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liçoes CPAD escatologia 3 trim-1998
liçoes CPAD escatologia 3 trim-1998

                                                         Lições Bíblicas CPAD

                                                Jovens e Adultos   

                                             3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral 

Lição 1: A importância da Escatologia Bíblica

Data: 5 de Julho de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque a visão é ainda para o tempo determinado, e até ao fim falará, e não mentirá; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará” (Hc 2.3).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A escatologia é uma realidade que envolve tanto o presente como o futuro e, para entendê-la, devemos estudá-la com cuidado e apoio bíblico.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Gn 3.15; Ap 12.9; 20.2

A primeira profecia escatológica

 

 

 

Terça - Gn 3.15; 22.18; 26.4; 28.14; 49.10; 2 Sm 7.12,13

A promessa do Redentor vindouro

 

 

 

Quarta - Is 7.14; 9.6; 42.1-4; 49.5-7; 52.13-15

A predição do futuro Rei e Redentor

 

 

 

Quinta - Is 53

A predição dos sofrimentos de Jesus

 

 

 

Sexta - Dn 2.44,45; 7.13,14

A predição do Reino vindouro do Senhor

 

 

 

Sábado - Jr 23.3; Is 11.11; Ez 37.1-11; Jl 2.28,29

A restauração de Israel

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 João 2.18-25,28.

 

18 - Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos; por onde conhecemos que é já a última hora.

19 - Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.

20 - E vós tendes a unção do Santo e sabeis tudo.

21 - Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade.

22 - Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? E o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho.

23 - Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; e aquele que confessa o Filho tem também o Pai.

24 - Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai.

25 - E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.

28 - E agora, filhinhos, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda.

 

PONTO DE CONTATO

 

Os crentes nutrem um desejo profundo para conhecer os eventos futuros. Contudo, quando em contato com as profecias bíblicas encontram dificuldade para interpretá-las. Muitos por desconhecerem os princípios de interpretação têm feito uso de métodos inadequados chegando a formular teorias incorretas, trazendo, assim, prejuízo à sua vida cristã e à Igreja. O estudo de escatologia, neste trimestre, conduzirá, sem dúvida, os alunos de nossa Escola Dominical a uma compreensão clara das profecias bíblicas.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir o sentido de escatologia.
  • Estabelecer as diferenças entre a profecia bíblica e a profecia como dom na Igreja.
  • Reconhecer o estudo da escatologia como matéria necessária à fé cristã.
  • Enumerar os métodos de interpretação da escatologia.
  • Aplicar as verdades proféticas ao desenvolvimento da fé cristã.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Veremos nesta lição a importância da escatologia e como o seu uso com cuidado e respaldo bíblico contribui para a boa interpretação das profecias bíblicas. Estudaremos os seus métodos e princípios básicos de interpretação, bem como a sua relação com os aspectos presentes e futuros da profecia bíblica.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Os acontecimentos do futuro têm sido assunto do interesse da humanidade, principalmente neste século. A Igreja de Cristo aguarda um futuro glorioso como conseqüência de sua comunhão com Deus. Apesar de estarmos tratando de um tema que, se não houver cuidado, entra no terreno da especulação, precisamos introduzir os tópicos da lição buscando levar os alunos a refletirem idéias preconcebidas e quais as suas bases. Para isso, objetivando a edificação da classe, sugerimos que inicie cada tópico perguntando, e induzindo os alunos à reflexão e a dar respostas.

 

       Qual a preocupação principal da escatologia?

       Como deve ser interpretada a profecia bíblica?

       Quais os métodos de interpretação da escatologia bíblica?

       Qual a diferença entre profecia bíblica e dom de profecia?

 

Estas e outras questões poderão ser usadas para um estudo prazeroso e com resultados mais eficazes.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Escatologia é um termo constituído de duas palavras gregas: escathos e logos, que se traduzem por “últimas coisas” e “tratado” ou “estudo”. É o estudo acerca de coisas e eventos futuros profetizados na Bíblia. Nas primeiras palavras do texto de Ap 1.1 podemos entender o sentido da escatologia para a Igreja: “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer”. Em resumo, significa para os cristãos “o estudo ou a doutrina das últimas coisas”.

 

I. O CAMPO DA ESCATOLOGIA BÍBLICA

 

1. A escatologia tem sua base na revelação divina. A Bíblia é a revelação da vontade de Deus à humanidade. Inicialmente, Deus escolheu a semente de Abraão, ou seja, o povo de Israel, para revelar a sua vontade. Mais tarde, Deus ampliou o campo da sua revelação e formou um novo povo, a Igreja, constituída de judeus e gentios (Ef 2.11-19). A partir de então, a Igreja é o alvo da revelação divina. Toda a revelação aponta para o futuro e a Igreja caminha neste mundo com uma esperança, pois é identificada como “peregrina e forasteira”, 1 Pe 2.11. Ela existe por causa da esperança (Rm 5.2; 8.24; Ef 4.4; 1 Ts 4.13). A esperança indica uma meta; traça planos para um futuro. O mundo pagão se fecha dentro de um fatalismo histórico, sem expectativas, sem futuro, mas a Bíblia revela o futuro.

2. A escatologia pertence ao campo da profecia. A preocupação principal do estudo da escatologia é interpretar os textos proféticos das Escrituras. As verdades proféticas se tornam claras e definidas quando se tem o cuidado de interpretá-las seguindo os princípios de interpretação, observando o seu contexto histórico e doutrinário. O apóstolo Pedro teve o cuidado de explicar essa questão quando escreveu: “E temos mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração”, 2 Pe 1.19. Na verdade, o apóstolo procura contrastar as idéias humanas com a palavra da profecia escrita na Bíblia. Ele fortalece a origem divina das Escrituras e da sua profecia. Não podemos duvidar nem admitir falha na Palavra de Deus. Ela é inspirada pelo Espírito Santo (2 Tm 3.16). A inerrância das Escrituras tem sua base na infalibilidade da Palavra de Deus. Outrossim, o mesmo autor declara que “nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”, 2 Pe 1.20,21.

 

II. MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DA ESCATOLOGIA

 

Na história da Igreja têm sido adotados vários métodos de interpretação no que concerne às escrituras proféticas. Eles têm produzido explicações e posições que obrigam os cristãos a serem cautelosos. Há idéias divergentes, por exemplo, com respeito ao arrebatamento da Igreja. Alguns o admitem antes e outros crêem que se dará no meio da Grande Tribulação. As teorias são várias, mas precisamos ser definidos sobre o assunto. Para isso, dois métodos de interpretação devem merecer a nossa atenção.

1. O método alegórico ou figurado. Alguns teólogos definem a alegoria “como qualquer declaração de fatos supostos que admite a interpretação literal, mas que requer, também, uma interpretação moral ou figurada”. Quando interpretamos uma profecia bíblica, sem atentarmos para o seu sentido real, figurado ou literal, negamos o seu valor histórico, dando uma interpretação de somenos importância. Corremos o risco de anular a revelação de Deus naquela profecia. Daí, as palavras e os eventos proféticos perderem o significado para alguns cristãos.

Quando o sentido de uma profecia é literal e se interpreta alegoricamente, se está, de fato, pervertendo o verdadeiro sentido da Escrituras, com o pretexto de se buscar um sentido mais profundo ou espiritual. Por exemplo, há os que interpretam o Milênio alegoricamente. Não acreditam num Milênio literal. Por esse modo, além de mutilarem o sentido real e literal da profecia, anulam a esperança da Igreja.

Tenhamos cuidado com interpretações feitas superficialmente ao bel-prazer das especulações do intérprete, com idéias próprias ou ao que lhe parece razoável. Declarações como: “eu penso que é isso”, “eu sinto que é isso”, são típicas de interpretações vaidosas, irresponsáveis e vazias de temor a Deus. Portanto, o método alegórico deve ser utilizado corretamente. Paulo utilizou-o em Gálatas 4.21-31. Ele tomou as figuras ilustradas no texto com fatos literais da antiga dispensação, mas apresentou-os como sombras de eventos futuros.

2. O método literal e textual. Esse é o método gramático-histórico. Isto é: se preocupa em dar um sentido literal às palavras da profecia, interpretando-as conforme o significado ordinário, de uso normal. A preocupação básica é interpretar o texto sagrado consoante a natureza da inspiração da profecia. Uma vez que cremos na inspiração plena das Escrituras através do Espírito Santo, devemos atentar para o fato de que há textos que têm apenas um sentido espiritual, sem que exija, obrigatoriamente, uma interpretação literal ou figurada.

Ambos os métodos são válidos, mas devem ser utilizados com cuidado e precisão. Há uma perfeita relação entre as verdades literais e a linguagem figurada. Temos o exemplo bíblico da apresentação de João Batista no texto de João 1.6, que diz: “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João”. Notemos que o texto está falando literalmente de um homem, cujo nome, de fato, era João. Os termos empregados referem-se literalmente a alguém fisicamente. Mais tarde, João Batista, ao identificar Jesus, usou uma linguagem figurada, quando diz: “Eis aí o Cordeiro de Deus”, Jo 1.29. Na verdade, Jesus era um homem real e literal, mas João usou a forma figurada para denotar o sentido literal da pessoa de Jesus.

 

III. A PROFECIA NA PERSPECTIVA ESCATOLÓGICA

 

Não entenderemos a profecia bíblica se a confundirmos com “o dom da profecia”. A profecia bíblica tem um caráter inerrável, porque ela está nas Escrituras inspiradas pelo Espírito Santo. A profecia, como dom do Espírito, tem a sua importância no contexto da Igreja de Cristo na Terra, pois depende de quem a transmite e, por isso, sujeita a erro e julgamento (1 Co 14.29), e não pode ter validade se a mesma choca-se com o ensino geral das Escrituras.

1. A profecia cumprida e a futura. Para que a profecia bíblica tenha o crédito que merece, devemos estudá-la no que concerne ao que já foi cumprido e, também, referente ao futuro. Uma grande parte dos livros da Bíblia contém predições. Quando estudamos as profecias cumpridas podemos enxergar o seu caráter divino, e fazer distinção com as profecias não cumpridas. Jesus, em seu discurso aos discípulos no aposento alto, falou do ministério do Espírito Santo após sua ascensão aos céus, e disse: “Ele vos ensinará e vos anunciará as coisas que hão de vir”, Jo 16.13.

2. A profecia e o ministério da Palavra. Toda declaração bíblica sobre profecia é tão crível quanto àquelas declarações históricas. Certo autor de teologia declarou que “a história da raça humana é a história da comunicação de Deus com o homem”. Deus mesmo recorre à sua Palavra, não como uma simples evidência da verdade declarada, mas como a única forma pela qual nós podemos obter uma perfeita e completa visão do propósito divino em relação à salvação. Por isso, precisamos observar a história do passado, presente e futuro. Devemos ter confiança de que assim como teve cumprimento a Palavra de Deus no passado e o tem no presente, o mesmo acontecerá com as profecias relacionadas ao futuro.

 

CONCLUSÃO

 

As Escrituras Sagradas apresentam um só sistema de verdade. Não importa o que dizem as várias escolas de interpretação. Suas interpretações podem variar e até estar equivocadas. E, nem a Bíblia se presta a dar apoio a qualquer sistema de interpretação. O futuro é uma parte do plano de Deus, e só Ele conhece tudo o que encerra a profecia. As opiniões humanas têm valor enquanto estiverem em conformidade com as Escrituras.

 

VOCABULÁRIO

 

Denotar: Fazer notar; fazer ver; manifestar, indicar, mostrar.
Dogmática: Estudo ordenado e sistemático de doutrinas.
Fatalismo: Atitude ou doutrina que admite que o curso da vida humana está, em graus e sentidos diversos, previamente fixado, sendo a vontade ou a inteligência impotentes para dirigi-lo ou alterá-lo.
Pagão: Pessoa que adora a deuses falsos.
Utopia: Projeto irrealizável, quimera, fantasia.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Defina o que é escatologia.

R. É o estudo acerca de coisas e eventos futuros profetizados na Bíblia.

 

2. Qual a preocupação principal da escatologia?

R. Interpretar os textos proféticos das Escrituras.

 

3. Quais os dois métodos de interpretação da escatologia?

R. Alegórico ou figurado, e literal e textual.

 

4. Qual a diferença entre o dom de profecia e a profecia bíblica?

R. A profecia, como dom do Espírito, depende de quem transmite e é sujeita a julgamento, e a profecia bíblica tem caráter inerrável porque ela está nas Escrituras inspiradas pelo Espírito Santo.

 

5. Qual a única forma para podermos obter uma perfeita e completa visão do propósito divino em relação à salvação?

R. Recorrer à Palavra de Deus.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

Além de ser um dos capítulos da dogmática cristã, ou seja, o estudo sistemático e lógico das doutrinas concernentes às últimas coisas, há quatro outros tipos de escatologia, segundo nos apresenta o Dicionário Teológico (CPAD):

Escatologia consistente. Termo nascido com Albert Schweitzer, segundo o qual as ações e a doutrina de Cristo tinham um caráter essencialmente escatológico. Não resta dúvida, pois, de que o Senhor Jesus haja se preocupado em ensinar aos discípulos as doutrinas das últimas coisas. Todavia, sua preocupação básica era a salvação do ser humano. Ele também jamais deixou de se referir à vida prática e sofrida do homem.

Seus ensinos, por conseguinte, não foram deformados por qualquer ênfase exagerada. Nele, cada conselho de Deus teve o seu devido lugar”.

Escatologia idealista. Corrente doutrinária que relaciona a escatologia bíblica à verdades infinitas. Os que defendem tal posicionamento, alegam que a doutrina das últimas coisas não terá qualquer efeito prático sobre a história da humanidade. Relegam-na, pois, à condição de mera utopia.

Mas, o que dirão eles, por exemplo, acerca das profecias já cumpridas? Será que estas não referendam as que estão por se cumprirem? Não nos esqueçamos, pois, ser a profecia a essência da Bíblia. Se descrermos daquela, não poderemos crer nesta”.

Escatologia individual. Estudo das últimas coisas que dizem respeito exclusivamente ao indivíduo, tratando de sua morte, estado intermediário, ressurreição e destino eterno. Neste contexto, nenhuma abordagem é feita, quer a Israel, quer a Igreja”.

Escatologia realizada. Ponto de vista defendido por C. H. Dodd, segundo o qual as previsões escatológicas das Sagradas Escrituras foram todas cumpridas nos tempos bíblicos. Atualmente, portanto, já não nos resta nenhuma expectativa profética, de acordo com o que ensina Dodd.

Gostaríamos, porém, que ele nos respondesse as seguintes perguntas:

       A Segunda vinda de Cristo já foi realizada?

       A grande tribulação já é história?

       O julgamento final já foi consumado?”.

 

 

 

 

Subsídio Doutrinário

 

A escatologia tem profunda relação com a profecia. Não podemos evitar nem negligenciar a profecia. Se trouxermos o estudo da Bíblia apenas para a esfera presente, como trataremos das profecias que nos estimulam a vigiar acerca da vinda de Cristo? Há um outro fator importante nessa relação entre a escatologia e a profecia que é o seu cumprimento passado. São profecias que foram faladas ou registradas bem antes dos eventos profetizados, principalmente, aquelas relativas a Cristo. As profecias quanto à sua primeira vinda se tomaram históricas pelo seu cumprimento literal (Is 7.14; Mq 5.2; Is 11.2; Zc 9.9; Sl 41.9; Zc 11.12; Sl 50.6; Sl 34.20; Is 53.4-6). Portanto, a relação da escatologia com a profecia não é teórica, porque tem o testemunho das Escrituras.

 

 

 

 

Subsídio Bibliológico

 

Compreender a linguagem da mensagem profética no estudo da escatologia é de fundamental importância. Toda e qualquer declaração profética depende da linguagem. Expressões simples do conhecimento humano foram usadas e inspiradas pelo Espírito Santo aos profetas, para que, na apresentação da mensagem profética, não houvesse confusão na sua compreensão. A linguagem da profecia bíblica é singela e clara, mesmo quando ela vem em forma alegórica. Seu objetivo primordial é apresentar as verdades divinas. Todo aquele que ministra a Bíblia é chamado por Deus para declarar “todo o conselho de Deus” (At 20.27). Não há como escapar da responsabilidade de conhecer e interpretar corretamente os textos bíblicos proféticos.

 

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 2: A doutrina da morte

Data: 12 de Julho de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A morte não é um fenômeno natural na vida humana. Ela é a maldição divina contra o pecado e só Jesus foi capaz de cravar essa maldição no lenho de Sua cruz no Calvário.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Rm 5.12-15

A morte procede do pecado

 

 

 

Terça - Gn 2.17; Hb 9.27; Gn 3.19

O aviso divino sobre a morte

 

 

 

Quarta - Sl 23.1-4

Em perigo de morte

 

 

 

Quinta - 1 Co 15.54-57

Jesus venceu a morte

 

 

 

Sexta - Gn 5.5,8,11,14,20,27,31

A história do homem natural

 

 

 

Sábado - 2 Sm 14.14; 2 Pe 1.14-16

Antes que venha a morte

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Salmos 39.4-7; 90.4-6,10,12.

 

Salmos 39

4 - Faze-me conhecer, SENHOR, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil.

5 - Eis que fizeste os meus dias como a palmos; o tempo da minha vida é como nada diante de ti; na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é totalmente vaidade.

6 - Na verdade, todo homem anda como uma sombra; na verdade, em vão se inquietam; amontoam riquezas e não sabem quem as levará.

7 - Agora, pois, Senhor, que espero eu? A minha esperança está em ti.

 

Salmos 90

4 - Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como vigília da noite.

5 - Tu os levas como corrente de água; são como um sono; são como a erva que cresce de madrugada;

6 - de madrugada, cresce e floresce; à tarde, corta-se e seca.

10 - A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos.

12 - Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio.

 

PONTO DE CONTATO

 

Estudaremos nesta semana um tema necessário para entendimento dos eventos futuros, porém, não muito simpático à humanidade — a morte. Muitos evitam falar sobre o assunto e até fogem para não recordar momentos tristes. Por este motivo se faz necessário cuidado para lecionar este tema, evitando que prevaleçam na aula conceitos errôneos, para que aprendam a verdadeira visão da morte que os crentes devem possuir.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir o que é morte.
  • Enumerar os sistemas filosóficos que tratam da morte.
  • Explicar o sentido literal e metafórico da palavra morte.
  • Justificar, com base bíblica, os três tipos de morte.
  • Compreender a visão bíblica sobre a morte.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A doutrina da morte é estudada a partir do dilema existencial humano considerando as correntes filosóficas, passando pela definição bíblica e os tipos de morte segundo as Sagradas Escrituras. Esta lição objetiva mostrar que a morte significa para o crente uma vitória, baseada na obra vicária de Cristo no Calvário.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Desenvolva o tema com bastante cuidado, amor e determinação, evitando dar oportunidade para seus alunos narrarem fatos ocorridos ou desabafarem sentimentos negativos, o que prejudicaria o desenvolvimento da aula e a desviaria dos objetivos propostos. Estes casos poderão ser tratados num atendimento extra-classe. Trabalhe cada tópico da lição conduzindo a participação dos alunos de maneira clara e objetiva, para evitar desvio do assunto. Por exemplo: peça a seus alunos que conceituem, de acordo com a Bíblia, a morte física, a espiritual e a eterna. Formule outras perguntas para conduzir a lição, introduzindo, assim, cada tópico. Se puder anote os tópicos numa folha de papel pardo ou similar, com letras grandes, para que a classe acompanhe e entenda a delimitação de assuntos.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

A morte é um assunto que evitamos falar e comentar. Entretanto, o viver humano encontra em sua jornada a ameaça da morte. Nesta lição estudaremos a questão da morte sob a perspectiva da Bíblia, pois nela, a realidade da morte e o seu impacto na vida humana são tratados com clareza e fé.

 

I. O DILEMA EXISTENCIAL HUMANO

 

Toda criatura humana enfrenta esse dilema. Não foi sua escolha vir ao mundo, mas não consegue fugir à realidade do fim de sua existência. O dilema existencial resulta da realidade da morte que tem que ser enfrentada. Em Eclesiastes, o pregador diz: “Todos vão para um lugar; todos são pó e todos ao pó voltarão”, Ec 3.20,21. São palavras da Bíblia e não de nenhum materialista contemporâneo. Quanto à realidade da vida e da morte, o homem é, dentro da criação, o único que sabe que vai morrer. Analisemos alguns sistemas filosóficos os quais discutem esse assunto.

1. Existencialismo. Seu interesse é, essencialmente, com as questões inevitáveis de vida e morte. Preocupa-se com a vida, mas reconhecem a presença da morte constante na existência humana. Os seus filósofos vêem a morte como o fim de uma viagem ou como um perpétuo acompanhante do ser humano desde o berço até a sepultura. Para eles, a morte é um elemento natural da vida.

Ora, essas idéias são refutadas pela Bíblia Sagrada. A morte nada tem de natural. É algo inatural, impróprio e hostil à natureza humana. Deus não criou o ser humano para a morte, mas ela foi manifestada como juízo divino contra o pecado (Rm 1.32). Foi introduzida no mundo como castigo positivo de Deus contra o pecado (Gn 2.17; 3.19; Rm 5.12,17; Rm 6.23; 1 Co 15.21; Tg 1.15).

2. Materialismo. Não admite as coisas espirituais. Do ponto de vista dos materialistas, tudo é matéria. Entendem que a matéria é incriada e indestrutível substância da qual todas as coisas se compõem e à qual todas se reduzem. Afirmam ainda que, a geração e a corrupção das coisas obedecem a uma necessidade natural, não sobrenatural, nem ao destino, mas às leis físicas. Portanto, o sentido espiritual da morte não é aceita pelos materialistas.

O cristão verdadeiro não foge à realidade da morte, mas a enfrenta com confiança no fato de que Cristo conquistou para Ele a vida após a morte — a vida eterna (Jo 11.25).

3. Estoicismo. Os estóicos seguem a idéia fatalista que ensina que a morte é algo natural e devemos admiti-la sem temê-la, uma vez que o homem não consegue fugir do seu destino.

4. Platonismo. O filósofo grego Platão ensinava que a matéria é má e desprezível, só o espírito é que importa. Porém, não é assim que a Bíblia ensina. O corpo do cristão, a despeito de ser uma casa material, temporária e provisória, é templo do Espírito Santo (1 Co 3.16,17). Somos ensinados a proteger o corpo para a manifestação do Espírito de Deus.

 

II. DEFINIÇÃO BÍBLICA PARA A MORTE

 

1. O sentido literal e metafórico da palavra morte.

a) Separação. No grego a palavra morte é thanatos que quer dizer separação. A morte separa as partes materiais e imateriais do ser humano. A matéria volta ao pó e a parte imaterial separa-se e vai ao mundo dos mortos, o Sheol-Hades, onde jaz no estado intermediário entre a morte e a ressurreição (Mt 10.28; Lc 12.4; Ec 12.7; Gn 2.7).

b) Saída ou partida. A morte física é como a saída de um lugar para outro (Lc 9.31; 2 Pe 1.14-16).

c) Cessação. Cessa a existência da vida animal, física (Mt 2.20).

d) Rompimento. Ela rompe as relações naturais da vida material. Não há como relacionar-se com as pessoas depois que morrem. A idéia de comunicação com pessoas que já morreram é uma fraude diabólica.

e) Distinção. Ela distingue o temporal do eterno na vida humana. Toda criatura humana não pode fugir do seu destino eterno: salvação ou perdição (Mt 10.28).

2. O sentido bíblico e doutrinário da morte.

a) A morte como o salário do pecado (Rm 6.23). O pecado, no contexto desse versículo, é representado pela figura de um cruel feitor de escravos que dá a morte como pagamento. O salário requerido pelo pecado é merecidamente a morte. Como pagamento, a morte não aniquila o pecador. A verdade que a Bíblia nos comunica é que a morte não é a simples cessação da existência física, mas é uma conseqüência dolorosa pela prática do pecado, seu pagamento, a sua justa retribuição. Quando morre, o pecador está ceifando na forma de corrupção aquilo que plantou na forma de pecado (Gl 6.7,8; 2 Co 5.10). Portanto, a morte física é o primeiro efeito externo e visível da ação do pecado (Gn 2.17; 1 Co 15.21; Tg 1.15).

b) A morte é sinal e fruto do pecado. O homem vive inevitavelmente dentro da esfera da morte e não pode fugir da condenação. Somente quem tem a Cristo e o aceitou está fora dessa esfera. Só em Cristo o homem consegue salvar-se do poder da morte eterna. Tiago mostra-nos uma relação entre o pecado e a morte, quando diz: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte”, Tg 1.14,15. O pecado, portanto, frutifica e gera a morte.

c) A morte foi vencida por Cristo no Calvário. A resposta única, clara, evidente e independente de quaisquer idéias filosóficas a respeito da morte é a Palavra de Deus revelada e pronunciada através de Cristo Jesus no Calvário (Hb 1.1). Cristo é a última palavra e a única solução para o problema do pecado e a crueldade da morte (Rm 5.17).

 

III. TIPOS DISTINTOS DE MORTE

 

A Bíblia fala de três tipos distintos de mortes: física, espiritual e eterna.

1. Morte física. O texto que melhor elucida esta morte é 2 Sm 14.14, que diz: “Porque certamente morreremos e seremos como águas derramadas na terra, que não se ajuntam mais”. O que acontece com o corpo morto quando é sepultado? Depois de alguns dias, terá se desfeito e esvaído como águas derramadas na terra. E isso que a morte física acarreta literalmente.

2. Morte espiritual. Este tipo tem dois sentidos na perspectiva bíblica: negativo e positivo. No sentido negativo, a morte pode ser identificada pela expressão bíblica “morte no pecado”. E um estado de separação da comunhão com Deus. Significa estar debaixo do pecado, sob o seu domínio (Ef 2.1,5). O seu efeito é presente e futuro. No presente, refere-se a uma condição temporal de quem está separado da vida de Deus (Ef 4.18). No futuro, refere-se ao estado de eterna separação de Deus, o que acontecerá no Juízo Final (Mt 25.46).

No sentido positivo é a morte espiritual experimentada pelo crente em relação ao mundo. Isto é: a sua pena do pecado foi cancelada e, agora vive livre do domínio do pecado (Rm 6.14). Quanto ao futuro, o cristão autêntico terá a vida eterna. Ou seja: a redenção do corpo do pecado (Ap 21.27; 22.15).

3. Morte eterna. É chamada a segunda morte, porque a primeira é física (Ap 2.11). Identificada como punição do pecado (Rm 6.23). Também denominada castigo eterno. E a eterna separação da presença de Deus — a impossibilidade de arrependimento e perdão (Mt 25.46). Os ímpios, depois de julgados, receberão a punição da rejeição que fizeram à graça de Deus e, serão lançados no Geena (Lago de Fogo) (Ap 20.14,15; Mt 5.22,29,30; 23.14,15,33). Restringe-se apenas aos ímpios (At 24.15). Esse tipo de morte tem sido alvo de falsas teorias que rejeitam o ensino real da Bíblia.

 

CONCLUSÃO

 

A morte é a prova máxima da fé cristã, que produz nos crentes uma consciência de vitória (1 Pe 4.12,13). Os sofrimentos e aflições dessa vida são temporais, e aperfeiçoam nossa esperança para enfrentar a morte física, que se constitui num trampolim para a vida eterna. Ela se torna a porta que se abre para o céu de glória. Quando um cristão morre, ele descansa, dorme (2 Ts 1.7). Ao invés de derrota, a morte significa vitória, ganho (Fp 1.21). A Bíblia consola o cristão acerca dos mortos em Cristo quando declara que a morte do crente “é agradável aos olhos do Senhor”, Sl 116.15. Diz também, que morrer em Cristo é estar “presente com o Senhor”, 2 Co 5.8.

 

VOCABULÁRIO

 

Patente: Claro, evidente, manifesto.
Probatório: Que serve de prova.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quais são os sistemas filosóficos que tratam sobre a morte?

R. Existencialismo, materialismo, estoicismo e platonismo.

 

2. Quais os sentidos literais e figurados que representam a morte?

R. Separação, saída ou partida, rompimento e distinção.

 

3. Qual o sentido doutrinário da morte?

R. A morte física é o primeiro efeito externo e visível da ação do pecado.

 

4. Explicar a morte espiritual, negativa e positivamente.

R. Negativa: é a separação da comunhão com Deus. Positiva: é a morte experimentada pelo crente em relação ao mundo.

 

5. Que é a morte eterna?

R. E a segunda morte, castigo eterno, para os ímpios.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

Podemos apresentar quatro razões bíblicas para a morte:

1. Necrológica. A palavra nekros (no grego) quer dizer “morto” e refere-se àquilo que não tem vida, seja um cadáver ou matéria inanimada. Essa palavra tem na sua raiz nek o sentido de “calamidade”, “infortúnio”, e passou a fazer parte do vocabulário médico para indicar o estado de morte de uma pessoa, ou então, para significar o processo de morte dalguma parte do corpo, devido a alguma doença. Do ponto de vista da Bíblia, necrológico indica a parte física do homem, seu corpo (soma). A Carta aos Hebreus fala da separação que a morte faz entre o corpo e a parte espiritual do homem, quando diz: “E como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso o juízo” (Hb 9.27). Esse texto indica que há algo que sobrevive no homem após a morte, ou seja, após a necrose do seu corpo.

2. Antropológica. Vem de antropos (no grego) que quer dizer “homem”, para fazer diferença com os animais irracionais. E o homem criado por Deus com a capacidade de pensar, sentir e realizar (Gn 1.26,27; 2.7). Na antropologia bíblica o corpo humano é visto como uma dádiva de Deus ao homem e, por isso, o corpo tem a sua própria dignidade. Do ponto de vista bíblico é dignificado pela sua razão de ser, como instrumento de serviço e glorificação do Criador. Por isso, é o templo do Espírito de Deus (1 Co 3.16; 6.19). Portanto, a razão antropológica nesse sentido refere-se ao que o homem é, o que pensa acerca da morte, como ele a enfrenta e o que sobrevive dele depois da morte.

3. Pneumatológica. Essa é a parte espiritual do homem. A palavra pneuma refere-se ao espírito. Em primeiro lugar, valorizamos o corpo físico e a sua dignidade na existência humana; em segundo, tratamos do homem como ser racional; em terceiro lugar, preocupamo-nos em revelar o milagre da transformação do corpo físico do crente em corpo espiritual. Nossos corpos materiais e mortais serão ressuscitados em “soma pneumatikon”, isto é, “corpo espiritual” (1 Co 15.54). A nossa esperança é que Cristo ressuscitou primeiro e definitivamente e, assim. Ele é o “primogênito dentre os mortos” (Cl 1.18; Ap 1.5). Ele ganhou a vitória final sobre a morte, o túmulo e o Diabo (At 2.24).

4. Escatológica. Nesse ponto reside a preocupação com a esperança. Qual é a esperança cristã? E a ressurreição de nossos corpos na vinda do Senhor, a transformação dos mesmos se estivermos vivos no arrebatamento da Igreja. (Ver 1 Co 15.54.)

 

 

 

Subsídio Doutrinário

 

As falsas teorias que rejeitam o ensino real da Bíblia sobre a morte eterna para os ímpios:

A teoria universalista ensina que Deus é bom demais para excluir alguém. Jesus morreu por todos, por isso, todos serão salvos. A teoria restauracionista ensina que Deus, ao final de todas as coisas, restaurará todas as coisas e todos, enfim, serão salvos. A teoria do purgatório ensina que, quando uma pessoa morre neste mundo, tem a oportunidade de recuperação num período probatório. Nesse período, a culpa dos pecados cometidos poderá ser aliviada enquanto aquele pecador paga por seus pecados, tendo, ainda, a ajuda das orações pelos mortos da parte dos amigos e parentes. Outra teoria é a da aniquilação. Seus adeptos tomam por base 2 Ts 1.8,9. Destacam a expressão “eterna perdição” e a traduzem por eterna extinção. A palavra “extinguir” no lugar de “aniquilar” dá uma idéia que contraria a doutrina do castigo eterno como ensinada na Bíblia. De fato, o sentido real da expressão é de banimento da presença de Deus, e não de extinção, como a folha de papel se extingue no fogo.

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 3: O Estado Intermediário dos mortos

Data: 19 de Julho de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

E no Hades, ergueu o olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio” (Lc 16.23).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O Estado Intermediário representa um lugar espiritual fixo onde as almas e os espíritos dos mortos aguardam a ressurreição de seus corpos, para apresentarem-se, posteriormente, perante o Supremo Juiz.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 2 Co 12.2-4

O Paraíso, um lugar especial

 

 

 

Terça - 1 Co 15.6; 1 Ts 4.13-16

O estado dos que dormem no Senhor

 

 

 

Quarta - Ap 20.13,14

No Juízo Final todos os mortos comparecerão perante o Juiz

 

 

 

Quinta - Ef 4.8-10; Ap 1.17,18

Cristo, o vencedor da morte e do inferno

 

 

 

Sexta - 2 Co 5.8; Fp 1.23

A nossa esperança da ressurreição

 

 

 

Sábado - Hb 12.23; Ap 6.9; 20.4

Fiéis até a morte

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Lucas 16.19-31.

 

19 - Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.

20 - Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele.

21 - E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.

22 - E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico e foi sepultado.

23 - E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio.

24 - E, clamando, disse: Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

25 - Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado.

26 - E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá.

27 - E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,

28 - pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.

29 - Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.

30 - E disse ele: Não, Abraão, meu pai; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam.

31 - Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.

 

PONTO DE CONTATO

 

Na Escola Dominical matriculam-se, muitas vezes, alunos que, anteriormente, pertenciam a seitas e trazem teorias e ensinamentos errados sobre o Estado Intermediário dos mortos. Você professor, terá o privilégio de esclarecer e conduzi-los à verdade. Contudo, isto, nem sempre é fácil e muito menos acontece rapidamente. É necessário dedicação, paciência, amor e oração para que Deus possa libertá-los dessa bagagem que tanto prejuízo lhes traz.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir os termos bíblicos relativos ao Estado Intermediário.
  • Descrever os argumentos que tratam da vida além-morte.
  • Explicar o que é o Estado Intermediário.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Complementando a lição anterior, neste domingo estudaremos sobre o Estado Intermediário dos mortos. O assunto é estudado sob a visão dos argumentos existentes, os quais contribuem para esclarecimentos da doutrina bíblica. São apresentadas, também, algumas heresias sobre o assunto e, por último, o que ocorreu após a obra de Cristo no Calvário.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

O futuro constitui uma grande expectação no coração de cada pessoa, trazendo inquietação e medo para muita gente. Seus alunos, por certo, estão desejosos de estudar mais sobre este assunto, o que facilitará bastante apresentar a matéria. Precisam conhecer bem o que Deus lhes reserva para o futuro. E necessário que descansem em Suas promessas, e tenham a confiança que precisam para não temerem o futuro. O bom aprendizado deste assunto depende da maneira como você expõe a lição. Então, ministre sem rodeios, explicando cada tópico conforme descrito na lição. Escreva, numa tolha de papel, o esboço, as referências bíblicas e até as perguntas que fará.

Isto lhe dará segurança para ministrar a aula e os alunos perceberão que você se preparou e está interessado no crescimento espiritual deles.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Como existe uma diversidade de interpretações a respeito e, para evitar confusão de idéias acerca do Estado Intermediário, devemos aclarar essa doutrina.

 

I. A VIDA DEPOIS DA MORTE

 

São vários os argumentos que reforçam a doutrina bíblica sobre a vida além-túmulo.

1. Argumento histórico. Se a questão da vida além-morte estivesse fundamentada apenas em teorias e conjecturas filosóficas, ela já teria desaparecido. Mas as provas da crença na imortalidade estão impressas na experiência da humanidade.

2. Argumento teleológico. Procura provar que a vida do ser humano tem uma finalidade além da própria vida física. Há algo que vai além da matéria de nossos corpos, é a parte espiritual. Quando Jesus Cristo aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção, estava, de fato, desfazendo a morte espiritual e concedendo vida eterna, a imortalidade (2 Tm 1.10). A vida humana tem uma finalidade superior, uma razão de ser, um desígnio.

3. Argumento moral. Há um governador moral dentro de cada ser humano chamado consciência que rege as suas ações. Sua existência dentro do espírito humano indica sua função interna, como um sensor moral, aliado à soberania divina.

4. Argumento metafísico. Os elementos imateriais do ser humano denunciam o sentido metafísico que compõe a sua alma e espírito. Esses elementos são indissolúveis; portanto, como evitar a realidade da vida além-morte? É impossível! A palavra imortalidade no grego é athanasia e significa literalmente ausência de morte. No sentido pleno, somente Deus possui vida total, imperecível e imortal (1 Tm 1.17). Ele é a Fonte de vida eterna e ninguém mais pode dá-la. No sentido relativo, o crente possui imortalidade conquistada pelos méritos de Jesus no Calvário (2 Tm 1.8-12).

 

II. O QUE NÃO É ESTADO INTERMEDIÁRIO

 

1. Não é Purgatório. Heresia lançada pelos católicos romanos para identificar o Sheol-Hades como lugar de prova, ou de segunda oportunidade, para as almas daquelas pessoas que não conseguiram se purificar o suficiente para galgarem o céu. Declara a doutrina romana que é uma forma desses mortos serem provados e submetidos a um processo de purificação. Entretanto, essa doutrina não tem base na Bíblia e é feita sobre premissas falsas. Se o Purgatório fosse uma realidade, então a obra de Cristo não teria sido completa. Se alguém quer garantir sua salvação eterna, precisa garanti-la em vida física. Depois da morte, só resta a ressurreição.

2. Não é o Limbus Patrum. O vocábulo limbus significa borda, orla. A idéia é paralela ao Purgatório e foi criada pelos católicos romanos para denotar um lugar na orla ou na borda do inferno, onde as almas dos antigos santos ficavam até a ressurreição. Ensina ainda essa igreja que o limbus patrum (pais) era aquela orla do inferno onde Cristo desceu após sua morte na cruz, para libertar os pais (santos do Antigo Testamento) do seu confinamento temporário e levá-los em triunfo para o céu. Identificam “o seio de Abraão” como sendo o limbus patrum (Lc 16.23). Mas, o limbus patrum não tem apoio bíblico, e nem existe uma orla para os pais (santos antigos).

3. Não é o Limbus Infantus. A palavra infantus refere-se à crianças. Na doutrina romana, havia no Sheol-Hades um lugar especial de habitação das almas de todas as crianças não batizadas. Segundo essa doutrina, nenhuma criança não batizada pode entrar no céu. Por outro lado, é inaceitável a idéia do limbus infantus como um lugar de prova, também, para crianças.

4. Não é um estado para reencarnações. Não é um lugar de migrações e perambulações espaciais.

Os espíritas gostam de usar o texto de Lucas 16.22,23, para afirmarem que os mortos podem ajudar os vivos. Mas Jesus, ao ensinar sobre o assunto, declarou que era impossível que Lázaro ou algum outro que estivesse no Paraíso saísse daquele lugar para entregar mensagem aos familiares do rico. Jesus disse que os vivos tinham “a Lei e os Profetas”, isto é, eles tinham as Escrituras. Os mortos não podiam sair de seus lugares para se comunicarem com os vivos. Portanto, é uma fraude afirmar essa possibilidade de comunicação com os mortos. Usam equivocadamente João 3.3 para defenderem a idéia da reencarnação. Vários textos bíblicos anulam essa falsa doutrina (Dt 18.9-14; Jó 7.9,10; Ec 9.5,6; Lc 16.31).

 

III. O QUE É ESTADO INTERMEDIÁRIO

 

1. É uma habitação espiritual fixa e temporal. Biblicamente, o Estado Intermediário é um modo de existir entre a morte física e a ressurreição final do corpo sepultado. No Antigo Testamento, esse lugar é identificado como Sheol (no hebraico), e no Novo Testamento como Hades (no grego). Os dois termos dizem respeito ao reino da morte (Sl 18.5; 2 Sm 22.5,6). É um lugar espiritual em que as almas e espíritos dos mortos habitam fixamente até que seus corpos sejam ressuscitados, para a vida eterna ou para a perdição eterna. E o estado das almas e espíritos, fora dos seus corpos, aguardando o tempo em que terão de comparecer perante Deus.

2. E um lugar de consciência ativa e ação racional. Segundo Jesus descreveu esse lugar, o rico e Lázaro participam de uma conversação no Sheol-Hades, estando apenas em lados diferentes (Lc 16.19-31). O apóstolo Paulo descreve-o, no que tange aos salvos, como um lugar de comunhão com o Senhor (2 Co 5.6-9; Fp 1.23). A Bíblia denomina-o como um “lugar de consolação”, “seio de Abraão” ou “Paraíso” (Lc 16.22,25; 2 Co 12.2-4). Se fosse um lugar neutro para as almas e espíritos dos mortos, não haveria razão para Jesus identificá-lo com os nomes que deu. Da mesma forma, “o lugar de tormento” não teria razão de ser, se não houvesse consciência naquele lugar. Rejeita-se segundo a Bíblia, a teoria de que o Sheol-Hades é um lugar de repouso inconsciente. A Bíblia fala dos crentes falecidos como “os que dormem no Senhor” (1 Co 15.6; 1 Ts 4.13), e isto não refere-se a uma forma de dormir inconsciente, mas de repouso, de descanso. As atividades existentes no Sheol-Hades não implicam que os mortos possam sair daquele lugar, mas que estão retidos até a ressurreição de seus corpos para apresentarem-se perante o Senhor (Lc 16.19-31; 23.43; At 7.59).

 

IV. O SHEOL-HADES, ANTES E DEPOIS DO CALVÁRIO

 

1. Antes do Calvário. O Sheol-Hades dividia-se em três partes distintas. Para entender essa habitação provisória dos mortos, podemos ilustrá-lo por um círculo dividido em três partes. A primeira parte é o lugar dos justos, chamada “Paraíso”, “seio de Abraão”, “lugar de consolo” (Lc 16.22,25; 23.43). A segunda é a parte dos ímpios, denominada “lugar de tormento” (Lc 16.23). A terceira fica entre a dos justos e a dos ímpios, e é identificada como “lugar de trevas”, “lugar de prisões eternas”, “abismo” (Lc 16.26; 2 Pe 2.4; Jd v.6). Nessa terceira parte foi aprisionada uma classe de anjos caídos, a qual não sai desse abismo, senão quando Deus permitir nos dias da Grande Tribulação (Ap 9.1-12). Não há qualquer possibilidade de contato com esses espíritos caídos; habitantes do Poço do Abismo.

2. Depois do Calvário. Houve uma mudança dentro do mundo das almas e espíritos dos mortos após o evento do Calvário. Quando Cristo enfrentou a morte e a sepultura, e as venceu, efetuou uma mudança radical no Sheol-Hades (Ef 4.9,10; Ap 1.17,18). A parte do “Paraíso” foi trasladada para o terceiro céu, na presença de Deus (2 Co 12.2,4), separando-se completamente das “partes inferiores“ onde continuam os ímpios mortos. Somente, os justos gozam dessa mudança em esperança pelo dia final quando esse estado temporário se acabará, e viverão para sempre com o Senhor, num corpo espiritual ressurreto.

 

CONCLUSÃO

 

Essa doutrina bíblica fortalece a nossa fé ao dar-nos segurança acerca dos mortos em Cristo, e é a garantia de que a vida humana tem um propósito elevado, além de renovar a nossa esperança de estar para sempre com o Senhor.

 

VOCABULÁRIO

 

Cíclico: Pertencente ou relativo a um ciclo. Que se realiza ou se repete numa certa ordem.
Conjectura: Juízo ou opinião sem fundamento preciso, suposição, hipótese.
Metafísico: Relativo ou pertencente à metafísica, transcendente.
Plenitude: Qualidade ou estado de pleno; repleto, cheio.
Transmigrar: Passar de um lugar para outro.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quais os argumentos que fortalecem a doutrina da vida além-morte?

R. O argumento histórico, teleológico, moral e metafísico.

 

2. Como os católicos romanos identificam o Sheol-Hades?

R. Lugar de prova, ou de segunda oportunidade, para as almas daquelas pessoas que não conseguiram se purificar o suficiente para galgarem o céu.

 

3. O que é o Estado Intermediário?

R. Biblicamente, o Estado Intermediário é um modo de existir entre a morte física e a ressurreição final do corpo sepultado.

 

4. Existe consciência ativa depois da morte?

R. Sim. O apóstolo Paulo descreve esse lugar para os salvos como um lugar de comunhão com o Senhor.

 

5. Há alguma possibilidade de comunicação dos mortos com os vivos?

R. Não. As atividades existentes no Sheol-Hades não implicam que os mortos possam sair daquele lugar, mas estão retidos até a ressurreição de seus corpos para apresentarem-se perante o Senhor.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

“A maioria dos israelitas, porém, olhava para a vida com uma atitude positiva (Sl 128.5,6). O suicídio era extremamente raro, e uma vida longa era considerada bênção de Deus (Sl 91.16). A morte trazia tristeza, usualmente expressada com lamentações em voz alta e com luto profundo (Mt 9.23; Lc 8.52).

Os costumes israelitas de sepultamento eram diferentes daqueles praticados pelos povos em derredor. Os túmulos dos faraós ficavam repletos de móveis e de muitos outros objetos visando proporcionar-lhes o mesmo nível de vida no além. Os cananitas colocavam uma lâmpada, um vasilhame de óleo e um vaso de alimentos no esquife de cada pessoa sepultada. Os israelitas agiam doutra forma. O corpo, envolvido em pano de linho, usualmente ungido com especiarias, era simplesmente deitado num túmulo ou enterrado numa cova. Isso não significava, porém, que não acreditassem na vida no além. Falavam da ida do espírito a um lugar que, em hebraico, era chamado She’ol ou, às vezes, mencionavam à presença de Deus.” (Teologia Sistemática, CPAD)

 

 

 

Subsídio Doutrinário

 

“Várias religiões orientais, por causa do seu conceito cíclico da História, ensinam a reencarnação. Na morte, a pessoa recebe uma nova identidade, e nasce noutra vida como animal, um ser humano, ou até mesmo um deus. Sustentam que as ações da pessoa geram uma força, karma, que exige a transmigração das almas e determina o destino da pessoa na próxima existência. A Bíblia, todavia, deixa claro que agora é o dia da salvação (2 Co 6.2). Não podemos salvar-nos mediante as nossas boas obras. Deus tem providenciado por meio de Jesus Cristo a salvação total que expia os nossos pecados, e cancela a nossa culpa. Não precisamos doutra vida para cuidar dos pecados e enganos desta vida, ou de quaisquer supostas existências anteriores. Além disso: ‘E como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação [inclusive a plenitude das bênçãos da nossa herança]’ (Hb 9.27,28).” (Teologia Sistemática, CPAD)

 

 

 

Subsídio Teológico

 

“A palavra ‘Paraíso’ é de origem persa e significa uma espécie de jardim, usada simbolicamente quanto ao lugar dos justos mortos. No Paraíso, Lázaro podia conversar com o rico que ali sofria o tormento dos ímpios, havendo entre eles um ‘abismo’ intransponível (Lc 16.18-31). Depois de Sua morte Jesus esteve ‘três dias e três noites no coração da terra’ (Mt 12.40; At 2.27; Ez 31.15-17). Paulo descreve esse lugar como ‘as regiões inferiores da terra’ (Ef 4.9). Portanto, concluímos que o Paraíso em que Jesus e o malfeitor entraram estava no coração da terra. Nesta descida ao Hades, Cristo efetuou uma grande e permanente mudança na região dos salvos, isto é, nas condições dos justos mortos. Ele ‘anunciou’ a Sua vitória aos espíritos ali retidos. É o que significa a expressão de Pedro, que ‘Cristo... pregou aos espíritos em prisão...’ (1 Pe 3.18-20). A palavra usada no original implica em anunciar, comunicar; não pregar, como se entende em homilética.” (O plano divino através dos séculos, CPAD)

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 4: A ressurreição dos mortos

Data: 26 de Julho de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno(Dn 12.2).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A ressurreição dos mortos é obra específica de Deus, e diz respeito à revivificação dos corpos físicos.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Lc 24.6; Mt 27.52,53

Jesus, o modelo da ressurreição

 

 

 

Terça - 1 Co 15.23; Fp 3.20,21; 1 Ts 4.16

A ressurreição dos que são de Cristo

 

 

 

Quarta - Jo 6.39,40,44,54

Só participarão da primeira ressurreição os que são de Cristo

 

 

 

Quinta - 1 Co 15.16-22

O fato da ressurreição de Cristo é a base da esperança cristã

 

 

 

Sexta - Jo 5.28,29; At 24.15; Ap 20.13-15

Ninguém poderá fugir da ressurreição, para a vida ou para a morte eterna

 

 

 

Sábado - Ap 1.5; Cl 1.18

Cristo foi o primogênito entre os mortos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Coríntios 15.3,4,12-20.

 

3 - Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,

4 - e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras,

12 - Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?

13 - E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou.

14 - E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.

15 - E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam.

16 - Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.

17 - E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.

18 - E também os que dormiram em Cristo estão perdidos.

19 - Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.

20 - Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem.

 

PONTO DE CONTATO

 

A ressurreição dos mortos é uma obra de realização exclusiva e poderosa de Deus. Assim sendo, crer nela envolve a fé com a qual o crente mantém sua vida cristã. Ao professor compete conduzir o aluno à aprendizagem desta preciosa lição, para que Deus possa realizar a Sua parte no coração do aluno.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir o que é ressurreição.
  • Descrever o caráter geral da ressurreição.
  • Distinguir os tipos de ressurreições na Bíblia.
  • Enumerar algumas ressurreições físicas na Bíblia.
  • Justificar a necessidade das duas ressurreições.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Nesta lição estudaremos a conceituação, o caráter, os tipos, e os destinatários da ressurreição. A base usada, para o desenvolvimento deste tema, é a Bíblia, pois a revivificação dos corpos físicos é apresentada por ela de maneira clara e comprovada através de muitos exemplos do passado, deixando a doutrina da ressurreição como um ensino incontestável.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

O professor só poderá dizer que seu aluno aprendeu a lição ministrada se houver transformação de vida, pois aprendizagem é a modificação do comportamento no seu tríplice aspecto: sentir, pensar e agir. Ao ministrar a aula, o professor precisa entender que o seu aluno carrega uma bagagem de preconceitos, valores, medos, expectações e esperanças, que poderão dificultar a aprendizagem. Por isso, ore, jejue, estude e conduza a aula procurando dirimir dúvidas e atendendo à classe, na medida do possível, em suas necessidades. Lançando perguntas e ouvindo as respostas você poderá conhecê-los melhor, adequar o ensino e conduzi-los a aprendizagem. Por exemplo, antes de conceituar o tema “ressurreição” peça aos alunos que o façam. E, se possível proceda assim com todos os outros tópicos.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

A doutrina da ressurreição se baseia essencialmente sobre o fato da ressurreição de Cristo. O Mestre enfatizou e deu um sentido especial a essa doutrina (Jo 5.28,29), deixando claro que não haverá uma única, geral e simultânea ressurreição para os mortos, e sim, que acontecerá em duas fases distintas: a ressurreição dos justos e a dos ímpios.

 

I. O QUE É RESSURREIÇÃO

 

1. Sentido original. Duas palavras gregas (anastasis e egeiró) definem o termo ressurreição. Elas claramente indicam “tornar à vida”, “levantar-se”, “erguer-se”, “despertar”, “acordar”.

2. Sentido doutrinário. Ressurreição é a outorga da vida ao que havia se extinguido fisicamente. E o ato do levantamento daquilo que havia estado no sepulcro. Várias vezes nos deparamos com a expressão “ressurreição dos mortos“ (1 Co 15.12,13,21,42), que se refere a uma ressurreição geral, de justos e ímpios. Porém, quando se refere aos justos, a expressão no original é restritiva e se traduz por “ressurreição de entre os mortos”. A expressão “de entre os mortos” quer dizer os mortos tirados do meio de outros mortos.

 

II. CARÁTER GERAL DA RESSURREIÇÃO

 

1. No Antigo Testamento. Vários personagens importantes da história do Antigo Testamento demonstraram sua confiança e crença na ressurreição. Abraão cria na ressurreição (Gn 22.5, Hb 11.17-19); (Jó 19.25-27); um dos filhos de Coré, cantor, salmodiava sobre a ressurreição (Sl 49.15); o profeta Isaías cria e profetizava sobre a ressurreição (Is 26.19); Daniel, profeta e estadista, declarou sua crença na ressurreição (Dn 12.2,3); e Oséias, um profeta destacado em Israel, fez o mesmo (Os 13.14).

2. No Novo Testamento. A doutrina da ressurreição foi declarada e ensinada por Jesus em seu ministério terrestre (Jo 5.28,29; 6.39,40,44,54; Lc 14.13,14; 20.35,36). Ensinada e reafirmada pelos apóstolos e os pais da Igreja primitiva (At 4.2). Em Atenas, na Grécia, Paulo pregou a Jesus Cristo e Sua ressurreição (At 17.18). Repetiu isso, também, para os filipenses (Fp 3.11), aos coríntios (1 Co 15.20), aos tessalonicenses (1 Ts 4.14-16), perante o governador Felix (At 24.15). O apóstolo João, não só relatou o ensino de Cristo sobre a ressurreição, mas ele mesmo ensinou sobre o assunto (Ap 20.4-6).

3. Alguns exemplos bíblicos de ressurreições literais.

a) No Antigo Testamento. A história dramática da ressurreição do filho da mulher sunamita através da oração do profeta Eliseu (2 Rs 4.32-37). Há um caso posterior mais impressionante. O profeta Eliseu já havia morrido e sido sepultado, e um grupo de moabitas, para fugir de uma perseguição inimiga, lançou o seu morto na cova onde estavam os restos mortais de Eliseu. Ao tocar os ossos do profeta o morto reviveu e se levantou sobre seus pés (2 Rs 13.20,21).

b) No Novo Testamento. Os exemplos são numerosos, começando pelo ministério pessoal de Jesus Cristo: a filha de Jairo (Mt 9.24,25); o filho de uma viúva de Naim (Lc 7.13-15); seu amigo Lázaro, em Betânia, irmão de Maria e Marta (Jo 11.43,44). Ele mesmo venceu a morte depois de três dias no sepulcro (Lc 24.6) e, para confirmar Sua vitória sobre a morte, alguns corpos de santos mortos anteriormente, ressuscitaram e foram vistos em Jerusalém (Mt 27.52,53). Mais tarde, entre os apóstolos, Pedro orou ao Senhor e fez reviver a Dorcas (At 9.37,40,41).

 

III. TIPOS DE RESSURREIÇÃO

 

1. Nacional. É, em linguagem metafórica, a restauração e renovação do povo de Israel em termos políticos, materiais e espirituais (Dt 4.23-30; 28.62-64; Lv 26.14-25; Ez 11.17; 36.24; 37.21; Jr 24.6; Ez 36.24,28). O cumprimento cabal da profecia relativa à ressurreição nacional acontecerá na vinda pessoal do Messias, o Senhor Jesus Cristo (Zc 14.1-5).

2. Espiritual. Refere-se também metaforicamente a um renascimento espiritual dos que, tendo estado mortos em delitos e pecados (Ef 2.1) foram vivificados espiritualmente (Rm 6.4). Há, no entanto, um sentido literal dessa ressurreição, no que tange à ressurreição corporal. Porém, o aspecto físico da ressurreição diz respeito aos corpos levantados das sepulturas, os quais sofrerão uma metamorfose. Isto é: uma transformação do físico para o espiritual (1 Co 15.52; 1 Ts 4.13-17).

3. Física. Precisamos distinguir esse tipo de ressurreição sob dois ângulos: o temporal e o escatológico. No sentido temporal, temos o exemplo de pessoas que morreram, foram sepultadas, e pelo poder de Deus ressuscitaram; posteriormente, voltaram a morrer (2 Rs 4.32-37; Mt 9.24,25). No sentido escatológico, tanto os justos quanto os ímpios vão ressuscitar fisicamente. Os justos levantar-se-ão dos seus sepulcros na vinda do Senhor (1 Co 15.44,52; Jo 5.29). Os ímpios se levantarão, não com os santos, mas no fim de todas as coisas, no Juízo Final (Ap 20.11-15).

 

IV. EXPLICANDO A RESSURREIÇÃO DOS JUSTOS E A DOS ÍMPIOS

 

1. A primeira ressurreição.

a) O tempo. Divide-se em três fases distintas. A primeira fase refere-se à ressurreição de Cristo e de muitos santos do Antigo Testamento, identificados como as “primícias dos mortos” (1 Co 15.20; Mt 27.52,53); Jesus e aqueles santos ressurretos são o primeiro molho de trigo colhido (Lv 23.10-12; 1 Co 15.23). Jesus foi o grão de trigo que caiu na terra, morreu, e produziu muito fruto (Jo 12.24). Isto é: aquele grupo de pessoas de Mt 27.52,53 foi a primícia, o primeiro molho. A segunda fase refere-se à ressurreição dos mortos em Cristo na era neotestamentária, a qual se efetuará no chamamento especial por ocasião da volta do Senhor Jesus sobre as nuvens (1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.14-17). A terceira fase da primeira ressurreição refere-se àqueles mortos no período da Grande Tribulação, os quais são chamados de “mártires da Grande Tribulação”. Refere-se ao restolho da ceifa, isto é, as respigas da colheita (Ap 6.9-11; 7.9-17; 14.1-5; 20.4,5).

b) A natureza dos corpos ressurretos. Não importa como os corpos foram sepultados, se em covas na terra, ou no fundo dos mares e rios, ou queimados. Na realidade, os mesmos corpos mortos serão ressuscitados. No caso dos mortos em Cristo, seus corpos serão transformados (1 Co 15.35-38), iguais ao corpo ressurreto de Cristo (Fp 3.21).

2. A segunda ressurreição.

a) O tempo. Já sabemos que Jesus distinguiu duas ressurreições: a dos justos e a dos ímpios (Jo 5.28,29). Alguns intérpretes entendem a ressurreição dos mortos como um só evento, num mesmo tempo. Declaram que a única distinção é que “uns ressuscitam para a vida” e outros “para a perdição”. Entretanto, essa teoria é largamente refutada. Na verdade, o tempo da segunda ressurreição acontecerá no fim de todas as coisas, após o período do Milênio na Terra, quando haverá o Juízo Final diante do Grande Trono Branco (Hb 4.13).

b) A natureza dos corpos ressuscitados dos ímpios. Quanto à ressurreição o processo será o mesmo que o dos justos. Seus corpos terão todas as partículas físicas reunidas e transformadas em corpos espirituais, mas sem qualquer glória. À semelhança dos justos no Hades, as almas e espíritos se unirão aos seus corpos sepultados para serem julgados por suas obras (Ap 20.12; Dn 12.2). Nenhuma glória, nenhuma beleza, mas totalmente inglório, para que sejam prestadas as contas perante o Supremo Juiz (Hb 4.13; Rm 2.5,6; Hb 9.27).

c) O estado final dos ímpios. Na verdade, os ímpios ressuscitarão para uma “segunda morte”, Ap 21.8. Essa “segunda morte” não significa aniquilamento, mas banimento da presença de Deus (2 Ts 1.9). Esse banimento implica que todos os ímpios serão lançados no Geena, chamado “Lago de Fogo” (Mt 25.41,46), que arde continuamente com fogo inapagável — o tormento eterno (Ap 14.10,11).

 

CONCLUSÃO

 

A esperança da Igreja está baseada na ressurreição de Cristo. Sua morte e ressurreição são a garantia total de que Ele voltará. Sua vitória sobre a morte foi com glória, triunfo e poder.

 

VOCABULÁRIO

 

Metafórica: Em que há metáfora, figurado.
Metamorfose: Transformação de um ser em outro.
Outorga: Ato ou efeito de outorgar; consentimento, concessão, aprovação.
Triuna: Relativo à Trindade Santa, que são três divinas e distintas pessoas.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual o sentido da palavra ressurreição no original grego?

R. Quer dizer “tornar à vida”, “levantar-se”, “acordar”, “despertar” e “levantar”.

 

2. Cite os três tipos de ressurreição na Bíblia?

R. Ressurreição nacional, espiritual e física.

 

3. Em quantas fases se divide a primeira ressurreição?

R. Três fases.

 

4. Quando acontecerá a segunda ressurreição?

R. Após o período do Milênio.

 

5. Qual será o estado final dos ímpios?

R. Após ressuscitarem serão lançados no Lago de Fogo.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

A doutrina da ressurreição tem forte base escriturística. O Salmista fala da esperança da ressurreição quando diz: “Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá” (Sl 49.15). No Novo Testamento o ensino da ressurreição ganha maior espaço que no Antigo Testamento. Paulo fala da “aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção, pelo Evangelho” (2 Tm 1.10). Jesus enfatizou e deu um sentido especial à doutrina da ressurreição (Jo 5.28,29). Portanto, o que Jesus deixa claro é que não haverá uma única, geral e simultânea ressurreição para os mortos, e sim que ela acontecerá em duas fases distintas: a ressurreição dos justos e a dos ímpios.

 

 

 

Subsídio Teológico

 

A ressurreição, em sua natureza, deve ser estudada mediante cinco aspectos:

1. A ressurreição será seletiva, mas não discriminativa. A salvação é oferecida a todos de igual modo. Deus não seleciona raça, nação, tribo ou classe social para a salvação. Porém, a ressurreição será seletiva em relação aos que fazem parte da primeira e os da segunda. Ela é seletiva quanto ao modo como se processará.

2. A ressurreição será universal. O caráter geral da ressurreição é universal, porque justos e injustos hão de ressuscitar (Jo 5.28,29; At 24.14,15). Nesse sentido a Bíblia descreve esse fato como a “ressurreição dos mortos”, que tem um caráter geral.

3. A ressurreição será dupla. Porque se trata da distinção dos justos e a dos ímpios (Jo 5.29; Dn 12.2; Ap 20.4,5). Os justos participarão da primeira ressurreição. Os ímpios participarão da segunda ressurreição (Ap 20.13-15).

4. A ressurreição será literal e corporal. Jesus confirmou a doutrina da ressurreição literal e corporal (Jo 5.25,28,29). Jesus ressuscitou corporalmente, por isso, o seu corpo ressurreto, mesmo estando revestido de espiritualidade, podia ser tocado e visto (Lc 24.39; At 1.9-11). Quando a Bíblia fala de “corpo espiritual” não anula a realidade da ressurreição de um corpo material, porque o mesmo será revestido de um corpo espiritual (1 Co 15.42).

5. A ressurreição é obra da Trindade divina. Há uma relação triuna na obra da ressurreição. Há textos bíblicos que atribuem a ressurreição a Deus, sem especificar qual pessoa da Trindade (Mt 22.29; 2 Co 1.9). Algumas vezes, a obra da ressurreição é atribuída ao Filho Jesus (Jo 5.21,25,28,29; 6.38-40,44,54; 1 Ts 4.16). Outras vezes, temos a mesma obra atribuída ao Espírito Santo (Rm 8.11). Não há divisão, nem competição entre as três pessoas da Trindade.

 

 

 

Subsídio Devocional

 

“Tal como o corpo de Jesus, o corpo ressurreto, do qual Ele é a vida animadora, não será nem este corpo mortal que hoje possuímos, nem o espírito desencarnado, mas um corpo espiritual. Um corpo real e espiritual. Realidade não significa necessariamente tangibilidade. Será o ar menos real do que o chumbo, ou o som menos real do que um gramado, ou a luz menos real do que uma pedra? Há a carne de um bebê, tão suave que você a toca com cuidado para não machucá-la, e há a carne de um rinoceronte, que você não consegue atravessar nem com bala de rifle. Assim é o corpo ressurreto — real, mas uma realidade gloriosa jamais dantes conhecida. Trata-se de um corpo espiritual de vida humana imortalizada pela vida ressurreta de Jesus.” (Nathan R. Wood, de uma preleção feita na Gordon Divinity School, Boston, Mass., 1944).

“A Bíblia declara que seremos como Jesus quando o virmos por ocasião de sua vinda (1 Jo 3.2). Nossos corpos serão gloriosos e dotados de esplendor e beleza; serão corpos poderosos e apropriados às regiões celestiais. Essa mudança será repentina e sobrenatural. Isto acontecerá ao soar da última trombeta. Então, encontrar-nos-emos com o Senhor nos ares; e, com Ele estaremos para sempre (1 Ts 4.17).” (Doutrinas Bíblicas, CPAD)

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 5: Sinais da vinda de Cristo

Data: 2 de Agosto de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sóbrios e vigiai em oração” (1 Pe 4.7).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A certeza da volta de Jesus Cristo é a verdade mais significativa de toda a profecia bíblica.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - At 2.19; Lc 21.11; Jl 2.30,31

Sinais em cima no céu

 

 

 

Terça - Mt 27.51; At 2.19; Lc 21.11,12

Sinais em baixo na terra

 

 

 

Quarta - Lc 21.12; Mt 24.5,9,10; Ap 6.9-11

Sinais na vida religiosa

 

 

 

Quinta - Lc 17.26-28; Mt 24.37,38; Tg 5.1-6

Sinais na vida social

 

 

 

Sexta - Lc 17.28-30; 2 Tm 3.1-4

Sinais na vida moral

 

 

 

Sábado - Mt 25.1-10

Sinais entre o povo de Deus

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 24.3-14.

 

3 - E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?

4 - E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane,

5 - porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.

6 - E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.

7 - Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.

8 - Mas todas essas coisas são o princípio de dores.

9 - Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome.

10 - Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão.

11 - E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.

12 - E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.

13 - Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.

14 - E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, então virá o fim.

 

PONTO DE CONTATO

 

1 João 3.3 fala que a esperança da vinda de Jesus nos purifica. O versículo mostra como é importante esta lição para a edificação espiritual de seus alunos. Aguardando a vinda de Cristo, o crente estará mais vigilante, mantendo-se longe do pecado e do engano.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Estabelecer distinção entre os sinais históricos e os sinais em evidência da vinda de Cristo.
  • Descrever o monte escatológico e a sua relação com a vinda de Cristo.
  • Identificar os falsos sinais da vinda de Cristo.
  • Verbalizar as predições de sinais concretos da vinda de Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Apresentando predições escatológicas e sinais atuais da vinda de Jesus, esta lição pretende servir de alerta para toda a Igreja, principalmente, para os crentes despercebidos da brevidade da vinda do Senhor.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

O significado de acautelar é pôr de sobreaviso, prevenir, precaver. Esta foi a palavra que Jesus usou quando os discípulos perguntaram como seria a vinda dele e que sinal teriam. Jesus orientou-os a terem cautela para que não fossem enganados, dando-lhes uma relação dos sinais prévios à Sua vinda. Isto nos dá a entender que precisamos conhecer os sinais para ficarmos de sobreaviso, e para isto precisamos estudar a Bíblia. Conforme diz em Provérbios 22.3 “O avisado vê o mau e esconde-se...”. Para levar o aluno a esse entendimento introduza o tema perguntando o significado de acautelar e o que fazer para não sermos enganados. Na Bíblia de Estudo Pentecostal, no texto de rodapé referente a Mt 24.11, lemos que nos últimos dias “crentes professos aceitarão ‘novas revelações’, mesmo que elas conflitem com a Palavra revelada de Deus. Isto motivará oposição à verdade bíblica dentro da Igreja. Homens pregando o evangelho misto ocuparão posições estratégicas de liderança nas denominações e nas escolas teológicas. Os tais enganarão e desviarão a muitos dentro da Igreja”.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Diante da declaração de Jesus sobre a queda de Jerusalém e a destruição do seu majestoso templo (Mt 24.1,2), os discípulos fizeram-lhe a pergunta-chave que originou o grande discurso profético: “Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” O texto de Mateus 24, mormente os primeiros 14 versículos, é uma profecia com abrangência histórica e escatológica. Em primeiro lugar, diz respeito a Israel e, depois, refere-se à Igreja.

 

I. PREDIÇÕES DE CARÁTER PARTICULAR (Mt 24.1-3)

 

Jesus, ao proferir Seu discurso público nos pátios do grande templo de Jerusalém, aproveita a ocasião para predizer sobre o futuro da cidade e do seu templo. Ele prediz a destruição antecipando o final dos tempos. Alguns fatos proféticos seriam presenciados e vividos por aquela geração, mas seriam ao mesmo tempo indícios de fatos escatológicos inevitáveis.

1. A destruição de Jerusalém e do templo (vv.1,2). Um pouco antes dessa predição, os discípulos quiseram impressionar Jesus chamando-lhe a atenção para a esplêndida e forte estrutura do templo que era o orgulho de todo israelita. Para fortalecer seu discurso, Jesus então predisse a destruição de tudo aquilo ainda naquela geração.

2. Predições feitas num monte escatológico (v.3). E interessante destacar o monte das Oliveiras não só como um monte com histórias de vitórias e derrotas, de guerras físicas e espirituais, mas o monte no qual acontecerá o evento mais importante da escatologia cristã: Jesus Cristo descerá visivelmente sobre ele. A pergunta “Quando sucederão estas coisas” resultou da predição de Jesus sobre o templo e a cidade. Na seqüência, os discípulos queriam saber ainda sobre a vinda de Cristo, e disseram: “Que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo”. A expressão “tua vinda” é uma referência à segunda vinda pessoal de Cristo, especialmente sobre aquele mesmo monte onde estavam conversando.

 

II. PREDIÇÕES SOBRE FALSOS ALARMES ESCATOLÓGICOS (Mt 24.4-6)

 

Mateus 24.4 é uma admoestação contra os falsos sinais que seriam alardeados como se fossem os reais e verdadeiros. Diz o texto: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane”. Indiscutivelmente, essa pessoa, além de presunçosa e não conhecedora das Escrituras, é falso profeta. Quais seriam os falsos alarmes ou sinais pelos quais não podemos nos deixar enganar?

1. Falsos cristos (v.5). Nos quase dois mil anos de história do Cristianismo, centenas de falsos cristos (ou messias) têm aparecido e enganado a muita gente.

2. Guerras não-determinantes (v.6). São falsas guerras todas aquelas que não podem ser determinadas como sinais evidentes da volta do Senhor Jesus. Elas confundem porque não têm as características que determinam um sinal escatológico. Pequenas e grandes guerras têm marcado com sangue o nosso planeta. Jesus previu esse tipo de problema, e orientou-nos: “E certamente ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis porque, é necessário que isto aconteça, mas ainda não é o fim”.

 

III. PREDIÇÕES DE SINAIS CONCRETOS (Mt 24.7)

 

Não há evidência doutrinária para se afirmar que determinados acontecimentos da atualidade sejam sinais precisos da volta de Jesus. Entretanto, o modo como o Senhor indicou-os nos abre um campo de compreensão mais amplo. Entendemos que esses sinais indicam “o começo do fim” ou “o princípio de dores” (Mt 24.8).

1. A simultaneidade dos sinais. Há uma certa simultaneidade dos acontecimentos que envolvem “conflitos bélicos entre nações, fomes, pestes e terremotos”.

2. “Nação contra nação, e reino contra reino”. Tivemos duas grandes guerras mundiais. A primeira aconteceu de 1914 a 1918, e a segunda de 1939 a 1945. A destruição provocada por essas guerras mundiais é incalculável.

3. “Haverá fomes, pestes e terremotos” (Lc 21.11). Sinais como “fomes, pestes e terremotos” são fatos marcantes em nossos dias. A contaminação ambiental provocada pelo desregramento ecológico, tem envenenado os três mais importantes espaços vitais da humanidade, que são: o ar, as águas e a terra. A proliferação das doenças aumenta cada vez mais o índice de mortalidade. Misteriosas pestes desafiam a ciência assolando a humanidade. A fome traz para o panorama mundial um espectro de terror.

 

IV. PREDIÇÕES DE SINAIS ATUAIS (Mt 24.8-13)

 

1. O princípio de dores (v.8). O texto refere-se metaforicamente às dores de parto de uma mulher que está para dar à luz uma criança. São as primeiras dores decorrentes das contrações que anunciam a hora do parto. Na verdade, Jesus estava declarando que os sinais envolvendo fomes, pestes e terremotos seriam apenas sinais precursores da vinda da era messiânica, sonhada e desejada pelos judeus (1 Ts 5.3).

2. A angústia na terra (v.8; Lc 21.25). Essa angústia está embutida no “princípio de dores” sentida pela humanidade e, especialmente, pela Igreja de Cristo. E, de fato, a perplexidade das criaturas diante dos sinais que se evidenciam na Terra (Lc 21.25,26); uma neurose coletiva mundial que provoca o desespero (Rm 8.20,22); é o pressentimento da chegada do fim dessa agonia (Dn 12.4). Nesses tempos de globalização da economia mundial, percebe-se a preocupação, quando apenas uma economia se descontrola e traz um desassossego total (2 Ts 2.7; Ap 13.16,17).

3. A ameaça de uma Igreja mista (vv.10-13). Nestes versículos Jesus previu certos problemas que afetariam sua Igreja. Essa Igreja mista aparece na malfadada tese do Ecumenismo. Indiscutivelmente é uma falsa unidade porque dilui princípios fundamentais de formação da Igreja segundo o padrão neotestamentário. Muitos cristãos haveriam de trair a Igreja e desertá-la por causa das perseguições. A ação de “trair-se uns aos outros” refere-se àqueles que, para salvar a própria pele, entregariam seus irmãos às autoridades.

4. A multiplicação da iniqüidade (v.12). A palavra iniqüidade na língua original tem a idéia de coisas ilegais ou de liberdade sem lei que a controle. Quando Jesus declarou que a iniqüidade se multiplicaria estava antevendo a realidade de nossos dias. A tendência para a ilegalidade e sua prática tem sido comum entre os cristãos. O aumento da iniqüidade, isto é, da violação dos princípios divinos, afetaria esse sentimento de relação com Cristo. O zelo e o desejo pela Casa de Deus perdem a sua força quando o coração é iníquo.

 

CONCLUSÃO

 

Os sinais da vinda de Jesus devem ser assunto de interesse para todos os crentes despertados e ao mesmo tempo um grande alerta para os crentes descuidados e adormecidos espiritualmente. E, assim, possam entender que, apesar dos teólogos divergirem quanto a distinguir os primeiros 14 versículos de Mateus 24 como sendo dentro da era da graça ou da Igreja, o segredo para escapar, principalmente do período dos tempos dos gentios (que antecede a Grande Tribulação — Mt 24.14), é “perseverar até o fim” (Mt 24.13).

 

VOCABULÁRIO

 

Alardeados: Ostentados, divulgados.
Platonizar: Adotar o amor platônico (Platão, filósofo grego, 428-317 a.C), que é apenas o amor ideal alheio a interesses ou gozos materiais.
Predições: Ato ou efeito de predizer, profecia, vaticínio.

 

EXERCÍCIOS

 

1. A quem diz respeito a profecia de Mateus 24?

R. Em primeiro lugar, diz respeito a Israel e, depois, refere-se à Igreja.

 

2. Qual o evento mais importante que ocorrerá no monte das Oliveiras?

R. Jesus Cristo descerá visivelmente sobre esse monte.

 

3. Quais os sinais falsos especificados por Jesus no seu discurso?

R. Falsos cristos e guerras não-determinantes.

 

4. Quais os sinais concretos que assinalam a vinda de Cristo?

R. Conflitos bélicos entre nações, fomes, pestes e terremotos.

 

5. O que Jesus declarou com a expressão “princípio de dores”?

R. Ele declarou que os sinais envolvendo fomes, pestes e terremotos seriam apenas sinais precursores da vinda da era messiânica, sonhada e desejada pelos judeus (1 Ts 5.3).

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Histórico

 

No ano 70 d. C. o general Tito com seus exércitos entrou em Jerusalém e destruiu tudo, inclusive o templo. De fato, não ficou pedra sobre pedra. Quem já visitou Jerusalém tem o testemunho histórico evidenciado nos restos das muralhas e dos edifícios sagrados dos dias de Jesus. A profecia teve seu cumprimento literal.

Geograficamente, o monte das Oliveiras se destaca pela sua altura. Do alto dele se pode ver toda a Jerusalém bem como o local do antigo templo de Salomão. Mas o que chama a atenção em Mt 24.3 é o fato de Jesus ter chamado seus discípulos de modo particular e especial para profetizar sobre o futuro de Israel.

 

 

 

Subsídio Doutrinário

 

Dois dos sinais concretos da vinda do Senhor indicados em Mt 24.7 e em Lc 21.11 merecem nossa maior atenção:

A possibilidade de uma terceira guerra mundial, com os poderes químicos e atômicos sob o domínio de algumas nações, é assustadora. Entretanto, antes de uma catástrofe global, certamente o Senhor virá e arrebatará o Seu povo da Terra.

A produção de alimentos está comprometida por causa de elementos químicos, em decorrência da ganância e da falta de temor a Deus. Só no século 20 a estatística mundial apresenta mais de 6.500 terremotos. Percebe-se, então, uma certa simultaneidade entre os sinais catastróficos que prenunciam a volta do Senhor.

 

 

 

Subsídio Teológico

 

A respeito dos sinais atuais devemos entender ainda que:

No original grego a expressão “princípio de dores” (v.8) dá a idéia de trabalho de parto. Porém, trabalho de parto de quem? O contexto refere-se ao Messias, porque todo o texto prenuncia a vinda do Messias (Is 26.16-19; Mq 4.9,10; Ap 12.1-5; 1 Ts 5.3).

É impossível haver unidade em denominações cristãs que admitem confissões idolátricas e diluem verdades indissolúveis da Palavra de Deus. Falsos e verdadeiros cristãos estariam juntos, mas não demorariam a revelar suas identidades. Várias parábolas de Jesus mostram as diferenças entre o falso e o verdadeiro, o puro e o impuro, o pecador e o santo. Parábolas como as do joio e o trigo, da rede que ajunta peixes de toda espécie, das dez virgens, das ovelhas e dos bodes, etc. Nos dias que antecedem a Sua volta, Jesus prediz que haveria uma mistura não saudável no meio do seu povo (vv.10-13).

Naqueles dias, as autoridades judaicas e romanas, ordenaram a morte de muitos judeus-cristãos. Não será diferente nos dias que antecedem a volta de Cristo. Uma mistura de idéias e doutrinas anticristãs tem, indubitavelmente, levedado a massa da doutrina genuinamente cristã. São os falsos profetas (Mt 24.11), motivados por interesses egoístas e demoníacos, torcem a Palavra de Deus e a interpretam ao seu bel-prazer. Eles injetam na vida da igreja o veneno de conceitos libertinistas, desvinculados completamente dos princípios divinos. Esses conceitos platonizam o amor verdadeiro ao Senhor e o tornam um sentimento de amor egoístico, baseado na auto-afirmação e no prazer carnal.

O inverso de iniqüidade é eqüidade, que é o reconhecimento do direito de cada um. Diz respeito ao tratamento com igualdade, retidão e justiça. Uma das características típicas do Diabo é o egoísmo, que tem se manifestado terrivelmente em nossa sociedade. A multiplicação da iniqüidade afetaria a Igreja (Mt 24.12). Jesus declarou que por causa disto “o amor de muitos se esfriará”. Que tipo de amor é este que o texto se refere? É o amor comprometido com Cristo e com Sua Igreja.

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 6: Israel, o relógio escatológico de Deus

Data: 9 de Agosto de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Porei os meus olhos sobre eles, para seu bem, e os farei voltar a esta terra; e edificá-los-ei, e não os destruirei, e plantá-los-ei, e não os arrancarei” (Jr 24.6).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Israel é o relógio divino na Terra pelo qual conhecemos os desígnios de Deus para o final da história da humanidade.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Lv 26.33,36,37

Predição sobre a dispersão de Israel

 

 

 

Terça - Gn 12.1,2,7; 17.8

As promessas de Deus ao pai da nação israelita, Abraão

 

 

 

Quarta - Dt 7.9; 32.9-11; Sl 89.1

Deus é fiel às suas promessas

 

 

 

Quinta - Jr 24.6; Ez 36.24,28

Predição da volta de Israel à sua terra

 

 

 

Sexta - Am 9.14,15; Jl 2.28-32; Ez 34.27,28; Jr 31.28

A promessa de restauração material e espiritual de Israel

 

 

 

Sábado - Ez 37.21-28; Jr 30.9; Ez 34.23; Os 3.5

A restauração de Israel no “dia da angústia de Jacó”

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Ezequiel 37.1-12.

 

1 - Veio sobre mim a mão do Senhor; e o Senhor me levou em espírito, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos,

2 - e me fez andar ao redor deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale e estavam sequíssimos.

3 - E me disse: Filho do homem, poderão viver estes ossos? E eu disse: Senhor Jeová, tu o sabes.

4 - Então, me disse: Profetiza sobre estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor.

5 - Assim diz o Senhor Jeová a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.

6 - E porei nervos sobre vós, e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor.

7 - Então, profetizei como se me deu ordem; e houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um reboliço, e os ossos se juntaram, cada osso ao seu osso.

8 - E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito.

9 - E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Jeová: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.

10 - E profetizei como ele me deu ordem; então, o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército grande em extremo.

11 - Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel; eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós estamos cortados.

12 - Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Jeová: Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei sair das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.

 

PONTO DE CONTATO

 

Ajude os seus alunos a serem zelosos no estudo da Palavra de Deus, mostrando-lhes que a profecia bíblica tem limites que precisam ser respeitados, e que tenham muito cuidado para que não sejam enganados por vãs doutrinas ou especulações.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Descrever com clareza, por ordem de acontecimentos, os eventos escatológicos relacionados com Israel.
  • Identificar profecias sobre Israel que já tiveram seu cumprimento.
  • Compreender por que Israel é um dos principais sinais da vinda de Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Tendo Israel como objeto principal de nosso estudo, veremos algumas profecias escatológicas que já tiveram seu cumprimento e outras que ainda hão de se cumprir. Através da situação atual de Israel iremos constatar a proclamação da iminente vinda de Jesus.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Sugerimos para melhor compreensão desta lição que você faça uma listagem dos eventos escatológicos numa folha de papel pardo (para que todos vejam). Coloque-os fora da ordem de acontecimento. Distribua para sua classe folhas de papel ofício e peça que, cada aluno, coloque-os em ordem. Dê alguns minutos para o cumprimento da tarefa. Não precisa recolher os trabalhos, mas faça o levantamento da ordem de acontecimentos descrita pelos alunos. O objetivo desta tarefa é situá-los no tempo, no relógio de Deus, para que identifiquem as profecias que tiveram seu cumprimento e as que ainda acontecerão.

 

Ordem correta de acontecimentos escatológicos.

 

   1 — Dispersão e regresso de Israel;

   2 — Arrebatamento da Igreja;

   3 — Grande Tribulação;

   4 — Tribunal de Cristo;

   5 — Bodas do Cordeiro;

   6 — Batalha do Armagedom;

   7 — Implantação do Reino Milenial;

   8 — Juízo das Nações;

   9 — O Grande Trono Branco.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Israel é um dos sinais mais evidentes na atualidade em relação à volta de Cristo. Sua restauração nacional, profetizada em Ezequiel 37.1-10 e, que, através de uma visão fala metaforicamente de “um vale cheio de ossos”, teve início no século em que vivemos.

 

I. EIXO CENTRAL DO PROGRAMA ESCATOLÓGICO DIVINO

 

A história do plano divino em relação à humanidade tem seu eixo central na existência do povo de Israel. É o relógio pelo qual podemos acompanhar todos os eventos históricos e escatológicos do mundo. Jesus apontou-nos esse sinal de Sua vinda no sermão profético registrado em Lc 21.27-30: “E, então, verão o Filho do Homem numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai a vossa cabeça, porque a vossa redenção está próxima. E disse-lhes uma parábola: Olhai para a figueira e para todas as árvores. Quando já começam a brotar, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão”.

Encontramos respaldo para crer na Palavra de Deus através das profecias bíblicas cumpridas e, a se cumprirem, nos fatos da vida de Israel.

1. Dispersão e regresso. Tanto as profecias sobre a dispersão do povo de Israel entre as nações quanto as referentes ao retomo à sua terra, têm tido o fiel cumprimento (Gn 12.1,2,7; Dt 32.9-11; Lv 26.33,36,37; Jr 24.6; Ez 36.24,28).

2. A reunião progressiva de Israel em sua terra. Há duas importantes reuniões de Israel na sua terra que mostram a veracidade da profecia bíblica. A primeira diz respeito ao sentimento de volta ao lar que tiveram todos os israelitas dispersos pelas nações. Esse sentimento se tornou forte com o movimento sionista iniciado em 1897 por Teodoro Herzl. Pouco a pouco, sistemática e continuamente, o povo começou a voltar. Não era um simples sentimento de um homem ou de um povo e, sim, um impulso do Espírito de Deus na mente e no coração de cada judeu disperso, em cumprimento da Palavra de Deus (Jr 24.6; Ez 36.24,28).

Em 1948, Israel já estava bem instalado na Palestina e a sua proclamação pela ONU como Estado foi o clímax da efetivação da promessa divina quanto ao seu retorno.

3. A segunda reunião de Israel. Esta reunião acontecerá no futuro próximo por ocasião da “angústia de Jacó”, conhecida como a Grande Tribulação (Ap 16.12-21). Esse evento escatológico será terrível e indescritível para o povo de Israel. Ele estará mobilizado para a grande batalha do Armagedom. Os reis da terra, isto é, os governantes do mundo todo estarão reunidos com seus exércitos e armas destrutivas para o maior combate já registrado na história mundial. Talvez seja esta a terceira guerra mundial. Será no clímax dessa batalha que Jesus, o Messias, anteriormente rejeitado pelos israelitas, virá e destruirá os inimigos do seu povo, e implantará o Seu reino milenial (Ap 19.11-21).

A profecia de Ezequiel 37.1-11 trata da restauração nacional, moral e espiritual de Israel. Alguns aspectos dessa profecia já tiveram o seu cumprimento e outros estão se cumprindo. Porém, o cumprimento cabal só acontecerá no período da Grande Tribulação e com a intervenção de Cristo, o Messias, em Jerusalém. Nesse período, a Igreja não estará na Terra, porque foi antes arrebatada para estar com o Senhor.

 

II. A DESTRUIÇÃO PROGRESSIVA DO POVO DO NORTE

 

Os textos de Ez 38 — 39 e Jl 2.20 tratam a respeito da profecia bíblica sobre um bloco de nações ao norte de Israel.

1. As nações do Norte. Por causa da etnia dos povos que habitam aquela região vários nomes geográficos podem ser identificados. O profeta fala de Magogue, Meseque e Tubal (Ez 38.2,3), regiões ocupadas pelos antigos citas e tártaros, as quais hoje correspondem à Rússia. Nome como o de Meseque converteu-se em Moscou ou Moskva. Tubal é a moderna cidade russa de Tobolsk. Em Ez 38.2 temos a palavra “chefe”, tradução do termo rosh, dando a idéia do nome Rússia. No bloco das nações aliadas aparecem os nomes de Gômer, Togarma (Ez 38.6). Gômer veio a ser a Germânia (atual Alemanha) e, Togarma corresponde à Armênia e Turquia. Em Ez 38.5 destacam-se os persas, os etíopes e Pute. Hoje, os persas são o Irã; os etíopes, a Etiópia; e, Pute, a Líbia.

2. Queda e ressurgimento da confederação do Norte. Devemos entender que a queda da União Soviética não significa que a profecia tenha perdido sua validade. Na verdade, essa potência mundial está se levantando e mostrando sua força, quando se esforça para participar das conversações de paz entre Israel e os países árabes, aos quais ela sempre apoiou. Ela perdeu o seu poder sobre o aludido bloco de nações, e alguns estudiosos interpretam essa queda como algo para acontecer em plenitude no futuro. Parte dessa profecia já começou a ter o seu cumprimento porque a Rússia caiu como potência bélica e econômica.

3. A Confederação do Norte combaterá a Besta na Grande Tribulação. A profecia diz que a confederação do Norte, tendo como líder Gogue, colocará seus exércitos contra a autoridade da Besta, ou seja, o Anticristo (Ez 38.2-6). A profecia indica que Gogue, chefe da terra de Magogue invadirá a terra de Israel nos últimos dias (Ez 38.8,16). É possível que essa invasão venha acontecer no período da Grande Tribulação. Os motivos principais para a invasão do “rei do norte” estão expostos em Ez 38.11,12. A idéia de “tomar o despojo e de arrebatar a presa” não é difícil entender pelo fato de a antiga União Soviética ter perdido seus principais intelectuais e cientistas (na maioria judeus), os quais retornaram para Israel. Diz a Bíblia que esse invasor será destruído pela intervenção divina (Ez 38.20), nos montes de Israel (Ez 39.4). Então, as nações da Terra reconhecerão o Deus de Israel (Ez 39.21,22). Devemos entender que essa invasão nada tem a ver com a batalha do Armagedom, e a guerra decorrente que acontecerá no início da “semana profética” de Daniel (Dn 9.27). A batalha do Armagedom se dará no final da “semana”, pois o seu líder será o Anticristo, a Besta (Zc 12.3; 14.2; Ap 16.14).

 

III. O RESSURGIMENTO DO ANTIGO IMPÉRIO ROMANO

 

Os textos de Dn 2.33,34,44; 9.24-27; 7.7,8,24,25; Ap 13.3,7; 17.12,13 são relativos à profecia sobre uma confederação de nações formada na área geográfica do antigo Império Romano.

1. O sentido duplo de interpretação. Essa profecia, numa parte refere-se literalmente àquelas nações adjacentes ao Mediterrâneo, as quais formavam o núcleo do Império Romano e, na outra parte, figuradamente refere-se apenas às características daquele Império. Tal como existiu o Império Romano, também, se levantará um da mesma forma dentro da realidade atual.

2. A União Européia, uma sombra do antigo Império Romano. Especula-se muito sobre a atual União Européia como um retrato dessa confederação profetizada. Não temos base consistente na Bíblia para afirmar positivamente. Mas não podemos evitar o fato de que as características dessa confederação profetizada (Dn 2.33,34,44) conferem com a profecia de Daniel. E perigoso estabelecer suposições como fatos. Por isso, o aconselhável é ficarmos dentro dos limites impostos pela profecia bíblica. No entanto, a evidência dos sinais da vinda do Senhor Jesus em nossos dias é fortalecida pela clareza da profecia e do seu cumprimento.

 

CONCLUSÃO

 

O sinal de Israel é revelado à Igreja pelo seu esplêndido florescimento na Terra que Deus lhe prometera — a figueira brotando — , e pela sua influência na marcha dos acontecimentos mundiais.

 

VOCABULÁRIO

 

Aludido: Fazer alusão, referir-se.
Bélica: Relativo ou pertencente à, ou próprio da guerra.
Dispersos: Espalhados.
Etnia: Grupo biológico e culturalmente homogêneo.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual é a primeira reunião de Israel?

R. Seu regresso à terra da Palestina culminando com a fundação do Estado de Israel em 1948.

 

2. Em que período se dará a segunda reunião de Israel?

R. Durante a Grande Tribulação.

 

3. Como reagirão as nações quando Deus intervir na defesa de Israel no final da Grande Tribulação?

R. De acordo com Ez 39.21,22 reconhecerão o Deus de Israel.

 

4. Quando acontecerá a batalha do Armagedom?

R. No final da “semana” de Daniel.

 

5. Quando Jesus implantará o Seu reino milenial?

R. Após com Ele voltar à terra e destruir os inimigos do Seu povo Israel.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Histórico

 

Trechos da Declaração de Independência de Israel, lida por David Ben Gurion no dia 14 de maio de 1948, e reproduzida integralmente no livro Jerusalém 3000 Anos de História (CPAD):

“Declaramos que, a vigorar desde o momento do término do Mandato, que se dará hoje à noite, véspera de Sábado, 6º dia de íar de 5708 (15 de maio de 1948), até a instalação das autoridades eleitas regulares do Estado de acordo com a Constituição que será adotada pela Assembléia Constituinte Eleita, o mais tardar a 1º de outubro de 1948, o Conselho do povo atuará como Conselho de Estado Provisório, e seu órgão executivo, a Administração do Povo, será o Governo Provisório do Estado judeu, a ser denominado Israel.

“O ESTADO DE ISRAEL estará aberto à imigração judaica e para o Retorno dos Exilados; fomentará o desenvolvimento do país em benefício de todos os seus habitantes; basear-se-á nos princípios de liberdade, justiça e paz, conforme concebidos pelos profetas de Israel; assegurará completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os seus habitantes sem distinção de religião, raça ou sexo; garantirá a liberdade de culto, consciência, língua, educação e cultura; e manter-se-á fiel aos princípios da Carta das Nações Unidas.

“APELAMOS ao povo judeu em toda a Diáspora para que cerre fileiras em torno dos judeus de Eretz-Israel nas tarefas de imigração e reconstrução e para que esteja ao seu lado na grande luta pela realização do sonho secular — a redenção de Israel.

“Confiando no Todo-Poderoso, apomos nossas assinaturas a esta proclamação, nesta sessão do Conselho de Estado Provisório, no solo pátrio, na cidade de Tel-Aviv, nesta véspera de sábado, 5º dia de íar, de 5708 (14 de maio de 1948). Segue a assinatura de David Ben Gurion e dos demais fundadores do Estado de Israel.

Terminada a leitura da Declaração de Independência do Estado de Israel, é proferida a bênção hebraica: ‘Louvando sejas, ó Senhor, Deus nosso, Rei do Universo, que nos mantiveste vivos, que nos preservaste e nos permitiste ver este dia’”.

 

 

 

Subsídio Teológico

 

“No dia 23 de maio de 1957, um tratado foi assinado em Roma, que sem dúvida foi o primeiro passo do cumprimento da antiga profecia de Daniel sobre a existência da futura confederação de nações, como última forma de expressão do poder gentílico mundial. A profecia está no capítulo 2, e repetida no capítulo 7 de Daniel. No Apocalipse ela é também vista a partir do capítulo 13. Esse tratado teve vigência a partir de 1 de abril de 1958. O seu objetivo fundamental é a unificação da Europa mediante a formação dos Estados Unidos da Europa. Os seis membros fundadores foram Itália, França, Alemanha Ocidental, Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Novos membros foram mais tarde admitidos. Outros estão aguardando admissão.

“Essa coalização de nações a ser formada, segundo a profecia, na área geográfica do antigo Império Romano, está predita em Daniel 2.33,41-44; 7.7,8,24,25; Ap 13.3,7; 17.12,13. Não se trata de uma restauração literal e total do antigo Império Romano, tal como ele existiu, mas de uma forma de expressão final dele, pois, conforme a palavra profética em Daniel 2.34, a pedra feriu a estátua nos pés, não nas pernas. As duas pernas representam o Império Romano dividido em dois, fato que teve lugar em 395 d.C. O Império Ocidental, com sede em Roma e o Oriental, com sede em Constantinopla. Foi nessa condição que ele deixou de existir — como duas pernas. O Império Ocidental caiu em 476, e Oriental, em 1453 d.C. (O Calendário da Profecia, CPAD).

 

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 7: O arrebatamento da Igreja

Data: 16 de Agosto de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14.3).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A certeza do arrebatamento da Igreja vem da promessa do próprio Senhor Jesus, o dono da Igreja.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 1 Ts 4.13-18

A vinda de Jesus sobre as nuvens para os seus

 

 

 

Terça - Hb 9.28; Jd vv.14,15; Dn 2.44-46; Zc 14.1-7

A vinda interventora do Messias

 

 

 

Quarta - 2 Ts 2.8; 1 Tm 6.14; 2 Tm 4.1,8

A manifestação visível de Cristo em sua vinda

 

 

 

Quinta - Nm 10.1-3; Mt 25.6; 1 Ts 4.16

O toque da trombeta de Deus

 

 

 

Sexta - 1 Co 15.38,42-44,47-49,51,52;

A ressurreição dos mortos

 

 

 

Sábado - 1 Co 15.54; 1 Ts 4.17

A transformação dos vivos em Cristo na sua vinda

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Tessalonicenses 4.13-18.

 

13 - Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.

14 - Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele.

15 - Dizemo-nos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.

16 - Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro;

17 - depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.

18 - Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

 

PONTO DE CONTATO

 

O dia em que Jesus arrebatar a Sua Igreja será o clímax da esperança dos crentes fiéis. Contudo, muitos têm dúvidas com relação à sua salvação e à vida eterna. Você, professor, poderá conduzi-los à compreensão da Palavra e a uma vida cheia de fé dando as condições necessárias para que Deus produza Firmeza em seus corações.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Enumerar as escolas de interpretação sobre o arrebatamento da Igreja.
  • Distinguir as duas etapas da vinda de Jesus.
  • Identificar a escola de interpretação que se ajusta devidamente à esperança cristã da volta do Senhor nos ares.
  • Definir as palavras parousia e epifanéia.
  • Explicar a participação do arcanjo no arrebatamento da Igreja.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Apresentando uma abordagem profunda sobre o arrebatamento da Igreja, esta lição acentua o conceito literal da palavra arrebatamento procurando aclarar o entendimento acerca do assunto, bem como esclarecer outros tópicos pertinentes ao acontecimento: escolas de interpretação, suas fases, personagens e, por fim, os elementos do arrebatamento.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para introduzir esta lição, distribua folhas para que possam escrever. Dê dois minutos para relacionarem a ordem dos acontecimentos por ocasião da segunda vinda de Cristo, a qual se dará da seguinte maneira: 1) O mesmo Senhor descerá do céu; 2) Os que morrerem em Cristo ressuscitarão primeiro; 3) Os que estiverem vivos por ocasião da vinda do Senhor serão arrebatados, juntamente com os ressurretos, irão “encontrar o Senhor nos ares”. Peça para alguns alunos compartilharem com a classe como ficou a sua relação de acontecimentos. Reflita também, com a classe as condições para ser arrebatado com a Igreja de Cristo. Com esta questão você poderá observar alguns conceitos errados de vida cristã. Ajude-os a entenderem o arrebatamento da Igreja pela visão bíblica e não por teorias ou conceitos humanos. Conclua o assunto mostrando-lhes que a condição certa para o arrebatamento é a comunhão com Deus através de Cristo Jesus.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Quando a Bíblia fala da vinda do Senhor Jesus, o assunto aparece como um só evento. Mas no seu contexto doutrinário, ela tem duas etapas distintas. A primeira, invisível para o mundo, é o arrebatamento da Igreja; a segunda, visível, fala da vinda de Jesus em glória, especialmente para Israel (Ap 1.8; Zc 14.4).

 

I. ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO

 

Existem três escolas distintas de interpretação a respeito do arrebatamento da Igreja. Elas abrem espaço para entendermos como e quando ocorrerá esse grandioso evento.

1. Pós-tribulacionista. Essa escola interpreta que a Igreja remida por Cristo passará pela Grande Tribulação.

2. Midi-tríbulacionista. Ensina que a Igreja entrará no período da Grande Tribulação até a sua metade. Seus intérpretes se baseiam numa interpretação isolada de Dn 9.27, cujo texto fala que depois do opressor firmar um concerto com Israel por uma semana, “na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”.

3. Pré-tribulacionista. Podemos começar entendendo essa escola de interpretação com as palavras de Paulo aos tessalonicenses, quando escreveu: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”, 1 Ts 5.9. Ensina que o arrebatamento da Igreja ocorrerá antes que se inicie o período da Grande Tribulação. É uma interpretação que honra as Sagradas Escrituras e ajusta-se devidamente à esperança cristã da volta do Senhor nos ares.

 

II. DUAS PALAVRAS GREGAS RELATIVAS AO ARREBATAMENTO

 

Encontramos várias palavras no grego do Novo Testamento relativas ao arrebatamento que podem aclarar nosso entendimento acerca do arrebatamento. Destacaremos duas palavras principais:

1. Parousia. Literalmente quer dizer “presença”, “chegada rápida”, “visita”. É a palavra mais freqüentemente usada nas Escrituras para descrever o retorno de Cristo, pois ocorre 24 vezes. Seu sentido é abrangente porque não define apenas a volta de Cristo até ou sobre as nuvens, mas em outras vezes se refere à Sua volta pessoal à Terra (1 Co 15.23; 1 Ts 2.19; 1 Ts 4.15; 5.23; 2 Ts 2.1; Tg 5.7,8; 2 Pe 3.4). Portanto, o sentido é geral e não específico. A ênfase maior é dada à vinda corporal e visível de Cristo.

2. Epiphanéia. Literalmente significa “manifestação”, “vir à luz”, “resplandecer” ou “brilhar”. O sentido é mais específico, porque se refere especialmente à vinda sobre as nuvens. É a volta pessoal de Cristo à Terra que acontecerá com uma manifestação visível e gloriosa (2 Ts 2.8; 1 Tm 6.14; 2 Tm 4.6-8). Parousia é abrangente e pode referir-se tanto à vinda de Cristo para a Igreja como para o mundo. Entretanto, epiphanéia é um termo que especifica a volta de Cristo à Terra de modo mais direto, porque diz respeito à Sua manifestação pessoal ao mundo.

3. A diferença entre as duas etapas. Referente ao arrebatamento, Cristo virá até ou sobre as nuvens (1 Ts 4.17). Será de modo invisível para a Terra, porque virá para os Seus santos nos ares. Em relação à manifestação pessoal de Cristo na Terra, Ele virá sobre as nuvens, de modo visível e com os seus santos (Cl 3.4).

No primeiro evento, Cristo, pelo poder da Sua Palavra e com voz de arcanjo, arrebatará, num abrir e fechar de olhos, a Igreja remida pelo Seu sangue (1 Co 15.52). Esse arrebatamento acontecerá antes que venha o Anticristo e instale o seu domínio sobre a terra por sete anos.

O segundo evento da volta de Cristo acontecerá no final dos sete anos da Grande Tribulação, quando Ele irá destruir o domínio do Anticristo e instalar seu reino de mil anos (Ap 19.11; 20.1-60).

 

III. PARTICIPANTES DO ARREBATAMENTO DA IGREJA

 

1. O próprio Senhor Jesus Cristo. Diz a Escritura: “Porque o mesmo Senhor... descerá do céu” (1 Ts 4.16). O apóstolo Paulo dá ênfase ao senhorio de Jesus conquistado no Calvário quando diz : “o mesmo Senhor”. Os vivos em Cristo e os mortos salvos receberão a ordem de comando do próprio Senhor Jesus Cristo.

2. O arcanjo. A tradução do texto diverge na forma, mas não anula o fato, conforme está escrito: “à voz do arcanjo” ou “com voz de arcanjo” (1 Ts 4.16). O texto de Daniel indica que o arcanjo Miguel participará do evento da segunda vinda de Cristo (Dn 12.1), mui especialmente da epiphanéia, quando Cristo, rodeado de exércitos celestiais, descerá sobre a Terra, no monte das Oliveiras (Zc 14.3,4; Ap 1.6,7). Porém, no evento do arrebatamento da Igreja, a participação do arcanjo será efetuada pela voz de comando e chamamento, a qual será ouvida apenas pelos remidos.

3. Os mortos em Cristo. Naquele dia, os mortos e os vivos em Cristo ouvirão a voz de chamamento da trombeta do Senhor pelo arcanjo, e “num abrir e fechar de olhos” (1 Co 15.51,52), estarão na presença do Senhor nos ares, com corpos glorificados. A palavra “mortos” diz respeito aos santos que ressuscitarão com corpos transformados em corpo espiritual (soma pneumatikon), enquanto que, os corpos dos ímpios permanecerão em suas sepulturas até o dia do Juízo Final (Ap 20.12). Assim como Cristo ressuscitou corporalmente, também, os crentes salvos ressuscitarão corporalmente (Lc 24.39; At 7.55,56). Na lição referente à ressurreição tratamos sobre a natureza dos corpos ressurretos.

4. Os vivos preparados. O mesmo poder transformador operado nos corpos dos que morreram no Senhor atuará nos corpos dos crentes vivos naquele dia. Aos tessalonicenses, Paulo declarou: “depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados” (1 Ts 4.17); e aos coríntios, também, disse: “nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados” (1 Co 15.51). Quase que simultaneamente à ressurreição dos mortos em Cristo naquele momento, os vivos em Cristo também ouvirão a voz do arcanjo, e num tempo incontável, serão transformados e arrebatados ao encontro do Senhor nos ares. Os corpos mortais serão revestidos de imortalidade, porque nada terreno ou mortal poderá entrar na presença de Deus. Será o poder do espírito sobre a matéria, do incorruptível sobre o corruptível (1 Co 15.53,54). O arrebatamento dos vivos implica livrá-los do período terrível da Grande Tribulação.

 

IV. ELEMENTOS ESPECIAIS DO ARREBATAMENTO

 

Alguns elementos especiais e misteriosos indicam a natureza e procedimento do arrebatamento da Igreja na vinda do Senhor.

1. Surpresa. Esse elemento é rejeitado por alguns grupos que entendem que não haverá dois eventos distintos: o arrebatamento da Igreja e a vinda pessoal de Cristo. Ora, o que a Bíblia nos ensina é que, a Igreja, constituída pelos mortos e vivos em Cristo, se encontrará nas nuvens com o Senhor. Se por alguns a idéia da surpresa é rejeitada, uma grande maioria cristã prefere o que declara as Escrituras que destacam o elemento surpresa (Tt 2.13; Mt 24.35,36,42-44; 25.13). Esse elemento é fundamental porque a Igreja vive na esperança da vinda do Senhor.

2. Invisibilidade (1 Ts 4.17). Por que será um evento invisível e para quem? Será invisível para o mundo material porque os arrebatados serão constituídos somente dos transformados. A transformação será tão rápida, que nenhum instrumento cronológico terá condição de perceber ou marcar o tempo. Quando o crente conquistar esse corpo imaterial, a matéria perderá totalmente sua força (1 Co 15.43,44,49,51,53).

3. Imaterialidade (1 Co 15.42, 52,53). Na verdade, a transformação que ocorrerá na vinda do Senhor será extraordinária e gloriosa, pois o que é material se revestirá do imaterial, o corruptível do incorruptível. Todas as limitações da matéria em nossos corpos serão anuladas completamente, pois, literalmente, nossos corpos serão revestidos de espiritualidade.

4. Velocidade (1 Co 15.52). Para tentar explicar a velocidade do evento, Paulo usou o termo grego átomos, que aparece no texto sagrado pela expressão “num momento”, cujo sentido literal é indivisível (quanto ao tempo, aqui). A palavra átomos era usada para denotar “algo impossível de ser cortado ou dividido”. Também encontramos outras expressões bíblicas para denotar velocidade, tais como “abrir e fechar de olhos”, ou “o piscar de olhos”. Mesmo em época avançada e de velocidade da cibernética e da tecnologia, nada poderá contar e detectar o momento do milagre do arrebatamento da Igreja.

 

CONCLUSÃO

 

Estudar e meditar sobre o arrebatamento da Igreja promove nos remidos a fé e a esperança na vinda do Senhor. Não nos preocupemos demasiadamente com as várias teorias de interpretação sobre o arrebatamento (se ocorrerá antes, no meio ou depois da Grande Tribulação), permaneçamos, sim, atentos ao fato de que Jesus virá. Devemos estar preparados para encontrar com o Senhor.

 

VOCABULÁRIO

 

Cibernética: Ciência que estuda as comunicações e o sistema de controle não só nos organismos vivos, mas também nas máquinas.
Cronológico: Relativo a cronologia: tratado das datas históricas.
Divisar: Avistar, distinguir.
Pertinentes: Relativo, referente, concernente.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quais as escolas de interpretação sobre o arrebatamento?

R. Pós-tribulacionista, midi-tribulacionista e pré-tribulacionista.

 

2. Qual a linha de interpretação que mais honra as Escrituras?

R. Pré-tribulacionista.

 

3. Quais as duas palavras gregas para o arrebatamento?

R. Epifanéia e Parouxia.

 

4. Qual a diferença entre as duas etapas do arrebatamento?

R. A primeira será invisível para a Terra e a segunda será de forma visível e virá com os seus santos.

 

5. Quais serão os participantes do arrebatamento, na Terra e no céu?

R. O próprio Senhor Jesus, o arcanjo Miguel, os mortos em Cristo e os vivos preparados.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

Os pós-tribulacionistas argumentam que os sofrimentos e tribulações são inevitáveis na vida dos cristãos, mas esses intérpretes erram em não separar os fatos relativos à palavra tribulação. Quando a palavra tribulação aparece em outros textos das Escrituras referindo-se à aflição, angústia, doenças, perseguição, está, na verdade, aludindo àquelas experiências cotidianas que todos os cristãos passam em suas vidas. São experiências que fortalecem a fé e nos tornam aptos para o arrebatamento da Igreja (2 Co 4.17). Os juízos da Grande Tribulação não são para a Igreja de Cristo.

O que acontecerá na metade da semana? O “desolador” (Anticristo) entrará em Jerusalém para destruir o templo e a cidade. Os midi-tribulacionistas tomam ainda o texto de Mt 24.1-14 para afirmarem que a Igreja estará na primeira metade da semana de Daniel e, do meio da Tribulação, a Igreja será arrebatada. Interpretam, ainda, que o arrebatamento ocorrerá depois de soada a sétima trombeta de Ap 11.15, pois confundem esta trombeta com a última trombeta de 1 Co 15.52. Ora, a sétima trombeta de Ap 11.15 é mais uma figura da manifestação da ira divina durante todo o período de sete anos da Grande Tribulação. Portanto, o arrebatamento da Igreja no meio da Grande Tribulação é raciocínio humano, sem apoio bíblico.

Os pré-tribulacionistas entendem que a Igreja não é advertida a aguardar a Grande Tribulação, mas sim, orientada a esperar a vinda do Senhor antes que o Anticristo apareça (1 Ts 4.17; 1 Co 15.51,52). A Igreja não conhecerá o Anticristo. Sua esperança se baseia no fato de que não precisará submeter-se ao domínio do Anticristo, mas que, antes será arrebatada. De fato, o sinal maior para o mundo do aparecimento do Anticristo será o desaparecimento da Igreja de Cristo da face da terra.

 

 

 

Subsídio Bibliológico

 

Em relação ao participantes do arrebatamento da Igreja, dois personagens são claramente citados em 1 Ts 4.16:

Jesus mesmo, pessoalmente, dará ordem aos seus anjos para que reúnam os remidos de toda a Terra para o encontro com Ele sobre as nuvens. A ênfase está na expressão “o mesmo”, porque se refere Àquele que passará a ter todo o poder e glória, isto é, o mesmo que morreu e ressuscitou. “O mesmo” em quem a Igreja tem confiado se encontrará com ela naquele dia especial.

Alguns intérpretes divergem sobre o sentido de 1 Ts 4.16, quanto ao papel do arcanjo. Os intérpretes conservadores, no entanto, são acordes. A Bíblia reconhece apenas um arcanjo, Miguel, destacado como “um dos primeiros príncipes de Deus” (Dn 10.13.21).

 

 

 

Subsídio Doutrinário

 

Quando morre, o ser humano se despe do corpo, sua roupagem material, e o ensino bíblico é que o crente em Cristo na vinda do Senhor, será vestido de uma nova roupagem espiritual. Primeiro, é despido da roupagem material; depois, a alma e o espírito são revestidos pelo espiritual. Não teremos um outro corpo, mas o mesmo corpo inglório e corruptível, porém, glorificado.

Nosso corpo material se caracteriza pela dissolução, pela velhice, pelo declínio, inerentes à natureza decaída pelo pecado. Quando alguém morre, seu corpo vira pó, não importa que tipo de morte ou forma de sepultamento.

A Bíblia usa a figura da vestimenta quando emprega a palavra “revestir” provando que o corpo é o vestido da parte espiritual do ser humano.

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 8: O Tribunal de Cristo

Data: 23 de Agosto de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, bem ou mal” (2 Co 5.10).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O tribunal de Cristo será um trono de concessão de prêmios aos vencedores deste mundo tenebroso.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 1 Co 3.10-15

As obras de cada crente serão manifestas

 

 

 

Terça - 1 Co 9.24-27

A carreira cristã e a recompensa final

 

 

 

Quarta - Ap 22.12; Is 40.10

O galardão está com Jesus

 

 

 

Quinta - Mt 10.41,42

O justo receberá o seu galardão

 

 

 

Sexta - Ef 2.20,21; 2 Jo vv.8,9

O fundamento de nossa recompensa é Cristo

 

 

 

Sábado - Ap 19.9; Mt 25.10

As bodas do Cordeiro

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

2 Coríntios 5.1-10; Apocalipse 19.9; Mateus 25.10.

 

2 Coríntios 5

1 - Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus.

2 - E, por isso, também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu;

3 - se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus.

4 - Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados, não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida.

5 - Ora, quem para isso mesmo nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito.

6 - Pelo que estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor

7 - (Porque andamos por fé e não por vista.).

8 - Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor.

9 - Pelo que muito desejamos também ser-lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes.

10 - Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal.

 

Apocalipse 19

9 - E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.

 

Mateus 25

10 - E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.

 

PONTO DE CONTATO

 

Cabe ao professor despertar o interesse do aluno para a lição, levando-o ao aprendizado. Não é bom transmitir a lição para uma classe desinteressada e alheia ao estudo. Diante de um assunto tão importante como a escatologia, o professor poderá produzir grande transformação na vida de seus alunos se orar, jejuar, estudar a Bíblia e a lição, preparando-se com técnicas e recursos didáticos, para tornar a aula animada, participativa e com a atenção de todos.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir o sentido da palavra tribunal na Bíblia.
  • Descrever o tribunal de Cristo.
  • Enumerar os tipos de recompensas dos justos.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Para dirimir as dúvidas existentes com relação ao tribunal de Cristo, analisaremos a palavra tribunal no texto original, objetivando mostrar a diferença entre um tribunal de julgamento e um de avaliação das obras. Como, quando, onde e quem comporá o tribunal de Cristo, são outros tópicos estudados nesta lição.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Trabalhe a lição conduzindo o aluno à auto-análise, levando em consideração 2 Co 5.10. Para isto, pergunte à classe quais obras, no campo material, moral e espiritual, realizadas com o nosso corpo serão avaliadas por Jesus. Evite generalizações. Peça que sejam específicos e práticos. Exemplo no campo material: atender às pessoas carentes de alimentos. Após citarem algumas obras, questione como serão avaliadas. Como estas poderiam ser aceitas por Deus, e por que seriam rejeitadas? Usando o exemplo do campo material, pergunte: Serão aceitas por Deus se realizadas por compaixão? Serão rejeitadas, se feitas com objetivo escuso e egoísta? Mostre a importância da sinceridade na realização das obras. Use como base o versículo supracitado e o item da lição: “O juízo que determinará a qualidade das obras feitas”.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Na seqüência dos eventos escatológicos, dois deles subseqüentes ao arrebatamento da Igreja acontecerão no céu: o tribunal de Cristo e as bodas do Cordeiro. Os eventos na Terra depois do arrebatamento da Igreja acontecem durante a Grande Tribulação. Nesta lição, trataremos especialmente sobre o tribunal de Cristo, período de julgamento das obras dos santos arrebatados para a presença de Cristo.

 

I. O QUE É O TRIBUNAL DE CRISTO

 

O apóstolo Paulo descreve em 1 Co 3.9-15, o cristão como um construtor que usa vários tipos de materiais numa construção. Assim, no sentido espiritual, o valor do seu trabalho vai depender dos materiais que usará para construir sua obra. Paulo adverte: “cada um veja como edifica” (1 Co 3.10). A construção do cristão precisa ser feita sobre um fundamento eficaz e correto, e com materiais de qualidade que dêem sustentação à sua vida espiritual.

Duas palavras distintas na língua original do Novo Testamento esclarecem bem o sentido da palavra tribunal: criterion, conforme está em Tg 2.6 e 1 Co 6.2,4; e bimá, encontrada em 2 Co 5.10, (também em Ne 8.4). O termo criterion significa “instrumento ou meio para provar ou julgar qualquer coisa”. Ou seja: “a regra pela qual alguém julga”, ou “o lugar onde se faz um juízo”, o tribunal de um juiz ou de juízes. O termo bimá comumente significa uma “plataforma ou um banco de assento onde o juiz julga”. Havia naqueles tempos tribunais militares e, também, o tribunal (bimá ou assento) da recompensa, especialmente utilizado nos jogos gregos de Atenas. Os atletas vencedores eram julgados perante o juiz da arena e galardoados por suas vitórias.

 

II. ASPECTOS GERAIS DO TRIBUNAL DE CRISTO

 

1. O tempo. É lógico que o tribunal não pode acontecer logo após a morte de qualquer cristão. Ele se dará por ocasião de um tempo especial e determinado depois do arrebatamento da Igreja.

2. O lugar. Não há texto específico que declare o local, mas o contexto bíblico indica que, uma vez a Igreja arrebatada até as nuvens, nos céus, a instalação do tribunal de Cristo, inevitavelmente, terá de ser no céu, nas regiões celestiais.

3. Os julgados. Quem será julgado no tribunal? Quais são os sujeitos desse tribunal? Indubitavelmente, as pessoas julgadas nesse tribunal são os santos remidos por Cristo. O texto de 2 Co 5.1-10 fala daqueles que lutam nesta vida para alcançarem o privilégio de serem revestidos de uma habitação espiritual no céu. Não haverá discriminação nesse lugar. Só entrarão os salvos, os remidos. Não haverá lugar nesse tribunal para julgamento condenatório.

4. O juiz. O apóstolo Paulo declara que o exame das obras dos crentes será realizado perante o Filho de Deus (2 Co 5.10). O próprio Jesus falou que todo o juízo é colocado nas mãos do Filho de Deus. Faz parte da exaltação de Cristo depois de Sua conquista no Calvário receber do Pai toda a autoridade e poder para julgar.

 

III. COMO PROCEDERÁ O TRIBUNAL DE CRISTO

 

1. A forma do exame. E claro que não se trata de examinar quem será salvo ou não. A salvação do crente implica no ato especial da misericórdia divina mediante a aceitação da obra expiatória de Cristo e a sua manutenção enquanto ele estiver neste mundo. Todo crente está livre do Juízo se permanecer fiel até o fim (Rm 8.1; Jo 5.24; 1 Jo 4.17). Então, o julgamento não tratará da questão do pecado, de condenação, uma vez que o pecado já foi abolido na vida do crente e, por isso, ele estará no céu.

2. Os materiais da obra de cada crente (1 Co 3.12). O apóstolo Paulo mencionou seis diferentes materiais que, figurativamente, representam os elementos que empregamos na construção de nossa vida cristã. Os materiais são indicados como ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno e palha. Os três primeiros são resistentes ao fogo do julgamento de Cristo. Os três últimos são frágeis e não resistem ao juízo de fogo.

3. A obra de cada um será provada (1 Co 3.13-15). O tribunal de Cristo avaliará os materiais que temos utilizado na construção do edifício da nossa vida cristã. As obras feitas com madeira, feno e palha serão manifestas naquele dia, e o galardão será consoante à avaliação divina. Os materiais de madeira, feno e palha são inflamáveis e perecíveis, por isso, tudo o que for construído com eles não subsistirá.

4. O juízo que determinará a qualidade das obras feitas (2 Co 5.10). As obras praticadas pelo crente serão submetidas ao julgamento naquele dia para se determinar se são boas ou más. A palavra “mal” na língua grega aparece comokakos ou poneros, e ambas significam aquilo que é eticamente mal. Porém, a palavra poneros, além de denotar maldade, tem o sentido de se estar praticando alguma coisa de total inutilidade. Portanto, o que Paulo entendia como obras más era a prática de coisas sem utilidade alguma, feitas com materiais espiritualmente imprestáveis.

 

IV. EXAME FINAL NO TRIBUNAL DE CRISTO

 

No texto de 1 Co 3.14,15 está declarado que haverá dois resultados finais do exame (a prova do fogo) das obras manifestas: o recebimento e a perda da recompensa.

1. Perda da recompensa. Esse fogo nada tem a ver com o fogo do Geena. O fogo do tribunal de Cristo é figura da luz que revela as impurezas, ou seja, a purificação. Portanto, as obras feitas por impulso carnal e para a ostentação da carne não suportarão o calor do fogo de Deus, por mais bonitas que sejam, serão desaprovadas.

2. Obtenção da recompensa. As obras praticadas com materiais indestrutíveis na prova do fogo serão dignas da recompensa final. O Novo Testamento apresenta várias recompensas, mas destaca algumas relativas às atividades especiais. O próprio Senhor Jesus, Juiz desse tribunal, é quem fará a entrega dos prêmios, galardões, recompensas (2 Co 9.6). Ele declara a João, na ilha de Patmos, dizendo: “O meu galardão está comigo para dar a cada um segundo as suas obras” (Ap 22.12). O apóstolo Paulo declara, também, que todo crente receberá o seu louvor (elogio) da parte de Deus (1 Co 4.5).

3. Tipos de recompensas. O Novo Testamento usa uma linguagem especial dos tempos do primeiro século da era cristã relativa ao tipo de galardão que os vencedores das olimpíadas gregas e romanas recebiam como prêmio. Havia coroas de vários materiais representando o tipo de vitória conquistada por aqueles vencedores (1 Co 9.24,25).

a) A coroa da vitória (1 Co 9.25). A vida cristã se constitui numa batalha espiritual contra três inimigos terríveis: a carne, o mundo e o Diabo. Esta coroa é denominada, também, como coroa incorruptível, porque se refere à conquista do domínio do crente sobre o velho homem.

b) A coroa de gozo (1 Ts 2.19; Fp 4.1). A palavra gozo significa prazer, alegria, satisfação. Uma das atividades cristãs que mais satisfazem o coração do crente é o ganhar almas. Isto é, praticar o evangelismo pessoal e ganhar pessoas para o reino de Deus. Na busca do gozo nesta vida, nada é comparável ao de salvar almas para Cristo, livrando-as da perdição eterna. Por isso, quem ganha almas, sábio é (Pv 11.30; Dn 12.3).

c) A coroa da justiça (2 Tm 4.7,8). É o prêmio dos fiéis, dos batalhadores da fé, dos combatentes do Senhor, os quais vencendo tudo, esperam a Sua vinda.

d) A coroa da vida (Ap 2.10; Tg 1.12). Não se trata da simples vida que temos aqui. Essa coroa é um prêmio especial porque implica conquista de um tipo de vida superior à vida terrena, ou à simples vida espiritual, como a tem os anjos. É a modalidade de vida conquistada mediante a obra expiatória de Cristo Jesus — a vida eterna. E o galardão da fidelidade do crente.

e) A coroa de glória (1 Pe 5.2-4). Certos eruditos na Bíblia entendem que esta coroa é o galardão dos ministros fiéis que promoveram o reino de Deus na Terra, sem esperar recompensa material.

 

CONCLUSÃO

 

A lição maior que aprendemos acerca do tribunal de Cristo consiste em atentarmos diligentemente para a nossa responsabilidade individual como cristãos no que se refere às ações tanto as de caráter social quanto as espirituais praticadas em benefício do reino de Deus.

 

VOCABULÁRIO

 

Espúria: Não genuíno, adulterado, modificado, falsificado, ilegítimo.
Supracitado: Citado, mencionado ou dito acima ou antes.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quais os dois eventos principais no céu depois do arrebatamento da Igreja?

R. O tribunal de Cristo e as bodas do Cordeiro.

 

2. O que vão ser provados no tribunal de Cristo?

R. Os materiais da obra de cada crente.

 

3. Que significa a palavra bimá no Novo Testamento?

R. Indica o assento de Cristo para dar a recompensa aos vencedores e trabalhadores na obra de Cristo na Terra.

 

4. Em que tempo ocorrerá o Tribunal de Cristo?

R. Realizar-se-á por ocasião de um tempo especial e determinado, logo após o arrebatamento da Igreja para o céu.

 

5. Quais as cinco recompensas principais naquele dia?

R. A coroa da vitória, coroa de gozo, coroa da justiça, coroa da vida e a coroa de glória.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

Existem, pelo menos, seis outros julgamentos escatológicos na Bíblia além do tribunal de Cristo: o julgamento dos pecados no Calvário (Jo 12.31,32); o julgamento pessoal do crente quanto à sua participação no corpo de Cristo (1 Co 11.31,32); o julgamento de Israel (Ez 20.33-44); o julgamento das nações no período da Grande Tribulação (Mt 25.33-46); o julgamento dos anjos caídos (2 Pe 2.4; Jd vv.6,7); e o julgamento do Grande Trono Branco (Ap 20.11-15). A maioria desses julgamentos já aconteceu e, alguns outros estão preditos para acontecer no futuro. São julgamentos que envolvem justiça e juízo.

O tribunal de Cristo e o tribunal do Grande Trono Branco são os dois principais tribunais de prestação de contas diante dos quais cada pessoa neste mundo deverá comparecer.

Sendo que o tribunal de Cristo será exclusivamente para os salvos. Jesus falou em Mt 12.36 que “toda palavra ociosa (ou frívola) que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo”. O apóstolo Paulo declarou que todos vão colher o que semearam (Gl 6.7), e, numa palavra especial aos cristãos, Paulo escreveu que os que servirem bem ao Senhor receberão a recompensa da sua herança (Cl 3.24,25).

 

 

 

Subsídio Doutrinário

 

Quando a Bíblia diz que “todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo”, está, de fato, declarando que o ato de comparecer significa ser colocado à luz da justiça de Cristo. A idéia sugerida é a de phanerosis (no grego), que quer dizer “manifestação”. O propósito do tribunal é o de manifestar as obras praticadas pelo cristão e colocá-las à prova do fogo para que se identifique os materiais mediante os quais praticamos nossas obras. O caráter do julgamento é individual. Não se trata de um julgamento em massa, em classes, mas um por um (1 Co 3.13).

A doutrina do Purgatório ensina que as pessoas, depois da morte, vão para o Purgatório para purgarem seus pecados e obras nesta vida. Essa purgação aconteceria através do fogo. Entretanto, esta é uma doutrina espúria e falsa. A figura do fogo no tribunal de Cristo nada tem a ver com purgatório, e o seu papel é o de expor as impurezas, e não o de possibilitar a salvação de ninguém. Não há qualquer relação do tribunal de Cristo com o Purgatório.

 

 

 

Subsídio Devocional

 

Muitos cristãos que vivem uma vida cristã descuidada, além de correrem o risco de perderem a salvação, caso sejam salvos, não receberão recompensa no tribunal de Cristo. A perda de recompensa naquele dia por muitos dos salvos não significa castigo. Uma reflexão constante disso hoje, faz-nos primar pela qualidade do trabalho cristão que fazemos para Deus.

Em 1 Co 9.27, Paulo se preocupa e teme em depender da força da carne em vez de depender da força do Espírito, por isso, diz: “Antes subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”.

Ao usar a palavra “reprovado” (adokimos), Paulo não está temendo perder a sua salvação, mas está preocupado se o seu trabalho no dia das contas não for aprovado. Neste contexto, a Bíblia diz o seguinte: “Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia, como pelo fogo” (1 Co 3.15).

Paulo tinha a convicção de que a “coroa da justiça” lhe estava garantida, porque se não tivesse feito qualquer outra obra que merecesse um galardão maior, ela lhe seria conferida por sua retidão no ministério outorgado pelo Senhor. Pensar dessa forma não significa que havia no coração do apóstolo qualquer resquício de presunção.

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 9: As Bodas do Cordeiro

Data: 30 de Agosto de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou” (Ap 19.7).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A Igreja, glorificada e coroada no céu, será definitivamente desposada pelo glorioso esposo, Jesus, o Cordeiro.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Jo 14.1-3

O lar preparado pelo Esposo

 

 

 

Terça - Hb 11.10; 12.22

Esse lar é a gloriosa Jerusalém

 

 

 

Quarta - Mt 10.32; Lc 12.8; Ap 3.5; Cl 1.22; 1 Ts 3.13; Ef 5.27; Jd v.24

O Cordeiro apresentará ao Pai a sua esposa

 

 

 

Quinta - Gn 24.51,58; 1 Co 11.2

A tipologia do encontro entre Cristo e a Igreja

 

 

 

Sexta - 2 Co 11.2,3; Mt 6.24; Ap 2.10; Mt 24.13

As características da noiva de Cristo hoje

 

 

 

Sábado - Lc 12.35,37; 22.30; 13.28,29; Mt 26.29; Mc 14.25

A grande ceia nos céus

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 25.1-12.

 

1 - Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.

2 - E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas.

3 - As loucas, tomando as suas lâmpadas não levaram azeite consigo.

4 - Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.

5 - E, tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram.

6 - Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!

7 - Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas.

8 - E as loucas disseram às prudentes: dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.

9 - Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós.

10 - E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.

11 - E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos a porta!

12 - E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.

 

PONTO DE CONTATO

 

Usando um princípio pedagógico, que recomenda “partir do conhecido para o desconhecido”, Jesus utiliza a analogia do casamento para apresentar o ensino sobre a iminente vinda de Cristo a fim de buscar a Sua Igreja. Não podemos esquecer que o casamento do Oriente nos tempos bíblicos acontecia sob padrões e costumes culturais bastante diferentes dos que conhecemos na atualidade.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Descrever as características das bodas do Cordeiro.
  • Dissertar sobre os ingredientes indispensáveis para entrar nas bodas do Cordeiro.
  • Reconhecer a necessidade de estar preparado para a iminente vinda de Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A Igreja é a esposa de Cristo porque está comprometida com Ele. Com base nesta verdade estudaremos nesta lição a figura máxima da relação entre Cristo e sua Igreja. Veremos como eram as bodas no Oriente as condições espirituais da esposa, o tempo de realização das bodas, as suas características e o que representa para entendermos as bodas da Igreja de Cristo.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Da mesma forma que Jesus usou um exemplo da vivência do povo para conduzi-lo ao conhecimento de verdades e acontecimentos espirituais futuros, você, professor, também poderá se valer do mesmo princípio com a classe. Analise a diferença entre o casamento ocidental, hoje, e o casamento oriental dos tempos da Bíblia. Se possível, escreva num quadro-de-giz ou numa folha de papel grande as diferenças citadas pela classe. Este esclarecimento inicial se faz necessário para conduzir a classe aos tempos antigos, pois o casamento moderno não serve para fazer a analogia necessária com as bodas do Cordeiro. Ouça a classe com atenção e gaste alguns minutos com o debate, pois a compreensão desta lição poderá depender disso.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

A ceia das bodas do Cordeiro é a expressão máxima da relação entre Cristo e Sua Igreja. E a figura do casamento, do esposo e a esposa, que aparece na Bíblia em várias passagens (Jo 3.29; 2 Co 11.2; Ef 5.25-33; Ap 19.7,8; 21.1 — 22.7). O texto de Mateus 25 apresenta uma parábola de Jesus que retrata a história de um casamento, e que oferece dupla interpretação: uma sobre Israel e outra a respeito da Igreja.

 

I. ANALOGIA CORRETA DA PARÁBOLA

 

1. Fundo histórico. Jesus ilustrou Seu ensino utilizando-se do costume oriental para o casamento. Depois de feitas as cerimônias religiosas, começava-se a celebração festiva do casamento. A festa podia prolongar-se por vários dias, dependendo das possibilidades do pai da noiva. Nos festejos noturnos, os convidados deviam sempre ter lâmpadas acesas. No caso da história de Jesus, o noivo atrasou. Os convidados deveriam estar devidamente preparados com azeite em suas vasilhas e nas lâmpadas. Qualquer convidado sem lâmpada era considerado um estranho e não podia entrar na festa.

2. Correntes de interpretação. A primeira interpretação diz que as virgens representam o remanescente judeu (144 mil) salvo no período da Grande Tribulação. A segunda distingue os dois grupos como uma representação dos crentes salvos e dos crentes apenas nominais no seio da Igreja, quando da vinda de Cristo. A terceira interpreta as dez virgens como um todo e, também, cada crente individualmente.

3. Quem são as dez virgens? (Mt 25.1). Não são dez pretendentes do esposo. Nem são dez igrejas cristãs que competem pelo mesmo esposo. São, na verdade, os crentes individualmente que compõem o corpo da Igreja (a esposa do Cordeiro). O número dez não tem um significado dogmático ou doutrinário e, sim, um sentido de inteireza. Representa a noiva na sua inteireza. Jesus via a Igreja como um todo, o corpo invisível em toda a Terra (1 Co 12.12,14,27). Ele via, também, a igreja local e visível, isto é, os membros em particular.

4. Por que as palavras “esposo” e “esposa”? No Oriente, o noivado é tão sério quanto o casamento. Na história bíblica a mulher comprometida em noivado era chamada esposa e, apesar de não estar unida fisicamente ao noivo, ela estava obrigada à mesma fidelidade como se estivesse casada (Gn 29.21; Dt 22.23,24; Mt 1.18,19). A Igreja é a esposa de Cristo porque está comprometida com Ele (Ap 19.7; 21.9; 22.17).

 

II. AS CONDIÇÕES ESPIRITUAIS DA ESPOSA. (Mt 25.2-5)

 

1. Duas classes de crentes: os insensatos e os cautelosos. Essas duas classes são uma realidade espiritual na Igreja de Cristo. São identificadas por Jesus como loucas e prudentes. As loucas representam os cristãos insensatos e alienados espiritualmente. São aqueles cristãos que não agem racionalmente na sua vida de fé, por isso, não sabem o que estão fazendo.

As prudentes representam os cristãos cautelosos e previdentes, que mantêm uma vida de vigilância e espiritualidade.

2. Ingredientes indispensáveis para estar nas bodas. Aquelas virgens tinham vasilhas e lâmpadas (Mt 25.7-9). Mas precisavam, na verdade, ter o principal elemento: o azeite. As loucas não levaram azeite em suas vasilhas, mas as prudentes sim. Estavam devidamente preparadas. Aquelas virgens tinham que ter vestidos brancos de linho fino (Ap 19.8), lavados no precioso sangue do Cordeiro (Ap 7.14). Precisavam de calçados do Evangelho da Paz (Is 52.7; Ef 6.15). Tinham que ter com elas vasilhas para o azeite (Mt 25.4: Ef 5.18) e o próprio azeite (Mt 25.3,4), que é símbolo do Espírito Santo.

 

III. O TEMPO DAS BODAS (Mt 25.6)

 

1. O sentido do clamor da meia-noite. O texto diz: “Mas à meia-noite, ouviu-se um clamor” (Mt 25.6). Que representa a meia-noite? É o tempo do clímax da esperança da Igreja. É o fim e o princípio de um tempo (dia, dispensação, era). É a hora do silêncio total, quando todos dormem. Pode ser a consumação ou princípio de um novo dia ou tempo. Não é difícil de estabelecer o tempo desse evento. Ele acontecerá entre o arrebatamento da Igreja e a segunda fase da volta de Cristo à Terra. Ocorrerá, precisamente, logo após o julgamento das obras dos crentes no tribunal de Cristo, visto que em Ap 19.8, a esposa aparece vestida de linho fino que “são as justiças dos santos”.

2. O Dia de Cristo (Fp 1.10). Na linguagem escatológica a palavra “dia” é interpretada, literal ou figuradamente, dependendo do seu contexto. Dia pode, então, representar ano, ou seja, um dia igual a um ano, conforme se percebe na profecia de Daniel capítulo 9. Destacamos no contexto bíblico quatro dias (anos, tempos) históricos para a humanidade: o “dia do homem” (1 Co 4.3), que compreende o tempo da história da humanidade; o Dia de Cristo (Fp 1.10), que diz respeito, especialmente, ao tempo de sete anos, nos quais a Igreja estará no céu e, simultaneamente, ocorrerá na Terra a Grande Tribulação; o Dia do Senhor (1 Ts 5.2), a manifestação pessoal e visível de Cristo no final da Grande Tribulação, e durará mil anos (Milênio); e, finalmente, o Dia de Deus (2 Pe 3.12,13), que é o tempo do Juízo Final e da restauração de todas as coisas, o começo do Reino eterno.

Neste estudo, o Dia de Cristo abrange três fatos escatológicos especiais, os quais são: o encontro da Igreja com Cristo nas nuvens (1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.14-17); o tribunal de Cristo (2 Co 5.10; Fp 1.10; 2 Co 1.14; Ef 5.27); e, as bodas do Cordeiro (Ap 19.7).

 

IV. CARACTERÍSTICAS DAS BODAS

 

1. Lugar das bodas (Ap 19.1; 21.9). Pela ordem normal dos acontecimentos escatológicos, esse evento acontecerá no céu. Quando João declarou “ouvi no céu como que uma grande voz de uma grande multidão que dizia: Aleluia!”, ele identificou naturalmente o lugar. Alegria e triunfo pelas vitórias do Cordeiro são demonstradas e, a seguir, surge a noiva do Cordeiro já glorificada, coroada e preparada para o glorioso casamento. Entendemos, então, que o céu é o lugar mais adequado para esse acontecimento extraordinário.

2. Participantes das bodas. O casamento é de Cristo e a Igreja, mas os convidados são muitos. De acordo com Dn 12.1-3 e Is 26.19-21, o Israel salvo da Grande Tribulação e os santos do Antigo Testamento são os convidados especiais. Devemos ter cuidado na interpretação desse evento para não confundirmos nem misturarmos os fatos que envolvem as bodas no céu e as bodas na Terra. No céu, as bodas são da Igreja e o Cordeiro (Ap 19.7-9). Na Terra, as bodas envolvem Israel e o Cordeiro (Mt 22.1-14; Lc 14.16-24; Mt 25.1-13). A cena das bodas no céu difere das bodas na Terra. No céu, somente a Igreja e seus convidados participarão. Na Terra, Israel estará esperando que o esposo venha convidá-lo a conhecer a esposa (a Igreja), que estará reinando com Ele no período milenial.

 

CONCLUSÃO

 

No céu, os salvos receberão as recompensas (coroas) por suas obras feitas na Terra, e as bodas do Cordeiro coroará a Igreja pela sua fidelidade a Cristo.

 

VOCABULÁRIO

 

Alienado: emprestado.
Gentílico: Próprio dos gentios. Que não é israelita.
Insensato: Falto de senso ou razão; demente, louco.
Linear: Que dá idéia de seguir uma linha reta, sem desvios, direto.
Previdente: Cauteloso, prevenido, precavido, prudente.
Racionalmente: Que usa da razão; que raciocina.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quais as duas classes de crentes?

R. Os insensatos e os prudentes.

 

2. Quais os ingredientes indispensáveis para estar nas bodas do Cordeiro?

R. O azeite e as vestes brancas.

 

3. O que representa a expressão “meia-noite” para a Igreja?

R. É o tempo do clímax da esperança da Igreja.

 

4. O que é o Dia de Cristo?

R. Diz respeito, especialmente, ao tempo de sete anos nos quais a Igreja estará no céu e, simultaneamente, ocorrerá na Terra a Grande Tribulação.

 

5. Quais são os participantes das bodas do Cordeiro?

R. O noivo, Cristo; a noiva, a Igreja e os convidados.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Quando Jesus aparecer para destruir o Anticristo e as suas tropas, os exércitos dos céus seguirão a Jesus, montados em cavalos brancos (que simbolizam o triunfo) ‘e vestidos de linho fino, branco e puro’ (Ap 19.14). Esse fato identifica-os com a noiva do Cordeiro (a Igreja) que participa das bodas do Cordeiro (Ap 19.7-9). Isto significa que já estiveram no céu, e já estão plenamente vestidos da ‘justiça dos santos’ (v.8). Esse fato também deixa subentendido que aqueles atos de justiça já estão completos, e que os crentes foram ressuscitados, transformados e levados ao céu. Ficaria subentendido, também, que já tinham comparecido diante do tribunal de Cristo (2 Co 5.10). Que tempo de alegria e deleite aquelas bodas serão!” (Teologia Sistemática, CPAD)

 

 

 

Subsídio Doutrinário

 

O comentário sobre o capítulo 19 de Apocalipse no livro Daniel e Apocalipse (CPAD) apresenta o seguinte cenário, mostrando a Igreja ao lado de Jesus, na Glória, antes dEle aparecer em glória e poder: “Versículos 1-9. Uma imensurável multidão regozija-se no Céu, juntamente com os vinte e quatro anciãos e os seres viventes. É um coral gigantesco. Eles intercalam quatro grandes aleluias no seu cântico (vv.1,3,4,6).

“‘bodas do Cordeiro’ (v.7). Esse glorioso evento tem lugar no Céu após o arrebatamento da Igreja. E o encontro, que durará para sempre, da Igreja com o seu Senhor, que a resgatou com o Seu precioso sangue e a conduziu a salvo ao lar celestial, apesar das tempestades da vida. E o encontro que não terá jamais separação.

“O ‘linho fino’ do vestido da Igreja (vv.7,8) são os ‘atos de justiça dos santos’, indicando, portanto, resultado de julgamento do tribunal de Cristo. Para que isso aconteça aqui, a Igreja terá subido antes.

“ ‘ceia das bodas do Cordeiro’ (v.9). Deve ser a participação da Igreja na destruição do poder gentílico mundial sob a Besta, a partir do instante em que Jesus tocar a Terra. As bodas do Cordeiro têm lugar no Céu, ao passo que ‘a ceia do grande Deus’ (v.17), tem lugar na Terra, sendo, pois, dois fatos totalmente distintos quanto à sua natureza”.

 

 

 

Subsídio Devocional

 

“A esperança da Igreja é o aparecimento do Noivo e estar com Ele para sempre. E no quadro da Igreja como a Noiva de Cristo que encontramos o conceito da firme esperança dos salvos (At 23.6; Rm 8.20-25; 1 Co 15.19).

“A Igreja Primitiva vivia em meio à expectação do retorno de seu amado Senhor. Esperança esta que só começou a diminuir no século III d. C. Apesar dos séculos de negligência em torno do assunto, o século XIX foi reavivado para se voltar a esta realidade da Palavra de Deus.

“Entre os evangélicos, hoje, há um consenso generalizado sobre o fato de que Jesus Cristo realmente está prestes a voltar. Até mesmo entre os teólogos modernos, aquela conversa sobre a morte de Deus já é coisa passada. Hoje, eles já se voltam à doutrina das últimas coisas. Entretanto, a despeito dos modismos teológicos, precisamos estabelecer nossas convicções sobre a verdade revelada na Palavra de Deus. Afinal, o próprio Jesus, durante o seu ministério terreno, já afirmara categoricamente: ‘Eu voltarei’.

“Por que esta doutrina é tão estratégica e importante? Por um grande motivo: é a chave para a história da humanidade. Estamos nos movendo inexoravelmente para a consumação de todas as coisas. A maioria das religiões e filosofias não-cristãs têm um ponto de vista cíclico da história. Os hindus, por exemplo, vêem-na como se fora uma roda da vida, girando sem parar, sem começo nem fim. Mas a visão bíblica da história é linear.

“Houve um começo, um evento central — a cruz. Quando Jesus bradou: ‘Está consumado!’ (Jo 19.30), assegurava-nos Ele, por intermédio de Sua paixão e morte, a nossa redenção. Mas ainda não possuímos a plenitude de nossa salvação e da herança que Cristo nos conquistou. Estas tornar-se-ão plenas quando Ele retomar para levar a sua Igreja (Rm 13.11; 8.23; Hb 9.28). Não obstante, já estamos usufruindo de muitas bênçãos provenientes da cruz.” (Doutrinas Bíblicas, CPAD)

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 10: A Grande Tribulação

Data: 6 de Setembro de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais” (Mt 24.21).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Os juízos de Deus sobre o mundo no período da Grande Tribulação serão inevitáveis porque a Palavra de Deus os revela e a Igreja se fortalece na esperança de que não passará por esse período.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Fp 4.5; Hb 10.37; Tg 5.8

A proximidade da vinda de Cristo

 

 

 

Terça - Is 2.12; 13.6,9; At 2.20; 1 Ts 5.2; 2 Ts 2.2

A Grande Tribulação faz parte do Dia do Senhor

 

 

 

Quarta - Dn 9.24-27

O tempo da Grande Tribulação

 

 

 

Quinta - 2 Ts 2.1-8

Quem impede a manifestação do Anticristo agora

 

 

 

Sexta - 1 Jo 4.3

O espírito do Anticristo

 

 

 

Sábado - Ap 13.1-8

A manifestação do Anticristo

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Lucas 21.28-31; 1 Tessalonicenses 5.1-4,9.

 

Lucas 21

28 - Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai a vossa cabeça, porque a vossa redenção está próxima.

29 - E disse-lhes uma parábola: Olhai para a figueira e para todas as árvores.

30 - Quando já começam a brotar, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão.

31 - Assim também vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Reino de Deus está perto.

 

1 Tessalonicenses 5

1 - Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva;

2 - porque vós mesmos sabeis muito bem que o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite.

3 - Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão.

4 - Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele Dia vos surpreenda como um ladrão;

9 - Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo.

 

PONTO DE CONTATO

 

Em Lucas 21.28 Jesus está referindo-se aos sinais que precederão a Sua vinda. Com esta palavra e a dos versículos seguintes, Ele tinha por objetivo alertar o povo sobre a Sua iminente vinda. Já estamos nos últimos momentos da Igreja de Cristo na Terra, e Deus colocou esta tarefa em suas mãos: alertar os possíveis crentes despercebidos que se encontrem em sua classe.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir o sentido da palavra “tribulação” na Bíblia.
  • Explicar o tempo da Grande Tribulação.
  • Verbalizar os objetivos da Grande Tribulação.
  • Aplicar à sua vida a vigilância constante com sobriedade e obediência irrestrita à Palavra de Deus, para que não seja surpreendido e envergonhado na vinda do Senhor.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Estudaremos as profecias bíblicas que falam de uma tribulação específica que há de vir sobre o mundo nos últimos tempos. Uma tribulação como nunca houve na Terra, cujo propósito em primeiro plano é Israel. Mas as nações gentílicas terão o seu juízo. Esta lição objetiva alertar cada crente sobre a chegada da Grande Tribulação, e os juízos de Deus que sobrevirão àqueles que estiverem despercebidos.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para reflexão e introdução desta lição, peça para um aluno ler o versículo 21.36 de Lucas, e pergunte a classe como é estar vigiando para ser encontrado digno na vinda do Senhor e não ficar para a Grande Tribulação. Procure conduzir a participação dos alunos para que as respostas sejam práticas. Após ouvir alguns alunos, você poderá iniciar os tópicos da lição ou usar a próxima sugestão educacional, que poderá ser aplicada e usada, também, no final da lição. Use uma folha de papel pardo ou um quadro-de-giz com uma linha vertical no meio. À direita escreva, com a ajuda da classe, o que estará acontecendo com os servos de Jesus por ocasião da Grande Tribulação. Na outra parte, à esquerda, mencionar o que estará acontecendo com os não-salvos.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Na seqüência dos eventos escatológicos, enquanto a Igreja arrebatada e ressuscitada está no céu (nos ares) com Cristo, inicia-se um novo e terrível período na Terra, identificado na linguagem bíblica como a Grande Tribulação. Esse período será precedido por vários sinais reconhecidos pelos que lêem e estudam as profecias bíblicas.

 

I. O QUE É A GRANDE TRIBULAÇÃO

 

1. O sentido da palavra “tribulação” na Bíblia. Na língua grega do Novo Testamento, tribulação aparece como thilipsisque significa “colocar uma carga sobre o espírito das pessoas”. Na tradução Vulgata Latina, a palavra é tribulum e se refere a uma espécie de grade para debulhar o trigo. Ou seja: instrumento que o lavrador usa para separar o trigo da sua palha. A idéia figurada, aqui, é a de afligir, pressionar.

Analisada à luz do contexto bíblico, a palavra pode referir-se tão-somente a um tipo de pressão, aflição ou angústia que se passa na vida cotidiana. Outras vezes, tem o sentido escatológico.

2. O sentido da expressão Grande Tribulação. A expressão é essencialmente escatológica. No Antigo Testamento é identificada por outros nomes tais como “o dia do Senhor” (Sf 1.14-18; Zc 14.1-4); “a angústia de Jacó” (Jr 30.7); “a grande angústia” (Dn 12.1); “o dia da vingança” (Is 63.1-4); “o dia da ira de nosso Deus”. No Novo Testamento, a expressão ganha maior sentido com o próprio Senhor Jesus ao identificar aquele tempo como período de “grande aflição” (Mt 24.21), depois em Ap 7.14, como Grande Tribulação.

3. Estará a Igreja na Grande Tribulação? Existem duas linhas de entendimento acerca desse assunto: uma acredita que a Igreja não estará no primeiro período da Grande Tribulação; outra afirma que a Igreja sofrerá no primeiro período da Grande Tribulação. Os partidários do arrebatamento da Igreja depois da Grande Tribulação insistem que os rigores da tribulação são exclusivamente para Israel. Porém, entendemos que o arrebatamento dos santos em Cristo se dará, nem na metade nem depois da tribulação, mas exatamente antes dela, para livrar a Igreja desse inigualável tempo de sofrimento (1 Ts 1.10; 3.10).

Podemos perceber que os juízos catastróficos de Deus sobre Israel e o mundo naqueles dias só terão início depois que a Igreja for retirada da Terra. Até o capítulo 5 de Apocalipse se fala da Igreja, mas no capítulo 6, quando se iniciam os juízos, a Igreja não mais aparece, senão no capítulo 19.

Os partidários da idéia de que a Igreja estará na primeira metade da Grande Tribulação confundem essa metade, que será de uma falsa paz negociada entre Israel e o Anticristo (Dn 9.27). Não cremos que a Igreja necessite da paz do Anticristo bem como não podemos interpretar o cavaleiro do cavalo branco de Ap 6.2 como sendo Cristo, uma vez que na seqüência do texto os outros cavalos e seus cavaleiros são demonstrações dos juízos divinos (Ap 6.2-8).

 

II. PROPÓSITOS DA GRANDE TRIBULAÇÃO

 

Dois principais propósitos se destacam: o primeiro é levar Israel a receber o seu Messias; e o segundo é trazer juízo sobre todo o mundo, especialmente, sobre as nações incrédulas.

1. Levar Israel a receber o Messias. O profeta Jeremias profetizou que esse tempo seria identificado como “o tempo da angústia de Jacó” (Jr 30.7). Revela que será um tempo especialmente para os filhos de Jacó, isto é, Israel. Todos os eventos desse período são indicados na Bíblia, como “o povo de Daniel”, “a fuga no sábado”, “o templo e o lugar santo”, “o santuário”, “o sacrifício”, e outras mais. São expressões típicas da experiência política e religiosa de Israel. Portanto, antes de qualquer outra coisa, esse período é especialmente para o povo judeu.

Outrossim, o propósito de Deus para com Israel na tribulação é o de trazer conversão a esse povo, porque parte dele se converterá e entrará com o Messias no reino milenial (Ml 4.5,6).

Quando o Messias surgir, não só os judeus povoarão a Terra, mas uma multidão de gentios se converterá pela pregação do remanescente judeu (Mt 25.31-46; Ap 7.9), e entrará no reino milenial de Cristo.

2. Trazer juízo sobre o mundo. Ap 3.10 revela esse propósito quando fala a igreja de Filadélfia: “também eu te guardarei da hora da angústia que há de vir sobre o mundo inteiro”. A mensagem é para a Igreja e dá a garantia de que será guardada daquele tempo. Mais uma vez compreende-se que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. Entendemos que esse período alcançará a todas as nações da Terra (Jr 25.32,33; Is 26.21; 2 Ts 2.11,12), e Deus estará julgando-as por sua impiedade. Diz a Bíblia que as nações da Terra terão sido enganadas pelo ensino da grande meretriz religiosa, chamada Babilônia (Ap 14.8), e seguido ao Falso Profeta na adoração a Besta (Ap 13.11-18). Esses juízos virão para purificar a Terra e, quando o Messias assumir o comando mundial de governo, haverá paz e justiça.

 

III. O TEMPO DA GRANDE TRIBULAÇÃO

 

Não há texto bíblico mais explícito quanto ao tempo da Grande Tribulação do que a profecia de Daniel 9.24-27 acerca das setenta semanas determinadas por Deus para a manifestação dos juízos de Deus sobre Israel e sobre o mundo.

1. O que são as setenta semanas. A identificação começa com Dn 9.24: “Setenta semanas estão determinadas”. A palavra semana interpreta-se como semana de dias. O número sete indica a quantidade de dias da referida semana. Porém, a palavra dia interpreta-se como ano. Cada dia equivale a um ano e, sete dias multiplicados por setenta (70 x 7) dá o total de 490 anos.

2. Os três períodos das 70 semanas. O primeiro período de sete semanas, equivalente a 49 anos, teve o seu início no reinado de Artaxerxes através de Neemias, copeiro-mor (Ne 2.1,5,8), quando pediu ao rei para voltar à sua terra e reedificar a cidade e os seus muros. Ocorreu em 445 a.C. quando foi dada a ordem “para restaurar e reedificar Jerusalém” (Dn 9.25).

O segundo período de 62 semanas, equivalente a 434 anos, refere-se ao tempo do fim do Antigo Testamento até a chegada do Ungido, o Messias. Nesse período, o Ungido seria rejeitado e ultrajado pelo seu povo, e morto (Dn 9.26). Cumpriu-se esse segundo período até o ano 32 d.C, quando Cristo, o Ungido, foi rejeitado e morto pelos judeus. Até então, 69 semanas (ou 483 anos) se cumpriram.

O terceiro período abrange “uma semana” (7 anos) conforme está no texto de Dn 9.27. Misteriosamente, acontece um intervalo profético na seqüência natural das 70 semanas identificado como os tempos dos gentios (o nosso tempo), no qual se destaca, especialmente, a Igreja constituída de um povo remido por Jesus e que está em evidência até o seu arrebatamento para o céu. Terá início, em seguida, a última semana, a 70ª.

3. A última semana profética. No texto de Dn 9.26 surge “um povo e um príncipe” que virão para assolar e destruir Israel sob “as asas das abominações”. Esse príncipe não é outro senão “o assolador”, o “Anticristo”, “o homem do pecado” e “o príncipe que há de vir” (Dn 9.26). Ele fará uma aliança com Israel “por uma semana” (Dn 9.27). Virá com astúcia e inteligência. Sua capacidade de persuasão será enorme e, na aliança que fará com Israel, não terá a plena aprovação desse povo. Sua tentativa será a de restabelecer a paz, sobretudo no Oriente Médio oferecendo um tratado. O mundo todo o honrará e o admirará naqueles dias. Ele se levantará de uma força política mundial, uma confederação européia, que, na linguagem figurada da profecia, aparece como “um chifre pequeno” que surge do meio de “dez chifres” do “animal terrível e espantoso”, conforme Dn 7.8. Esse “animal terrível e espantoso” pode ser identificado como o sistema europeu, equivalente ao antigo Império Romano.

Num breve espaço, “metade da semana” (três anos e meio), esse líder alcançará o apogeu do seu domínio mundial e então haverá uma falsa paz. Nesse momento se dará o rompimento da aliança com Israel. O príncipe, embriagado pelo poder político, entrará em Israel e então se iniciará “a grande angústia de Israel” (2 Ts 2.4; Ap 13.8-15), a Grande Tribulação.

 

CONCLUSÃO

 

A Grande Tribulação não se destina à Igreja de Cristo e, sim, para o povo de Israel e o mundo gentio. Todos os juízos de Deus profetizados terão o seu cumprimento. Ninguém sabe quando se dará o arrebatamento da Igreja findando o parêntese profético entre a 69ª semana e 70ª. Não sabemos o dia da volta do Senhor, mas sabemos que é a nossa missão principal — pregar o Evangelho e dar testemunho de Cristo diante dos homens.

 

VOCABULÁRIO

 

Assolar: Arrasar; devastar; talar; destruir, arruinar.
Persuasão: Ato ou efeito de persuadir; convicção, certeza.
Remanescente: Restante.
Ultrajado: Com a dignidade ofendida, difamado, injuriado, insultado, afrontado.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual o sentido da palavra “tribulação” na Bíblia?

R. O sentido traz a idéia de aflição, angústia e pressão.

 

2. Como é identificada a Grande Tribulação no Antigo Testamento?

R. Com expressões tais como “o dia do Senhor”, “a angústia de Jacó”, “a grande angústia”, “o dia da vingança” e “o dia da ira de nosso Deus”.

 

3. Qual o propósito da Grande Tribulação?

R. O primeiro, preparar Israel para receber o Messias, e o segundo, trazer juízo sobre o mundo.

 

4. Em quantos períodos se dividem as 70 semanas de Daniel?

R. Três.

 

5. Quem está em evidência no intervalo profético entre a 69ª e 70ª semanas?

R. A Igreja constituída pelo povo remido por Jesus.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

A idéia prevalecente quanto à Grande Tribulação é a do Dia do Senhor. A expressão ocorre em vários textos da Bíblia como em Is 2.12; 13.6,9; Ez 13.5: 30.3; Jl 1.15; 2.1,11,31; 3.14; Am 5.18; Sf 1.7.14; Zc 14.1; Ml 4.5; At 2.20; 2 Ts 2.2; 2 Pe 3.10. Tem grande importância na linguagem profética da Bíblia. Por exemplo, em Sofonias 1.14-18, o Dia do Senhor aparece como juízo sobre Israel e sobre as nações nos dias da volta do Messias e, em Zacarias 14.1-4, os eventos da segunda vinda de Cristo estão no contexto do programa do Dia do Senhor.

 

 

 

Subsídio Teológico

 

Aspectos da natureza da Grande Tribulação:

1. Base na profecia bíblica. Esse assunto não é uma invenção dos teólogos. Ele tem todo o seu respaldo nas Escrituras. No Antigo e no Novo Testamentos vemos toda a linha de revelação expressa na presciência divina. Para termos um conhecimento amplo dessa revelação devemos estudar Dt 4.30,31; Is 2.19; 24.1,3, 6.19-21; 26.20,21; Jr 30.7; Dn 9.27; 12.1; Jl 1.15; 2.1,2; Am 5.18,20; Sf 1.14.15,18; Mt 24.21,22; Lc 21.25,26; 1 Ts 5.3; Ap 3.10. Todos esses textos falam da Grande Tribulação identificada por termos como “castigo”, “quebrantamento”, “indignação”, “angústia de Jacó”, “destruição do Todo-Poderoso”, “dia de trevas e obscuridade”, “tempo de ira”, “angústia das gentes”, “prova”, “ira do Cordeiro”, etc.

2. O caráter. Será um período da manifestação da ira de Deus contra o pecado, especialmente, contra Israel. Esse período é identificado nas Escrituras como “tempo de ira” (Sf 1.15,18; 1 Ts 1.10; 5.9; Ap 6.16,17; 11.18; 14.10,19; 15.1,7; 16.1,19); “tempo de juízo” (Ap 14.7; 15.4; 16.5,7; 19.2); “tempo de indignação” (Is 26.20,21; 34.1-3); “tempo de prova” (Ap 3.10); “tempo de angústia” (Jr 30.7; Sf 1.14,15; Dn 12.1); “tempo de destruição” (Jl 1.15; 1 Ts 5.3); “tempo de trevas” (Jl 2.2; Am 5.18; Sf 1.14-18); “tempo de desolação” (Dn 9.27; Sf 1.14,15); “tempo de transtorno” (Is 24.1-4,19-21); “tempo de castigo” (Is 24.20,21). Na verdade, será um tempo inevitável e nada poderá aliviar a severidade daqueles dias sobre a terra.

 

 

 

Subsídio Doutrinário

 

Os três períodos distintos das 70 semanas são: um período de sete semanas; o segundo período de 62 semanas e o terceiro período de uma semana. No entanto, dentro destes três períodos de tempos, pode-se, ainda, destacar duas etapas distintas (Dn 9.24).

A primeira que começa nos dias de Daniel até Cristo, no Calvário. Nesse período inicial três fatos distintos deveriam acontecer: “cessar a transgressão”, “dar fim aos pecados” e “expiar a iniqüidade”. Somente Cristo podia realizar essa tríplice obra e Ele assim fez cabalmente.

Entre a primeira etapa e a seguinte há um intervalo profético, que já dura quase 2.000 anos e no qual prevalece a Igreja.

A segunda etapa é futura e se refere ao que Cristo fará na Sua segunda volta como o Messias esperado de Israel, na instalação do reino milenial sobre a Terra. Esse tempo é identificado pelas expressões finais do texto de Dn 9.24, as quais dizem que Ele haveria de “trazer a justiça eterna”, “selar a visão e a profecia” e “ungir o Santo dos santos”.

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 11: Israel na Grande Tribulação

Data: 13 de Setembro de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho” (Ap 12.11).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A Grande Tribulação retrata perfeitamente o confronto entre o bem e o mal e a vitória final de Cristo.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Ap 6.7-17

O sofrimento na terra sob os selos de juízo divino

 

 

 

Terça - Ap 8.7-13

Mais sofrimento na terra sob as trombetas de juízo divino

 

 

 

Quarta - Ap 9.1-12

Seres infernais atormentadores

 

 

 

Quinta - Ap 13.1-10

O Anticristo e a Grande Tribulação

 

 

 

Sexta - Ap 16.1-21

Os piores sofrimentos sob as taças de juízo divino

 

 

 

Sábado - Ap 19.11-21

Cristo volta em glória, majestade e poder vencedor

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Apocalipse 12.1-12.

 

1 - E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça.

2 - E estava grávida e com dores de parto e gritava com ânsias de dar à luz.

3 - E viu-se outro sinal no céu, e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete diademas.

4 - E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.

5 - E deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.

6 - E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

7 - E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão; e batalhavam o dragão e os seus anjos,

8 - mas não prevaleceram; nem mais o seu lugar se achou nos céus.

9 - E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.

10 - E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora chegada está a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derribado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite.

11 - E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram a sua vida até à morte.

12 - Pelo que alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar! Porque o diabo desceu a vós e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.

 

PONTO DE CONTATO

 

A palavra disciplina na Bíblia tem a ver com correção e castigo com punição. A Grande Tribulação tem como alvo a disciplina da nação de Israel. Ou seja; corrigi-la da desobediência e obstinação para com Deus. “O Senhor corrige ao que ama...”, (Hb 12.6). Portanto, por mais que seja difícil aceitar, a Grande Tribulação é um ato do amor de Deus para com Israel.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Identificar os personagens da Grande Tribulação.
  • Descrever profecias do Antigo Testamento que falam sobre Israel na Grande Tribulação.
  • Reconhecer que a Grande Tribulação é um ato do amor de Deus para com Israel.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Para esclarecer o papel de Israel na Grande Tribulação, esta lição reúne profecias e personagens escatológicos tanto do Antigo como Novo Testamento.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Através de Hebreus 12.6 entendemos que Deus deseja a restauração de Seus filhos, e não apenas aplicar punição pelo seus erros. Para ajudar sua classe a entender essa atitude do amor de Deus para com Israel leve-os a refletir sobre as diferenças entre castigo e disciplina usada no livro Socorro temos filhos do doutor Bruce Narramore. Use uma folha de papel pardo ou um quadro-de-giz com linhas verticais, formando duas colunas. Transcreva conforme descrito abaixo:

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

É o povo de Israel a razão mais evidente da Grande Tribulação. Ele é o alvo principal por causa das suas relações com o plano redentor de Deus para com a humanidade. Israel foi escolhido para representar os interesses divinos na Terra. Mas, lamentavelmente, não foi fiel aos pactos e, por isso, houve a mudança no plano divino. Sua desobediência, prevaricação e idolatria serão castigadas nesse período. No entanto, o propósito de Deus não é só o de castigar Israel, mas também o de mostrar sua fidelidade e amor para com o Seu povo.

 

I. A MULHER VESTIDA DE SOL (Ap 12.1,2)

 

Depois dos vários eventos catastróficos efetivados pela abertura dos sete selos e das sete trombetas, surge um intervalo com uma série de visões e, então, haverá o derramamento das sete taças de pragas sobre a Terra.

Três personagens são destacados no capítulo 12 de Apocalipse: a mulher vestida de sol, o grande dragão vermelho e o filho varão.

1. Quem é a mulher vestida de sol? Há várias interpretações acerca dessa mulher e o que ela representa. Segundo a linha de interpretação que adotamos entendemos que ela não representa a Igreja de Cristo, uma vez que esta estará no céu com Cristo. Também a mulher não representa a Igreja do Antigo Testamento, nem tampouco representa Maria, a mãe humana de Jesus. Indiscutivelmente, representa o povo de Israel.

2. Os símbolos da mulher. Os símbolos que estão em torno da mulher — o sol, a lua e 12 estrelas — estão associados aos filhos de Israel (Gn 37.9; Jr 31.35,36; Js 10.12-14; Jz 5.20; Sl 89.35-37).

 

II. O GRANDE DRAGÃO VERMELHO (Ap 12.3,4)

 

1. Quem é o grande dragão vermelho. Representa Satanás (Ap 12.9). Essa criatura animalesca e vermelha é a figura do poder do mal e da destruição que virá sobre a nação israelita naqueles dias. O vermelho indica o seu poder sanguinário objetivando matar especialmente a mulher e seu filho.

2. O poder do dragão. Um detalhe especial desse dragão são as sete cabeças e dez chifres, além de sete coroas sobre essas cabeças (Ap 12.3). As mesmas características desse dragão aparecem sobre a Besta nos capítulos 13 e 17 de Apocalipse. Os poderes que a Besta (Anticristo) demonstrará nos dias da Grande Tribulação serão advindos de Satanás. As sete cabeças e os diademas sobre elas simbolizam os grandes reinos e os poderes desses reinos. Satanás usará de toda a sua força para destruir Israel naqueles dias. Ele é o dragão vermelho que se lançará contra o povo de Deus representado pela mulher.

3. Que representam as estrelas do céu? (Ap 12). Alguns intérpretes afirmam que serão homens proeminentes do mundo que se levantarão contra Israel para destruí-lo da face da Terra. Porém, a interpretação mais aceitável indica que se trata de demônios sob a égide de Satanás, os quais, lançados sobre o mundo, promoverão grande desordem moral, social e espiritual no seio da humanidade.

 

III. O FILHO VARÃO (Ap 12.5)

 

1. Quem é o filho varão. Os intérpretes divergem aqui. Há os que afirmam se tratar da Igreja, equivocadamente. Outros entendem que se trata dos mártires da Grande Tribulação, e outros afirmam que esse filho varão representa o remanescente judeu de então.

2. Jesus, o mais evidente. A interpretação mais aceitável diz que esse filho varão representa Jesus, uma vez que somente Ele, o Messias, “regerá as nações com vara de ferro”. O Salmo 2 é messiânico e se constitui num rico contexto profético no cumprimento da profecia de Apocalipse 12.5. Israel representa a mulher, e o filho varão representa Jesus. Ele nasceu de mulher israelita. Por isso, quando o texto diz que a mulher (Israel) deu à luz um filho varão, está, na realidade, falando do nascimento humano de Jesus. Quando fala que o “filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono”, refere-se à ascensão vitoriosa de Cristo depois da Sua ressurreição.

Há um paralelo entre Ap 12 e Miquéias 5, que identifica a mulher como a nação israelita. Mq 5.2 fala sobre o nascimento dAquele que seria o Senhor em Israel, o Messias. Entretanto, por causa da rejeição deste governante (o Messias) na Sua primeira vinda, a nação foi posta de lado. O texto de Mq 5.3 declara assim: “os entregará até ao tempo em que a que está de parto tiver dado à luz”, indicando que a nação estará com dores de parto até ao tempo de dar à luz o filho. Também, em Rm 9.4,5 o apóstolo Paulo fala dos israelitas e declara que Cristo veio de Israel, segundo a carne.

3. A tentativa inútil do grande dragão contra o filho varão. Satanás, o grande dragão vermelho não conseguirá alcançar o filho varão porque ele foi arrebatado para o seu trono. O filho varão de Israel, arrebatado do poder de Satanás, um dia descerá em grande pompa sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.1-9) e, então, tomará as rédeas do governo mundial sob o poder do Diabo, o Anticristo e o Falso Profeta.

Na vinda poderosa do filho, o Anticristo e o Falso Profeta serão lançados no Lago de Fogo (Ap 19.19,20). No mesmo ímpeto da gloriosa vinda do filho varão, o grande dragão, que é Satanás, será amarrado e lançado no Poço do Abismo (Ap 12.7-9; 20.1-3).

 

IV. A FUGA DA MULHER PARA O DESERTO (Ap 12.6)

 

1. O deserto (Ap 12.6). Não se refere aqui especificamente a um lugar geográfico, mas metafórico. Nas terras do Oriente Médio o deserto é o lugar mais apropriado para fugitivos. A mulher representa a nação de Israel, depois de perseguida pelo grande dragão vermelho, que foge para um lugar de refúgio no deserto, para escapar à fúria do dragão, o Diabo.

2. O período do refúgio (Ap 12.6). As pressões sobre Israel serão enormes naquele período, mas o grupo fiel encontrará refúgio por 1.260 dias. No calendário judaico de 360 dias, os 1.260 dias equivalem à metade da semana profética de Daniel 9.27, ou seja, três anos e meio. Essa mesma cifra de 1.260 dias equivale a outras cifras tais como quarenta e dois meses, ou “um tempo, tempos e a metade de um tempo”. Essa diferença de linguagem não muda o sentido real da profecia, porque a cifra é a mesma. E exatamente o período mais terrível que sobrevirá sobre Israel na sua terra.

3. O remanescente judeu (Ap 12.17). No período final da Grande Tribulação, o remanescente judeu, constituído de israelitas fiéis ao antigo pacto, não se submeterá ao sistema do Anticristo, que é a Besta que subiu do mar de Ap 13.1,2, e terá de fugir para o deserto (Ap 12.17). É, sem dúvida, o remanescente judeu salvo na Grande Tribulação.

 

V. UMA BATALHA ANGELICAL NO CÉU (Ap 12.7-9)

 

1. O arcanjo Miguel. Nessa batalha os anjos de Deus sob o comando do arcanjo Miguel, o protetor dos filhos de Israel, abatem completamente os anjos caídos sob o comando de Satanás, o grande dragão vermelho. É interessante notar que Miguel está ligado ao destino do povo de Israel (Dn 12.1). Ele é o guardião dos interesses divinos para com Israel, conforme vemos em Dn 10.13,21; Jd v.9.

2. Satanás, o dragão vermelho. Nessa batalha vemos o esforço de Satanás para neutralizar o plano vindicativo de Deus através dos anjos na história do mundo e, especialmente, quanto a Israel. E um conflito entre o bem e o mal. Satanás é o grande dragão vermelho que, mais uma vez investe contra o poder de Deus representado pelo arcanjo Miguel e seus anjos. Mas o dragão é derrotado fragorosamente e expulso do céu. Os seus domínios foram desfeitos.

3. A vitória do bem sobre o mal. Na visão de João, o dragão quis devorar o filho varão da mulher, mas foi impedido por uma força maior, uma milícia superior a dele. Essa batalha indica que os poderes de Satanás foram reduzidos, e o mundo começa a se preparar para receber o Messias. Aprendemos aqui que o direito sempre terá de triunfar sobre o erro, o bem sobre o mal, a verdade sobre a mentira. As vantagens de Satanás foram anuladas para que a vitória do povo de Deus prevalecesse no mundo. No texto de Ap 12.9, o dragão vermelho é definido como “o acusador” (Diabo), a “antiga serpente”.

 

CONCLUSÃO

 

Depois da vitória de Miguel e seus anjos contra o dragão e seus aliados (demônios), diz a Bíblia que houve regozijo e alegria no céu (Ap 12.10). Esta alegria resulta do fato que a Grande Tribulação findará para Israel e para o mundo, quando Cristo voltar gloriosamente.

 

VOCABULÁRIO

 

Catastróficos: Relativo a, ou que tem caráter de catástrofe; acontecimento súbito de conseqüências trágicas e calamitosas.
Égide: Escudo; defesa, proteção.
Prevaricação: Ato ou efeito de prevaricar; faltar ao dever; faltar, por interesse ou por má fé, aos deveres do seu cargo, do seu ministério; torcer a justiça; agir ou proceder mal; incorrer em falta; errar.
Proeminente: Que sobressai, ressalta.
Vindicativo: Apropriado para vindicar, reclamar ou exigir, em juízo, a restituição de; reivindicar, reclamar.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quem é a mulher vestida de sol?

R. Esta mulher “vestida de sol” representa o povo de Israel.

 

2. O que representam as 12 estrelas do céu de Ap 12?

R. Trata-se de demônios sob a égide de Satanás.

 

3. Quem é o filho varão?

R. A interpretação mais aceitável é que esse filho varão representa Jesus.

 

4. Quem fugirá para o deserto no período final da Grande Tribulação?

R. O remanescente judeu.

 

5. Quem é o dragão vermelho de Ap 12.3?

R. Satanás.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Em sua perseguição para destruir os judeus, a Besta conduzirá seus exércitos contra Jerusalém.

“‘... E contra ela (Jerusalém) se ajuntarão todas as nações da terra’ (Zc 12.3b); ‘Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será expulso da cidade’ (Zc 14.2).

“Nessa ocasião crítica, parte de Israel refugiar-se-á nos montes e abrigos naturais de Edom, Moabe e Amom. (Ler Isaías 16.1-5; Salmo 60.9; Ezequiel 20.35-38; Daniel 12.6,13,14.) Estas passagens todas tratam disso. Esses antigos países bíblicos (Edom, Moabe e Amom) constituem hoje em dia o centro-sul da Jordânia. Durante o Milênio eles pertencerão a Israel (Nm 24.17,18; Sl 60.8,9; Is 11.14). Em Isaías 16.1 é mencionada a capital de Edom — Selá (em grego: Petra), a elevada cidade-fortaleza, plantada nas rochas. Isso fica a 96 km ao sul do mar Morto. Edom, Moabe e Amom serão poupados por Deus durante a investida arrasadora do Anticristo contra Israel, a fim de que para aí os judeus escapem. (Ler Daniel 11.41.) Já uma vez Israel refugiou-se aí, quando Babilônia os hostilizou (Jr 40.11,12).” (O Calendário da Profecia, CPAD)

 

 

 

Subsídio Bibliológico

 

Apocalipse 12.2-4 trata sobre o conflito dos séculos. “É a luta do Diabo, tudo fazendo para que o Messias não viesse ao mundo. Esse conflito vemo-lo de Gênesis aos Evangelhos. Momentos houve em que parecia que o inimigo tinha ganhado a batalha. As cinco piores ocasiões na história de Israel foram: 1) na apostasia do bezerro de ouro, quando apenas uma tribo ficou leal a Deus (a de Levi); 2) no caso da corrupção moral de Israel, em Sitim, durante u peregrinação no deserto, por conselho de Balaão; 3) no caso do pecado de Davi, com o qual Deus fizera aliança quanto ao nascimento do futuro Messias; 4) no caso do livro de Ester, quando houve um plano para exterminar todos os judeus: 5) no caso de Belém, quando o rei Herodes decretou a matança dos inocentes, para naquele meio, Jesus ser morto. Em todos esses momentos críticos o inimigo perdeu a batalha. Por fim, numa noite, os anjos anunciaram o nascimento do Salvador, o qual caminhou resoluto em direção ao Calvário, onde, por fim, bradou agonizante, mas triunfantemente: ‘Tudo está consumado!’ Aleluia!

Versículo 3. O dragão com sete cabeças. Isso fala de sua plenitude de astúcia. Sete chifres representam seu imenso poderio. Sete diademas, seu domínio. O dragão era vermelho, que é a cor do sangue e do fogo. Isso indica, como sabemos, que ele é o provocador de mortes, guerras, intrigas, contendas e tensões individuais e coletivas, quentes como o fogo e que terminam explodindo. (Ler Gênesis 4.5,8 comparando com 1 João 3.12.)

Versículo 4. ‘a terça parte das estrelas do céu’. Isto refere-se aos anjos que caíram com Lúcifer, conforme Isaías 14.12 e Ezequiel 28.16. Muitas referências na Bíblia apontam os anjos como estrelas. Exemplo: Juízes 5.20; Jó 38.7: 25.5; Isaías 14.13, etc. ‘A sua cauda arrasta a... ’. É conhecida a grande força que a serpente e outros répteis, como o jacaré, têm na cauda. Os animais pré-históricos do tipo réptil tinham gigantesca força nas suas caudas para ataque e defesa. O termo dragão significa animal monstruoso; serpente gigantesca. O dragão no versículo 3 figura o Diabo, e é chamado serpente em 12.9. O termo no original deriva de um verbo que significa ver de modo penetrante.” (Daniel e Apocalipse, CPAD)

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 12: Os gentios na Grande Tribulação

Data: 20 de Setembro de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

E Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21.24).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Os tempos dos gentios se completarão na Grande Tribulação, porém, a Igreja não estará na Terra nesse período.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Dn 2.33,34,44; 7.7,8,24,25; Ap 13.3,7; 17.12,13

A formação de uma confederação de nações gentílicas

 

 

 

Terça - Ap 13.1-8; 17.8,13; 2 Ts 2.3-9; 1 Jo 2.18; Dn 7.24,25

O surgimento do Anticristo, a Besta

 

 

 

Quarta - Ap 13.11-18

O surgimento do Falso Profeta

 

 

 

Quinta - Sl 2.1-10; Is 63.1-6; Jl 3.2-16; Sf 3.8; Zc 14.1-3

O juízo das nações gentílicas

 

 

 

Sexta - Mt 25.41

As nações gentílicas opostas não escaparão ao Lago de Fogo

 

 

 

Sábado - Dn 2.34,35,44; Ap 19.11,21

A destruição do poder mundial dos gentios pela pedra cortada do monte

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 24.15,21; Daniel 2.40-44; 7.24,25.

 

Mateus 24

15 - Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, que entenda).

21 - porque haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais.

 

Daniel 2

40 - E o quarto reino será forte como ferro; pois, como o ferro esmiúça e quebra tudo, como o ferro quebra todas as coisas, ele esmiuçará e quebrantará.

41 - E, quanto ao que viste dos pés e dos artelhos, em parte de barro de oleiro e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo, haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com barro de lodo.

42 - E, como os artelhos eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte e por outra será frágil.

43 - Quanto ao que viste do ferro misturado com o barro de lodo, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro se não mistura com o barro.

44 - Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos e será estabelecido para sempre.

 

Daniel 7

24 - E, quanto às dez pontas, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros e abaterá a três reis.

25 - E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues nas suas mãos por um tempo, e tempos, e metade de um tempo.

 

PONTO DE CONTATO

 

Se Deus comunicou a existência dos principais impérios muito antes de sua chegada, é porque desejava que o Seu povo tomasse conhecimento disso, apontava para o Seu reino eterno. Vemos nestes capítulos estudados o poder e a fidelidade de Deus no cumprimento das profecias. Algumas, não se realizaram ainda na sua plenitude. Porém, somos desafiados a estudá-las, tanto as passadas quanto as que estão para se cumprir, sabendo que a chegada dos governos futuros é certa, pois foram vaticinados por Deus.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicar através das profecias de Daniel 2 e 7 os impérios que já existiram.
  • Identificar em Daniel 7 qual o império que ainda não teve seu cumprimento.
  • Entender a fidelidade de Deus ao estudar o cumprimento das profecias.
  • Reconhecer o poder de Deus sobre todos os reinos da Terra.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Deus mostra através de Seu servo Daniel, os principais governos futuros. Alguns já tiveram o seu cumprimento, porém, outros estão ainda para se cumprir. Estes governos são comunicados por Deus através de figuras da esfera inanimada, ou seja, materiais como ouro, prata, bronze, ferro e barro, e por seres animados descritos no capítulo 7, que são representados por animais estranhos.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para, principalmente, levar os alunos a compreender os desígnios de Deus com relação aos reinos deste mundo, apresente uma reflexão em Romanos 13.1. Dê cinco minutos para que discutam com o colega ao lado. Após a reflexão peça que relatem suas conclusões. Você poderá encontrar orientações complementares na Bíblia de Estudo Pentecostal, no texto de rodapé referente a este versículo. Conclua o assunto mostrando que Deus sabia quem reinaria e como seriam os reinados, mesmo antes de existirem. Mostre que ainda falta o cumprimento de um governo que se estabelecerá durante a Grande Tribulação. Neste período a Igreja terá sido arrebatada por Jesus. Por isso, estará livre deste governo iníquo. Inicie agora o comentário sobre cada tópico da lição.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Na lição anterior estudamos sobre o povo de Israel em relação à Grande Tribulação. Nesta, estudaremos sobre os gentios (povos não-judeus) em relação ao mesmo evento. Os povos gentios têm um papel preponderante na Grande Tribulação, por permissão de Deus, porque fazem parte de um programa divino que há de cumprir-se naquele período.

 

I. OS TEMPOS DOS GENTIOS (Lc 21.24)

 

1. Que são os tempos dos gentios. O texto de Lucas refere-se a um período especial no qual Jerusalém será pisada pelos gentios.

2. A duração dos tempos dos gentios. Esse período (não o da Grande Tribulação) teve seu início quando uma parte de Israel foi levada de sua terra para o cativeiro na Babilônia em 586 a.C. (2 Cr 36.1-21; Dn 1.1,2) e só terminará quando Cristo voltar para governar sobre todo o mundo, e assumir o trono de Davi (Lc 1.31,32).

 

II. O CURSO DOS TEMPOS DOS GENTIOS

 

Duas revelações paralelas no livro de Daniel nos dão a descrição completa desse período.

1. O paralelo entre os capítulos 2 e 7 de Daniel. No capítulo 2 a visão foi dada a um rei pagão, Nabucodonozor e, no capítulo 7, a visão foi dada a um servo de Deus, o profeta Daniel.

A Nabucodonozor Deus revelou o lado político dos reinos gentios representados na grande estátua. A Daniel, Deus revelou o lado moral e espiritual desses reinos representados pelos “quatro animais”. A história política havia sido mostrada a Nabucodonozor, mas a história espiritual foi mostrada a Daniel.

Notemos ainda o seguinte: No capítulo 2, as figuras representadas são tomadas da esfera inanimada, materiais como ouro, prata, bronze, ferro e barro. No capítulo 7, as figuras são representadas por seres animados, aqueles animais estranhos.

2. Os quatro ventos e o Mar Grande (Dn 7.2).

a) os quatro ventos. Simbolizam os poderes celestiais que movimentam o mundo nos seus quatro pontos cardeais. São ventos que agitam as nações do mundo nos seus quatro cantos e, podem representar as grandes comoções políticas, conflitos sociais e mudanças climáticas. São poderes usados por Deus para agitar a humanidade. São específicos. Obedecem e cumprem fielmente sua missão, agitando geologicamente mares, rios e a terra com seus vulcões. Açoitam a Terra varrendo os continentes, e também sopram brandamente sobre a Terra, avisando-a de possíveis catástrofes.

b) O Mar Grande. Duas correntes de interpretação têm sido apresentadas por vários estudiosos. Uns interpretam o Mar Grande como representando toda a humanidade, e não se refere a nenhum mar em particular. No entanto, esse não é outro, senão o mar Mediterrâneo, uma vez que, os quatro reinos mundiais (Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma) surgem junto dele.

A palavra “mar” na linguagem escatológica sempre representa as nações gentílicas (Is 17.12,13). O ressurgimento do antigo Império Romano é identificado geograficamente na Bíblia como sendo junto ao Mar Grande, que é o Mediterrâneo. O animal terrível e espantoso de Daniel 7.3, que representa o Império Romano, saía do Mar Grande.

 

III. O PODER DOS GENTIOS (Dn 7.3-8)

 

1. O leão com asas de águia (v.4). Assim como a cabeça de ouro da estátua do capítulo 2 representa o reino da Babilônia, também o leão na visão de Daniel (Dn 2.37,38). No mundo animal o leão é o rei dos animais, por isso, Nabucodonozor destacou-se como o leão, pela sua riqueza e imponência. Era um leão com asas de águia. A águia é uma ave solitária e rainha dos ares, e indica conquista em extensão territorial. Dn 7.4 diz que, depois, “foram-lhe arrancadas as asas” para indicar a queda do poderio desse rei diante do poder de Deus (Dn 4.24,25,32-37).

2. O urso destruidor (v.5). Representa o império medo-persa, seqüente, que derrotou a Babilônia, e na visão do capítulo 2 é representado pelo peito e os braços de prata (Dn 2.39). Diz o texto que o urso surgiu com três costelas entre os dentes. Isto indica que dominou sem reservas as nações à sua frente. O texto de Dn 2 esclarece melhor esse fato pois os braços da estátua indicam mais especificamente a aliança da Média e da Pérsia. Daí o reino medo-persa, conhecido pelos reis que o governaram, Ciro, o persa (Dn 10.1) e Dario, o medo (Dn 11.1).

3. O leopardo altivo (v.6). Animal de indescritível rapidez que representa o império grego, em paralelo com o ventre e as coxas de cobre (ou bronze) da estátua de Dn 2.32. Esse leopardo, dada a sua rapidez conquistou o mundo velozmente, a saber: Alexandre, o Grande. O animal tinha quatro asas (Dn 7.6) denotando o seu rápido progresso em apenas 12 anos. Tinha, também, quatro cabeças que tipificam as quatro divisões do império grego logo depois da morte de Alexandre, o seu conquistador.

4. O animal terrível e espantoso (v.7). A característica principal desse animal é o fato de não haver nele nada comparável no mundo animal. Era, de fato, incomparável em força e presença e representa o Império Romano. No capítulo 2, esse império é representado pelas pernas de ferro e os pés com mistura de ferro e barro (Dn 2.33,41). O animal se destaca pela força bruta e dureza típica do ferro, metal que o representa. Na história mundial, esses quatro impérios foram fortes e tiveram seu final com o quarto que foi o romano. Entretanto, a profecia sobre esse último império indica seu ressurgimento no futuro, especialmente no período da Grande Tribulação.

 

IV. O FIM DO PODER MUNDIAL DOS GENTIOS

 

1. A forma política e material do poder gentio. É destacada especialmente nos dez dedos com barro e ferro (Dn 2.41,42). O fim do poder gentio está marcado pela divisão. Por isso, a ênfase nos dez dedos dos pés da estátua, o que caracteriza a fragilidade e força, autocracia e democracia do quarto reino, o romano, uma confederação simbolizada pelo ferro e o barro. Essa mistura não é natural porque se constitui de elementos soltos, ainda que juntos. Não há muita consistência. Ferro e barro se juntam, mas não se misturam.

Outra verdade acerca da forma final do poder gentio é a indicação de uma ação futura, profética, algo que ainda não aconteceu (a pedra cortada do monte) marcará o fim desse império, nos dias da Grande Tribulação (Dn 2.45).

2. Visão espiritual do poder dos gentios. No capítulo 2, a forma final do poder dos gentios é demonstrada pela união de dez reis e seus reinos. Em Daniel 7.7, o destaque é o animal que aparece com dez chifres sobre a cabeça. Esses chifres indicam, também, a confederação de dez reis (nações gentílicas) para a formação do quarto grande reino mundial (Dn 7.24).

3. O líder que surgirá do poder gentio (Dn 7.8). Dentre os dez reinos (dez chifres) surgirá o líder (o chifre pequeno) que se levantará e se manifestará como “o homem da perdição”, ou “Anticristo”, o qual blasfemará contra o Altíssimo até que lhe venha o juízo (Dn 7.25). Na verdade, na segunda metade da “semana” predita (Dn 9.27), esse “chifre pequeno”, o Anticristo, assumirá a direção política dos reinos dos “dez chifres”, (dez dedos da estátua), e infligirá sobre Israel grande perseguição (Ap 17.12,13).

Sua influência será mundial, pois conquistará o apoio das nações do mundo inteiro contra Israel. Mas ao final, esse chifre pequeno será destruído. O poder mundial dos gentios representado na estátua do capítulo 2, será detonado pela “pedra cortada do monte sem mãos” (Dn 2.34,35; 7.26,27). Tudo isso acontecerá exatamente em três anos e meio, ou seja, no período de “um tempo (1 ano), dois tempos (2 anos) e metade de um tempo (meio ano)”. Podem ser, também, o período de 42 meses iguais a 1.260 dias, conforme o calendário judaico (Dn 9.27; 12.7; Ap 12.14). Todas essas cifras correspondem a um mesmo período, a Grande Tribulação, que só se findará com a vinda do Filho do Homem, Jesus Cristo (Dn 7.13,14).

 

CONCLUSÃO

 

Só com a intervenção divina que ocorrerá com a vinda pessoal de Cristo sobre a terra da Palestina (Zc 14.1-4), o poder mundial dos gentios e o seu domínio sobre Israel serão derrotados.

 

VOCABULÁRIO

 

Apostasia: Abandono premeditado da fé cristã.
Autocracia: Governo de um príncipe, com poderes ilimitados e absolutos.
Confederação: Reunião de diferentes Estados que, embora conservando a respectiva autonomia, formam um só, reconhecendo um governo comum.
Democracia: Governo do povo; soberania popular.
Desígnios: Intento, intenção, plano, projeto, propósito.
Subumana: Que está abaixo do nível humano.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Como podemos explicar a expressão “tempos dos gentios”?

R. O texto de Lucas refere-se a um período especial no qual Jerusalém será pisada pelos gentios.

 

2. Qual a duração dos tempos dos gentios?

R. Esse período teve seu início quando uma parte de Israel foi exilada da sua terra para cativeiro na Babilônia em 586 a.C. e só terminará quando Cristo voltar para governar sobre todo o mundo e assumir o trono de Davi.

 

3. O que indicam os quatro animais da visão de Daniel?

R. A degradação espiritual do homem guiado por impulsos cegos, por causa da incredulidade e distanciamento de Deus.

 

4. E os quatro ventos?

R. Simbolizam os poderes celestiais que movimentam o mundo nos seus quatro pontos cardeais.

 

5. De acordo com a profecia de Daniel, qual dos reinos ressurgirá no futuro, no período da Grande Tribulação?

R. O império Romano.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

Em 1968 foi fundado em Roma o chamado Clube de Roma, sendo seus membros desde então, personalidades de gabarito reconhecidamente mundial, na política, na economia, nas ciências e na educação. O objetivo fundamental do clube é estudar o futuro da raça humana, considerando o seu passado e o seu presente, para planejar o seu futuro. Uma das conclusões a que chegou o clube, há poucos anos, é a de que a humanidade necessita urgentemente de um governo único e centralizado para resolver seus problemas e suprir suas necessidades.

Aqui está mais uma indicação da iminência do surgimento do super-homem de Satanás — a Besta, que presidirá a confederação de nações que espelhamos na parte anterior. Talvez este homem já esteja aí, camuflado, aguardando apenas o momento de manifestar-se, o que ele está impedido de fazer enquanto a Igreja do Senhor permanecer aqui. (Ler 2 Tessalonicenses 2.7,8.) O ‘ministério da iniqüidade’ aí mencionado é o diabólico princípio oculto da rebelião contra Deus e contra a autoridade constituída, a qual vem dele. Esta diabólica ação secreta, subterrânea, vem operando desde o princípio do mundo, porém neste tempo do fim não haverá restrição para sua total manifestação e operação. O rapto da Igreja ocorrerá antes dessa manifestação pública do Anticristo. Depois disso o pecado não conhecerá limites.

O Anticristo será um homem personificando o Diabo, porém, apresentando-se como se fosse Deus. ‘Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará e se engrandecerá sobre todo o deus; e contra o Deus dos deuses; falará coisas incríveis, e será próspero, até que se cumpra a indignação; porque aquilo que está determinado será feito’ (Dn 11.26). ‘Ninguém de nenhum modo vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia, e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus’ (2 Ts 2.3,4). (O Calendário da Profecia, CPAD)

 

 

 

Subsídio Teológico

 

O comentário sobre os versículos 10 e 11 do capítulo 17 no livro Daniel e Apocalipse (CPAD), diz o seguinte:

“Daniel 7.24 diz: ‘dez reis que se levantarão daquele mesmo reino’. É pois uma forma daquele antigo império. É claro que não poderá ser o mesmo, porque aquele era regido por um único soberano, e o futuro sê-lo-á por dez reis com suas dez capitais. Eles formarão uma confederação de nações durante a Grande Tribulação. Dizemos confederação porque num pé os dedos são ligados (Dn 2.42). Com a formação desses dez estados estará pronto o palco para a formação do reino do Anticristo—o oitavo rei (v.11). A área geográfica desses dez reinos é a mesma do antigo Império Romano, isto é, parte da Europa, parte da Ásia e parte da África (Ver um mapa do antigo Império Romano)”.

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

 

Lição 13: O Reino Milenal de Cristo

Data: 27 de Setembro de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

E o SENHOR será rei sobre toda a Terra; naquele dia um será o SENHOR, e um será o seu nome” (Zc 14.9).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O Milênio preparará a Terra para o estabelecimento do reino eterno de Cristo, conforme as promessas das Sagradas Escrituras.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Mt 6.10

O Milênio é ansiosamente esperado pelo povo de Deus

 

 

 

Terça - Ap 20.4-6

Os salvos reinarão com Cristo no Milênio

 

 

 

Quarta - Mq 4.3,4

Haverá paz entre povos e nações

 

 

 

Quinta - Is 32.16,17

Haverá paz e justiça em plenitude

 

 

 

Sexta - Is 11.6-9

Haverá paz até na criação em geral

 

 

 

Sábado - Cl 3.4

Os salvos estarão em glória com o seu Salvador

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Apocalipse 20.1-7.

 

1 - E vi descer do céu um anjo que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão.

2 - Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos.

3 - E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.

4 - E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos.

5 - Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição.

6 - Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos.

7 - E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão.

 

PONTO DE CONTATO

 

O Milênio é alvo de muitas profecias através da Bíblia. Porém, hoje, há pessoas que materializam e outras que espiritualizam excessivamente o assunto. Precisamos evitar tais extremos e conduzir a classe para interpretação correta das profecias bíblicas.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Compreender que, na segunda fase da vinda do Senhor em glória, todos os homens O verão.
  • Reconhecer a vinda do Senhor em glória como o início do estabelecimento do reino milenial.
  • Entender que, com a volta de Jesus em glória, tudo será novo, restaurado pela sábia administração do Senhor, que reinará com retidão e justiça e cujo domínio durará mil anos sobre a Terra.
  • Identificar que o Julgamento Final só acontecerá após o Milênio, quando se estabelecerá, em seguida, a Eternidade.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Nesta lição estudaremos acerca do mais esplendoroso reino que existirá neste mundo, predito pelos profetas do Antigo Testamento e confirmado pelo próprio rei Jesus. Chegamos a um ponto altamente importante da escatologia bíblica, pois trata-se da época em que Cristo tomará as rédeas do governo do mundo e reinará aqui por mil anos, com Seus santos (a Igreja), tendo Israel como sede do governo mundial.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para fazer um elo com a lição anterior e introduzi-los ao novo assunto, converse com os alunos sobre o final da Grande Tribulação e a vinda do Senhor em glória, antes de explicar os tópicos da lição. Pergunte-lhes sobre os objetivos da vinda de Jesus em glória. Ajude-os no raciocínio, lembrando a seqüência dos eventos e explicando-lhes o propósito de cada um, os quais são: 1º) derrotar o Anticristo; 2º) prender o Anticristo e o Falso Profeta; 3º) derrotar o poder das nações sob o domínio do Anticristo, que estarão no fragor da batalha contra Israel; 4º) ressuscitar os que, na Grande Tribulação, morreram por não aceitarem adorar o Anticristo; e 5º) estabelecer o trono de Glória de Cristo Jesus. Veja, agora, qual o conceito que cada um possui de um reino perfeito, e apresente-lhes o Reino Milenial de Cristo.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

A volta pessoal e visível de Cristo à Terra está prevista em toda a Bíblia. Deus estabeleceu o programa de um reino teocrático, iniciado com o povo de Israel, prosseguindo no período milenial e culminando no reino eterno.

 

I. O FIM DA GRANDE TRIBULAÇÃO

 

1. A volta pessoal de Cristo. O texto de Zacarias 14.3,4 indica a intervenção divina sobre o monte das Oliveiras, em Israel. As nações reunidas pelo Anticristo para combater e destruir Israel serão surpreendidas pela vinda do Senhor. O texto de Jl 3.2,12 fala do vale de Josafá, identificado também como o Cedrom, localizado entre Jerusalém e o monte das Oliveiras. Será nesse lugar o encontro do Senhor contra as nações inimigas de Israel. O monte das Oliveiras, o lugar exato de onde Cristo subiu ao céu, também sobre ele descerá gloriosamente.

2. A seqüência dos eventos finais (Mt 24.27-30). Nesses versículos Jesus apresentou a realidade da Tribulação (Mt 24.21). No v.27, Ele fala de sua vinda visível como “o relâmpago que sai do Oriente e se mostra até o Ocidente”. No v.28, Jesus retrata mais uma vez a visibilidade de Sua vinda usando a ilustração dos abutres atraídos pela matança. No v.29, dá a entender que a Sua vinda será logo depois da tribulação daqueles dias. No v.30, fala do sinal dessa vinda no céu, uma prova de que Ele, o Messias, virá sobre as nuvens do céu.

3. A derrota do Anticristo e seus exércitos (Ap 19.15-21). Nos versículos anteriores ao 14, Cristo aparece como um grande general de exército (como nos tempos bíblicos), e o v.15 mostra um Cristo preparado para fazer juízo sobre a impiedade do Anticristo. Diz o texto que “saía da sua boca uma espada afiada, para ferir com ela as nações”. A partir do v.17, uma grande ceia é apresentada para comer as carnes de todos os inimigos do povo de Israel que se ajuntaram para destruí-lo. Mas eles serão aniquilados pelos exércitos de Cristo. No v.20, a Besta, que é o Anticristo, juntamente com o Falso Profeta são presos e lançados vivos no Lago de Fogo. Esses dois personagens não são meras figuras ou metáforas, mas realmente dois homens da parte do Diabo, que se levantarão naqueles dias.

4. A vinda em glória (Ap 19.11-16). Refere-se especialmente a forma da descida gloriosa de Cristo sobre um cavalo branco. O cavaleiro que monta o cavalo do capítulo 19 de Apocalipse é Jesus, porque é identificado como “Fiel e Verdadeiro”. Nada tem a ver com o cavaleiro do cavalo branco do capítulo 6 de Apocalipse o qual se refere ao Anticristo. O v.14 de Apocalipse fala dos santos que acompanham a Cristo na Sua volta à Terra. Eles montam cavalos brancos e os seus cavaleiros estão vestidos de linho finíssimo. São os anjos e a Igreja de Cristo que gloriosamente participam da Sua conquista.

 

II. PREPARAÇÃO PARA O REINO MILENIAL

 

Com a derrota do Anticristo e seus exércitos, Israel verá que Aquele a quem rejeitaram na primeira vinda, não é outro senão o seu Messias.

1. A conversão a Cristo da parte dos judeus. Zc 12.10 fala do espírito de súplicas que será derramado sobre a casa de Davi, e prantearão pelo que fizeram a Cristo na sua primeira vinda. Vários textos bíblicos da profecia indicam essa conversão e renovação (Zc 13.9; Ez 36.24-31; Is 25.9; Rm 11.26). Todas estas passagens mostram que os judeus sobreviventes daqueles dias serão leais a Cristo, aceitando-o como o Messias. Porém, haverá, também, muitos judeus rebeldes os quais sofrerão o juízo de Cristo (Ez 20.33-38; Ml 3.1-5).

2. A prisão de Satanás (Ap 20.1-3). Antes que o Senhor instale o seu reino milenial, Satanás será preso por mil anos com todos os seus anjos, e assim não estarão livres para tentar as criaturas nos dias do reino milenial de Cristo.

 

III. O REI JESUS

 

Será um período de completa manifestação da glória de Cristo no Seu domínio, governo, justiça e reino (Is 9.6; Sl 45.4; Is 11.4; Sl 72.4; Dt 18.18,19; Is 33.21,22; At 3.22).

Vários são os títulos e nomes de Cristo no Milênio. Ele é chamado: o Renovo (Is 4.2; 11.1; Jr 23.5; 33.15; Zc 3.8,9; 6.12,13); Senhor dos Exércitos (Is 24.23; 44.6); o Ancião de dias (Dn 7.13); o Altíssimo (Dn 7.22-24); o Filho de Deus (Is 9.6; Dn 3.25); o Rei (Is 33.17,22; 44.6; Dn 2.44); o Juiz (Is 11.3,4; 16.5; 33.22; 51.4,5); o Messias Príncipe (Dn 9.25,26). Muitos outros títulos destacam as atividades do Rei Jesus.

 

IV. CARACTERÍSTICAS DO REINO MILENIAL

 

1. Justiça. Somente os justos serão admitidos no reino (Mt 25.37; Is 60.21; 26.2). A justiça será sinônimo do Messias (Ml 4.2; Is 46.13; 51.5).

2. Obediência. Foi o propósito original de Deus na criação do mundo o estabelecimento de um princípio de obediência completa e voluntária a Deus. A árvore da vida foi colocada no Éden como uma prova de obediência (Gn 2.16,17). Diz a Bíblia que Deus sujeitou todas as coisas Àquele que é o Senhor (Ef 1.22).

3. Conhecimento universal de Deus (Is 11.9; Jr 3134). O conhecimento estará disseminado e determinado em toda a Terra. Na verdade, todas as pessoas terão conceitos corretos sobre Deus, porque o mal estará detido naquele tempo.

4. Paz e prosperidade (Is 2.4; 35.1,2). A maldição do pecado estará detida, sem poder de alastramento. A paz será universal porque a sua base será a justiça do Messias.

5. Longevidade (Is 65.20,21,22; 33.24). Uma vez que o mal estará detido, a vida física dos habitantes da Terra naqueles dias não sofrerá tanto como hoje. E verdade que as pessoas não estarão isentas da morte. Mas viverão muito mais.

 

V. FINAL DO MILÊNIO

 

1. A soltura de Satanás e seus anjos. Vemos uma descrição na Terra que mostra o fim do período milenial (Ap 20.2,3,7-9). A razão pela qual Satanás será solto é discernida pela sua atividade no tempo de sua soltura. Ele sairá para enganar as nações e promover sua última batalha contra o povo de Deus.

2. Gogue e Magogue (Ap 20.8). Esses dois nomes referem-se aos inimigos de Israel. Podem representar dois tipos de inimigos: povos vindos do Norte; e, também, povos em geral. O que prevalece mais fortemente é a representação de povos vindos do norte. Na verdade, a batalha não será muito extensa, porque haverá a intervenção divina.

 

VI. PÓS-MILÊNIO

 

Todos esses fatos conduzem ao Grande Trono Branco, que é o Juízo Final (Ap 20.11), símbolo do poder de Deus para executar a justiça. Jesus será o Juiz (At 17.31; Jo 5.22,27). Diante do Supremo Juiz, todos haveremos de comparecer. Os perdidos não escaparão ao Lago de Fogo (Ap 19.20; 20.10,14,15; 21.8). O Lago de Fogo é um lugar, e não um conceito, uma idéia ou estado mental.

 

CONCLUSÃO

 

Na segunda fase de Sua vinda em glória (visível em todo o mundo), Cristo vai julgar as nações (Juízo das Nações) e inaugurar o Milênio, a gloriosa era de paz a ser implantada na Terra. Seguindo-se o Grande Trono Branco, o Juízo Final, ocasião em que somente haverá dois destinos: a morte eterna ou a vida eterna. Os crentes em Jesus estarão livres de qualquer condenação e irão desfrutar da eternidade.

 

VOCABULÁRIO

 

Vindicação: Ato ou efeito de vindicar; reclamar.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Depois de quais eventos acontecerá o Milênio?

R. Depois da Grande Tribulação e da vinda de Cristo em glória.

 

2. O Milênio será a completa manifestação de que?

R. Da glória de Cristo no Seu domínio, governo, justiça e reino.

 

3. Quais serão as características do Milênio?

R. Justiça, obediência, conhecimento universal de Deus, paz e prosperidade e longevidade.

 

4. Quem será solto no fim do Milênio?

R. Satanás e seus anjos.

 

5. Qual o grande evento que acontecerá após o Milênio?

R. Grande Trono Branco, o Juízo Final

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

“O Apocalipse não oferece nenhum pormenor do Milênio, provavelmente porque as profecias anteriores já sejam suficientes. Depois dos mil anos, Satanás será solto, provavelmente para levar a uma vindicação final da justiça de Deus. Isto é: embora as pessoas tenham experienciado o governo maravilhoso de Cristo, parece que seguirão a Satanás na primeira oportunidade que se lhes ofereça. Assim fica demonstrado que, com ou sem conhecimento de como é o reino de Cristo, os inconversos se rebelam. Na Sua justiça, Deus nada mais poderá fazer senão separá-los eternamente das suas bênçãos. Satanás, o grande enganador, também engana a si mesmo, a ponto de acreditar que ainda conseguirá derrotar a Deus. Mas sua derradeira tentativa fracassará. Nunca mais haverá rebelião contra Deus e o seu amor”. (Teologia Sistemática, CPAD)

 

 

 

Subsídio Teológico

 

“O apóstolo Paulo tinha um grande amor pelo povo de Israel, que então rejeitara o Evangelho. Estava disposto a desistir da própria salvação eterna, se isto garantisse a salvação deles (Rm 9.1 -5). Ele sabia que isso seria impossível, mas demonstra o quanto os amava. E pergunta, em Romanos 11.1: ‘Porventura, rejeitou Deus o seu povo?’ Ele mesmo responde: ‘De modo nenhum!’ (no grego, me genoito). Deus jamais permitirá que isso aconteça. Está claro que Deus não rejeitou o seu povo! E o contexto mostra que a Bíblia está falando de um Israel literal, e que Deus não alterou suas promessas.

“Lembremo-nos, ainda, que os 12 apóstolos julgarão, ou governarão, as 12 tribos de Israel (Mt 19.28; Lc 22.30). Isso requer uma restauração literal de Israel. Não há como a Igreja possa vir a ser dividida em 12 tribos.

“Assim, a visão pré-milenista é a única que permite a restauração de Israel como nação e o cumprimento literal das profecias de paz e bênção que Isaías e outros profetas previram.” (Doutrinas Bíblicas, CPAD)

 

 

 

Subsídio Devocional

 

“À medida que a eternidade for ‘passando’, conheceremos mais e mais da sabedoria e do poder insondáveis de Deus. As infinitas belezas celestiais irreveladas começarão a ser conhecidas. ‘Mas como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam’ (1 Co 2.9). Os maravilhosos e profundos mistérios de Deus começarão a ser conhecidos. 1 Coríntios 4.5 diz: ‘Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à luz as cousas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor’. Esta é uma das razões por que Jesus vem revelar e explicar os grandes segredos que hoje tanto nos intrigam, mas que nossa mente não os alcançaria se hoje fossem revelados.

“Os salvos oriundos do Milênio viverão para sempre na terra, mediante a árvore da vida (Ap 22.2), não mediante a ressurreição, nem porque passaram do estado mortal para o imortal.

“Jesus, em sua forma humana, pessoal, a qual jamais deixará, estará eternamente associado ao Pai na regência do Universo, conforme a promessa divina feita a Davi: ‘Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino’. ‘Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti: o teu trono será estabelecido para sempre’(2 Sm 7.13,15). ‘Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai’. ‘Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim’ (Lc 1.32.33). ‘O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos’ (Ap 11.15).” (O Calendário da Profecia, CPAD)

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net