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lições CPAD etica cristã 3 trim-2002
lições CPAD etica cristã 3 trim-2002

                                                         Lições Bíblicas CPAD

                                                 Jovens e Adultos  

                                             3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima 

Lição 1: A ética cristã face a ética dos homens

Data: 7 de Julho de 2002 

TEXTO ÁUREO 

De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem(Ec 12.13).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O cristão, como sal da terra e luz do mundo, não só deve ser diferente, mas seu comportamento como cristão deve ser um referencial para a sociedade.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Mt 5.20

O crente e a justiça

 

 

 

Terça - Mt 5.28

O crente e o pensamento

 

 

 

Quarta - Mt 5.37

O crente e o falar

 

 

 

Quinta - Mt 7.12

O crente e a lei áurea

 

 

 

Sexta - Mt 18.22

O crente e o perdão

 

 

 

Sábado - Mt 7.1

O crente e o julgamento

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 14.22,23; 1 Coríntios 10.1-12,23,31,32.

 

Romanos 14

22 - Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova.

23 - Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.

 

1 Coríntios 10

1 - Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem; e todos passaram pelo mar,

2 - e todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar,

3 - e todos comeram de um mesmo manjar espiritual,

4 - e beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.

5 - Mas Deus não se agradou da maior parte deles, pelo que foram prostrados no deserto.

6 - E essas coisas foram-nos feitas em figura para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.

7 - Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber e levantou-se para folgar.

8 - E não nos prostituamos, como alguns deles fizeram e caíram num só dia vinte e três mil.

9 - E não tentemos a Cristo, como alguns deles também tentaram e pereceram pelas serpentes.

10 - E não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor.

11 - Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.

12 - Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe para que não caia.

23 - Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.

31 - Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.

32 - Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus.

 

PONTO DE CONTATO

 

As lições desse trimestre colocam em pauta temas pertinentes tanto à sociedade em geral como aos cristãos de modo particular. Argua seus alunos informalmente sobre o significado de ética. O que entendem por comportamento ético? Como a ética pode ser aplicada ao cotidiano? Peça-lhes para descrever características do que consideram atitudes antiéticas. Não espere deles definições científicas. Explore todas as possibilidades expressadas em suas respostas. Não se preocupe em tratar o assunto como uma questão fechada. Conduzi-los à reflexão deve ser o ponto alto desta lição.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir e conceituar a ética como ciência secular e a ética cristã.
  • Reconhecer a Palavra de Deus como o maior e melhor referencial ético do mundo.
  • Destacar que a ética cristã deve ser fundamentada no conhecimento de Deus como revelado na Bíblia.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Como investigadora da conduta ideal, a ética propõe questões que avaliam os passos do homem apreciadas do ponto de vista do bem e do mal.

Sendo assim, seu estudo foge do âmbito estritamente humano e passa a ser motivo de aferição fundamentada na Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada que não muda ao sabor das circunstâncias.

Ética é uma questão pessoal ou coletiva? Quais as implicações decorrentes do comportamento antiético para a igreja local, para a comunidade onde ela está inserida e para a comunidade cristã como um todo? É possível ser ético sem afastar-se do convívio com não crentes? Isolar-se seria uma solução? A não observação dos preceitos éticos é a mesma coisa que pecar?

Se fosse possível reduzir o conceito de ética, a máxima poderia ser: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós...” (Mateus 7.12).

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Prepare-se convenientemente para as próximas lições! Como você pode constatar, os temas deste trimestre não são fáceis. Portanto, não perca tempo, pesquise o máximo que puder. Visite uma boa biblioteca. Estude com afinco todos os dias da semana. Observe os seguintes princípios:

1. Preparar cada lição, estudando-a como assunto novo, mesmo que este lhe pareça conhecido.

2. Estudar bem a lição até que o assunto se torne bem conhecido e bem claro.

3. Estudar bem o assunto até que a lição se desenvolva em uma sequência lógica.

4. Ao preparar a lição, procurar relacionar cada parte dela às necessidades dos alunos.

5. Usar métodos e materiais adequados.

6. Planejar tudo de modo que todos os alunos participem.

7. Ter alvos específicos: sabendo o que seus alunos devem sentir, saber, e fazer como resultado do estudo desta lição.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Entender o que é certo e o que é errado, num mundo em que estão invertidos os valores morais gravados por Deus na consciência do ser humano e ao mesmo tempo exarados no Livro do Senhor, não é tarefa fácil. Graças a Deus, temos o maior e melhor referencial ético que o mundo já conheceu: a Palavra de Deus. Ela é lâmpada e luz divinas, tanto para nosso ser interior como para nosso viver exterior. Neste trimestre, apresentaremos uma visão panorâmica da Ética partindo do ponto de vista bíblico sobre o qual o cristianismo fundamenta seus valores. Esperamos contribuir para o entendimento do assunto, tecendo considerações sobre alguns casos éticos típicos, considerando o limitado espaço dos comentários que não permite uma abordagem mais ampla.

 

I. CONCEITUAÇÃO E DEFINIÇÕES

 

1. Ética como ciência secular. A Ética é um aspecto da filosofia. A Filosofia está segmentada em seis sistemas tradicionais: Política, Lógica, Gnosiologia, Estética, Metafísica e Ética que é o objeto de estudo de Lições Bíblicas neste trimestre.

Para compreendermos melhor o sentido de Ética, vejamos, de forma sintética, em que se constituem os outros aspectos aos quais ela está agregada no contexto filosófico.

Dentre suas muitas acepções, filosofia é o saber a respeito das coisas, a direção ou orientação para o mundo e para a vida e, finalmente, consiste em especulações acerca da forma ideal de vida. Em suma, é a história das ideias. Tudo isto sob a ética humana. Precisamos aferir o pensamento humano com os ditames da Palavra de Deus que são terminantes, peremptórias, finais. O homem, seja ele quem for, é criatura, mas Deus é o Criador (Os 11.9; Nm 23.19; Rm 1.25; Jó 38.4).

Todos os campos de pensamento e de atividades têm suas respectivas filosofias. Há uma filosofia da biologia, da educação, da religião, da sociologia, da medicina, da história, da ciência etc. Consideremos entretanto, os seis sistemas acima mencionados que foram sistematizados por três antigos pensadores: Sócrates, Platão e Aristóteles.

a) Política — Este vocábulo vem do grego polis e significa “cidade”. A política procura determinar a conduta ideal do Estado, pelo que seria uma ética social. Ela procura definir quais são o caráter, a natureza e os alvos do governo. Trata-se do estudo do governo ideal.

b) Lógica — É um sistema que aborda os princípios do raciocínio, suas capacidades, seus erros e suas maneiras exatas de expressão. Trata-se de uma ciência normativa, que investiga os princípios do raciocínio válido e das inferências corretas quer seja partindo da lógica dedutiva quer seja da indutiva.

c) Gnosiologia — É a disciplina que estuda o conhecimento em sua natureza, origem, limites, possibilidades, métodos, objetos e objetivos.

d) Estética — É empregada para designar a filosofia das belas-artes: a música, a escultura e a pintura. Esse sistema procura definir qual seja o propósito ou ideal orientador das artes, apresentando descrições da atividade que apontam para certos alvos.

e) Metafísica — Refere-se a considerações e especulações concernentes a entidades, agências e causas não materiais. Aborda assuntos como Deus, a alma, o livre arbítrio, o destino, a liberdade, a imortalidade, o problema do mal etc.

f) Ética — É a investigação no campo da conduta ideal, bem como sobre as regras e teorias que a governam. A ética, o homem distanciado de Deus por sua incredulidade e seus pecados, a estuda, entende e até se propõe a observá-la, mas não consegue, por estar subjugado pelo seu eu, pelos vícios, pelo mundo, pelo pecado (Rm 2.15-19). Já os servos de Deus, pelo Espírito Santo que neles habita, triunfam sobre o pecado (Rm 8.2).

Existem inúmeros argumentos e considerações acerca deste tema, que será tratado aqui do ponto de vista da ética bíblica a qual expõe Deus como fundamento e alvo da conduta ideal.

2. Origem da palavra. Ética vem do grego, ethos, que significa “costume”, “disposição”, “hábito”. No latim, vem de mos(mores), com o sentido de vontade, costume, uso, regra.

3. Definição. Ética é, na prática, a conduta ideal e reta esperada de cada indivíduo. Na teoria, é o estudo dos deveres do indivíduo, isolado ou em grupo, visando a exata conceituação do que é certo e do que é errado. Reiterando, Ética Cristã é o conjunto de regras de conduta, para o cristão, tendo por fundamento a Palavra de Deus. Para nós, crentes em Jesus, o certo e o errado devem ter como base a Bíblia Sagrada, a nossa “regra de fé e prática”.

O termo ética, ethos, aparece várias vezes no Novo Testamento, significando conduta, comportamento, porte e compostura (habituais).

A ética cristã deve ser fundamentada no conhecimento de Deus como revelado na Bíblia, principalmente nos ensinos de Cristo, de modo que “...ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15; Ef 2.10).

 

II. VISÃO GERAL DA ÉTICA SECULAR E DA ÉTICA CRISTÃ

 

1. Antinomismo. Esse ensino errôneo é humanista e secular. Tudo depende das pessoas, e das circunstâncias. O filósofo incrédulo e existencialista Jean Paul Sartre, um dos seus promotores, afirma que o homem é plenamente livre. Num dos seus textos, ele escreve: “Eu sou minha liberdade; eu sou minha própria lei”.

a) Posicionamento cristão. Esta teoria não serve para o cristão. Nela, o homem se faz seu próprio deus. A Bíblia diz: “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Pv 14.12). “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem” (Ec 12.13). O antinomismo é relativista, isto é, cada um age como quiser. É o que ocorria com o povo de Israel quando estava desviado, sem líder e sem pastor (Jz 17.6 e 21.25).

2. Generalismo. Essa falsa doutrina prega que devem haver normas gerais de conduta, mas não universais. A conduta de alguém para ser chamada de certa ou errada depende de seus resultados. É o que ensinava, no século XV, o descrente, político e filósofo italiano Nicolau Maquiavel: “Os fins justificam os meios”.

a) Posicionamento cristão. O generalismo não se coaduna com a ética cristã, pois, para o crente em Jesus, não são os fins, nem os meios, que indicam se uma conduta ou ação é certa ou errada. A Palavra de Deus é que é a regra absoluta que define se um ato é certo ou errado. Ela tem aplicação universal. O dever de todo homem é temer a Deus e guardar seus mandamentos (Ec 12.13). A Palavra de Deus não muda de acordo com as circunstâncias, os meios ou os resultados. Deus vela para a cumprir (Jr 1.12b; Mc 13.31).

Há outras modalidades, formas e expressões da ética secularista, como o situacionismo, o absolutismo e o hierarquismo, mas nada disso se coaduna ou se enquadra na ética bíblica, tanto a declarativa, como a tipológica e a ilustrativa. Estamos mencionando estas formas aqui porque o mundo fala muito nelas, mas não as cumpre.

O cristão ortodoxo na sua fé, e fiel ao seu Senhor, terá sempre no manancial da Palavra de Deus tudo o que carece sobre a ética, na sua expressão prática em forma de conduta, compostura, costumes, usos, hábitos e práticas diuturnas da nossa vida para agradar a Deus e dar bom testemunho dEle diante dos homens.

 

CONCLUSÃO

 

As abordagens éticas humanas são todas contraditórias. Como seus autores, humanos e falhos. Uma, como vimos, procura suprir as deficiências das outras. As abordagens éticas conflitam entre si, deixando um rastro de dúvida e confusão em sua aplicação. Por isso, devemos ficar com a Palavra de Deus, que não confunde o crente, nem pode ser deixada de lado ao sabor dos meios, dos fins ou das situações. A Palavra de Deus satisfaz plenamente.

 

VOCABULÁRIO

 

Absolutista: Dominador, tirânica, despótica.
Circunstância: Situação, estado ou condição de coisa(s) ou pessoa(s), em determinado momento.
Coadunar: Juntar, incorporar, reunir; conformar, combinar.
Estética: Tradicionalmente, estudo racional do belo, quer quanto à possibilidade da sua conceituação, quer quanto à diversidade de emoções e sentimentos que ele suscita no homem.
Gnosiologia: Conhecimento, sabedoria.
Induzir: Causar, inspirar, incutir; inferir, incitar, sugerir, persuadir.
Lógica: Conjunto de estudos que visam a determinar os processos intelectuais que são condição geral do conhecimento verdadeiro.
Metafísica: Filosofia, ou parte da filosofia, cujo objetivo é a investigação da realidade última das coisas. Seu ramo de estudo é a essência do ser. É o estudo do ser enquanto ser. A Metafísica é também conhecida como Filosofia Primeira.
Radicalista: Doutrina ou comportamento dos que visam a combater pela raiz as anomalias sociais mediante a implantação de reformas absolutas.
Subjetivista: Tendência a reduzir toda a existência à existência do pensamento em geral; idealismo subjetivo.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

COUTO, G. A Transparência da Vida Cristã. CPAD.
CABRAL, E. A Síndrome do Canto do Galo: Consciência Cristã. Um Desafio à Ética dos Tempos Modernos. CPAD.
HOLMES, A. F. Ética: As Decisões Morais à Luz da Bíblia. CPAD.
PALMER, M. D. (ed.) Panorama do Pensamento Cristão. CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual a origem da palavra ética?

R. Ética vem do grego, ethos, que significa costume, disposição, hábito.

 

2. De acordo com a lição, o que é Ética Cristã?

R. É o conjunto de regras de conduta, aceitas pelos cristãos, tendo por fundamento a Palavra de Deus.

 

3. Como se pode resumir o Antinomismo?

R. É a ausência de normas.

 

4. O que se deve levar em conta no Generalismo?

R. Os resultados absolutos.

 

5. Cite outras modalidades da ética secularista.

R. Situacionismo, absolutismo e hierarquismo.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Princípios morais, que são os mais abrangentes e importantes conceitos éticos, não se aplicam a algumas atividades, mas a todas.

São, portanto, princípios sem exceção, que não cedem a qualquer tipo de conveniência. ‘Que é o que o Senhor pede de ti... senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?’ (Mq 6.8). Nunca estamos dispensados de agir em justiça e amor.

Observe esses dois princípios neste contexto. Ambos se referem a pessoas, à maneira justa de tratá-las, e interesse em seu bem (bem mais elevado, e não apenas alegria ou sucesso na vida). ‘O Senhor faz... justiça a todos os oprimidos’ (Sl 103.6) e devemos fazê-lo também. Leis justas, governo justo, economia justa, preços justos, salários justos, relações equânimes entre marido e mulher fiéis um ao outro, relação pacífica equânime também entre as nações deste mundo. Devem ser esses os nossos conceitos, pois procedem de Deus (Is 9.2-7; 11.1-5). A justiça é um princípio distributivo que trata igualmente as pessoas” (Ética: As Decisões Morais à Luz da Bíblia. CPAD, pág.60).

 

“A relevância do sal e da luz pode ser notada pelos efeitos que exercem. Se o sal for insípido, perderá totalmente o seu valor. Se a luz estiver apagada ou escondida, nenhum benefício trará ao ambiente. Partindo desse pressuposto, há três aspectos em que se espera a valorização da relevância cristã.

O primeiro é pelo exemplo. Atitudes falam mais alto do que mil palavras. Quando o nosso comportamento não condiz com o que falamos, de nada adianta eloquência e verbosidade, porque o que fica é a marca do que fazemos. As palavras vão ao vento, mas os traços do nosso exemplo, bom ou ruim, permanecem. A falta de lisura e nitidez em nossas ações leva-nos à perda da credibilidade naquilo que propomos e à consequente ausência de relevância do ponto de vista da fé. Foi o testemunho de Eliseu que permitiu à sunamita identificá-lo como homem de Deus.

Nossos atos podem ser positivos ou negativos e sempre terão influência para o bem ou para o mal. Quanto mais a nossa vida é exposta ao público, os rastros de nossas ações terão número cada vez mais considerável de seguidores, que, em muitos casos, não questionarão o que fazemos, mas simplesmente copiarão o nosso modelo tal é a força do exemplo” (A Transparência da Vida Cristã. CPAD, pp.51,52).

 

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 2: A ética cristã e os dez mandamentos

Data: 14 de Julho de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido” (Mt 5.17,18).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Jesus não cancelou os dez mandamentos. Em sua doutrina, Ele deu-lhes um caráter notadamente espiritual e abrangente, valorizando mais o interior do homem, sem desmerecer seu exterior.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Dt 4.6

Sabedoria nos mandamentos

 

 

 

Terça - Ec 12.13

O dever de todo homem

 

 

 

Quarta - Dt 4.1

Cumprir a lei do Senhor para viver

 

 

 

Quinta - Rm 7.12

A lei é santa e boa

 

 

 

Sexta - Rm 13.9

Amar — o resumo da lei

 

 

 

Sábado - Tg 4.11

Juiz da lei. Julgando a lei sem cumpri-la

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 5.17-21.

 

17 - Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.

18 - Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.

19 - Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.

20 - Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.

21 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo.

 

PONTO DE CONTATO

 

Interagir é sempre um bom começo para iniciar um bate-papo, uma conversa franca, uma aula. Discuta com seus alunos os conceitos de essência e aparênciainterior e exteriorperecível e perenaltransitório e eterno. Relacione as características de cada termo e observe quais têm vida de curta, média e longa duração. Busque na Bíblia exemplos de pessoas que valorizaram o efêmero em detrimento do permanente e sofreram depois porque perderam a bênção de Deus. Exemplos: Ló, Sansão, Esaú, o jovem rico e Judas. Reflita com eles sobre a dificuldade que muitos enfrentam ainda hoje em permanecer fiéis aos votos, compromissos e vontade divina. Aos olhos de Deus todo erro é condenável. O orgulhoso é tão pecador quanto o assassino. Aliás, essa foi a razão da queda de Lúcifer.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Comparar a ética divina exarada no Decálogo com os ensinamentos de Cristo expostos no Sermão do Monte.
  • Diferençar a ética de Cristo da do Antigo Testamento acerca de diversos comportamentos humanos.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Se o estudo da ética está subordinado à apreciação da conduta humana, ele é, acima de tudo, uma observação do exercício da vida diária, da prática do que é justo e reto movido pela obediência às Escrituras. Não pense que os dez mandamentos foram abolidos com a chegada do Evangelho. Ao contrário, a ética cristã está baseada no Decálogo, coroada pelo amor e graça de Deus. Jesus é a expressão máxima de inauguração deste novo procedimento ao lançar o foco de atenção para o interior do homem, buscando nele o que poderia haver de mais precioso, um coração puro. Quando isto não era possível, Ele mesmo operava o milagre da regeneração cumprindo a razão única de sua manifestação em carne: “Eu vim para que tenham vida...”.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Pontos importantes a serem considerados pelo professor: Cative a atenção do seu aluno! Faça-o agir!

Será que, ao ensinar, Jesus usou técnicas especiais para conseguir a atenção de seus ouvintes? A atenção não é o elemento principal da comunicação, mas é o veículo que transporta a mensagem da lição, dos celeiros do professor para a terra fértil da mente do aluno.

A lição pode ser ótima; o texto, muito bem escrito; os recursos visuais, variados; o conteúdo, centrado nas Escrituras; o objetivo pode estar bem definido de modo que todos vislumbrem o resultado. Entretanto, se a lição não sair do papel e penetrar no consciente do aluno, motivando-o a agir, pode-se dizer que quase nada foi feito em relação a educação cristã relevante.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Decálogo: Os Dez Mandamentos revelados por Deus, por meio de Moisés. Os primeiros cinco dizem respeito aos deveres do homem para com o Senhor; os outros cinco, do homem para com o semelhante.

 

Jesus declarou enfaticamente no Sermão do Monte que não veio descumprir a lei e, sim, cumpri-la, e o fez, de forma plena em relação ao que o povo de Israel praticava na antiga aliança. Assim, podemos ver que a ética cristã tem por base o decálogo, no que concerne a seu aspecto espiritual e moral, e posta em prática através do amor e da graça de Deus. A ética procedente dos dez mandamentos tem seu apogeu na ética cristã, no ensino e na vida de Cristo, como nos mostram os Evangelhos.

 

I. JESUS VALORIZOU OS DEZ MANDAMENTOS

 

1. Uma questão fundamental. Um jovem judeu aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: “Bom Mestre, que farei para conseguir a vida eterna?” (Mt 19.16). A pergunta do rapaz reflete o desejo consciente ou inconsciente de todas as pessoas. O jovem pensava que podia fazer por si mesmo alguma coisa, alguma boa obra, para assim, ser salvo. E entendia que a salvação dependia de seu esforço pessoal.

2. A resposta inquietadora de Jesus. Deixando de lado o lisonjeiro tratamento do jovem, Jesus lhe respondeu: “Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mt 19.17). Jesus sabia que estava diante de um moço educado sob as regras éticas do judaísmo, em que a prática de atos exteriores era mais importante do que o ser e o sentir espiritual; o formal era mais valioso do que o real; o exterior era mais valioso do que o interior.

3. A guarda dos mandamentos. Indagado pelo jovem sobre quais mandamentos para se entrar na vida, Jesus disse: “Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 19.18,19). O moço disse que cumpria tudo desde a sua mocidade. Jesus, conhecendo seu coração, lhe ordenou que vendesse o que tinha para dar aos pobres. Diante desse mandato, o jovem saiu triste e decepcionado. O moço não era um tão terrível pecador, mas não estava disposto a abrir mão da sua fortuna para cumprir o “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Jesus começou por Êxodo 20.13 e terminou com Levítico 19.18. À luz da ética cristã, o que importa não é só o não fazer, mas o praticar o que é justo e reto, movido pelo amor e de acordo com a vontade de Deus.

4. O cumprimento da lei. No Sermão da Montanha, Jesus foi categórico, ao afirmar que não veio para revogar a lei, mas para cumpri-la (Mt 5.17-19). Com tal expressão, Jesus quis mostrar que, não obstante ter Ele instaurado uma nova aliança, o essencial do decálogo não estava ab-rogado. Tão somente, Ele trouxe uma nova maneira de cumprir a Lei, valorizando o interior, muito mais do que o exterior. Tal entendimento é fundamental para a consistência e solidez da ética cristã.

 

II. UM NOVO SENTIDO PARA O DECÁLOGO

 

1. “Não matarás” (Êx 20.13).

a) No Antigo Testamento. O sexto mandamento da Lei de Moisés proibia tirar a vida de uma pessoa. Em Mateus 5.21, Jesus disse: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo”. O matar em Êxodo 20.13 refere-se, no original, a matar de modo premeditado, deliberado e doloso.

b) Na ética de Cristo. “Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio! e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno” (Mt 5.21,22). Na ética de Cristo, a prevenção é mais importante que a correção. Ele condena, não apenas o ato de matar, mas as causas que levaram ao crime: a ira, a cólera e a agressão verbal, entre outras. No Antigo Testamento, só era condenado quem matasse. No Novo, é condenado quem se encoleriza ou maltrata seu irmão. Veremos outras implicações éticas em lições posteriores. A reconciliação é o remédio para a ira (vv.22-26).

2. “Não adulterarás” (Êx 20.14; Dt 5.18). O sétimo mandamento visava valorizar e proteger a família e o casamento, livrando-o dos males funestos e destruidores da infidelidade conjugal, bem como defender a pureza sexual.

a) No Antigo Testamento. “Ouviste o que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério” (Mt 5.27). O adultério só era realmente condenado se ocorresse a conjunção carnal.

b) Na ética de Cristo. “Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5.28). A exigência agora é muito maior, porque parte dos motivos, e não apenas do ato. Cristo não apenas condena o ato, mas os pensamentos impuros, as fantasias sexuais, envolvendo uma pessoa que não é o cônjuge do transgressor. É condenado o “adultério mental”. O décimo mandamento abrange esse pecado (Êx 20.17 e Dt 5.21).

3. O divórcio (Dt 24.1). O homem podia desquitar-se ou divorciar-se de sua esposa por motivos os mais diversos, mesmo que não houvesse infidelidade.

a) No Antigo Testamento. “Também foi dito: qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite” (Mt 5.31). O marido podia repudiar sua mulher, caso não achasse “graça em seus olhos”, ou por “achar nela coisa feia”, e a mandava embora de casa.

b) Na ética de Cristo. “Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério” (Mt 5.32). Na vigência da Lei, o homem podia deixar sua mulher “por qualquer motivo” (Mt 19.3); a partir de Cristo, só a infidelidade (em suas diversas formas) justifica a separação, caso não haja perdão do cônjuge ofendido. Em nossos tempos, tal caso piora em relação à mulher como transgressora, como se o homem não fosse igualmente transgressor.

4. Não tomar o nome do Senhor em vão (Êx 20.7 e Lv 19.12). Era o terceiro mandamento, que proibia o homem jurar falsamente em nome do Senhor.

a) No Antigo Testamento. “Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor” (Mt 5.33).

b) Na ética de Cristo. “Eu, porém, vos digo que, de maneira nenhuma, jureis nem pelo céu, porque é o trono de Deus, nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei, nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mt 5.34-37). Com Cristo, a integridade no falar é mais importante do que fazer juramentos formais.

5. Olho por olho, e dente por dente (Êx 21.24). A “pena de Talião” funcionava no Antigo Testamento.

a) No Antigo Testamento. “Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente” (Mt 5.38).

b) Ética de Cristo. “Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a vestimenta, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas” (Mt 5.39-41). A conduta cristã é, no Novo Testamento, mais exigente do que era no Antigo. Dar a outra face a quem lhe bater, mesmo no sentido figurado, não é comportamento comum ou fácil de praticar, mesmo pelo mais santo dos crentes. Só com a graça de Deus e o poder do Espírito Santo é possível cumprir esse preceito ético. Isso ocorre com frequência em tempos de perseguição à Igreja. Numa época como a atual em que há um endeusamento dos direitos humanos, um crente precisa ter um acurado discernimento espiritual se vier a perseguição.

6. O amor ao próximo. A Lei mandava amar o próximo (Lv 19.18b). Mas os religiosos acrescentavam à Lei: “Aborrecerás o teu inimigo”; algo que Deus nunca ordenou.

a) No Antigo Testamento. “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo” (Mt 5.43). O “próximo” eram só os judeus, suas famílias e suas autoridades; o “inimigo”, os gentios.

b) Na ética de Cristo. “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt 5.44,45). Esta visão engrandece o conceito do amor, sendo também um verdadeiro teste para o cristão em todos os tempos. O Mestre não admite o sentimento do ódio, nem mesmo a um inimigo. Deus ama a todos (Jo 3.16); devemos fazê-lo também para sermos seus filhos. Ver 1 Pe 2.23.

 

CONCLUSÃO

 

Nesta lição, vemos que os princípios espirituais e morais do Decálogo integram-se às leis do reino de Cristo, expostas no Sermão do Monte. Os antigos cumpriam os mandamentos e estatutos, em Israel, de modo formal e frio; se, para os homicidas havia condenação, os que odiavam ficavam impunes. Contudo, Jesus deu aos mandamentos um sentido muito mais elevado, aprofundando e ampliando o seu entendimento, tornando-os instrumentos da justiça, bondade e amor de Deus.

 

VOCABULÁRIO

 

Ab-rogar: Pôr em desuso; anular, suprimir, revogar, derrogar.
Categórico: Claro, explícito, positivo.
Escabelo: Banco pequeno para descanso dos pés.
Funesto: Que fere mortalmente; fatal, mortal; danoso, nocivo, ruinoso.
Incisivo: Decisivo, pronto, direto, sem rodeios.
Lisonjeiro: lisonjear servilmente, adulador, bajulador.
Revogar: Tornar nulo, sem efeito; anular, invalidar.
Sinédrio: Supremo tribunal dos judeus, formado por sacerdotes, anciãos e escribas — julgava os atos criminosos e administrativos, referentes às tribos ou a cidades, até a destruição de Jerusalém em 70 d.C. Ocupava-se, também, da religião prática: o cuidado com o Templo e a investigação dos direitos dos mestres religiosos.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

COUTO, G. A Transparência da Vida Cristã. CPAD.
HOLMES, A. F. Ética: As Decisões Morais à Luz da Bíblia. CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Que resposta Jesus deu ao jovem que desejava a vida eterna?

R. “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos”.

 

2. Como sumário, qual era a expressão máxima da lei?

R. O Decálogo.

 

3. Cite a diferença entre a ética de Cristo e a do Antigo Testamento, em relação ao adultério.

R. Cristo condena não apenas o ato, mas o próprio pensamento pecaminoso: o “adultério mental”.

 

4. Com relação ao amor ao próximo, o que Cristo ensinou?

R. Ele mondou amar não só o próximo, mas até aos inimigos.

 

5. Em caso de divórcio, o que justificaria um novo casamento?

R. A infidelidade conjugal.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Assim, todas as normas cerimoniais, morais ou cívicas da lei mosaica, apesar do seu caráter local e transitório, não cabendo à igreja observá-las na realidade cultural contemporânea, foram embasadas nos princípios de caráter explicitamente moral e espiritual que aparecem na mesma lei, cuja universalidade está clara nas Escrituras. São válidas para ‘todas as pessoas, em todas as épocas e em todos os lugares’. São esses princípios que o Senhor reitera no Sermão do Monte e declara de maneira contundente a sua importância como marco distintivo do Reino de Deus. São referenciais permanentes e imutáveis que se aplicam em qualquer cultura e expressam não só o padrão de santidade exigido por Deus, mas também o tipo de reação que se espera do crente diante das diferentes circunstâncias da vida” (A Transparência da Vida Cristã. CPAD, p.71).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 3: O cristão e a guerra

Data: 21 de Julho de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Ele” (Rm 13.1).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O cristão tem dupla cidadania: a terrena e a celestial. Assim, deve cumprir os deveres do Estado dando a César o que é de César, e cumprir os preceitos de Deus dando-lhe o que é devido.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 1 Sm 16.1b

Um rei provido por Deus

 

 

 

Terça - Dn 2.47

Deus domina os reinos

 

 

 

Quarta - Mt 22.21

A Deus o que é de Deus

 

 

 

Quinta - Jo 19.11

De Deus vem a autoridade

 

 

 

Sexta - 1 Tm 2.2

Orando pelas autoridades

 

 

 

Sábado - Êx 20.13

“Não matarás”

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Êxodo 15.3; Números 31.3; Romanos 13.1-5.

 

Êxodo 15

3 - O Senhor é varão de guerra; o Senhor é o seu nome.

 

Números 31

3 - Falou, pois, Moisés ao povo, dizendo: Armem-se alguns de vós para a guerra e saiam contra os midianitas, para fazer a vingança do Senhor nos midianitas.

 

Romanos 13

1 - Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.

2 - Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.

3 - Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela.

4 - Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal.

5 - Portanto,é necessário que lhe estejais sujeitos, nãosomentepelocastigo,mas também pela consciência.

 

PONTO DE CONTATO

 

Conceitue, com a colaboração de seus alunos, a palavra orgulho. Anote, se possível em um quadro, descrições que sugiram um indivíduo orgulhoso. Em seguida, peça que cada um faça breve relato de como ele se imagina. Compare com as descrições. Todos ficarão surpresos. “Nós somos a soma do que pensamos ser, mais aquilo que os outros pensam de nós”.

Qual a origem das guerras? Orgulho ferido ou exacerbado talvez. O que desencadeia uma guerra senão o sentimento de altivez e o conceito exagerado que alguém possui de si mesmo? Discuta este tema com seus alunos adaptando-o a todos os níveis de relações, desde o familiar até às grandes guerras mundiais. Converse francamente com eles sobre o assunto. Nós somos muito mais orgulhosos do que imaginamos (Tiago 4.1).

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Posicionar-se de acordo com as Escrituras no que respeita a sua participação em guerras.
  • Destacar e justificar teologicamente as santas “guerras do Senhor” registradas no Antigo Testamento.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Embora se busque todo tipo de razões para justificar as guerras, a Bíblia continua sendo categórica: Não matarás. O espírito belicoso do homem, alimentado por seu estado pecaminoso de desobediência e separação de Deus, é o responsável por toda sorte de hostilidades existentes no mundo, que permeiam todos os núcleos sociais. Como justificar as guerras? O instinto de sobrevivência faz com que o homem reaja e resista aos ataques promovidos pelo adversário, seja ele quem for. Por outro lado, a soberba levada às últimas consequências induz o ser humano a prevalecer contra seu próximo. Apesar de tudo isso, o princípio divino continua o mesmo. “Amarás ao Senhor teu Deus sobre todas as coisas e o teu próximo como a ti mesmo”.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para tornar sua aula dinâmica, tendo em vista a natureza deste tema, a melhor opção é estabelecer um painel de debate. Como funciona? Escolha seis alunos dentre os mais desinibidos da classe. Estes alunos constituirão dois grupos de painelistas, que estarão frente a frente, discutindo diferentes pontos de vista acerca do tema. É imprescindível que haja um moderador para controlar e manter o ritmo da discussão. Vejamos:

1. Um dos grupos inicia uma breve exposição do tema.

2. O outro, também expõe seu ponto de vista a respeito do mesmo assunto.

3. O moderador lança uma pergunta a ambos os grupos. E, depois, oferece à classe a oportunidade de fazer perguntas e segue a dinâmica.

Tema proposto para o debate: O crente pode participar de uma guerra sem contrariar o sexto mandamento que diz “não matarás”?

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Hoje, na Dispensação da Graça, Cristo nos ordena a amar os próprios inimigos (Mt 5.44). O cristão na condição de autoridade (inclusive como militar) e, nessa condição, seus deveres e missões legais, inclusive na guerra, suscitam da parte dos que não conhecem a Palavra de Deus, discussões e opiniões divergentes, pró e contra. No campo secular, humano e temporal, a mídia e a literatura comuns e irmanadas não devem ser o guia do cristão, e sim a Palavra de Deus quando corretamente interpretada. Uma simples lição de Escola Dominical não cobre o assunto, mas sua abordagem mesmo sucinta, será proveitosa. As dúvidas em relação a esse ponto passam pela seguinte questão: A participação na guerra, levará o cristão a contrariar o sexto mandamento que diz “Não matarás”? (Êx 20.13).

 

I. A GUERRA NA BÍBLIA

 

1. A causa das guerras. A multiplicação do pecado, da iniquidade, da rebeldia e da desobediência afrontosas para com Deus e suas santas leis propiciam o desentendimento e o confronto bélico entre os homens. Esse desentendimento se processa de tal forma que evolui de simples hostilidades a grandes e dolorosos confrontos, de longa duração e repletos de todo tipo de sofrimento (Tg 4.1; Mc 7.21,22; Gl 5.19,20; Lv 26.25,33; Dt 28.25; Is 48.22 e Sl 120.7). Em Gênesis 6, vemos os passos que conduzem ao conflito entre nações. Os homens, corrompidos, multiplicaram-se na face da Terra (Gn 6.1); a maldade se multiplicou grandemente (Gn 6.5); a Terra encheu-se de violência (Gn 6.11), a ponto de o Senhor promover o juízo, enviando o Dilúvio. No tempo de Abraão, quatro reis fizeram guerra contra cinco; e Ló, seu sobrinho, foi levado cativo, o que obrigou o patriarca a armar-se com seus criados e promover uma expedição militar contra os agressores (ver Gn 14.1,2; 12-17).

2. Deus é o Senhor dos Exércitos. Jeová Shallom (“O Senhor é Paz”) é o mesmo Jeová Sabaote, “O Senhor dos Exércitos” (Êx 12.41 e Sl 46.10); Jeová é “Homem de Guerra” (Êx 15.3; Is 42.13). É óbvio que não se trata de guerra no sentido popular, humano, terreno; esta, Deus aborrece (Sl 68.30 e Ap 13.10).

3. Guerras ordenadas por Deus. Uma infinidade de conflitos bélicos resultaram da determinação do Todo-Poderoso, de abater os inimigos do seu povo, Israel. Dentre essas campanhas, destacamos as seguintes: contra os amalequitas (Êx 17.8-16); contra Jericó (Js 6.2ss); contra Ai (Js 8.1ss); contra os filisteus (1 Sm 7.1-14); contra os amonitas (1 Sm 11.1-11) e contra os cananeus (Js 11.19,20). Eram as chamadas “guerras do Senhor”, de cujo registro se ocupa o “livro das Guerras do Senhor” (cf. Nm 21.14; Js 10.40,42; Dt 20.16,17). Examinando-se com cuidado a Bíblia no seu todo, vê-se claramente que aqueles povos e nações eram manipulados e mobilizados pelo Inimigo no sentido de impedir que o Messias Redentor da humanidade viesse ao mundo. O mundo contemporâneo, no século passado em particular, conheceu diversos conflitos armados, como o provocado pelo ditador alemão, Adolf Hitler, que queria subjugar o mundo (de 1939 a 1945), impondo sua paranóica ideia de conseguir uma “raça pura”, leia-se: a supremacia germânica sobre todo o planeta, o que levou à morte milhões de pessoas (destas, mais de 6 milhões foram judeus). Dos seus inflamados e odientos discursos, destacamos este: “Hoje a Alemanha é nossa; amanhã, o mundo inteiro”. Nesse caso, a guerra promovida contra o tirano assassino foi justa. Foi Deus que separou as nações (Dt 32.8), inclusive através dos oceanos, e só Ele pode reuni-las outra vez.

 

II. O POSICIONAMENTO DO CRISTÃO PERANTE A GUERRA

 

1. O cristão e a guerra. Não podemos aceitar os argumentos filosóficos de certos ativistas pelos seguintes motivos:

a) Violência. Mesmo ordenadas por governos legitimamente constituídos, na guerra, devido à maldade inerente à natureza humana, há injustiça, traições, atrocidades, vingança, ganância e perversidade (Rm 12.18,20).

b) Estado absoluto. Há o perigo de se ver o Estado, ou o Governo como ente absoluto ou até de idolatrá-lo. A Bíblia diz que devemos examinar tudo, mas ficar com o bem (1 Ts 5.21); devemos fazer tudo “de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens” (Cl 3.23).

2. O Seletivismo. Diferente de outras abordagens, o argumento seletivista afirma que é necessário fazer uma distinção entre “guerras justas” e “guerras injustas”, e que o cristão deve engajar-se nelas, quando justas, visto que agir de forma diferente, seria recusar-se a fazer o bem maior, ordenado pelo Senhor dos Exércitos. Segundo essa linha de pensamento, uma campanha militar, ou seja, a “guerra justa”, constituir-se-á num esforço válido para evitar que uma nação, ou mesmo o mundo, fique à mercê de tiranos, como Adolf Hitler.

3. O posicionamento cristão. Mesmo que o governo legalmente constituído promova uma “guerra injusta”, dela não podemos participar, por motivo de consciência. Na Bíblia, encontramos exemplos de desobediência ao poder constituído quando este age contra os princípios divinos:

a) Os jovens hebreus na Babilônia. Hananias, Misael e Azarias desobedeceram a ordem de se curvarem diante da estátua de Nabucodonosor (Dn 3).

b) Daniel e o decreto real. O filho de Judá, exilado na corrupta Babilônia, negou-se a cumprir uma lei arbitrária que feria os princípios religiosos e morais estabelecidos pelo Eterno ao seu povo: o decreto determinava expressamente que toda e qualquer oração e petição deveriam ser endereçadas ao rei de Babilônia. Daniel, embora cumpridor de suas obrigações no reino, recusou-se a obedecer o decreto, e continuou dirigindo suas oração ao Senhor de Israel.

c) Os apóstolos e as leis proibitivas. Os apóstolos continuaram a pregar o Evangelho embora as autoridades da época o proibissem e castigassem a primeira geração da igreja cristã com açoites e prisão (At 4 e 5).

d) As parteiras e a lei homicida. Faraó, embora governasse sob a permissão divina, decretou o extermínio de criancinhas hebraicas (sexo masculino). As parteiras, porém, não lhe obedeceram e foram abençoadas como está escrito: “As parteiras temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes dissera; antes, conservavam os meninos com vida. Então, o rei do Egito chamou as parteiras e disse-lhes: Por que fizestes isto, que guardastes os meninos com vida? E as parteiras disseram a Faraó: É que as mulheres hebreias são vivas e já têm dado à luz os filhos antes que a parteira venha a elas. Portanto, Deus fez bem às parteiras. E o povo aumentou e se fortaleceu muito. E aconteceu que, como as parteiras temeram a Deus, estabeleceu-lhes casas” (Êx 1.17-21).

4. O que fazer. Nesse caso, mesmo podendo sofrer as consequências, o cristão não está moralmente obrigado a participar de uma guerra injusta, conforme defendem os ativistas (que são irmãos dos terroristas). Por outro lado, há guerras que podem ser consideradas justas. No Antigo Testamento o Senhor deu ordens aos israelitas para guerrear e destruir todos os seus inimigos (Js 10.40). Hoje, podemos entender que é legítima a participação do cristão em guerras; por exemplo, contra o narcotráfico, contra o crime organizado, ou, ainda, contra uma potência agressora, dirigida por um governo tirano, fratricida e genocida.

 

CONCLUSÃO

 

Em nosso país, por vezes, atendendo compromissos com organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), veem-se contingentes militares brasileiros embarcarem para o exterior, em missão de paz, podendo até empreender campanhas contra milícias estrangeiras e rivais. Na guerra contra o tráfico de drogas, ou contra o “crime organizado”, que se alastra e grassa em nossa pátria, os militares crentes e autoridades civis são convocados e devem participar. Assim, em termos bíblicos, não há argumento que proíba a participação numa guerra, considerada justa e regular.

 

VOCABULÁRIO

 

Analogia: Identidade de relação entre dois termos; semelhança, similitude.
Bélico: Relativo ou pertencente, ou próprio da guerra.
Capitalista: Sistema social fundado na influência ou predomínio do capital; regime social em que os meios de produção constituem propriedade privada e pertencem aos capitalistas.
Comunismo: Sistema baseado na propriedade coletiva; sistema social, político e econômico desenvolvido teoricamente por Karl Marx, e proposto pelos partidos comunistas como etapa posterior ao socialismo.
Morte Física: É o término das atividades vitais do ser humano sobre a terra. É vista, nas Sagradas Escrituras, como a consequência primordial do pecado (Rm 6.23).

 

EXERCÍCIOS

 

1. De acordo com a Bíblia, qual a causa das guerras?

R. O pecado.

 

2. Que significa o nome “Jeová Sabaote”?

R. O Senhor dos Exércitos.

 

3. Qual o sentido das guerras ordenadas por Deus?

R. Eram um juízo divino contra nações ímpias, que se rebelavam contra o Ser Supremo.

 

4. O que é seletivismo?

R. Abordagem que faz distinção entre “guerras justas” e “guerras injustas”.

 

5. Cite casos no Antigo Testamento em que pessoas recusaram-se a obedecer determinações humanas.

R. Os jovens hebreus na Babilônia não se curvaram diante da estátua de Nabucodonosor; os apóstolos continuaram a pregar o evangelho; as parteiras no Egito, desobedecendo a Faraó, não exterminaram os meninos hebreus.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Matar na guerra justa para se defender do agressor (Gn 14.14-15) e o caso de homicídio acidental (Dt 19.4-5) podem até não ser considerados como assassinato, e como tal não se enquadram no sexto mandamento do Decálogo. Do contrário, Deus estaria proibindo e permitindo uma mesma coisa na lei (Êx 17.8-16). Já vimos que o verbo hebraico usado para ‘não matarás’ nunca é usado na guerra. Um dos nomes de Deus é ‘Senhor’ ou ‘Jeová dos Exércitos’ (1 Sm 17.5) e ‘Varão de Guerra’ (Êx 15.3 e Is 42.13). O Senhor liderava essas guerras e dava vitória a seu povo (2 Cr 13.12; 20.17,22).

É verdade que estamos na Dispensação da Graça e o cristianismo é pacifista. Jesus disse: ‘Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus’, Mt 5.9. Mas, como cristãos, somos cidadãos do céu (Fp 3.20) e também da Terra (Mt 22.21). Temos compromisso com o governo (Rm 13.1-7; 1 Tm 2.2; Tt 3.1 e 1 Pe 2.13-14). Os direitos de César terminam onde começam os de Deus. Quando as normas bancadas pelo Estado se confrontarem com os princípios cristãos, nesse caso, a Palavra de Deus prevalece. Ela está acima de qualquer constituição (Dt 17.18-20 e At 4.19-20). Há guerras justas e injustas, e todo o mundo tem o direito de defender o que é seu. Nesse caso, o cristão não está pecando. Da mesma forma, também não peca se recusar ir a uma guerra injusta”.

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 4: O cristão e o aborto

Data: 28 de Julho de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139.13,14).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Diante do valor da vida humana, concedida por Deus, no ventre materno, o aborto provocado é um crime praticado contra uma vida inocente e indefesa.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Gn 2.7

Deus soprou o fôlego da vida

 

 

 

Terça - Gn 9.5

Deus requer a vida do homem

 

 

 

Quarta - Jó 33.4

Deus dá a vida

 

 

 

Quinta - Êx 20.13

Não matarás

 

 

 

Sexta - Dt 32.39

Deus mata e faz viver

 

 

 

Sábado - Mt 2.16

A matança dos inocentes

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Êxodo 21.22,23; Jó 3.16; Salmos 139.13,14.

 

Êxodo 21

22 - Se alguns homens pelejarem, e ferirem uma mulher grávida, e forem causa de que aborte, porém se não houver morte, certamente aquele que feriu será multado conforme o que lhe impuser o marido da mulher e pagará diante dos juízes.

23 - Mas, se houver morte, então, darás vida por vida.

 

Jó 3

16 - ou, como aborto oculto, não existiria; como as crianças que nunca viram a luz.

 

Salmos 139

13 - Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe.

14 - Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

 

PONTO DE CONTATO

 

Inicie a aula conversando com a turma sobre a responsabilidade de se ter filhos hoje em dia. Embora existam os casos excepcionais em que a vida da mãe é considerada prioridade, o alvo da discussão deve ser a concepção responsável, pois o fato de viver por impulso é, muitas vezes, a causa de agruras irreparáveis. Não há motivo justificável, à luz da Bíblia, para a aceitação do aborto premeditado. O aborto provocado é um crime e uma covardia, pois a vítima não pode defender-se.

É difícil conceber a ideia de que uma vida onde habita o Espírito Santo, habite também a concepção de homicídio. A consciência cristã iluminada pelo Evangelho de Cristo, não permitiria tal situação.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Identificar os tipos de aborto e suas implicações éticas para o cristão.
  • Reafirmar que o embrião, mesmo sem ser uma pessoa completa, não é subumano, é uma pessoa em formação, em potencial.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A vida foi criada por Deus. Ela foi dada por Deus. Por isso, somente o Todo-Poderoso pode tirá-la. A concepção de um ser humano é algo “terrível e maravilhoso”. A Bíblia diz que Deus escolhe pessoas desde o ventre. Se uma mãe comete aborto, como fica o plano de Deus?

O feto é um ser vivo indiscutivelmente. Apesar de as estatísticas mostrarem um alto índice de pessoas favoráveis ao aborto, este, com certeza, não é o pensamento da maioria, incluindo a comunidade cristã. O movimento feminista impinge a ideia de que a mulher tem o direito de usar seu corpo como bem entender. Isto, porém, não justifica o ato de matar. Nas poucas referências existentes na Bíblia, relacionadas a este assunto, o infrator deveria pagar multa caso fosse considerado culpado por causar dano a uma mulher grávida. O que dizer daquele que assassinar deliberadamente?

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Leve para a sala de aula materiais de pesquisa, tais como livros, revistas, jornais e qualquer material impresso que aborde o tema com ilustrações, estatísticas, dados atuais e outras informações pertinentes.

O sucesso do ensino depende muito da maneira como o professor organiza sua classe. Para as turmas constituídas por grupos heterogêneos, uma boa organização é ainda mais importante do que para os grupos homogêneos.

Um planejamento adequado e uma boa organização didática contribuem para que os alunos desenvolvam comportamento orientado à execução de tarefas.

Espera-se do professor que:

       Preveja eventuais situações problemáticas, o que lhe permite tomar decisões adequadas diante delas;

       Recorra a formas diferenciadas de ensino, criando uma atmosfera de trabalho positiva e estimulante para a classe;

       Deixe tudo muito claro para a classe, estabelecendo regras e compromissos junto com os alunos;

     Organize o espaço da sala de aula de maneira que este contribua significativamente para uma atmosfera de trabalho produtiva.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

O índice de abortos no século passado foi revoltante e virulento. Só no Brasil, a Organização Mundial de Saúde calcula que houve 5 milhões de abortos. O Instituto Gallup concluiu que 58% dos brasileiros são favoráveis a ele. Em Tiago 2.13, a Bíblia diz que “o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia”. O movimento feminista, antibíblico e anticristão, alardeia o direito de a mulher usar seu corpo como ela quiser, sem levar em conta a vida do feto indefeso. E o cristão? Como deve se posicionar? Ora, nós não somos donos de nada; Deus é que é. É o que procuraremos demonstrar nesta lição.

 

I. O TERMO ABORTO E A VISÃO BÍBLICA

 

1. Significado. A palavra aborto vem do latim, abortum, do verbo abortare, com o significado de “pôr-se o sol, desaparecer no horizonte e, daí, morrer, perecer”. Na Bíblia, o referido termo e seus cognatos aparecem em Jó 3.16; Sl 58.8; Ec 6.3 etc. Segundo o Grande Dicionário de Medicina, aborto “é a expulsão espontânea ou provocada do feto antes do sexto mês de gestação, isto é, antes que o feto possa sobreviver fora do organismo materno...”.

2. O aborto na Bíblia. Não são muitas as referências sobre o tema. No Pentateuco, vemos uma referência sucinta sobre o caso de aborto acidental, em que uma mãe fosse ferida por alguém e viesse a morrer (Êx 21.22). Nesse caso, não haveria pena de morte, mas o causador teria que pagar uma indenização. Jó, lamentando o dia de seu nascimento, diz que preferia que não houvesse acontecido, pois seria como as crianças abortadas, que nunca viram a luz (Jó 3.16). Não há qualquer referência bíblica que dê margem ao ato do aborto provocado pois trata-se de um ato em que a vida de um ser indefeso é ceifada.

 

II. O FETO EM SEU COMEÇO É UMA PESSOA

 

1. A infusão da alma no ser gerado. Entendemos que a alma e o espírito são colocados por Deus no embrião, com a concepção. É oportuno dizer aqui que a vida humana, do seu início ao fim, está em grande parte encoberta por um véu de mistério que só o próprio Criador e Sustentador conhece. “Peso da Palavra do Senhor sobre Israel. Fala o Senhor, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele” (Zacarias 12.1); e mais, “Porque para sempre não contenderei, nem continuamente me indignarei; porque o espírito perante mim se enfraqueceria, e as almas que eu fiz” (Isaías 57.16).

2. O exemplo de João Batista e de Jesus. Ao que tudo indica, Maria, a mãe de Jesus, já o tinha no ventre há um mês (quatro semanas), quando foi visitar Isabel, sua prima. Esta já estava com seis meses de grávida de João Batista (Lc 1.36), tendo, nela, um feto de vinte e quatro semanas. A Bíblia nos mostra que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, “a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc 1.41). No ventre de Maria, não estava “uma coisa”, mas o Salvador do Mundo; no ventre de Isabel não estava um ser desprovido de alma, mas uma “criancinha” que pulou de alegria ao ouvir a bendita saudação. O Espírito Santo agiu ali através de uma “criancinha” ainda em formação (v.41).

3. O embrião é uma pessoa. Mesmo sem ser uma pessoa completa, não é subumano. É uma pessoa em formação, em potencial. Da primeira à oitava semana (2 meses), completam-se todos os órgãos, apresentando inclusive as impressões digitais. Aos três meses, no útero, o bebê já está formado esperando crescer para vir à luz. Mesmo como ovo, ou feto, desde a concepção, cremos que o bebê não só tem vida, mas possui alma e espírito dentro dele (ver Zc 12.1b).

 

III. TIPOS DE ABORTO E SUAS IMPLICAÇÕES ÉTICAS PARA O CRISTÃO

 

1. Aborto natural. Ocorre por motivos ou circunstâncias naturais, implicando na morte do feto. Segundo a Medicina, pode haver aborto por várias causas. Dentre elas, destacam-se as seguintes: “Insuficiente vitalidade do espermatozóide; afecções da placenta; infecções sanguíneas; inflamações uterinas; grave exaustão, diabetes e algumas desconhecidas” (Reifler, p.131). Não há incriminação bíblica quanto a esse caso, pois, não havendo pecado, não há condenação. Em Deuteronômio 24.16b, diz-se que “cada qual morrerá pelo seu pecado”.

2. Aborto acidental. É resultado de um problema alheio à vontade da gestante. Uma queda, ou um susto acidental, inesperado e intenso podem provocar abortamento. Não há implicação ética quanto a isso. A referência de Deuteronômio 24.16b aplica-se a esse caso.

3. Aborto por razões eugênicas. É o aborto por eugenia, isto é, para evitar o nascimento de crianças deformadas ou retardadas. Nós cristãos, segundo os princípios bíblicos, não acatamos tal conceituação, puramente humanista. Pessoas retardadas ou deformadas, ao nascerem, têm personalidade e características verdadeiramente humanas. E, por conseguinte, têm direito à vida. Abortá-las é assassinato. A Bíblia diz: “...e não matarás o inocente...” (Êx 23.7).

4. “Mataram” Beethoven! Já é conhecido um texto em que um professor, desejando mostrar aos alunos como é falha a lógica humana, propõe o seguinte caso: “Baseados nas circunstâncias que mencionarei a seguir, que conselho dariam a uma certa senhora, grávida do quinto filho? O marido sofre de sífilis; ela, de tuberculose. Seu primeiro filho nasceu cego. O segundo, morreu. O terceiro nasceu surdo, e o quarto é tuberculoso. Ela está pensando seriamente em abortar a quinta gravidez. Que caminho vocês lhe aconselhariam?”. Os alunos pensaram e, diante das circunstâncias, sugeriram que o aborto seria aconselhável para que não nascesse mais um filho defeituoso. O professor, então, lhe respondeu: “Se vocês disseram sim à ideia do aborto, acabaram de matar o grande compositor Ludwig van Beethoven”.

 

CONCLUSÃO

 

Há ainda outros casos em que a sociedade alega razões para a prática do aborto, mas sem qualquer respaldo bíblico. O cristão tem a ver com Cristo e a Bíblia, e não com o mundo e o seu modo de viver e agir. Com exceção do caso em que a vida não totalmente desenvolvida do bebê constituísse uma ameaça de morte para a vida plenamente desenvolvida da mãe, não há motivo justificável à luz da Bíblia para a realização do abortamento. Todavia, lembremo-nos de uma coisa: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2 Coríntios 5.10). Por isto, devemos agir de acordo com a ética cristã, levando-se em consideração, sempre, a santidade da vida.

 

VOCABULÁRIO

 

Espermatozóide: Célula móvel sexual masculina, produzida nos testículos.
Óvulo: Célula sexual feminina, formada no ovário.
Septuaginta: Primeira tradução completa do Antigo Testamento, no século III a.C, do hebraico para o grego. O termo septuaginta veio do latim e quer dizer setenta, em referência aos 72 eruditos escolhidos para esse fim.
Pentateuco: Cinco primeiros livros do Antigo Testamento, os cinco livros de Moisés. Na Torah, formam um só pergaminho contínuo, sem divisão. Na Septuaginta, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio aparecem separadamente, como conhecemos atualmente.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

Desafios da Nossa Época. Abraão de Almeida, CPAD.
E Agora, Como Viveremos? Colson & Pearcey, CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Cite os tipos de aborto descritos na lição.

R. Natural, acidental e por razões eugênicas.

 

2. Quando o ser humano, no útero, passa a ter alma e espírito?

R. Desde a concepção, cremos que o bebê não só tem vida, mas tem a alma e o espírito (ver Zc 12.1b).

 

3. Descreva as causas que implicam no aborto natural.

R. Insuficiente vitalidade do espermatozóide, afecções da placenta, infecções sanguíneas, inflamações uterinas, grave exaustão, diabetes etc.

 

4. Como se posiciona o cristão diante do aborto chamado natural?

R. Não há incriminação bíblica quanto a esse caso, pois, não havendo pecado, não há condenação.

 

5. Qual a penalidade para quem ferisse uma mulher grávida no Antigo Testamento?

R. O causador do aborto teria que pagar uma indenização.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Histórico

 

“A guerra à vida no ventre materno provoca aproximadamente 40 milhões de abortos a cada ano, número deveras impressionante, comparável mesmo ao total dos que tombaram durante toda a Segunda Guerra. Mas há, contudo, diferenças fundamentais: enquanto nos campos de batalha os soldados abrigam-se e lutam por ideal, no aborto as vítimas inocentes não têm a mínima chance de se defenderem e são assassinadas por quem deveria dedicar-lhes o mais perfeito amor conhecido entre os humanos — o amor de mãe!(...)

Em 1977, de cada 100 nascimentos na Alemanha Ocidental, ocorria 10 abortos. No Uruguai, em 1978, verificaram-se 150 mil abortos, reforçando a luta pró-legalização dessa prática naquele país, por sinal o primeiro da América do Sul a legalizar o divórcio.

Na Finlândia, país com menos de cinco milhões de habitantes, o número de abortos já chegava, em 1971, a perto de 20 mil por ano. Em protesto realizado em fins daquele ano, 150 evangélicos desfilaram pelas ruas de Helsinque carregando nos braços pequenos caixões brancos, ao som de uma marcha fúnebre. Em frente ao Parlamento, onde terminou a manifestação, um dos caixões foi colocado na escadaria de acesso ao mesmo, com uma coroa de flores e os seguintes dizeres: ‘A esperança da Finlândia. Cidadão de luto!’.

Na Itália, sede do Papado, o Parlamento aprovou, em 19 de maio de 1978, um texto legislativo que facultava a qualquer mulher maior de dezoito anos o direito de submeter-se ao aborto intencionalmente provocado, até o final dos primeiros noventa dias de gravidez. A mesma lei instituiu consultórios mantidos pelo Estado, onde também as menores de dezoito anos podem, sem prévia autorização paterna, requerer o direito de abortar, passando a decisão sobre o assunto a foro judicial.

De acordo com essa lei, o aborto é feito gratuitamente nos hospitais do governo ou por clínicas privadas que mantenham convênios com órgãos assistenciais do Estado (...).

Na França, segundo o Instituto Nacional de Estudos Demográficos, ocorrem anualmente de 250 a 300 mil abortos, dos quais apenas 140 mil são recenseados pelo Ministério da Saúde. A diferença entre as duas cifras corresponde às intervenções ‘ilegais’. O arcebispo de Strasburgo, Monsenhor Eichinger, afirmou que somente na Alsácia o aborto fazia um número anual de vítimas equivalente as cidadezinhas que os alemães destruíram em 1870 e nas duas últimas guerras mundiais” (Desafios da Nossa Época. CPAD, pp.186,187).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 5: O cristão e o planejamento familiar

Data: 5 de Agosto de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

Examinai tudo. Retende o bem” (1 Ts 5.21).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Para o cristão, ter ou não ter filhos, não é apenas uma questão biológica, mas uma decisão que envolve fé, amor e obediência aos princípios de Deus para a família.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Pv 17.6

Coroa dos velhos são os filhos

 

 

 

Terça - Gn 15.2

Um pai, pedindo filhos

 

 

 

Quarta - Gn 17.15,16

Promessa de filhos

 

 

 

Quinta - 1 Sm 1.7

O choro da mulher estéril

 

 

 

Sexta - 1 Sm 1.10,11

Um filho dado a Deus

 

 

 

Sábado - Lc 1.31

Um filho especial

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Gênesis 1.27,28; 30.1,22,23 e 1 Coríntios 7.5.

 

Gênesis 1

27 - E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.

28 - E Deus os abençoou e Deus lhes disse:Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a;

 

Gênesis 30

1 - Vendo, pois, que não dava filhos a Jacó, teve Raquel inveja de sua irmã e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão morro.

22 - E lembrou-se Deus de Raquel, e Deus a ouviu, e abriu a sua madre.

23 - E ela concebeu, e teve um filho, e disse: Tirou-me Deus a minha vergonha.

 

1 Coríntios 7

5 - Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência.

 

PONTO DE CONTATO

 

Imagine um mundo sem a presença de crianças! Comece a aula conversando com sua turma sobre a alegria que a presença de um bebê traz à família. Fale também sobre as responsabilidades que estão implícitas nesta chegada. Educação, saúde, boa alimentação, desprendimento para dar atenção, carinho e todo cuidado que o bom desenvolvimento de um ser humano exige. Os pais não podem ser egoístas, pois criar filhos implica em estar pronto para mais dar do que receber.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Analisar as questões do controle da natalidade e planejamento familiar à luz da ética cristã.
  • Reconhecer que a vontade de Deus, acerca da limitação de filhos, está acima das razões e dos argumentos humanos.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Controle de natalidade tem sido assunto polêmico ao longo dos últimos anos. Em alguns casos, as divergências envolvem até mesmo o Estado, tornando-se um problema de governo. Países populosos como China e Índia utilizam medidas restritivas com relação à concepção por motivos óbvios: O desenvolvimento socioeconômico é pequeno em relação ao crescimento populacional. Há um grande contingente de pessoas e pouco alimento. Quando Deus disse crescei e multiplicai, não determinou quantidade. O que gera maior constrangimento? Viver dignamente com poucos filhos, ou tê-los em grande quantidade e não poder sustentar? As responsabilidades pertinentes ao casamento incluem o planejamento familiar.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Promova um debate com toda a classe ou divida-a em grupos sob a orientação do mestre. Ao professor cabe orientar e supervisionar o debate de tal maneira que permita a participação de todos e que não haja nenhuma forma de agressividade nas palavras. A participação de cada aluno deverá ter sempre o objetivo de contribuir com a classe e jamais o de sobrepor-se às ideias dos outros.

O debate se divide em:

1. Apresentação: Apresentação do tema, explicação e objetivos do debate. O professor deverá nomear um moderador.

2. Participação: Cada aluno apresenta sua contribuição pessoal, dizendo o que pensa do assunto. É o início do debate.

3. Argumentação: É o momento de cada aluno apresentar o motivo do seu ponto de vista.

4. Discussão: É a troca de argumentos. A discussão tem a finalidade de chegar à verdade ou elucidar dificuldades.

5. Conclusão: É feita em primeiro lugar pelo líder do grupo e depois apresentada à classe, se esta está dividida em grupos. O professor ouvirá cada líder e dará a conclusão final.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Há opiniões radicais dos que se opõem tenazmente a qualquer método ou tipo de limitação de filhos por um casal crente. De outro lado, há os liberalistas temerários, que não veem qualquer restrição ética concernente ao dito assunto. Os moderados procuram com humildade e temor de Deus aprender a discernir o certo e o errado sobre o assunto pela Bíblia e a busca da vontade específica do Senhor. Com muito respeito, santo temor e sinceridade, desejamos abordar o tema, esperando contribuir para o alargamento da visão sobre esse tão necessário e pouco estudado tema da ética cristã.

 

I. CONCEITOS FUNDAMENTAIS

 

1. Controle da natalidade. “É o conjunto de medidas limitadoras, de emergência, incluindo legislações específicas, que o governo de um determinado país adota para atingir metas demográficas restritivas, (isto é, populacionais) consideradas indispensáveis ao desenvolvimento socioeconômico. Isso ocorre por exemplo, na China e na Índia, onde a população é excessiva em relação aos recursos econômicos”.

2. Planejamento familiar. É o exercício da paternidade responsável, e a utilização voluntária e consciente por parte do casal, do instrumento necessário ao planejamento do número de filhos e espaçamento entre uma gestação e outra.

 

II. VISÃO GERAL À LUZ DA BÍBLIA

 

1. Determinação divina (Gn 1.28). Deus criou o homem de modo especial dizendo: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gn 1.26,27). “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a” (Gn 1.27,28). Este foi o primeiro mandamento dado ao homem pelo Criador após criar o ser humano, masculino e feminino. Entretanto, Deus não deu um multiplicador. Logo, ter um filho ou dois já é multiplicação. No Antigo Testamento, não ter filhos era constrangedor (1 Sm 20).

2. A natalidade no Antigo Testamento.

a) Filhos, uma bênção de Deus. No Antigo Testamento, ter filhos era algo sagrado, uma bênção de Deus. Sara, esposa do patriarca Abraão, sendo estéril, sentiu-se frustrada, recorreu a um ato desesperado oferecendo sua serva ao marido para que este tivesse um filho com ela, como sendo esse filho do casal. Isso resultou em sérias e perpétuas complicações, quando se considera que em Abraão e Sara estava implícita a linhagem do futuro Messias (Mt 1.1). Abraão, sentindo-se infrutífero quanto à sua descendência, disse ao Senhor: “Senhor Jeová, o que me hás de dar, pois ando sem filhos...” (Gn 15.2). Em resposta, o Senhor mandou que ele olhasse para as estrelas e lhe disse: “Assim será a tua semente...” (Gn 15.5; Ler Gn 17.15,16).

b) Não ter filhos era sinal de infelicidade. Sendo Raquel estéril, disse a seu marido: “Dá-me filhos, senão morro” (Gn 30.1). Quando Deus abriu sua madre, ela exclamou: “Tirou-me Deus a minha vergonha” (Gn 30.23). Ana, mulher de Elcana, também é exemplo do sofrimento e amargura de uma mulher estéril (Ler 1 Sm 1.7,10,11,20).

c) Ter família numerosa era sinal de bênção. Ana teve Samuel e mais cinco filhos (1 Sm 2.21). Os filhos eram considerados presentes ou prêmios da parte do Senhor, como diz o salmista: “Eis que os filhos são herança do Senhor e o fruto do ventre o seu galardão” (Sl 127.3).

3. A natalidade no Novo Testamento.

a) A natalidade enaltecida. “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher...”. Maria ouviu do anjo: “Salve, agraciada! O Senhor é contigo! Bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1.28); “Eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filha, e por-lhe-ás o nome de Jesus” (Lc 1.31). Que mistério tão grande! “O plano da salvação, previsto antes da fundação do mundo, incluía uma mulher, uma mãe, um ventre, um seio materno” (Lima, p.158).

b) Ter filhos, uma bênção de Deus. Zacarias, esposo de Isabel, não tinha filhos, pois sua mulher era estéril. Deus enviou o anjo Gabriel para informar a este sacerdote de avançada idade que ele seria pai: “Terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento” (Lc 1.14). As crianças foram abençoadas por Jesus. Ele colocou um menino no meio das atenções (Mt 18.2,4); recebeu crianças trazidas pelos pais, toucou-lhes brandamente, abençoando-as (Lc 18.15-17).

 

III. UMA ABORDAGEM ÉTICA DA LIMITAÇÃO DE FILHOS

 

1. O cristão e o controle da natalidade. Há países que punem os pais, se nascer mais de um filho. Faraó, após a morte de José, decretou um controle da natalidade para que não nascessem filhos homens entre o povo de Israel no Egito: “E o rei do Egito falou às parteiras hebreias (das quais o nome de uma era Sifrá, e o nome da outra, Puá) e disse: Quando ajudardes no parto as hebreias e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas, se for filha, então viva” (Êxodo 1.15,16). E Deus invalidou aquela medida cruel.

2. O cristão e o planejamento familiar. No Novo Testamento, não há referência expressa a ter ou não muitos filhos. Mas os filhos são galardão do Senhor. “Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão. Como flechas nas mãos do valente, assim são os filhos da mocidade” (Salmo 127.3). Para ter filhos, cremos que o casal deve orar muito, para que nasçam debaixo da bênção de Deus. E, para não tê-los, deve orar muito mais, para não contrariar a vontade de Deus. Devem ser considerados os fatores de saúde, alimentação e educação (espiritual e secular), pois não é justo que se tragam filhos ao mundo para vê-los subnutridos, mal-educados e malcuidados. Isso não é amor.

Orientação quanto à natalidade. Aspectos a serem considerados:

a) A vontade de Deus. De uma maneira geral, o casal, pela união sexual, poderá gerar filhos. É a vontade permissiva do Senhor. Como filhos de Deus, no entanto, devemos estar, acima de tudo, sujeitos à vontade diretiva do Senhor. Ele nos guia pelo seu Espírito (cf. Rm 8.14). “Para ter filhos, o cristão deve buscar, por fé, a direção de Deus e não apenas depender do instinto sexual”.

b) Alimentação, saúde e educação digna. Da concepção ao parto, o novo ser precisa ser bem alimentado, de modo a não desenvolver-se com deficiências orgânicas que ocasionam danos por toda a vida. Se um casal gera um filho doente, por subnutrição, ou doença da mãe, vai fazê-lo sofrer. Filhos mal educados tendem a se converter em pessoas prejudiciais à sociedade e, em escândalo para a igreja do Senhor. Isso não glorifica a Deus. Em 1 Timóteo 5.8, lemos: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” (1 Tm 5.8). Esse cuidado tem seu começo na gestação.

c) A abstenção permitida. A Bíblia admite a abstenção sexual do casal, “por mútuo consentimento”, para que ambos se dediquem melhor à oração, num período de tempo (1 Co 7.4,5).

3. O posicionamento cristão.

a) A limitação de filhos. A decisão de não ter filhos precisa ser submetida à soberana vontade de Deus. Não gerar filhos só porque a mãe não quer perder a esbelteza do corpo (por vaidade), porque a vida está difícil ou porque o casal não quer ter muito trabalho... Quem pensa em casar, deve antes preparar-se para isso, em todo o sentido.

b) O planejamento possível. Isto pressupõe uma paternidade responsável diante da lei de Deus, cujos preceitos, ética e moral devem ser conhecidos e observados. Tudo isso, pela fé, pois o que não é de fé é pecado (ver Rm 14.23). Ter filho, um após o outro, seguidamente, sem levar em conta suas implicações, pode não ser amor; e, sim, carnalidade desenfreada aliada à ignorância. O Livro Sagrado afirma que “tudo tem seu tempo determinado” (Ec 3.1). Além disso, nos é oportuna a seguinte ordem: “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Ts 5.21). Para ter, ou não, filhos, o casal deve, acima de tudo, orar ao Senhor.

 

CONCLUSÃO

 

Os filhos são bênçãos do Senhor (Sl 127.3-5; 128.3,4) e não devem ser evitados por razões egoísticas e utilitaristas. A limitação de filhos por vaidade é pecado, mas por necessidade, como no caso de doença da mãe, e que lhe cause risco de vida, cremos ser moralmente justificável; mas isso depende da consciência de cada um diante de Deus, pois, como já foi dito, o que não é de fé é pecado (Rm 14.23).

 

VOCABULÁRIO

 

Abstenção: Ação ou efeito de abster-se; privação, abstinência; recusa voluntária de participar de qualquer ato.
Anticoncepcional: Que, ou substância que evita conceber ou gerar o feto, no útero.
Método: Caminho pelo qual se atinge um objetivo; modo de proceder, maneira de agir.
Restrição: Ato ou efeito de restringir-se; condicionante.
Tenazmente: Ação firme, obstinada, persistente, implacável, pertinaz, inflexível.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

Ética: As Decisões Morais a Luz da Bíblia. Arthur F. Holmes, CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Como era vista a concepção no Antigo Testamento?

R. Era algo sagrado, uma bênção de Deus.

 

2. Que disse Raquel por ser estéril?

R. “Dá-me filhos, senão morro” (Gn 30.1).

 

3. O que estava implícito quando Deus fez o homem, “macho e fêmea”?

R. A sexualidade, tendo o homem os órgãos e o instinto sexual, com plena capacidade reprodutiva.

 

4. No Antigo Testamento, o que significava não ter filhos?

R. Sinal de infelicidade.

 

5. Que diz 1 Tm 5.8?

R. “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel”.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“O potencial reprodutivo natural da sexualidade humana não se opõe à contracepção responsável, uma vez que, por natureza, nem todo ato sexual é reprodutivo. Ele significa que, primeiro, só num contexto marital a relação sexual é lícita, e, segundo, que a finalidade primordial do casamento é a geração de filhos. Esse potencial de paternidade deve ser exercido de modo responsável. Uma família grande demais, em um mundo superpovoado, seria irresponsabilidade, assim como seria irresponsável evitar espontaneamente constituir uma família sem ter em mente o propósito de Deus para o casamento. E em alguns casos, a finalidade primordial pode ser suplantada por outras responsabilidades morais” (Ética: As Decisões Morais à Luz da Bíblia. CPAD, p.132).

 

“Número de filhos. Este assunto parece não ser de muita importância para quem é apenas noivo, mas já tem causado seríssimos problemas na vida dos casados. Muitas vezes, este pormenor não é ventilado no noivado, e cada um tem dentro de si uma opinião formada. De repente, a moça imagina ter, quando casada, apenas um casal de filhos, e o rapaz pensa poder ter seis casais. E agora como fica?

Esta questão, quando analisada, poderá sofrer mudança, e esta deve acontecer durante o noivado.

Época de ter filhos. Quando, realmente, ele(a) desejará ter um filho? No primeiro ano? Após três anos? Quando? É muito importante ao jovem, que está próximo ao casamento, observar estas respostas nesta época. Esse assunto, que parece ser tão simples, se não for tratado com seriedade no noivado, poderá causar sérias complicações no relacionamento matrimonial” (Juventude em Crise. CPAD, p.71).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 6: O cristão e a sexualidade

Data: 12 de Agosto de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn 1.27).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Ao criar o ser humano, Deus dotou-o de sexualidade plena e diferenciada, macho e fêmea, segundo seus propósitos. Essa sexualidade era normal no princípio.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Gn 18.25

Deus é o Juiz de toda a terra

 

 

 

Terça - Is 1.4,5

O profeta Isaías denuncia a rebelião de seu povo

 

 

 

Quarta - Na 1.3

Deus não tem o culpado por inocente

 

 

 

Quinta - Mt 24.7,29

O Senhor Jesus falou de desajustes na natureza e da convulsão social

 

 

 

Sexta - Rm 8.22

Toda a criação está gemendo

 

 

 

Sábado - Gl 6.7

Tudo que o homem semear isso também ceifará

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Gênesis 1.27; 2.24; 1 Coríntios 7.2,3,5; Provérbios 5.18; Eclesiastes 9.9.

 

Gênesis 1

27 - E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.

 

Gênesis 2

24 - Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.

 

1 Coríntios 7

2 - mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido.

3 - O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido.

5 - Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência.

 

Provérbios 5

18 - Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade.

 

Eclesiastes 9

9 - Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de vida da tua vaidade; os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida e do teu trabalho que tu fizeste debaixo do sol.

 

PONTO DE CONTATO

 

Sabemos que ao nascer, o ser humano foi dotado, por Deus, de instintos específicos sem os quais sua sobrevivência seria impossível.

Quem ensinou o bebê a sugar o leite materno? (instinto de sobrevivência). Por que as pessoas sentem medo? (instinto de preservação da vida). Por que são agressivas? (instinto de defesa de seu território). O que faz com que elas construam amizades? (instinto gregário, o homem vive em grupos). Neste conjunto está inserido o impulso sexual que caracteriza o instinto de preservação da espécie.

O homem pecador deturpou este impulso divino, gerando as muitas aberrações que sabemos existir hoje, mas isso não invalida a intenção de Deus de perpetuar a espécie humana através da sexualidade sadia.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Orientar-se, em relação à sexualidade, pelos princípios morais e éticos da Palavra de Deus.
  • Praticar os conselhos apresentados na Palavra de Deus concernente ao relacionamento conjugal.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Se precisássemos de uma razão para explicar porque Deus uniu as primeiras pessoas no Éden, poderíamos declarar sem medo de errar: a preservação da família.

Ao contemplarmos o mundo de hoje, com uma proporção cada vez maior de indivíduos que abandonam o lar, com tudo o que ele representa, em busca de seus próprios interesses, vamos constatar quanto este mundo está distanciado do propósito de Deus. A sexualidade desenfreada, a tão mencionada nas Escrituras concupiscência da carne, é a grande responsável pelos desvios de conduta que levam o homem e a mulher de hoje a pecarem. O sexo não deve ser concebido como algo imoral, feio e vulgar. Também não deve ser concebido como instrumento de prazeres egoísticos e de desventura infligida ao próximo. Deve, antes, ser compreendido à luz da Bíblia como algo criado por Deus no ser humano para sua satisfação pessoal e preservação da espécie acompanhadas de vidas santas, puras e virtuosas.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Você já considerou o método de ensino de Jesus? Ele falava a respeito de coisas que as pessoas podiam ver: um semeador, um casamento, um templo, uma criancinha, uma moeda, as aves, os lírios, o vento, a moedinha da viúva, uvas, pescadores, bois, portões e a ceifa. Cada situação de ensino sugere alguma coisa que você pode usar para ilustrar a verdade. Planeje o uso de quadros, de gráficos, de mapas, de modelos, do quadro de giz, de pôsteres e de objetos de todos os tipos para ressaltar sua apresentação. Você deve usar materiais audiovisuais, se estiverem em disponibilidade. Você pode imaginar quão eficaz uma lição fica quando o aluno pode ouvir, ver e tocar coisas que ensinam uma única verdade?

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Quando Deus formou o primeiro casal, dotou-o de estrutura físico-emocional e instinto sexual que o capacitam para a reprodução e preservação da espécie humana. O propósito de Deus é que os filhos procedam do casamento e não de outra maneira. A quebra dessa lei resulta em frutos amargos para a família. Deus assim dotou o homem para propósitos específicos, puros e elevados. Portanto, a sexualidade é parte natural e integrante do ser humano. No casamento, a sexualidade exerce papel fundamental e indispensável para o bom relacionamento entre os cônjuges e, como já foi dito, para a perpetuação do gênero humano, circunscrita ao plano de Deus para o matrimônio. Vamos refletir um pouco nesta lição sobre esse importante assunto.

 

I. VISÃO BÍBLICA DO SEXO

 

1. O sexo foi feito por Deus. Deus fez o homem, incluindo o sexo e “viu que tudo era bom” (Gn 1.31). As mãos que fizeram os olhos, o cérebro, também fizeram os órgãos sexuais. Aquele que criou a mente, criou também o instinto sexual. No princípio, ao ser criado, o sexo era puro e sem pecado. Mas, com a transgressão de Adão no Éden, todas as faculdades do homem foram afetadas pelo pecado, inclusive o sexo.

2. O homem participando da criação. Deus quis em sua soberania que o homem desse continuidade à espécie, macho e fêmea, indicando a clara e inequívoca diferenciação entre os sexos (ver Gn 1.27).

3. A intimidade e interação sexual é privativa dos casados. A ordem de crescer e multiplicar não foi dada a solteiros, mas a casados (Gn 1.27,28). Deus não quis que o homem vivesse só e lhe deu uma esposa, já formada, preparada para a união conjugal. O ensino bíblico é que o homem deve desfrutar o sexo com a esposa de modo normal, racional, sadio e amoroso não com a namorada ou noiva. Em Cantares de Salomão, tem-se a exaltação do amor conjugal. Este, não ocorre entre solteiros (Ct 4.1-12; Ef 5.22-25). Pesquisas indicam que 50% dos jovens evangélicos já praticaram sexo antes do casamento. Isso é pecado grave contra o próprio corpo, contra o Criador, contra a Palavra de Deus, contra o próximo, contra a Igreja e contra a família.

 

II. O SEXO E A VIVÊNCIA CRISTÃ

 

1. Sua natureza. Quando terminou de criar todas as coisas (incluindo o homem), “viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom e foi a tarde e a manhã: o dia sexto” (Gn 1.31). O sexo, como já afirmamos, fez e faz parte da constituição físico-emocional do ser humano, desde a criação. Logo, não é correto concebê-lo como algo imoral, feio, vulgar e pecaminoso. Deus não faria nada ruim. Ele planejou e formou o homem, a “coroa da criação”, numa totalidade, incluindo o sexo. O que tem arruinado o sexo e o tornado repulsivo por muitos é o seu uso ilícito, antibíblico, antinatural, anticristão, antissocial e sub-humano. Demônios podem atuar no ser humano na área do sexo (Os 4.12; 5.4).

2. Suas finalidades. A união conjugal pautada nas Sagradas Escrituras propicia:

a) A procriação (Gn 1.27,28; Sl 139.13-16). A procriação é o ato criador do Eterno através do homem. Ele dotou o homem de capacidade reprodutiva, instituiu o matrimônio e a família, visando a legitimação desse maravilhoso e sublime processo que a mente dos mortais jamais poderá explicar. “Frutificai e multiplicai-vos”, foi a ordem do Criador (Gn 1.27,28).

b) O ajustamento do casal. Em 1 Coríntios 7.1-7, vemos uma orientação bíblica muito importante do apóstolo Paulo no que diz respeito à intimidade conjugal. O apóstolo, nesta passagem, considera os seguintes princípios:

       Prevenção (v.2): “mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher e cada uma tenha o seu próprio marido”. Com isso, evita-se o adultério e a prostituição.

       Mútuo dever (v.3): “O marido pague à mulher a devida benevolência e, da mesma sorte, a mulher ao marido”. É o dever do amor conjugal, no que tange ao atendimento das necessidades sexuais, a que tem direito cada cônjuge.

       Autoridade mútua (v.4): “A mulher não tem poder sobre seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre seu próprio corpo, mas tem-no a mulher”. Não se trata aqui, da autoridade por imposição, pela força, mas sim pelo amor conjugal. Diga-se também que o marido não pode abusar da esposa, praticando atos ilícitos, carnais, abusivos e sub-humanos, ou vice-versa.

       Abstinência consentida (v.5): Isto é importante no relacionamento do casal. Os cônjuges podem abster-se, por algum tempo, da prática sexual, mediante o consentimento mútuo. Não pode haver imposição de um sobre o outro. Caso decidam separar-se no leito conjugal, devem fazê-lo sob as seguintes condições: que haja concordância entre ambos, e que haja sabedoria quanto ao tempo determinado para dedicarem-se à oração e à disciplina da vontade (de ambos).

c) A satisfação amorosa do casal. Existem seitas ou religiões e, até evangélicos, que proíbem o prazer do sexo alegando que a finalidade deste é somente a procriação. Isso não tem base na Bíblia. Vários textos nos mostram que Deus reconhece o direito de o casal usufruir desse prazer. Em Provérbios 5.18-23, o sábio recomenda aos cônjuges que desfrutem do sexo, sem referir-se, neste caso, ao ato procriativo. Nesta passagem, porém, o homem é advertido quanto à “mulher estranha”, a adúltera; e é incentivado a valorizar a união conjugal honesta e santa, exaltando a monogamia, a fidelidade (ver Ec 9.9; Ct 4.1-12; 7.1-9). No Antigo Testamento, a “lua de mel” durava um ano! (Dt 24.5).

3. Ante a lei divina. A vida sexual do casal, na ótica bíblica:

a) Deve ser exclusiva ou monogâmica. Deus condena de forma veemente a poligamia (Gn 2.24; Pv 5.17).

b) Deve ser alegre. O casal tem direito de usufruir do contentamento propiciado pela intimidade matrimonial (Pv 5.18).

c) Deve ser santa (1 Pe 1.15 e 1 Ts 4.4-8). A santidade se aplica também ao nosso corpo, uma vez que o Espírito Santo habita em nós (1 Co 6.19,20), razão pela qual toda e qualquer prática sexual ilícita (aberrações, bestialidade etc.) não devem ser permitidas; além de pecaminosas, não contribuem para o ajustamento espiritual do casal.

d) Deve ser natural (Ct 2.6; 8.3). As relações sexuais anal e oral são antinaturais e sub-humanas, portanto, reprováveis. Os pecados do sexo são responsáveis por muitas doenças, inclusive as denominadas “sexualmente transmissíveis (DST) que vêm ceifando milhões de vidas no mundo inteiro, principalmente a AIDS”. Essas práticas sexuais reprováveis estão sujeitas a juízo (Hb 13.4).

 

III. O SEXO FORA DO CASAMENTO É PECADO

 

Sexo premarital é pecado e, igualmente o extramarital.

1. Fornicação. Prática do sexo entre solteiros ou entre casado e solteiro. O fornicário não entra no céu (Ap 21.8; Gl 5.19 e 1 Co 6.18).

2. Adultério. Relação sexual de casados com pessoas que não são seus cônjuges (Mt 5.27; Mc 10.9 e Rm 13.9). É grave e desastroso pecado (Pv 5.1-5).

3. Prostituição. Em sentido geral, envolve todas as práticas sexuais pecaminosas. Em sentido estrito, é a intimidade sexual com prostitutas e a infidelidade conjugal. Deus a proíbe com veemência (Dt 23.17); é grave pecado (1 Co 6.16); é insanidade, loucura, estupidez e torpeza (Pv 7.4-10; 1 Co 6.15-18).

4. Homossexualismo. É a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo. Contrariando a opinião de muitos, a Bíblia condena, pois é abominação ao Senhor (Lv 20.13; 18.22; Dt 23.17,18), perversão sexual de Sodoma — sodomia (Gn 19.5). Deus destruiu cidades por causa disso (Dt 23.17). Não entram no Reino de Deus os que praticam tais atos (1 Co 6.9,10).

5. A masturbação. Há ensinadores que não a consideram pecado de forma alguma. Outros, dizem que é totalmente errado. Outros, ainda, dizem que, se não for por vício, mas por necessidade, torna-se moralmente justificável. De qualquer forma, é pecado, por contrariar o plano de Deus, pois o sexo não deve ser egoísta, mas partilhado com outra pessoa, no âmbito do casamento. A masturbação está sempre associada a fantasias sexuais.

 

CONCLUSÃO

 

Os preceitos bíblicos que dão conta da sexualidade se identificam com o que Jesus chamou de “caminho estreito”, o qual poucos se dispõem a palmilhar. No mundo hodierno, onde os meios de comunicação em massa aprovam, promovem, incentivam e exaltam o erotismo, sensualidade, a prostituição e o sexo fora do casamento, de modo irresponsável e pecaminoso é necessário que o cristão tome posição firme e consciente. Ele deve orientar-se pelos princípios morais e éticos, para a sexualidade, à luz da Palavra de Deus.

 

VOCABULÁRIO

 

Aberração: Ato ou efeito de aberrar; desviar-se das regras naturais; esquisito; anomalia, anormalidade, irregularidade.
Abstinência: Abstenção; qualidade daquele que se abstém e se priva de algo; privação voluntária.
Inequívoco: Que não tem mais de um sentido ou se presta a mais de uma interpretação; não ambíguo; que não dá margem a suspeita.
Monogamia: Casamento do homem com uma só mulher.
Procriação: Ato ou efeito de procriar; dar origem, nascimento, existência, a; crescer em número, pela procriação; multiplicar-se, reproduzir-se.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

A Juventude Cristã e o Sexo. Elienai Cabral, CPAD.
E Agora, Como Viveremos? Colson & Pearcey, CPAD.
Ética: As Decisões Morais à Luz da Bíblia. Arthur F. Holmes, CPAD.
Pureza Sexual: Como Vencer Sua Guerra Interior. Robert Daniels, CPAD.
Responda-me, Por Favor!: Sexo & Namoro. Marta D. de Andrade e Claudionor C. de Andrade, CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Como o homem participa da criação?

R. Através da procriação.

 

2. Quem tem o direito legítimo de desfrutar a sexualidade?

R. Os casados.

 

3. De acordo com a lição, quais as finalidades da união sexual?

R. Procriação, ajustamento entre o casal e satisfação ou prazer entre os cônjuges.

 

4. Como deve ser a relação sexual de um casal cristão?

R. Exclusiva, alegre, santa e natural.

 

5. Que é fornicação?

R. A prática do sexo entre solteiros.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

“Um relacionamento sexual não está confinado a apenas duas pessoas. Envolve também Deus, Criador e Senhor de todos nós, que pelos propósitos que tinha em mente, fez-nos criaturas sexuais. O Cristianismo não está só quando coloca implicações religiosas no sexo. No mundo antigo, a prostituição religiosa celebrava a fertilidade da natureza. No outro extremo, o celibato ainda é adotado como vocação religiosa. Mais pertinente ao sexo é o rito da circuncisão no Antigo Testamento, adotado como sinal de que a aliança de Deus estava sobre os filhos de Abraão, de geração em geração. Os próprios órgãos genitais deviam ser uma lembrança permanente de que a sexualidade é concedida pelo Senhor, e que somos responsáveis perante Ele pelo uso do sexo.

A união sexual e a reprodução fazem parte da criação e foi ordenada por Deus desde o princípio, pela instituição do casamento. O sexo não pode ser retirado desse contexto e tratado de forma meramente biológica ou psicológica, como ocorre na sociedade contemporânea. Seu principal significado não deve ser encontrado em si mesmo, no ato, na experiência ou mesmo em suas consequências sociais. Como em qualquer coisa vista teisticamente, seu significado principal deve ser encontrado em relação a Deus e seus propósitos” (Ética: As Decisões Morais à Luz da Bíblia. CPAD, p.129).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 8: O cristão e a pena de morte

Data: 25 de agosto de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

E, ouvindo-o Rúben, livrou-o das suas mãos e disse: Não lhe tiremos a vida” (Gn 37.21).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A vida é um dom de Deus. Só a Ele, cabe concedê-la ou suprimi-la, direta ou indiretamente, sem que se configure um crime.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Êx 21.23

Vida por vida

 

 

 

Terça - Nm 35.31

A pena de morte

 

 

 

Quarta - 1 Sm 2.6

Deus dá e tira a vida

 

 

 

Quinta - Jó 7.16

Abominando a vida

 

 

 

Sexta - Sl 30.5

A vida é favor de Deus

 

 

 

Sábado - Êx 20.13

Não matarás

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Gênesis 20.13; Êxodo 21.12,15,16; Mateus 5.17-22; Romanos 13.1,2,4.

 

Gênesis 20

13 - Não matarás.

 

Êxodo 21

12 - Quem ferir alguém, que morra, ele também certamente morrerá;

15 - O que ferir a seu pai ou a sua mãe certamente morrerá.

16 - E quem furtar algum homem e o vender, ou for achado na sua mão, certamente morrerá.

 

Mateus 8

17 - Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.

18 - Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.

19 - Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.

20 - Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.

21 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo.

22 - Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo.

 

Romanos 13

1 - Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.

2 - Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.

4 - Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal.

 

PONTO DE CONTATO

 

Permita que seus alunos emitam opiniões a respeito do tema proposto. Tenha em mente que a pena de morte é bíblica, e de que a ideia de amenizá-la surgiu com o advento do humanismo iluminista, por volta do século dezoito. Ela foi instituída, na Bíblia, para correção de quem praticasse crime doloso, isto é, intencional, premeditado, valendo-se de má fé. Para os outros casos havia os recursos cabíveis, também prescritos na Lei. Muitos países modernos adotam-na e outros estão estudando a possibilidade de implantá-la em função da progressão da violência existente. Embora haja respaldo bíblico para a pena de morte, nós cristãos continuamos a crer que a verdadeira transformação é aquela operada pela regeneração em Jesus Cristo e atuação do Espírito Santo no homem interior.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Refletir sobre a pena de morte partindo de um embasamento bíblico-teológico, à luz da ética cristã.
  • Reconhecer que na Bíblia há respaldo para a pena de morte, não como regra, mas como exceção.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A pena de morte tem sua origem perdida na história da humanidade. No tempo de Noé, ela é vista possivelmente como forma de frear a violência que propagava-se naquela civilização. Entretanto, na lei de Moisés é que ela foi regulamentada e ampliada, tendo como base o Decálogo, normatizando-se a penalidade para os diversos delitos. Nos Evangelhos, não houve suavização para a pena de morte, tanto que Jesus submeteu-se a ela cumprindo assim toda a lei. Paulo recomendou que todos os crentes da época fossem obedientes às autoridades para que não se tornassem réus de juízo. Em nossos dias, existe uma grande discussão sobre o assunto, embora não haja consenso.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Motivo X Incentivo

 

De que modo você tem despertado a motivação de seus alunos para o estudo destas lições? As aulas meramente expositivas costumam causar desinteresse e apatia. Seus alunos precisam estar motivados para aprender.

Aprender é adquirir novas atitudes. Tudo o que fazemos tem um objetivo ou um motivo. E o que é motivo? Motivo é tudo o que nos move para determinado fim, ou seja, é a força interior que leva o homem a agir. Motivação é a soma do motivo com o incentivo. E o que é incentivo? Incentivo é o processo externo que vai despertar o “motivo” do indivíduo. Incentivo é ação de fora para dentro. Motivo é reação, neste caso, de dentro para fora.

O planejamento e a motivação das aulas, utilizando recursos materiais e humanos, métodos e técnicas adequados, bem como a fixação e a avaliação, tornam a aprendizagem eficaz.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Secularmente, a pena capital é tema de abordagem complexa, polêmica e controversa. Entretanto, desejamos refletir sobre a mesma, partindo de um embasamento bíblico-teológico, à luz da ética cristã. No primeiro versículo da leitura bíblica em classe, a frase “não matarás” no original tem a ver com morte premeditada, deliberada, proposital, dolosa.

 

I. A PENA DE MORTE NO ANTIGO TESTAMENTO

 

1. Pacto com Noé. Na aliança firmada entre Deus e Noé (e sua descendência), a pena de morte já aparece de modo claro e direto: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem” (Gn 9.6). Certamente, o Senhor teve em mente dissuadir os que quisessem continuar com a maldade e a violência perpetrada contra seus semelhantes, como na civilização antediluviana, quando a maldade do homem se multiplicara (Gn 6.5), e perpetraram-se assassinatos por coisas banais. “E disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: Porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar” (Gênesis 4.23).

2. Lei de Moisés. A pena de morte não só era praticada, como também foi ampliada para muitos delitos: homicídio doloso— “Quem ferir alguém, que morra, ele também morrerá; porém, se lhe não armou ciladas, mas Deus o fez encontrar na suas mãos, ordenar-te-ei um lugar para onde ele fugirá. Mas, se alguém se ensoberbecer contra seu próximo, matando-o com engano, tirá-lo-ás do meu altar para que morra” (Êxodo 21.12-14); adultério — “Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher de seu próximo, certamente morrerão o adúltero e a adúltera...” (Levíticos 20.10-21); sequestro (Êx 21.16; Dt 24.7); homossexualismo (Lv 18.22; 20.13); sexo com animais — bestialidade (Êx 22.19); falsas profecias (Dt 13.1-10); blasfêmia (Lv 24.11-14); sacrifícios a deuses estranhos (Êx 22.20); profanação do dia de descanso (Êx 35.2; Nm 15.32-36); desobediência contumaz aos pais (Dt 17.12; 21.18-21). “Mas, se houver morte, então, darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé” (Êx 21.23,24).

3. O caso de Acã. Após a conquista de Jericó, Josué determinou uma interdição, sob anátema, segundo a qual nenhum israelita poderia tocar e se apropriar dos despojos daquela cidade maldita. Entretanto, a cobiça, às vezes, fala mais alto. Assim, “prevaricaram os filhos de Israel no anátema; porque Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou do anátema, e a ira do SENHOR se acendeu contra os filhos de Israel” (Js 7.1): Israel foi derrotado diante de um pequeno exército da Cidade de Aí. Mais ainda: a pena de morte foi o castigo não só para o desobediente Acã; toda sua família, de igual modo, pereceu (Js 7.15). “...E disse Josué: Por que nos turbaste? O SENHOR te turbará a ti este dia. E todo o Israel o apedrejou com pedras, e os queimaram a fogo e os apedrejaram com pedras” (Js 7.24,25).

 

II. A PENA DE MORTE NO NOVO TESTAMENTO

 

1. Nos Evangelhos.

a) Cumprindo a lei. Passa despercebido o fato de que, em todo o decurso do ministério de Cristo na Terra, Ele trouxe uma nova aliança de Deus com o homem. Uma nova doutrina de amor e graça salvadora, ao mesmo tempo em que cumpria a lei de Moisés. Assim, Ele deu respaldo à pena imposta pelo Sinédrio, quando diz: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão raca será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno” (Mt 5.21,22).

b) Pena mais rigorosa. Sem dúvida, ser “réu de juízo” (v.21), para o homicida, era ser morto também (Êx 21.12-14). Na lei de Cristo, para ser “réu de juízo” não precisava ser um assassino, mas até quem se encolerizasse contra seu irmão. Jesus deu respaldo à pena capital, ao mesmo tempo em que mandou amar os inimigos (Mt 5.44) e, dar a outra face a quem bater numa? (Lc 6.29). Tudo deve ser entendido à luz dos respectivos contextos. Jesus ministrava ensinos de amor, justiça e paz, como regra geral para seus seguidores. Entretanto, Ele admitia a punibilidade e o castigo através da autoridade legalmente constituída, contra os transgressores da lei. Jesus não doutrinou contra a pena de morte. Ele mesmo submeteu-se a ela, cumprindo toda a lei (ver Mt 5.17; Gl 3.13). Além disso, em Êxodo 20.13, o verbo matar (“Não matarás”), no original, corresponde a matar dolosamente.

c) O episódio da mulher adúltera (Jo 8.1-11). Desse episódio têm se apropriado os críticos da pena de morte, argumentando que Jesus, ao invés de apoiar os acusadores, antes, perdoou a mulher, livrando-a, consequentemente, do apedrejamento previsto em lei. É necessária uma leitura mais demorada do texto. Primeiro, foram os fariseus que trouxeram a mulher. Eram acusadores. Mas, onde estavam as testemunhas, exigida pela lei? “Todo aquele que ferir a alguma pessoa, conforme o dito das testemunhas, matarão o homicida; mas uma só testemunha não testemunhará contra alguém para que morra” (Nm 35.30). Segundo, a lei dizia que deveriam ser condenados à morte o adúltero e a adúltera (Lv 20.10), mas só trouxeram a mulher. Se Jesus houvesse aprovado o apedrejamento, seria acusado de parcialidade e descumprimento da lei. Logo, o Mestre cumpriu formalmente a lei, não aceitando a acusação ilegítima, e aplicou soberanamente a lei da graça e do seu sublime amor, não condenando a pecadora, mas exortando-a a deixar o pecado.

2. Em Atos dos Apóstolos. No capítulo 5, vemos o caso de Ananias e Safira, sua esposa: ambos fulminados um após o outro, por terem mentido, usando de falsidade ideológica, num ato indigno, de apropriação indébita do dinheiro que não lhes pertencia (Caso isso voltasse a acontecer, só Deus sabe quantos seriam destruídos). Notemos que Deus aplicou a pena capital através dos apóstolos, fato que não voltou a ocorrer na Igreja Primitiva. Certamente isso aconteceu para mostrar que os praticantes de pecados desta natureza são passíveis de juízo, caso não se arrependam.

3. Nas epístolas. Doutrinando sobre as relações entre o cristão e o Estado, o apóstolo Paulo escreveu: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal” (Rm 13.1-4). “Aí, vemos que a autoridade constituída (o princípio da autoridade) emana de Deus; e os magistrados, quando atuam legitimamente, com integridade e parcialidade totais, estão agindo legitimados pela autoridade do Todo-Poderoso, trazendo a espada” (pena de morte).

 

CONCLUSÃO

 

Há respaldo bíblico para a pena de morte, não como regra, mas como exceção. Devido às suas falhas, erros, fraquezas e também leniência (por opção, por decisão nacional, por consenso, etc.), o sistema judicial de várias nações evita a pena capital e, arbitra então pela perda da liberdade do delinquente — a prisão temporária, ou mesmo a prisão perpétua. “Visto como não se executa logo juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal” (Eclesiastes 8.11). Confira ainda, Isaías 26.9,10.

 

VOCABULÁRIO

 

Anátema: Amaldiçoado, condenado, destruição, maldição.
Civilização: Conjunto de caracteres próprios da vida social, política, econômica e cultural de um país ou de uma região; cultura, progresso.
Decurso: Ato de decorrer; passagem do tempo; sucessão, sequencia, extensão.
Dissuadir: Tirar de um propósito; despersuadir; desaconselhar.
Égide: Escudo; defesa, proteção; abrigo, amparo.
Emanar: Provir, proceder, sair, originar-se.
Encolerizar: Causar cólera a; irar; irritar, enfurecer; zangar-se, irar-se.
Hediondo: Repelente, repulsivo; horrendo, sinistro, pavoroso, medonho.
Ilegítima: Que não é conforme a lei, fundado no direito, na razão ou na justiça; não autêntico, genuíno; improcedente.
Magistrado: Indivíduo investido de função pública; delegatário de poderes da nação ou do poder central, para governar ou distribuir justiça.
Parcialidade: Qualidade de parcial, que faz parte de um todo; que não é total; que não julga ou não opina com isenção; injusto, partidário; sectário.
Perpetrar: Cometer, praticar; perfazer, realizar.
Prevaricar: Faltar ao dever; faltar, por interesse ou por má fé, aos deveres do seu cargo, do seu ministério; torcer a justiça; agir ou proceder mal.
Raca: Termo popular e injurioso, significando “vil”, “desprezível”, “tolo”.
Pacto: Acordo firmado entre Deus e os homens, visando abençoar aos que o obedecem e guardam os Seus mandamentos. A base dos pactos, conhecidos também como alianças, é o amor divino. É um compromisso gracioso da parte do Senhor, pelo qual nos concede favores imerecidos.
Homicídio Doloso: Crime em que o homicida age premeditada, intencional e voluntariamente. O criminoso assume o propósito deliberado de destruir a vida alheia, infringindo o sexto mandamento (Êx 20.13) e as leis temporais.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

Ética: As Decisões Morais à Luz da Bíblia. Arthur F. Holmes, CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quando Deus decretou, pela primeira vez, a pena capital?

R. No pacto com Noé (Gn 9.6).

 

2. Nos ensinos de Cristo, qual a pena para quem se encolerizasse contra seu irmão sem motivo?

R. Seria réu de juízo.

 

3. De acordo com Romanos 13, como é vista a autoridade para quem faz o mal?

R. Como “ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal”.

 

4. Qual o posicionamento cristão, indicado na lição, quanto à pena de morte?

R. Não obstante encontrar-se respaldo bíblico para a pena capital, é preferível a aplicação da prisão perpétua.

 

5. Cite casos, bíblicos e da história, de pessoas que sofreram pena de morte.

R. Acã e sua família, Ananias e Safira.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Em princípio não existe argumento bíblico contra a pena de morte, pois a ‘espada’ foi confiada ao governante, e o sistema mosaico adotava a pena capital em pelo menos dez tipos de crimes”. Crimes violentos, sexuais e barbárie. Mas, ao aplicar-se o mesmo princípio, não se encontra precedente bíblico em favor da pena capital como hoje se adota, pois o precedente bíblico condenava à morte não só o homicida, mas também o adúltero e o que amaldiçoasse pai e mãe. Lembremo-nos de como Jesus tratou a mulher apanhada em adultério (Jo 8.3-11). Não se pode argumentar que na antiguidade não existiam as penas alternativas. Além da verdadeira restituição, o código mosaico previa o açoite e o exílio (...).

A lei, os profetas e o Evangelho trabalham juntos para vencer o mal e fazer brotar a fome e sede de justiça, que o reino de Cristo saciará.

Assim também acontece em relação à pena capital. Em casos extremos ela pode ser moralmente permitida — mas não é um ideal. A lei de talião permite castigo proporcional ao crime de tirar a vida de alguém. Mas é possível perder-se o direito de viver, sem receber a pena de morte, e o amor sempre buscará um castigo remidor. De igual modo, no atual sistema de leis onde existem tantas injustiças com as minorias e os pobres, o acesso aos recursos legais, por exemplo, ainda é negado a muitos. Reflitamos, portanto, se a pena de morte é justa. Devemos sempre buscar justiça, sim, mas uma justiça temperada de amor” (Ética: As Decisões Morais à Luz da Bíblia. CPAD, pp.114,115).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 9: O cristão, a eutanásia e o suicídio

Data: 1 de Setembro de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela” (1 Sm 2.6).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O término da vida provocado pelo homem, sua abordagem pelo crente não deve basear-se em raciocínio, filosofias e justificativas puramente humanas, mas nas Escrituras respeitante ao vasto assunto da vida.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Gn 2.7

Deus, o Autor da vida

 

 

 

Terça - Gn 7.22

A vida exterminada

 

 

 

Quarta - Gn 9.5

Deus requer a vida

 

 

 

Quinta - Ex 1.17

Temeram tirar a vida

 

 

 

Sexta - Jó 33.4

A inspiração do Todo Poderoso

 

 

 

Sábado - Jn 4.3

Pedindo a morte

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Samuel 2.6; Jó 2.7,9,10; Provérbios 31.6.

 

1 Samuel 2

6 - O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela.

 

Jó 2

7 - Então, saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até ao alto da cabeça.

9 - Então, sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre.

10 - Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.

 

Provérbios 31

6 - Dai bebida forte aos que perecem, e o vinho, aos amargosos de espírito.

 

PONTO DE CONTATO

 

Inicie a aula refletindo com seus alunos sobre a importância da vida. Leve-os a ver que cada dia que nasce é uma oportunidade de Deus para que vivamos melhor. Se transgredimos é uma chance para corrigirmos o erro, se não, é uma ocasião favorável para reafirmarmos a confiança na providência divina. Peça-lhes para descrever o que considerariam uma situação limite. Conscientize-os de que também nos momentos extremos da vida temos oportunidade de reafirmar a fé e a crença nas promessas registradas na Palavra de Deus. Não transforme sua aula em momentos de morbidez. Celebre a vida (Salmo 118.24).

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Reconhecer que a eutanásia é um crime contra a vontade de Deus explícita no Decálogo.
  • Destacar que somente Deus tem o direito de dar a vida e de tornar a tirá-la.
  • Respeitar seu corpo como propriedade de Deus.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A vida é dom de Deus concedido ao homem. Toda concessão continua sendo de domínio do seu proprietário. Assim, não é da competência deste homem decidir o momento em que sua vida, ou de quem quer que seja deva ser extinta. O conceito de misericórdia aplicado à eutanásia é equivocado, pois o exercício daquela implica em prestar socorro até às últimas consequências, e isto não inclui tirar a vida com a pretensa justificativa de estar aliviando o sofrimento de alguém. Quanto ao suicídio, é um ato de extrema covardia. O ser humano sentindo-se incapaz de lidar com suas próprias limitações busca refúgio na morte. Não seria mais fácil permanecer vivo e admitir que fracassou? Qualquer forma de morte induzida é a legitimação de desistência da vida e, por extensão, da fé e da crença nos valores eternos.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Divida sua classe em pequenos grupos de três ou quatro alunos. Estes grupos deverão discutir por 5 minutos sobre o tema “eutanásia”. Que relação tem a eutanásia com o suicídio? Há fundamento bíblico para a prática da eutanásia? Cada grupo, após a discussão deverá apresentar ao professor as conclusões a que chegaram.

Este método denomina-se Pequenos Grupos de Estudos e normalmente é usado quando:

       A classe for muito grande;

       Houver necessidade de examinar várias facetas de um assunto;

       Alguns membros da classe não estiverem motivados com o tema de estudo;

       Tempo for limitado.

 

Eis algumas vantagens na utilização deste método:

   1. Encoraja as pessoas tímidas;

   2. Cria um ambiente cordial;

   3. Desenvolve habilidades de liderança;

   4. Economiza tempo;

   5. Dá oportunidade de todos participarem com suas idéias;

   6. Pode ser usado facilmente com outros métodos.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Um crente em Jesus está na UTI, e os médicos concluem que não há mais solução para sua doença. Todos os esforços serão inúteis. O que fazer? Continuar com o tratamento custoso? Desligar os aparelhos? Muitos têm recorrido ao suicídio, como se fosse uma porta de emergência para escapar da dor. O que podemos dizer como cristãos acerca disso?

 

I. O CRISTÃO E A EUTANÁSIA

 

1. O que significa? A palavra “eutanásia” vem de dois termos gregos: eu, com significado de “boa” e thánatos, que significa “morte”. Do que resulta o termo eutanásia, sugerindo a ideia de “boa morte”. Tal conceito é aplicado aos casos em que o médico, usando meios a seu dispor, leva o paciente à “morte misericordiosa”, pondo fim ao seu sofrimento.

2. A eutanásia ativa. É aquela em que o médico, a pedido do paciente, ou de familiares, através da aplicação de algum tipo de agente (substância, medicamento, etc.) leva o doente à morte, evitando o seu sofrimento. Há quem defenda essa prática, sob o argumento de que “não se deve manter artificialmente a vida subumana ou pós-humana vegetativa”, e que se deve evitar o sofrimento dos pacientes desenganados, com moléstias prolongadas tais como câncer, AIDS e outras.

3. O posicionamento bíblico.

a) “Não matarás”. A Bíblia diz: “Não matarás...” (Êx 20.13). Daí, a ação do médico, tirando a vida do paciente, equiparar-se a um assassinato, a um homicídio. “Tradicionalmente, se reconhece que a eutanásia é um crime contra a vontade de Deus, expressa no decálogo, e contra o direito de vida de todos os seres humanos”. Lemos em 1 Sm 2.6: “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela”. A vida do homem não lhe pertence. Recebeu-a para administrar e deve fazê-lo como bom administrador ou mordomo, a fim de, no futuro, prestar contas ao seu legítimo dono, Deus.

b) Há a possibilidade do milagre. E se Deus quiser realizar um milagre? A fé passa por cima de todas as impossibilidades. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem. Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho” (Hebreus 11.1,2). Certamente, o Juramento de Hipócrates, proclamado pelos médicos, deve ser considerado, prescrevendo que os mesmos não devem “dar remédio letal a quem quer que o peça, tampouco... fazer alguma alusão a respeito”.

O argumento em favor da eutanásia, alegando que deixar alguém sofrendo sem a mínima perspectiva de sobrevivência é menos moral do que acelerar a morte para tal pessoa, é humano e não tem base bíblica. “Matar por misericórdia”, mesmo com consentimento de quem está sofrendo, não é moralmente correto, e tal pedido equivale ao suicídio. Assim, quem pratica esse tipo de eutanásia é cúmplice de suicídio. A vida é santa em si e em sua finalidade. Somente Deus pode e tem o direito de dar a vida e de tornar a tirá-la. O nosso dever é aliviar o sofrimento das pessoas por outros métodos e não tirando-lhes a vida.

Ao contrário, devemos envidar todo esforço na tentativa de sua cura, seja por medicamentos, seja pela oração da fé “...e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5.15,16).

 

II. O CRISTÃO E O SUICÍDIO

 

1. O suicídio na Bíblia. Nas Escrituras, encontramos o registro de alguns casos de suicídio. Em todos eles, vemos que seus protagonistas foram pessoas que deixaram de lado a voz do Senhor, e desobedeceram à sua Palavra:

a) O exemplo de Saul. Foi um rei fracassado, que deixou o Senhor, e foi em busca de uma médium espírita (cf. 1 Sm 28.1-19; 31.1-4; 1 Cr 10.13,14).

b) O exemplo de Aitofel. Foi um conselheiro de Absalão, orgulhoso, que se matou por ver que sua palavra fora suplantada por outro. (2 Sm 17.23).

c) O exemplo de Zinri. Um rei sem qualquer temor de Deus, que usurpou o trono por traição e matança, e que por fim se matou, quando se viu derrotado pelo exército inimigo (1 Rs 16.18,19).

d) O exemplo de Judas Iscariotes. Após trair Jesus, foi dominado por um profundo remorso, e, ao invés de pedir perdão ao Senhor, foi-se enforcar.

2. O caso de Sansão. Ele caiu nos braços de uma prostituta, chamada Dalila (Jz 14.3; 16.11). Traído por ela, foi levado ao cárcere. Numa festa ao deus Dagon, foi apresentado como troféu, e fez o templo desmoronar sobre ele e seus inimigos.

Há quem cite o caso de Sansão (Jz 16.30) como exemplo de suicídio aprovado por Deus. Quem pensa assim desconhece toda a história de Sansão e sua era teocrática. Há casos em que uma pessoa morre, sacrificando-se por outra ou por outras. Um bombeiro entra no fogo e salva várias pessoas, mas ele morre; um soldado lança-se sobre uma granada, impedindo que muitos companheiros pereçam. Isso não é suicídio. É sacrifício. Ver o caso da rainha Ester (Ef 4.11-15).

3. Sugestão de uma esposa sem fé. A mulher de Jó sugeriu, diante de seu sofrimento, que ele amaldiçoasse a Deus e morresse (se suicidasse). Ele, porém, não aceitou tal ideia, e de modo resignado, confiou integralmente no Senhor.

4. O posicionamento cristão. A vida é sagrada e somente Deus pode dar e tirar a vida. Moisés pediu a Deus que tirasse a sua vida (Nm 11.15). O profeta Elias também fez o mesmo pedido (1 Rs 19.4) e da mesma forma o profeta Jonas (Jn 4.3). Deus não atendeu a nenhum desses pedidos. Isso mostra que a vida pertence a Deus e não a nós mesmos. Deus sabe a hora em que a vida humana deve cessar, e Ele é o soberano de toda a existência.

As Sagradas Escrituras condenam o suicídio pelos seguintes motivos:

a) É assassinato de um ser feito à imagem de Deus (Gn 1.17; Êx 20.13; Jo 10.10);

b) Devemos amar a nós mesmos (Mt 22.39; Ef 5.29);

c) É falta de confiança no Deus, visto que Ele pode nos ajudar (Rm 8.38,39);

d) Devemos lançar as nossas ansiedades sobre o Senhor, e não na morte (1 Jo 1.7; 1 Pe 5.7).

O ser humano deve respeitar seu corpo como propriedade de Deus. Por isso, não compete ao homem tirar a sua vida. Ao contrário, tudo ele deverá fazer para protegê-la.

 

CONCLUSÃO

 

Esperamos que estes subsídios contribuam para uma reflexão mais aprofundada dos assuntos estudados, na busca de respostas mais consistentes em relação aos problemas éticos que são verdadeiros desafios à igreja do Senhor, principalmente no início de um novo milênio, quando os mais diversos e inusitados questionamentos inquietam os servos de Deus.

 

VOCABULÁRIO

 

Acatar: Aceitar, seguir; obedecer, cumprir; olhar atentamente.
Compactuar: Pactuar juntamente com outrem; transigir.
Compassivo: Que tem ou revela compaixão; condolente.
Compatível: Que pode coexistir; conciliável, harmonizável.
Custoso: Que custa muito dinheiro; árduo, difícil, trabalhoso.
Deliberada: Decida, assentada; examinada.
Irreversível: Não reversível, que não pode voltar ao estado anterior.
Letal: Que produz a morte; mortal, mortífero, fatal; lúgubre.
Médium: Segundo o Espiritismo, suposto intermediário entre os vivos e a alma dos mortos.
Patológico: Relativo à patologia, ramo da medicina que se ocupa da natureza e das modificações estruturais e/ou funcionais produzidas pela doença no organismo.
Protagonista: Figurativamente, pessoa que desempenha ou ocupa o primeiro lugar num acontecimento.
Resignado: Que sofre com resignação; que não lamenta a sua sorte.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

E Agora, Como Viveremos? Colson & Pearcey, CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Que significa eutanásia?

R. “Boa morte”.

 

2. Qual a posição da Bíblia em relação a Eutanásia?

R. A eutanásia é um crime contra a vontade de Deus. A Palavra de Deus diz: “Não matarás”.

 

3. Que significa o suicídio?

R. Matar a si mesmo.

 

4. O que há de comum nas pessoas que cometeram suicídio, de acordo com a Bíblia?

R. Todas elas foram pessoas que deixaram de lado a voz do Senhor, e desobedeceram à sua Palavra.

 

5. Por quais motivos a Bíblia condena o suicídio?

R. E um assassinato de um ser feito à imagem de Deus; devemos amar a nós mesmos; é falta de confiança em Deus; devemos lançar nossas ansiedades sobre o Senhor.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“O compromisso cristão com a vida não pode ser tratado como um ‘caso amoroso com o feto’, segundo a acusação de alguns críticos, ou como um desejo de impor a moralidade repressiva vitoriana. Ao invés disso, o crente é dirigido por uma convicção, baseada na revelação bíblica, sobre a natureza das origens do homem e o valor da vida humana. Por isso, diante de um soldado mutilado brigando pela vida, o Dr. Kenneth Swan não consultou nenhum livro de ética ou discussão de princípios abstratos. Tendo sido criado numa cultura saturada pela tradição judaico-cristã de que a vida humana tem valor intrínseco, porque foi criada à imagem e semelhança de Deus, ele simplesmente fez o que naturalmente lhe ocorreu. O médico salvou a vida do soldado.

Porém, o que antes fora a cultura de vida, está sendo hoje tomado pelo que um grande líder cristão chamou de ‘cultura de morte’ construída sobre a ética naturalista que está afetando grandemente toda a sociedade, desde o não nascido ao velho e enfermo, desde o deformado e incapacitado ao fraco e indefeso. De forma insensata buscando sua própria lógica, essa cultura de morte nega que a espécie humana é superior a todas as outras espécies biológicas, e termina com a ameaça à vida em cada estágio. Tal conceito tanto progrediu que a eutanásia é hoje um direito protegido pela constituição de um estado americano, financiada pelo programa de assistência médica, e o infanticídio está sendo defendido por respeitados acadêmicos e cientistas, tudo sem quase nenhum murmúrio de indignação pública ou discordância” (E Agora, Como Viveremos? CPAD, p.152).

“Os direitos pertencem somente às pessoas; assim, se alguém pode ser reduzido a uma não pessoa, então não tem direito nenhum. Peter Singer, recentemente indicado como professor de Bioética, em Princenton, defende de forma aberta a permissão dos pais matarem bebês deficientes, com base de que estes não são ‘pessoas’ até que sejam racionais e autoconscientes. Como não pessoas, diz ele, são ‘substituíveis’, à semelhança de galinhas ou de outra criação. Singer não para por aí. Ele continua a defender a morte de pessoas incapazes, de qualquer idade, se seus familiares decidirem que suas vidas ‘não valem a pena ser vividas’ — Este é o tipo indizivelmente desumano de ética que alunos em algumas das mais privilegiadas escolas dos EUA estão aprendendo hoje. E o que acontecerá quando essa elite de estudantes chegar a posição de poder?” (E Agora, Como Viveremos? CPAD, p.157).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 11: O cristão e as finanças

Data: 15 de setembro de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6.10).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O cristão, como filho de Deus, dEle recebe todas as coisas, incluindo o dinheiro, que deve ser utilizado de maneira correta, sensata e temente a Deus, para glória de Seu Nome.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 1Tm 6.17

A incerteza das riquezas

 

 

 

Terça - Ef 4.28

Trabalho generoso

 

 

 

Quarta - 1Co 10.31

Tudo para a glória de Deus

 

 

 

Quinta - Pv 6.9-11

Exortação ao preguiçoso

 

 

 

Sexta - 1Tm 6.10

A raiz de todos os males

 

 

 

Sábado - 1Cr 29.14

Tudo recebemos de Deus

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Crônicas 29.12,14; 1 Timóteo 6.9,10.

 

1 Crônicas 29

12 - E riquezas e glória vêm de diante de ti, e tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; e na tua mão está o engrandecer e dar força a tudo.

14 - Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, que tivéssemos poder para tão voluntariamente dar semelhantes coisas? Porque tudo vem de ti, e da tua mão to damos.

 

1 Timóteo 6

9 - Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.

10 - Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

 

PONTO DE CONTATO

 

Cartões de crédito, cheques pré-datados, prazos a perder de vista... Quanta facilidade! Isto é o que podemos realmente chamar de mundo de ilusões. Esclareça seus alunos que as supostas facilidades oferecidas pelo mercado financeiro são, na verdade, um golpe para ludibriar o consumidor incauto. O apelo começa com produtos de higiene pessoal, passa pela alimentação da família, e chega ao carro do último modelo. Preste atenção nos comerciais de televisão e veja como eles trabalham a indução.

“Vá”, “Compre”, “Faça”, “Vem”. Notou que as ações estão sempre no imperativo? É assim que o marketing trabalha, utilizando voz de comando para induzi-lo a gastar mesmo que você não possua recursos. Vigie! A extravagância é tão perigosa quanto a avareza.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Descrever as várias maneiras de como o cristão deve ganhar o seu dinheiro.
  • Conscientizar-se de que o dinheiro pode ser bênção ou maldição, dependendo do uso que se faz dele.
  • Explicar como o cristão deve utilizar o seu dinheiro.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A vida cristã deve ser pautada pelo equilíbrio. O que somos, a forma como vivemos, o tratamento que dispensamos ao próximo e a nós mesmos, nada escapa às regras estabelecidas por Deus em sua Palavra para nosso bem-estar. Neste conjunto de normas, está incluída a forma como gastamos nosso dinheiro. Devemos ganhá-lo com trabalho honesto e fugindo das práticas ilícitas. Somos filhos de Deus e dEle recebemos todas as boas dádivas, inclusive bens materiais. É lícito desfrutarmos dos benefícios que o dinheiro traz. Não é lícito nos apegarmos a ele transformando-o em objeto de cobiça e tentando consegui-lo a qualquer custo. Deus recomendou ao homem, no Éden, que buscasse sustento, sacrificando o suor de seu rosto, não a sua dignidade.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para que servem as técnicas de grupo? Esta pergunta parece desnecessária, entretanto, muitos professores utilizam tais técnicas sem ter consciência de sua finalidade. Tais técnicas não têm outros objetivos senão os de facilitar o processo de comunicação, promover a participação dos alunos e ajudar na tomada de decisões. As técnicas são simples artifícios para o grupo realizar seus fins. Elas não são absolutas, mas meras ferramentas que o professor pode modificar, adaptar ou combinar quando bem entender. Aliás, o ideal é que o mestre sempre esteja criando novas técnicas mais adequadas ao ensino de sua própria classe e condições físicas e estruturais de sua Escola Dominical. Existe uma infinidade de técnicas grupais, tais como: Phillips 66, Díade, Grupos de cochicho, Grupos pequenos, Grupos de verbalização e observação, Tempestade cerebral, Pergunta circular, Painel, Simpósio, Debate, Estudos de casos, Seminários, Dramatização etc. Que tal realizar uma dessas técnicas na lição desta semana?

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

O dinheiro pode ser bênção ou maldição, dependendo do uso que dele fazemos. Se o fizermos de modo judicioso e para glória de Deus e expansão do seu reino, com gratidão pelos bens adquiridos, seremos recompensados pelo Senhor. Que possamos utilizar nossos recursos financeiros de modo honesto, como verdadeiros mordomos de nosso Senhor Jesus Cristo. Saiba-se que a avareza é uma forma de idolatria (Cl 3.5).

 

I. TUDO O QUE SOMOS E TEMOS VEM DE DEUS

 

1. Somos seus filhos. Todas as pessoas pertencem a Deus, por direito de criação (cf. Sl 24.1). Nós cristãos, temos algo a mais, pois somos filhos de Deus por criação, mas também por redenção e ainda por direito de, através da nossa fé em Jesus: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).

2. Deus nos dá todas as coisas. Na condição de filhos, Deus nos concede todas as bênçãos espirituais de que necessitamos (Ef 1.3; Fp 4.19; Tg 1.17) e também nos confere as bênçãos materiais. No Pai Nosso, lemos: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 6.11). Nos salmos, está escrito: “quem enche a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a águia” (Sl 103.5). Os não crentes têm as coisas por permissão de Deus, sejam ricos ou pobres. Nós, seus filhos, temos as coisas, incluindo o dinheiro, como dádivas de sua mão. Davi tinha essa visão, quando disse: “Porque tudo vem de ti, e da tua mão to damos” (1Cr 29.14).

 

II. COMO DEVEMOS GANHAR O “NOSSO” DINHEIRO?

 

1. Com trabalho honesto. A ética bíblica nos orienta que devemos trabalhar com afinco para fazermos jus ao que percebemos. Desde o Gênesis, vemos que o homem deve empregar esforço para obter os bens de que necessita. Disse Deus: “No suor do teu rosto, comerás o teu pão...” (Gn 3.19a). O apóstolo Paulo escreveu, dizendo: “Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus” (1Ts 2.9); “e procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vô-lo temos mandado” (1Ts 4.11). “Se alguém não quiser trabalhar, não coma também”(2Ts 3.10). Daí, o preguiçoso que recebe salário está usando de má fé, roubando e insultando os que trabalham.

2. Fugindo de práticas ilícitas. O cristão não dever recorrer a meios ou práticas ilícitas para ganhar dinheiro, como o jogo, o bingo, a rifa, loterias, e outras formas “fáceis” de buscar riquezas. Em Provérbios, lemos: “O homem fiel abundará em bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não ficará sem castigo” (Pv 28.20). O cristão também não deve frequentar casas de jogos, como cassinos e assemelhados. Esses ambientes estão sempre associados a outros tipos de práticas desonestas, como prostituição e drogas.

3. Fugindo da avareza. Avareza é o amor ao dinheiro. É uma escravidão ao vil metal. Diz a Bíblia: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6.9,10). Deus não condena a riqueza em si, mas a ambição, a cobiça, a exploração, a usura e a avareza. Abraão era homem muito rico; Jó era riquíssimo, antes e depois de sua provação (Jó 1.3,10); Davi, Salomão e outros reis acumularem muitas riquezas, e nenhum deles foi condenado por isso. O que Deus condena é a ganância, a ambição desenfreada por riquezas (cf. Pv 28.20).

4. Fugindo da preguiça. O trabalho diuturno deve ser normal para o cristão. A preguiça não condiz com a condição de quem é nascido de novo. Jesus deu o exemplo, dizendo: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5.17). O livro de Provérbios é rico em exortações contra a preguiça e o preguiçoso (Pv 6.9-11).

 

III. COMO O CRISTÃO DEVE UTILIZAR O DINHEIRO

 

1. Na igreja do Senhor. Um velho pastor dizia: “O dinheiro de Deus está no bolso dos crentes”. De fato, Deus mantém sua igreja, no que tange à parte material, através dos recursos que Ele mesmo concede a seus servos.

a) Pagando os dízimos do Senhor. Em primeiro lugar, os crentes devem pagar os dízimos devidos para a manutenção da Obra do Senhor (cf. Ml 3.10; Mt 23.23). A obediência a essa determinação bíblica redunda em bênçãos abundantes da parte de Deus (Ml 3.10,11). É bom lembrar que devemos dizimar do total bruto da nossa renda, e não do líquido; deve ser das “primícias da renda” (Pv 3.9,10). Os dízimos devem ser levados “à casa do tesouro”, ou seja, à tesouraria, por meio da entrega na igreja local. É errado o próprio crente administrar o dízimo, repartindo com hospitais, construções, campanhas, obras assistenciais, creches ou pessoas carentes. Deus disse: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa...” (Ml 3.10a). Cabe à igreja sua devida e íntegra administração.

b) Contribuindo com ofertas. Em segundo lugar, o crente fiel deve contribuir com ofertas alçadas (levantadas), de modo voluntário, como prova de sua gratidão a Deus pelas bênçãos recebidas. Com esses recursos (dízimos e ofertas), a igreja mantém a evangelização, as missões, o sustento de obreiros, o socorro aos necessitados (viúvas, órfãos, carentes, etc), bem como o patrimônio físico da obra do Senhor, e outras necessidades que podem surgir.

c) Os recursos da igreja local. Não provêm de governos ou de organismos financeiros. Toda vez que algum obreiro resolveu conseguir dinheiro para a igreja, em fontes estranhas ao que a Bíblia recomenda foi malsucedido, acarretou problemas para seu ministério e para os irmãos. Deus nos guarde de vermos igrejas envolvidas com práticas financeiras corruptas, abomináveis aos olhos de Deus. É de todo detestável que algum obreiro, usando o dinheiro dos dízimos e ofertas, se locuplete, adquirindo bens em seu próprio nome, exceto com aquilo que a igreja lhe gratifica.

2. No lar, no trabalho e o fisco. Se existe disciplina no trabalho, que regula os procedimentos para a aquisição do pão de cada dia, há, também, a disciplina no gasto, no emprego da renda ou do salário:

a) Evitar dívidas fora do seu alcance. Muitos têm ficado em situação difícil, por causa do uso irracional do cartão de crédito — na verdade, cartão de débito. As dívidas podem provocar muitos males, tais como falta de tranquilidade (causando doenças); desavenças no lar; perda de autoridade e independência. Devemos lembrar: “O rico domina sobre os pobres, e o que toma emprestado é servo do que empresta” (Pv 22.7). Outro problema é o mau testemunho caloteiro perante os ímpios, quando o crente compra e não paga.

b) Evitar extremos. De um lado, há os avarentos, que se apegam demasiadamente à poupança, em detrimento do bem-estar dos familiares. São os “pães-duros”. De outro lado, há os que gastam tudo o que ganham, e compram o que não podem, às vezes para satisfazer o exibicionismo a insensatez da concorrência com os vizinhos e conhecidos, à mania de esbanjar, a inveja de outros, ou por mera vaidade. Isso é obra do Diabo.

c) Comprar à vista, se possível. Faz bem quem só compra à vista. Se comprar a prazo, é necessário, que o crente avalie sua renda e, quanto vai se comprometer com a prestação assumida, incluindo os juros. É importante que se faça um orçamento familiar em que se observe quanto ganha, o que vai gastar (após pagar o dízimo do Senhor), e sempre procurar ficar com alguma reserva para imprevistos.

d) Não ficar por fiador. Outro cuidado importante, é não ficar por fiador. A Bíblia desaconselha isso (Pv 11.15; 17.18; 20.16; 22.26; 27.13). Outro perigo é fornecer cheque para alguém utilizar em seu nome. Conheço casos de irmãos que ficaram em aperto por isso. É importante fugir do agiota. É verdadeira maldição quem cai na não dessas pessoas, que cobram “usura” ou juros extorsivos (Êx 22.25; Lv 25.36).

e) Pagar os impostos. Em Romanos 13.7, lemos: “Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra” (Rm 13.7). A sonegação de impostos acarreta prejuízo para toda a nação. O cristão não deve ser contrabandista pois isso não glorifica a Deus.

f) Pagar o salário do trabalhador. Se o cristão tem pessoas a seu serviço, crentes ou não, tem o dever de pagar corretamente e em dia o salário que lhe é devido. A Bíblia diz: “Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça e os seus aposentos sem direito; que se serve do serviço do seu próximo, sem paga, e não lhe dá o salário do seu trabalho” (Jr 22.13; ver Tg 5.1-5).

 

CONCLUSÃO

 

O dinheiro é um meio de troca importante para as transações entre pessoas e empresas. O que a Bíblia condena não é o dinheiro em si, mas o amor ao dinheiro (avareza). Isso equivale a idolatrar o dinheiro, a riqueza. Esta, também não é condenada por Deus, desde que obtida por meios lícitos e trabalho honesto. Que o Senhor nos ensine a usar da melhor maneira possível os recursos financeiros ao nosso dispor, como bênçãos de sua parte.

 

VOCABULÁRIO

 

Avareza: Excessivo e sórdido apego ao dinheiro; esganação; falta de generosidade; mesquinhez.
Cobiça: Desejo sôfrego, veemente, de possuir bens materiais; avidez, cupidez; ambição desmedida de riquezas.
Concupiscência: Apetite carnal exagerado e insaciável.
Detrimento: Dano, perda, prejuízo.
Ética Bíblica: Estudo sistemático dos deveres e obrigações do ser humano com base nos escritos do Antigo e do Novo Testamento. A ética bíblica influenciou toda a ética ocidental, dando a esta um caráter humanitário e beneficente.
Fiador: Aquele que fia ou abona alguém, responsabilizando-se pelo cumprimento de obrigações do abonado; aquele que presta fiança.
Filiação: Vínculo que a geração biológica cria entre os filhos e seus genitores. No campo espiritual, a filiação do homem em relação a Deus se dá quando o pecador arrependido recebe a Cristo Jesus como Salvador. O homem passa a desfrutar plenamente da natureza. Este é o milagre operado pelo novo nascimento.
Gratificar: Brindarem prova de reconhecimento; pagar, remunerar, premiar; mostrar reconhecimento.
Irracional: Não racional; onde a razão não intervém; que não raciocina; contrário à razão.
Sonegação: Ocultar, deixando de descrever ou de mencionar nos casos em que a lei exige a descrição ou a menção; furtar, deixar de pagar.
Submergir: Cobrir de água; inundar, alagar; afundar, desaparecer.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

A Chave de Tudo. Jack Hayford, CPAD.
As Chaves do Sucesso Financeiro: A Prosperidade à Luz da Bíblia. Benjamin de Souza, CPAD.
...E Deus Fez a Família. Estevão Ângelo de Souza, CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Por que todas as pessoas pertencem a Deus?

R. Por direito de criação.

 

2. Como Deus disse que o homem ganharia o seu pão, após a Queda?

R. “No suor do teu rosto, comerás o teu pão...” (Gn 3.19a).

 

3. Que acontece com o homem que se apressa em enriquecer?

R. “Não ficará sem castigo” (Pv 28.20).

 

4. Que é o amor ao dinheiro, de acordo com a Bíblia?

R. “É a raiz de toda espécie de males”.

 

5. Em relação à igreja local, como o cristão deve utilizar o dinheiro?

R. Pagando os dízimos e contribuindo com ofertas voluntárias.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Mt 23.23. A oferta financeira deve ser ligada a um compromisso com o amor, a vida e os valores divinos; caso contrario, a vida murcha quando se trata de doar. Quando a alegria e o amor estão ausentes no ato da entrega, o poder se evapora.

Não são poucos os cristãos que pensam estar isentos das outras obrigações com relação a Deus e ao próximo por darem o dízimo. Pagam o dízimo na igreja, mas demonstram ódio em casa. É como se alguém dissesse a Deus: ‘Já cumpri com o meu dever na igreja, e não julgo necessário andar no Espírito no lar, no escritório ou em qualquer outro lugar’.

Formalismo desse tipo, como a desculpa ‘já dei o dízimo’, pode sutilmente impedir Deus de continuar a purificar e a aperfeiçoar a pessoa na prática do amor. Pode igualmente bloquear a sua disponibilidade para uma contribuição financeira maior! Veja como isso parece ter acontecido com os fariseus.

É interessante notar que, embora Jesus tivesse elogiado os dízimos dos fariseus, não fez menção de suas ofertas. Existe algo a ser aprendido aqui? Estamos olhando para pessoas que aderiram religiosamente ao ‘dever’ de dar o dízimo, mas só obedeciam por uma imposição legal. E as ofertas, que revelam amor e generosidade ampliados, não eram praticadas?” (A Chave de Tudo. CPAD, pp.73,74).

 

“A economia doméstica deve ser considerada antes do casamento e posta em prática no seio da família, através das gerações. Os conflitos oriundos da situação financeira, com frequência, envolvem o casamento e podem arruiná-lo; por isso, convém que seja estudada a maneira correta de usar o dinheiro.

Não há liberdade moral e espiritual sem responsabilidade; por isso, a ciência das finanças é importante para os lares que desejam ter êxito e alcançar vitória. E por falar sobre a maneira correta usar o dinheiro, diz um sábio americano:

Um dólar gasto para adquirir feijão, batatas, pão, saladas, queijos, maçãs, cebolas, ameixas, cereais e café maltado compra não uma refeição, mas três — sendo ainda possível que o alimento seja mais puro que o do restaurante. Comemos estilo, luxo ou alimento?

Trata-se, portanto, de um quadro simples que demonstra como a refeição pode tornar-se três vezes mais cara, podendo resultar em a família viver sempre endividada, envolta em problemas que podem quebrar a harmonia do lar. Porém, quando a economia funciona adequadamente, além da tranquilidade possível, resultará em os filhos adquirirem fartos sentimentos de integridade e honestidade. Isso convém à família e agrada a Deus. Aprenda essa lição!” (...E Fez Deus a Família. CPAD, p.87).

 

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2003

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 12: O cristão, os vícios e os jogos

Data: 22 de Setembro de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

Como a perdiz que ajunta ovos que não choca, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as deixará e no seu fim se fará um insensato” (Jr 17.11).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Com a lassidão dos costumes e o relaxamento constante dos padrões de conduta da sociedade sem Deus, os jogos, os vícios e as diversões e práticas imorais estão sendo legalizados e considerados como coisas normais e naturais.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Gn 9.21

A primeira embriaguez

 

 

 

Terça - Gn 19.32

Incesto sob o vinho

 

 

 

Quarta - Lv 10.9

O vinho proibido

 

 

 

Quinta - Jó 1.13

O vinho em família

 

 

 

Sexta - Pv 13.11

A riqueza efêmera

 

 

 

Sábado - 1Co 10.7

Folga para pecar

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Provérbios 23.31,32; Isaías 5.11,12; 28.1,7.

 

Provérbios 23

31 - Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente.

32 - No seu fim, morderá como a cobra e, como o basilisco, picará.

 

Isaías 5

11 - Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice! E se demoram até à noite, até que o vinho os esquenta!

12 - Harpas, e alaúdes, e tamboris e pífanos, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos.

 

Isaías 28

1 - Ai da coroa de soberba dos bêbados de Efraim, cujo glorioso ornamento é como a flor que cai, que está sobre a cabeça do fértil vale dos vencidos do vinho!

7 - Mas também estes erram por causa do vinho e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos do vinho.

 

PONTO DE CONTATO

 

Defina a palavra compulsão e discuta com a turma o seu significado em termos práticos. O que caracteriza a compulsão? O crente está sujeito a ela? A compulsão é pecado? O que significa vício? É possível um crente adquirir vícios? Deixe claro que o desejo descontrolado de jogar começa como todos os outros vícios: basta dar o primeiro passo. A recomendação expressa do apóstolo Paulo é: “fugi de toda aparência do mal”. Qualquer trânsito nessas veredas, seja qual for a justificativa, é apenas pretexto para pecar.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Reprovar de modo claro e direto o uso de qualquer bebida alcoólica.
  • Reconhecer que todos os vícios, inclusive os morais, são meios destrutivos que o Diabo usa para ceifar vidas e destruir famílias.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Não existe argumento que justifique o envolvimento do crente com nenhuma espécie de vício. O corpo do salvo é o templo do Espírito Santo. Se levarmos em conta que um abismo chama outro abismo, podemos perfeitamente supor que, ao envolver-se em um tipo de vício, o homem estará perigosamente abrindo uma brecha para que toda espécie de pecados ocupe espaço em sua vida e o domine completamente contaminando assim o templo de Deus. A Bíblia diz: “Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não terá prazer nele” (Hb 10.38). A fé que move o cristão deve estar depositada unicamente nas promessas divinas, nunca nas práticas perigosas, mundanas e carnais que levam à ruína espiritual.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para esta aula utilize a técnica “Grupos de integração horizontal-vertical”. Como funciona? Divida a turma em 4 grupos de 4 elementos. Observe o modelo abaixo.

No exemplo abaixo, vemos que as unidades podem ser agrupadas seja de forma horizontal: AAAA, BBBB, CCCC, DDDD, seja de forma vertical: ABCD, ABCD etc.

Na primeira etapa, ou integração horizontal, os alunos se agrupam conforme o modelo AAAA. Na segunda, ou integração vertical, os alunos se agrupam conforme o modelo ABCD.

Dê a cada grupo uma situação-problema para ser debatida e concluída dentro de 10 minutos. Exemplos: 1) O alcoolismo é doença ou pecado? 2) É lícito ao cristão “beber socialmente”? 3) Por que fumar é pecado? 4) De que modo pode os filhos de pais crentes livrarem-se da influência das drogas?

Depois formam-se novos grupos, desta vez compostos de um elemento de cada grupo anterior. Nestes novos grupos cada participante explica a situação-problema debatida no seu grupo inicial e a conclusão a que se chegou.

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Os vícios, inclusive os morais, destroem vidas e famílias. Eles também prejudicam lares cristãos. Na época em que vivemos, há uma onda de liberalismo que não vê pecado em quase nada, e favorece práticas perigosas, que podem levar à destruição espiritual, disfarçadas de “coisas que não têm nada a ver”. O verdadeiro cristão não se deixa levar por esta degeneração do mundo. O crente precisa saber que tais coisas vêm do Príncipe deste mundo — o Diabo.

 

I. O ALCOOLISMO À LUZ DA BÍBLIA

 

1. Doença ou pecado? A Bíblia — O Livro do Senhor, vê o alcoolismo de modo diferente do mundo. Nela, verificamos que o alcoolismo, a bebedeira e outros vícios, são vistos como atos pecaminosos. Em Isaías 28.1, vemos a condenação de Efraim (Israel) pela soberba de seus embriagados. No mesmo capítulo, vemos que “até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos do vinho” (Is 28.7). A primeira embriaguez foi experimentada por Noé logo após o Dilúvio e causou um grande mal à sua família, resultando em maldição para seu filho Canaã (Gn 9.21-25).

2. Condenação à bebedice. Diz a Palavra: “Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice! E se demoram até à noite, até que o vinho os esquenta! Harpas, e alaúdes, e tamboris e pífaros, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos” (Is 5.11,12). Aí, vemos um tipo de festa, no Antigo Testamento, semelhante ao que se passa nos jogos, nos bares, nos clubes, e shows mundanos, em que a bebida alcoólica é fator indispensável para sua motivação.

3. O sofrimento dos viciados. O escritor de Provérbios anotou que os viciados são vítimas de sofrimento, pesares, violência, queixas, adultério, prostituição, linguagem perversa, desequilíbrio mental (“delirium tremens”), câimbras, vômito, derrame, hipertensão, que são apenas algumas das danosas consequências do alcoolismo (Ler Pv 29.29,30,33-35).

4. O alcoolismo no Novo Testamento. Advertindo sobre sua vinda, Jesus proferiu uma parábola sobre a vigilância, condenou o servo infiel, comedor, espancador, e beberrão dizendo que sua parte seria com os infiéis (Lc 12.45,46). O apóstolo Paulo colocou no mesmo nível de condenação os bêbados, os devassos, os idólatras, os homossexuais, e os ladrões, os quais não herdarão o reino de Deus (1Co 6.9,10). Ver Rm 13.13; 1Pe 4.3-5.

 

II. POSICIONAMENTO CRISTÃO

 

1. Condenação ao vício. Segundo o ensino das Escrituras, o cristão não tem outra alternativa a não ser reprovar de modo claro e direto o uso de bebidas alcoólicas. Grande parte dos acidentes de trânsito são provocados por motoristas alcoolizados; cerca de 80% das agressões têm na bebida sua motivação; a ausência ao trabalho por causa do vício causa enormes prejuízos.

2. O vinho que Jesus bebeu. Jesus transformou água em vinho numa respeitável festa de casamento (Jo 2.1-11). Há quem use esse texto para dizer que não há nada errado em se beber vinho. Sim! Mas o vinho que Jesus faz! Do vinho embriagante para as demais bebidas alcoólicas pode ser apenas um passo. É melhor não tomar o primeiro gole. Na Santa Ceia (Mt 26.29), Jesus não tomou vinho embriagante. No texto original, Ele tomou “do fruto da vide” (do gr. guenematos tês ampèlou), indicando tratar-se do suco fresco da uva. Se fosse vinho fermentado a palavra seria oinos. Anotemos o que diz a Bíblia: “Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente” (Pv 23.31ss).

3. Nenhuma concessão. O cristão não deve tomar vinho, cerveja, champanhe ou qualquer outra bebida, considerada leve, tendo em vista os males físicos, sociais, morais e espirituais que envolve tal prática. Lembremo-nos de que “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

 

III. O CRISTÃO E O FUMO

 

1. O fumo é uma droga. No cigarro existem inúmeras substâncias prejudiciais ao organismo humano. Metais tóxicos, como cádmio, manganês, cromo, zinco, ao lado do alcatrão e da nicotina acabam matando os viciados.

2. Mata mais do que muitas guerras. A cada 10 minutos, morre um brasileiro de câncer no pulmão, de enfisema pulmonar, ou de doença cardiovascular, por causa do fumo. A cada ano estima-se que morrem mais de cem mil pessoas, no Brasil, por causa desse vício, que é um suicídio lento. Mais de dois milhões e quinhentas mil pessoas morrem por ano, no mundo, vitimadas pela epidemia do cigarro.

A Bíblia tem razão quando afirma: “Mas os homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2Tm 3.13).

3. Posicionamento cristão. O vício é pecado, e fumar é um vício. Logo o fumante não tem como escapar: está pecando. O fumo destrói o corpo, que é templo do Espírito Santo (1Co 3.17). Graças a Deus, são inúmeros os casos de pessoas que aceitam a Cristo e ficam libertas do vício do fumo. Na conversão do pecador, efetuada por Jesus, os vícios, como coisas da velha vida, ficam para trás (cf. 2 Co 5.17).

 

IV. O CRISTÃO E AS DROGAS

 

1. Agentes do diabo. As drogas são agentes utilizados pelo Diabo para a destruição de vidas, principalmente de adolescentes e jovens.

2. Motivos que levam às drogas. Além da ação demoníaca velada, concorre para isso a curiosidade, imitação do grupo, aventura, mas, principalmente, o desajuste familiar. O melhor preventivo: o andar com Deus, o amor cristão entre pais e filhos, o diálogo, o bom relacionamento, o Culto Doméstico desde cedo como está escrito, “Instrui o menino no caminho em que deve andar e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6).

 

V. O CRISTÃO E OS JOGOS DE AZAR

 

1. A ilusão do jogo. A propaganda das loterias, dos bingos e outros meios da jogatina, ilude os incautos, prometendo-lhes riqueza fácil. Contudo, nenhum desses jogos é de sorte, mas de azar. Milhares de pessoas jogam, mas só uma ou poucas ganham “a bolada”. E o restante? Fica no azar. Perde dinheiro e energias, esperando o ganho fantástico! Quanto mais pessoas jogam, menos chances cada uma tem de ser sorteada.

2. O amor ao dinheiro. O jogador põe o coração no dinheiro. Torna-se escravo da ideia de ganhar de qualquer maneira. Deus condena a avareza (1Tm 6.10). Em Provérbios 28.22, lemos: “Aquele que tem um olho mau corre atrás das riquezas, mas não sabe que há de vir sobre ele a pobreza” (Pv 28.22).

3. O desprezo ao trabalho. Se o crente resolve jogar pensando em deixar de trabalhar, isso não é correto. Em Efésios 4.8, lemos: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom para que tenha o que repartir com quem tiver necessidade” (Ef 4.28).

4. O problema do vício. O vício do jogo leva a pessoa a uma compulsão, que a obriga a jogar cada vez mais, na esperança de superar as perdas. O indivíduo torna-se um escravo do jogo. Começa com dinheiro, depois entrega a roupa, os sapatos, o relógio, os bens, e por fim, a honra, a dignidade.

5. A ilusão da contribuição social. O argumento de que parte do dinheiro vai para as obras sociais não justifica a jogatina. O correto seria o governo proporcionar oportunidade de emprego honesto, e não de incentivo ao jogo. Muita gente, principalmente das classes mais humildes, é explorada pela jogatina.

 

CONCLUSÃO

 

Os jogos de azar, oficializados ou não, são instrumentos prejudiciais à vida moral e social, pois levam as pessoas a confiarem na sorte, em lugar de se dedicarem com mais afinco ao trabalho honesto. Os vícios são meios destrutivos que o Diabo usa para ceifar vidas preciosas, principalmente entre os jovens, e empobrecer as famílias. Que Deus guarde a Igreja, e de modo especial a juventude para que não enverede pelos tortuosos caminhos dos jogos e dos vícios. Até o futebol de clubes e campos, que no passado era primeiro esporte e depois jogo, hoje é apenas jogo e não mais esporte como arte. Além de jogo, o futebol é, hoje, também campo de batalha entre torcidas fanáticas e a força policial.

 

VOCABULÁRIO

 

Afinco: Perseverança, persistência, constância.
Hipertensão: Elevação, acima do normal, da pressão, no interior de um órgão ou de um sistema.
Incauto: Não acautelado; imprudente.
Liberalismo: Conjunto de ideias e doutrinas que visam a assegurar a liberdade individual no campo da política, da moral, da religião, etc, dentro da sociedade.
Síndrome: Estado mórbido caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas, e que pode ser produzido por mais de uma causa.
Suscetível: Passível de receber impressões, modificações ou adquirir qualidades; capaz.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

Ação Social da Igreja, Maria José Resende, CPAD.
Da Escravidão Alcoólica à Liberdade Cristã, José Messias de Melo, CPAD.
Drogas: Os Jovens Desafiam o Império do Mal, Gruner & Norbeg, CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Como a Bíblia vê o vício do alcoolismo?

R. Como pecado.

 

2. Quem, na Bíblia, protagonizou a primeira bebedeira?

R. Noé, logo após o Dilúvio.

 

3. De acordo com Rm 14.17, o que é o Reino de Deus?

R. “O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo ”.

 

4. Por que o cristão não deve fumar?

R. Porque o fumo destrói o corpo, que é templo do Espírito Santo.

 

5. Qual o principal motivo que leva alguém às drogas?

R. O desajuste familiar.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“O primeiro pecado registrado após a inundação está ligado à nudez, e a causa disso foi a bebedeira. Este é o único evento negativo registrado nas Escrituras sobre Noé, um momento de fraqueza em que ele decidiu beber vinho e deitar-se nu em sua tenda.

Perante toda a honestidade de Noé, não sabemos com certeza se ele imaginava que ficaria bêbado, tomando o fruto da vide. Após a inundação, a terra tornou-se um lugar diferente do que era antes, e é possível, acreditam alguns sábios, que esta foi a primeira fermentação do vinho. Também não sabemos exatamente que pecado Cam cometeu. O texto mostra, porém, que ambos os outros irmãos tomaram cuidado para não olhar a nudez de Noé, até mesmo andaram de costas para evitar vê-lo. Onde estava a esposa de Noé durante este episódio da embriaguez? Ela também estava nua com ele? Muitas perguntas não podem ser respondidas totalmente” (Pureza Sexual: Como Vencer Sua Guerra Interior, CPAD, pp.207-8).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2003

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 13: O cristão e a política

Data: 29 de Setembro de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

Quando os justos triunfam, há grande alegria; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se” (Pv 28.12).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Como cidadãos do céu, os cristãos já têm seu representante legítimo, que é o Espírito Santo de Deus. Como cidadãos da terra, precisamos influir nos destinos da nação.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Fp 4.3b

Nomes no livro da vida

 

 

 

Terça - Jo 1.12

Somos filhos de Deus

 

 

 

Quarta - Rm 8.17

Co-herdeiros de Cristo

 

 

 

Quinta - Fp 3.20

Nossa cidade está nos céus

 

 

 

Sexta - Gl 6.10

Fazer bem aos domésticos da fé

 

 

 

Sábado - Pv 28.12

Alegria com os justos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 8.17; Hebreus 11.13; Provérbios 28.12,28.

 

Romanos 8

17 - E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos para que também com ele sejamos glorificados.

 

Hebreus 11

13 - Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.

 

Provérbios 28

12 - Quando os justos triunfam, há grande alegria; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se.

28 - Quando os ímpios sobem, os homens se escondem, mas, quando eles perecem, os justos se multiplicam.

 

PONTO DE CONTATO

 

Converse com a turma sobre o conceito de política e suas implicações no dia-a-dia. Até que ponto somos afetados por ela? O que o desempenho do Presidente da República tem a ver com a minha saúde? Com a educação de meus filhos? Com o meu salário? Como a política se desdobra afetando, ou beneficiando, o cidadão tanto individual como coletivamente? De que forma a política pode atingir ou influenciar a comunidade cristã?

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Conduzir-se de modo digno diante de Deus, da pátria, de sua consciência e das pessoas que o cercam.
  • Mostrar que é cidadão do céu, exercendo o direito de cidadão da terra.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

É importante saber que a política exerce influência em todas as áreas da vida, portanto, não faz sentido o crente dizer que não quer envolver-se com ela. Ainda que não seja militante nesta área, ele deve procurar estar informado sobre o desempenho de seus governantes, orar por eles, e saber que eles são eleitos para trabalhar a seu favor. Para exercer cidadania é necessário estar consciente de seus direitos e deveres, e isto demanda uma compreensão do que vem a ser o verdadeiro exercício político.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

O método de discussão, sem dúvida alguma, é o mais indicado para o estudo de temas mais complexos como a ética cristã estudada durante este trimestre. Este método oferece oportunidade para troca de ideias e opiniões entre os membros do grupo. Se usado com seriedade todos tomarão parte dele. O curioso é que ninguém pode imaginar o que virá em seguida, quando todo o grupo está pensando no que vai falar. Para que este método tenha êxito devemos levar em conta os seguintes pontos:

a) A pergunta para iniciar a discussão deve despertar o interesse dos alunos e levá-los a pensar. Por exemplo: Deve o cristão envolver-se em política partidária? O cristão deve sempre votar em candidato cristão?

b) O professor deve fazer com que a discussão permaneça presa ao assunto principal e guiá-la com sabedoria para conclusões definidas. As perguntas e os problemas suscitados podem ser transformados em tarefas para o domingo seguinte e usados como temas de discussão. Isto capacita o aluno a dar opiniões corretas, baseadas na informação conseguida durante a semana.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

De todas as áreas da vida do cidadão, a política tem sido uma em que muitos cristãos não têm sido bem sucedidos, por não se conduzirem de modo digno diante de Deus, diante da pátria, da consciência e de seus pares, como o fizeram Daniel e seus companheiros no reino babilônico. Na realidade, porém, a política é atividade necessária ao bom ordenamento e desenvolvimento da vida de uma nação, na qual a Igreja está inserida.

 

I. CONCEITO DE POLÍTICA

 

1. Política. O vocábulo política vem do grego, polis, “cidade”. A política, pois, procura determinar a conduta ideal do Estado, pelo que seria uma ética social.

 

II. O CRISTÃO COMO CIDADÃO DOS CÉUS

 

1. Nascidos de novo. Quando nos convertemos a Cristo, imediatamente somos registrados no “cartório do céu”. Nos registros divinos, nosso nome passa a fazer parte do Livro da Vida (Fp 4.3; Ap 13.8). Tornamo-nos seus filhos e cidadãos do céu “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem em seu nome” (Jo 1.12). Já somos eleitos e temos um representante divino que é o Espírito Santo: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1.3,13).

2. Nossa pátria está nos céus. A filiação divina nos dá o direito de sermos herdeiros de Deus, como diz a Bíblia em Romanos 8.17. Por isso, nossa pátria (ou cidade), é celestial: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).

3. Não temos permanência aqui. “Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hb 13.14). Essa é uma realidade da qual muitos crentes não têm consciência. Vivem neste mundo, tão arraigados com ele, que perdem a visão da cidadania celestial. Na verdade, nem somos deste mundo! (cf. Jo 15.18,19). Somos peregrinos e forasteiros (Hb 11.13). Aqui, a corrupção “destrói grandemente” (Mq 2.10). Se há uma atividade em que há corrupção, esta é a política aqui na terra.

 

III. O CRISTÃO COMO CIDADÃO NA TERRA

 

1. Os direitos políticos. O cristão, como cidadão brasileiro, tanto pode votar, como candidatar-se a cargos eletivos.

2. O cristão como eleitor. É de grande importância que o servo ou serva de Deus saiba exercer o seu direito, quando do momento das eleições municipais, estaduais ou federais. É hora de mostrar que é cidadão do céu, exercendo um direito de cidadão da terra. Como tal, lembrar-se de que é sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14).

a) Antes de votar. Antes de qualquer decisão, o crente em Jesus deve orar a Deus, pedindo sua direção pois um voto errado pode ser motivo de tristeza, frustração e arrependimento tardio. É votar por fé, pois “tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14.23). Conheço casos de crentes que votaram em alguém, e depois choraram de amargura pelos prejuízos que sofreram.

b) Jamais vender seu voto. Ele é arma de grande valor. Diante dos candidatos, o cristão jamais deve aceitar vender seu voto. Isso é anti-ético para um cidadão do céu e revela um profundo subdesenvolvimento cultural.

c) Preferência por candidato cristão. Havendo um cristão que tenha um perfil claramente identificado com Cristo, sério, comprometido com o Reino de Deus, de bom testemunho na igreja, que seja honesto, cumpridor de seus deveres como pai e esposo, que tenha vocação para a vida pública, o eleitor crente deve dar preferência à sua candidatura, em lugar de eleger um descrente, que não tem qualquer compromisso com a igreja do Senhor. A Palavra de Deus recomenda: “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Gl 6.10). Não convém (1Co 6.12; 10.23), o envolvimento de pastores na política, se têm chamada divina para o ministério. Que isso fique para os membros que têm vocação terrena para tal.

d) Exemplos de políticos sábios. É bom lembrar o que diz a Bíblia: “Não havendo sábia direção, o povo cai, mas, na multidão de conselheiros, há segurança” (Pv 11.14). Ninguém melhor que um servo de Deus, para ter “sábia direção” na condução de cargos públicos, administrativos ou políticos. Exemplo disso, temos na Bíblia, com José, que foi governador do Egito (Gn 41.14-44); no reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, Esdras destacou-se como líder sobre seu povo (Ed 7 a 10); Neemias, um copeiro de confiança do rei, foi designado para reconstruir Jerusalém, tornando-se governador exemplar (Ler Neemias); Daniel, na Babilônia, foi o principal dos príncipes, nomeado pelo rei Dario, e trabalhou tão bem que estava cotado para ser o governante sobre todo o reino (Dn 6.1-3).

e) Quando os justos são eleitos. “Quando os justos triunfam, há grande alegria; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se” (Pv 28.12). Os cidadãos cristãos precisam orar a Deus para que levante candidatos que honrem seu nome ao serem eleitos, pois “quando os justos triunfam, há grande alegria”.

f) Quando os ímpios são eleitos. A Bíblia é realista: “Quando os ímpios sobem, os homens se escondem, mas, quando eles perecem, os justos se multiplicam” (Pv 28.28). É verdade. Quando são eleitos ímpios, homens carnais, materialistas, muitos ateus, macumbeiros, adoradores de demônios, infiéis aos compromissos, soberbos, corruptos, ingratos, insolentes e insensíveis, os quais, se eleitos, não querem servir e sim serem servidos. Não temem a Deus, nem respeitam o próximo (Lc 18.2). Quando os tais são eleitos, os verdadeiros homens de bem desaparecem de cena. É bom os crentes pensarem bem, em oração, e não usarem seus votos para elegerem ímpios. Aqui, cabe um esclarecimento. Nem todo descrente é ímpio no sentido em que estamos usando o termo. Todo ímpio é incrédulo, mas nem todo incrédulo é ímpio. Há não evangélicos que são homens de bem. E há evangélicos que não são honestos. Se não houver um candidato com perfil cristão, o crente pode sufragar o nome de um cidadão de boa reputação. A Bíblia diz que devemos examinar tudo e ficar com o bem (1Ts 5.21).

g) O que a igreja pode sofrer com os maus políticos. No novo milênio, a Igreja poderá sofrer grandemente, com a ação de homens ímpios. Já há, no Congresso, projeto de lei, propondo a “união civil entre pessoas do mesmo sexo”, que nada mais é que a legalização pura e simples do homossexualismo, que é na Bíblia, um pecado gravíssimo, “uma abominação ao Senhor” (cf. Lv 18.22,23; Rm 2.24-28). Projeto, legalizando o aborto já foi apresentado. Em breve, poderão vir projetos, legalizando a eutanásia, a clonagem de seres vivos (inclusive humanos), o jogo do bicho, os cassinos, e a maconha, além de outros, que destroem a dignidade da raça humana, conforme os princípios do Criador. A Nova Era já está nas ruas e na mídia apregoando “a paz”, iludente e absurda. Em muitas escolas, é utilizada “meditação transcendental”. Quem faz as leis? Os pastores? Evangelistas? Missionários? Não! São aqueles que são eleitos, inclusive com o voto dos cristãos. Portanto, é tempo de despertar; de agir com santidade mas sem ingenuidade.

h) O perigo do envolvimento da igreja local. Os crentes, como cidadãos, podem votar e ser votados. Mas a igreja, como instituição de Cristo, não deve ser envolvida com a política, mediante a troca de favores de quaisquer espécie. O prejuízo pode ser irreparável. É de bom alvitre que os pastores não declarem sua preferência. Estes foram chamados para unir o rebanho. A política divide as pessoas, pela própria natureza partidária (Ler 1Co 1.10). O púlpito, de igual modo, não é lugar para os políticos. A eles, deve ser dada honra, mas o uso do púlpito é para os homens santos, consagrados a Deus.

 

CONCLUSÃO

 

O cristão não pode ser contrário a uma atividade que busca a “conduta ideal do Estado”. Como cidadãos da terra, precisamos viver num determinado local físico e social, que faz parte de um Estado, que faz parte de um País. Esses precisam ser administrados por homens de bem. Melhor seria que fossem cristãos. Que Deus nos dé sabedoria e visão.

 

VOCABULÁRIO

 

Alvitre: Lembrança, sugestão, opinião, arbítrio, proposta, parecer.
Aspirar: Desejar ardentemente; pretender.
Distorção: Mudar o sentido, a intenção, a substância de; desvirtuar; torcer; mudar a direção, ou a posição normal de.
Ímpios: Que não tem fé; incrédulo, herege; que denota ou envolve impiedade.
Ingenuidade: Simplicidade, singeleza; ação em que não há malícia.
Irreparável: Que não se pode reparar, recuperar ou suprir.
Peregrino: Aquele que viaja para terras distantes; estranho, estrangeiro.
Pêsames: Expressão de condolência pela morte de alguém ou por alguma desgraça; condolências, sentimentos.
Requisito: Exigência legal necessária para certos efeitos; quesito.
Sufragar: Apoiar, aprovar, favorecer, com sufrágio ou voto.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

Israel, Gogue e o Anticristo. Abraão de Almeida, CPAD.
O Calendário da Profecia. Antonio Gilberto, CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. O que a política procura definir?

R. A conduta ideal do Estado.

 

2. O que é a politicagem?

R. É a prática distorcida e corrupta da atividade política.

 

3. Porque um cristão não deve vender seu voto?

R. Porque é antiético para um cidadão do céu, e revela um profundo subdesenvolvimento cultural.

 

4. Que recomenda Gálatas 6.10?

R. “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”.

 

5. Como devemos nos posicionar ante a realidade política em nosso País?

R. É tempo de despertar. De agir com santidade, mas sem ingenuidade.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“A vida social envolve, por um lado, harmonia e cooperação e, por outro, conflito e colisão de interesses. O modo como trabalhamos por harmonia e resolvemos os conflitos políticos implica em política. No centro da política está o poder (...).

Os cristãos hesitam em admitir que usam o poder, mas todas as relações humanas envolvem questões de poder. Os cristãos podem se sentir mais à vontade falando sobre virtude e justiça, mas mesmo que evitemos discutir sobre o poder, não podemos fugir dele. Nem devemos, porque o poder é usado para o mal ou para o bem. O poder é a capacidade de usar ou influenciar outros a comportarem-se como você deseja (...). Precisamos de poder defensivo para nos proteger daqueles que nos fariam mal. Usamos o poder interveniente até para proteger alguém do prejuízo ou da injustiça. Necessitamos de poder econômico para cuidar de nossas famílias e nos preparar para a velhice. As nações têm necessidade de poder militar para se protegerem de agressores. Todos nadamos num mar de poder. Não chamar poder por seu verdadeiro nome e não reconhecer sua importância nas relações humanas é estar cego à realidade do poder usado contra nós e como o usamos nos outros” (Panorama do Pensamento Cristão. CPAD, pp.443,444).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net