristo fez por nós.
  2. Abraão, promessa e justificação (Rm 4.9-17). Na Aliança Abraâmica, Deus prometeu fazer dos descendentes de Abraão uma grande nação. Ele também prometeu ao patriarca que lhe daria como herança a terra e faria do seu servo uma bênção para todos os povos (Gn 12.1-3). Fazendo referência a essa promessa divina, Paulo argumenta que a justificação não poderia decorrer da obediência à lei pelo fato de que quando Deus fez a promessa a Abraão, este nem mesmo era circuncidado (Rm 4.10-15). A própria crença judaica dizia que a fé obediente de Abraão nas promessas de Deus lhe foi imputada como justiça (Gn 15.5,6). Para Paulo, se as bênçãos divinas prometidas a Abraão dependessem da obediência ao código mosaico, então as promessas de Deus teriam falhado, visto que ninguém fora capaz de cumprir ou guardar a lei.
  3. Abraão, ressurreição e justificação (Rm 4.18-25). Na teologia de Paulo em Romanos 4.18-25 há um paralelismo entre a fé de Abraão e a fé do cristão — ambos creram em um Deus que torna possível as coisas impossíveis. Paulo mostra que Deus tornou possível a concretização das promessas a Abraão, mesmo sendo seu corpo já “amortecido” pelo fato de sua idade avançada, e dessa forma recompensou a sua fé. A sua fé, mesmo contra as evidências externas, garantiu-lhe a concretização das promessas (Rm 4.16-22). Da mesma forma, a fé do cristão na morte e ressureição de Jesus, o Filho de Deus, é a garantia de que as promessas de Deus em sua vida também serão cumpridas (Rm 4.23,25).

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III) 

Paulo se utiliza do exemplo do patriarca Abraão para mostrar que a justificação é somente pela fé.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO 

“Paulo diz que, se Abraão, o pai dos judeus segundo a carne, tivesse sido julgado por obras ou justiça própria, teria que gloriar-se diante de Deus. Porém o que aprendemos é que Abraão foi como qualquer outro homem, pecador e sem justiça nenhuma. Ele foi declarado justo por meio da fé (Rm 4.3). Os judeus vangloriavam-se em Abraão e criam que isto lhes garantiria a justificação, apenas por serem ‘filhos de Abraão segundo a carne’. Os versículos 4 e 5, apresentam dois modos de justificação: por méritos e por graça.

A justificação por méritos se baseia nas obras do homem para obter a sua salvação. A justificação por graça baseia-se sobre o princípio da fé. Deus justifica o pecador pela fé. Ele imputa justiça ao que crê, isto é pela graça de Deus” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.59). 

 

CONCLUSÃO 

Chegamos ao final de uma importante lição sobre a doutrina da justificação pela fé. Nesta lição aprendemos que Paulo recorreu a experiência do patriarca Abraão para argumentar contra a crença judaica que associava a aceitação das obras como garantia de justificação diante de Deus. Para Paulo isso não poderia ser verdade já que o velho patriarca não possuía mérito algum quando recebeu as promessas de Deus. As bênçãos recebidas por ele, assim como as da Nova Aliança, decorrem exclusivamente da graça de Deus em resposta a fé.

 

PARA REFLETIR 

A respeito da Carta aos Romanos, responda: 

Segundo a lição, por que os gentios estavam debaixo da ira de Deus?

Os gentios estavam debaixo da ira de Deus, porque falharam em conhecê-lo. 

Na pessoa de quem Deus tornou conhecido o seu grande amor para com os pecadores?

Na pessoa de Jesus Cristo. 

Existem méritos humanos quando a graça de Deus se manifesta?

A doutrina da justificação pela fé diz que não há mérito humano quando a graça de Deus se manifesta. 

A justificação pela fé torna a lei desprezível?

A resposta de Paulo é não! Porém, judeu nem tampouco gentio algum foi capaz de cumprir a Lei. 

Qual era a função da lei?

A Lei tinha a função de servir de condutora até Cristo.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO 

Justificação, somente pela fé em Jesus Cristo 

Para explicar a doutrina da Justificação pela Fé, o apóstolo Paulo usa dois tipos de linguagem na carta: a do judiciário e a do sistema de sacrifício levítico. Como o apóstolo pretende convencer o seu público leitor, os judeus, bem como os gentios, de que mais do que observar o sistema de Lei como requisito para a salvação, Deus havia manifestado a sua graça justificadora lá no tempo da Antiga Aliança por intermédio do pai da fé, Abraão, o apóstolo afirma com todas as letras: “Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós. [...] Pelo que isso lhe foi também imputado como justiça” (Rm 4.16,22). Dessa forma, o apóstolo argumentava ao judeu de que, mesmo o gentio não tendo a Lei, a condição do gentio em relação a Deus em nada é inferior ao do judeu. Em Jesus, pela fé mediante a Graça de Deus, o gentio é filho de Abraão por intermédio da fé, que é pai tanto do judeu quanto do gentio achado por Deus (Rm 4.9-13).

A linguagem judiciária da Justificação

Ser justificado por Deus é ser inocentado por Ele mesmo da condição de culpado pelos atos. Ou seja, o indivíduo não tem quaisquer condições de se auto- declarar inocente ou de aliviar a sua consciência, pois sabe que nada poderá apagar a sua culpa. Por isso, Deus, em Cristo, na cruz do Calvário, nos reconciliou para sempre (2Co 5.19). De modo que o apóstolo Paulo ratifica esse milagre: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8).

A linguagem sacrifical da Justificação

Trocar o culpado pelo inocente. O sangue de Jesus Cristo foi derramado no lugar do sangue da humanidade. Foi a substituição vicária de Cristo Jesus por nós. Éramos culpados, mas Cristo se tornou culpado por nós; éramos malditos, Cristo se tornou maldito por nós; éramos dignos de morte, Cristo morreu em nosso lugar e por nós (Rm 3.25).

A linguagem judiciária e sacrifical da justificação nos mostra um Deus amoroso e misericordioso, que não faz acepção de pessoas e que deixa clara a real condição do ser humano, seja ele judeu ou gentio: somos todos carentes da graça e da misericórdia do Pai.

Caro professor, esse trecho bíblico [3.1 — 4.25] é importante para o desenvolvimento do argumento do apóstolo em sua epístola. Estude-o com rigor.

fonte www.avivamentonosul.com

 

Lições Bíblicas CPAD

ADULTOS 1º Trimestre de 2016

Título: Justiça e Graça — Um estudo da Doutrina da Salvação na carta aos Romanos

Comentarista: Natalino das Neves

Lição 4: A necessidade universal de salvação

Data: 24 de Janeiro de 2016

 

 

TEXTO DO DIA 

“Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Rm 3.20). 

SÍNTESE

 

Todo ser humano estava condenado pela Lei, que aponta o pecado humano. Somente Deus poderia apresentar um meio alternativo para a necessidade universal de salvação.

 

AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA — Rm 3.9

Judeus e gentios estão na mesma condição diante Deus 

TERÇA — Rm 3.10

Sem a graça de Deus, não há nenhum justo 

QUARTA — Rm 3.11-17

O pecador que não ouve o Espírito Santo 

QUINTA — Rm 3.19

A Lei não justifica 

SEXTA — Rm 3.24-25

A lei serve apenas para apontar a solução 

SÁBADO — Rm 3.20

O ser humano não tem como se justificar por meio de suas obras

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

MOSTRAR que os judeus e gentios necessitam de um meio eficaz para salvação;

RECONHECER que a humanidade necessita encontrar o caminho da paz;

EXPLICAR que a humanidade necessita da solução para o pecado.

 

INTERAÇÃO 

Caro(a) professor(a), precisamos caminhar lentamente junto com o apóstolo Paulo. Perceba a paciência e o cuidado de um bom mestre nas lições que estudamos até aqui, o que continuará também nas lições posteriores. O apóstolo começa com a saudação, apresentando suas credenciais, elogiando o que os membros da igreja de Roma tinham de positivo, incentivando-os a continuarem no Caminho. Ele demonstra seu carinho e a vontade de estar com eles. Testemunha o poder do Evangelho em sua vida e a importância de perseverar nele, de fé em fé. Em seguida, ele começa apresentar a condição de indesculpabilidade dos gentios e judeus até chegar ao momento desta lição atual. Neste estágio do comentário do apóstolo, por meio de forte argumentação, ele demonstra que todos nós, independente de raça, cor, gênero, classe social, entre outros, estamos na mesma situação (mesmo barco) e necessitamos de uma mesma solução para a justificação diante de Deus.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Para exemplificar a situação de igualdade entre judeus e gentios e da humanidade, sugerimos que utilize a figura de uma canoa com algumas pessoas dentro. As pessoas devem estar em lados opostos. Diga que as pessoas do lado oposto da canoa simbolizam os judeus. Os gentios estão em lados diferentes, mas ambos na mesma canoa. Diga que a canoa apresenta um furo em um dos lados e se a situação atual continuar é inevitável o naufrágio. No entanto, os personagens que estão do lado que não apresenta o furo se sentem protegidos, não correndo o risco de morrerem afogados. Estes são como cegos, por não querer ver que estão na mesma canoa, sujeitos a mesma sentença: morrerem afogados. Esta era a atitude dos judeus que se julgavam protegidos pela Lei e a circuncisão, mas que Paulo demonstra estarem na mesma condição dos gentios, injustificados e condenados à ira de Deus. Judeus e gentios no mesmo barco e em situação de risco fatal, pois o barco está furado.

 

TEXTO BÍBLICO 

Romanos 3.9-20. 

9 — Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado,

10 — como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.

11 — Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus.

12 — Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

13 — A sua garganta é um sepulcro aberto; com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;

14 — cuja boca está cheia de maldição e amargura.

15 — Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.

16 — Em seus caminhos há destruição e miséria;

17 — e não conheceram o caminho da paz.

18 — Não há temor de Deus diante de seus olhos.

19 — Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.

20 — Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Nas lições anteriores vimos que nem os gentios com seu conhecimento natural e racional, nem os judeus com a Lei e a circuncisão, foram justificados diante de Deus. Como o conceito de mundo judaico se divide entre judeus e gentios, o apóstolo apresenta a realidade de que todos são indesculpáveis e precisam de um meio eficaz de salvação. Para isso, ele primeiro reforçará o conceito de que tanto judeus como gentios eram indesculpáveis, em seguida demonstrará o estado pecaminoso do ser humano no sentido universal e esclarecerá que a Lei era insuficiente para justificação e salvação de qualquer ser humano, apontando para Cristo como a saída.

 

  1. OS JUDEUS E GENTIOS NECESSITAVAM DE UM MEIO EFICAZ PARA SALVAÇÃO (Rm 3.9) 
  1. A filosofia humana não apresentou o caminho da salvação. “Pois que?”, o início do versículo demonstra que o apóstolo está dando continuidade a um assunto anterior, a indesculpabilidade dos gentios e judeus. Os gentios, influenciados pela filosofia grega, buscaram chegar ao conhecimento de Deus e da salvação por meio do raciocínio humano. Os filósofos trouxeram grandes contribuições tanto para a ciência como para a teologia, basta ver a influência destes nos Pais da Igreja. Entretanto, a revelação divina está acima do raciocínio humano, que apenas consegue obter “lampejos” da revelação maior, que somente é possível por meio do Espírito Santo. A filosofia levou muitas pessoas a acharem que o ser humano pudesse, por meio de sua competência intelectual, entender Deus e sua obra. Por exemplo, no século passado um movimento que sobressaiu foi o cientificismo que, influenciado pelo avanço da tecnologia, entendia que poderia resolver o problema da humanidade. Infelizmente, a resposta foi as duas guerras mundiais.
  2. A lei e a circuncisão não libertaram o judeu. Conforme visto na lição anterior, os judeus se achavam superiores aos gentios por serem os receptores da Lei e que mantinham sua identidade e exclusivismo por meio da circuncisão, um ritual obrigatório e que apenas aumentava mais a arrogância e a hipocrisia dos judeus. Eles também não obtiveram êxito na justificação diante de Deus. A religiosidade não salva. Algumas pessoas buscam a religiosidade, a manutenção de uma aparência de pureza, espiritualidade e santidade, ou seja, uma vida hipócrita que não liberta ninguém. A Bíblia recomenda que congreguemos e que vivamos uma vida de amor, com objetivos comuns, a não termos uma vida de religiosidade baseada no legalismo. Jovem, você é um religioso ou um verdadeiro discípulo de Cristo?
  3. Sentença igual para todas as pessoas. O apóstolo continua o versículo com uma pergunta interessante: “Somos nós mais excelentes?”. Ele agora se dirige a Igreja de Cristo, formada por um único corpo e vários membros, coloca todas as pessoas “no mesmo barco”, debaixo da mesma sentença (Rm 2.1). A pergunta chama todas as pessoas que se dizem discípulas de Cristo a refletir. Ele mesmo responde: “De maneira nenhuma!”. Nós, como membros da igreja, não somos melhores ou piores do que os gentios e judeus da época de Paulo, mas estamos na mesma condição, humanamente falando, indesculpáveis diante de Deus. O apóstolo vai desenvolvendo, cuidadosamente, uma abordagem para que os membros da igreja reconheçam sua condição de pecadores e dependentes da graça de Deus, por meio de Jesus. Eles precisam aprender que, mesmo salvos, precisam manter o “velho homem” sob controle. 

Pense!

 

Não adianta recorrer às filosofias humanas nem à religiosidade ou ao legalismo para alcançar a paz. 

Ponto Importante 

Não adianta ter pressa para apresentar a solução sem antes analisar o problema.

 

  1. A HUMANIDADE NECESSITA ENCONTRAR O CAMINHO DA PAZ (Rm 3.10-18). 
  1. Não há nenhum justo sequer (vv.10-12). A partir deste versículo o autor faz vários recortes do Antigo Testamento, chamando assim, a escritura judaica para testemunhar a culpa universal, tanto de judeus como dos gentios. Inicia citando Salmo 14 para demonstrar que toda humanidade estava corrompida pelo pecado. Conforme já vimos, ninguém consegue ser justo por si mesmo, pois nossa natureza é má. Por isso, devemos entender que ninguém é melhor do que o outro e adotarmos uma posição de humildade e misericórdia. O único justo por mérito próprio foi Jesus. Postura de superioridade por se considerar espiritualmente menos falível, como os judeus, conduz à ruína. Jesus, em diversas ocasiões, criticou a hipocrisia dos mestres da lei e fariseus, e se colocou ao lado dos excluídos da sociedade. Como discípulos de Jesus, devemos compreender que o evangelho é boa nova de salvação e não de hipocrisia e superioridade. Jovem, você tem se considerado superior ao seu próximo?
  2. O ser humano, sem Deus, não consegue vencer o poder da carne (vv.13-16). O autor prossegue citando os Salmos 5.10 e 140.4 para falar sobre o perigo da língua e das trapaças. Para discorrer sobre este assunto, Tiago 3.1-12 é leitura obrigatória. Tiago destaca como um membro tão pequeno pode causar tantos males. O ser humano que consegue domar tantos animais, tecnologias, entre outras coisas não consegue domar sua língua, pois o autor diz que quem consegue é perfeito. O apóstolo continua citando o Salmo 10.7 e Isaías 59.7 para falar sobre a boca cheia de maldições e de amargor e os pés velozes para derramar sangue e causar ruína e desgraça. Por isso, o cuidado que temos que ter com o que dizemos, em vez de amaldiçoar que sejamos fonte de bênçãos para as demais pessoas. Assim, como também com as atitudes de impiedade e injustiça, denúncia que o autor cita aqui e que perpassa toda a epístola. Com essa exortação fica claro que todos necessitamos constantemente nos submeter ao Espírito Santo para vencermos o poder da carne.
  3. A humanidade não alcança a paz a não ser em Cristo (vv.17,18). Paulo fazendo referências ao Antigo Testamento (Is 59.8; Sl 36.2), destaca a busca sem sucesso da humanidade pela paz por não terem aprendido a temer a Deus. O livro de Provérbios tem como um dos temas centrais o temor do Senhor como o princípio de toda a sabedoria. Esta vida de sabedoria é possível somente com a fé de Cristo, aprendendo com o exemplo que Ele deixou. Não é servir a Deus por ter medo de ir para o inferno, mas sim ter um conhecimento experiencial tão profundo com Ele, que o ser humano não se vê vivendo de outra forma, a não ser servindo a Ele. Este é o caminho da paz, que não significa uma vida sem conflitos, mas a paz apesar dos conflitos e aflições (Jo 16.33). Quando sou questionado: “tudo tranquilo?”, eu costumo dizer: “tranquilo não, mas em paz. A tranquilidade não depende de mim, mas a paz sim”.

 

Pense! 

Você tem vivido em paz? A paz que excede todo entendimento, que prevalece mesmo nas tempestades?

 

Ponto Importante 

Os judeus davam muito valor aos escritos do Antigo Testamento, onde se apegavam para justificar suas crenças e atitudes. 

III. A HUMANIDADE NECESSITA DA SOLUÇÃO PARA O PECADO (Rm 3.19,20). 

  1. A lei tem a função de mostrar ao ser humano sua condição de pecador (v.19). No versículo 19, o autor justifica o porquê da utilização dos textos do AT: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (v.19). Fica evidenciado qual o propósito da epístola até este momento, ou seja, demonstrar que toda a humanidade, judeu ou gentia, tem uma dívida pelo pecado que é impagável. Dessa forma, abre-se o caminho para apresentar a grande revelação de Deus para a humanidade que é apresentada na epístola, as boas novas da salvação para uma humanidade em pecado e que não têm como pagar sua dívida. Aqui é apresentada a função específica da Lei que é conscientizar todo ser humano de que ele é um pecador e carece da graça e misericórdia de Deus.
  2. O ser humano não pode se justificar pelas suas próprias obras (v.20a). O apóstolo, então apresenta o motivo da culpabilidade da humanidade citada anteriormente: “Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei”. O ser humano pode se gloriar de suas obras perante as demais pessoas, mas perante Deus não encontrará justificativa, pois nem mesmo Abraão alcançou por méritos (Rm 4.1-3). Se houvesse um só ponto ou característica do ser humano que o pudesse justificar, existiriam outros caminhos para se alcançar a justificação além do caminho da morte e cruz apresentado por Jesus, e certamente os homens escolheriam o caminho mais simples. Paulo descarta qualquer possibilidade de o ser humano se gloriar diante de Deus e, semelhante à prática usual de Jesus, usou da autoridade da Escritura para esta afirmação. Mas, como se dá a justificação será assunto da próxima lição. 

 

Pense! 

Jovem, se todas as pessoas são iguais perante Deus, com tendências a pecar e não tendo como se justificar pelas suas obras, porque existem tantas pessoas nas igrejas, dizendo-se discípulas de Cristo, que se vangloriam e agem como se fossem melhores e mais santas do que as outras? 

Ponto Importante 

O fato de a Lei não ser suficiente para justificar o ser humano, não quer dizer que ela não teve uma função específica. Segundo Paulo, ela serviu como “aio” para conduzir o pecador até Cristo. 

 

CONCLUSÃO

 Nesta lição aprendemos que toda humanidade esta na mesma situação de culpabilidade diante de Deus, pois nem a Lei, circuncisão nem a filosofia puderam justificar o ser humano.  

HORA DA REVISÃO

 

  1. Conforme a lição, somos melhores ou piores do que os judeus e os gentios da época do apóstolo Paulo?

Estamos na mesma condição. Nós, como membros da igreja não somos melhores ou piores do que os gentios e judeus da época de Paulo, mas estamos na mesma condição, humanamente falando, indesculpáveis diante de Deus e dependentes da graça de Deus, por meio de Cristo Jesus. 

  1. Quem foi alvo de crítica de Jesus por hipocrisia religiosa?

Jesus, em diversas ocasiões, criticou a hipocrisia dos mestres da lei e fariseus. 

  1. Quais os textos do Antigo Testamento utilizados pelo autor para falar sobre o perigo da língua e trapaças e qual leitura do Novo Testamento, segundo o comentarista da lição é obrigatória?

O autor cita os Salmos 5.10 e 140.4 para falar sobre o perigo da língua e das trapaças. Para discorrer sobre língua, Tiago 3.1-12 é uma leitura obrigatória. 

  1. Qual o versículo que o autor da Epístola aos Romanos utiliza para justificar a utilização de textos do Antigo Testamento?

O versículo 19: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Rm 3.19). 

  1. Qual era a função da Lei?

A função da Lei era dar consciência tanto a judeus como gentios de sua culpabilidade e conduzi-los à Cristo, a solução para o pecado da humanidade.

 

SUBSÍDIO 

“[...] Falsos mestres dizendo-se cristãos ensinavam que depois do recebimento da salvação, o cristão tinha de obedecer a todas as normas e regulamentos da lei do Antigo Testamento. Paulo entrou em ação para corrigir este falso ensino. Ele mostrou que a salvação é um dom gratuito de Deus, recebido mediante a fé na obra expiatória de Jesus Cristo, dom esse gratuito, proveniente da graça de Deus. Para serem salvos os gálatas não dependiam das obras, e também não dependiam disso para continuarem salvos. A lei do Antigo Testamento não podia evitar que o ser humano, não importando quão bom fosse, praticasse o mal; entretanto, esta mesma lei o declarava culpado. A decisão para obedecer ou desobedecer à Lei era responsabilidade de cada pessoa que a recebia. Se alguém escolhesse desobedecer à Lei teria de arcar as inevitáveis consequências. Lendo a história da nação de Israel no Antigo Testamento, vemos que o povo escolhido de Deus desobedeceu à Lei muitas vezes e sofreu por causa da desobediência. Deus sabia que o homem por seu próprio esforço não podia cumprir a Lei. Eis por que Ele concedeu-lhe que oferecesse sacrifícios substitutos como expiação pelo pecado. Tais sacrifícios eram repetidos continuamente, por serem imperfeitos, mas quando veio o Senhor Jesus Cristo, o sacrifício perfeito, Ele ofereceu-se uma vez para sempre como nossa expiação e cumpriu todas as exigências da justa lei divina” (GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do Crente. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.147-148).

fonte www.avivamentonosul.com

 

Lições Bíblicas CPAD

Adultos

2º Trimestre de 2016

Título: Maravilhosa Graça — O Evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos Romanos

Comentarista: José Gonçalves 

Lição 5: A maravilhosa Graça

Data: 1º de Maio de 2016 

 

 

TEXTO ÁUREO

 

“Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6.14). 

VERDADE PRÁTICA 

Cristo Jesus é a graça divina manifestada em forma humana.

 

LEITURA DIÁRIA 

Segunda — Rm 3.24

A graça do Senhor Jesus Cristo provê a justificação

Terça — Cl 1.29

A graça nos capacita para o trabalho e o combate 

Quarta — Ef 1.3

A graça nos concede bênçãos espirituais nos lugares celestiais 

Quinta — Ef 2.13

A graça nos aproximou e nos reconciliou com Deus 

Sexta — Ef 2.8

A graça é resultado da misericórdia do Todo-Poderoso 

Sábado — Jo 3.16

A graça é resultado do amor de Deus pela humanidade

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 6.1-12. 

1 — Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?

2 — De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

3 — Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?

4 — De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

5 — Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição;

6 — sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado.

7 — Porque aquele que está morto está justificado do pecado.

8 — Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos;

9 — sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele.

10 — Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

11 — Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor.

12 — Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências;

 

HINOS SUGERIDOS 

5, 400 e 577 da Harpa Cristã.

 

OBJETIVO GERAL 

Mostrar que Cristo Jesus é a graça divina manifestada em forma humana.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

 

  1. Apresentar alguns dos inimigos da graça;
  2. Mostrar a vitória da graça para com o domínio do pecado;

III. Relacionar os frutos da graça. 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

 

Prezado professor, dando continuidade ao estudo da Epístola aos Romanos, analisaremos nesta lição o capítulo seis. No capítulo cinco Paulo trata da nossa justificação pela fé no sacrifício de Jesus Cristo. No capítulo seis ele vai abordar a respeito da nova vida em Cristo. O apóstolo mostra que o nosso velho homem já foi crucificado com Cristo. Não somos mais escravos do pecado, pois este foi destruído na cruz. Pela fé morremos para o pecado e como novas criaturas precisamos viver para Deus, em obediência e santidade. Como novas criaturas não alcançamos a perfeição, somos tentados e vivemos em um mundo que jaz no maligno, mas desde o momento que tomamos a decisão de viver pela fé, para Cristo, somos livres do poder do pecado, pois agora o próprio Cristo habita em nós (Gl 2.20).

 

COMENTÁRIO   INTRODUÇÃO

 

O capítulo cinco da Epístola aos Romanos mostra o triunfo da graça sobre o pecado. Paulo já havia falado a respeito da justificação, mas o que significava isso na prática? Que implicações teria na vida dos crentes? O apóstolo não procurou filosofar a respeito da origem do pecado e suas consequências. Ele buscou mostrar, de forma clara, como Deus resolveu essa questão. A graça de Deus nos justificou, abolindo o domínio do pecado e fazendo-nos viver livres em Cristo. 

 

PONTO CENTRAL 

Jesus Cristo é a revelação do amor e da graça de Deus.

 

  1. OS INIMIGOS DA GRAÇA 
  1. Antinomismo. Paulo percebeu que a sua argumentação a respeito da graça poderia gerar um mal-entendido. Por isso, tratou logo de esclarecer o seu pensamento a respeito do assunto. Usando o método de diatribe, ele dialoga com um interlocutor imaginário, procurando explicar de forma clara o seu argumento. Paulo já havia dito que onde o pecado abundou, superabundou a graça (Rm 5.20). Tal argumento seria uma afirmação ao estilo dos antinomistas, pois estes acreditavam que podemos viver sem regras ou princípios morais.
  2. Paulo não aceita e não confirma o antinomismo. No antimonismo não há normas. Os que erroneamente aceitavam tal pensamento acreditavam que quanto mais pecarmos mais graça receberemos. Em outras palavras, a graça não impõe limite algum. Antevendo esse entendimento equivocado, o apóstolo pergunta: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?” (Rm 6.1). A resposta é não! A graça não deve servir de desculpa para o pecado.

Infelizmente, o antinomismo tem ganhado força em nossa sociedade, passando a ser socialmente aceito até mesmo dentro das igrejas evangélicas. Esta é uma doutrina venenosa, que erroneamente faz com que a graça de Deus pareça validar todo tipo de comportamento contrário à Palavra de Deus. Em geral, tal pensamento vem “vestido” de uma roupagem espiritual, porém o antinomista costuma ser relativista quando se utiliza da expressão “não tem nada a ver”.

  1. Legalismo. Em Romanos 6.15, o apóstolo tem em mente o judeu legalista, quando pergunta: “Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum!”. A doutrina da justificação pela fé, independentemente das obras da lei, levaria o legalista a argumentar que Paulo estaria ensinado que, em virtude de não estarmos mais debaixo da lei, então não há mais obrigação alguma com o viver santo. Nesse caso, não haveria mais nenhuma barreira de contenção contra o pecado. Na mente do legalista, somente a lei de Moisés era o instrumento adequado para agradar a Deus. Isso justifica as dezenas, e às vezes, centenas de preceitos que o judaísmo associou com o Decálogo. Os legalistas criaram como desdobramento da lei 613 preceitos. A teologia de Paulo irá ensinar que mesmo não estando mais debaixo da lei, o cristão não ficou sem parâmetros espirituais. Pelo contrário, agora que ele tem a vida de Jesus Cristo dentro de si, está capacitado a agradar a Deus, mesmo sem se submeter à letra da Lei de Moisés. 

SÍNTESE DO TÓPICO (I) 

O antinomismo e o legalismo são inimigos da graça.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO 

“[...] É preciso compreender e comparar dois aspectos da salvação, que são: o aspecto legal e o aspecto ético e moral. No aspecto legal está a justificação, que trata da quitação da pena do pecado. Significa que a exigência da Lei foi cumprida. Porém, no aspecto moral, está a santificação que trata da vivência cotidiana após a justificação. Como compreender então a relação entre a justificação e a santificação?

Em primeiro lugar, a santificação trata do nosso estado, assim como a justificação trata da nossa posição em Cristo. Observe isto: Na justificação somos declarados justos. Na santificação nos tornamos justos. A justificação é a obra que Deus faz por nós como pecadores. A santificação diz respeito ao que Deus faz em nós. Pela justificação somos colocados numa correta e legal relação com Deus. Na santificação aparecem os frutos dessa relação com Deus. Pela justificação nos é outorgada a segurança. Pela santificação nos é outorgada a confiança na segurança. Em segundo lugar, a santificação envolve, também, o aspecto posicional. Na justificação o crente é visto em posição legal por causa do cumprimento da Lei, na santificação o crente é visto em posição moral e espiritual. Posicionalmente, o crente é visto nesses dois aspectos abordados que são: o legal e o moral. Legalmente, ele se torna justo pela obra justificadora de Jesus Cristo. Moralmente, ele se torna santo por obra do Espírito Santo” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, pp.73,74). 

 

  1. A VITÓRIA DA GRAÇA 
  1. A graça destrói o domínio do pecado. Para Paulo, o pecado era como um tirano impiedoso que não poupava seus súditos. Ele reinou desde que entrou no mundo e seu domínio parecia não ser ameaçado. O pecado dominou os que não estavam debaixo da Lei e dominou também os que estavam sob sua égide. Não havia escapatória. Por causa do “velho homem”, uma expressão que para Paulo é sinônimo de natureza caída e pecaminosa, que esse iníquo tirano conseguia reinar. Como se libertar, então, desse tirano? Paulo mostra que a solução de Deus foi aquilo que lhe servia de base de sustentação, o corpo do pecado: “Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado” (Rm 6.6). O “corpo do pecado” significa mais do que simplesmente o corpo físico, mas o corpo como algo que instrumentaliza o pecado e que precisava ser destruído. A palavra grega katargeo, traduzida em Romanos 6.6 como destruído, possui o sentido de destronado ou tornado inoperante. Foi, portanto, através da cruz de Cristo que esse tirano foi destronado e teve seu domínio desfeito. A graça de Deus triunfou sobre o pecado. Glória a Deus pelo seu dom inefável (1Co 9.15).
  2. A graça destrói o reinado da morte. O apóstolo mostra que o reinado do pecado e seu domínio caracterizaram-se pela morte. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). Não há lugar nesse mundo onde não se sinta as consequências do pecado.
  3. A graça e os efeitos do pecado. Os efeitos do pecado podem ser vistos por toda parte. Podemos vê-los nas catástrofes naturais, nas guerras, homicídios, estupros e abortos. O pecado traz a marca da morte. Tanto a morte física, como a morte espiritual, o afastamento de Deus, são consequências do pecado. Nada podia destruir esse domínio tenebroso do pecado e fazer parar seus efeitos. Todavia, Paulo mostra que a Graça de Deus invadiu o domínio do pecado e destruiu seu principal trunfo — o poder sobre a morte. A graça de Deus, presente na ressurreição do Senhor Jesus, destruiu o poder sobre a morte física e essa mesma graça, quando nos reconcilia com Deus, destrói o poder da morte espiritual. 

SÍNTESE DO TÓPICO (II) 

A graça destrói o domínio do pecado na vida daqueles que pela fé aceitam a Jesus Cristo.

 

SUBSÍDIO DIDÁTICO 

No segundo tópico estudamos a respeito de dois inimigos da graça: o antinomismo e o legalismo. Se desejar, leia para os alunos a seção "Conheça Mais" que apresenta uma definição para o termo. Quando ao legalismo, se desejar leia o subsídio abaixo a fim de que os alunos compreendam o termo.

“[Do lat. legale + ismo] Tendência a se reduzir a fé cristã aos aspectos puramente materiais e formais das observâncias, práticas e obrigações eclesiásticas.

No Novo Testamento, o legalismo foi introduzido na Igreja Cristã pelos crentes oriundos do judaísmo que, interpretando erroneamente o Evangelho de Cristo, forçavam os gentios a guardarem a Lei de Moisés.

Contra o legalismo, insurgiu-se Paulo. Em suas epístolas aos gálatas e aos romanos, o apóstolo deixou bem claro que o homem é salvo unicamente pela fé em Cristo Jesus, e não pelas obras da Lei” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de Andrade. Dicionário Teológico. 17ª Edição. RJ: CPAD, 2008, p.251). 

 

III. OS FRUTOS DA GRAÇA 

  1. A graça liberta. A graça é libertadora (Rm 6.14) e produz frutos para a nossa santificação: “Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rm 6.22). Somente a graça seria capaz de desfazer o domínio do pecado. A Bíblia afirma que quem comete pecado é escravo do pecado (Jo 8.34). E mais, o escravo não possuía domínio sobre o seu arbítrio. Essa situação mudou quando a graça, revelada na pessoa de Jesus Cristo, entrou na história e desfez o domínio do pecado. Paulo afirmou que o “pecado não terá domínio sobre nós”. Somos livres em Cristo. Essa liberdade é uma realidade na vida do crente: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão” (Gl 5.1).
  2. Exigências da graça. A graça liberta, mas ao mesmo tempo tem suas exigências. Isso fica claro pelo uso dos termos considerar (6.11), que no original (logizomai) significa reconhecer, tomar consciência: “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.11). Em Romanos 6.13 a palavra “apresentar” (gr. paristemi), significa colocar-se à disposição de alguém: “Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Rm 6.13).
  3. A graça santifica. Paulo revela que um dos efeitos imediatos da graça é a justificação e o outro é a santificação: “Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rm 6.22). A palavra “santificação”, que traduz o grego hagiasmos mantem o sentido de “separação”. A graça nos libertou e nos separou para Deus. A santificação aparece aqui nesse texto como um fruto da graça. No ensino de Paulo a santificação ocorre em dois estágios. Primeiramente somos santificados em Cristo quando o confessamos como Salvador de nossas vidas. Na teologia bíblica isso é conhecido como santificação posicional. Por outro lado, não podemos nos acomodar, mas procurar a cada dia nos santificar, isto é, nos separar para Deus. Essa é a graça progressiva, aquilo que existe como um processo na vida do crente. 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III) 

Dois são os frutos da graça, a liberdade em Jesus Cristo e a santificação. 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO 

“Consagração do corpo mortal

‘Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões’ (Rm 6.1). Entendemos que o pecado opera por meio do corpo. Da mesma forma que o corpo pode ser consagrado a Deus (Rm 12.1), pode também ser dedicado ao pecado. É claro que o corpo, por si mesmo não pode fazer nada, pois é controlado pela mente. Entretanto, quando o pecado domina a mente do homem, ele controla as ações do corpo. A mente pertence ao domínio da alma humana, e quando a primeira alma inteligente (Adão — Rm 5.12) pecou, todo o seu corpo foi dominado pelo pecado. Quando Paulo exorta os que já haviam experimentado a regeneração dizendo: ‘Não reine o pecado em vosso corpo mortal’, ele estava mostrando aos crentes, romanos que, uma vez que foram justificados, resta-lhes agora viver como tais, na santificação do Espírito” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.77). 

 

CONCLUSÃO 

Vimos nesta lição quem são os inimigos da graça, conhecemos a vitória da graça e os seus frutos. Tudo que temos e tudo que somos só foram possíveis pela graça de Deus. Essa graça é que trouxe salvação. “Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens”. Que venhamos viver segundo a recomendação de Tito, renunciando à impiedade e vivendo neste presente século de forma sóbria, justa e piamente (Tt 2.11,12).

 

PARA REFLETIR 

A respeito da Carta aos Romanos, responda: 

Segundo a lição, cite dois inimigos da graça.

Antinomismo e legalismo. 

Em que os antinomistas acreditavam?

Os que erroneamente aceitavam tal pensamento acreditavam que quanto mais pecarmos mais graça receberemos. Em outras palavras, a graça não impõe limite algum. 

Para o legalista qual era o único instrumento adequado para agradar a Deus?

Na mente do legalista, somente a lei de Moisés era o instrumento adequado para agradar a Deus. 

Segundo a lição, o que a graça de Deus destrói?

A graça destrói o domínio do pecado. 

Qual fruto a graça produz no crente?

Os frutos da liberdade e da santificação. 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO 

A maravilhosa Graça

 

O obstáculo à mensagem da Graça de Deus

Um dos maiores obstáculos sobre o ensino do apóstolo Paulo quanto à maravilhosa graça de Deus é a confusão feita com o Antinomismo. O prezado professor já deve ter se interado das implicações imorais que o Antinomismo traz às vidas das pessoas. A ideia do Antinomismo é promover a extinção de quaisquer espécies de preceitos morais em forma de lei a ser seguida. De modo que se qualquer cristão exigir o mínimo de um comportamento moral do outro, logo ele será denominado moralista, no sentido mais pejorativo do termo.

É claro que o apóstolo Paulo não estava ensinando no capítulo 6 a extinção de quaisquer aspectos de ordem moral. Quem criou essa confusão foram os intérpretes de Paulo, mais vinculados às doutrinas do Gnosticismo, ao ponto de defenderem a estapafúrdia ideia de que quanto mais “o crente pecar mais a graça o alcançará”, uma interpretação transloucada de Romanos 5.20b: “Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça”.

A analogia entre Adão e Cristo

Ora, qualquer estudante sério das Escrituras sabe que o versículo acima é a culminação da analogia de que o apóstolo faz entre Cristo e Adão (de acordo com o que estudamos na lição 4). Bem como explicou o erudito John Murray, a entrada e a universalidade totalitária do pecado neste mundo, bem como o juízo e a morte, estão ambos vinculados à pessoa de Adão (onde o pecado superabundou). Entretanto, a entrada da justiça divina, o predomínio da graça, da justificação, retidão e da verdadeira vida estão ligadas a Jesus Cristo (onde superabundou a graça). Neste aspecto, o apóstolo quer mostrar que a história da humanidade gira em torno desses dois eixos, Adão e Jesus.

A doutrina da maravilhosa graça de Deus nos mostrará que o homem dominado pelo pecado só pode ser livre desse domínio pela graça divina. Neste sentido, ela é libertadora, pois livra o ser humano do senhorio do mal; ela é vida, pois destrói o reinado da morte; ela é eterna, pois faz o ser humano levantar-se da morte para a vida plena.

O ser humano nascido de novo tem gerado dentro dele uma nova consciência que, mesmo quem não conheceu a Lei de Moisés, manifesta a ética e o comportamento baseado no Amor de Deus de maneira consciente e sincera (Gl 5.22-24). Ou seja, o Espírito Santo é quem convenceu este ser humano do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11). Por isso, a graça é maravilhosa!

fonte www.avivamentonosul.com