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lições CPAD livro de Romanos
lições CPAD livro de Romanos

                                         ROMANOS  ESTUDO E COMENTARIO

                                            A Igreja de Roma cap 1

 

. O impacto que as magistrais palavras desta carta causaram no “Cisne de Eisleben” fê-lo afixar, na capela de Wittemberg, as “noventa e cinco teses”. Outros estudiosos têm encontrado semelhante conforto e segurança salvífica ao estudar os temas doutrinários de Romanos: a justiça divina; a universalidade do pecado; a fé; a salvação; a justificação; a santificação; Adão e Cristo; a salvação de Israel; e o ministério cristão. Segundo Lutero, a Epístola aos Romanos é “tão valiosa que um cristão não só deveria saber de memória cada palavra, mas tê-la consigo diariamente, como o pão cotidiano de sua alma”. 

A Epístola de Romanos (1.1) foi escrita provavelmente em 57 d.C. na cidade de Corinto, pouco antes da visita do apóstolo à Jerusalém (Rm 15.25-29). Esta foi ditada pelo “Doutor dos Gentios” ao amanuense Tércio (Rm 16.22) e entregue a igreja em Roma por Febe, auxiliar da igreja de Cencréia, porto oriental de Corinto (Rm 16.1,2).Roma, no tempo do Novo Testamento, era uma cidade imperial, cosmopolita com cerca de um milhão de habitantes. Tornou-se conhecida pela frouxidão moral e a relativização dos costumes. A cidade acolhia diversos grupos étnicos e religiosos, dos quais o judaísmo e os judeus eram um dos mais numerosos e importantes. A preocupação do império com a cultura, proselitismo e o fervor da religião judaica desencadeou, em 49 d.C, por meio de um decreto de Cláudio, a expulsão dos judeus de Roma (At 18.2).

A igreja que estava na capital do Império era mista, composta por cristãos de origem pagã (1.5,6,18-32), grega (Epêneto, Apeles, Trifena e Trifosa), judaica (Priscila, Áquila, Maria) e romana (Rufo, Júlia). Compunha-se também de pessoas provenientes das camadas pobres de Roma, sejam escravos ou livres (Amplíato, Asíncrito, Hermas, Nereu, cf. 16.1-23).A Epístola aos Romanos está dividida em duas seções principais: doutrinas (1-11) e práticas cristãs (12-16). O vocábulo justiça e o tema Justiça de Deus (1.17) são dois inabaláveis fundamentos que sustentam toda estrutura doutrinária em Romanos. 

De acordo com Romanos 15.20-29, o apóstolo Paulo planejava passar por três cidades: Jerusalém, Roma e Espanha. Na primeira, seu objetivo era levar uma oferta recolhida pelas igrejas gentílicas (15.27; At 20.16). Na segunda, tencionava fazer de Roma sua base operacional a fim de evangelizar o Ocidente, uma vez que considerava sua missão no Oriente cumprida (15.19,20 cf. At 19.21). Na terceira, Espanha, não há qualquer menção nas Escrituras de que tal empreendimento tenha se concretizado. Entretanto, o propósito de Paulo se justifica se considerarmos que a Espanha ficava localizada no extremo Ocidente do mundo civilizado. Ali estava reunido um grande número de intelectuais e líderes, o que possibilitava uma atmosfera favorável ao debate e apresentação do Evangelho.

A fim de esclarecer esses dados, faça uma síntese da preparação e viagem de Paulo a Roma como indicamos a seguir: At 18.1-3: Paulo se encontra com Áquila em Corinto por ocasião da expulsão dos judeus de Roma; At 23.11: O Senhor impele e encoraja Paulo a testemunhar em Roma; At 25.10-12: Paulo apela para que seja julgado em Roma (cf. 26.32); At 27-28: viagem de Paulo a Roma.

No Dia de Pentecostes, quando os primeiros discípulos foram batizados no Espírito Santo, a cidade de Jerusalém achava-se repleta de judeus e prosélitos romanos, que testemunharam a gloriosa manifestação do poder de Deus (At 2.10). Neste dia memorável, militares e funcionários do governo romano, destacados na Palestina, foram salvos pelo Senhor, e ao retornarem à sua cidade, levavam a poderosa mensagem do evangelho (At 10.1,43-48; 2.10,41; 4.4; 5.14).

A igreja de Roma, por conseguinte, já existia quando Paulo escreveu esta carta (At 28.14,15).Naquela igreja, surgiram dificuldades e dúvidas de natureza doutrinária. Alguns membros de origem gentílica abusavam da liberdade cristã com procedimentos que ofendiam os irmãos de origem judaica. A Epístola aos Romanos, a mais importante carta de Paulo, é a maior exposição da doutrina da salvação em toda a Bíblia. Pois responde a milenar pergunta: “Como pode o homem ser justo diante de Deus?” (Jó 9.2). Através desta epístola, o leitor é impelido a buscar e a conhecer qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para sua vida (Rm 12.2).

 

A RAZÃO DA CARTA

 

O que motivou o apóstolo a escrever à igreja em Roma foi a exposição do Evangelho de Cristo. O tema da justificação pela fé predomina nos primeiros cinco capítulos.Paulo estava no final de sua terceira viagem missionária, plantando igrejas nos grandes centros orientais do Império Romano: Éfeso, Corinto, Filipos etc, onde a Palavra do Senhor prosperava significativamente (At 19.11,20,26; Ap 1.4,11). O apóstolo já havia difundido o evangelho a partir de Jerusalém até as atuais Iugoslávia e Albânia (Rm 15.19).Como já vimos, o evangelho estava bem difundido em Roma, onde o apóstolo menciona vários irmãos na fé (Rm 16.3-5). Agora Paulo, o incansável e corajoso homem de Deus, escreve aos crentes de Roma, manifestando o seu propósito de estar com eles (Rm 1.13,15; At 19.21).

 

 O INÍCIO DA IGREJA EM ROMA

 

A igreja em Roma era muito expressiva. Por ocasião da epístola, já se estendera até Putéoli, o principal porto de Roma, numa distância de 200 quilômetros (At 28.13,14).O modo como Paulo dirige-se aos irmãos em Roma mostra que ali havia uma igreja atuante bem antes da epístola ser escrita. Não há dados precisos dos primeiros anos do cristianismo em Roma, no entanto, pode-se inferir algo sobre o assunto em fontes literárias e arqueológicas confiáveis.

 A comunidade judaica. Havia judeus em Roma já no segundo século a.C. Quando o imperador Pompeu, em 63 a.C, conquistou a Judéia, o número de judeus em Roma aumentou consideravelmente. Mas, por um decreto do imperador Tibério, os judeus de Roma foram expulsos da cidade, para logo em seguida retornarem em maior número. Em 49 d.C, o imperador Cláudio decreta uma nova expulsão de judeus da cidade — este fato é mencionado em At 18.2 — onde está dito que em Corinto, Paulo conheceu um certo judeu chamado Áquila, que havia recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua esposa, por ter o imperador Cláudio decretado a expulsão dos judeus da cidade. Tudo indica que Áquila e Priscila já eram cristãos antes do encontro com Paulo em Corinto. Talvez fossem membros da primeira igreja cristã em Roma.

Na capital do Império Romano, desenvolveu-se, no século primeiro, o maior centro judaico do mundo antigo. Havia 13 comunidades e sinagogas com elevado número de membros.

 Judeus no dia de Pentecostes. O Pentecostes era uma das sete festas sagradas de Israel. Estas prefiguravam eventos futuros na história da redenção efetuada por Cristo. O Novo Testamento confirma que elas eram profecias tipológicas da salvação (Cl 2.16,17; Hb 10.1).Nos dias do Novo Testamento, judeus devotos, bem como gentios prosélitos de todas as partes do Império Romano, compareciam a Jerusalém para a celebração da Festa de Pentecostes (At 2.1,10; 20.16). É possível que alguns dos convertidos, quando da descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes, tenham levado, num trabalho pioneiro, o Evangelho de Cristo a Roma (At 2.1,10,37-41).

Sendo Roma a capital do império, havia um fluxo constante de viajantes que se dirigiam de todas as partes para lá. O capítulo 16 de Romanos demonstra que muitos cristãos daquela congregação eram procedentes de outras regiões, especialmente da Ásia Menor.Quando o testemunho cristão, repleto do poder do Espírito Santo, ressoou nas sinagogas em Roma, logo surgiram e multiplicaram-se igrejas na região, como acontecera em Damasco, Antioquia, Ásia Menor, Macedônia e Grécia. Multidões aceitaram a Cristo, conforme relata o evangelista Marcos: “E eles tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a Palavra com sinais que se seguiram. Amém” (Mc 16.20).

 

 A IGREJA EM ROMA NA ÉPOCA DA CARTA DE PAULO

 

Paulo, ao escrever aos romanos por volta do ano 57 d.C, destacou a fé daqueles crentes, tanto no início da epístola como no seu final (1.12; 16.19). Eles tinham muita fé, e esta já era conhecida por todos (1.8).

 Uma igreja heterogênea. A lista de saudações de Paulo (no capítulo 16) evidencia que a igreja em Roma tinha um caráter heterogêneo. Havia judeus (convertidos), gentios e escravos. A menção de Paulo a seus “parentes” pode referir-se a seus irmãos de raça — judeus, agora convertidos a Cristo (9.3,4). É bem provável que estes fossem cristãos que o apóstolo conhecera em outros lugares durante suas extensas e prolongadas viagens evangelísticas, pastorais e administrativas e que, na ocasião em que escreveu a carta, residissem em Roma.Áquila e Priscila, queridos irmãos, amigos e colaboradores de Paulo, foram obrigados a deixar Roma anteriormente. Mas, agora, estavam de volta, e sua casa era um dos locais de reunião da igreja (era prática comum na igreja primitiva a reunião nas casas dos próprios cristãos).

 Uma igreja respeitada. Os crentes de Roma eram fiéis e dedicados seguidores de Cristo, segundo o evangelho (Rm 1.8,12; 6.17; 7.4; 15.14; 16.19). Conforme se lê em Rm 15.24, Paulo, por ocasião da epístola, contava com a assistência daqueles irmãos para a realização de uma obra missionária na Espanha. Em Romanos 16.16, Paulo transmite uma saudação das demais igrejas dirigida exclusivamente à igreja de Roma.A igreja em Roma deixou exemplos de santidade, fé e visão evangelística de homens e mulheres capacitados para o santo serviço que, se seguidos, fortalecerão a Igreja atual. É um padrão a ser fielmente observado por todos aqueles que oram e lutam pela expansão do Reino de Deus. 

“O Plano da Carta aos Romanos.Paulo destaca alguns aspectos principais na carta aos Romanos. A doutrina da salvação é apresentada dentro de 4 itens essenciais: o teológico (1.18-5.11); o antropológico (5.12-8.39); o histórico (9.1-11.36) e o ético (12.1-15.33). Esse plano alcança toda a obra e contém verdades incontestáveis e irremovíveis.

  1. 1.                  Na esfera Teológica (1.18-5.11). Paulo apresenta a condição perdida dos homens, sem a mínima possibilidade de salvação por méritos próprios. Logo depois, Cristo é a solução, visto que, por meio de sua morte, todos podem ser justificados da condenação. O pecador é justificado mediante a obra expiatória de Cristo Jesus.2. Na esfera Antropológica (5.12-8.39). Nestes textos a vida assume nova perspectiva. A ilustração do primeiro e segundo Adão coloca o crente de frente a uma nova realidade espiritual. O primeiro Adão foi vencido pelo pecado, mas o segundo o venceu por todos os homens. Em Cristo, o homem assume um novo regime de vida sob a orientação do Espírito Santo.3. Na esfera Histórica (9.1-11.36). Paulo destaca a questão da rejeição de Israel ao plano divino. A doutrina da salvação é apresentada de forma explícita. Um grupo de judeus cristãos, ainda amarrado às exigências da religião judaica, queria impor sobre os gentios convertidos os mesmos requisitos exigidos pela lei mosaica. Entretanto, Paulo apresentou a obra salvadora de Cristo com sentido universal, extensiva a todos os homens.4. Na esfera Ética (12.1-15.33). Paulo apresenta algumas implicações do Evangelho para a vida diária. Responsabilidades éticas para com a igreja, a família e a vida material são colocadas em destaque” (CABRAL, E. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 7.ed., RJ: CPAD, 2003, p.17).

 

                A corrupção da Humanidade cap 1.v.20 em diante

 

O Novo Testamento possui 27 livros, destes, 21 são do gênero epistolar. Treze são de autoria do apóstolo Paulo: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemom.

Romanos, embora apareça como a primeira carta no conjunto das epístolas, foi escrita depois de Gálatas, Tessalonicenses e Coríntios. É a mais extensa das epístolas, com 433 versículos distribuídos em 16 capítulos. O mérito da carta não reside apenas nesse fato, mas em ser a mais teológica dentre as epístolas paulinas. No entanto, não devemos limitar a carta aos Romanos apenas a esta característica, pois a mesma também se ocupa da praticidade da vida cristã. Se, por um lado, o tema teológico da justiça de Deus em 1.16,17 transformou a vida de Lutero, de outro, a exortação prática de 13.13, a vida de Agostinho.  

Paulo inicia o tema da justificação no capítulo 1.18 e só o conclui em 4.25. Logo, o texto da Leitura Bíblica em Classe faz parte de um amplo contexto que inclui: a necessidade da justificação (1.18-20), o meio da justificação (3.21-31) e, os exemplos da justificação (4.1-25).O tema central dos quatro primeiros capítulos de Romanos é a revelação da justiça salvífica de Deus (1.18 a 4.25). A fim de provar a universalidade do pecado (3.9-20,23) e a necessidade de justificação (3.22), Paulo apresenta o juízo divino sobre os pagãos (1.18-32) e judeus (2.1-3.20). Do capítulo 3.21 a 4.25, o apóstolo discursa sobre a atuação da justiça salvífica de Deus em Cristo, a fim de justificar a todos os homens (3.24-26). No capítulo 4, a justiça de Deus é demonstrada por meio da vida de Abraão. Este patriarca ao ser justificado pela fé (4.1-12) tornou-se exemplo dos que pela fé são justificados (4.16-25).

O primeiro capítulo da Carta aos Romanos possui sete parágrafos: 1-7; 8-15; 16-17; 18-23; 24-25; 26-27; 28-32, nos quais são apresentados o tema da obra (vv.16,17) e a depravação universal dos gentios (vv.18-32). 

As epístolas paulinas foram importantes recursos para o fortalecimento da igreja e instrução dos crentes. Algumas cartas foram endereçadas a cidades, enquanto outras, a pessoas. A fim de ampliar o conhecimento do aluno a respeito da formação das epístolas, divida-as em: Epístolas endereçadas a cidades (Roma, Corinto, Galácia, Éfeso, Filipos, Colossos, Tessalônica) e, a pessoas (Timóteo, Tito e Filemom). Ao apresentar à classe as cidades as quais Paulo endereçou as epístolas, procure fazê-lo em ordem cronológica: Gálatas (49 d.C), Coríntios (55-56 d.C), Romanos (57 d.C), Efésios e Colossenses (62 d.C), Filipenses (62/63 d.C). Observe que os mapas referente às viagens missionárias de Paulo não incluem a cidade de Colossos, cerca de 160 km a leste de Éfeso. Embora todos os habitantes da Ásia tenham ouvido o evangelho (At 19.10), é provável que Paulo não tenha visitado Colossos (Cl 2.1); sendo Epafras, o possível fundador desta igreja (Cl 1.7; 4.12,13).

A Bíblia descreve a situação miserável do homem sem Deus, denominando-a de “charco de lodo” (Sl 40.2). Entretanto, ao denunciar os pecados tanto dos gentios quanto dos judeus (Rm caps. 1—3), as Escrituras revelam também um escape: se o homem receber a Cristo como seu Salvador, ver-se-á livre das conseqüências eternas do pecado. Somente Ele pode justificar-nos diante de Deus.

 

A IRA DE DEUS CONTRA O MAL

 

A ira divina. É totalmente diversa da ira humana, que está sempre atrelada à vingança, à hostilidade e ao ódio. Ela, diferente da humana, opera a justiça de Deus (Tg 1.20). A ira divina é perfeita e santa e acha-se relacionada ao seu amor.A idéia de um Deus irado transtorna e revolta a natureza humana caída, uma vez que o descrente, via de regra, fala e age como se fosse melhor do que Deus. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento enfatizam à justa ira de Deus (Sl 78.40-58; 90.7-9; Is 9.19; Jr 7.17-20; Jo 3.36; Rm 9.22; Ef 5.6; Cl 3.5,6; Ap 6.16,17).Um Deus perfeito. Os atributos de Deus revelam não somente a sua natureza, mas também expressam a sua perfeição. Deus tanto ama a justiça como aborrece a impiedade (Sl 45.7; Hb 1.9).A ira do Todo-Poderoso é a única resposta coerente que um Deus santo poderia oferecer ao pecado e à maldade da raça humana. A santidade divina não tolera o pecado.

A revelação da ira divina na cruz. Ocorreu no momento em que Deus fez recair sobre seu próprio Filho, na cruz, o pecado do mundo, a fim de justificar-nos diante dEle (2 Co 5.21; Gl 3.13; Is 53.6,12; Rm 8.3). Era a única forma de Deus mostrar a sua justiça e justificar o pecador (Rm 3.26).

 

A REVELAÇÃO DE DEUS

 

Desde a criação do mundo, Deus tem-se revelado ao homem de várias maneiras, sendo a Bíblia a sua revelação completa para toda a humanidade.

 Através da natureza. A revelação de Deus é claramente visível a toda criatura através da criação (Sl 19.1; Rm 1.20). O homem não regenerado vive sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2.12), porque ignora e despreza o conhecimento natural de Deus. Todo ser humano pode compreender a realidade de Deus, observando com reverência, simplicidade e reflexão as coisas por Ele criadas. Embora esta “revelação natura” transmita um conhecimento de Deus apenas como Criador, mediante este mesmo conhecimento, os homens tornam-se inescusáveis diante de Deus.

Atributos divinos revelados. Tanto o infinito e eterno poder de Deus quanto a sua divindade podem ser percebidos por meio das coisas visíveis que Ele criou. A magnitude da criação e o modo como o Criador a dinamiza e sustenta demonstram, claramente, o seu infinito e eterno poder. A chuva, as colheitas segundo as estações do ano e o farto sustento (At 14.17) evidenciam a natureza divina — sua bondade e sua graça. Assim, a existência, o provimento e a perfeição de Deus têm sido manifestos na criação, para que as suas criaturas o adorem na beleza de sua santidade. Ler o Salmo 104; 150.6.

 

. O HOMEM ESCRAVIZADO PELO PECADO

 

Não glorifica a Deus (Rm 1.21). Esta é a causa que mais evidencia o estado de corrupção humana: a recusa do homem em glorificar a Deus. Tal homem faz de si o seu próprio deus (Gn 3.5; Ez 28.2). Se toda a criação glorifica ao Senhor, por que o homem é o único que se recusa? (Sl 148.7-13).

O homem sem Deus exalta e cultua o seu próprio eu. Ele só pensa em si e tudo faz por atender às suas próprias concupiscências. É a corrupção total da pessoa pelo egoísmo, resultando na oposição consciente e aberta contra o próprio Deus. O egoísmo humano é sinônimo de rebeldia; é uma atitude semelhante à de Satanás (Ez 28.2,15-18). Consideremos também isto: geralmente todo pecado procede do egoísmo (meu bem-estar, minha reputação, o que eu quero, meu direito, meu poder...).

 Não dá graças a Deus (Rm 1.21). Ser grato a Deus é reconhecer que tudo provém dEle (Tg 1.17; Sl 34.1); é uma atitude de confiança nAquele que nos supre todas as necessidades (Sl 103). Quando não damos graças a Deus, depreciamos e rejeitamos a providência divina em nossa vida.

ejeita a sabedoria (Rm 1.22). Não há verdadeira sabedoria fora de Deus (Sl 111.10; Pv 2.6). A filosofia deste mundo leva à perversão moral (Cl 2.8). Quem rejeita a Deus está longe dEle e vive em trevas, com a mente escravizada pelo pecado, sem qualquer vislumbre de luz (Jo 3.19,20). Desprezar a Deus e a sua lei é coisa de néscio (Sl 14.1). Pois os valores espirituais, procedentes de Deus, acham-se fora da percepção meramente humana; não há qualquer esperança do homem natural apropriar-se da verdade divina (Sl 14.2,3; Rm 3.11-18). 

A violência e a depravação moral estão no mundo desde que o homem rejeitou o seu Criador, entregando-se ao orgulho, altivez, arrogância, egoísmo, rebeldia, etc. Só a graça de Deus pode redimir o homem caído (Tt 2.11,12). A mensagem da graça, porém, faz-se ouvir em todo o mundo: “Quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida” (Ap 22.17). Eis o convite final de Deus para a salvação. 

 “A Prostituição Sagrada em Roma.No calendário romano, havia festas exclusivas para homenagear os deuses da fecundidade. As prostitutas seculares e cultuais eram as protagonistas das festividades. Vinte e três de abril era o período das Vinalia, comemorações nas quais se rendiam culto a Júpiter e a Vénus Ericina, conhecida como a ‘deusa das prostitutas’. No templo desta deusa, próximo à porta da Colina, reuniam-se todas as prostitutas romanas e os rufiões para adorá-la, comprar e vender prostitutas. Durante os dias de 28 de abril a 3 de maio, a deusa Flora era homenageada e sua festa oficial era conhecida pelo nome de Florália. Nestas reuniões, todas as prostitutas cultuavam a deusa vestindo-se com roupas coloridas que representavam as flores do campo e, no templo, realizava-se a herogamia, seguida de relações sexuais que extrapolavam os limites templários, invadindo as ruas e lugarejos. No entanto, entre os romanos, ainda se destacavam as festas da Bonadéia, cuja tradição remonta à história de um incesto entre Fauno e sua filha (Bonadéia), que foi morta por não satisfazer os desejos incestuosos do pai. Estas comemorações eram ritos de fertilidade, nos quais, por meio das relações sexuais entre e com as sacerdotisas, a fecundidade geral era estimulada. OsLupercais, ou rituais de purificação e de fecundidade, eram esperados por todos os rufiões da cidade. Nesta festa, todo tipo de diversão duvidosa e indecente era praticado. Os Lares, que eram os deuses da fecundidade encarregados de proteger as residências e as encruzilhadas, eram ornados com flores na primavera e no verão. Os flâmines e flamínicas, isto é, os casais de sacerdotes sagrados dos divos e divas, comandavam todo o ritual orgiástico das festividades romanas. E o que dizer dasSartunalia, festas em honra ao deus Saturno, celebrado durante sete dias no mês de dezembro, em que escravos e prostitutas realizavam toda espécie de orgias e excessos sexuais? E do culto a Príapo, da lascívia e luxúria, cultuado no Helesponto, Mísia e em Roma?

No período do apóstolo Paulo e dos primeiros pais da Igreja, muitos desses rituais não se realizaram com menos intensidade. [...] Sabemos que os missionários cristãos enfrentaram reminiscências dessa cultura pagã em diversos momentos de suas viagens missionárias (At 14.11-18; 19.23-40). Certas recomendações paulinas tratam dos problemas relacionados aos cultos e sacrifícios pagãos (1 Co 8). Provavelmente, Romanos 1.20-32 seja uma explícita referência aos costumes sexuais pagãos em Roma. Muitos cristãos procedentes do mundo helênico possuíam nomes dos deuses da fertilidade, tais como: Febe, ou seja, ‘a brilhante’, que era o sobrenome da deusa Ártemis; Ártemas, isto é, ‘dom de Ártemis’ (Tt 3.12). Os exemplos seguem por quase todas as epístolas neotestamentárias.” (BENTHO, E. C. A família no Antigo Testamento: Hermenêutica histórico-sociológica. RJ: CPAD, 2005.) 

 

                           A Justiça de Deus cap 2

 

A carta aos Romanos foi um dos principais escritos do Novo Testamento que contribuiu para a conversão de Aurélio Agostinho. Em suas Confissões, o autor narra que após dois anos como professor de retórica em Milão, sentiu-se profundamente triste, pois desejava iniciar uma nova vida, mas não estava disposto a romper com a vida libertina que levava. No jardim da casa de seu amigo Alípio, chorou amargamente até que ouviu uma criança cantar: “Pega e lê! Pega e lê!”. Impulsionado, pegou o manuscrito que estava ao lado de seu amigo. Seus olhos percorreram o seguinte texto da epistola aos Romanos: “Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades nem em dissoluções, nem em contendas e invejas. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.” (Rm 13.13,14). Agostinho afirma que após ler estas palavras “uma clara luz inundou meu coração e todas as trevas da dúvida se desvaneceram”. 

O sentido de “justiça” no Antigo Testamento procede de dois termos hebraicos: tsedeq, cujo sentido primário é “ser retilíneo”, “ser reto”, “retidão” e, mishpat, traduzido por “justiça” e “juízo” (cf. 2 Cr 12.6; Ec 12.14; Sl 1.5; Sl 11.7). Estes descrevem tanto o caráter e a justiça divina quanto a fidelidade de Deus em sua Aliança para com os homens (Dt 32.4; Sl 31.1; 45.7; 119.137,144; Pv 16.33; Is 30.18). O Novo Testamento emprega a palavra dikaiosynē para designar os termos “justiça”, “retidão”, “justo”, “reto” e “justificação”. O tema da justiça de Deus inclui uma série de conceitos que abrangem: aprovar o que é bom em detrimento do que é mal (Êx 34.7; Ec 12.4; Hb 1.9); condenar o ímpio e justificar o justo (2 Cr 6.23); a fidelidade do Senhor em seus atos (Ne 9.3; Is 49.7; 2 Ts 3.3); a ira de Deus (Sl 7.11; Na 1.2,3; Mq 7.8-10); a imparcialidade do juízo divino (2 Cr 19.7; Na 1.3); os seus mandamentos (Mq 6.8) e, a relação entre justiça e salvação (Sl 98.2; Is 45.21; 51.5-8; 56.1). A Bíblia afirma que a justiça e o juízo são a base do governo sempiterno de Deus (Sl 89.14; Hb 1.8). São esses, portanto, os fundamentos pelos quais os politeístas e monoteístas serão julgados (Rm 1.18-32: 2.17-29). O primeiro grupo são os sem lei, enquanto o segundo, aqueles a quem a lei foi dada, isto é, pagãos e judeus (Rm 2.12-29). 

As epístolas paulinas foram importantes recursos para o fortalecimento da igreja e instrução dos crentes. Algumas cartas foram endereçadas a cidades, enquanto outras, a pessoas. A fim de ampliar o conhecimento do aluno a respeito da formação das epístolas, divide-as em: Epístolas endereçadas a cidades (Roma, Corinto, Galácia, Éfeso, Filipos, Colossos, Tessalônica) e, a pessoas (Timóteo, Tito e Filemom). Ao apresentar a classe às cidades as quais Paulo endereçou as epístolas, procure fazê-lo em ordem cronológica: Gálatas (49 d.C.), Coríntios (55-56 d.C), Romanos (57 d.C.), Efésios e Colossenses (62 d.C.), Filipenses (62/63 d.C.). Observe que os mapas que tratam das viagens missionárias de Paulo, não incluem a cidade de Colossos, cerca de 160 km a leste de Éfeso. Embora todos os que habitavam na Ásia tenham ouvido o evangelho (At 19.10), no entanto, e provável que Paulo não tenha visitado Colossos (Cl 2.1), sendo Epafras, o possível fundador da igreja em Colossos (Cl 1.7; 4.12,13). Use o mapa para ilustrar e fortalecer a argumentação acima.  

Estamos diante de um dos maiores textos sobre os princípios e os trâmites de Deus acerca de seu perfeito e justo juízo em relação às suas criaturas. Deus, o Supremo Legislador e Juiz de todos, por intermédio das Sagradas Escrituras, manifesta a todos os homens a verdade a respeito da salvação, para que ninguém seja condenado por falta de seu conhecimento.

Estaremos examinando o que a Bíblia ensina sobre a justiça de Deus. Também estaremos respondendo a pergunta: “Pode o homem ser justificado diante do Supremo Juiz através das boas obras? E os crentes? Somos ou não obrigados à prática das boas obras já que fomos justificados pela fé.

 

 OS MORALISTAS

 

 Nos dias de Jesus. Devido à sua cegueira espiritual, os moralistas, do tempo de Jesus, afirmavam que os criminosos e depravados estavam sob o juízo divino. Eles, porém, os moralistas, achavam-se completamente seguros, porquanto julgavam-se perfeitos (Mt 23.25-28).

 Nos dias de Paulo. A maioria dos judeus, nos dias de Paulo, achava que podia ser justificada diante de Deus através de suas obras morais e religiosas. Se alguém fracassasse na realização destas, perderia parte de sua recompensa, mas, como descendente de Abraão, haveria de escapar do juízo divino.

Nos dias atuais. Os moralistas de hoje professam a fé cristã sem vivê-la. São religiosos? Sim. Todavia, sem salvação, pois não seguem o Salvador. Muitos vêem no batismo a garantia da vida eterna; esquecem-se, contudo, do compromisso de fidelidade a Deus.

Apesar das boas obras realizadas, ninguém pode obter a salvação sem primeiro reconhecer que é um pecador incapaz de, por si próprio, alcançar a justiça divina (Jo 14.6; 10.9; Tt 3.5). Paulo afirma que os tais estão sob condenação (Rm 3.9,23).

 

 PRINCÍPIOS DA JUSTIÇA DE DEUS

 

 Deus julgará o segredo dos homens. Nos vv.1-16 de Romanos 2, a Palavra de Deus é dirigida aos que se julgam isentos do justo juízo de Deus, considerando-se justificados por não terem uma vida explicitamente pecaminosa. Os que assim pensam subestimam a justiça de Deus, tornando-se irreconciliáveis.Os religiosos da época de Jesus ostentavam sua autojustiça, mas foram severamente reprovados pelo Mestre (Lc 18.18-22; Mt 5.20; 15.1-9).No Juízo Final, não haverá injustiça, porque o Juiz é infinitamente justo (Gn 18.25; Jr 11.20; 2 Tm 4.8); seu juízo é segundo a verdade (Rm 2.2). Quanto mais conhecimento acerca da verdade tivermos, mais responsabilizados seremos diante de Deus. Um exemplo disso é o caso das cidades da Galiléia que, apesar de testemunharem um poderoso ministério de ensino e de milagres de Jesus, rejeitaram-no como o Messias e Salvador (Mt 11.20-24).

A verdade divina pela qual o homem será julgado. A bondade e a misericórdia de Deus têm abençoado a humanidade inteira desde a criação dos céus e da Terra. Todos podemos usufruir do ar, água, luz, fogo, vida, família, saúde, sustento, pátria, vestuário, descanso, proteção, paz etc. Ver Sl 136.25; 145.16.

a) O homem natural. Em sua irracionalidade, não percebe que a mão de Deus é que provê todas as coisas por sua longanimidade e graça. Vivendo em trevas, ele não enxerga os seus próprios pecados a menos que seja convencido pelo Espírito Santo (Jo 16.8). Os tais não sentem tristeza por pecarem contra Deus, nem se compungem em seu coração. Em nada lembram os que se converteram no dia de Pentecostes.

b) O pecador legalista. Julga e condena os outros, considerando-se inculpável diante de Deus, conforme se vê em Lc 18.9-14. Ele será réu de maior juízo (Mt 23.14). Quanto ao hipócrita, pode enganar os homens ao freqüentar a igreja, mas não a Deus (Mc 12.15; Mt 6.2). No julgamento, o destino do hipócrita será o mesmo do servo mau: o lago de fogo onde haverá “pranto e ranger de dentes” (Mt 24.51).

A culpa do transgressor consciente. Os que desprezam as riquezas da benignidade e da longanimidade divina pecam intencionalmente e atraem para si a ira de Deus (Rm 2.4,5,18-24). Nota-se, no versículo 5, o caráter de culpa cumulativa de uma vida de contínuo desprezo à bondade de Deus.“As riquezas da benignidade” de Deus (v.4) são a sua multiforme graça, longanimidade e providência, abarcando todas as esferas de nossa vida.O objetivo de Deus, conforme sua infinita graça e benignidade, é convencer o homem do pecado e conduzi-lo ao arrependimento. Quem despreza os cuidados de Deus está “entesourando ira” para si (vv.4,5).

As obras e seu julgamento. O julgamento de Deus é segundo a sua verdade, justiça e santidade (Rm 2.2; 3.4; 9.14; Sl 96.13; Dt 32.4; Ap 16.7). Entretanto, Deus não deseja a ruína do pecador, mas a sua salvação (Ez 18.23,32; Is 55.7; Tg 2.13; Hb 3.7,8; Ap 22.17). E a única maneira de escaparmos do juízo de Deus é termos a Cristo como Salvador e Senhor (Hb 2.2-4; Lc 13.3,5).As boas obras do crente são decorrentes da salvação já operada, pela graça de Deus (Ef 2.8,9). Ou seja: nós fomos salvos pela fé para a prática das boas obras (Tg 2.14-20,26; Ef 2.10).

 “Três meios pelos quais Deus julga os homens.Essa tríplice forma do juízo divino baseia-se no princípio da justiça universal, que alcança todos os homens: judeus e gentios. Os judeus condenavam a pecaminosidade e a idolatria dos gentios, e por isso consideravam ter ‘prerrogativa moral’ para julgá-los, mas Paulo os coloca na mesma balança divina. Sabem fazer avaliações e distinções morais, mas não sabem aplicá-las à sua própria experiência.

1. Deus julga através da verdade (2.2-5). ‘Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade’ (2.2). Que podemos entender nessa declaração? O julgamento de Deus é instituído aqui em razão dos pecados do paganismo gentio e do falho moralismo dos judeus em condenar os gentios. A questão do pecado é uma só para todos. Uma vez que tenha pecado, qualquer um incorre na condenação de Deus. Paulo declara que os gentios pecaram (1.18-32) e os judeus também. (2.17—3.8)[...]

2. Deus julga conforme as obras de cada um (2.6-11). ‘Deus retribuirá a cada um segundo o seu procedimento’. Esse princípio não é novo, pois tanto o Antigo quanto o Novo Testamento estão repletos de referências a esse princípio (Sl 62.12; Pv 24.12; Jr 10.10; Mt 16.27; 1 Co 3.8; Ap 2.23). Os judeus buscavam imunidade numa forma de ‘defesa especial’, baseada no privilégio racial. Porém, essa pretensão é rejeitada pela perfeita justiça divina que declara a sua culpabilidade. Deus é imparcial em seu juízo sobre o pecador, e independe de privilégios ou outra razão qualquer, pois cada homem será julgado por seus próprios atos. O homem é moralmente responsável, por isso deve ser julgado conforme suas obras pessoais.3. Deus julga conforme a Lei (2.12-16). Há dois tipos de leis que regem o julgamento dos homens segundo o contexto sugere [...]: ‘todos os que pecaram sem lei’ (2.12), que diz respeito aos gentios que desconheciam a lei de Deus dada aos judeus; ‘todos os que com lei pecaram’ (2.12), refere-se aos judeus [...].” (CABRAL, E. Romanos: o Evangelho da Justiça de Deus. 7 ed., RJ: CPAD, 2003, p. 39-42.) 

 

               A justificação pela fé em Cristo cap 3

 

O texto da Leitura Bíblica em Classe divide-se em duas seções: Exposição da doutrina da justificação (vv.21-26) e, insuficiência humana para justificar-se (vv.27-31). Segue abaixo dez sentenças extraídas do texto bíblico que sumarizam a doutrina da justificação.

1. A justiça manifestada no Antigo Testamento independe da lei (vv.21,31);2. A justiça de Deus se realiza mediante a fé em Cristo, a favor de todos os que crêem (vv.22,29,30);3. Todos pecaram, logo, todos necessitam da justificação em Cristo (vv.23,24);4. A justificação é gratuita por meio da graça e da redenção que há em Cristo (v.24);5. A base inamovível da justificação é a morte substituta e expiatória de Cristo (v.25);6. A morte vicária de Cristo satisfez a justiça de Deus (v.25);7. Deus é justo ao justificar quem vive da fé em Jesus (v.26);8. A fé é o meio pelo qual o homem alcança a justificação em Cristo (vv.26-28);9. Ninguém tem qualquer mérito para ser justificado à parte da fé em Cristo (v.27);10. A fé não anula a lei, mas a estabelece (v.31).

 

 

A JUSTIFICAÇÃO

 

A justificação é um ato divino. A justificação é uma declaração de Deus, segundo a qual todos os processos da lei divina são plenamente satisfeitos, por meio da justiça de Cristo, em benefício do pecador que o recebe como salvador. Justificação significa mudança de posição espiritual diante de Deus: de condenados para justificados. Esta é a única maneira do homem ter comunhão com Deus, apresentando-se a Ele sem culpa.

A obra redentora resultante do sacrifício expiatório, efetuado por Cristo na cruz, propiciou a maior de todas as dádivas de Deus — a salvação do indigno e miserável pecador.

 A justificação testificada pela lei e pelos profetas (v.21). A justificação do pecador, mediante o sacrifício vicário de Cristo, pode ser percebida por meio de várias profecias no Antigo Testamento (Is 53.11; 45.22-25; 61.10; Jr 23.6; 33.16; Sl 85.10; Gl 3.7). Em Gênesis 3.21, por exemplo, encontramos uma nítida figura do propósito divino neste sentido. Deus cobrira graciosamente a nudez de nossos primeiros pais, Adão e Eva, após terem pecado. Outro exemplo digno de nota é o de Abraão que foi justificado por Deus somente pela fé (Gn 15.6); fato transcendental que a Bíblia confirma em Romanos 4.3.

A lei mosaica não tinha a intenção de alcançar a justiça pelo esforço humano, mas de revelar a justiça de Deus (Rm 8.4; 10.4,10; At 10.39). Os sacrifícios da lei não visavam retirar os pecados, mas cobri-los temporariamente até que Cristo viesse como o sacrifício perfeito e substitutivo (Êx 12.1-23; Jo 1.29). As ordenanças, rituais, sacrifícios e princípios de vida piedosa ensinados no Antigo Testamento, embora divinamente inspirados, não podiam quitar as “dívidas” da humanidade, e muito menos, transformar o perdido pecador num justo.

 

 A JUSTIÇA DE DEUS

 

A justiça de Deus na dispensação da graça. A expressão “justiça de Deus”, na Epístola aos Romanos (1.17; 3.21,22) e em outras passagens, refere-se ao tipo de justiça que o Senhor aceita para que o homem tenha comunhão com Ele. Essa justiça resulta da nossa fé em Cristo segundo o evangelho. Em outras palavras, a justiça é o próprio Cristo (1 Co 1.30; 2 Co 5.21; Fp 3.9).Por ter sido um ardoroso representante do legalismo, Paulo não cessava de enaltecer a manifestação da justiça divina em sua vida (Fp 3.4-6). Não perdia a chance de enfatizar que é impossível ao homem justificar-se diante de Deus através de suas próprias obras (Fp 3.9; Gn 2.16; Tt 3.5).

 A justiça de Deus pela fé. Na Epístola aos Romanos, capítulos 3 e 4, Paulo ensina que não há outro meio pelo qual o homem alcance a salvação senão pela fé em Cristo. Por sua vez, o escritor aos Hebreus, no capítulo 11 de sua epístola, mostra que somente pela fé o crente será vitorioso em todos os sentidos.Este mesmo princípio é encontrado em Romanos 4.5, onde a Bíblia declara que quem “não pratica (boas obras), porém crê nAquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça”.

 

 CARACTERÍSTICAS DA JUSTIFICAÇÃO DIVINA

 

 A justiça divina alcança a todos. Assim como o pecado tornou-se universal, a justificação destina-se a todos quantos queiram ser salvos (Tt 2.11). A expressão “para que todo aquele que nele crê não pereça” (Jo 3.16) abrange a todos, indistintamente.

Todos os que se arrependem de seus pecados e crêem em Jesus como Salvador não perecerão, mas terão a vida eterna. E é tudo pela graça de Deus, conforme está escrito: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20). Esta “multiforme graça” alcança de igual modo todas as pessoas de todas as raças, culturas, níveis sociais, idades e circunstâncias (Jo 6.37). Ninguém é bom o suficiente para se salvar, como também não é tão mau que não possa ser salvo por Jesus.

 A justiça de Deus é concedida gratuitamente mediante a graça. Desde que Adão e Eva pecaram contra o Senhor, a lei não tem feito outra coisa senão revelar a culpa universal do ser humano e a justiça do Todo-Poderoso. A graça que procede do amor do Pai reina por meio da justiça, como afirma Romanos 5.21.É mediante o sacrifício de Cristo sobre a cruz, como perfeito substituto do culpado, que Deus justifica o pecador, quando, arrependido, crê em seu Filho para a salvação (Gn 3.13; 1 Pe 2.24; Rm 10.10). Esta é a maior demonstração da justiça divina. O Altíssimo continua sendo justo mesmo justificando um pecador (Rm 3.26).

 propiciada por Cristo (v.25). “Ao qual Deus propôs para propiciação no seu sangue”. Propor significa “apresentar perante todos”, ou seja, o Pai constituiu o Filho, feito homem perante o mundo, como Salvador da humanidade (Jo 1.14; Mt 1.20-23; Gl 4.4,5).

“Propiciação” (v.25) é Cristo morrendo em lugar dos perdidos a fim de salvá-los. É a remoção da ira divina por meio de uma oferta, de uma dádiva.O Tabernáculo com seus objetos, sacrifícios e sacerdócio prefigurou como sombra, entre outros elementos da salvação, a propiciação. Onde há sombra há realidade (Cl 2.16,17; Hb 10.1). Examine também: Sl 32.2; Mt 20.28; Jo 1.29; Rm 4.7,8; 1 Co 15.3; 2 Co 5.19,2; 1 Jo 2.2; 4.10. Propiciação é uma referência ao propiciatório. Este encontrava-se no Lugar Santíssimo do Tabernáculo onde o sumo sacerdote entrava apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação, para sacrificar em favor do povo. Ali, ele aspergia o sangue expiador do sacrifício como símbolo da quitação ou remissão correspondente ao castigo de seus pecados e dos pecados do povo.Jesus é o verdadeiro Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Is 53; Jo 1.29; Lc 23.46; Gl 4.4,5). Foi Deus que estabeleceu todas as coisas concernentes a Jesus, a fim de salvar-nos (At 2.23). Expiação tem a ver com o pecado; propiciação, com a atitude de Deus para com o pecador arrependido; e redenção, com a pessoa do pecador. Tudo efetuado por Deus em Cristo (1 Tm 2.6; 1 Pe 1.18,19; At 20.28).

 É outorgada por Deus. A justificação do pecador perante Deus procede da sua graça (Rm 3.24) . Ela foi efetuada e é garantida pelo sangue de Jesus, como sua base (Rm 5.9). É obtida através da nossa fé em Cristo (Rm 3.28); a fé sem as obras humanas é o meio estipulado por Deus para nossa justificação (Gl 2.16). A ressurreição de Cristo é a garantia da perenidade de nossa justificação (Rm 4.25). Se alguém deseja ser justificado e sair da lista dos que estão sob a ira de Deus, deve crer em Cristo (Rm 1.16,17; 3.3,21,22). O único requisito estabelecido por Deus para que o pecador seja justificado é que venha a Cristo pela fé, aceitando-o como seu único Salvador.

 

A MENSAGEM PROVENIENTE DA CRUZ DE CRISTO

 

Salvação sem vanglória e méritos humanos. Visto que a nossa salvação consiste somente na obra redentora de Cristo consumada na cruz, o homem não tem motivo algum para se vangloriar porque “nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”, a não ser o nome de Jesus (At 4.12).

 Salvação oferecida a todos. A preservação da vida de Raabe e sua família (Hb 11.31); a bênção sobre a vida de Rute (Rt 4.13-22); e a cura de Naamã (2 Rs 5.1-14), são apenas alguns exemplos de que Deus é Senhor e abençoador de todos. Ele quer salvar a todos (Tt 2.11; Mt 11.28; Jo 6.37; Ef 4.6). O profeta Jonas testificou que Deus é misericordioso para aceitar a qualquer um que se arrependa de seus pecados (Jn 4.2). O Evangelho de João 1.12 confirma este propósito de Deus: salvar a todos (Jo 1.12). Jesus também o declarou (Jo 3.17; 5.24). Infelizmente, muitos são os que rejeitam o convite da graça de Deus e acabam por desprezar a Cristo, acarretando sobre si a ira divina. 

O castigo divino pelo pecado não poderia ser protelado indefinidamente. A justiça divina concernente aos delitos do homem deveria ser satisfeita. Assim, Cristo veio e satisfez em definitivo nossa dívida no Calvário, tornando-nos, a todos os que cremos nEle, justificados perante Deus.

 

“A Justificação

Assim como a regeneração leva a efeito uma mudança em nossa natureza, a justificação modifica a nossa situação diante de Deus. O termo ‘justificação’ refere-se ao ato mediante o qual, com base na obra infinitamente justa e satisfatória de Cristo na cruz, Deus declara os pecadores condenados livres de toda a culpa do pecado e de suas conseqüências eternas, declarando-os plenamente justos aos seus olhos. O Deus que detesta ‘o que justifica o ímpio’ (Pv 17.15) mantém sua própria justiça ao justificá-lo, porque Cristo já pagou a penalidade integral do pecado (Rm 3.21-26). Constatamos, portanto, diante de Deus como plenamente absolvidos.

Para descrever a ação de Deus ao justificar-nos, os termos empregados pelo Antigo Testamento (heb. tsaddiq: Êx 23.7; Dt 25.1; 1 Rs 8.32; Pv 17.15) e pelo Novo Testamento (gr. dikaio: Mt 12.37; Rm 3.20; 8.33,34) sugerem um contexto judicial e forense. Não devemos, no entanto, considerá-la uma ficção jurídica, como se estivéssemos justos sem, contudo, sê-lo. Por estarmos nEle (Ef 1.4,7,11), Jesus Cristo tornou-se a nossa justiça (1 Co 1.30). Deus credita ou contabiliza (gr. logizomai) sua justiça em nosso favor. Ela é imputada a nós.

Em Romanos 4, Paulo cita dois exemplos do Antigo Testamento como argumento em favor da justiça imputada. A respeito de Abraão, diz que ‘creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado [heb. chashav] isto por justiça’ (Gn 15.6). Isto ocorreu antes de Abraão ter obedecido a Deus no tocante a circuncisão, sinal da aliança. De modo talvez ainda mais dramático, Paulo cita Salmos 32.2, no qual Davi pronuncia uma bênção sobre ‘o homem a quem o Senhor não imputa maldade’ (Rm 4.8; 2 Co 5.19) [...]” (PECOTA, Daniel B. A obra salvífica de Cristo. In HORTON, S. M. Teologia Sistemática. RJ: CPAD, 1996, p.372). 

 

                    A Doutrina da Graça de Deus cap 6 

 

A respeito da influência da Epístola aos Romanos na vida do maior avivalista inglês, John Wesley. Use o texto a seguir como referência. O Avivamento Evangélico do século XVIII teve na figura de John Wesley o seu mais destacado representante. Mas, nem todos sabem que a Carta aos Romanos foi responsável pela profunda renovação espiritual de Wesley. O renovo espiritual que sacudiu a Inglaterra, na verdade, iniciou em 24 de maio de 1738, quando Wesley visitou uma comunidade cristã na rua Aldersgate. Naquela noite, estava sendo lido o Prefácio de Lutero concernente a Epístola aos Romanos. Assim Wesley se expressou em seu diário, às oito horas e quarenta e cinco minutos: “[...] enquanto ele estava descrevendo a mudança que Deus opera no coração pela fé em Cristo, senti meu coração aquecer-se estranhamente. Senti que confiava em Cristo, somente em Cristo, para a minha salvação. Foi me dada a certeza de que Ele tinha levado embora os meus pecados, sim, os meus. E me salvado da lei do pecado e da morte”.

No capítulo 5.12-21, Paulo descreve a libertação do crente a partir da ação salvífica e graciosa de Jesus Cristo. Na desobediência de Adão, o pecado abundou, mas na obediência de Jesus, a graça superabundou (v.20). Cristo, pelo seu ato, garante a justificação ao que crê (5.1). No capítulo 6.1-23, entretanto, a salvação graciosa de Deus é apresentada ao fiel, mas este precisa corresponder à realidade da nova vida em Cristo. O crente regenerado, cuja graça de Deus manifestou-se em sua vida, deve rejeitar o pecado e produzir frutos santos (v.22).

Dois conceitos distorcidos operavam entre os crentes. O primeiro era que a obediência à lei mosaica justificava o homem diante de Deus (3.20). Logo, a graça é ineficiente, pois necessita da lei. O segundo é que a graça isenta o indivíduo das obrigações morais (6.1). Por conseguinte, a graça é contraditória, pois liberta o homem para que este peque mais. Estas duas posições torcem a graça de Deus e, por isso, Paulo as combate. 

À medida que avançamos no estudo da Epístola de Paulo aos Romanos, duas afirmações doutrinárias tornam-se evidentes. Primeira, o homem é salvo mediante a graça de Deus, sem as obras da lei (Rm 3.24; 4.16; 5.2,15,18; Gl 2.16,21; 3.2).Segunda, a graça não autoriza o crente a pecar, para que seja manifestada com mais profusão. Pelo contrário, liberta o homem do poder do pecado (Rm 5.20, 6.1,2,11-15).

 

 COMPREENDENDO A GRAÇA

 

 Definição. O termo graça, do original charis, é usado cerca de cem vezes nas epístolas paulinas. Destas, vinte e quatro aparecem apenas em Romanos (1.5,7; 3.24; 4.4; 4.16; 5.2,15,17,18,20,21; 6.1,14,15; 11.5,6; 12.3,6; 15.15; 16.20,24). Na Antiga Aliança, o termo hebraico hesed corresponde ao sentido do Novo Testamento. Em diversas passagens é traduzido por “favor”, “misericórdia”, “bondade amorosa”, ou “graça que procede de Deus” (Êx 34.6; Ne 9.17; Sl 103.8; Jn 4.2).No contexto da doutrina da salvação, charis é o dom ou favor imerecido de Deus, mediante o qual os homens são salvos por meio de Cristo (Ef 1.7; 2.5,8; Rm 3.24; Tt 2.14).

A extensão da graça. Estudar a respeito da graça de Deus implica descrever os principais ramos da doutrina da salvação: o perdão (At 10.43), a salvação (Tt 2.11; Rm 1.16), a regeneração (Tt 3.5), o arrependimento (At 11.18; Rm 2.4) e o amor divino (Jo 3.16; Rm 5.8).

A graça de Deus é dinâmica. Não somente salva, mas vivifica aqueles que estão destruídos pelo pecado, capacitando-os a viver em santidade (Ef 2.1-8). O capítulo 6 de Romanos mostra que a vida cristã requer santidade. Na igreja em Roma, muitos acreditavam que, se a salvação é pela fé, então, cada um podia fazer o que bem desejasse. Se a lei não salva, temos algum compromisso com ela? Paulo, portanto, escreve para evitar o mal-entendido. Somos salvos pela graça, por meio da fé (Ef 2.8-10). No entanto, a fé não anula a lei, mas a estabelece (Rm 3.30-31).

 

A CONTESTAÇÃO DA DOUTRINA DA GRAÇA

 

Havia duas correntes antibíblicas no período apostólico que procuravam contestar a doutrina da graça: o legalismo e o antinomismo.

 Legalismo. Segundo este, só se adquire a salvação e a excelência moral mediante a lei mosaica. Este sistema, defendido por certos judeus cristãos em Roma, ensinava que a justificação era decorrente das obras da Lei (Rm 3.27-31; Gl 3-4). Paulo os exorta: “Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei” (Rm 3.20).

Antinomismo. O termo significa “contrário à lei”. Os antinomianos acreditavam que podiam viver no pecado e, ainda assim, estarem livres da condenação eterna (Rm 6.1-7; 3.7; 4.1-25). Segundo os adeptos dessa teoria, uma vez que o homem foi justificado pela fé em Cristo, nenhuma obrigação moral é necessária agora. O apóstolo os persuade: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl 5.13; Rm 6.1-3).

 

OS RELACIONAMENTOS DA GRAÇA

 

Graça e justificação (Rm 3.24; 5.18). A graça de Deus garante gratuitamente a justificação em Cristo Jesus. Através da morte expiatória de Cristo, a graça manifestou-se aos homens, garantindo-lhes a justificação e a vida eterna.

 Graça e redenção (Tt 2.11,14; Rm 3.24; Ef 1.7). Segundo as Escrituras: “A graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”. Cristo trouxe-nos completa redenção (1 Co 1.30); comprou a todos com o seu sangue (Ap 5.9; Cl 1.14); redimiu-nos da maldição da lei e de nossos pecados (Gl 3.13; Ef 1.7; Cl 1.14); e, por meio do Espírito, selou-nos para o dia da redenção (Ef 4.30; Rm 8.23), segundo as riquezas da graça (Ef 1.7,14).

 Graça e purificação (Tt 2.11-14b). A graça salvadora não apenas ensina os homens a renunciarem a vil concupiscência, a impiedade e as mazelas morais da sociedade rebelada contra Deus, mas também capacita o crente a viver sóbria, justa e piamente no presente século. Vejamos o que se deve esperar de alguém cheio da graça de Deus.

a) Evitar a impiedade. A impiedade é uma categoria de pecado que se opõe à piedade (Jd v.4). Logo, inclui tudo o que a pessoa faz sem considerar a Deus e as suas leis morais (Sl 10.13; Rm 1.18). O ímpio não reconhece nem admite sua dependência de Deus (Sl 10.3,4). Os pecados de impiedade incluem: a blasfêmia contra Deus (Sl 10.13); a malícia (Sl 34.21); a violência (Sl 140.4) e as iniqüidades (Pv 5.22). O cristão deve rejeitar a impiedade (Tt 2.12a), pois os que negligenciam a piedade serão condenados (Jd vv.14,16).

b) Evitar as paixões mundanas. Ser ímpio constitui não apenas uma maneira de pensar, mas um estilo de vida específico (Jd vv.15,16). Os ímpios são materialistas e sensuais (2 Pe 2.12-14) e buscam as coisas que conduzem aos apetites carnais (Rm 1.18). Em lugar do Reino e da justiça de Deus, procuram tudo o que satisfaça seus desejos pecaminosos desregrados (Tt 2.12b; Ef 2.3; 1 Pe 4.2; 1 Jo 2.15-17).

c) Viver vida sensata. A palavra sensato, no original (sophroneo), quer dizer “de mente sã”, “mente sóbria” ou “temperante”. Este termo se refere à prudência e ao autocontrole proveniente de uma reflexão criteriosa. O temperante é alguém que não se deixa dominar pela ansiedade; é alguém que pondera seus atos e suas respectivas conseqüências de acordo com a Palavra de Deus (1 Tm 3.2; Gl 5.22; Tt 2.8-12; 2 Pe 2.3-8; At 24.25).

d) Viver justa e piedosamente. A graça de Deus possibilita ao crente uma vida justa e piedosa diante de Deus e dos homens. O termo “piedoso” refere-se ao cristão que é reverente a Deus e que pratica o bem em todos os seus relacionamentos (2 Pe 3.11; 2 Tm 3.12; Tt 2.12; At 10.2,7; 2 Pe 2.9). Uma pessoa piedosa tem como centro a vontade de Deus em todos os seus caminhos (Pv 3.5,6; 1 Co 10.31). 

 “A graça liberta-nos.Em Romanos 6, Paulo faz-nos a pergunta crucial: ‘Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?’ (v.2). Como podemos nós, que temos sido justificados, não viver justamente?Como podemos nós, que temos sido amados, não amar também? Como podemos nós, que temos sido abençoados, não abençoar? Como podemos nós, a quem se oferece a graça, não viver graciosamente?

Paulo parece chocado com tal possibilidade! Como poderia a graça resultar em qualquer coisa que não um viver gracioso? ‘Continuaremos pecando para que a graça aumente? De maneira nenhuma!’ (vv.1,2a).

O termo para esta filosofia é antinomianismo: anti significa ‘contra’, e nomi, ‘lei moral’. Os promotores da idéia vêem a graça mais como uma razão para se fazer o mal, do que para fazer o bem. A graça concede-lhes um brevê para o mal. Quanto piores forem os meus atos, melhor Deus aparecerá. Esta não é a primeira referência de Paulo sobre o assunto. Lembra de Rm 3.7? ‘Mas, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua, por que sou eu ainda julgado também como pecador?’.Que desculpa! Ninguém respeitaria um mendigo que recusasse trabalho, alegando: ‘Estou dando ao governo a oportunidade de demonstrar sua benevolência’. Zombaríamos de tal hipocrisia. Não a toleraríamos, e não a cometeríamos” (LUCADO, M. Nas garras da graça. RJ: CPAD, 1999, p.111) 

 

                            A consagração do crente cap 8 

 

A Carta de Paulo aos Romanos ensina que todo conhecimento correto acerca de Deus nasce da obediência irrestrita aos mandamentos divinos. É impossível ao homem manter comunhão com o Criador à parte da submissão a sua santa lei. Nesta lição, comente com os alunos que estudaremos um tema repleto de contrastes: “carne e Espírito” (8.1,5); “corpo e espírito” (8.10); “morte e vida” (8.6); “aflição e glória” (8.18); “servidão e liberdade” (8.21); “acusação e justificação” (8.33). Estas antíteses (oposição entre duas palavras ou idéias) resumem-se em dois termos: pecado e santidade. O pecado traz como conseqüência: morte, aflição, servidão e acusação, enquanto a santidade, vida, glória e liberdade (8.13).

Romanos 8.1-13 trata de três temas principais: a libertação e a autêntica função da lei (1-4): a antítese entre Espírito e carne (5-9): e as conseqüências de pertencer a Cristo (10-13). A expressão-chave do trecho acha-se em 2a: “Lei do Espírito da vida”.

No final do capítulo 7, Paulo pergunta: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (v.24). No capitulo 8, ele responde: o Espírito, pois como afirma em 2 Coríntios 3.17: “Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. O crente é liberto da lei do pecado e da morte pela “lei do Espírito de vida” (v.2). De 1 a 7 de Romanos, o termo grego “pneuma”, isto é, “espírito” aparece apenas cinco vezes (1.4,9; 2.29; 5.5; 7.6), mas no capítulo 8, vinte e duas! O propósito do apóstolo é evidente: o Espírito de Cristo traz transformação interior e libertação das amarras do pecado (v.2). O Espírito é chamado de: “Espírito de vida” (v.2); “o Espírito” (v.4); “Espírito de Deus” (vv.9,14); “Espírito de Cristo” (v.9); “Espírito de adoção” (v.15). O Espírito “habita” no crente (v.9); “vivifica” (v.11); “guia” (v.14); “testifica” (v.16); “ajuda” (v.26); “intercede” (v.26). 

Com a expressão “portanto, agora” (Rm 8.1a), Paulo conclui o tema sobre o qual discorreu nos sete primeiros capítulos de sua Epístola aos Romanos: a graça e a justificação providas por Deus. A ênfase do presente capítulo está no ensino de que os filhos de Deus, em Cristo, estão livres da condenação (Rm 5.16,18).Nos versículos 5 a 13, Paulo declara que a nossa salvação está garantida em razão da obra realizada pelo Espírito de Deus em nosso coração (Ef 1.13,14), produzindo, entre outras, a santificação em nosso ser (1 Pe 1.2).

O Espírito, realizando a obra completa de Cristo, liberta-nos do pecado e de todos os seus malefícios; e, finalmente, vivificará inclusive nossos corpos quando o Senhor vier arrebatar a sua Igreja (v.11).

 

 A NATUREZA DA CARNE

 

A natureza humana caída. O vocábulo “carne”, no original, ocorre muitas vezes nas epístolas paulinas. O termo, em geral, está associado aos prazeres sensuais e aos pecados ligados ao corpo (Rm 6.12-14; 7.5,23-25; 8.13). Aqui, no entanto, “carne” diz respeito ao mundo, à natureza humana caída e escrava de tudo que se opõe ao Espírito (Gl 5.16-25).

A carne isola o homem de tudo o que é espiritual (v.8) e engloba todas as formas de arrogância. Sempre que o “eu” aparece em oposição a Deus, ali está a carne. João esclarece-nos: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida são opostas a Deus (1 Jo 2.15-17).

Os que andam “segundo a carne”. Alguém afirmou, com muita propriedade, que “a tragédia básica da experiência humana caída é que um ser criado por Deus e para Deus, vive agora sem Deus”. Andar segundo a carne é a conseqüência desta tragédia. Não há méritos em viver alheio à vida de Deus (Ef 4.18), seguir os próprios pensamentos e inclinações (Is 53.6) de uma natureza que jaz em iniqüidade (Rm 7.24). Morto em delitos e pecados, o homem é tanto um rebelde quanto um fracassado (Ef 2.1-3). O ser humano nasce em pecado, existe em pecado e continua vivendo em pecado, em eterna rebelião contra Deus.

Os que andam “segundo o Espírito”. De acordo com o original, “inclinar-se” indica a ação total da personalidade humana (razão, vontade e sentimento) em sujeição à carne ou ao Espírito (vv.5-7). “Inclinar-se para as coisas do Espírito” é muito mais do que uma mera disposição mental. Trata-se de dispor a razão, a vontade e os sentimentos ao domínio do Espírito. É viver na direção do Espírito de Cristo (vv.9,10). O maior interesse do cristão deve ser as coisas do Espírito. Aquele que se inclina para o Espírito prioriza, acima de tudo, o seu relacionamento com Deus (Mt 6.33). Além de ter consciência do pecado, foge dele (Hb 12.1). Por fim, reconhece sua fraqueza e busca o auxílio do Espírito Santo (Jo 16.13; Rm 8.26,27).

 

 A VERDADE SOBRE A SANTIFICAÇÃO

 

Nas Sagradas Escrituras, o termo santificar, significa “ser consagrado”, “santo”, “santificado”, “separado”. A palavra é usada para distinguir entre o santo e o profano e entre o especial e o vulgar (Êx 30.29,32,37; Lv 10.10). Quando esta qualidade é aplicada, afirma-se que este objeto, ou pessoa, é separado para o serviço a Deus (Lv 20.26 cf. Êx 40.9; Lv 11.44). A santificação é a ação do Espírito Santo na vida do crente, separando-o e purificando-o para adorar e servir ao Senhor (Tt 3.5-7; 2 Pe 1.4). Por meio dela, o Espírito Santo aplica à vida do crente a justiça e a santidade de Cristo, com vistas ao seu aperfeiçoamento.

A santificação. A santificação envolve: a separação do crente em relação ao mundo e a sua completa dedicação ao serviço de Deus: “Assim, pois, se alguém se purificar a si mesmo destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda a boa obra” (2 Tm 2.21). A vontade de Deus para a vida do crente é que este seja santo (1 Ts 4.3,4). A Bíblia afirma que somos santificados tanto pelas Escrituras (Jo 15.3; Sl 119.9; Tg 1.23-25) quanto pelo sangue de Jesus (Hb 10.10,14; 1 Jo 1.7). E que a santificação é uma obra da qual a Trindade participa: O Pai (Jo 15.1,2; 17.5-7); o Filho (Hb 10.10; 2.11) e o Espírito Santo (Rm 15.16; 1 Co 6.11; Gl 5.22-25).

Estar em Cristo”. Esta expressão ocorre cerca de seis vezes nas epístolas paulinas (Rm 8.39; 2 Co 5.17; 2 Tm 1.1,13; 2.1,10). A preposição “em”, no original, é usada para descrever o íntimo relacionamento entre o Pai e o Filho (Jo 10.38; 14.20) e a posição do crente regenerado “em Cristo” (Rm 6.11,23; 1 Co 1.30).

“Estar em Cristo” é desfrutar da mais profunda comunhão espiritual com Jesus (1 Co 1.30; Ef 1.3). É obter a mais completa segurança de salvação (Ef 1.3-14). “Estar em Cristo” significa também estar unido a Cristo; é fazer parte dEle. O próprio Jesus deixou a ilustração da videira e dos ramos para demonstrar esta união íntima e orgânica entre Ele e o seu povo (Jo 15.1-6). Há também a ilustração do corpo, cuja cabeça é Cristo (1 Co 12.27). Se nEle permanecermos, nEle seremos glorificados. Se Ele morreu, morremos com Ele; se Ele ressuscitou, ressuscitamos com Ele (Rm 6.3-11; 8.11,17,29,30). Esta plena identificação com Cristo garante que, finalmente, seremos apresentados perfeitos, sem mácula, diante da sua glória (Jd v.24).

 A nova vida. Segundo as Escrituras, o crente não apenas foi ressuscitado com Cristo (Rm 6.6-11; 1 Pe 1.3,4), como também participa da natureza divina. Ele possui uma nova vida proveniente de Cristo e em Cristo. Portanto, ser cristão implica uma mudança radical de vida (Cl 1.13), que inclui o repúdio ao “velho eu” com todos os andrajos do pecado.

Como deixamos de uma vez por todas o velho homem, devemos também deixar de lado todo comportamento pertencente à vida passada. Nosso comportamento deve ser coerente com a nova vida que dEle recebemos. É o que nos ensina o Novo Testamento (Ef 4.17-32; Cl 3.5-17; Rm 8.1-13; Tt 3.3-7).

 Santidade e novidade de vida. A santidade não isola o crente do convívio social; pelo contrário: é demonstrada em nossos relacionamentos cotidianos (1 Co 1.2; 10.31; Cl 3.12; 1 Pe 1.15). Entretanto, não basta deixarmos a conduta da vida passada; é necessário passar a viver a nova vida em Cristo (Rm 6.4). Isto significa que não é suficiente deixar de mentir; é necessário dizer a verdade (Ef 4.25-32). Não basta despojar-se do “velho homem”; é essencial vestir-se do novo (Ef 4.22,24). A santificação, por conseguinte, é viver de acordo com a nova vida que recebemos. Isso exige esforço por parte do crente. Muitos imperativos bíblicos acionam a responsabilidade humana: Operai (Fp 2.12,13); buscai (1 Ts 4.1); mortificai (Cl 3.5); andai (1 Ts 4.1-5); fugi (2 Tm 2.22); segui (Hb 12.14). 

A Palavra de Deus é enfática em afirmar que o homem que depende unicamente dos seus esforços para se santificar está fatalmente condenado ao fracasso. Se o homem não estiver em Cristo e não contar com a presença do Espírito Santo para suplantar suas tendências carnais, continuará resistindo a Deus; continuará distante do caminho da santificação e fora da dimensão do Espírito Santo.

Você já vive a nova vida vitoriosa em Cristo? Ele é o Senhor de todo o seu viver? Pense nisso. E, agora mesmo, tome uma firme resolução, a fim de desfrutar das bênçãos provenientes da santificação. 

“O empecilho para a obra do Espírito (Rm 8.5-8).Paulo demonstrou, nos versículos 1-4, que ninguém pode ter santidade sem primeiro receber a justificação; agora, nos versos 5-11, revela que se alguém não vive em santidade, não recebeu a justificação. Noutras palavras, uma vida santa é a evidência prática de alguém que foi regenerado para com Deus. A pessoa verdadeiramente salva não vivera ‘na carne’, porque a carne é inimiga do Espírito.

O princípio. ‘Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são do Espírito, para as coisas do Espírito’. A palavra ‘carne’ representa a natureza antiga e pecaminosa que não recebeu a renovação e vive segundo o homem não regenerado. Pode ser considerada a ‘baixa natureza’ ou a ‘natureza animalesca’. A expressão abrange tanto a totalidade da vida não renovada e que vive longe de Deus, como todas as atividades em que o eu-próprio é o centro. Quando alguém coloca Deus no centro da sua vida, passa a andar segundo o Espírito.

O resultado. ‘Porque a inclinarão da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz’. O termo ‘morte’ se refere não apenas à morte física, mas a separação presente e futura de Deus, fonte de toda vida espiritual.

 A razão. ‘Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser’. O homem carnal, para quem o eu-próprio é a lei suprema, naturalmente tem ressentimento contra Deus e sua bendita vontade [...]” ( PEARLMAN, M. Epístolas paulinas: Semeando as doutrinas cristãs. Coleção Myer Pearlman. RJ: CPAD, 1998, pp.28-9). 

 

                     A chamada divina e o Livre-arbítrio cap 9

 

Você vai encontrar alguns conceitos bíblicos, teológicos e dogmáticos considerados controversos. Basta um crente ouvir a palavra “predestinação” e, pronto, começa o embate. Cada um defende um ponto de vista diferente; uns citam Calvino, outros Armínio, como se a Escritura não fosse clara o suficiente para tratar do tema. Mais importante do que as argumentações de um teólogo são as afirmações absolutas e singulares das Sagradas Escrituras. Portanto, estude com afinco esta lição. Evite controvérsias desnecessárias e polêmicas intermináveis, pois a Escola Dominical não é o local para elas. Concentre-se em ensinar o essencial — a doutrina tal qual a encontramos na Palavra de Deus. Como afirmavam os reformadores: “Sola Scriptura!”. Isto é, “Somente as Escrituras”. 

É necessário distinguir três importantíssimos termos relacionados à doutrina da salvação: eleição (que veremos a seguir), predestinação (presente no subsídio), e vocação (o tema da lição). O primeiro, eleição, procede de eklegomai, isto é, selecionar para si, escolher (Ef 1.4; Tg 2.5; 1 Pe 1.2; 2.9). Este termo não quer dizer que Deus escolheu uns para a salvação e outros para a perdição. Mas que a salvação do homem não depende do que este é ou faz, porém da vontade e misericórdia de Deus (Ef 1.4,5; Cl 2.12; 1 Ts 1.4; 2 Ts 2.13). O Pai ama e convida todos à salvação. Ele não elege uns para a salvação e outros para a perdição: “não querendo que alguns se percam, senão que todos venham arrepender-se” (2 Pe 3.9 cf. Jo 3.16; Rm 11.32; 1 Tm 2.3,4). Portanto, a eleição, entendida em conjunto com a vocação e a predestinação, é a ação divina, mediante a qual, através de Cristo, o homem é eleito à salvação. Em razão de sua aceitação a Cristo, Ele passa a usufruir das bênçãos decorrentes da salvação. Textos como: Fp 2.15,16; 3.12-16; Cl 1.22,23; 1 Tm 1.18,19; 4.9,10,16; 2 Tm 2.10-13; demonstram que a eleição é uma ação divina, na qual o homem é convocado a obedecer, aceitando a Cristo como seu Salvador e Senhor (1 Pe 1.2). 

No Antigo Testamento, Deus chamou os homens para a salvação (Ez 18.30-32). Hoje, o chamamento de Deus é a razão pela qual a nossa vida cristã tem início (Rm 8.30; 9.24; 2 Tm 1.9). É verdade que invocamos a Deus para nos salvar (Rm 10.10-13), mas a nossa aceitação é uma resposta ao seu chamado (2 Ts 2.14; 1 Pe 5.10; 2 Pe 1.3). Por conseguinte, fomos eleitos segundo a presciência de Deus.

 

A CHAMADA PARA A SALVAÇÃO

 

 A chamada é universal. O termo “chamada”, no original, é traduzido em Efésios 1.18 por “vocação”, ou “chamamento”. Quando aplicado à provisão da salvação por Deus, diz respeito ao gracioso ato divino pelo qual Ele chama os pecadores para a salvação em Jesus Cristo, a fim de que sejam santos (Rm 8.29,30; 11.5,6; Gl 1.6,15).

Esta chamada ocorre mediante a proclamação do Evangelho (Jo 1.10,11; At 13.46; 17.30; 1 Co 1.9,18,24; 2 Ts 1.8-10; 2.14). Segundo as Escrituras, é da vontade de Deus que todos os homens sejam salvos, isto é, que todos atendam ao chamado divino para a salvação (At 17.30; 1 Tm 2.3,4; 2 Pe 3.9 cf. Mt 9.13;). É uma vocação que opera para a salvação, fundamentada na escolha do homem (At 13.46-48).A vocação divina para a salvação do homem é uma obra da qual a Trindade participa: é atribuída ao Pai (1 Co 1.9; 1 Ts 2.12; 1 Pe 5.10) ao Filho (Mt 11.28; Lc 5.32; Jo 7.37) e ao Espírito Santo (Jo 14.16,17,26; 16.8-11; Jo 15.26; At 5.31,32).

 Seus propósitos. A chamada divina para a salvação tem propósitos claros e específicos nas Escrituras. Fomos chamados por Deus: para sermos de Cristo (Rm 1.6; 1 Co 1.9); para a santificação (Rm 1.7; 1 Pe 1.15; 1 Ts 4.7; Hb 12.14b; Ef 1.4); para a liberdade (Gl 5.1,13); para a paz (1 Co 7.15; Lc 7.50; 8.48; Rm 5.1); para o sofrimento (Rm 8.17,18): e, para a glória (Rm 8.30). Estes propósitos auxiliam na compreensão do sentido do texto de Efésios 1.18, que recomenda que saibamos qual seja a esperança da nossa vocação.

O papel do Espírito Santo. Jesus, ao prometer o Consolador, fez menção de seu papel no mundo: Convencer o mundo do pecado (Jo 16.8-10). Embora a oportunidade de salvação seja para todos, uns se arrependem de seus pecados e aceitam a misericórdia de Deus em Cristo (At 2.37). Outros, no entanto, admitem a culpa mas não estão dispostos a confessá-la, tornando-se mais resistentes (Jo 1.10,11; At 13.46; 17.32; 2 Ts 1.8-10; Hb 3.7,8).

Ele também convence o mundo da justiça, mostrando que a cruz não representou o fim da trajetória de Cristo que, ressurreto, acha-se, agora, à direita de Deus; por Ele, todo homem pode viver como justo neste mundo (Fp 1.10,11; 2.15; Tt 1.8). O mesmo Espírito também convence o mundo do juízo vindouro, pois os que rejeitam a Cristo serão condenados, assim como o Diabo que já se encontra julgado (Mt 25.41; Jo 16.11).

 

 O LIVRE-ARBÍTRIO E A SOBERANIA DIVINA

 

 No Éden. Em Jó 42, a soberania de Deus excede qualquer vontade humana; mediante esta soberania, Ele nos concede o livre-arbítrio. O Deus soberano, criador de todas as coisas e regente supremo de todo o universo, decidiu dar-nos a capacidade de escolher entre a natureza santa e a pecaminosa. No próprio Éden, Deus concede a liberdade para o homem escolher entre o certo e o errado, entre a vida e a morte, entre a natureza divina e a natureza carnal (Gn 3.1-13; Dt 30.19).

 Escolhendo uma vida santa. Temos a capacidade de escolher em qual das duas naturezas desejamos viver: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade” (Gl 5.13). Quando escolhemos a natureza pecaminosa, inclinamo-nos à carne e às obras pecaminosas (Rm 8.6,7). Mas, ao decidirmos viver uma vida santa, voltamo-nos às coisas do Espírito (Rm 8.5,9,14), produzindo obras dignas de um verdadeiro filho de Deus (Rm 6.18,22; Gl 5.22).

O livre-arbítrio concedido por Deus não foi anulado pelos efeitos do pecado. Nós, os que decidimos por uma vida santa, estamos tanto sob a soberania de Deus quanto debaixo do livre-arbítrio concedido por Ele (Ap 3.20).

 

 A SALVAÇÃO

 

 É para todos, individualmente. O Novo Testamento apresenta a realização da nossa salvação como algo efetuado por Deus de forma pessoal e singular “...todo aquele que nele crê...” (Jo 3.16); “...aquele que vem...” (Jo 6.37); “...todo aquele que invocar...” (Rm 10.13); “...eu nele...” (Jo 15.5). Deus nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade (Ef 1.5).

A eleição divina foi feita com base em seu amor por todos os seres humanos (Jo 3.16; 1 Tm 2.3,4). O cuidado de Deus também é visto até mesmo para com os rebeldes (Ez 33.11). Pedro afirma que Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Isto afasta toda e qualquer possibilidade de a eleição ser fatalista, segundo a qual seria inútil tentar mudar o quadro da nossa vida futura.Nossa decisão pessoal de crer, ou não crer em Cristo, tem conseqüências eternas em nossa vida. Foram estas as palavras proferidas pelo Senhor Jesus: “quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16).

Os que não aceitam a Jesus como seu Salvador são os únicos responsáveis pelos seus atos, visto ser a vontade de Deus que todos os homens se salvem (2 Tm 2.3,4). O interesse de Jesus por todos é manifesto em sua pergunta, quando realçou claramente a dureza dos corações daqueles que o recusaram: “... não quereis vir a mim para terdes vida?” (Jo 5.40 cf. Mt 23.37). O evangelho é um presente de Deus para todas as pessoas, cabe a cada uma delas aceitá-lo ou não. Jesus convida a cada um, indistintamente: “Vinde a mim...” (Mt 11.28); “... Aquele que tem sede venha e quem quiser receba de graça da água da vida” (Ap 22.17).

 A regeneração. A regeneração é uma ação do Espírito Santo, mediante a qual Ele cria uma nova natureza no homem (Jo 3.3,6; Tt 3.5; 1 Pe 1.2,23 cf. Jr 31.33; Ez 36.25-27). Este ato milagroso ocorre simultaneamente à conversão a Cristo. Quando o ser humano morto em delitos e pecados, aceita a Cristo, é vivificado espiritualmente (Ef 2.1,5,6; Rm 7.6). Esta obra, além de vivificar o espírito, alcança cada parte da natureza humana (2 Co 5.17; 7.4,6; 1 Ts 5.23).

A regeneração é indispensável porque, sem Cristo, o pecador é incapaz de obedecer e agradar a Deus (Sl 51.5; 58.3; Rm 8.7,8; 5.12). Embora seja uma radical transformação operada por Deus em nosso interior, é necessário que estreitemos a cada dia o nosso relacionamento com Jesus, a fim de que cheguemos à medida da estatura completa de Cristo (Ef 1.13; 1 Pe 1.15).

 A justificação. Enquanto a regeneração modifica a natureza do crente; a justificação muda a posição dele diante de Deus. O sacrifício expiatório de Cristo no Calvário é a provisão divina para garantir ao homem a posição de justo diante de Deus (Rm 3.25; 5.9; Ef 2.13; 1 Pe 1.4,5). Uma vez regenerado, o homem, por meio da fé, é justificado gratuitamente mediante o preço pago por Jesus Cristo na cruz (1 Pe 2.18-23; Rm 3.22,24,25,28; 5.1,9).

Portanto, a justiça do crente não provém das obras da lei (Gl 2.21), mas da maravilhosa graça do Senhor: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Mediante a justificação, Deus absolve o pecador da condenação e declara-o justo perante Ele (Rm 8.30; 5.18).

O processo da santificação. Trata-se de uma obra progressiva realizada por Deus através do Espírito Santo. É um processo que se inicia com a conversão do crente, tornando-o santo, e que deve continuar por toda a vida (2 Co 3.18; 1 Ts 5.23; Hb 12.14).

Na santificação, o estado moral da pessoa é moldado de acordo com os padrões de Cristo (2 Co 3.18; Ef 4.12-14; 2 Pe 1.4). Neste processo, é indispensável a participação do homem (Fp 2.12; 1 Pe 1.16; Ap 2.10), visto que, com a vocação divina, somos chamados para cumprir a vontade de Deus (Rm 12.1,2; 1 Ts 4.3; 5.18; Hb 10.36; 1 Pe 2.15; 4.2; 1 Jo 2.17). Sem a santificação, jamais veremos o Senhor. 

O convite gracioso de Deus para a salvação é independente dos méritos pessoais do homem. É da vontade de Deus que, sem exceção, todos os homens se salvem. 

“O Verdadeiro Sentido da Doutrina da Predestinação.A palavra ‘predestinação’ procede do grego, ‘proorizo’, e aparece cerca de seis vezes nas páginas do Novo Testamento. Uma vez é traduzida por ‘ordenou antes’ (1 Co 2.7); outra, por ‘anteriormente determinado’ (At 4.28); e quatro, por ‘predestinar’ (Rm 8.29,30; Ef 1.5,11) . O termo significa ‘destinar por antecipação’. Vejamos o que, segundo a Bíblia, é determinado por antecipação.

 Fomos predestinados em Jesus. Deus predestinou, por antecipação, o plano da nossa salvação, isto é, o meio pelo qual devemos ser salvos. Em Efésios 1.5, está escrito: ‘Nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo’, isto é, Jesus foi dado como sacrifício pela expiação dos nossos pecados desde a eternidade. Assim a Bíblia diz que Jesus foi morto desde a fundação do mundo (cf. Ap 13.8; 1 Pe 1.20).

 Fomos predestinados para ‘filhos de adoção’ (Ef 1.5). Aqui observamos a finalidade da nossa salvação em Jesus — Deus predestinou que os pecadores fossem, por Jesus, feitos filhos de adoção. [...] A predestinação ‘para filhos de adoção’ (Ef 1.5) refere-se, de acordo com Efésios 1.11,12, a nós ‘os que primeiro esperamos em Cristo’. Está, dessa maneira, incontestavelmente definido que a predestinação diz respeito aos que esperam em Jesus como o meio da sua salvação, conforme a ‘esperança do evangelho’ (Cl 1.23), os quais serão agraciados com o dom gratuito da salvação (Ef 2.4-9).

 Predestinados para refletir Jesus. Deus também nos predestinou para sermos ‘conforme a imagem de seu Filho’ (Rm 8.29). Essa palavra nos revela o alvo que devemos alcançar por meio da salvação. Deus deseja que todos os que aceitam a Jesus como Salvador sejam transformados à imagem de seu Filho, o qual é a expressa imagem de Deus (Hb 1.3). [...] Assim, Jesus foi predeterminado por Deus para ser o modelo, a fim de que muitos irmãos, por meio dEle, alcancem a imagem, cuja semelhança Deus, no princípio, criou o homem (Gn 1.27).

Deus espera que cada homem defina sua posição quanto ao meio de salvação que Ele predestinou.

a) Aquele que aceita a Jesus fica grandemente enriquecido, pois é salvo porque aceitou a Jesus, o meio predestinado por Deus (Ef 1.5) conforme o seu propósito (Ef 1.11); é adotado por filho (Ef 1.5); a graça de Deus opera nele, para que alcance a imagem de filho de Deus (Rm 8.29,30).b) Aquele, porém, que não aceita a Jesus, está perdido (Mc 16.16; Jo 3.18,19), não porque não estivesse incluído na predestinação de Deus, mas porque não aceitou o único meio da salvação que Deus oferece (Mt 23.37; Jo 5.40; Mt 22.3; Lc 14.17-24; 19.44; Is 50.2).

Aafirmação doutrinária que diz ser a predestinação algo que determine a salvação para alguns e a perdição para outros previamente determinados não tem apoio na Bíblia [...]” (BERGSTÉN, E. Introdução à Teologia Sistemática. RJ: CPAD, 1999, p.184-7). 

 

                 A eleição e o futuro de Israel cap 11

 

O texto da Leitura Bíblica está dividido em três tópicos: Deus não rejeitou o seu povo (vv.1-10); a queda de Israel é transitória (vv.11-24); o futuro glorioso de Israel (vv.25-32). Estes são sustentados por duas contestações presentes nos versículos 1 e 11.

Na sentença, “Deus não abandonou o seu povo”, o argumento é mantido por duas interrogações (vv.1,7). Na primeira, Paulo é enfático ao afirmar que a eleição do remanescente fiel, da qual ele faz parte, não se fundamenta na obra destes, mas na “eleição da graça” (v.5). Na segunda (v.7), discursa a respeito da descrença parcial da nação.Na afirmação dos versículos 11-24, Paulo expõe que a queda de Israel não foi para a destruição da nação, mas para a plenitude da mesma. E, se na queda do povo judeu, os gentios foram salvos, quanto mais na sua restauração. 

Deus prometeu abençoar os povos gentios por meio de Abraão e de sua descendência (Gl 3.8). A vinda do Messias, Jesus Cristo, é o principal cumprimento dessa promessa (Gl 3.16). Ele trouxe o evangelho, que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu e também do grego (Rm 1.16).Embora os judeus tenham rejeitado a Cristo (Jo 1.11), o pacto de Deus para com Israel permanece: “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Rm 11.29). Este é o tema que estudaremos nesta lição.

 

 A ELEIÇÃO DE ISRAEL

 

Em sua soberania, quis Deus para Si um povo que o amasse em espírito e em verdade (Jo 4.24). Assim, resolveu, através de Abraão, fazer uma grande nação, com todas as características das demais: terra (Gn 15.7; 17.8), povo (Gn 12.2; 15.4,5; 17.1,2) e governo (Êx 19.6).

Deus constituiu um povo para que fosse a sua testemunha às nações (Gn 12.2-4; 22.18; At 13.46,47). Uma nação eleita por meio da qual pudesse enviar o Salvador do mundo (Gn 3.15; Jo 4.22) e confiar a Palavra, a fim de que esta fosse preservada para todos os povos em todas as gerações (Rm 9.4,5).

 A chamada de Abraão. Deus celebrou com Abraão uma aliança eterna (Gn 12.1-3; 15.12-21), concedendo-lhe a honra de ser o pai de todos os crentes (Is 51.1,2; Gl 3.8; Lc 19.8-10). A Bíblia afirma que o patriarca guardou fielmente os preceitos e leis divinas (Gn 26.5). Sendo ele amigo de Deus, recebeu a visita do Senhor durante as suas peregrinações (Gn 15.1; 18.1; Tg 2.23).

A disposição de Deus em apresentar-se de forma especial a Abraão retrata a importância da eleição do povo de Israel. Mas isto exigia confiança na Palavra de Deus (Gn 15.1-6; 18.10-14) e obediência à ordem divina, para que o patriarca deixasse a terra de sua parentela (Gn 12.4), passando a viver na Terra da Promessa de maneira reta e justa (Gn 17.1,2).

O descaso de Israel. Israel, como nação eleita e separada pelo Senhor, não foi zeloso e fiel em cumprir o mandato que recebera de Deus. Por essa razão, os profetas condenaram-lhe a ingratidão e a deslealdade (Jr 16.10-12).

Os israelitas, apesar do clamor dos profetas, acabaram por repudiar suas obrigações em relação à aliança divina (Êx 19.5,6; 32.1-25).

Os profetas não hesitaram em ministrar o imutável amor de Deus para com Israel, objetivando levar os fiéis a cumprirem os propósitos divinos (Jr 31.3; Os 11.1-4). Os que aceitavam voluntariamente as condições da aliança usufruíam dos benefícios divinos (Dt 5.1-3; 30.11-20).

O pacto divino não foi anulado. Na Epístola aos Gálatas, Paulo demonstra que a igreja cristã teve sua origem na vocação de Abraão (Gl 3.6-9). O vínculo pactual entre Deus e Israel permanece. Logo, tanto para os gentios como para Israel, o único caminho para a salvação é a fé em Cristo (Gl 3.11-29).

No capítulo 10 de Romanos, Paulo explica, minuciosamente, que a salvação não depende das obras, mas da fé em Cristo (Gl 3.8,9). Deus, em sua vontade soberana, franqueou a salvação a todos os homens: “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Jl 2.32 cf. At 2.21; 10.34-36).Por conseguinte, não basta apenas o chamado de Deus para que o ser humano seja salvo; é necessário que este responda positivamente à vocação divina (Rm 10.10-17).

 

 DEUS NÃO REJEITOU SEU POVO

 

Deus rejeitou o seu povo? Paulo responde a esta pergunta com uma negação contundente. Apesar de toda a incredulidade e apostasia de Israel, havia um remanescente fiel que, à semelhança dos sete mil que não dobraram os seus joelhos diante de Baal no tempo de Elias, conservava piedosa e firmemente os termos da aliança. Desse remanescente, o próprio Paulo fazia parte, bem como os israelitas que aceitam a fé em Cristo: “Digo, pois: porventura, rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum! Porque também eu sou israelita, da descendência de Benjamim” (Rm 11.1).

 Um plano especial de Deus. Ao falar sobre o endurecimento de Israel, Paulo continua mostrando o propósito de Deus em relação ao seu povo. Embora os israelitas hajam tropeçado e caído, não se pode dizer que esta queda impedirá a concretização dos propósitos de Deus concernentes ao seu povo: “Digo, pois: porventura, tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua queda, veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação” (11.11,17,18,24,33).

 A graça divina. A conversão de judeus na época de Paulo não era produto das obras da lei, mas fruto da graça divina recebida mediante a fé (cf. Rm 3.28; Ef 2.8,9).

Aqueles que rejeitam a graça de Deus, sejam eles judeus, sejam gentios, não alcançarão a salvação em Jesus (Rm 9.31-33; Ef 2.8,9).

Um Deus misericordioso. Acerca da salvação de Israel, Paulo mostra a inter-relação entre judeus e gentios (Rm 10.11,12,19-21; 11.11,12,15).

A queda de Israel trouxe a redenção para os gentios (Rm 9.25,26; 11.7-12,23-26). Por outro lado, a misericórdia divina, demonstrada a estes, trará a compaixão de Deus aos filhos de Abraão (Rm 11.30,31; 9.27).Devemos entender que o endurecimento de Israel é temporário: “até que a plenitude dos gentios haja entrado” (v.25 cf. Is 59.20,21).

 

. O FUTURO GLORIOSO DE ISRAEL

 

O retorno de Israel ao Senhor é certo (Zc 12.7-10; Rm 11.26). Paulo recorre às profecias para confirmar a declaração de que todo o Israel será salvo (Rm 11.26,27; cf. Is 59.20,21). Isto ocorrerá quando se “completar o tempo dos gentios” no final da Grande Tribulação (Jr 30.7; Ez 20.34-38; Jo 19.37).

Israel verá a Jesus como o Messias e se arrependerá por havê-lo rejeitado (Jo 1.11; Lc 13.34). Nesse período, os israelitas, como ramos naturais, serão enxertados na própria oliveira, que é Cristo. E, assim, os descendentes de Abraão receberão novamente a plenitude das bênçãos divinas (Zc 2.10).

A revelação do plano divino da salvação levou o apóstolo a adorar a Deus. Paulo reconhece o controle providencial de Deus na história da salvação e da justificação através de Cristo (Rm 10.33-36). 

Quanto à eleição, a aliança divina concernente a Israel é imutável. Deus, em sua soberania, escolheu a Israel dentre todos os povos e fez-lhe promessas por meio de seus patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó (Gn 12.1-3; 15.1-21; 17.1-22).Da mesma maneira que Deus cumpriu e cumprirá suas promessas a Israel, assim também tem feito e o fará com a sua Igreja. 

 “A Doutrina da Salvação em relação a Israel.Os capítulos 9, 10 e 11 formam um parêntese dentro da seqüência doutrinária, quando o apóstolo Paulo confronta a ‘sorte de Israel’ no plano da salvação. Esses capítulos formam uma trilogia especial.

a) O capítulo 9 trata da soberania divina para com Israel, focalizando a eleição da nação israelita como ‘povo escolhido de Deus’ e girando em torno do passado. O capítulo 10 trata da responsabilidade humana de Israel e focaliza a sua rejeição no presente. O capítulo 11 apresenta a bênção salvadora para Israel, como resultado da misericórdia de Deus.

b) No capítulo 9, as promessas de Deus são para os fiéis, mediante a fé nEle, e não a conformidade exterior à lei. No capítulo 10, Paulo destaca que é impossível escapar da culpa do pecado. Portanto, recusar a obra expiatória de Jesus é transgressão total e indesculpável. No capítulo 11, a salvação provida por Deus através de Jesus, seu Filho, é privilégio de judeus e gentios.

c) [...] No capítulo 9, ele mostra que Deus em sua eterna soberania tinha total liberdade de rejeitar Israel, mas só o fez porque Israel rejeitou o plano divino. No capítulo 10, Paulo mostra que, uma vez que os judeus rejeitaram o novo plano divino, não tinham condições de questionarem a rejeição da parte de Deus. Já no capítulo 11, a rejeição tem um sentido parcial e temporal, visto que os propósitos divinos não se limitam a um mero julgamento exterior, mas são propósitos mais profundos e espirituais” (CABRAL, E. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. RJ: CPAD, 2003, pp.103-4,118). 

 

                    Fidelidade no uso dos dons cap 12 

 

A Epístola aos Romanos divide-se em dois principais blocos. No primeiro, a ênfase está no ensino das doutrinas (1-11). O segundo é exortativo e se estende do capítulo 12 ao 16. Temos, portanto, duas características singulares: o ensino e a prática cristã. Nos 315 versículos, distribuídos pelos onze capítulos, o apóstolo ministrou à igreja sobre os profundos mistérios salvíficos da doutrina cristã (11.25). Agora, nesta nova seção, discursa a respeito da prática, devoção e responsabilidades da pessoa justificada. O tema condutor do primeiro era “a justiça divina”, mas nesta última, a ética, os dons e o amor procedentes da justificação. Por conseguinte, pretende ser mais prática do que teórica, mais exortativa do que explicativa. Se na primeira seção, Paulo descreveu a doutrina da graça de Deus, nesta, os atos que se esperam de quem vive na graça. 

 “Rogo-vos”. Este termo no original significa, “eu os exorto” (12.1), isto é, “os encorajo ou admoesto”. O apelo à “compaixão de Deus” conforma-se ao caráter litúrgico da passagem. Os versículos 1 e 2 apresentam termos que lembram os sacrifícios do Antigo Testamento: “apresentar” (o altar), “sacrifício” (a vítima), “culto” (o serviço), “perfeito” (a qualidade). No entanto, diferencia-se deste em razão de ser vivo e racional — dois elementos não encontrados no animal utilizado no sacrifício na Antiga Aliança. O “culto racional” é aquele que procede da plena consciência de que, uma vez livres do pecado pela graça, devemos nos oferecer voluntariamente como sacrifício espiritual, santo e agradável a Deus como demonstração da operação da graça divina em nossas vidas. O crente é chamado para ser “conforme” à imagem de Cristo (Rm 8.29), portanto, não pode se “conformar” ou seguir o modelo do mundo (v.2). Pelo contrário, viver a vida cristã renovada segundo a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Esta nova vida requer o uso diligente dos dons espirituais concedidos aos crentes.

Todo serviço no Reino de Deus deve ser feito à base de verdadeira fé. É o Senhor que habilita o crente, mediante dotação especial, a realizar sua obra da melhor maneira possível. É dele que provém toda a ciência, capacidade e dons ministeriais e espirituais. Por isso, não podemos fazer a obra de Deus com espírito de competição. O único objetivo do nosso labor deve ser o desenvolvimento e o bem-estar do corpo de Cristo.

 

 UM APELO À CONSAGRAÇÃO PESSOAL

 

Antes de tratar de alguns dons especiais concedidos pelo Espírito Santo, e de falar sobre o corpo de Cristo, o apóstolo Paulo rogou aos irmãos de Roma que consagrassem suas vidas a Deus, a fim de conhecerem, por experiência, a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Segundo o apóstolo, esta é a única forma de sermos o que Ele quer que sejamos e de fazermos o que deseja que façamos. É justamente esta entrega total como “sacrifício vivo”, este ato de adoração incondicional, que torna o cristão capaz de ser usado plenamente por Deus.

Um apelo à consagração. “Rogo-vos, pois, irmãos” (v.1). Rogar é suplicar, apelar com intenso desejo de alcançar alguma coisa. Paulo rogou aos crentes de Roma, em nome da compaixão divina, que apresentassem seus corpos em “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”, isto é, que se separassem completamente das coisas mundanas e se dedicassem integralmente a Deus e ao seu serviço.

Nesta passagem, Paulo faz-nos um apelo à consagração total. E esta consagração envolve dois atos distintos: o de Deus e o nosso. O nosso é apresentar-nos; o de Deus é tornar-nos capazes de pôr em prática a sua vontade.

Um apelo à humildade. Ao realizarmos a obra de Deus, não devemos fazê-lo por nossa própria sabedoria, mas conforme a medida da fé que é concedida por Deus. Paulo exorta os irmãos romanos a não terem de si mesmos um conceito acima do que se deve. Consideremos, pois, as verdades abaixo:

a) Há sempre a tentação da superestimação da própria importância. É bom notar que Paulo dirigia-se a uma comunidade que estava em Cristo.

b) Não se deve esquecer de que Deus concedeu a cada crente uma certa “medida” de fé. Não devemos nos estribar no próprio conhecimento, mas, com temperança buscar somente o que convém.

c) Somente os que discernem a vontade de Deus e se rendem integralmente a Ele conseguem identificar sua real posição no corpo de Cristo.

d) É imprescindível ao cristão ter uma idéia correta de si mesmo para integrar-se perfeitamente ao corpo de Cristo.

 

 A IGREJA COMO O CORPO DE CRISTO

 

O apóstolo Paulo utilizou-se da figura do corpo humano para demonstrar a função de cada membro do corpo de Cristo na administração dos dons.

 Um só corpo em Cristo. Cada membro tem sua função, específica a desempenhar e, contudo, num corpo sadio, todas as partes funcionam harmoniosa e independentemente para o bem do todo, assim deve ser na igreja (Ef 1.22,23).

A união de cada membro tem de ser justa e perfeita (1 Co 12.12). Não pode haver desunião nem diferenças entre os irmãos, pois Deus colocou “cada um deles como quis”. Quando um membro sofre, todos padecem com ele! (1 Co 12.25,26).

O valor de cada membro é medido pela contribuição que dá ao bom funcionamento do corpo inteiro (1 Co 12.21-23). Qualquer atividade dentro da igreja só terá valor se estiver relacionada com o todo. O trabalho do corpo como um todo é o que importa!

Diferentes membros, diferentes funções. Somos diversos membros com distintas funções no corpo. Sendo Deus quem confere dons especiais aos crentes (1 Co 12.4-11), cada qual deverá exercer seu trabalho com o único objetivo de enaltecer a Cristo, que é a cabeça do corpo, e não a si mesmo.

Portanto, se somos mãos, pés, ouvidos, boca, etc, Cristo realiza sua obra através de nós. Para isso fomos comissionados. Aleluia! (Mt 28.19,20).

 

 O USO DOS DONS

 

O apóstolo Paulo não teve a finalidade de listar ou classificar os dons. Ele apenas preocupou-se com o uso destes, entre muitos outros, que podem trazer conforto, unidade e crescimento para a igreja.

Profecia. A profecia é um dos dons verbais colocados à disposição dos santos com o propósito de exortar, edificar e consolar a igreja. Ela é concedida ao crente pelo Espírito Santo, de forma direta e imediata, a fim de trazer à luz a verdade divina. Este dom deve ser exercido segundo a medida da fé (v.6); isto é: o poder espiritual dado a cada crente para o desempenho de sua responsabilidade específica. Há dois pontos que devem ser considerados:

a) O crente que profetiza tem de saber perfeitamente quando está indo além do que lhe foi dado, e deve estar consciente de sua responsabilidade de entregar somente o que Deus lhe autorizou. É necessário que o servo de Deus esteja totalmente sob o controle do Espírito de Deus.

b) O crente que profetiza tem de saber que toda a profecia deve ser julgada, provada (1 Co 14.29; 1 Ts 5.19-21) Toda verdade concedida pelo Espírito Santo é coerente e não se contradiz. Sendo assim, qualquer profecia, para ser aceita, deve ser submetida ao padrão estabelecido pela Profecia Escrita, a Palavra de Deus (Gl 1.8; 1 Jo 2.20,27; 4.1-3).

Serviço. É a disposição, ou capacidade, concedida por Deus, para o crente servir e prestar assistência prática aos membros e aos líderes da igreja. Este dom se manifesta em toda forma de ajuda que os cristãos possam prestar uns aos outros, em nome de Jesus. Os que possuem este dom têm prazer em ministrar aos santos as coisas materiais que lhes são necessárias. O dom do serviço, como qualquer outro, é essencial para o bom funcionamento do corpo de Cristo. Quem o tem deve exercê-lo empregando toda a sua energia, no temor do Senhor.

Ensino. Diferente da profecia, que é de inspiração direta e imediata (1 Co 14.30), o ensino é resultado da preparação do mestre. Ele é exortado a estudar, a ler, a meditar na Palavra de Deus (1 Tm 4.14-16). Quem ensina recebe de Deus uma capacidade especial para expor e esclarecer as Escrituras com poder e eficiência, a fim de edificar o corpo de Cristo.

Exortação. Há uma diferença fundamental entre exortar e ensinar. O ensino tem por objetivo transmitir o conhecimento, lidar com o intelecto, a mente. A exortação toca no coração e atinge a consciência e a vontade de quem está sendo exortado, de modo que a sua fé é estimulada. O crente passa a ter um maior compromisso com o Reino de Deus. Na exortação, as verdades ensinadas são aplicadas imediatamente à vida cristã. Quem tem o dom de exortar não é necessariamente um mestre, embora possa sê-lo (At 11.23).

 Repartir. Há pessoas especialmente capacitadas por Deus para dar, repartir com os que não têm. Estas devem fazê-lo com simplicidade, lembrando-se das palavras do Mestre: “não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita” (Mt 6.1-4).

Governo. É o dom de exercer governo ou presidir, de alguma forma, na Igreja. É a tarefa de cuidar do povo e dos bens do Reino (Hb 13.7; 1 Tm 5.17; 1 Ts 5.12,13). Aos que têm este dom, o apóstolo Pedro diz: “apascentai com cuidado, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto, nem como tendo domínio sobre o rebanho de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1 Pe 5.2-4).

Misericórdia. É o dom de ministrar e prestar ajuda aos necessitados e aflitos. Este dom deve ser posto em prática com todo o coração, bom ânimo e entusiasmo. Aquele que tem este dom comunica todo o amor divino aos angustiados. 

Que dom recebeu você de Cristo? Você o tem exercido com amor e piedade? Ou já o enterrou de forma egoísta? No Reino de Deus, há importantes obras a serem executadas. Por isso, é de fundamental importância exercermos os dons que o Espírito Santo tem nos concedido, a fim de que o Reino se expanda até aos confins da Terra. Que Deus nos ajude nesta tão gloriosa tarefa! 

 “Os dons individuais (12.6-8).Antes de examinar os dons individualmente, devemos enfatizar que para cada dom o ponto é o mesmo: Se você tem um, use-o. E por isso que a lista de dons é incompleta — de fato, nenhuma lista de dons feita por Paulo é exaustiva (1 Co 12.8-10,28; Ef 4.11). Embora a passagem diante de nós apresente algumas explicações sobre como esses dons devem ser usados, o propósito primário de Paulo é motivação, não instrução. Isso não é incomum. Paulo não define os vários dons em nenhuma das passagens onde ele os alista. Ele presume um entendimento comum por parte da audiência sobre a natureza desses dons, os quais eles teriam recebido por ensino e por observância dos dons em ação. A exceção — isto é, a extensa discussão sobre a natureza de profecia e línguas em 1 Coríntios 14 — não é uma tentativa de apresentar e definir esses dois dons, mas corrigir a percepção dos coríntios e o uso destes.

A lista de sete dons está dividida em duas partes pela estrutura gramatical da passagem que muda abruptamente com o quarto dom. Para cada um dos primeiros três dons, a frase na qual eles aparecem começa com ‘se’; os últimos quatro começam com ‘o que’” (Van Johnson. Romanos. In ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. Comentário Bíblico Pentecostal. RJ: 

 

                                  O cristão e o Estado cap 13

 

 Paulo ensina a igreja em Roma como o crente deve comportar-se diante das autoridades constituídas. As autoridades romanas e judaicas nem sempre se mostraram tolerantes com os cristãos, suscitando, vez por outras, graves perseguições. No entanto, o apóstolo admoesta a igreja, principalmente àquele que se considerava cidadão dos céus, a não insurgir-se contra o Estado. É possível que os antinomianos pensassem que em razão de ter alcançado a liberdade em Cristo, não precisam submeter-se à autoridade civil. Paulo, temendo a anarquia resultante de tal equívoco, procura dissuadi-los. Entretanto, devemos ressaltar que o texto não trata a respeito da legitimidade ou não do governo instituído, mas da submissão e o respeito devido às autoridades. 

O argumento de Paulo, concernente às responsabilidades civis do cristão, fundamenta-se em três princípios básicos: teológico (v.1); consciência (v.5) e deveres cívicos (vv.6,7). No teológico, o apóstolo declara que a razão pela qual todo homem deve estar sujeito às autoridades é porque o governo instituído procede de Deus. Logo, opor-se à autoridade é resistir à ordenação do Altíssimo (vv.1,2). No segundo princípio, o cristão é admoestado a obedecer ao governo civil, não por medo do castigo, mas por questão de consciência (v.5). Isto significa que a motivação cristã à obediência ao governo, não está no medo suscitado pela penalidade à infração cometida (v.3), mas pela aceitação interna e convicta de que se trata do cumprimento da vontade de Deus (vv.4,5). Por fim, os deveres cívicos do cristão são contemplados como obrigação moral e obediência irrestrita à vontade de Deus (v.6). A submissão às leis, inclui o pagamento de tributos e impostos, bem como o devido emprego das expressões honoríficas (de honra) e o respeito nobiliárquico (estudo das origens e tradições) (v.7).

 1) As autoridades civis devem reconhecer a origem de seu poder, para governarem em conformidade com a justiça e no temor de Deus. Porque se assim não agirem, sofrerão um severo julgamento.

2) As pessoas sujeitas ao governo civil devem obedecer ao mesmo como se estivessem obedecendo ao próprio Deus, reconhecendo que a autoridade que possuem lhe foi concedida por Deus. Assim, quem obedece aos governantes humanos, naquilo que é justo, obedece, ao mesmo tempo, a Deus.

Depois de apresentar aos romanos a maravilhosa doutrina da salvação, Paulo põe-se a explicar-lhes o que ela significa na vida prática do crente. Em primeiro lugar, discorre sobre a nossa relação com Deus (12.1,2); em seguida, acerca de nosso relacionamento com os irmãos (12.3-16); depois, com a sociedade e até com os que nos odeiam (12.17-21). Por último, trata de nossa relação com os governos humanos (13.1-7). A Bíblia, por conseguinte, engloba todas as relações humanas, inclusive com os poderes constituídos.

Paulo afirma que o evangelho não é algo apenas para se crer, mas também para se praticar. O cristianismo é uma prática de vida. Nesta lição, veremos o que a Bíblia diz acerca de nosso relacionamento com as autoridades humanas responsáveis pelo funcionamento do Estado.

 

EMBORA CIDADÃOS DOS CEUS, VIVEMOS NO MUNDO

 

Os cidadãos dos céus num mundo corrupto. O Novo Testamento descreve o Estado como um instrumento de Deus para promover a justiça e a ordem. Quanto a nós, embora não sejamos espiritualmente deste mundo (Jo 17.14), temos por obrigação orar pelas autoridades, a fim de que possam desincumbir-se das tarefas que Deus lhes confiou. Deste modo, poderemos viver de modo tranqüilo e sem sobressaltos (1 Tm 2.1,2).

Não resta dúvida de que somos peregrinos neste mundo e cidadãos dos céus (Fp 3.20). Mas, por haverem interpretado erradamente o seu papel como servos do Rei dos reis e Senhor dos Senhores, alguns irmãos em Roma não mais queriam arcar com as suas obrigações em relação ao Estado. Muitos ainda hoje pensam desta forma: já que somos espirituais, não precisamos preocupar-nos com as leis e obrigações comuns a todos os cidadãos. No entanto, a Bíblia exige que sejamos bons cidadãos e cumpramos rigorosamente as leis, desde que estas não contrariem a Palavra de Deus (At 5.29).

Alguns cristãos pensam que não devem interessar-se por coisas que não sejam especificamente bíblicas: saúde pública, trânsito, economia, etc. Todavia, diante das leis terrenas, todos temos direitos e obrigações. Tanto os crentes quanto os incrédulos são igualmente responsáveis pela promoção do bem comum.

Jesus ordenou: “Dai, pois, a César o que é de César” (Mt 22.21). Paulo também é categórico ao ensinar: os que governam a nação são enviados por Deus para assumir tal responsabilidade. As autoridades, pois, não foram constituídas para causar terror às pessoas que vivem de modo honrado e digno (Rm 13.6,7). As epístolas pastorais, aliás, exortam-nos a orar pelos reis e pelas demais autoridades (1 Tm 2.2).

 A função do Estado. Depois da queda de Adão e Eva, o homem tornou-se avesso às leis, passando a comportar-se de maneira cruel, vil e egoísta. Manter a humanidade caída dentro da lei é uma necessidade básica para a promoção e manutenção da ordem pública. Foi por isto que Deus constituiu o Estado: promover a ordem através da observância das leis, para que todos tenham uma vida sossegada (1 Tm 2.1,2).

Antes de continuarmos, vejamos o que é o Estado. É a nação política e juridicamente organizada. Ou seja: é o país governado de acordo com as leis que todos, sem exceção, são obrigados a observar, visando a promoção do bem comum.

A atuação das autoridades concentra-se em dois pólos: o castigo dos malfeitores e o louvor dos que praticam o bem. De acordo com as palavras de Pedro, o Estado deve agir tanto punindo os maus como promovendo o bem comum. Os crentes devem cooperar com as autoridades, mostrando, através de um testemunho digno, serem de fato filhos de Deus (1 Pe 2.13-15).

 

 POR QUE DEVEMOS NOS SUJEITAR ÀS AUTORIDADES

 

Porque as autoridades foram ordenadas por Deus. Paulo mostra que Deus não somente constituiu como mantém as autoridades humanas. No Antigo Testamento, há várias declarações a respeito da soberania divina (2 Sm 12.7,8; Jr 27.5-7; Dn 2.21; 4.17,32; 5.21).

O próprio Jesus fez alusão a isto (Jo 19.11). Assim, temos certeza de que não há poder independente de Deus. Governo, lei e ordem são evidências da intervenção divina na vida e na história da humanidade. Ele é soberano; está no comando de tudo.

Quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus. Resistir é “opor-se a”. O que resiste à autoridade está em oposição ao próprio Deus. Esta pessoa trará sobre si a condenação e o justo juízo.

 

 O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE O ESTADO

 

 A sujeição às autoridades. “Toda a alma esteja sujeita...”. É uma ordem dirigida a todos sem qualquer exceção. Em 1 Pe 2.13, sujeitar-se significa “colocar-se debaixo de”, “submeter-se”. Significa ainda que devemos, voluntariamente, obedecer às autoridades constituídas. Essa sujeição, contudo, não implica obediência cega. É uma atitude de reconhecimento das pessoas que ocupam posição de comando numa sociedade juridicamente organizada.

O cristão não está sujeito às autoridades por medo, como acontece com os malfeitores, mas devido à sua consciência moldada na Palavra de Deus (Rm 13.5). Ele vê a necessidade de lei e de ordem em conseqüência do pecado. No entanto, como veremos, esta sujeição tem limites.

Deus e o Estado. A Bíblia deixa claro: se o Estado colocar-se entre o cristão e a sua relação com Deus, devemos optar por obedecer a Deus, cuja soberania é inquestionável (At 4.18-20; 5.28,29). Pois as autoridades humanas foram designadas por Ele para o cumprimento de sua vontade.

Portanto, devemos sujeitar-nos às autoridades enquanto estas não se puserem entre nós e a nossa lealdade a Deus e aos seus mandamentos. Acima de qualquer autoridade está Jesus Cristo — Ele é o Rei dos reis e Senhor dos Senhores. O cristão não se submete à autoridade por causa dela em si, mas por ser filho de Deus e por observar as Sagradas Escrituras.

O Estado e os irmãos na fé. Sendo nós cidadãos dos céus, é inadmissível as dissensões em nosso meio, principalmente motivadas por questões políticas. É natural que existam divergências políticas: somos pessoas diferentes, com opiniões diferentes. Mas estas opiniões não podem, jamais, prejudicar a comunhão cristã. Que estas questões, pois, não sejam levadas para a comunidade dos santos; que elas fiquem no âmbito das relações terrenas.

Nossas obrigações em relação ao Estado. A Igreja, como corpo de Cristo, não está sob o domínio do Estado. Mas como cidadãos, todos temos obrigações para com este. A expressão “a quem tributo, tributo; a quem honra, honra” (Rm 13.7) é um imperativo a ser considerado por todos os cidadãos, inclusive pelos crentes.

Obrigações políticas. Uma vez que o nosso país é governado por um regime democrático, é dever de todo o cidadão cumprir o seu papel, exercendo o direito de escolha de seus representantes e governantes. Contudo, procure sempre optar por aquele que se acha comprometido com a promoção do bem comum. O comércio de votos é uma afronta à democracia e um grave pecado diante de Deus.

Obrigações contributivas. Pagar impostos é um dever de todo o cidadão. Como cristãos, devemos pagar os impostos ao Estado em obediência às leis governamentais, sabendo que, com esta atitude, estamos obedecendo à orientação de Jesus: “Dai, pois, a César o que é de César...” (Lc 20.25). 

No Sermão da Montanha, Jesus realçou o dever de sermos luz do mundo e sal da terra, a fim de que o nome de Deus seja glorificado diante dos homens. O cumprimento de nossos deveres para com o Estado demonstra a qualidade de nossa vida cristã, engrandece o nome do Senhor e nos torna partícipes da manutenção da ordem pública e da promoção do bem comum. 

“O que a Igreja pode sofrer com os maus políticos.A Igreja poderá sofrer grandemente com a ação de homens ímpios. Há no Congresso projeto de lei propondo a ‘união civil entre pessoas do mesmo sexo’, que nada mais é a legalização pura e simples do homossexualismo, considerado, na Bíblia, um pecado gravíssimo, ‘uma abominação ao Senhor’ (Lv 18.22,23; Rm 2.24-28). Recentemente, outro projeto legalizando o aborto, já foi apresentado. Em breve poderão vir projetos, legalizando a eutanásia, a clonagem, o jogo do bicho, os cassinos, e a maconha, alem de outros que destroem a dignidade humana. Quem faz as leis? Os pastores? Os evangelistas? Os missionários? Não! São aqueles que são eleitos, inclusive com o voto dos cristãos. Portanto, é tempo de despertar. De agir com santidade, mas sem ingenuidade.

[...] No texto de Romanos 13.1-4, vemos que a Bíblia considera legitimo o exercício da autoridade humana, acentuando o papel das ‘autoridades superiores’. Aqui não se tratam de anjos ou arcanjos, mas de autoridades constituídas legalmente. Entre essas, sem dúvida, inserem-se as autoridades políticas, detentoras de mandato representativo. São elas que fazem as leis que têm influência sobre toda a sociedade, na qual está incluída a igreja cristã.[...] É por demais eloqüente a afirmação de Jesus, perante Pilatos, quando o governador diz que tinha poder para mandar prendê-lo ou soltá-lo. De modo claro, o Senhor afirmou que o poder político que o governador tinha, ele o recebera ‘de cima’, ou seja, dos céus.” (LIMA, E. R. Ética Cristã. RJ: CPAD, 2002, pp.204-5,208). 

 

                    Vivendo como salvos cap 13 

 

O discernimento do “kairos” divino ou do tempo que Deus determinou para a nossa salvação, impele-nos a vivermos como salvos: “porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nos do que quando aceitamos a fé... Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz” (vv.11,12). Professor, atente para o modo dos verbos: rejeitar, vestir, andar e revestir nos versículos 12 a 14, todos estão no imperativo. O modo imperativo exprime uma atitude de ordem, solicitação, convite ou conselho. Portanto, viver como salvo neste século perverso implica em ações que contemplem a santidade, a ética, o caráter e a moral cristã, de acordo com o exemplo de Cristo (v.14). 

O texto da Leitura Bíblica em Classe, conclui as exortações tratadas nos capítulos 12 e 13 de Romanos por meio de dois parágrafos: vv.8-10 e 11-14. O primeiro, sintetiza todas as exigências éticas expostas no Decálogo (Êx 20.13-17), na lei do ágapeou do amor. Paulo segue e mantém a tradição judaico-cristã que resume os valores éticos e morais em relação ao outro, no imperativo “amar o próximo como a si mesmo” (Lv 10.18: Mt 22.35-40; Gl 5.14). Observe que o termo grego “agápe” ou amor é a palavra-chave, presente no início e final da primeira divisão (vv.8,10). No segundo, Paulo exorta a igreja ao discernimento do “kairos”, isto é, do tempo da salvação, da aproximação escatológica: “A noite é passada, e o dia e chegado” (v.12 cf. 1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.15-17). No entanto, a percepção cronológica do fim transforma-se em ações santas e no completo revestimento do caráter de Cristo (vv.12-14). Por fim, cabe aqui lembrar, do profundo impacto que o versículo treze causou na vida de Agostinho. 

Paulo cita cinco mandamentos do Decálogo e diz que estão todos resumidos numa única lei: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (v.9). Peça aos alunos para que reflitam por alguns instantes sobre cada lei mencionada por Paulo. A seguir, solicite que mostrem como o cumprimento da lei do amor produz obediência a cada uma das outras leis. 

No texto de Romanos 13.8-14, o cristão é exortado a viver de modo digno diante de Deus e dos homens (Ef 4.1-3; Cl 1.10; 1 Ts 2.12). Ele também é impelido a uma vida santa, tendo em vista o iminente retorno do Senhor e o glorioso futuro que o aguarda (vv.11-14). A Leitura Bíblica de nossa lição, portanto, divide-se em duas seções principais: exortação ao amor fraternal (vv.8-10) e exortação á esperança do retorno de Cristo (vv.11-14).

 

 

O AMOR CRISTÃO

 

A essência do Cristianismo é o amor (Rm 13.8-10; 1 Co 13). Isto foi declarado pelo Senhor ao ser inquirido por um doutor da lei (Lc 10.25-27), e ao dar as últimas instruções aos discípulos (Jo 13.34,35). O apóstolo João afirma: “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é caridade” (1 Jo 4.8). Entretanto, todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.

 O amor ao próximo. Quando interrogado sobre quem é o nosso próximo, Jesus proferiu a parábola do Bom Samaritano, esclarecendo que o próximo pode ser qualquer pessoa que necessite de nosso amor (Lc 10.25-37; Mt 5.44).

A ordenança de Jesus, portanto, ultrapassa o limite de ajudar apenas os nossos amigos ou admiradores; devemos amar também os que nos maltratam (Mt 5.43-48). Somente assim poderemos demonstrar que, realmente, somos filhos de Deus (Mt 5.45).

Assim como Ele nos amou, quando éramos por natureza filhos da ira (Rm 5.8,10), devemos amar os que nos perseguem (Lc 6.27,28). Escreve o apóstolo: “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça” (Rm 12.20).

O amor que procede do Espírito. A Bíblia afirma que antes de conhecermos a Cristo, éramos “odiosos, odiando-nos uns aos outros” (Tt 3.3).

Sem Cristo, ninguém é capaz de amar ao próximo, muito menos se este for um inimigo contumaz. Mas, como nova criatura (2 Co 5.17), “o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5.5). O fruto do Espírito leva-nos a amar até mesmo os que nos odeiam. Além disso, afirmou Jesus que seus discípulos seriam conhecidos pelo amor com que se amavam (Jo 13.35).

 O amor cristão é prático. A essência da vida cristã é a prática do amor e da fé. Assim como a fé sem obras é morta (Tg 2.20), o amor, que não se manifesta em atos, não reflete a excelência da vida cristã renovada pelo Espírito: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (1 Jo 3.18).

O amor é demonstrado quando o cristão obedece às leis divinas: “Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.9,10).O cristão não se limita a fazer o bem ao próximo, mas ama-o como a si mesmo!

 

A CERTEZA DO FIM

 

No tópico anterior, vimos a importância do amor em nossa vida prática. Como a nossa vida não se restringe a este mundo, aguardamos ansiosamente a manifestação de Cristo. Por conseguinte, a doutrina das Últimas Coisas tem íntima conexão com a vida e o comportamento do cristão.

O Deus da História. Sabemos que Deus atua providencialmente na história humana (At 2.23; 4.27,28). Ele não age fortuitamente, pois nada foge ao seu controle. A salvação é um exemplo deste maravilhoso domínio (Gn 3.15; Is 7.14; Mq 5.2; Gl 4.4,5; Rm 5.6).

Um fim predeterminado. Podemos constatar nas Escrituras que tudo acontece progressivamente no mundo, caminhando para o fim predeterminado por Deus (Ef 1.9-11). E o cristão deve estar ciente disto (Tt 2.11-13; 2 Pe 3.13; 2 Tm 3.1; 1 Jo 2.18).

 A vinda do Senhor é certa. A Bíblia afirma isto diversas vezes (At 1.10,11; Mt 26.64; Ap 1.7; 22.20). O Senhor virá buscar a sua Igreja e estabelecer o seu reino eterno. Os ímpios, assim como o Diabo e seus anjos, serão lançados da presença do Senhor para o sofrimento eterno (2 Ts 1.7-10; Mt 25.41).

 O comportamento cristão. O crente é exortado a uma vida de santidade pela certeza do retorno iminente de Cristo (Rm 13.11). Sua vida em nada lembra o modo de viver dos incrédulos. Por esta razão, vive como peregrino (2 Co 5.1; 1 Pe 2.11,12), não amando o mundo nem o que há nele (1 Jo 2.15-17) e almejando o dia em que deixará para sempre este corpo mortal (Fp 3.20,21).

 

 A SALVAÇÃO PLENA

 

Paulo afirma que estamos mais perto da salvação do que quando aceitamos a fé: “E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (v.11).

A fim de compreendermos melhor esta afirmação, faz-se necessário abordar a salvação de acordo com os três tempos definidos pela Bíblia: passado, presente e futuro.

 Passado: “Nós fomos salvos”. Quanto à culpa do pecado, o cristão já está salvo da maldição e da condenação da lei (Rm 8.2; 6.6; Tt 3.5). Presente: “Estamos sendo salvos”. Quanto à sua relação com o poder e a corrupção do pecado, o cristão está constantemente aperfeiçoando a sua salvação conforme diz a Bíblia (Fp 2.12). Futuro: “Seremos salvos”. Em Romanos 8.18-23, Paulo fala da salvação absoluta, final e completa. O escritor aos Hebreus também se refere aos que aguardam a Cristo para a salvação (Hb 9.27,28). De modo semelhante, Pedro trata da salvação “já prestes para se revelar no último tempo” (1 Pe 1.3-5,8,9).

 

 O CONTRASTE ENTRE LUZ E TREVAS

 

. A diferença entre a luz e as trevas. A diferença entre o salvo e aquele que não tem a Cristo é tão grande quanto a existente entre a luz e as trevas. E não é uma questão apenas de comparação; é um fato demonstrado pelo Senhor Jesus (Jo 8.12; At 26.16-18).

O salvo, por conseguinte, não é alguém “um pouco melhor” do que os demais; é total e absolutamente diferente (Ef 5.6-8; 1 Ts 5.1-6; 1 Pe 1.23; 1 Jo 5.17-19).

 A santificação requerida. A Escritura ensina que a santificação é decorrente de uma nova natureza: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas” (1 Pe 1.2).

O crente foi resgatado para uma vida santa (1 Co 6.19,20; 1 Pe 1.16). Cristo não veio apenas livrar o homem do inferno; veio torná-lo santo (Tt 2.14).O objetivo de Deus é que o crente participe da “herança dos santos na luz” (Cl 1.12). João chama de mentiroso aquele que diz ter comunhão com Deus e não muda seu modo de viver (1 Jo 1.5,6; 2.4). O salvo é luz no meio de um mundo perverso (Fp 2.15).

 Quem convive com as trevas. O cristão corre perigo quando vive como se pertencesse à noite. (1 Ts 5.4-7). Assim como Demas (2 Tm 4.10), o que ama as trevas pode ser seduzido por elas. A sedução do homem é progressiva. O crente começa fazendo concessões em algumas práticas “inocentes”. Não demora muito, e já estará fazendo concessão em matéria de fé e quanto ao modo de entender a Palavra. Pedro garante que, procurando viver como filho da luz, o cristão não tropeça (2 Pe 1.10,11). 

É requerido daquele que nasceu de novo um comportamento condizente com a nova vida em Cristo. O retorno de Cristo reforça a necessidade de uma vida pautada nos padrões bíblicos. O amor de Deus, implantado e sendo aperfeiçoado no crente pelo Espírito Santo, é imprescindível para o apropriado relacionamento do crente com o próximo. 

“O serviço cristão em relação às autoridades (13.1-7).O serviço cristão nesta esfera alcança toda a sociedade, e o crente deve ter um comportamento à altura dos verdadeiros ideais do cristianismo.13.1. Toda alma esteja sujeita às potestades superiores. O apóstolo recomenda a submissão à autoridade constituída. A seguir, o texto declara a razão por que devemos nos submeter às autoridades: ‘Porque não há potestades que não venham de Deus: e as potestades que há foram ordenadas por Deus’. A palavra potestade refere-se à autoridade, ou poder delegado. Nesta parte do versículo, Paulo declara que toda a autoridade vem de Deus.

13.2. Neste versículo o resistir às autoridades significa resistir a Deus, por isso estamos legalmente obrigados a reconhecer e a obedecer às autoridades constituídas. Resistir à autoridade é opor-se à lei divina, pois Deus mesmo reconhece a lei civil. Quebrar a lei ou transgredi-la implica em conseqüências negativas, isto é, em condenação, não só da parte das autoridades civis, mas também da parte de Deus.

13.6,7. Temos responsabilidade para com as autoridades. Não só devemos acatá-la e obedecer-lhes na ‘letra da lei’, mas devemos cumprir os seus regulamentos. Paulo declara que, por razão de consciência, devemos também ‘pagar tributos’. No versículo 7 diz: ‘Dai a cada um o que deveis’. Esse é um dever de todo o crente. Se for tributo, dê-se a quem se deve dar tributo. Se o temor, dê-se a quem se deve temor, isto é, respeito e reverência. Se é honra, dê-se honra a quem deva honra.” ELIENAI, C. R. Comentário bíblico: Romanos. RJ: CPAD, 1999, pp.138, 139). 

 

            A tolerância para com os fracos na fé cap 14

 

O capítulo 14 de Romanos inicia um novo bloco de exortações. Os dois últimos capítulos estudados tratavam de uma série de sentenças e discursos morais que, embora interdependentes, abordavam assuntos gerais. No texto bíblico desta lição, entretanto, Paulo escreve a fim de intervir em alguns problemas internos da igreja em Roma. Havia entre os cristãos dois grupos partidários: os fracos na fé — que hesitavam em comer determinados alimentos —, e os fortes na fé — que se consideravam esclarecidos para viver a liberdade cristã sem observar leis dietéticas. O primeiro distinguia os alimentos entre “puro” e “impuro” e, o segundo acreditava que “todas as coisas são lícitas” (1 Co 6.12). Esteja apto para desenvolver este interessante tema. 

Havia na igreja em Roma dois grupos bem definidos: os “enfermos na fé” (14.1) e os fortes (15.1). Paulo pertencia ao segundo grupo. É preciso observar a relação existente entre o assunto tratado no capítulo 14 de Romanos e em outras exortações paulinas aos Coríntios (1 Co 10.22-33), Gálatas (4.9,10) e Colossenses (2.16-23).

As semelhanças entre essas epístolas concernentes ao tema descrito são apenas aparentes. Na igreja em Corinto, os fracos na fé não comiam as carnes sacrificadas aos ídolos que eram vendidas no mercado público, porque temiam cometer o pecado de idolatria. Não é este o caso na igreja em Roma. Em Corinto, o problema é religioso; em Roma, provavelmente ascético. Na igreja dos gálatas, o problema está na observação dessas normas dietéticas como necessárias à salvação. Em Roma, o problema é cultural, mas na Galácia é soteriológico. Em Colossos, a abstinência de alimentos estava relacionada à observação de um calendário ascético proposto pelos adeptos do gnosticismo, logo, a prática era uma manifestação herética deste grupo. Por estas razões, Paulo suporta a fraqueza de alguns crentes romanos, enquanto é intolerante a tais práticas nas demais igrejas citadas.Havia sérias divergências entre os crentes de Roma sobre a ingestão de carne. Uns achavam que deviam comer somente legumes; outros supunham não haver nenhum problema em se consumir até mesmo os alimentos que ofendiam os cristãos de origem judaica.

A questão, explica Paulo, não estava no ato de comer em si, mas na postura pessoal entre eles. Por isso, devemos ter cuidado com o julgamento que fazemos de nossos irmãos em Cristo.

O que o apóstolo desejava, em outras palavras, é que os cristãos romanos não julgassem uns aos outros por causa dessas coisas, mas se aceitassem mutuamente conforme Cristo ensinara.

 

 DEVEMOS NOS ACEITAR MUTUAMENTE

 

Cristo nos aceita do modo como somos. Paulo ensina que judeus e gentios devem amar uns aos outros assim como Cristo amou a ambos: “recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para a glória de Deus” (Rm 15.7).

Isto significa que, na comunidade dos santos, não há lugar para prejulgamentos: “Quem és tu que julgas o servo alheio?”. Todos somos iguais perante Cristo, e somente Ele, por meio de sua graça redentora, pode firmar os fracos (v.4).

 Somos imperfeitos. Se desejamos, de fato, crescer e alcançar a perfeição exigida pela Palavra de Deus, devemos acrescentar diariamente à nossa fé a virtude, e à virtude o conhecimento (2 Pe 1.5).

Ora, se ainda não chegamos à estatura de varões perfeitos, como poderemos julgar nossos irmãos por causa de coisas insignificantes como acontecia entre os crentes romanos?

Somos membros de uma mesma família. Como filhos de Deus, devemos cuidar uns dos outros e nos amarmos com o amor que nos concedeu o Pai (1 Jo 3.1). A Bíblia nos ensina que somos um só corpo: o corpo de Cristo (1 Co 12.27) que está sendo edificado (Ef 4.12-15). Portanto, acima de nossos direitos e desejos está o bem comum, o cuidado dos outros e o crescimento da Igreja do Senhor.

 

 TIPOS DE CRISTÃOS

 

Um ponto interessante a ser destacado, no texto em estudo, é a diferença entre os vários tipos de crentes na igreja de Roma. Isto significa que há, entre os filhos de Deus, diferentes níveis de conhecimento e de fé. Há os crentes meninos, os maduros, os carnais, os espirituais, os fracos, os fortes etc. (Ef 4.14; 1 Co 3.11; 1 Co 8.11).Todos somos crentes, nascidos de novo. No entanto, cada um de nós tem um modo próprio de vivência cristã e de enfrentar os problemas e as necessidades do cotidiano. Todos temos uma reação diferente diante das mesmas circunstâncias; um jeito peculiar de ver e julgar as situações.

 Cristãos fortes. A igreja de Roma enfrentava problemas semelhantes aos de Corinto e de Colossos (1 Co 8; Cl 2.16-23): conflitos entre os cristãos fracos e os fortes (1 Co 8.7). Os fortes são os que conhecem a Palavra de Deus; os fracos ainda não alcançaram o verdadeiro entendimento das coisas espirituais.

Quando o homem aceita a Cristo, sente imediatamente a necessidade de crescer no conhecimento da fé que abraçou e de desenvolver-se na salvação conforme nos ordena a Bíblia: “Operai a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12).

Muitos, infelizmente, negligenciam a busca pelo crescimento espiritual. O escritor aos Hebreus chegou a dizer que gostaria de ministrar um ensino mais substancial aos seus leitores; estes, porém, ainda não podiam receber algo mais substancial devido à sua falta de crescimento (Hb 5.11-14).

 Cristãos fracos. Em geral, por falta de conhecimento, os cristãos fracos suscitam uma infinidade de barreiras que acabam por comprometer o seu crescimento espiritual. Em Roma, por exemplo, os cristãos de origem judaica achavam que comer carne era pecado; outros, ainda presos à lei de Moisés, guardavam o sábado e outros dias tidos como sagrados pelo judaísmo.

Quanto a tais coisas a Bíblia diz: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão” (Gl 5.1).

 Perigos para fortes e fracos. Os fortes correm o risco de se tornarem arrogantes, desprezando aos que têm menos conhecimento. A solução, portanto, é que eles se portem com humildade e amor: “Se o manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão se não escandalize” (1 Co 8.13).

Os fortes tendem a se portar como o fariseu que, soberbamente, agradecia a Deus “por não ser como os demais” (Lc 18.11). O orgulho sempre estará rondando os irmãos mais fortes na fé; eis porque estes devem revestir-se de humildade.

Julgar os demais é o pecado em que pode incorrer o irmão mais fraco. Como ele, que não come carne, acha-se no direito de julgar os que o fazem, condena a postura de seus irmãos na fé por causa de questões secundárias e que nenhuma importância têm para a fé cristã.

 

 VIVENDO A VERDADEIRA LIBERDADE EM CRISTO

 

Se por um lado, os cristãos não mais estão presos às ordenanças cerimoniais da Lei de Moisés, isto não significa que possamos levar uma vida libertina e isenta de limites. Pelo contrário: os filhos de Deus são exortados a ser santos em toda a sua maneira de viver. Sejamos santos, porque Aquele que nos chamou é santo.

Infelizmente, muitos cristãos têm a propensão de carregar consigo certas coisas do passado. Era o que acontecia com alguns crentes de Roma.

 A ingestão de carnes. Para os judeus, alguns tipos de carne eram terminantemente proibidos. Levando-se em conta que, em Roma, ofereciam-se também carne aos ídolos, os cristãos de origem judaica não somente a evitavam, como também criticavam os crentes gentios por usarem-na em sua dieta.

Havia também alguns crentes de origem gentílica que se abstinham de carne, já que corriam o risco de comer algo sacrificado aos ídolos.

E o que dizer dos que pregavam o ascetismo? Eles não somente ensinavam que não se podia comer carne como também punham-se contra o casamento. Tais ensinamentos foram considerados por Paulo como “doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1-8).

O ensino bíblico quanto a isso é bastante claro. Paulo afirma que todas as coisas que Deus criou são boas (1 Tm 4.4) e que nada, em si, é imundo (Rm 14.14). O próprio Cristo asseverou: “nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar” (Mc 7.15,18,19).

 Guardando dias especiais. No Antigo Testamento, os judeus eram obrigados a observar certos períodos e dias santificados. Além disso, eles, por si mesmos, introduziram outras ordenanças que, conforme denunciara o Senhor Jesus, não passavam de mandamentos de homens (Mt 15.8,9).

Por conseguinte, alguns judeus cristãos sentiam-se na obrigação de guardar sábados e luas novas, não percebendo que, no Novo Testamento, não nos é imposta nenhuma obrigação nesse sentido.

A postura correta. Quanto a estas questões, a Bíblia contém a devida diretriz:

a) “Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo” (v.5). Isto significa que o crente deve agir de acordo com sua própria consciência, que deve estar alinhada com a Palavra e iluminada pelo Espírito Santo.

b) Somente Jesus é Senhor e Juiz. Somos todos irmãos, e não juízes. Isto não significa, porém, que não podemos julgar as questões surgidas entre nós. Este julgamento, no entanto, tem de ser conduzido conforme o recomendado por: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo 7.24). Aliás, escreve o apóstolo aos coríntios que os santos hão de julgar os anjos (1 Co 6.3). Logo, estamos habilitados também a julgar as coisas desta vida com temor de Deus. Mas que todo julgamento, frisamos, deve ser segundo a reta justiça.

 

O objetivo maior de todo o crente deve ser o crescimento do Reino de Deus e a edificação da Igreja. Tudo o que o cristão vier a ser, ou a fazer, deve objetivar o desenvolvimento do corpo de Cristo, nunca para o seu prejuízo.Toda sua conduta deve ser guiada pelo amor aos demais irmãos. 

 “Grande parte da discussão no capítulo 14 diz respeito a certos tipos de alimento que são imundos. A palavra grega ‘koinos’ (imundo, impuro) era usada pelos judeus para simbolizar o que era profano ao invés do que era sagrado (Mc 7.2,5). A proeminência deste conceito em Romanos 14 também sugere que a disputa dietética entre os crentes romanos estava sendo continuada entre judeus, que desejavam observar os regulamentos dietéticos, e gentios, que não tinham interesse em tal restrição de liberdade.

A controvérsia na comunidade cristã em Roma gira em torno das práticas de comer carne, da observância de certos dias como mais santos que os outros e do vinho (a última atividade recebe menos ênfase no texto). Os que comiam carne, bebiam vinho e desconsideravam o valor particular relacionado a certos dias são chamados de ‘forte’ (Rm 15.1); os que faziam o oposto são os ‘fracos’ (15.1), ou débeis na fé. A associação dos fracos com os que se privam de comer carne por causa das categorias de limpo e imundo (Rm 14.2,14) mostra que os judeus eram os que Paulo considerava fraco, e os gentios, fortes.

Claro que esta é uma simplificação do assunto. As divisões nas igrejas que se reuniam nas casas romanas não estavam tão nitidamente delineadas na linha étnica. Certamente havia judeus como Paulo que apoiavam os ‘fortes’. Reciprocamente, havia alguns gentios convertidos ao cristianismo que, tendo entrado na Igreja pela sinagoga como pessoas tementes a Deus ou mesmo como prosélitos judeus, favoreciam a retenção das práticas judaicas que eles tinham adotado. É natural que estas pessoas teriam esperado que os outros cristãos seguissem esse mesmo padrão de obediência à lei de Deus.

[...] A preocupação dos fracos era com a preservação de certas práticas que eles consideravam expressões necessárias da fé cristã. A questão, como Paulo a vê, não é sobre legalismo — se for entendido como um sistema no qual certos rituais são observados como meio de se obter a graça —, porque Paulo aborda os fracos como os que já foram aceitos por Deus (Rm 14.3; 15.7). Em outras palavras, a questão não é sobre como se tornar crente, mas como agir como tal.

Nas palavras de Cranfield, estes crentes judeus sentiam que ‘era somente ao longo deste caminho particular que eles podiam expressar obedientemente sua resposta de fé à graça de Deus em Cristo’. As leis dietéticas e a observância de dias santos, quer sejam sábados ou dias de festa, eram marcas identificadoras dos judeus na Palestina e na Diáspora. Era-lhes difícil conceber que estes identificadores, que tinham sido tão críticos para eles se verem como o povo do concerto de Deus, agora deviam ser abandonados.” (Van Johnson. Romanos. In ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. Comentário bíblico Pentecostal. RJ: CPAD, 2003, pp.903-4).

 

 

          O amor é a essência da vida cristã cap 14-15 

 

. A fraqueza a que Paulo se refere, não está relacionada a problemas morais ou aos alimentos sacrificados aos ídolos, combatidos severamente pelo apóstolo na igreja em Corinto (1 Co 5.1-5; 10). Portanto, os textos estudados não abrem concessão a pecados morais, mas orienta concernente à atitude que o crente maduro deve assumir diante dos irmãos que fazem determinadas restrições a certos tipos de alimentos

Os fortes na fé são exortados a não ferir a consciência dos débeis. Estes dois grupos além de estarem divididos (14.2), julgavam uns aos outros impedindo o fluxo da comunhão entre eles (v.13; 14.3,4). Paulo, embora admita que faça parte do primeiro grupo, recomenda que os fortes na fé suportem as fraquezas do outro grupo (15.1). A admoestação paulina amplia o conceito tratado em 1 Coríntios 10.23. Àqueles que são maduros na fé, não devem usar de sua liberdade e consciência cristã contra os mais fracos: “Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu”. Pelo contrário, com base na lei do amor, deve considerar a fragilidade destes (14.15). Portanto, a lei da liberdade em Cristo, não substitui ou antecede a lei do amor, mas segue a após e a complementa.

A visão individualista é unidimensional, isto é, de uma única dimensão — o próprio indivíduo. O amor, entretanto, é pluridimensional, ou seja, possui várias dimensões — Deus, o indivíduo e o próximo. A vida humana consiste em relacionamentos. Tudo o que o homem é reflete-se em seu modo de lidar com as pessoas. Por isto, a Bíblia ensina como o cristão deve viver em sociedade. Já nascido de novo, o crente deve viver de acordo com um padrão de comportamento pautado no amor. Não levando em consideração os seus próprios interesses (1 Co 13.5), pois o amor de Cristo contrapõe-se ao individualismo egocêntrico tão cultuado nos dias atuais.

 

O AMOR CRISTÃO

 

 Uma vida nova. É impossível falar do salvo em Cristo sem se referir ao verdadeiro amor cristão. Estar arraigado no Filho de Deus significa, antes de tudo, achar-se arraigado no amor (Cl 2.7; Ef 3.17) que, juntamente com a fé e a esperança, faz parte da essência da vida cristã (1 Co 13.13; 1 Ts 1.3; Cl 1.4). No amor de Deus, concretiza-se a nova vida em Cristo.

Deus nos amou primeiro. O amor com o qual os cristãos devem amar-se uns aos outros é um reflexo do amor de Deus em Cristo. Há na Bíblia várias expressões exortando os crentes a amarem-se uns aos outros como Cristo nos amou (Fp 2.1,2,5; Ef 5.2,25; Rm 12.1,9-21; 1 Jo 4.8,16).

 Edificados em amor. Amar uns aos outros é um mandamento do Senhor Jesus (Jo 15.12). Assim, todos saberão que somos seus discípulos (Jo 13.35). O amor é um elemento essencial para a vida e o crescimento da Igreja (Ef 4.15,16); é o vínculo da perfeição (Cl 3.14). O amor é mais importante do que qualquer discussão. É o amor que mantém a unidade da Igreja (Cl 2.2), o corpo de Cristo. Este conceito permeia todo o ensino bíblico. O apóstolo chama a igreja à responsabilidade mútua: todos devemos formar uma perfeita unidade. Portanto, que o amor de uns para com os outros seja colocado a serviço da edificação da Igreja. Nada é mais importante que o amor na Igreja de Cristo (Ef 4.13; Cl 3.14).

 

 O INDIVIDUALISMO É PREJUDICIAL AO AMOR

 

 Individualismo. O individualismo é o sistema egocêntrico no qual o ser humano opta por viver exclusivamente para si. Nada pode ser mais contrário ao ensino bíblico! Bastante adotado atualmente, o individualismo tem diferentes manifestações: o egoísmo, a inimizade, o ódio (Rm 1.29). Logo, é fácil entender por que a Bíblia o repele tão fortemente, colocando-o em sua “lista de vícios” (Ef 4.31; Cl 3.5).

 O contra-ponto. O vivar cristão tem como alvo amar ao próximo (Jo 13.35), considerar os outros superiores a si mesmo (Fp 2.3) e abdicar de seus direitos em prol do bem-estar alheio (Fp 2.4). João também é enfático ao afirmar: quem não ama não é nascido de Deus (1 Jo 4.7,8). Se alguém nasceu de novo, ama ao próximo assim como Cristo nos amou. É algo imperativo! A Bíblia exorta-nos a ter o mesmo sentimento de Cristo (Fp 2.5): humildade, amor e altruísmo (Rm 15.3).

 

LIDERDADE CRISTÃ

 

Agindo sempre com sabedoria. A igreja em Roma tinha dois grupos: os mais fracos e os mais fortes na fé. Em função disto, Paulo dirige-se a ambos com palavras sábias e precisas a respeito de um assunto que os dividia — a ingestão de certos alimentos tidos como imundos.

O apóstolo Pedro, como judeu, enfrentou problemas nessa área até que veio a compreender devidamente o plano de Deus (At 10.9-15).

Antes de entrar no assunto, Paulo evoca sua autoridade apostólica: “Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa em si mesma é imunda...” (Rm 14.14). Dessa forma, todos podiam estar tranqüilos: tantos os fortes quanto os fracos na fé, pois esta palavra vinha de alguém que possuía, de fato, autoridade. Antes de se converter, era o apóstolo um judeu nacionalista e um fariseu nitidamente legalista. Mas agora, salvo em Jesus, compreende ele: o Reino de Deus não é comida nem bebida mas justiça, paz, e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17). As proibições dietéticas da Lei de Moisés, por conseguinte, funcionavam apenas como sombras dos bens futuros. Com a chegada de Cristo, já não tinham razão de ser; não passavam de rudimentos.

 A Igreja e o Judaísmo. A Igreja de Cristo não está obrigada a cumprir as regras do judaísmo, pois o Senhor Jesus, através de sua morte, libertou-nos da maldição da Lei. Aliás, o próprio filho de Deus ensinou: o que realmente importa na lei são as reivindicações de Deus quanto à justiça, à misericórdia e à fé (Mt 23.23 cf. Mq 6.8; Mt 5.17; Rm 10.4).

Aos crentes que assimilavam o ensino do Novo Testamento, Paulo chama-os de fortes. Apesar disso, não devem eles prevalecer sobre os mais fracos, vindo a desprezá-los por não haverem, ainda, alcançado o pleno entendimento do plano de Deus. Ora, se os fortes não devem desprezar os fracos, estes por sua vez não devem censurar os fortes. Pois a obrigação de ambos é se amarem como Cristo nos amou e entregou-se por nós (Rm 14.13).Há que se levar em conta sempre o “bem maior” — o Reino de Deus! Esta é a bússola do crente que vai guiá-lo em suas decisões: o bem-estar do corpo de Cristo!

O Reino de Deus. Cristo veio ao mundo com a finalidade de tornar os homens cidadãos do seu reino (Mc 1.14,15). Por conseguinte, o cristão é um cidadão do Reino de Deus (Cl 1.13), onde tudo é diferente (Jo 18.36), inclusive a maneira de se pensar (1 Co 2.16). Logo, o meu modo de ser já não importa. Devemos ver tudo sob a perspectiva do Reino. O Rei dos reis exorta-nos a buscar o Reino de Deus e a sua justiça, a fim de que as demais coisas nos sejam acrescentadas (Mt 6.33). Portanto, o comer, o vestir-se, o ter um teto para se abrigar, embora importantes à nossa sobrevivência, são postos em segundo plano.

 Individualismo x Reino. A partir do momento que o cristão se dá conta de que participa do Reino de Deus (1 Pe 2.9,10), seus esforços começarão a ser investidos no crescimento deste Reino e na glorificação do Rei dos reis e Senhor dos Senhores.

O salvo busca agradar ao próximo, promovendo-lhe a edificação (Rm 14.19; 15.2), em detrimento do seu próprio bem-estar. Por esse motivo, no Reino de Deus não há lugar para o individualismo, pois o Senhor Jesus é tudo em todos.

 Liberdade x amor. Embora o cristão não seja obrigado a observar as regras dietéticas da lei de Moisés, Paulo exorta-nos a não agir de forma individualista. Ele insta-nos a que visemos, em primeiro plano, o bem-estar espiritual de nossos irmãos, a fim de que estes não se escandalizem com as nossas atitudes. Pois a nossa liberdade não pode escandalizar aqueles por quem Cristo morreu. Aliás, o próprio Senhor deixa-nos uma forte exortação neste sentido (Mt 18.6,7).

É claro que a liberdade cristã não nos autoriza a viver de forma desordenada e a pecar. Afinal, somos um povo santo; devemos andar como Cristo andou (1 Jo 2.6).O amor, portanto, leva-nos a considerar as dificuldades dos mais fracos. Se não agirmos assim, estaremos pecando por não amar nossos irmãos como Cristo nos amou e entregou-se por todos nós. 

Quanto mais do amor de Deus tivermos em nossos corações e maturidade espiritual alcançarmos do Senhor, mais cuidado devemos ter em nossos relacionamentos com os nossos irmãos e mais dispostos devemos estar para renunciar a tudo que for preciso, a fim de melhor servir ao Senhor à medida que convivemos com os santos para a glória de Deus. 

“Os Limites da nossa Liberdade (14.13-21).Enquanto o primeiro estágio do argumento de Paulo tratou de atitudes de julgamento, o segundo incita o ouvinte a considerar que tipo de ação é apropriado numa comunidade formada pela aceitação graciosa de Deus de todos os crentes.

Os termos tropeço e escândalo (v.13) são usados de modo sinônimo como metáforas para algo que faz alguém perder a fé. O ‘tropeço’ é algo que pode fazer alguém tropeçar; um ‘escândalo’, que se referia originalmente ao pedaço de madeira que mantinha aberta a armadilha para animais, é usado no Antigo e Novo Testamento como algo que poderia levar a pessoa a pecar. A imagem é clara: O exercício aberto de liberdade pelos fortes apresenta uma tentação para os fracos, o que poderia resultar em queda no pecado. Para ouvir a força da combinação destas palavras, temos de recordar o uso destes dois conceitos em Romanos 9.33, onde aparecem na citação de Isaías 8.14. Lá, o tropeço (‘uma pedra que os faz cair’) se refere a Cristo. Os judeus tropeçaram em Cristo, ou seja, eles ficaram ofendidos com Ele, e ao rejeitarem Jesus como Messias eles rejeitaram a iniciativa salvadora de Deus. Semelhantemente, em Romanos 14 Paulo exorta os gentios a evitar qualquer ação que possa levar outros não observar certos dias santos.

[...] Partindo da premissa de que a consciência individual desempenha um papel determinante para a conduta ética do indivíduo, pelo menos duas implicações ocorrem para os fortes:

1) A consciência dos fracos não deve ser menosprezada ou desconsiderada, mas antes levada em conta por causa do mandamento do amor. Comer na frente de alguém que considera a prática errada e cometer o engano de colocar o princípio da liberdade na frente do princípio do ágape.2) É não apenas ofensivo, mas potencialmente destrutivo os fortes, desconsiderarem os sentimentos dos fracos.” (Van Johnson. Romanos. In ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. Comentário Bíblico Pentecostal. RJ: CPAD, 2003, pp.907-8).

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