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lições CPAD jovens justiça graça 4 trim-2016(1-13)
lições CPAD jovens justiça graça 4 trim-2016(1-13)

 

 

                                                 

 

                                  

             

                              Lições Bíblicas CPAD

                     Jovens  1º Trimestre de 2016 

                           Título: Justiça e Graça —

               Um estudo da Doutrina da Salvação

                            na carta aos Romanos

                   Comentarista: Natalino das Neves 

              Lição 1: Conhecendo a carta aos Romanos

                       Data: 03 de Janeiro de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (Rm 1.17).

 

SÍNTESE

 

A epístola do apóstolo Paulo aos romanos é leitura indispensável para entendermos o plano de salvação gratuita de Deus, revelado no evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Rm 1.1,5

Paulo justifica suas credenciais de apóstolo 

TERÇA — Rm 1.13

O apóstolo já havia tentado ir a Roma

QUARTA — At 18.1-3

Priscila e Áquila já conheciam Paulo 

QUINTA — Rm 16.1-2

Febe, uma diaconisa da igreja de Cencreia 

SEXTA — Rm 1.16

Paulo não tinha vergonha do evangelho de Cristo 

SÁBADO — Rm 1.17

O Evangelho revela a justiça de Deus

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

CONHECER a autoria, data e local da escrita da Epístola aos Romanos;

MOSTRAR os destinatários e o propósito da Carta aos Romanos;

COMPREENDER a gratidão de Paulo em favor da comunidade cristã em Roma.

 

INTERAÇÃO

Caro(a) professor(a), vamos iniciar um novo trimestre com um dos escritos com maior profundidade teológica e, ao mesmo tempo, com o cuidado pastoral do apóstolo Paulo. Nesta epístola vamos perceber a paixão do apóstolo pela pregação do Evangelho, nunca satisfeito com os resultados, sabendo que podia oferecer sempre mais pelo Reino de Deus. Durante a caminhada deste trimestre, convido você a se colocar no lugar do autor e vivenciar cada momento ao estudar os textos bíblicos. Que este não seja simplesmente mais um trimestre, mas que faça a diferença em sua vida cristã e na de seus alunos. Aproveite cada aula, cada momento para se aproximar mais de Deus, reconhecer sua justiça e seu amor para com o ser humano. Caminharemos juntos por 13 lições, por isso, esperamos que seja agradável e produtivo para você.

O comentarista do trimestre é o pastor Natalino das Neves. Ele é mestre e doutorando em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná — PUC.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Professor(a), sugerimos que você faça a leitura de toda a epístola aos Romanos e todas as lições desta revista. Na sequência estude a lição específica que vai lecionar, destacando os principais pontos. Se possível, consulte literaturas que falem sobre o assunto e prepare um esboço sobre a lição, destacando os pontos principais de cada tópico em forma de frases.

Durante a aula, não leia a revista com os(as) alunos(as), mas apresente os principais pontos e incentive a participação de todos. Estimule os(as) alunos(as) a estudarem previamente a lição em suas casas.

 

TEXTO BÍBLICO 

Romanos 1.1-8,13,16,17. 

1 — Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus,

2 — o qual antes havia prometido pelos seus profetas nas Santas Escrituras,

3 — acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,

4 — declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos — Jesus Cristo, nosso Senhor,

5 — pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome,

6 — entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.

7 — A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

8 — Primeiramente, dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.

13 — Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios.

16 — Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.

17 — Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO

 

Neste trimestre estudaremos a respeito da primeira epístola do cânon paulino, que apesar de ter um enfoque pastoral, é a mais longa e mais teológica de todas suas epístolas. Movido pela paixão que tinha pela evangelização dos gentios e o desejo de conhecê-los pessoalmente, o apóstolo escreveu, excepcionalmente, para uma igreja que ele não havia fundado. Paulo precisava auxiliar a comunidade, formada em sua maioria por gentios e uma minoria de judeus, que enfrentava conflitos com relação aos requisitos necessários para a justificação diante de Deus. Nesta epístola o apóstolo apresenta um espetacular tratado para demonstrar que a justificação se dá por meio da fé e não pelas obras.

 

  1. PRIMEIRAS QUESTÕES

 

  1. Autoria, data e local da escrita. A autoria paulina da Epístola aos Romanos não é colocada em dúvida. Entretanto, desta vez, Paulo não escreveu com suas próprias mãos, mas ditou a carta ao copista Tércio, provavelmente conhecido dos irmãos da igreja de Roma, pois ele aproveita para enviar-lhes saudações (Rm 16.22). A epístola foi escrita durante os três meses que o apóstolo esteve em Corinto, hospedado na casa de Gaio, em sua terceira viagem missionária, aproximadamente no final do ano de 56 e início de 57 d. C. Paulo movido pelo ardor missionário de alcançar a Espanha (Rm 15.24), após levantar ofertas para as igrejas gentílicas para ajudar a comunidade de Jerusalém, anuncia que fará escala na igreja de Roma, com a certeza de que seria abençoado e abençoaria a igreja romana com a mensagem do Evangelho (Rm 15.25-29).
  2. A cidade de Roma. Para Roma afluíam pessoas de todas as partes do Império Romano por meio de um moderno sistema de estradas. Pesquisas arqueológicas demonstram que era habitada desde a Era do Bronze, cerca de 1500 a. C., neste período foi submetida a invasões de vários povos como os gregos, etruscos e outros. Portanto, na cidade de Roma, devido a essa miscigenação, havia as mais diversas religiões e filosofias da época. Na área religiosa, era famosa pelo seu politeísmo e superstições. Os deuses do panteão grego foram adotados pelos romanos, todavia seus nomes originais foram trocados. Entre os principais deuses romanos estão: Júpiter, Juno, Apolo, Marte, Diana, Vênus, Ceres e Baco. Quando o apóstolo Paulo chegou a Roma, cerca de 60 d. C., encontrou uma população diversificada e cosmopolita. Os monumentos públicos lembravam aos visitantes o poder, as tradições e a amplitude do Império Romano. No tempo do apóstolo em Roma havia cerca de um milhão de habitantes.
  3. A comunidade judaica em Roma. Judeus de todas as classes sociais viviam em Roma ou a visitava. Arqueólogos descobriram nas ruínas romanas várias inscrições com nomes das mais variadas origens e também nomes judaicos, inclusive as inscrições nas catacumbas judaicas indicam que a metade dos judeus tinha nomes latinos, provavelmente obtidos por emancipação da escravidão. A comunidade judaica era bem representada na capital do império, a ponto de no primeiro século constituir o maior centro judaico do mundo antigo, tendo pelo menos 13 sinagogas na cidade. Os judeus contavam com a simpatia da população. Isto se refletia na prática judaica de fazer prosélitos, a ponto de terem como convertidos ao judaísmo pessoas como Fúlvia, esposa de senador; Pompeia, esposa de Nero; e Flávio Clemente, primo de Domiciano, entre outros. Entre os prosélitos no dia de Pentecostes, provavelmente estavam vários romanos.

 

Pense!

 

“A Epístola aos Romanos é o principal livro do Novo Testamento e o mais puro Evangelho, tão valioso que um cristão não só deveria saber de memória cada palavra dela, mas tê-la consigo diariamente, como o pão cotidiano de sua alma” (Martinho Lutero).

 

Ponto Importante

A comunidade judaica em Roma era forte e provocava conflitos na comunidade cristã por meio da influência sobre judeus convertidos ao cristianismo.

 

  1. OS DESTINATÁRIOS E O PROPÓSITO DA EPÍSTOLA

 

  1. Endereço e saudação (Rm 1.1-7). A epístola de Paulo tinha um endereço certo: a comunidade cristã em Roma. Ele inicia com uma apresentação semelhante às demais epístolas que escreveu, entretanto, como ele não conhecia a comunidade cristã em Roma, acentua suas credenciais de servo, apóstolo e escolhido de Deus (Rm 1.1-7), se igualando aos profetas do AT (Am 3.7; Jr 25.4; 1.5). Em sua saudação, argumenta que o Evangelho que ele conhecera já havia sido predito pelos profetas. Na sequência, aborda a ação da Trindade, enfatizando a encarnação de Cristo, demonstrando sua humanidade, bem como sua divindade sob a ação do Espírito Santo. Defende seu apostolado, como recebido de Deus para a salvação das pessoas chamadas à obediência. Estimula a comunidade, afirmando que eles faziam parte desse povo escolhido.
  2. A comunidade cristã em Roma. Aproximadamente cinco anos depois de escrita a carta, o apóstolo chega à Roma. Mais tarde do que planejado e em condições (transporte de prisioneiros) que não imaginava na época da escrita. A comunidade cristã em Roma provavelmente foi fruto da facilidade de locomoção proporcionada pelo comércio mundial e a diáspora judaica, como os romanos que estiveram no Pentecostes (At 2). A igreja em Roma era constituída por judeus e gentios, sendo que estes últimos foram se tornando a maioria. Esta diferença foi mais acentuada depois do decreto do Imperador Cláudio que baniu os judeus de Roma, aproximadamente em 49 d.C., incluindo Áquila e Priscila (At 18.1-3). A composição da igreja pode ser percebida na lista de Rm 16.1-5, maioria de gentios e presença feminina (11 mulheres e 18 homens).
  3. O propósito da epístola. Aparentemente não tinha um único propósito. Pelo menos quatro podem ser identificados: a) missionário: evidente sentimento paulino de que o trabalho missionário na Ásia e na Grécia já estava completo (Rm 15.19,20) e tencionava levar o Evangelho até a Europa; b) doutrinário: exposição de forma didática e compreensiva das verdades centrais do Evangelho, provável deficiência devido à ausência de um líder apostólico; c) apologético: argumentação sobre a justificação pela fé não parece ser simplesmente informativa, mas uma oposição aos judaizantes que estavam atuando na cidade (Rm 14-15); d) didático: principalmente na seção de prática geral, sobre a moral e a conduta cristã (Rm 12-15), que tem por alvo ensinar, informar e iluminar, e não meramente resolver determinados problemas. 

 

Pense!

 

O apóstolo Paulo depois de fazer um grande trabalho na Ásia e na Grécia, não se deu por satisfeito e começa novo projeto para alcançar almas para Cristo em regiões distantes como Roma e Espanha. Jovem, você está satisfeito com o que já fez pelo Evangelho? Você pode fazer mais e melhor?

 

Ponto Importante

 

A comunidade cristã em Roma não foi fundada por Paulo e na época da escrita não tinha nenhum dos principais líderes da igreja para orientá-los. Por isso, o apóstolo dedica uma epístola com profundidade doutrinária para orientar e defender a mensagem do Evangelho.

 

III. A GRATIDÃO DE PAULO E A JUSTIÇA DE DEUS REVELADA

 

  1. Paulo agradece a Deus pela comunidade cristã em Roma (Rm 1.8-15). Após as saudações (1.1-7), Paulo faz uma oração de agradecimento pelos cristãos romanos, demonstrando seu interesse pela comunidade (Rm 1.8-15). O fato de Paulo não ser o fundador da igreja não o impediu de orar e reconhecer a fé e o trabalho de seus membros. Seu exemplo evidencia que o interesse coletivo deve estar acima dos interesses pessoais. Ele nos dá um exemplo de como devem ser conduzidas as atividades no Reino de Deus. A comunidade em Roma deve ter se sentido amada, pois o apóstolo tem o cuidado de manifestar o seu desejo ardente de estar com eles, bem como informar que já havia tentado estar com eles, porém sem sucesso. Muitas pessoas são maltratadas por meio de interpretações teológicas antibíblicas que intimidam e provocam pavor, diferente do apóstolo Paulo que fortalece e encoraja o grupo, sem descuidar da verdade do Evangelho.
  2. Paulo era testemunha da justiça de Deus revelada pelo poder do Evangelho (Rm 1.16). O apóstolo reconhecia a situação em que estava, diante de Deus, antes de conhecer a Jesus e a mudança que o Evangelho fez em sua vida, após o encontro no caminho de Damasco (At 9). Da mesma forma que os judeus e alguns judeu-cristãos que não conseguiam se desvincular de forma definitiva do jugo da lei judaica, ele havia dedicado grande parte de sua vida em defesa dessa religião e tentado impor o peso destas doutrinas e crenças, pensando estar na direção e vontade de Deus. Convicto de sua justificação pela fé e não pelas obras, testifica o seu amor ao Evangelho, a ponto de afirmar: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). No século atual, enquanto muitas pessoas estão se identificando como cristãos evangélicos para tirar vantagem, outros continuam negando sua fé por temer as represálias. Jovem, defenda a bandeira do Evangelho. 

Pense!

 

Um versículo da Epístola aos Romanos (Rm 1.17) foi a mola propulsora para transformar a realidade da humanidade, mudou a história ocidental por meio da Reforma Protestante. 

 

Ponto Importante

 

O apóstolo Paulo deu um grande exemplo de quem valoriza o coletivo e não os interesses pessoais. Uma vida verdadeiramente transformada pela justiça de Deus revelada por meio da Epístola aos Romanos. 

CONCLUSÃO

Nesta lição aprendemos que a epístola foi escrita por Paulo, por volta de 57 a.C., na cidade de Corinto, durante a terceira viagem missionária de Paulo. A comunidade cristã de Roma não foi fundada por Paulo, mas ele se ocupou em reforçar para a comunidade a revelação da justiça de Deus por meio da fé, tema central da epístola e fundamento para o desencadeamento da Reforma Protestante do Século XVI.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

CABRAL, Elienai. Romanos: O evangelho da justiça de Deus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1986.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002.

ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008. 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Segundo a lição quem foi o autor, qual a data e o local da escrita da Epístola aos Romanos?

A Epístola aos Romanos foi escrita pelo apóstolo Paulo, em 57 d.C., na cidade de Corinto, durante a sua terceira viagem missionária. 

  1. Quais eram os principais deuses romanos?

Entre os principais deuses romanos estão: Júpiter, Juno, Apolo, Marte, Diana, Vênus, Ceres e Baco. 

  1. Quando e por quem os judeus foram banidos de Roma? Qual casal estava entre os judeus banidos?

O imperador Cláudio baniu os judeus de Roma em 49 d.C., por meio de um decreto. Entre os judeus banidos estava Áquila e Priscila (At 18.1-3). 

  1. O apóstolo Paulo foi o fundador da comunidade cristã em Roma?

Não.

 

  1. Qual o versículo da Epístola aos Romanos influenciou a teologia de Martinho Lutero, o principal protagonista da Reforma Protestante?

Romanos 1.17.

 

SUBSÍDIO

 

“O escrito que mais se aproxima de uma apresentação teológica sistemática é a epístola aos Romanos, a única epístola, entre as seis, escrita para uma igreja que Paulo não fundou. Todavia, o foco, mesmo no caso de Romanos, não é a teologia em geral, mas a apresentação da mensagem da salvação. Embora Paulo não tivesse visitado a igreja, ele esperava ser bem recebido como apóstolo de Deus e encontrar apoio para seus planos de plantar igrejas nas regiões ocidentes do Império Romano” (ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008, p.271).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens   1º Trimestre de 2016

Título: Justiça e Graça — Um estudo da Doutrina da Salvação na carta aos Romanos

Comentarista: Natalino das Neves

Lição 2: A necessidade dos gentios

Data: 10 de Janeiro de 2016 

 

 

TEXTO DO DIA

“[...] os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem” (Rm 1.32).

 

SÍNTESE

A obra da criação revela o conhecimento natural e racional de Deus. Por isso, o ser humano não tem como alegar desconhecer a existência de Deus. 

AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA — Rm 1.18

A ira de Deus 

TERÇA — Rm 1.20

A criação revela as coisas invisíveis 

QUARTA — Rm 1.21-22

É loucura não reconhecer a glória de Deus 

QUINTA — Rm 1.23-27

A Bíblia condena a prática da relação sexual entre pessoas do mesmo sexo 

SEXTA — Jo 16.8-11

O Espírito Santo é quem convence do pecado e da justiça de Deus 

SÁBADO — Rm 1.32

O consentimento da injustiça

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

RECONHECER que o conhecimento natural e racional de Deus não é suficiente para a salvação;

CONSCIENTIZAR de que a idolatria (desprezo pela glória de Deus) induz o ser humano à perversão;

RECONHECER que somente o conhecimento experiencial de Deus liberta da ira do Todo-Poderoso.

 

INTERAÇÃO 

Caro(a) professor(a), dentre os assuntos a serem abordados na lição de hoje, tem um polêmico. É o que trata da relação de pessoas do mesmo sexo (homoafetivas). Prática que tem sido incentivada pela mídia e pelos meios sociais, com vistas à tolerância e disseminação pela sociedade. Falar sobre esse assunto até nas igrejas que tem a Bíblia como regra de fé e conduta, tem sido rechaçada por algumas pessoas como uma prática discriminatória. Outras desejam tornar em lei a proibição de se falar do assunto nos púlpito. Portanto, o tema deve ser tratado com cuidado e, acima de tudo, alicerçado na Palavra de Deus e abordado com amor e bom senso.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Em geral, os professores de Escola Dominical adotam o modelo tradicional de ensino. Os alunos ficam sentados uns atrás dos outros, em fila. O modelo mais moderno e eficiente para o processo de ensino—aprendizagem, em especial para um grupo de jovens, é a disposição das cadeiras em círculo ou semicírculo. Professor(a) que fica no mesmo nível e envolvido entre os alunos facilita a relação e o aprendizado. Se a estrutura da sala de aula permitir, experimente usar esta formação e dar oportunidades para que os jovens participem com suas considerações. Seja receptível às ideias, mesmo que sejam contrárias à sua opinião, pois os jovens precisam ser convencidos por argumentos e não por imposição. Certamente, se sentirão mais envolvidos e importantes. Com isso, serão os principais promotores da Escola Dominical.

 

TEXTO BÍBLICO

Romanos 1.18-27.

18 — Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça;

19 — porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.

20 — Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

21 — porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

22 — Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

23 — E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

24 — Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si;

25 — pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém!

26 — Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.

27 — E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO

 

A história da humanidade demonstra que o ser humano sempre buscou a Deus, mas falhou porque o busca da forma errada. A procura pelos interesses pessoais e atendimento aos desejos pecaminosos dominaram os povos. No texto a ser estudado o apóstolo argumenta que todo ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, tem consciência da existência divina, pois a própria natureza é a prova desta existência. Mesmo reconhecendo a existência, se faz necessário um relacionamento mais estreito com este Deus.

 

  1. CONHECIMENTO DE DEUS PARA SALVAÇÃO (Rm 1.18-20)

 

  1. As injustiças provocam a ira de Deus (v.18). O texto (perícope) começa com o testemunho dos céus, demonstrando a observância divina sobre tudo o que acontece na terra. A atenção é para as injustiças que são praticadas, principalmente, pelas pessoas que detêm o poder sobre os demais seres humanos, oprimindo-os na busca do benefício próprio. Estas práticas provocam a “ira de Deus”, que é uma linguagem antropopática para que o ser humano, em sua limitação, possa entender e reproduzir o agir divino. O Deus de justiça não pode ser conivente com práticas de injustiças e desumanização. O termo “ira de Deus” não é compreendido por muitas pessoas, alegando que Deus é amor e não poderia agir com atos de vingança ou rigorosos. As expressões “Deus é amor” e “Deus é justiça” não são contraditórias, pois um Deus de Amor deve proteger os injustiçados por meio da justiça. Toda injustiça é pecado (1Jo 5.17a — ARA) e as práticas de injustiça serão julgadas por Deus, no tempo determinado por Ele.
  2. O conhecimento natural e racional não liberta da ira de Deus (vv.19,20a). O conhecimento natural e racional de Deus é acessível a todo ser humano. O apóstolo argumenta que as coisas visíveis criadas por Deus são do conhecimento de todas as pessoas e representam as coisas invisíveis, que podem ser deduzidas pela lógica. Para Paulo não existe o ateu em estado puro, pois pelas coisas criadas é possível se descobrir Deus. Como explicar o funcionamento do universo, com milhares de galáxias, além das conhecidas, e a harmonia entre elas? O reconhecimento de um Deus que governa tudo isso pode se explicar racionalmente. O caminho da descoberta de Deus está aberto a todos. Todavia, o conhecimento experiencial é somente por meio da fé e é manifesto mediante a produção de frutos de justiça. O autor esclarece o tema da justificação por meio da fé nos capítulos 3 e 4 da epístola.
  3. A falta de conhecimento experiencial de Deus é indesculpável (v.20b). Os argumentos do subtópico anterior demonstram que o ser humano não tem como justificar suas práticas de injustiças por não conhecer a Deus. Por outro lado, o fato de reconhecer a existência de Deus não caracteriza que esta pessoa praticará a justiça. Na época do apóstolo, como nos dias que vivemos, existem muitas pessoas que se dizem religiosas e praticantes da Palavra, mas infelizmente suas práticas não condiziam com o Evangelho que era ensinado pelo apóstolo. Dessa forma, a carteira de membro ou de ministro do evangelho não serve para se justificar diante de Deus, mas sim uma vida coerente com o evangelho e que manifesta o fruto do Espírito na vida. No meio pentecostal, a cultura que predomina é de que as manifestações dos dons espirituais são sinônimos de espiritualidade e santidade. Tal ênfase leva-nos a desprezar o fato de que a santidade é evidenciada pelo fruto do Espírito (Gl 5.22). 

Pense! 

Romanos demonstra que o Evangelho revela a justiça de Deus por meio da fé, porém também evidencia a ira de Deus sobre o pecado. 

Ponto Importante 

Quando a Bíblia menciona a necessidade do conhecimento de Deus, não é o conhecimento teórico, mas o conhecimento experiencial, isto é, conhecer sobre Deus com Ele.

 

  1. RECONHECIMENTO DA GLÓRIA DE DEUS (Rm 1.21-27)

 

  1. A falta do reconhecimento da glória de Deus induz à ingratidão (vv.21,22). O versículo 21 usa a expressão “tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus”, ou seja, aqui trata de uma pessoa que reconhece a existência de Deus por meio do conhecimento natural, mas não o reconhece como Senhor. Uma coisa é reconhecer a existência, outra é reconhecer adequadamente a Deus. Algumas pessoas, mesmo sabendo da existência do Criador, têm como motivação seu interesse pessoal, priorizando a busca do poder, do prazer e da zona de conforto, mesmo que para os conquistar precise praticar a injustiça. Esta prática é denominada por algumas pessoas como “ser esperto”. Como diz o apóstolo, “dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”, pois agir desta forma é loucura para Deus. Por isso, a necessidade de reconhecer a glória de Deus, ser grato por tudo que Ele tem nos proporcionado e, em tudo, glorificar ao nome do Senhor. Jovem, você tem sido grato a Deus?
  2. O antropocentrismo ambiciona transformar a glória de Deus em objeto (v.23). Quando o ser humano passa a ser o centro de todas as coisas (antropocentrismo), Deus é considerado como se fosse um objeto à disposição da vontade daquele. O apóstolo critica a prática de tentar transformar a glória do Deus incorruptível em objetos de imagem de criaturas (v.23), como se fossem sagradas e capazes de atender os desejos pessoais (Sl 103.20; Jr 2.11). Aqui, precisamos conceituar idolatria como tudo aquilo que o ser humano coloca no lugar ou antes de Deus e para sua própria glória. Algumas pessoas por não se prostrar diante de uma imagem de escultura pensam não praticar idolatria. No entanto, quando as pessoas não reconhecem Deus como único Absoluto, acabam por substituí-lo por coisas (status social, cargo ministerial, bens, entre outros) ou pessoas. O fato de não termos imagens de escultura em nossas igrejas não garante a ausência de idolatria. Jovem, o que você tem priorizado em sua vida? Qual o lugar de Deus?
  3. O antropocentrismo perverte o plano original para a sexualidade (vv.24-27). Às pessoas que não reconhecem a glória de Deus, o apóstolo afirma que Deus as entrega às suas próprias concupiscências. Estas pessoas são inclinadas a buscar sua satisfação pessoal e uma das formas citadas é a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo, diferente do projeto original de Deus (Gn 1.27; 2.18). No mundo greco-romano da época do apóstolo, a pederastia era estimulada e inclusive vista como perfeição sexual. Contudo, Paulo condena essa prática, que tem se tornado cada vez mais popular nos dias atuais. Por isso, devemos estar preparados para tratar do assunto e das pessoas com esse comportamento sexual, quer fora, quer da própria igreja. É a nossa obrigação falar-lhes do amor de Cristo. 

Pense! 

O ser humano que não se entrega à vontade de Deus, o Criador o entrega à sua própria vontade. 

Ponto Importante

 

A idolatria ocorre quando colocamos outras prioridades antes de Deus. 

III. O CONHECIMENTO EXPERIENCIAL DE DEUS QUE LIBERTA DO PODER DO PECADO (Rm 1.28-32)

 

  1. O desprezo pelo conhecimento experiencial de Deus conduz à perversidade (vv.28-31a). O apóstolo amplia os atos de perversidade que as pessoas que não se importam em buscar o conhecimento experiencial de Deus. A pessoa que tem o conhecimento experiencial com Deus, sente a presença dEle constantemente, pois o Espírito Santo tem liberdade para orientá-la, bem como adverti-la quando estiver propensa a sair da vontade do Pai, mantendo-a na fé de Cristo. Essa é a grande diferença entre aquele que conhece a Deus e aquele que não conhece. Existe um ditado popular que diz “fulano não tem nada a perder”. Aqueles que não conhecem experiencialmente a Deus pensam não ter nada a perder e se entregam às suas próprias concupiscências, “estando cheios de toda iniquidade” (v.29). Entretanto, o apóstolo afirma que serão julgados sob a ira de Deus. Portanto, todos têm “muito a perder”.
  2. O desprezo pelo conhecimento experiencial de Deus torna o ser humano irreconciliável (vv.31b-32a). A pessoa que se entrega à perversidade não dá ouvidos ao Espírito Santo, o meio que Deus proveu para nos convencer do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11). Desse modo, se torna “irreconciliável”, pois rejeita o único meio de se religar com Deus. Entretanto, isso ocorre porque ele não se importa com Deus e não o contrário. Esta pessoa sozinha não consegue vencer sua tendência para a prática do pecado e da injustiça. O fato é que nem todas as pessoas vão chegar ao conhecimento da verdade. Por mais que essa afirmação nos incomode, as pessoas são livres para aceitar ou não o Caminho. Não podemos mudar as pessoas; elas mudarão somente se quiserem e derem abertura ao Espírito Santo. Quem rejeita o projeto de Deus para salvação abraça o projeto que torna a mentira em verdade. 

Pense!

 

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons” (Martin Luther King Júnior). 

 

Ponto Importante 

Todas as pessoas estão sujeitas ao erro e ao pecado, mas aquelas que se submetem a Deus e se importam com a sua vontade, dão ouvidos ao Espírito Santo e não se comprazem na vida de pecado. 

CONCLUSÃO

 

Nesta lição aprendemos que a criação é uma prova evidente da existência de Deus, o ser soberano que se ira contra as práticas de injustiça. Para não ser consumido pela ira divina é preciso ter um conhecimento experiencial de Deus, pois o conhecimento natural e racional não é suficiente para salvação.

 

ESTANTE DO PROFESSOR 

BALL, Charles Fergunson. A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1998.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002.

 

HORA DA REVISÃO 

  1. De acordo com a lição, algumas pessoas afirmam que a expressão “Deus é amor” é conflitante com a expressão “Deus é justiça”. De acordo com a lição estas expressões são contraditórias?

As expressões “Deus é amor” e “Deus é justiça” não são contraditórias, pois um Deus de Amor deve proteger os injustiçados por meio da justiça.

 

  1. As igrejas evangélicas não possuem em seus templos imagens de esculturas. Esta atitude garante a ausência de idolatria na igreja?

O fato de não termos imagens de escultura em nossas igrejas não garante a ausência de idolatria, pois a idolatria é tudo aquilo que você coloca no lugar, ou antes, de Deus.

 

  1. Os cristãos evangélicos afirmam que a Bíblia condena a relação entre pessoas do mesmo sexo. Qual a base bíblica no Novo Testamento para tal afirmação?

A base bíblica está na afirmação do apóstolo Paulo em Romanos 1.26,27: “Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro”. 

  1. De acordo com a lição, quando uma pessoa pode se tornar irreconciliável com Deus?

A pessoa que se entrega à perversidade e não dá ouvidos ao Espírito Santo, o meio que Deus proveu para nos convencer do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11) se torna “irreconciliável”, pois rejeita o único meio de se religar com Deus. 

  1. Segundo a lição, o apóstolo Paulo afirma ser suficiente não praticar a injustiça?

Não. O apóstolo ensina que consentir com a injustiça também se constitui uma prática injusta.

 

SUBSÍDIO I 

“Paulo já era cristão há mais de 24 anos. Durante esse tempo, passara por muitas experiências e grandes decepções. Sua mente, porém, abria-se para Jesus como uma flor se abre ao sol. Amadurecera na vida cristã, e o Evangelho de Cristo era-lhe, mas que nunca uma preciosa realidade. Em sua carta, Paulo decidiu proclamar o Evangelho em sua plenitude. Suas palavras, ditadas a Tércio, visavam convencer os romanos de que todos, gentios ou judeus, precisavam da salvação provida por Deus em seu Único Filho. Deus a oferecia como um dom; bastava ao homem recebê-la de graça. Homem algum pode, por esforço próprio, ser reto e aceitável a Deus” (BALL, Charles Fergunson. A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo. RJ: CPAD, 1998, p.150).

 

SUBSÍDIO II 

“Todos fazem mais ou menos o que sabem que é mau e omitem o que sabem que é bom, de modo que ninguém se pode permitir alegar ignorância. O poder invisível de nosso Criador e a divindade estão tão claramente manifestados nas obras que têm feito de modo que até os idólatras e os gentios maus não têm desculpas. Eles seguiram de maneira néscia a idolatria, e as criaturas racionais trocaram a adoração do Criador glorioso por animais, répteis e imagens sem sentimento. Se apartariam de Deus até perderem todo o vestígio da verdadeira religião, se a revelação do Evangelho não os houvesse impedido. Os fatos são inavegáveis, quaisquer que sejam os pretextos estabelecidos quanto à suficiência da razão humana para descrever a verdade divina e a obrigação moral, ou para governar bem a conduta. Estas coisas mostram simplesmente que os homens desonram a Deus com as idolatrias e suas superstições mais absurdas, e que se degradaram a si mesmo com os mais vis afetos e obras mais abomináveis” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002, p.925).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens   1º Trimestre de 2016 

Título: Justiça e Graça — Um estudo da Doutrina da Salvação na carta aos Romanos

Comentarista: Natalino das Neves 

Lição 3: A necessidade espiritual dos judeus

Data: 17 de Janeiro de 2016 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não na letra, cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Rm 2.29).

 

SÍNTESE 

Os judeu-cristãos por terem recebido a revelação direta de Deus e se dizerem cumpridores da Lei desprezavam os gentios, mas Paulo demonstra que a Lei e a circuncisão não justificam o ser humano.

 

AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA — Rm 2.1

Quem julga e faz o mesmo condena a si mesmo 

TERÇA — Rm 2.11

Deus não faz acepção de pessoas 

QUARTA — Jr 31.33

Deus tem aliança com quem tem a Lei escrita no coração 

QUINTA — Rm 2.28

O ritualismo não justifica ninguém 

SEXTA — Gn 12.1-3

A promessa da bênção a Abraão 

SÁBADO — Rm 2.21-24

Quem ensina a Palavra e não prática desonra o nome de Deus

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

DEFENDER a afirmação de que a Lei não foi suficiente para a justificação do ser humano;

MOSTRAR que quem ensina e não pratica o que ensina é um hipócrita e está debaixo da ira de Deus;

DEMONSTRAR que o ritual serve apenas como um sinal externo, como exemplo da circuncisão, e não justifica o ser humano diante de Deus.

 

INTERAÇÃO

 

Caro(a) professor(a), um tema que precisa de uma atenção especial é a hipocrisia. Não é possível, como diz um ditado popular, “tapar o sol com a peneira”. Infelizmente, existem, no meio cristão evangélico, pessoas com atitudes semelhantes as dos judeus citados por Paulo. Elas querem impor sobre as demais normas e regras que a Bíblia não exige, um jugo pesado e impraticável. Pessoas boas de discurso, que falam de forma bonita sobre o Evangelho, mas que não se comportam adequadamente na igreja, no lar, trabalho, escola e na sociedade em geral. Crentes que têm envergonhado o Evangelho e a Igreja. Um debate bem conduzido sobre o assunto poderá contribuir para uma sensibilização, para a necessidade de se viver uma vida íntegra e coerente diante das pessoas e de Deus.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Sugerimos que você faça uma atividade em grupo para exemplificar o ensino do tópico II desta lição. Para isso, solicite dois voluntários ou duas voluntárias. Enquanto as demais pessoas assistem, coloque uma venda nos olhos de um(a) voluntário(a) e peça para o(a) outro(a) voluntário(a) para guiá-lo(a) numa caminhada pela sala ou pátio, não permitindo que retire a venda, como se fosse uma pessoa cega. Na sequência, coloque a venda nos olhos do(a) outro(a) voluntário(a) e peça para um guiar o outro, alternadamente. Após a atividade, peça para cada voluntário(a) expressar qual o sentimento que teve nas duas funções exercidas, bem como a opinião do público que presenciou a atividade. Depois de ouvir a todas as pessoas, explique que os judeu-cristãos se achavam perfeitos e queriam guiar os gentios por acharem que eram cegos, mas que Paulo esclarece que os judeus também eram cegos. Na realidade era um cego tentando guiar outro cego. Os judeus se achavam superiores, porém diante de Deus estavam condenados como os gentios que não reconheciam a Deus. Tanto judeus como gentios precisavam da misericórdia e graça de Deus para se justificarem diante dEle.

 

TEXTO BÍBLICO 

Romanos 2.1-11. 

1 — Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo.

2 — E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem.

3 — E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?

4 — Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência, e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?

5 — Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus,

6 — o qual recompensará cada um segundo as suas obras,

7 — a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, e honra, e incorrupção;

8 — mas indignação e ira aos que são contenciosos e desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade;

9 — tribulação e angústia sobre toda alma do homem que faz o mal, primeiramente do judeu e também do grego;

10 — glória, porém, e honra e paz a qualquer que faz o bem, primeiramente ao judeu e também ao grego;

11 — porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Paulo se dirige aos judeu-cristãos de Roma, judeus que haviam se convertido ao cristianismo, mas que ainda estavam marcados pelo poder da Lei e não se sentiam à vontade (devido a opressão do jugo da Lei por longa data) com a mensagem da justificação por meio da fé. O comportamento dos judeu-cristãos colocava-os, da mesma forma que os gentios citados na lição passada, debaixo da ira divina, pois também desprezavam a salvação gratuita ofertada por Deus em Cristo.

 

  1. OS JUDEUS NECESSITAVAM SE LIBERTAR DO JUGO DA LEI (Rm 2.1-16)

 

  1. O julgamento mediante a Lei provoca a ira de Deus (vv.1-10). Os judeu-cristãos, possivelmente, ficaram satisfeitos com as palavras que Paulo dirigiu aos gentios (1.18-32). Agora, o comportamento deles é questionado. Eles, influenciados pela cultura que os gerou, tinham o hábito de julgar as pessoas por não cumprirem a Lei judaica. O que preocupa é que eles haviam deixado o judaísmo para se inserirem no cristianismo, mas continuavam no legalismo como os gálatas (Gl 3.1-5). O apóstolo afirma que da mesma forma que os gentios provocaram a ira de Deus pela sua conduta pecaminosa, os judeus também estavam sob o julgamento da ira divina pelo legalismo. Na realidade, a causa era a mesma, a busca da glória para si por meio da manifestação das obras (antropocentrismo/egocentrismo). Eles queriam impor um jugo sobre as pessoas, que nem mesmo Deus requeria. Jugo que somente Jesus poderia libertar (Ver Mt 11.28-30).
  2. Deus não faz acepção entre judeu e gentio (v.11). Deus sempre vai primar pela justiça. Alguns cristãos evangélicos tem uma tendência em pensar que Deus privilegia os judeus em detrimento aos outros povos. Isto é um engano. Um bom exemplo é a atuação dos profetas, que profetizavam a justiça de Deus tanto para as nações inimigas como para o seu próprio povo, em especial os líderes civis e religiosos. O parâmetro utilizado é a culpabilidade, ou seja, o julgamento é sobre a prática da injustiça e não a nacionalidade ou a origem das pessoas. Este comportamento de discriminação, comum ao ímpio, às vezes está presente na comunidade evangélica, onde o critério não é a justiça, mas sim a origem ou outros fatores que privilegiam uns em detrimento de outros. Deus não age assim, “porque, para com Deus, não há acepção de pessoas” (v.11). Jovem, você tem feito acepção de pessoas?
  3. Os gentios que não conhecem a Lei serão julgados pela sua consciência moral (vv.12-16). Um questionamento comum é como será o julgamento das pessoas que nunca tiveram a oportunidade de conhecer o Evangelho. Paulo nesta passagem nos traz uma explicação didática quando se refere ao julgamento sobre os gentios que não conheciam a Lei. Ele afirma que “quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei”, ou seja, seriam julgados não pelo conhecimento da Lei, mas pela prática da Lei, sem mesmo a conhecer. As pessoas geralmente priorizam a fé em Cristo, isto é bom e louvável, mas será que o mais importante para o ser humano não seria ter a fé de Cristo, mesmo não o conhecendo? Por exemplo, uma pessoa que tenha nascido em um ambiente sem oportunidade de ouvir falar de Jesus, mas a sua consciência moral, como criatura formada à imagem de Deus, pratica o que Jesus ensinou, em especial o amor, deveria ser julgada e condenada? Um judeu-cristão da época de Paulo diria que sim. Jovem, e você, o que diz?

 

 

Pense!

Jovem, como podemos ter a Palavra de Deus em nosso interior, escrita em nosso coração? 

Ponto Importante

 

Deus não dá um tratamento diferenciado aos judeus, mas os julga da mesma maneira que julga os gentios, pelas suas atitudes. 

  1. OS JUDEUS NECESSITAVAM ABANDONAR A HIPOCRISIA (Rm 2.17-24)
  1. Os judeus se achavam superiores por terem recebido a Lei (vv.17,18). Os judeus, numa linguagem jovem, “achavam que estavam podendo” por terem “por sobrenome judeu”. Afinal de contas, segundo a tradição, foi o povo de Israel por meio de Moisés, seu grande líder, o receptor da Lei dada diretamente por Deus. Este povo poderia ter no mínimo duas atitudes: a) se sentir superior aos demais povos pela revelação exclusiva de Deus; b) se sentir privilegiado, mas acima de tudo, responsável pela transmissão, de forma humilde, da revelação recebida para o bem coletivo. Os judeus escolheram a primeira opção, se sentiam como insubstituíveis. Quantas pessoas que se dizem participantes do povo de Deus que imitam o comportamento dos judeus? Fechadas entre quatro paredes se sentem como os únicos abençoados por Deus e julgam as pessoas que não fazem parte de seu grupo. Jesus advertiu que seremos julgados com o julgamento com que julgarmos (Mt 7.1-5). Jovem, o que você acha de pessoas que vivem julgando as demais?
  2. Os judeus ensinavam a teoria, mas não viviam o que ensinavam (vv.19-23). Existe um treinamento vivencial para líderes em que as pessoas colocam vendas nos olhos, simulando uma vida de cego para perceber as dificuldades que eles têm, enquanto outro companheiro o guia entre alguns obstáculos. Quem está sendo conduzido precisa confiar no seu guia, e o guia precisa ser comprometido para não tirar vantagem, mas cuidar com carinho da pessoa que está guiando. O apóstolo afirma que os judeus se achavam em condições de conduzir os gentios, para eles cegos, por não receberem a luz da revelação. Todavia, o apóstolo assevera que eles também eram cegos e não estavam credenciados para conduzir ninguém. Paulo aponta a evidência, o comportamento hipócrita dos judeu-cristãos, que ensinavam a Lei, mas não praticavam e não conseguiam ser exemplo. A atitude judaica faz lembrar o ditado popular “faz o que eu mando, mas não faça o que eu faço”. O que faziam bem era julgar os gentios.
  3. Os judeus envergonhavam o nome de Deus (v.24). Neste verso o apóstolo trata da consequência das atitudes dos judeu-cristãos citadas no subtópico anterior. As pessoas estão atentas para o comportamento das outras, principalmente, quando estas professam uma fé diferenciada e se vangloriam de fazer parte de determinado grupo. Como o comportamento dos judeus era hipócrita, eles acabavam sendo os piores diante de Deus. O texto diz que os gentios blasfemavam contra Yahweh devido ao comportamento repreensível dos judeus. No meio das comunidades cristãs evangélicas também existem pessoas com comportamento parecido ao dos judeus (Mt 13.24-30,36-43). Por isso, precisamos estar constantemente nos examinando, assim como nos exorta o apóstolo em outra epístola (1Co 11.28-32), acerca de não desonrarmos a Deus e não sermos julgados com o mundo.

 

Pense!

 

Jovem, você tem saído das quatro paredes para evangelizar outras pessoas ou, como os judeus, tem se comportado como se a salvação fosse exclusiva para você? 

Ponto Importante

 

Os judeu-cristãos por se acharem superiores aos gentios os desprezavam, viviam uma vida hipócrita não praticando o que ensinavam e, por isso, Paulo afirma que os gentios blasfemavam de Deus.

 

III. OS JUDEUS PRECISAM SE LIBERTAR DO RITUALISMO (Rm 2.25—3.8) 

  1. Os judeus exigiam a circuncisão, mas eram incircuncisos de coração (2.25-29). A circuncisão, uma operação cirúrgica que remove o prepúcio, uma pele do órgão sexual masculino, um sinal externo que representa a fidelidade do judeu com sua fé e sua nação. Esse ritual era tão relevante para identificar o judeu com sua fé, que na época do Império Grego muitos judeus apóstatas, para garantir a fidelidade aos gregos, reverteram a circuncisão por meio de cirurgias. A circuncisão para o judeu era obrigatória e motivo de vanglória por pertencer ao “povo escolhido”. Mas o apóstolo afirma que a fidelidade não se evidencia pelo exterior e por ritualismo, como defendiam os judeus, mas a evidência era interna, no coração. Entretanto, isso não significava que o exterior não é importante, mas sim que o interior do ser humano que transforma seu exterior e não o contrário. Jesus disse que o ser humano é contaminado pelo que está dentro do seu coração e não no seu exterior (Mt 7.15).
  2. Os judeus não souberam aproveitar o privilégio de receber a revelação divina (Rm 3.1,2). A leitura descuidada da epístola pode dar a impressão que Paulo desmerece o privilégio do povo judeu de receber a revelação de Deus. Entetanto, esse não é o caso. Ele tem como precioso o privilégio judaico, mas reprova a atitude de não saberem valorizar esta prerrogativa. O recebimento direto da revelação divina, a Palavra escrita, bem como a representação da circuncisão é considerado como um favorecimento honroso. Na realidade, Deus escolheu o povo de Israel para abençoar toda a humanidade. Eles foram colocados como intermediários das bênçãos de Deus, para que a promessa de Abraão de que por meio dele seriam benditas todas as nações da terra (Gn 12.3), alcançasse não somente os seus descendentes. Como têm se comportado os membros de nossa igreja ao se verem como receptores das bênçãos de Deus? Existe alguma relação com a atitude dos judeus?

 

Pense! 

Algumas pessoas tentam manter as aparências, valoriza a exterioridade e o ritualismo. Deus valoriza o que está no mais íntimo dos corações. 

Ponto Importante

 

A tradição é importante, mas não pode sobrepor ao poder da Palavra.

 

CONCLUSÃO

 

Nesta lição aprendemos que os judeus que se achavam perfeitos e privilegiados por serem os receptores da revelação de Deus e portadores da Lei, diante de Deus estavam na mesma condição que os gentios que não reconheciam ao Senhor como deveriam. Portanto, ambos os grupos acabaram injustificados. Para alcançar a justificação os judeus precisavam abandonar a vida de hipocrisia, baseada em ritualismo e sinais externos, bem como os gentios precisavam se converter. 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

RENOVATO, Elinaldo. Deus e a Bíblia. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008. 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Segundo a lição, por que o apóstolo Paulo afirma que os judeus estavam na mesma condição de julgamento do que os gentios?

O apóstolo afirma que da mesma forma que os gentios provocaram a ira de Deus pela sua conduta pecaminosa, os judeus também estavam sob o julgamento da ira de Deus pelo legalismo.

 

  1. Como se daria o julgamento dos gentios que não conheciam a Lei?

Os gentios seriam julgados não pelo conhecimento da Lei, mas pela prática da Lei, sem mesmo a conhecer.

 

  1. Qual era a evidência de que os judeu-cristãos também eram cegos, assim como julgavam os gentios?

A evidência era o comportamento hipócrita dos judeu-cristãos, que ensinavam a Lei, mas não praticavam e não conseguiam ser exemplo.

 

  1. O que é a circuncisão e o que representa para os judeus?

A circuncisão é uma operação cirúrgica que remove o prepúcio, uma pele do órgão sexual masculino, um sinal externo que representa a fidelidade do judeu com sua fé e sua nação.

 

  1. Qual o exemplo dado na lição para explicar que, às vezes, Deus transforma a maldade humana em bênção para o ser humano?

O exemplo dado é o relato de José. Quando ele, após ser vendido como escravo para os egípcios pelos próprios irmãos, Deus o acompanha e o transforma no segundo homem do Egito. No reencontro deste com seus irmãos, após a morte de seu pai, ele os tranquiliza, dizendo que o mal que intentaram contra ele, Deus havia transformado em bem (Gn 50.15-21).

 

SUBSÍDIO

 

“Por que haveria Deus de se preocupar com o homem perdido, incrédulo, ingrato e desobediente? Por que haveria de prover a expiação do pecado desse homem, que lhe deu as costas, preferindo ouvir a voz da antiga serpente, quando todos os meios para sua felicidade estavam à sua disposição? Somente pela Bíblia, a Palavra de Deus revelada e inspirada, é que podemos obter algumas respostas consistentes. A expiação foi necessária por dois grandes motivos: a santidade de Deus e a pecaminosidade do homem. O pecado do homem, face à santidade divina, provocava a ira de Deus. Alguns conceitos precisam ser identificados para entender-se melhor o significado da expiação. Diz a Bíblia: ‘Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a vexação não podes contemplar; por que, pois, olhas para os que procedem aleivosamente e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?’ (Hc 1.13). O pecado causou tremenda perturbação à relação do homem com Deus, afrontando sua santidade, de tal modo que a ira de Deus exige sua condenação. A Bíblia diz que ‘sem derramamento de sangue não há remissão’ (Hb 9.22), ou o homem seria morto, derramando seu próprio sangue, ou alguém teria de morrer em seu lugar. No Antigo Testamento, os animais inocentes foram sacrificados aos milhões em lugar do homem pecador. Mas o sangue dos animais apenas ‘cobriam’ (expiavam de forma imperfeita) o pecado do homem” (RENOVATO, Elinaldo. Deus e a Bíblia. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008, p.56).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net

 

 

                 Lições Bíblicas CPAD Jovens 

                      1º Trimestre de 2016

Título: Justiça e Graça — Um estudo da Doutrina da Salvação na carta aos Romanos

Comentarista: Natalino das Neves

Lição 4: A necessidade universal de salvação

Data: 24 de Janeiro de 2016

 

TEXTO DO DIA

“Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Rm 3.20).

 

SÍNTESE

Todo ser humano estava condenado pela Lei, que aponta o pecado humano. Somente Deus poderia apresentar um meio alternativo para a necessidade universal de salvação. 

AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA — Rm 3.9

Judeus e gentios estão na mesma condição diante Deus 

TERÇA — Rm 3.10

Sem a graça de Deus, não há nenhum justo 

QUARTA — Rm 3.11-17

O pecador que não ouve o Espírito Santo 

QUINTA — Rm 3.19

A Lei não justifica 

SEXTA — Rm 3.24-25

A lei serve apenas para apontar a solução

SÁBADO — Rm 3.20

O ser humano não tem como se justificar por meio de suas obras

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

MOSTRAR que os judeus e gentios necessitam de um meio eficaz para salvação;

RECONHECER que a humanidade necessita encontrar o caminho da paz;

EXPLICAR que a humanidade necessita da solução para o pecado. 

INTERAÇÃO 

Caro(a) professor(a), precisamos caminhar lentamente junto com o apóstolo Paulo. Perceba a paciência e o cuidado de um bom mestre nas lições que estudamos até aqui, o que continuará também nas lições posteriores. O apóstolo começa com a saudação, apresentando suas credenciais, elogiando o que os membros da igreja de Roma tinham de positivo, incentivando-os a continuarem no Caminho. Ele demonstra seu carinho e a vontade de estar com eles. Testemunha o poder do Evangelho em sua vida e a importância de perseverar nele, de fé em fé. Em seguida, ele começa apresentar a condição de indesculpabilidade dos gentios e judeus até chegar ao momento desta lição atual. Neste estágio do comentário do apóstolo, por meio de forte argumentação, ele demonstra que todos nós, independente de raça, cor, gênero, classe social, entre outros, estamos na mesma situação (mesmo barco) e necessitamos de uma mesma solução para a justificação diante de Deus.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Para exemplificar a situação de igualdade entre judeus e gentios e da humanidade, sugerimos que utilize a figura de uma canoa com algumas pessoas dentro. As pessoas devem estar em lados opostos. Diga que as pessoas do lado oposto da canoa simbolizam os judeus. Os gentios estão em lados diferentes, mas ambos na mesma canoa. Diga que a canoa apresenta um furo em um dos lados e se a situação atual continuar é inevitável o naufrágio. No entanto, os personagens que estão do lado que não apresenta o furo se sentem protegidos, não correndo o risco de morrerem afogados. Estes são como cegos, por não querer ver que estão na mesma canoa, sujeitos a mesma sentença: morrerem afogados. Esta era a atitude dos judeus que se julgavam protegidos pela Lei e a circuncisão, mas que Paulo demonstra estarem na mesma condição dos gentios, injustificados e condenados à ira de Deus. Judeus e gentios no mesmo barco e em situação de risco fatal, pois o barco está furado.

 

TEXTO BÍBLICO 

Romanos 3.9-20. 

9 — Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado,

10 — como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.

11 — Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus.

12 — Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

13 — A sua garganta é um sepulcro aberto; com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;

14 — cuja boca está cheia de maldição e amargura.

15 — Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.

16 — Em seus caminhos há destruição e miséria;

17 — e não conheceram o caminho da paz.

18 — Não há temor de Deus diante de seus olhos.

19 — Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.

20 — Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Nas lições anteriores vimos que nem os gentios com seu conhecimento natural e racional, nem os judeus com a Lei e a circuncisão, foram justificados diante de Deus. Como o conceito de mundo judaico se divide entre judeus e gentios, o apóstolo apresenta a realidade de que todos são indesculpáveis e precisam de um meio eficaz de salvação. Para isso, ele primeiro reforçará o conceito de que tanto judeus como gentios eram indesculpáveis, em seguida demonstrará o estado pecaminoso do ser humano no sentido universal e esclarecerá que a Lei era insuficiente para justificação e salvação de qualquer ser humano, apontando para Cristo como a saída.

 

  1. OS JUDEUS E GENTIOS NECESSITAVAM DE UM MEIO EFICAZ PARA SALVAÇÃO (Rm 3.9) 
  1. A filosofia humana não apresentou o caminho da salvação. “Pois que?”, o início do versículo demonstra que o apóstolo está dando continuidade a um assunto anterior, a indesculpabilidade dos gentios e judeus. Os gentios, influenciados pela filosofia grega, buscaram chegar ao conhecimento de Deus e da salvação por meio do raciocínio humano. Os filósofos trouxeram grandes contribuições tanto para a ciência como para a teologia, basta ver a influência destes nos Pais da Igreja. Entretanto, a revelação divina está acima do raciocínio humano, que apenas consegue obter “lampejos” da revelação maior, que somente é possível por meio do Espírito Santo. A filosofia levou muitas pessoas a acharem que o ser humano pudesse, por meio de sua competência intelectual, entender Deus e sua obra. Por exemplo, no século passado um movimento que sobressaiu foi o cientificismo que, influenciado pelo avanço da tecnologia, entendia que poderia resolver o problema da humanidade. Infelizmente, a resposta foi as duas guerras mundiais.
  2. A lei e a circuncisão não libertaram o judeu. Conforme visto na lição anterior, os judeus se achavam superiores aos gentios por serem os receptores da Lei e que mantinham sua identidade e exclusivismo por meio da circuncisão, um ritual obrigatório e que apenas aumentava mais a arrogância e a hipocrisia dos judeus. Eles também não obtiveram êxito na justificação diante de Deus. A religiosidade não salva. Algumas pessoas buscam a religiosidade, a manutenção de uma aparência de pureza, espiritualidade e santidade, ou seja, uma vida hipócrita que não liberta ninguém. A Bíblia recomenda que congreguemos e que vivamos uma vida de amor, com objetivos comuns, a não termos uma vida de religiosidade baseada no legalismo. Jovem, você é um religioso ou um verdadeiro discípulo de Cristo?
  3. Sentença igual para todas as pessoas. O apóstolo continua o versículo com uma pergunta interessante: “Somos nós mais excelentes?”. Ele agora se dirige a Igreja de Cristo, formada por um único corpo e vários membros, coloca todas as pessoas “no mesmo barco”, debaixo da mesma sentença (Rm 2.1). A pergunta chama todas as pessoas que se dizem discípulas de Cristo a refletir. Ele mesmo responde: “De maneira nenhuma!”. Nós, como membros da igreja, não somos melhores ou piores do que os gentios e judeus da época de Paulo, mas estamos na mesma condição, humanamente falando, indesculpáveis diante de Deus. O apóstolo vai desenvolvendo, cuidadosamente, uma abordagem para que os membros da igreja reconheçam sua condição de pecadores e dependentes da graça de Deus, por meio de Jesus. Eles precisam aprender que, mesmo salvos, precisam manter o “velho homem” sob controle. 

Pense!

Não adianta recorrer às filosofias humanas nem à religiosidade ou ao legalismo para alcançar a paz. 

Ponto Importante 

Não adianta ter pressa para apresentar a solução sem antes analisar o problema. 

  1. A HUMANIDADE NECESSITA ENCONTRAR O CAMINHO DA PAZ (Rm 3.10-18) 
  1. Não há nenhum justo sequer (vv.10-12). A partir deste versículo o autor faz vários recortes do Antigo Testamento, chamando assim, a escritura judaica para testemunhar a culpa universal, tanto de judeus como dos gentios. Inicia citando Salmo 14 para demonstrar que toda humanidade estava corrompida pelo pecado. Conforme já vimos, ninguém consegue ser justo por si mesmo, pois nossa natureza é má. Por isso, devemos entender que ninguém é melhor do que o outro e adotarmos uma posição de humildade e misericórdia. O único justo por mérito próprio foi Jesus. Postura de superioridade por se considerar espiritualmente menos falível, como os judeus, conduz à ruína. Jesus, em diversas ocasiões, criticou a hipocrisia dos mestres da lei e fariseus, e se colocou ao lado dos excluídos da sociedade. Como discípulos de Jesus, devemos compreender que o evangelho é boa nova de salvação e não de hipocrisia e superioridade. Jovem, você tem se considerado superior ao seu próximo?
  2. O ser humano, sem Deus, não consegue vencer o poder da carne (vv.13-16). O autor prossegue citando os Salmos 5.10 e 140.4 para falar sobre o perigo da língua e das trapaças. Para discorrer sobre este assunto, Tiago 3.1-12 é leitura obrigatória. Tiago destaca como um membro tão pequeno pode causar tantos males. O ser humano que consegue domar tantos animais, tecnologias, entre outras coisas não consegue domar sua língua, pois o autor diz que quem consegue é perfeito. O apóstolo continua citando o Salmo 10.7 e Isaías 59.7 para falar sobre a boca cheia de maldições e de amargor e os pés velozes para derramar sangue e causar ruína e desgraça. Por isso, o cuidado que temos que ter com o que dizemos, em vez de amaldiçoar que sejamos fonte de bênçãos para as demais pessoas. Assim, como também com as atitudes de impiedade e injustiça, denúncia que o autor cita aqui e que perpassa toda a epístola. Com essa exortação fica claro que todos necessitamos constantemente nos submeter ao Espírito Santo para vencermos o poder da carne.
  3. A humanidade não alcança a paz a não ser em Cristo (vv.17,18). Paulo fazendo referências ao Antigo Testamento (Is 59.8; Sl 36.2), destaca a busca sem sucesso da humanidade pela paz por não terem aprendido a temer a Deus. O livro de Provérbios tem como um dos temas centrais o temor do Senhor como o princípio de toda a sabedoria. Esta vida de sabedoria é possível somente com a fé de Cristo, aprendendo com o exemplo que Ele deixou. Não é servir a Deus por ter medo de ir para o inferno, mas sim ter um conhecimento experiencial tão profundo com Ele, que o ser humano não se vê vivendo de outra forma, a não ser servindo a Ele. Este é o caminho da paz, que não significa uma vida sem conflitos, mas a paz apesar dos conflitos e aflições (Jo 16.33). Quando sou questionado: “tudo tranquilo?”, eu costumo dizer: “tranquilo não, mas em paz. A tranquilidade não depende de mim, mas a paz sim”. 

Pense!

 

Você tem vivido em paz? A paz que excede todo entendimento, que prevalece mesmo nas tempestades?

 

Ponto Importante

Os judeus davam muito valor aos escritos do Antigo Testamento, onde se apegavam para justificar suas crenças e atitudes. 

III. A HUMANIDADE NECESSITA DA SOLUÇÃO PARA O PECADO (Rm 3.19,20)

  1. A lei tem a função de mostrar ao ser humano sua condição de pecador (v.19). No versículo 19, o autor justifica o porquê da utilização dos textos do AT: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (v.19). Fica evidenciado qual o propósito da epístola até este momento, ou seja, demonstrar que toda a humanidade, judeu ou gentia, tem uma dívida pelo pecado que é impagável. Dessa forma, abre-se o caminho para apresentar a grande revelação de Deus para a humanidade que é apresentada na epístola, as boas novas da salvação para uma humanidade em pecado e que não têm como pagar sua dívida. Aqui é apresentada a função específica da Lei que é conscientizar todo ser humano de que ele é um pecador e carece da graça e misericórdia de Deus.
  2. O ser humano não pode se justificar pelas suas próprias obras (v.20a). O apóstolo, então apresenta o motivo da culpabilidade da humanidade citada anteriormente: “Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei”. O ser humano pode se gloriar de suas obras perante as demais pessoas, mas perante Deus não encontrará justificativa, pois nem mesmo Abraão alcançou por méritos (Rm 4.1-3). Se houvesse um só ponto ou característica do ser humano que o pudesse justificar, existiriam outros caminhos para se alcançar a justificação além do caminho da morte e cruz apresentado por Jesus, e certamente os homens escolheriam o caminho mais simples. Paulo descarta qualquer possibilidade de o ser humano se gloriar diante de Deus e, semelhante à prática usual de Jesus, usou da autoridade da Escritura para esta afirmação. Mas, como se dá a justificação será assunto da próxima lição. 

Pense! 

Jovem, se todas as pessoas são iguais perante Deus, com tendências a pecar e não tendo como se justificar pelas suas obras, porque existem tantas pessoas nas igrejas, dizendo-se discípulas de Cristo, que se vangloriam e agem como se fossem melhores e mais santas do que as outras? 

Ponto Importante 

O fato de a Lei não ser suficiente para justificar o ser humano, não quer dizer que ela não teve uma função específica. Segundo Paulo, ela serviu como “aio” para conduzir o pecador até Cristo. 

 

CONCLUSÃO 

Nesta lição aprendemos que toda humanidade esta na mesma situação de culpabilidade diante de Deus, pois nem a Lei, circuncisão nem a filosofia puderam justificar o ser humano.

 

ESTANTE DO PROFESSOR 

GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do Crente. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004. 

HORA DA REVISÃO 

  1. Conforme a lição, somos melhores ou piores do que os judeus e os gentios da época do apóstolo Paulo?

Estamos na mesma condição. Nós, como membros da igreja não somos melhores ou piores do que os gentios e judeus da época de Paulo, mas estamos na mesma condição, humanamente falando, indesculpáveis diante de Deus e dependentes da graça de Deus, por meio de Cristo Jesus. 

  1. Quem foi alvo de crítica de Jesus por hipocrisia religiosa?

Jesus, em diversas ocasiões, criticou a hipocrisia dos mestres da lei e fariseus. 

  1. Quais os textos do Antigo Testamento utilizados pelo autor para falar sobre o perigo da língua e trapaças e qual leitura do Novo Testamento, segundo o comentarista da lição é obrigatória?

O autor cita os Salmos 5.10 e 140.4 para falar sobre o perigo da língua e das trapaças. Para discorrer sobre língua, Tiago 3.1-12 é uma leitura obrigatória. 

  1. Qual o versículo que o autor da Epístola aos Romanos utiliza para justificar a utilização de textos do Antigo Testamento?

O versículo 19: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Rm 3.19).

 

  1. Qual era a função da Lei?

A função da Lei era dar consciência tanto a judeus como gentios de sua culpabilidade e conduzi-los à Cristo, a solução para o pecado da humanidade.                                                                        

SUBSÍDIO 

“[...] Falsos mestres dizendo-se cristãos ensinavam que depois do recebimento da salvação, o cristão tinha de obedecer a todas as normas e regulamentos da lei do Antigo Testamento. Paulo entrou em ação para corrigir este falso ensino. Ele mostrou que a salvação é um dom gratuito de Deus, recebido mediante a fé na obra expiatória de Jesus Cristo, dom esse gratuito, proveniente da graça de Deus. Para serem salvos os gálatas não dependiam das obras, e também não dependiam disso para continuarem salvos. A lei do Antigo Testamento não podia evitar que o ser humano, não importando quão bom fosse, praticasse o mal; entretanto, esta mesma lei o declarava culpado. A decisão para obedecer ou desobedecer à Lei era responsabilidade de cada pessoa que a recebia. Se alguém escolhesse desobedecer à Lei teria de arcar as inevitáveis consequências. Lendo a história da nação de Israel no Antigo Testamento, vemos que o povo escolhido de Deus desobedeceu à Lei muitas vezes e sofreu por causa da desobediência. Deus sabia que o homem por seu próprio esforço não podia cumprir a Lei. Eis por que Ele concedeu-lhe que oferecesse sacrifícios substitutos como expiação pelo pecado. Tais sacrifícios eram repetidos continuamente, por serem imperfeitos, mas quando veio o Senhor Jesus Cristo, o sacrifício perfeito, Ele ofereceu-se uma vez para sempre como nossa expiação e cumpriu todas as exigências da justa lei divina” (GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do Crente. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.147-148).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net

 

 

 

   Lições Bíblicas CPAD Jovens 

                    1º Trimestre de 2016 

Título: Justiça e Graça — Um estudo da Doutrina da Salvação na carta aos Romanos

Comentarista: Natalino das Neves 

Lição 5: A justificação pela fé

Data: 31 de Janeiro de 2016  

 

TEXTO DO DIA

 

“[...] isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença” (Rm 3.22).

 

SÍNTESE 

Abraão foi a figura didática adequada para a explicação paulina da justificação pela fé, pois foi justificado antes da circuncisão e da lei, sem obras meritórias, mas somente pela fé.

 

AGENDA DE LEITURA

 SEGUNDA — Rm 3.21

Somos justificados pela fé 

TERÇA — Gl 1.6,9

Alguns dos gálatas depois de justificados, foram tentados a retroceder 

QUARTA — Rm 4.1-8

A justificação de Abraão foi um presente de Deus 

QUINTA — Rm 4.9-16

Abraão foi justificado antes da circuncisão e da lei 

SEXTA — Hb 11.18

Abraão acreditava que Deus poderia ressuscitar Isaque 

SÁBADO — Gn 12.1-9

A justificação de Abraão foi um protótipo da fé cristã

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

APRESENTAR a doutrina da justificação pela fé;

CONSCIENTIZAR da insuficiência da lei para a justificação;

EXPLICAR porquê Paulo utilizou a figura de Abraão para esclarecer a doutrina da justificação pela fé.

 

INTERAÇÃO 

Chegamos ao ponto central da Epístola aos Romanos, o momento em que Paulo cuidadosamente preparou para apresentar a grande novidade, a revelação da verdadeira justiça de Deus, que se constitui na doutrina da justificação pela fé, já indicada em Romanos 1.17. Até este momento, Paulo teve o cuidado para demonstrar que o judeu e o gentio estavam em situação de igualdade, que todos pecaram e destituídos estavam da glória de Deus. Ele conscientizou seus destinatários da dependência de uma alternativa para salvação, de outra forma, estariam condenados. No auge da expectativa, apresenta a solução, a salvação somente é possível por meio do sacrifício de Cristo, pois os sacrifícios do Antigo Testamento foram transitórios e somente encobriam os pecados. Qual o preço então? Paulo afirma que o ser humano precisa apenas ter fé e aceitar o pagamento de sua dívida por Cristo. Para comprovar aos judeu-cristãos ou cristãos judaizantes, utiliza o maior argumento deles, a figura de Abraão. Ele era utilizado pelos judeus como modelo da justificação pelas obras, mas, com base em Gênesis 15.6, Paulo demonstra que Abraão não foi justificado pelas obras, mas pela fé, antes da circuncisão e da lei. Com isso, o apresenta como pai de todo aquele que crê como ele, no Deus do impossível e com poder para ressuscitar (Hb 11.18). O capítulo 4 é uma obra prima do apóstolo.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Sugerimos a simulação de um júri. Para isso, você precisará dedicar pelo menos uns 25 minutos de sua aula. Os alunos devem ler a parábola do fariseu e do publicano que se encontra em Lucas 18.9-14. Divida a turma em dois grupos, um grupo para defender os argumentos do fariseu e o outro para defender os argumentos do publicano. Dê uns 5 minutos para os grupos se organizarem e definirem um representante de cada grupo para defender (advogado) seu personagem escolhido (fariseu ou publicano) diante do juiz, que será você professor(a). Dê oportunidade para que cada um argumentar e depois contra-argumentar. No final, dê o veredito final, conforme registrado em Lucas 18.9-14. Aproveite para explorar os conceitos da doutrina da justificação pela fé.

 

TEXTO BÍBLICO 

Romanos 3.21-31. 

21 — Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas,

22 — isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença.

23 — Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,

24 — sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus,

25 — ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

26 — para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.

27 — Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé.

28 — Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.

29 — É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente.

30 — Se Deus é um só, que justifica, pela fé, a circuncisão e, por meio da fé, a incircuncisão,

31 — anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Nesta lição, iremos estudar a doutrina da justificação pela fé, que foi o grande fundamento teológico utilizado por Lutero na Reforma Protestante. Paulo vai esclarecer o que ele já havia indicado no primeiro capítulo (Rm 1.17). 

  1. A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ (Rm 3.21-26) 
  1. O que é a doutrina da justificação pela fé? A doutrina da justificação pela fé é o cerne da teologia paulina, utilizada especialmente quando em confronto direto com o ensino judaico ou dos judeu-cristãos, que defendiam que o homem encontra a graça de Deus quando cumpre a vontade divina por meio da lei judaica. Paulo contra-argumenta que basta ao ser humano ter fé na eficácia do sacrifício de Cristo na cruz para Deus o declarar justo. Os gálatas são chamados à atenção por Paulo por desprezar este sacrifício e misturar a justificação com a santificação, confiando nas obras de justiça (Gl 1.6,9), o que Paulo chama de “outro evangelho”. Martinho Lutero quando traduziu Romanos 3.28, acrescentou “somente” para dar ênfase, ficando assim o texto: “[...] pela fé somente”. Do ponto de vista linguístico, Lutero tinha razão de traduzir assim, pois apesar de o fato das palavras “somente” e “só” terem sido omitidas, esse é realmente o sentido do texto.
  2. O aspecto forense da doutrina da justificação pela fé. O termo forense está relacionado ao sistema e práticas judiciais. Neste caso, tem a ver com o conceito da declaração judicial divina. Para facilitar o entendimento, vamos ilustrar a figura do supremo tribunal de Deus. Neste tribunal, toda a humanidade tem uma dívida impagável. Entretanto, Cristo por meio de sua morte na cruz deposita no “Banco do Céu” o valor suficiente para saldar a dívida de toda a humanidade. Desse modo, individualmente, quem reconhece o depósito efetuado por Cristo, pela fé, requisita a Deus, o Supremo Juiz, a absolvição pelos pecados (dívida) cometidos, indicando para pagamento o depósito feito por Jesus. O juiz divino, ciente do depósito realizado, credita na conta do réu (Gn 15.6) e o declara justo. Assim, aquele(a) que inicialmente estava condenado(a) pela ira de Deus, com a justificação, passa a ter a sentença divina retirada, reconciliado com Deus gratuitamente, em Cristo.
  3. Jesus e a doutrina da justificação pela fé. A doutrina da justificação pela fé está presente na mensagem propagada por Jesus, como pode ser constatada em diversas parábolas e também no seu próprio estilo de vida. Paulo apresenta uma compreensão da mensagem de Jesus maior do que qualquer outro autor do Novo Testamento. Um ensinamento tão crucial como a doutrina da justificação não poderia estar ausente nos ensinamentos do “Mestre dos mestres”, o Senhor Jesus Cristo. Os conceitos permeavam toda sua pregação do evangelho. Um dos exemplos clássicos é o relato do encontro de Jesus com o ladrão que estava ao seu lado na cruz. Por meio de sua fé em Cristo, o ladrão recebeu a promessa de que estaria com Ele no paraíso (Lc 23.43), sem exigir nenhum sacramento, obra ou ritual para que alcançasse a justificação. Outro exemplo é a parábola do fariseu e do samaritano (Lc 18.9-14), que será analisada no tópico seguinte. 

Pense! 

A doutrina da justificação pela fé foi o princípio fundamental da Reforma. 

Ponto Importante 

Apesar de Jesus não falar especificamente ou de forma sistematizada sobre a doutrina da justificação pela fé, seus conceitos permeiam seus ensinos e modo de vida. 

  1. A INSUFICIÊNCIA DA LEI PARA A JUSTIFICAÇÃO (Rm 3.27-31; Lc 18.9-14) 
  1. A justiça do homem é como trapo de imundícia (vv.27-30). Como poderia um pecador, um ser humano decaído e miserável, sobreviver diante do tribunal de um Deus absolutamente santo e justo? A justiça inerente do homem é insuficiente para a justificação, considerada como trapos de imundícia (Is 64.6; Fp 3.8,9), sendo necessária uma justiça superior que está fora do homem e que lhe seja atribuída. A essência da justificação é de que o homem é perdoado com justiça, entretanto, é preciso entender que tal justiça alcançada por Cristo por sua perfeita obediência e o sacrifício de si mesmo, sendo posteriormente atribuída ao crente. Essa justificação traz como efeito o perdão, a paz com Deus e a certeza da salvação. As boas obras não são consideradas como causa, mas como consequências da justificação. Antes da justificação, Deus é um juiz irado que mantém a condenação da lei, mas após a justificação inocenta e trata o pecador como filho.
  2. A parábola do fariseu e do publicano (Lc 18.9-14). Os fariseus observavam os mais rigorosos padrões legalistas com jejuns, orações, esmolas e outros rituais que excediam as leis cerimoniais mosaicas. Jesus apresenta por meio da parábola algo que chocou seus ouvintes: colocar um cobrador de impostos, considerado traidor pelos judeus, em melhor posição, quanto à justificação, do que um fariseu. A lição de Jesus é clara: O publicano reconhecia que sua dívida era muito alta e não tinha condições de pagá-la, a única coisa que poderia fazer era rogar pela misericórdia de Deus. Não recorreu a obras que havia realizado, nem ofereceu fazer nada, simplesmente rogou que Deus fizesse por ele o que ele próprio não podia fazer, somente baseado na fé e misericórdia divinas. Por outro lado, o fariseu demonstrou arrogância, confiando que os jejuns realizados, dízimos e outras obras consideradas justas, o tornariam aceito por Deus. Uma cobrança de retribuição. Porém Jesus afirma que dos dois, somente o publicano foi justificado.
  3. A justificação pela fé e a santificação (v.31). O apóstolo tem o cuidado para não ser entendido como um libertino, sem regras e disciplina. A justificação pela fé não significa que uma vez justificado, o crente pode fazer o que bem entender. Precisa-se tomar cuidado com algumas afirmações teológicas, como por exemplo, a que ensina que “uma vez salvo, salvo para sempre”. A justificação, como já vimos, é imediata, instantânea. No entanto, uma vez justificado, o crente deve manter sua vida de comunhão com Deus e desenvolver a santificação, que é progressiva. Alguns críticos da Bíblia afirmam que Paulo contradiz Tiago, porque este assegura que a fé é comprovada pelas obras. Isto é um equívoco, pois eles tratam de momentos diferentes da salvação. Paulo fala da justificação, que é mediante a fé e acontece instantaneamente na conversão (ato estático), enquanto Tiago fala da santificação que vai sendo desenvolvida após a conversão (processo contínuo). 

Pense! 

Jovem, já pensou em quão grandiosa é a misericórdia de Deus e quão infinito é seu amor, a ponto de dar seu único filho para morrer e pagar o preço pela dívida que era sua? 

Ponto Importante 

Não se pode confundir justificação com santificação. 

III. ABRAÃO COMO EXEMPLO DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ (Rm 4.1-25) 

  1. A justificação de Abraão não foi por obras meritórias (vv.1-8). Paulo não evita o campo escolhido pelos seus adversários, mas refreia os judeus que se gloriavam por serem filhos de Abraão. Ele cita Gênesis 15.6 por fazer parte da Escritura hebraica, totalmente aceita pelos judeus, para demonstrar que Abraão foi justificado, pela fé e não por qualquer obra efetuada. Paulo passa a trabalhar com o significado de “creditar” usado pela primeira vez na epístola para demonstrar que Abraão foi justificado não porque tinha crédito com Deus, mas porque a fé demonstrada de que Deus pode justificar o ímpio gratuitamente foi creditada em sua conta, o suficiente para sua justificação. Para reforçar o argumento, Paulo utiliza também a figura de Davi, citando o Salmos 32.1,2 Portanto, a justificação vem a nós gratuitamente como um presente.
  2. A justificação de Abraão não foi por meio da circuncisão (vv.9-16). Um dos argumentos mais fortes utilizados pela epístola aos Romanos é da paternidade de Abraão de todos aqueles que creem, desenvolvido em Romanos 4.9-12. O período em que Abraão foi declarado justo pela sua fé na palavra de Deus, conforme descrito em Gênesis 15.6, correspondia a uma época bem anterior à sua circuncisão. Se a fé e a justificação de Abraão ocorrem antes da circuncisão, ele também é pai dos gentios, que creem independentes de circuncisão. Os versículos 13 a 16 trazem um novo elemento, a antítese entre a lei e a promessa. Esclarece que a lei mosaica foi estabelecida depois da promessa e justificação de Abraão pela fé (430 anos depois). Portanto, não influenciou na justificação. Dessa forma, Abraão foi justificado antes da circuncisão e do estabelecimento da Lei, por não serem requisitos necessários para a justificação.

 

Pense! 

Abraão demonstrou uma fé ainda maior, pois creu na ressurreição de seu filho (Hb 11.18), mesmo antes de haver qualquer menção de ressureição na Bíblia. 

Ponto Importante 

Se tivesse alguém que pudesse ser justificado por obras, Abraão o seria, com toda certeza. Mas o apóstolo contrapõe a justificação pelas obras citando o livro de Gênesis 15.6 que afirma ter sido Abraão justificado pela fé, e não pelas obras.

 

CONCLUSÃO 

Aprendemos que a justificação pela fé é uma doutrina bíblica que acertadamente exclui a necessidade de obras meritórias para a salvação do ser humano, porém não abre possibilidade para o antinomismo e precede a santificação. 

ESTANTE DO PROFESSOR 

GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004. 

HORA DA REVISÃO 

  1. Conceitue a da doutrina da justificação pela fé.

A doutrina da justificação pela fé é o cerne da teologia paulina, utilizada especialmente quando em confronto direto com o ensino judaico ou dos judeu-cristãos, que defendiam que o homem encontra a graça de Deus quando cumpre a vontade divina por meio da lei judaica. 

  1. De acordo com a lição, qual é a situação final da pessoa que está condenado pela ira de Deus e reconhece o sacrifício vicário de Cristo e requisita sua justificação ao Supremo Juiz?

Aquele(a) que inicialmente estava condenado(a) pela ira de Deus, com a justificação é retirada a sentença divina (declarado justo), reconciliado com Deus gratuitamente, em Cristo. 

  1. Cite uma parábola de Jesus que demonstra que a lei e as obras são insuficientes para a justificação diante de Deus.

A parábola do fariseu e do samaritano (Lc 18.9-14). 

  1. Explique qual a diferença entre a justificação e a santificação (Paulo x Tiago).

A justificação se dá mediante a fé e acontece instantaneamente na conversão (ato estático), enquanto a santificação que vai sendo desenvolvida após a conversão (processo contínuo). 

  1. Por que Paulo utilizou a figura de Abraão para exemplificar a doutrina da justificação pela fé?

Porque o exemplo de Abraão demonstra que ele foi justificado antes da circuncisão e da lei, e sua fé constitui um protótipo da fé cristã, por crer incondicionalmente em Deus e no seu poder de ressuscitar.

 

SUBSÍDIO I 

Caro professor, “Deus nos ordena que ensinemos os jovens. Os jovens de hoje são os líderes de amanhã. Eles estabelecem metas, fazem escolhas e vivem a vida levando em conta suas decisões. O ministério de ensino de jovens deve ser excelente.

Os jovens encontram-se numa encruzilhada. As pessoas que estão em contato com as crianças de hoje têm a sensação agourenta de uma crise acelerada e problemática. Algo deve ser feito. Há uma urgência sobre o ministério da mocidade, e aqueles que a consideram de baixa prioridade.

Ensinar os jovens é importante para a nossa igreja, por causa do período em que se encontram na vida. Decisões cruciais são tomadas à medida que passam para a maioridade. Nós os ensinamos, não apenas para ampará-los como jovens, mas também para ajudá-los a se tornar líderes adultos.

Procuramos formar neles as qualidades e características da maioridade cristã. Nosso mais profundo desejo é que o andar cristão dos jovens torne-se um estilo de vida, no conhecimento da Palavra de Deus e de Jesus Cristo, nosso Salvador.

Os jovens procuram respostas, e, na maioria das vezes, seguem seus líderes” (GANGEL, Kenneth O; HENDRICKS, Howard, G. Manual de Ensino para o Educador Cristão. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1999, p.149). 

SUBSÍDIO II 

“Por Jesus Cristo, somos libertos da antiga lei, para andarmos ‘em novidade de vida’ (Rm 6.4; veja também Jr 31.31-34). O que quer isso dizer? Que por estarmos livres da Lei, podemos viver como bem quisermos? Certamente que não! Significa que agora o Espírito de Cristo em nós habita e que a nossa nova natureza da parte de Deus está no controle. Esta nova natureza nada tem a ver com a satisfação de desejos maus ou egoístas; seu propósito e prazer é obedecer e agradar a Deus. A nova natureza possibilita ao crente obedecer a Deus e viver uma vida que agrada ao Senhor. [...]. Quanto mais o crente viver e andar segundo o Espírito, e tendo a Palavra de Deus como a sua regra de fé e modo de proceder, ele viverá vitoriosamente neste mundo, vitória esta sobre os adversários de nossa alma, a saber: o pecado, o mundo, nós mesmos (a carne) e o Diabo e seus poderes (veja Gl 5.16-18,25; Rm 8.1-16). [...] Resumamos o que isto significa: 1) A pessoa que é salva pela fé em Jesus Cristo e assim permanece já não está sob o jugo da lei do Antigo Testamento; 2) A partir de sua conversão a Cristo, o Espírito Santo passa a habitar no crente e lhe comunica uma nova natureza espiritual; 3) Enquanto o crente entrega incondicionalmente o controle de sua vida ao Espírito Santo, ele vive uma vida cristã vitoriosa sobre o pecado, o mundo, o Diabo e o ‘eu’; 4) O que determina a conduta do crente doravante é o controle do Espírito sobre sua vida, à medida que ele o permite. Em Cristo, o crente, como nova criatura espiritual, não está mais sob o domínio da Lei, nem da velha natureza e suas inclinações” (GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.148).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net

 

 

 

 

    Lições Bíblicas CPAD

  Jovens   1º Trimestre de 2016 

Título: Justiça e Graça — Um estudo da Doutrina da Salvação na carta aos Romanos

Comentarista: Natalino das Neves 

Lição 9: Mortos para o pecado

Data: 28 de Fevereiro de 2016 

 

TEXTO DO DIA 

“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6.4). 

SÍNTESE

 

O crente uma vez justificado, morre para o pecado e passa a ter a mente de Cristo, que conduz sua emoção, sua vontade e seus membros para a prática da justiça de Deus.

 

AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA — Rm 6.1,2

O crente não pode abusar da graça de Deus 

TERÇA — Rm 6.7

O crente morre para o pecado na justificação 

QUARTA — Cl 2.12

O crente é sepultado no batismo nas águas 

QUINTA — Fp 3.27

O crente é batizado em Cristo 

SEXTA — 1Co 15.54; 1Ts 4.16-18

A glorificação de Cristo com sua ressurreição é a garantia que o crente salvo terá um corpo glorificado 

SÁBADO — Cl 3.1-3; Ef 2.6

O crente é ressuscitado com Cristo 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

CONSCIENTIZAR de que após a justificação o crente deve manter uma vida de santificação;

SABER que após a justificação o crente assume uma nova posição diante de Deus;

RECONHECER que após a justificação o crente deve viver em novidade de vida. 

INTERAÇÃO 

Paulo inicia esta perícope com um questionamento: “Que diremos, pois?”. Este questionamento parece ser uma forma de pressentimento de objeções que pairavam no ar sobre a doutrina da justificação pela fé. Às vezes, ao ler a epístola, tem-se a impressão que Paulo está sendo muito repetitivo, mas se olharmos atentamente chegaremos a conclusão de que ele está solidificando pontos que são importantes e que não podem ficar com dúvidas, pois se não for assim, os prejuízos poderiam ser grandes. 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor(a), para comentar sobre a luta constante que o ser humano tem entre mortificar o desejo da carne de pecar e fortalecer o espírito fazendo a vontade de Deus, sugerimos que utilize a ilustração abaixo, bem conhecida e disponível nas redes sociais:

Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas. Ele disse:

— Há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é Mau — É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e ego. O outro é Bom — É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:

— Qual lobo vence?

O velho índio respondeu:

— Aquele que você alimenta.

Aproveite a ilustração para aplicar o tema desta lição, enfatizando que o cristão somente conseguirá morrer para o pecado se deixar de alimentar as obras da carne em sua vida e alimentar sua alma, fazendo a vontade de Deus, como fez Jesus.

 

TEXTO BÍBLICO 

Romanos 6.1-8. 

1 — Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?

2 — De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

3 — Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?

4 — De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

5 — Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição;

6 — sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado.

7 — Porque aquele que está morto está justificado do pecado.

8 — Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos;

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

No texto a ser estudado, Paulo apresenta um problema que pode surgir dependendo da interpretação da nova posição diante de Deus, perdoado gratuitamente e livre em Cristo. Nesta lição vamos refletir a respeito das mudanças que ocorrem com o crente após a justificação. Veremos que após a justificação, o salvo: deve morrer para o pecado e ocupar uma nova posição diante de Deus, andando em novidade de vida.

 

  1. O JUSTIFICADO DEVE MORRER PARA O PECADO (vv.1-4,6,7) 
  1. A má interpretação da justificação pela fé (v.1). A doutrina da justificação pela fé não era tão fácil de ser assimilada por alguém que viveu anos debaixo do jugo da Lei. Imagine um judeu que viveu a vida toda sendo ensinado que a observância da Lei deveria ser rigorosa, pois era o único meio para se justificar diante de Deus. Coloque-se no lugar dele. De repente, aparece um judeu que há pouco tempo havia se convertido para uma nova religião (cristianismo), anunciando que Deus enviou o seu Filho como ser humano, permitindo que Ele morresse em uma cruz, levando a maldição de toda a humanidade sobre si e oferecendo o perdão gratuito a todas as pessoas que o reconheça como Deus. Praticamente tudo o que ele havia aprendido e tentado praticar é colocado por terra. Considere, então, ele aceitando esta pregação do Evangelho. Alguns conversos ao cristianismo, considerando a “facilidade” da vida na graça, continuavam ou acham que poderiam continuar na prática do pecado, confiando no perdão imerecido de Deus.
  2. Advertência contra o abuso da graça (v.2). O comportamento libertino apontado no tópico é a preocupação do apóstolo: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?” (v.1). Este problema não é exclusivo da época da Igreja Primitiva, ainda hoje alguns cristãos interpretam equivocadamente a ação da graça de Cristo. Estes afirmam que uma vez justificados pela fé em Cristo, justificados para sempre. Para eles, a vida que a pessoa leva não interferirá mais em sua salvação, pois Deus não retiraria o dom da salvação já dado ao crente. Paulo é incisivo em sua resposta: “De modo nenhum!” (v.2). O fato de ser justificado gratuitamente não dá o direito de abusar da graça de Cristo (Gl 5.1,13), contrariamente, devemos ser cada vez mais grato pela sua graciosidade e se espelhar no seu exemplo de vida. A liberdade que Cristo nos dá não é para fazermos o que quisermos, mas para viver uma vida genuinamente cristã.
  3. Justificados e mortos para o pecado. Conforme já visto anteriormente, o crente em Cristo é declarado justo no tribunal de Deus, mas ao mesmo tempo o velho homem morre legalmente, crucificado com Cristo, e ressurge como uma nova vida em sua ressurreição (2Co 5.17). Na morte de Cristo Deus demonstra o julgamento justo e na sua ressurreição prova sua justiça. Alguns teólogos defendem que o crente morre e ressurge no batismo nas águas, como um sacramento obrigatório para salvação, entretanto o crente é crucificado e morto na justificação (v.7). O batismo nas águas é um ato público para atender uma ordenança que formaliza simbolicamente o que já ocorreu, seu sepultamento (Cl 2.12). Entretanto, aqui não se trata especificamente da obra do Espírito Santo (1Co 12.13; Gl 3.27). O salvo não pode mais servir ao pecado, pois a morte do escravo o liberta de sua escravidão (v.6). 

Pense! 

O fato de estarmos justificados pela graça de Cristo, não nos dá o direito de abusarmos da liberdade em Cristo, mas sim seguirmos o exemplo de vida de Jesus. 

Ponto Importante 

O apóstolo Paulo parece ser repetitivo no ensino sobre a doutrina da justificação pela fé, entretanto, o que pode ser percebido é a dedicação do apóstolo para não deixar brecha para más interpretações ou abusos dos crentes.

 

  1. MORTOS PARA O PECADO (vv.3-11) 
  1. Conhecendo a nova posição em Cristo (vv.3,5-7,9). O batismo nas águas já citado, é uma bela representação da nova posição do salvo em Cristo (v.3), morto para o pecado (debaixo da água) justificado e reconciliado com Deus (ao sair da água). O crente justificado sendo sepultado pela morte para o pecado e surgindo para uma nova vida em Cristo, uma nova disposição na relação com Deus. Esta nova posição assegura a vida eterna com Deus, mas também exige uma aproximação com a vida de obediência de Cristo, não priorizando a si mesmo e seus desejos, mas o bem da coletividade, o Reino de Deus. Uma nova identidade, não mais relacionada ao primeiro Adão, mas da descendência de Cristo, o segundo Adão, e membro de sua família. Esta nova vida, não significa que o crente nunca mais irá pecar, mas que não viverá na prática do pecado, como seu escravo. Portanto, uma vez justificados (instantaneamente), sigamos a santificação (processo contínuo) durante toda a vida ou até o arrebatamento da Igreja.
  2. Vivificados em Cristo (vv.8-11). A nova vida com Cristo é uma vida separada e de intimidade, vivida com o propósito de nunca mais morrer espiritualmente. Identificados com a morte de Cristo, da mesma forma que Ele sofreu pelo evangelho, o salvo também passará por aflições (Jo 16.33). Todavia, acima de tudo, também identificados com sua ressurreição (v.5-7), em que teve a vitória decisiva sobre o pecado e retorna com o corpo glorificado de igual modo garante ao salvo a transformação do corpo corruptível em um corpo incorruptível, como o de Cristo (1Co 15.54; 1Ts 4.16-18). Mas a promessa não é somente para o futuro, o presente também é contemplado, pois a nova vida não é conquistada pela própria força, mas pela graça de Cristo que sustenta o fiel, até o ponto de suportar as diversas adversidades (Rm 8.35). Como instrui a palavra do apóstolo para Timóteo, quando este se achava só no ministério: “fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus” (2Tm 2.1).
  3. Embaixadores de Cristo na Terra. Cristo cumpriu sua missão e retornou ao Pai, porém, como Igreja não nos retirou do mundo (Jo 17), mas deixou-nos para representar-lhe, anunciando seu evangelho. Morto e vivificado com Cristo, o cristão vive agora guiado pelo Espírito Santo, como embaixador de Cristo, conforme Paulo afirma à igreja de Corinto: “isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo que vos reconcilieis com Deus” (2Co 5.19,20). Quem era condenado e sem esperança, passa a ser embaixador de Deus, anunciando o poder do Evangelho, revelação da justiça de Deus que transforma o ser humano e o prepara para a vida eterna. 

Pense!

Você tem sido grato pela sua nova posição diante de Deus? 

Ponto Importante

 

O batismo é a formalização pública que simboliza o sepultamento do crente, que já morreu para o pecado em sua justificação.

 

III. MORTO PARA O PECADO E EM NOVIDADE DE VIDA (vv.12-14) 

  1. Quem reina na nova vida não é mais o pecado (v.12). O cristão ao receber a nova natureza durante o processo da justificação não aceita mais o reinado do pecado, não sente mais prazer em se submeter aos seus próprios desejos, mas sua consciência é orientada pelo Espírito Santo que o convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11). Na época do apóstolo, se dizer cristão era risco de morte e de, no mínimo, preconceito. Atualmente, tem se tornado em determinados meios até “chique” se dizer evangélico ou “gospel”. Algumas pessoas têm se infiltrado na comunidade evangélica, se dizendo convertidas, mas com propósito de explorar as ovelhas do aprisco de Jesus. Fazem toda a pose teatral nas igrejas, mas fora delas continuam com a mesma vida de antes. No entanto, a orientação bíblica é que, uma vez justificado, o crente deve andar em novidade de vida, embora ainda com o corpo de pecado e morte (Rm 6.11; 7.24).
  2. Libertando os membros do corpo do domínio do pecado (vv.13,14a). A intimidade com Cristo leva a uma mudança de mentalidade, em que as coisas que agradam a Deus são as que passam a orientar a vontade e as atitudes do crente. No nosso corpo físico, os membros atendem os comandos do cérebro (mente). No sentido espiritual não é diferente, pois uma vez tendo a mente de Cristo conduz-nos por completo à vontade de Deus. A pessoa que tem a mente de Cristo discerne as coisas espirituais, mesmo no mundo material e usa os membros do corpo a serviço da justiça (2Co 2.14,15). O “velho homem” tinha uma mente insubmissa ao Espírito Santo e entregue ao domínio do pecado, mas o salvo submete sua mente ao controle do Espírito Santo, assim a paz de Deus, que excede todo entendimento, guarda seu coração e seus sentimentos (Fp 4.6-7) e, consequentemente, conduz seus membros para a prática da justiça.

 

Pense! 

Quem está reinando em sua vida? Ao analisar as características de quem vive uma vida vitoriosa debaixo da graça, você consegue se incluir nesta forma de vida? 

Ponto Importante 

A mente do crente justificado é renovada e dirigida pela intuição do Espírito, que passa a conduzir a emoção, a vontade e os membros do seu corpo físico para a prática da justiça. 

CONCLUSÃO 

Nesta lição, aprendemos que o apóstolo tinha uma preocupação que o incomodava: a possibilidade de má interpretação da doutrina da justificação pela fé e a prática da libertinagem. Por isso, reforça a necessidade da santidade.

 

ESTANTE DO PROFESSOR 

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002. 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Qual a preocupação do apóstolo quanto à má interpretação sobre a doutrina da justificação pela fé expressada em Romanos 6.1,2?

A preocupação do apóstolo é que as pessoas, em especial os judeu-cristãos, pudessem entender que a “facilidade” da justificação pela fé, sem obras, liberasse o crente para pecar, confiante no perdão gratuito de Deus. 

  1. A nova posição do crente justificado significa que ele não mais pecará? Explique:

A nova posição do crente justificado diante de Deus não significa que o crente nunca mais irá pecar, mas que não viverá na prática do pecado, como seu escravo. 

  1. Qual o texto bíblico em que Paulo afirma que somos embaixadores de Cristo?

Paulo afirma que somos embaixadores de Cristo em 2 Coríntios 5.20: “isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo que vos reconcilieis com Deus”. 

  1. De acordo com a lição, o que acontece quando uma pessoa tem a mente de Cristo?

A pessoa que tem a mente de Cristo, permite que o Espírito Santo conduza sua emoção, sua vontade e os membros do corpo físico. A pessoa discerne as coisas espirituais, mesmo no mundo material e usa os membros do corpo a serviço da justiça (2Co 2.14-15). 

  1. Qual a orientação dada na lição para as pessoas que querem viver uma vida vitoriosa debaixo da graça de Cristo?

Quem quer viver uma vida vitoriosa debaixo da graça de Cristo precisa aprender a primar por um bom testemunho (Cl 4.5), seguir a paz com todos, santificação e sem raiz de amargura (Hb 12.14,15), perdoar (Ef 4.32), amar com amor fraternal e dar honra aos outros (Rm 12.10), dentre outras atitudes incentivadas pela Bíblia. 

SUBSÍDIO 

 

Romanos 6 

“Vv.1,2. O apóstolo é muito completo ao enfatizar a necessidade da santidade. Não a elimina ao expor a livre graça do Evangelho, mas mostra que a conexão entre justificação e a santidade é inseparável. O pensamento de continuar em pecado para que a graça abunde, deve ser aborrecido. Os crentes verdadeiros são mortos para o pecado, portanto, não devem segui-lo. Ninguém pode estar vivo e morto ao mesmo tempo. Néscio é quem, desejando estar morto para o pecado pensa que pode viver nele.

Vv.3-10. O batismo ensina a necessidade de morrer para o pecado, e viver em relação a toda a obra ímpia e iníqua como se tivesse sido sepultado, e ressuscitar para andar com Deus em uma nova vida. Os professos ímpios podem ter o sinal exterior de uma morte para o pecado e de um novo nascimento para a justiça, mas nunca saíram da família de Satanás para a família de Deus.

A natureza corrupta, chamada velho homem, porque derivou de Adão, o nosso primeiro pai, em todo crente verdadeiro esta crucificada com Cristo, pela graça derivada da cruz. Está enfraquecida e em estado moribundo, mesmo que ainda lute pela vida, e até pela vitória. Porém, todo o corpo do pecado, seja o que for que não concorde com a santa lei de Deus, deve ser abandonado para que o crente não seja mais escravo do pecado, mas viva para Deus e encontre alegria em seu serviço” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002, p.931).

 

 

                       Lições Bíblicas CPAD

                   Jovens 1º Trimestre de 2016

Título: Justiça e Graça — Um estudo da Doutrina da Salvação na carta aos Romanos

            Comentarista: Natalino das Neves

          Lição 10: O jovem e a consagração

                   Data: 6 de Março de 2016

TEXTO DO DIA

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1).

 

SÍNTESE

 

O culto que agrada a Deus não é mecânico e rotineiro, mas o culto espiritual, que é oferecido no dia a dia da vida do crente.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Rm 12.1

O culto a Deus não pode ser uma simples rotina

 

 

 

TERÇA — Rm 12.2

O jovem não pode ser moldado pelo mundo

 

 

 

QUARTA — Hb 10.3

O sacrifício do Antigo Testamento era limitado

 

 

 

QUINTA — 1Jo 5.19

O mundo jaz no maligno

 

 

 

SEXTA — Pv 23.7

A maneira como vemos o mundo

 

 

 

SÁBADO — Rm 12.1,2

Uma mente renovada

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

EXPLICAR a necessidade do cuidado com o corpo para a consagração a Deus;

DESCREVER a importância da renovação da mente para o crente não ser moldado pelo padrão do mundo.

 

INTERAÇÃO

 

Caro(a) professor(a), de forma geral em nossas igrejas, quando se ouve algum comentário a respeito do texto bíblico de Romanos 12.1,2, a ênfase é dada para a liturgia do culto, destacando o culto onde há bastante movimento com o culto mais racional e intelectual. Nesta lição iremos perceber que o ensino de Paulo vai além, desmistificando a cultura do Antigo Testamento de que o único local para oferecer o culto a Deus é no Templo. Paulo esclarece que o culto deve ser espiritual e oferecido em todo momento e envolve todas as áreas do ser humano. Portanto, o nosso culto de domingo começa logo após o seu encerramento, ou seja, não tem fim. Devemos estar constantemente oferecendo-nos como culto espiritual a Deus, assim poderemos verdadeiramente experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor(a), a lição de hoje abre espaço para que você trabalhe algumas questões pouco comentadas e ensinadas em nosso meio, mas que são fundamentais para a vida cristã bem-sucedida. O primeiro tema é a respeito da mordomia do corpo (primeiro tópico), subtópico 3, a consagração do corpo a Deus. Em geral os crentes não recebem orientações a respeito da necessidade de termos uma alimentação saudável e dos cuidados que devemos ter com a nossa saúde. Infelizmente, nas cantinas e comemorações de nossas igrejas, geralmente não há muitas opções saudáveis, como por exemplo, frutas e sucos naturais. A falta de cuidado com o corpo tem consequências terríveis. Os problemas de saúde impedem que as pessoas trabalhem em prol do Reino de Deus. Outro tema importante e com respeito a identificação da vontade de Deus. Muita vezes, o fazer a vontade divina está cercado de misticismo, prejudicando muitos crentes.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Romanos 12.1,2.

 

1 — Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

2 — E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

Nesta lição, vamos refletir a respeito de como você pode consagrar um culto racional a Deus, como pode ter uma mente renovada e como pode experimentar qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

 

  1. A CONSAGRAÇÃO DO CULTO RACIONAL

 

  1. Consagrando o corpo como sacrifício vivo. No Antigo Testamento, a liturgia tinha como uma das práticas principais o sacrifício de animais. Estes rituais serviram para apontar para Cristo e encobrir os pecados, mas não eram eficazes para removê-los (Hb 10.3,4). As pessoas justificadas passam a ter acesso ao sacrifício único e perfeito realizado por meio de Cristo, porém, isso não elimina a liturgia e a consagração a Deus, pelo contrário, exige-se uma consagração autêntica e não simplesmente algo mecânico e repetitivo. Paulo esclarece como entrar em comunhão com Deus, uma vez que os antigos rituais não eram mais necessários. O culto agora deveria ser realmente espiritual, onde o adorador entrega sua própria vida, seguindo o exemplo de Jesus, o corpo do crente passa a ser o lugar de encontro e da comunhão, lugar privilegiado na adoração, o templo do Espírito Santo (1Co 3.16; 6.19).
  2. Consagrando o corpo em santidade. O apóstolo orienta o crente a oferecer o corpo como sacrifício vivo, mas ele acrescenta que deve ser um corpo santo. No AT a santidade era preocupação dos sacerdotes. O povo era responsável por levar o sacrifício a ser oferecido, mas era o sacerdote que o oferecia, ele que deveria tomar as precauções previstas na lei mosaica, tanto para quem oferecia como para o sacrifício em si (Êx 28.1-4; Lv 4.3; 21; 23.12; Hb 8.7,8). Devido à sua limitação, o sacrifício deveria ser repetido várias vezes (Hb 10.3). Na nova aliança, o crente não precisa mais de intermediário, pois cada crente possui um sacerdócio santo para oferecer o sacrifício espiritual e agradável a Deus (1Pe 2.5). O crente passa a adorar a Deus por meio de seu próprio corpo, de forma integral (corpo e alma). Oferecer um corpo santo é oferecer corpo e alma de forma exclusiva (separada) para Deus, o culto espiritual.
  3. Consagrando o corpo de forma agradável a Deus. Deus se interessa pelo interior das pessoas, onde está o verdadeiro eu, mas é inegável que o interior reflete no exterior. Desse modo, como devemos cuidar do templo do Espírito Santo?

Esta lição é um bom momento para refletirmos sobre a mordomia do corpo, para que possamos consagrá-lo a Deus de forma agradável. Dentre vários cuidados, pode ser citada a alimentação saudável (Pv 23.2; Gl 5.22,23). Alguns crentes levam uma vida desregrada e quando as consequências deflagram no corpo eles correm para Deus, como se Ele tivesse obrigação de curar. No entanto, devemos oferecer o melhor ao nosso corpo para que estejamos prontos para o serviço do Mestre. Isso é agradável a Deus.

 

 

 

Pense!

 

“Cristianismo não é apenas ir à igreja aos domingos. É viver 24 horas por dia com Jesus Cristo” (Billy Graham).

 

 

 

Ponto Importante

 

O crente na nova aliança não precisa mais oferecer sacrifícios de animais, mas deve apresentar seu corpo como sacrifício vivo, seguindo o exemplo de Cristo.

 

 

 

  1. A RENOVAÇÃO DA MENTE (v.2a)

 

  1. A mente renovada não se acomoda ao padrão estabelecido pelo sistema dominante do mundo (v.2). A cultura tem um poder expressivo na formação da cosmovisão e no comportamento das pessoas. O sistema dominante do mundo, que segundo a Bíblia “jaz no maligno” (1Jo 5.19), tem seus meios para manter sua ideologia e controle sobre o comportamento das pessoas. A educação, a mídia, a televisão, os jornais, entre outros meios de comunicação tornaram-se ferramentas eficazes para moldar o pensamento dominante de acordo com os interesses do poder dominante. Por isso, o crente deve estar atento, conhecendo a Bíblia e mantendo uma vida de comunhão com Deus para ser influenciado pelas coisas que são de cima (Jo 3) e não pelas forças que dominam o mundo secular, sem Deus. Os jovens pela sua rede de relacionamentos estão mais expostos a esta influência, dessa forma precisam ser fortes para influenciar e não serem influenciados.
  2. A mente renovada pelo Espírito Santo (v.2). Só o Espírito Santo por meio da Palavra é capaz de renovar a nossa mente, mas esse processo não acontece de forma passiva. O Espírito Santo nos auxilia, mas nós temos de querer e buscar uma mente renovada permanentemente. Antes do Evangelho, a mente da pessoa é alimentada pela sua natureza pecaminosa, mas depois do Evangelho, sua mente deve se ocupar das coisas de Deus (Fp 4.8), pois recebe o poder de discernir as coisas espirituais (1Co 2.14-16). As maiores batalhas espirituais acontecem no campo da mente. O Espírito Santo orienta o ser humano sobre a vontade de Deus. A diferença é que a pessoa que ainda não se rendeu a Deus não dá ouvidos ao Espírito Santo e procura agir de acordo com sua vontade, buscando ter vantagem em tudo. Jesus disse que onde estiver o tesouro do ser humano ai estará também o seu coração e sua mente (Mt 6.21-24).
  3. A mente renovada transforma o modo de vida (v.2). Enquanto as pessoas sem Deus vivem de acordo com o padrão estabelecido pelo mundo, os crentes devem viver uma vida de forma que tudo o que fizerem seja para a glória de Deus (1Co 10.31). O que se espera de uma pessoa que teve um encontro com Cristo é que viva de maneira digna, (para não ser oprimido pela sua própria consciência), e que seja irrepreensível. Essa recomendação não é para o crente se excluir do mundo, rejeitar os amigos, se isolar dos relacionamentos, mas mudar a conduta, demonstrando o impacto do Evangelho em sua vida. Apesar da natureza corrompida e de viver em um mundo que “jaz no maligno”, o crente precisa ter uma vida consagrada a Deus. A maneira como vemos o mundo interfere na maneira como agimos (Pv 23.7), por isso devemos seguir a vida no Espírito, a fim de que tenhamos “força, amor e moderação” (2Tm 1.7), sendo fiel a Deus independente das circunstâncias (Fp 4.11-13).

 

 

 

Pense!

 

“O que mais precisamos hoje em dia não é de mais Cristianismo, e sim de mais cristãos verdadeiros” (Billy Graham).

 

 

 

Ponto Importante

 

O crente não deve amoldar-se ao mundo.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Nesta lição nos aprendemos que atualmente muitas pessoas ainda têm o templo como o local mais importante de adoração (cultura do AT), mas Paulo derruba esse conceito e diz que o culto espiritual que agrada a Deus é contínuo na vida do crente. A renovação da mente vem com a conversão, mas como um processo, uma luta constante contra a natureza decaída do ser humano. O crente precisa fazer uma entrega completa para ser trabalhado pelo Espírito Santo (Rm 8.1-4).

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

GABY, Wagner Tadeu dos Santos. As doenças do Século. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008.

TRASK, Thomas E.; GOODALL, Waide I. Um retorno à Vida Santificada. In: De volta para a Palavra: Um chamado à autoridade da Bíblia. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2001, p.187-205.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. A justificação pela fé elimina a necessidade de consagração? Explique.

Não. Os justificados passam a ter acesso ao sacrifício único e perfeito realizado por meio de Cristo, porém isso não elimina a liturgia e a consagração a Deus, pelo contrário, exige-se uma consagração autêntica e não simplesmente algo mecânico e repetitivo.

 

  1. Segundo a lição, qual foi função dos sacrifícios do Antigo Testamento?

Os sacrifícios do AT serviram para apontar para Cristo e encobrir os pecados, mas não eram eficazes para removê-los (Hb 10.3-4).

 

  1. Segundo a lição, o que se espera de uma pessoa que teve um encontro com Cristo?

O que se espera de uma pessoa que teve um encontro com Cristo é que viva de maneira digna, para não ser oprimido pela sua própria consciência, ser irrepreensível.

 

  1. Uma pessoa justificada tem sua mente renovada automaticamente e de forma permanente? Explique.

Só o Espírito Santo por meio da Palavra é capaz de renovar a nossa mente, mas esse processo não acontece de forma passiva. O Espírito Santo nos auxilia, mas nós temos que querer e buscar ter uma mente renovada permanentemente.

 

  1. O crente tem como discernir o que é agradável a Deus? Qual a base bíblica?

Sim. A Bíblia nos exorta a aprender como discernir o que é agradável a Deus em Efésios 5.10.

 

SUBSÍDIO I

 

“Uma coisa é crer na mensagem do Cristianismo; outra coisa é ser um cristão. Uma coisa é crer que Jesus é o Filho de Deus, que morreu e ressuscitou ao terceiro dia; outra coisa é fazer dEle o Senhor da sua vida. Uma coisa é citar passagens bíblicas; outra coisa é viver de acordo com a Palavra de Deus. [...] Jesus espera que os seus seguidores dêem muito fruto. Para darem frutos, os ramos (cristãos) devem estar ligados à videira (Jesus).

[...] Para vivermos uma vida justa e consistente, precisamos examinar de contínuo os nossos corações. Quando o nosso coração ou a nossa mente estão envolvidos com pensamentos pecaminosos, estes podem facilmente transformar-se em desejo ardente. Uma vez que estamos emocionalmente envolvidos, em geral agimos de acordo com os nossos pensamentos. É em nosso coração ou mente que a batalha é travada. Precisamos buscar a Deus de todo o nosso coração. Quando agimos dessa forma, o Espírito Santo nos lembra do que precisamos fazer para vivermos uma vida que seja agradável ao Senhor” (TRASK, Thomas E.; GOODALL, Waide I. Um retorno à Vida Santificada: De volta para a Palavra: Um chamado à autoridade da Bíblia. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2001, pp.187-205).

 

SUBSÍDIO II

 

“‘Rogo-vos, pois, irmãos’ é um apelo sentido e desejoso de alguma coisa. Depois de Paulo haver apresentado os pontos doutrinários acerca da salvação para gentios e judeus, agora se preocupa em exortar a igreja quanto aos deveres cristãos. A expressão ‘rogo-vos, pois irmãos’ é um convite especial, em vista de tudo o que Deus é capaz de fazer por seu povo.

‘...pela paixão de Deus’. Este trecho é, em outras versões, traduzidos por ‘misericórdia’. A salvação é baseada nessa misericórdia de um Deus grandioso e justo, cuja ação mediadora, na vida do crente, possibilitou a nossa salvação. É, por ela e por causa dela, que Paulo apela: ‘...que apresenteis vossos corpos’.

12.1 ‘... que apresenteis vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus’. Que podemos entender por ‘apresentar vossos corpos’? É através do corpo e dos seus membros que a nossa natureza interior se manifesta. O apelo de Paulo é um apelo à consagração. O ato de consagrar alguma coisa implica em dedicar e separar essa coisa.

Oferecer os nossos corpos em sacrifício vivo implica em reconhecer que Deus está pronto a abençoar. Porém, quando o apelo vem com ‘apresenteis’ indica o que o crente pode fazer para cumprir e fazer o que Deus quer que faça. A consagração envolve dois atos: o de Deus e o nosso. O nosso ato é apresentar-nos; o de Deus é tornar-nos aptos para pôr em prática a sua vontade” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça. 8ª Edição. RJ: CPAD, 2005, pp.134,135).

 

SUBSÍDIO III

 

“12.1 ... ‘sacrifício vivo’. Não significa um sacrifício físico literal, mas espiritual. No AT os sacrifícios eram literais. No NT, a ordem dos sacrifícios cotinua, mas dentro de uma pespectiva espiritual.

12.1 ... ‘que é o vosso culto racional’. Isto é nossos atos e serviços a Deus devem ser feitos conscientemente. A palavra culto aparece no original grego latreio que significa serviço. O termo ‘racional’ é o mesmo que razoável, inteligente, isto é, que saiba o que está fazendo, para que e como fazer esse culto. Não significa que devamos cultuar a Deus dirigidos pela nossa mente, mas devemos dispor a nossa mente para que o Espírito Santo dirija e oriente o nosso culto a Deus.

12.2 ... ‘e não vos conformeis com este mundo’. A que se refere? A palavra mundo no grego é kosmos, que significa: ordem de coisas; sistema. A palavra século no grego é aion e significa ‘o pensamento predominante da época’. Os dois termos ‘mundo’ e ‘século’ estão interligados nos significados. Porém, o conselho de Paulo: ‘É não vos conformeis com este mundo’ significa não entrar na forma do mundo, mas na forma de Deus. A forma do mundo é o sistema espiritual satânico que domina o mundo das criaturas humanas” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça. 8ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.135).

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens  1º Trimestre de 2016

Título: Justiça e Graça — Um estudo da Doutrina da Salvação na carta aos Romanos

Comentarista: Natalino das Neves

 

 

Lição 11: O jovem e a comunidade

Data: 13 de Março de 2016

 

TEXTO DO DIA

 

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10).

 

SÍNTESE

 

A comunidade cristã é constituída de diversidade, tanto de pessoas como de dons, e para conviver e valorizar as diferenças é preciso priorizar o amor fraternal.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Rm 12.3

O jovem deve saber o que convém 

TERÇA — Rm 12.10

O jovem deve honrar aos demais 

QUARTA — Rm 12.15

O jovem deve se alegrar com os que se alegram 

QUINTA — Rm 12.5

Em Cristo, somos muitos 

SEXTA — Rm 12.4

Nem todos os membros do corpo tem a mesma função 

 

SÁBADO — Rm 12.18

No que depender de você, tenha paz com todas as pessoas

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

MOSTRAR que em Cristo somos um só corpo;

SABER conviver na comunidade cristã, sendo conduzido pelo amor fraterno.

 

INTERAÇÃO

 

Caro(a) professor(a), a comunidade da igreja de Roma era constituída por pessoas que pertenciam à classe rica, como altos oficiais, bem como pessoas da classe mais pobre da sociedade, os escravos. Aliado a isso, ainda temos a distinção entre judeus e gentios, entre outras diferenças, como a diversidade de dons e funções distribuídas entre a comunidade cristã de Roma. A recomendação do apóstolo não foi sem pretensão ou como que sem destinatários específicos. Mesmo sendo uma comunidade cristã, seus membros tinham dificuldade de lidar com a diversidade. A advertência de Paulo para que os membros se considerassem como um único corpo, que se amassem fraternalmente, que não devolvessem mal por mal, mas que tratassem uns aos outros com honra e humildade.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Para exemplificar a obtenção de melhores resultados quando o trabalho é realizado em grupo e não individualizado, sugerimos a utilização da dinâmica das varinhas, pois é simples e objetiva.

Material: Um feixe com aproximadamente 15 varinhas (pode ser de churrasco ou outra varinha improvisada).

Atividade: Solicite 4 voluntários(as) entre os alunos;

Solicite que um(a) dos voluntários(as) quebre uma das varinhas (atividade fácil). Solicite que o(a) segundo(a) voluntário(a) quebre os dois pedaços das varinhas que foram quebradas pelo(a) voluntário(a) anterior, um de cada vez (tarefa fácil para demonstrar que mesmo com tamanho diferentes, a varinha sozinha da mesma forma pode ser quebrada facilmente);

Solicite que o(a) terceiro(a) voluntario(a) quebre 3 varinhas ao mesmo tempo (tarefa possível, porém com mais dificuldade);

Solicite que quarto(a) voluntário(a) quebre 10 varinhas ao mesmo tempo (tarefa praticamente impossível de ser realizada).

Após as atividades colher as percepções dos alunos e alunas da sala sobre as lições que podem ser extraídas da dinâmica, considerando o tema da lição. Ao final, você como professor(a) faça as considerações finais, enfatizando a importância do trabalho em conjunto, mesmo na diversidade (tamanho da varinha), para obtenção de maiores resultados, bem como para fortalecimento e proteção da comunidade.

 

TEXTO BÍBLICO 

Romanos 12.3-11. 

3 — Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.

4 — Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação,

5 — assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.

6 — De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada: se é profecia, seja ela segundo a medida da fé;

7 — se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino;

8 — ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria.

9 — O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.

10 — Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.

11 — Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Nesta lição vamos refletir a respeito dos seguintes assuntos: a formação da comunidade em um só corpo; o compartilhamento do sofrimento, a alegria em comunidade e a necessidade de uma atitude pacífica, tolerante e benevolente na comunidade cristã.

 

  1. UM SÓ CORPO (Rm 12.3-8) 
  1. Saiba respeitar os limites nos relacionamentos sociais (v.3). O apóstolo, antes de iniciar com as orientações doutrinárias, relembra os destinatários sobre a autoridade de seu apostolado, recebido pela graça de Deus e a serviço do Reino de Deus. Paulo podia chamar atenção para seu ministério, pois por mais responsabilidade que Deus havia colocado sobre ele, seu comportamento era de servidão e humildade. Seu exemplo constrangia seus destinatários a receber seus ensinamentos. Em seguida, ele adverte os crentes romanos a não ir além do que a capacidade e a vocação dadas por Deus permitem. Provavelmente, entre a comunidade havia pessoas que ultrapassavam seus limites no relacionamento interpessoal. Esta é uma característica mais comum entre os jovens, às vezes, movidos pela ansiedade, que causa a impaciência excessiva, vão além dos limites estabelecidos, extraviando-se. Você tem respeitado os limites nos relacionamentos?
  2. Valorize e use o seu dom para benefício da coletividade (vv.4,5). Paulo dá continuidade às suas orientações, demonstrando o motivo da advertência quanto aos limites no relacionamento. Evidencia que a comunidade é um corpo social, em que Deus imprime sua marca especial, a diversidade. Paulo, para ilustrar esta ação inclusiva e graciosa de Deus, utiliza a figura do corpo humano, como faz também de forma mais detalhada em 1 Coríntios 12.12-27. Cada parte do corpo tem a sua função, mesmos os considerados mais fracos ou menos honrosos, funcionando como engrenagens interdependentes, trabalhavam harmoniosamente. Neste conjunto, se uma das engrenagens não fizer seu papel ou avançar em seus limites prejudica o resultado como um todo. Paulo tem por objetivo demonstrar que na igreja o funcionamento é idêntico, os membros recebem os mais diversos dons de Deus, que devem ser utilizados para o benefício da coletividade e não para proveito próprio.
  3. A sinergia traz mais benefício (vv.6-8). Na sequência, o apóstolo começa a relacionar a diversidade de dons na igreja. O primeiro dom citado é o da profecia, que deve ser segundo a medida da fé, sem excesso. Diferente do que vemos muitas vezes nas comunidades pentecostais, em que as pessoas não se satisfazem de entregar o que Deus manda, mas preferem improvisar ou dizer o que Deus não disse. Na sequência aborda sobre o ministro, o educador, o conselheiro, assistente social, o administrador e quem assiste aos doentes, idosos, deficientes, entre outros (misericórdia), enfatizando que devem exercer seu dom com dedicação e não buscando projeção pessoal, mas visando atender a necessidade coletiva, com simplicidade e humildade. Uma recomendação perfeitamente aplicável aos nossos dias. Que bênção seria se todas as pessoas que receberam dons ou ocupam cargos em nossa comunidade simplesmente exercessem seu papel.

 

 

 

Pense! 

Se quiser chegar rapidamente a seu objetivo pessoal, vá sozinho. Mas, se quiser ir longe, chegar com segurança e obter melhores resultados, caminhe junto com seus irmãos e irmãs na fé (comunidade cristã). Melhor é chegar mais longe, com segurança e contribuir para a coletividade. 

 

Ponto Importante

 

Por mais que nas igrejas tenhamos pessoas de variadas classes sociais, talentos e dons, Paulo afirma que em Cristo todas as pessoas fazem parte de um único corpo. 

 

  1. OS MEMBROS DA COMUNIDADE (vv.9-16)

 

  1. A comunidade cristã se constitui por meio do amor fraterno (vv.9-13). Paulo passa a dar orientações para que o corpo social (comunidade cristã) se mantenha em comunhão e saudável. Ele adverte que o amor não pode ser hipócrita, mas fraternal, honrando uns aos outros. Será que havia hipocrisia entre os crentes romanos? Se Paulo estava recomendando, certamente havia. O maior problema de estar fora da vontade de Deus é quando a pessoa não reconhece suas falhas, pois assim não poderá corrigir a “rota”. Não podemos perder o caminho do céu por caprichos pessoais. Na época de Paulo as igrejas passavam por várias dificuldades, tanto externas como internas, isso devia estar acabando pouco a pouco com a esperança de alguns, bem como os distanciando da comunidade. Paulo sabia que o caminho da vitória seria a comunhão, aproximação e a comunicação das necessidades entre eles e entre eles e Deus. Aproximação necessária em nossas comunidades ainda hoje, principalmente nos grandes centros.
  2. Participe dos sofrimentos e das alegrias uns dos outros (v.15). O apóstolo procura atacar dois sentimentos reprováveis, respectivamente, a inveja e a desumanidade. Há quem diga que alegrar com os que se alegram é mais difícil do que chorar com os que choram, devido à inveja que domina alguns corações, mesmo nas comunidades cristãs. Há pessoas que não conseguem se alegrar com a felicidade do irmão, pois o veem como um “concorrente” em qualquer área da vida (sentimental, profissional, ministerial, pessoal, etc). Por outro lado, tem pessoas que não se dedicam a dar um ombro amigo quando alguém está passando por situação de calamidade. Momento este em que um simples abraço, ou mesmo a companhia silenciosa, pode significar muito. Todavia, as preocupações da vida têm deixado alguns cristãos desumanos em relação ao sofrimento alheio.

Pense!

 

Como acontecia na igreja de Roma, uma das qualidades que têm feito falta nas igrejas de hoje é a capacidade de trabalhar com a diversidade e manter o amor fraternal entre a comunidade.

 

Ponto Importante

 

Quando os membros da comunidade fazem dos dons um fim em si mesmo, ela deixa de ser um corpo.

 

CONCLUSÃO

 

Nesta lição aprendemos que as pessoas devem respeitar os limites nos relacionamentos interpessoais e fazer uso do dom recebido em benefício da coletividade, pois unidos, com certeza, os resultados são mais positivos.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

CABRAL, Elienai. Mordomia Cristã: Aprenda como Servir Melhor a Deus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2003.

 

HORA DA REVISÃO 

  1. Segundo a lição, com o Deus imprime sua marca especial na comunidade cristã?

Deus imprime sua marca especial na comunidade cristã por meio da diversidade.

 

  1. Qual a figura que Paulo utiliza para demonstrar a importância de trabalharmos harmoniosamente com a diversidade na igreja?

Paulo utiliza a figura do corpo humano.

 

  1. Por que algumas pessoas afirmam que é mais difícil alegrar com os que se alegram do que chorar com os que choram?

Para algumas pessoas é mais difícil alegrar com os que se alegram devido à inveja que os domina. Pessoas que não conseguem se alegrar com a felicidade do irmão, principalmente se for considerado, de alguma forma um concorrente em qualquer área da vida.

 

  1. Segundo a lição, havia hipocrisia entre os crentes romanos?

Sim. A igreja passava por várias dificuldades.

 

  1. Segundo a lição, o que Paulo quis dizer quando recomenda para dar lugar à ira?

Significa entregar-se pacientemente e suportar a ira de quem cometeu o erro, assim, Deus o vingador, entrará com seu socorro.

 

SUBSÍDIO I

 

“Diversidade (1Co 12.14-20). Toda essa escritura mostra com nitidez que o corpo, sendo um, tem muitos membros. A Igreja é uma diversidade na unidade. O apóstolo Paulo, preocupado com as dissensões que surgiam no seio da igreja em Corinto, exortou-a com estas palavras: ‘Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer’ (1Co 1.10). A diversidade no corpo não rouba a unidade que deve existir nele. Todos os membros funcionam obedecendo à mesma cabeça, e nenhum membro faz qualquer coisa independente ou isoladamente. Outrossim, a variedade de igrejas cristãs, independente dos pontos de vista, são o Corpo de Cristo. Cada igreja local em sentido particular é o corpo de Cristo; não uma parte de Cristo em toda a terra, independente de seus costumes regionais, e sim uma pluralidade (diversidade), uma unidade. Na volta do Senhor entenderemos melhor esse mistério. As lideranças na igreja local devem conscientizar os crentes do papel importante e indispensável que cada qual tem no corpo, para que o mesmo não sofra atrofia espiritual.

Mutualidade (1Co 12.21,25,26). O que significa mutualidade? Nada mais que permutação, troca, reciprocidade. Esta escritura de Paulo destaca o papel de cada membro do corpo que deve funcionar, mas precisa dos demais membros para um funcionamento eficiente” (CABRAL, Elienai. Mordomia Cristã: Aprenda como Servir Melhor a Deus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2003, p.156).

 

SUBSÍDIO II

 

A vida em comunidade exige conduta pacífica, tolerante (Rm 12.14,17-21)

A ninguém pagueis mal por mal (vv.14,17-18). As palavras de Jesus em Mateus 5.44 são repetidas por Paulo: “Bendizei os que vos maldizem”. Será que alguém, além de Jesus, já conseguiu cumprir integralmente esta recomendação? Mesmo no meio cristão existe uma grande dificuldade para bendizer (falar bem) das pessoas que falam mal a seu respeito ou fazer o bem aos que lhes fazem mal. Imagine o impacto para as pessoas que convivem com você, se presenciar você falando bem de alguém que tem procurado te prejudicar. Isso é cristianismo genuíno. Pelo contrário, qual seria o impacto negativo presenciar uma maldade contra alguém que lhe fez o bem? Devemos procurar a paz com todas as pessoas, ainda que em muitas situações não seja possível, como deixa transparecer o próprio apóstolo quando diz: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18).

 

SUBSÍDIO III

 

Os que se vingam são vencidos pelo seu sentimento (v.19). Paulo afirma que a vingança pertence a Deus e que não devemos vingar a nós mesmos (v.19; Dt 32.35). Outra recomendação difícil e semelhante a anterior, pois a fonte da dificuldade é a mesma, o amor desordenado a si mesmo e a intolerância com os erros alheios. Isso é comum acontecer em ambientes de disputa acirrada por cargos, posição ou privilégios. Neste contexto, geralmente, as pessoas não medem as consequências para atingir seus objetivos. A Bíblia recomenda “não deis lugar ao diabo” (Ef 4.27). Paulo ordena, mas dai lugar a ira (v.19), que neste contexto significa entregar-se pacientemente e suportar a ira de quem cometeu o erro, assim, Deus o vingador, entrará com seu socorro. De outra forma, mesmo sendo ofendido, se tomar a vingança para si não deixará lugar ao socorro divino, e trará juízo sobre si. Jovem, não se vingue, mas dê lugar ao socorro divino!

Vença o mal com o bem (vv.20-21). Provérbios 25.21 nos ensina que “se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer; e, se tiver sede, dá-lhe água para beber”. A orientação é para tratar o inimigo (aquele que nutre inimizade por você) com bondade, pois isso poderá envergonhá-lo a ponto de se arrepender do que fez e buscar a reconciliação. Este gesto faz lembrar a figura materna, filhos que são ingratos e desobedientes à mãe, esta retribui com carinho e cuidado aos filhos, que se sentem constrangidos e pedem perdão à sua mãe.

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens

1º Trimestre de 2016

Título: Justiça e Graça — Um estudo da Doutrina da Salvação na carta aos Romanos

Comentarista: Natalino das Neves 

Lição 13: O jovem e a Lei do Amor

Data: 27 de Março de 2016

 

 

TEXTO DO DIA

 

“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm 13.8).

 

SÍNTESE 

Paulo, a exemplo de Jesus, resume o cumprimento da lei na prática da lei do amor.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Rm 13.8a

O cristão e as dívidas 

TERÇA — Rm 13.8b

A única dívida recomendada é o amor 

QUARTA — Êx 22.25; Dt 23.19

O judeu e seu próximo 

QUINTA — Dt 15.1-8; 23.20

O judeu não considerava o estrangeiro como seu próximo 

SEXTA — Lc 10.27-37

O ensino de Jesus a respeito do próximo 

SÁBADO — Rm 13.9-10

Toda a lei se resume em amar ao próximo

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

MOSTRAR como realizar um planejamento econômico-financeiro para evitar a contração de dívidas;

CONSCIENTIZAR da necessidade de exercitar o amor incondicional.

 

INTERAÇÃO 

A leitura do Sermão do Monte (Mt 5—7) irá contribuir de forma significativa para o entendimento da lição. O conteúdo deste sermão, provavelmente, era muito popular no meio cristão, ainda que pudesse provocar sentimentos de aversão pela profundidade de seu ensinamento para a vida cristã verdadeira. Dentro de um contexto em que a lei continuava sendo exigida pelos judeus e influenciava os judeu-cristãos, bem como do conflito que gerava na comunidade cristã formada por judeus e gentios, a mensagem de que toda a lei se resumia em uma frase: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”, causava certo incômodo.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Sugerimos a utilização da dinâmica conhecida como “desejar ao próximo o que deseja a si mesmo”. Divida a turma em grupo. Solicite que cada grupo elabore algum tipo de atividade que gostaria que o outro grupo realizasse. A atividade terá melhor resultado se ela for primeiro escrita em um papel e, depois de solicitado pelo(a) professor(a), ser lida em voz alta para que todos possam ouvir. A próxima etapa é você dizer para as pessoas o nome da dinâmica, sugerimos a seguinte frase: “Neste momento, antes de vocês executarem a atividade, quero lhes informar qual é o nome desta dinâmica: Desejar ao próximo o que deseja a si mesmo”.

Não é necessário executar a atividade sugerida pelos participantes, pois a simples citação é o suficiente para uma reflexão. O resultado desta dinâmica, geralmente, é que se não todos, um dos grupos, irá sugerir uma atividade complexa ou que exponha o outro grupo ou pessoa. Porém, se as pessoas forem coerentes e amorosas, facilitando a atividade para o próximo, o grupo deverá ser parabenizado pela atitude. Entretanto, independente do resultado esta dinâmica proporcionará algumas reflexões para o grupo. Como sugestões, nós destacamos os seguintes questionamentos:

  • Se você soubesse que o seu próprio grupo fosse executar a atividade, teria sugerido a mesma?
  • Qual o nosso comportamento como cristãos na nossa rotina diária?
  • O resultado desta dinâmica foi semelhante ou difere o mandamento de Jesus para amar ao próximo como a ti mesmo?

 

TEXTO BÍBLICO 

Romanos 13.8-10. 

8 — A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.

9 — Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

10 — O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO

 

Nesta lição, vamos refletir a respeito dos seguintes assuntos: o problema da dívida e sua relação com a lei do amor, a dívida do amor com base no exemplo de Jesus e o cumprimento da lei por meio do amor. 

  1. NÃO DEVA NADA A NINGUÉM (Rm 13.8)

 

  1. A dívida no Antigo Testamento. “A ninguém devais coisa alguma” (13.8a). A dívida incomodava muito o povo judeu, desde os tempos antigos. Nos tempos bíblicos, Israel tinha uma economia predominantemente agrícola e os empréstimos, quando realizados, tinham o objetivo de auxiliar os camponeses em momentos de crise financeira. A lei protegia os judeus que estivessem nessas condições, visando coibir a exploração da desgraça de um compatriota (Êx 22.25; Dt 23.19; Lv 25.35), enquanto que aos estrangeiros era permitida a cobrança de juros (Dt 15.1-8; 23.20). Para tomada de empréstimos eram exigidas garantias como penhor pela dívida, que poderia ser um objeto pessoal (Dt 24.10; Jó 24.3), hipoteca de uma propriedade (Ne 5), fiança de um financiador (Pv 6.1-5). Em não havendo garantia, não sendo pago a dívida, o devedor era vendido como escravo (Êx 22.3; 2Rs 4.1; Am 2.6; 8.6), uma das condições mais humilhantes e desumanas do mundo Antigo.
  2. A dívida no Novo Testamento. No Antigo Testamento o empréstimo tinha mais um caráter de filantropia. Todavia, pouco antes do Novo Testamento, no período judaístico com Hilel, começaram as mudanças no procedimento devido a ampliação da economia comercial em Israel, principalmente com adaptação para não cumprimento integral do ano do jubileu, em que todas as dívidas tinham que ser perdoadas a cada sete anos (Dt 15.1). Na época do Novo Testamento, a falta de pagamento passou a ser punida por meio de prisão (Mt 18.23-35; Lc 12.57-59) o que não estava previsto no código levítico. Jesus aconselhou atitudes amigáveis e hospitaleiras, o bom senso, para busca de solução dos problemas de dívidas, em vez de coerção legal (Mt 5.25,26). O conhecimento da relação devedor e credor nos ajuda a entender a condição do ser humano pecador/devedor que fora liberto em Jesus, gratuitamente (Rm 6.18-22; 1Co 6.20; 7.23; Tt 2.14).
  3. O jovem cristão e a dívida. O conflito gerado pelo relacionamento entre devedor e credor, leva Paulo a se posicionar contra a contração de dívidas (Rm 13.8a). A igreja hoje não vive mais naquele contexto do Antigo Testamento, em que a liberação de empréstimos se caracterizava mais como uma atitude de caridade com quem tinha menos poder aquisitivo, as condições econômicas são bem diferentes, pois o que se prioriza não é a ajuda mútua, mas o lucro a todo custo. No entanto, as consequências do endividamento não são tão diferentes daquele contexto, pois muitas pessoas têm prejudicado sua vida pessoal, conjugal, bem como a vida espiritual pelo descuido nesta área. Não tem como desconsiderar este contexto na citação de Paulo no início do versículo 8. Como está sua vida financeira? Seja prudente!

Pense!

 

Jesus, utiliza várias vezes a figura da dívida para expressar a condição do ser humano, o devedor sem condições de quitar a dívida, diante de Deus, o credor compassivo.

Ponto Importante 

O entendimento do contexto socioeconômico da época de Paulo, que foi construído ao longo da história do povo de Israel, auxilia no entendimento da mensagem do apóstolo, bem como do Evangelho. 

  1. A ÚNICA DÍVIDA RECOMENDADA É O AMOR (Rm 13.8b) 
  1. Jesus, o maior exemplo da lei do amor. Durante o estudo dos capítulos anteriores da epístola ficou evidenciado a condição dos seres humanos diante de Deus, condenados por uma dívida impagável. Condição alterada para todas as pessoas justificadas gratuitamente pela fé no sacrifício de Cristo, que foi motivado unicamente pelo amor à humanidade pecadora (Rm 5.8), passando a condição de livres da dívida e do pecado (Mt 6.12; Rm 4; 6.23). O ser humano ingrato e pecador tem Jesus como fiador de sua dívida, conforme Hebreus 7.22 “de tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador”. Dessa forma, a dívida de quem é salvo em Cristo não é com a lei e a carne, que exigem servidão (Rm 8.12), mas a Deus, não por obrigação e sim por gratidão pelo amor revelado em Cristo, por meio da obediência voluntária (Mt 18.27; Lc 7.41,42). Jesus deu o exemplo a ser seguido.

Quem é servido deve amor a quem serve. Paulo foi servido pelos judeu-cristãos de Jerusalém, a quem ele era grato e ao escrever a Epístola aos Romanos demonstra a retribuição do amor para com a igreja em Jerusalém, levando donativos para socorrê-los no momento da dificuldade (Rm 15.26,27). O apóstolo não se sentia devedor somente aos de Jerusalém de quem recebera o Evangelho, mas de todas as pessoas, conhecidas ou desconhecidas, independente da origem: “Eu sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Rm 1.14). A dívida que Paulo reconhecia deve ser a mesma a ser reconhecida por todo cristão justificado gratuitamente pela fé no amor de Deus, retribuindo ao Senhor por meio do serviço ao próximo para que alcancem os mesmos privilégios recebidos, a salvação e a vida eterna com Deus.

  1. O perdão de Deus é uma dívida de amor ao próximo. Paulo aponta para os cristãos de Roma, o que serve para a igreja de todos os tempos, a grande dívida do cristão salvo para com Deus, a ser paga com o amor ao próximo (v.8b). O uso metafórico do pecado como dívida era uma prática comum dos judeus e Jesus também faz uso dela, não para reforçar e cobrar o ser humano pela sua dívida, mas para enfatizar a grandiosidade da graça de Deus (Lc 7.41,42), bem como o dever de quem foi perdoado por Deus (verticalmente) também perdoar quem o ofendeu (horizontalmente). O perdão ao próximo (na horizontal), após a justificação, é colocado como uma condicional para o perdão de novas dívidas (na vertical; Mt 6.12; Mt 18.21-35). Algumas, senão a maioria das pessoas, estão despercebidas da realidade da mensagem na oração do Pai Nosso: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mt 6.12).

Pense! 

Você tem servido da mesma forma que as pessoas o servem?

 

Ponto Importante

 

Deus ama as pessoas de tal maneira, que as perdoa graciosamente e as justifica, mas exige de quem recebeu esta graça a mesma atitude de perdão para com o próximo. 

Quem ama não deseja o mal a outra pessoa (v.10). Viver o evangelho do amor proposto pelo cristianismo é gerar no coração das pessoas, que antes apenas enxergavam afronta, miséria e morte, a compaixão pelo próximo. A transformação da vida dos romanos pelo evangelho os conduziu para a ajuda mútua, amizade e a cumplicidade de orar uns pelos outros. Eles receberam a esperança de uma nova realidade permeada pelo amor divino impregnado nas pessoas, diferente da antiga fé imprecatória que buscava a morte dos inimigos. A dívida contraída pelo amor é uma dívida que nunca poderá ser liquidada, portanto, a ação de amar e fazer o bem para as pessoas nunca poderá cessar. A prática do amor une as pessoas na mesma esperança de construir um mundo mais justo, cada vez melhor para se viver. Esta é a “verdadeira religião” (o que religa com Deus) defendida por Cristo, a do amor, que não deseja o mal para o próximo.

 

CONCLUSÃO 

Nesta lição, aprendemos que o cristão deve ter um cuidado especial com sua vida econômica e financeira, evitando contrair dívidas. A única dívida recomendada por Paulo é a dívida do amor, contraída por todas as pessoas que foram justificadas mediante a fé em Cristo, pois o amor de Deus nos constrange a amar o próximo. 

ESTANTE DO PROFESSOR 

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002. 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Quando um judeu precisava de empréstimo e não tinha garantia, qual era o procedimento adotado?

Em não havendo garantia, não sendo pago a dívida, o devedor era vendido como escravo (Ex 22.3; 2Rs 4.1; Am 2.6; 8.6), uma das condições mais humilhantes e desumanas. 

  1. Qual a importância de conhecer a relação devedor e credor (dívidas) no AT e NT?

O conhecimento da relação devedor e credor (dívidas), além de demonstrar as relações entre devedor e credor, ajuda a entender a condição do ser humano pecador/devedor que fora liberto em Jesus, gratuitamente (Rm 6.18-22; 1Co 6.20; 7.23; Tt 2.14).

  1. Quem foi o fiador do ser humano, uma vez que tinha uma dívida impagável e não tinha nada em garantia para entregar? Qual a base bíblica?

O ser humano teve Jesus como fiador de sua dívida, conforme Hebreus 7.22 “de tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador”. 

  1. Qual a lição que a oração do Pai Nosso traz sobre o perdão?

O perdão ao próximo (na horizontal), após a justificação, é colocado como uma condicional para o perdão de novas dívidas na vertical (Mt 6.12). 

  1. Segundo Paulo, quem cumpre a lei em sua plenitude?

Quem ama o próximo cumpre a lei em sua plenitude (Rm 13.8c).

 

SUBSÍDIO I 

“Os cristãos devem evitar os gastos inúteis e ter o cuidado de não contrair dívida que não podem pagar. Também devem se afastar de toda a especulação aventureira e dos compromissos precipitados, e de tudo o que possa expô-los ao perigo de não dar a cada um o que é devido. Não devais nada a ninguém. Dai a cada um o que lhe for devido. Não gasteis convosco aquilo que deveis ao próximo. Contudo, muitos dos que são muitos sensíveis aos problemas pensam pouco sobre o pecado de endividar-se.

O amor ao próximo inclui todos os deveres da segunda tábua (dos mandamentos). Os últimos cinco mandamentos se resumem nesta lei real: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’; com a mesma sinceridade com que te amas a ti mesmo, ainda que não na mesma medida e grau. O que ama o seu próximo como a si mesmo desejará o bem estar de seu próximo. Sobre este se edifica a regra de ouro; fazer o que queremos que nos façam. O amor é um princípio ativo de obediência a toda a lei. Não somente devemos evitar o dano às pessoas, aos relacionamentos, à propriedade e ao caráter dos homens, mas também não devemos fazer nenhuma classe nem grau de mal a ninguém, e devemos nos ocupar em ser úteis em cada situação da vida” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002, p.943).

 

SUBSÍDIO II

 

Quem ama como Jesus amou cumpre a lei (v.8c). A mensagem do amor incondicional de Jesus é reforçada pelo apóstolo Paulo, um verdadeiro consolo aos cristãos em Roma, diante de uma realidade marcada pelo desafio de viver a sua fé em meio ao imperialismo romano, uma sociedade norteada pela guerra, pela ambição e pela disputa de poder. A mensagem do evangelho aproxima ricos e pobres, senhores e escravos. Do amor dependem toda a lei e os profetas (Mt 22.40). Jesus ensinou qual abrangência do amor ao próximo com a parábola do bom samaritano (Lc 10.27-37): um amor não limitado às pessoas da própria nação, da mesma religião, da liderança, mas também as pessoas distantes, inclusive inimigas. Diferente do conceito que o judeu tinha de “próximo” (Lv 19.18,34; Mt 5.43). Os judeus buscavam atender o aspecto externo e jurídico da Lei e, por isso, nunca conseguiram cumpri-la. Quem ama o próximo cumpria a lei em sua plenitude (Rm 13.8c-10).

O resumo dos Mandamentos é “amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (v.9). Jesus foi questionado sobre qual seria o maior ou principal dos mandamentos e Ele apresenta dois, o primeiro relacionado ao amor a Deus e o segundo foi “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 7.36-40; Mc 12.28-34), uma citação de Levítico 19.18. Jesus utilizando a mesma fonte utilizada pelos judeus para justificar a aplicação do aspecto externo e jurídico da Lei, destaca o sentido moral da Lei, harmonizando o Antigo e o Novo Testamento (Mt 5.17-48). Paulo parece ter tido acesso ao conteúdo do Sermão do Monte proferido por Jesus, implícito em sua afirmação em Romanos 13.9, deixando claro que quem ama não tira o que é do outro ou o prejudica de alguma forma. Da mesma forma, Paulo resume o cumprimento da lei para os cristãos da Galácia (Gl 5.14).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net