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movimento Pentecostal (historia mundial)
movimento Pentecostal (historia mundial)

                     MOVIMENTO PENTECOSTAL HISTORIA GERAL

                  PENTECOSTALISMO ATRAVEZ DOS SECULOS   

    Síntese pentecostal da Igreja Cristã durante os séculos (1)

  Por ocasião do centenário das Assembleias de Deus no Brasil, a Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) publicou, neste 2º trimestre, uma revista comemorativa, tal qual fez em 2006 por ocasião dos 100 anos do Movimento Pentecostal. Por esta razão, é oportuno relembrarmos as origens deste movimento que deu origem as Assembleias de Deus, denominação que, embora fragmentada, é ainda um baluarte para a nação brasileira. Dividido em 4 partes, contaremos sobre a perpectiva histórica deste movimento, seu vertiginoso crescimento pelo mundo, seus principais ministros etc. A história do Movimento Pentecostal é uma riqueza que nós precisamos conhecer. Vale lembrar que o texto é do renomado pastor e teólogo assembleiano Antônio Gilberto, por isso, merece nosso respeito e credibilidade.  Segue-se a 1ª parte:

No início do século XX Deus irrompeu uma vez mais na história com um reavivamento sem precedentes trazendo a Igreja de volta à experiência pentecostal. Convém assinalar que esta explosão espiritual surge depois da divinização do humanismo, do materialismo e do racionalismo em que se profetizou o fim da religião e da fé qualquer que ela fosse, que se decretou a “morte de Deus”, se fizeram os ataques mais violentos à Bíblia e à Igreja cristã, se tentou desacreditar o sobrenatural e o miraculoso e em que o liberalismo teológico negou a inspiração da Bíblia como Palavra de Deus e da pessoa de Jesus Cristo como único Senhor e Salvador.

Mas importa também reparar que este despertamento acontece antes de a modernidade ser substituída pela pós-modernidade, a razão ser substituída pelo coração, e a racionalidade ser substituída pela subjetividade.
No meu entender, há uma nítida antecipação de Deus em relação a uma geração exausta, desiludida e frustrada pelas ilusões que lhe foram trazidas pela ciência e pela tecnologia, pela filosofia da morte de Deus, pelos regimes políticos do super-homem nazista ou do comunismo ateu e que há de ser uma vez mais enganada pelas emoções, pelos sentimentos e pelo hedonismo.

O movimento pentecostal surge assim antes do estertor do racionalismo e do aparecimento de uma corrente espiritualista corporizada pelo movimento Nova Era em que quem manda é o coração e o sentimento sob a batuta tantas vezes da superstição e do oculto. “Segue o que sentes” é o lema. Deus conduz a Igreja a uma experiência em que a tradição, a razão e o coração são contemplados em linha com a revelação bíblica. A experiência pentecostal vem na linha da verdadeira e genuína tradição da igreja de Jesus Cristo, ilumina a razão com a inerrante, universal, imutável e eterna Palavra de Deus e enche o coração do homem de uma presença divina transbordante.

A Igreja que estivera e continuaria a estar sob o fogo cruzado do inimigo haveria de ser revestida do fogo do alto e nutrida por Deus para com um novo impulso dar cumprimento à grande comissão conforme Jesus a enunciara no Evangelho de Marcos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizados será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.”(Marcos 16.15-18).
Tudo isto nos recorda que como Cristo referiu apenas o Espírito Santo nos foi concedido para convencer o homem da sua condição e levá-lo a um genuíno arrependimento, a experimentar o novo nascimento e a viver em santidade de vida: “Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele vier convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo; do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.” (João 16.7-11).

O mesmo já havia acontecido com o movimento da Reforma protestante erguendo o fundamento das Escrituras, da fé e da graça, e provocando um corte com as trevas da pré-modernidade na autoridade da tradição e antecipando-se à nova ditadura do racionalismo que haveria de surgir com o iluminismo e com a chamada era das luzes.

É interessante o movimento pentecostal acabaria igualmente por se antecipar em termos sociais ao movimento encabeçado por Martin Luther King que contribuiria decisivamente para pôr um ponto final na segregação e discriminação racial nos Estados Unidos. A explosão pentecostal tem num negro William Seymour um dos seus principais vasos, o que levou os detratores a escrever que a Azusa Street Mission era uma “vergonhosa mistura de raças...” e Frank Bartleman por seu turno haveria de observar em outros termos: “A ‘linha da cor’ foi removida pelo sangue’”.
 

Faço alusão a estas realidades porque hoje importa uma vez mais mantermos acesa a chama da consciência da soberania de Deus. Ele nunca é apanhado de surpresa e sempre concede à Igreja de cada tempo os recursos necessários para dar resposta aos questionamentos de cada geração.
Qualquer que seja a surpresa que Deus nos reserve ela estará sempre na linha da Sua revelação e do Seu Espírito, proclamando Jesus Cristo como único Senhor e Salvador.

 

 Síntese pentecostal da Igreja Cristã durante os séculos (2)

  1ª parte deste estudo aqui.

PERSPECTIVA HISTÓRICA


 Ao longo de toda a História, desde o dia de Pentecostes que marca de forma indelével o nascimento da Igreja em Jerusalém até aos dias de hoje, sempre o batismo no Espírito Santo foi uma experiência à disposição de todo o crente, embora nem sempre tivesse assumido a dimensão que lhe conhecemos nos primórdios da igreja e do início do século XX. Servimo-nos aqui de um interessante estudo publicado pelo periódico “Mensageiro da Paz” de Janeiro a Junho deste ano.


No brilhante prefácio de "O testemunho dos séculos", o missionário sueco Samuel Nyström ressalta que um dos motivos pelos quais há poucos registros históricos de manifestação dos dons espirituais antes do século XIX é que os historiadores, cessacionistas em sua totalidade, omitiram de suas obras manifestações como profecias e línguas estranhas, que quando eventualmente citadas eram apresentadas, manifestações como profecias e línguas estranhas, que quando eventualmente citadas eram apresentadas, nas palavras de Nyström, como“excentricidades passageiras, coisas inconvenientes até para serem descritas”.

Outro fator é que os casos de glossolalia (como o fenômeno das línguas estranhas é descrito tecnicamente) foram realmente muito raros depois do terceiro século até ao período da Reforma Protestante, já que o advento da Igreja Católica Romana, com os seus dogmas heréticos que afetaram até o conceito de salvação, acabou jogando a cristandade em uma profunda era de trevas espirituais. Some-se a isso a má vontade dos historiadores e temos esta escassez de registros. A glossolalia só voltou a ganhar registros significativos quando retomou com força total nos séculos XIX e XX.

Este trabalho faz alusão a seis referências à experiência pentecostal até ao século III.
Um deles é citado por Emílio Conde em O testemunho dos séculos. Conde menciona uma história narrada pelo reverendo Frederic William Farrar (1831-1903), historiador e deão da Catedral de Canterbury, na Inglaterra. Em suas pesquisas sobre a Igreja Primitiva, Farrar registra a visita às escondidas de um príncipe britânico da Corte Romana a uma reunião cristã. Segundo a narrativa, em dado momento da reunião, “línguas estranhas” foram ouvidas. “As palavras que pronunciavam eram elevadas, solenes e cheias de significação misteriosa. Não falavam a sua própria língua, mas parecia que falavam toda a qualidade de idiomas, embora não se pudesse dizer se hebraico, grego, latim ou persa. Isso se deu com uns e outros, segundo o impulso poderoso quer operava na ocasião”, transcreve Farrar, que em seguida declara:”O príncipe os ouvira falar em línguas. Ele fora testemunha ocular do fenómeno pentecostal que o paganismo não conhecia”.

Esse era um culto da Igreja Primitiva do primeiro século. É só a partir do século III que a freqüência dos dons espirituais não é mais a mesma.
O outro relato refere-se a um movimento espiritual no segundo século liderado por Montano que haveria de descarrilar para a heresia por falta de sólido fundamento bíblico:
O movimento surgiu na Frigia, Ásia Menor romana (Turquia), em meados do segundo século, e visava o despertamento espiritual da Igreja. É que algumas comunidades cristãs estavam esfriando espiritualmente, inclusive olvidando os dons espirituais, tão comuns no primeiro século. O adepto mais famoso do montanismo, como ficou conhecido o movimento, foiTertuliano, um dos Pais da Igreja.

Montano não tinha cargos eclesiásticos. Ele e três mulheres ricas, Priscila, Quintila e Maximila, percorriam as cidades pregando a necessidade de viver uma vida de santidade para estar pronto para a Vinda de Cristo. Havia línguas estranhas, revelação e profecias. As três mulheres profetizavam. Nas profecias, Deus falava por meio delas na primeira pessoa: “Eu, o Senhor...”.

Um outro registro vem-nos pela pena do anticristão Celso, citado pelos Pais da Igreja:
Celso, um filósofo pagão que odiava os cristãos, menciona em um dos seus discursos do segundo século (176 DC) que os seguidores de Cristo falavam línguas estranhas. O discurso de Celso é citado literalmente nas obras "Contra Heresias e Comentário de João", de Orígenes (254 DC).

Orígenes cita-o para comprovar que no segundo século os cristãos falavam em línguas estranhas. Ou seja, já na época de Orígenes, línguas estranhas não eram tão comuns. Em seu discurso, Celso afirma que os cristãos são “estranhos” e “fanáticos”, e que em suas reuniões“falam palavras ininteligíveis para as quais uma pessoa racional não consegue encontrar significado”. Ele diz que são línguas “muito obscuras”.

 PERSPECTIVA HISTÓRICA III


ALÉM DE TERTULIANO E ORÍGENES, APENAS MAIS DOIS PAIS DA IGREJA CITAM O FALAR EM LÍNGUAS ESTRANHAS: IRINEU E AGOSTINHO. IRINEU ERA DISCÍPULO DE POLICARPO, QUE POR SUA VEZ FOI DISCÍPULO DO APÓSTOLO JOÃO. ELE FOI BISPO EM LYON, NA FRANÇA. A IGREJA DE IRINEU ERA UMA DAS POUCAS COMUNIDADES CRISTÃS DA ÉPOCA EM QUE OS DONS ESPIRITUAIS AINDA ESTAVAM EM PLENA ATIVIDADE. EM SEUS ESCRITOS DO INÍCIO DO TERCEIRO SÉCULO, IRINEU AFIRMA: ”TEMOS EM NOSSAS IGREJAS IRMÃOS QUE POSSUEM DONS PROFÉTICOS E, PELO ESPÍRITO SANTO, FALAM TODA A CLASSE DE IDIOMAS”.
VEIO, ENTÃO, O QUARTO SÉCULO, O ADVENTO DO CATOLICISMO ROMANO, SEUS DOGMAS ESPÚRIOS E O CONSEQÜENTE ENGESSAMENTO DA IGREJA. MESMO ASSIM, HÁ REGISTROS DE QUE, NO QUARTO SÉCULO,PACÓMIO, O FUNDADOR DO PRIMEIRO MOSTEIRO, FALAVA EM GREGO E LATIM SEM NUNCA TER ESTUDADO ESSAS LÍNGUAS. PACÓMIO NUNCA EXPLICOU O CASO E TODOS COMEÇARAM A ATRIBUIR ESSAS SUAS HABILIDADES AO ESPÍRITO SANTO. E, FINALMENTE, AGOSTINHO, BISPO DE HIPONA, ESCREVE NO MESMO PERÍODO: ”FAREMOS O QUE OS APÓSTOLOS FIZERAM QUANDO IMPUSERAM AS MÃOS SOBRE OS SAMARITANOS, PEDINDO QUE O ESPÍRITO SANTO CAÍSSE SOBRE ELES: ESPERAMOS QUE OS CONVERTIDOS FALEM NOVAS LÍNGUAS”.

AGOSTINHO TINHA A EXPECTATIVA DE QUE O QUE ERA COMUM ATÉ AO TERCEIRO SÉCULO CONTINUARIA A ACONTECER NO QUARTO. PORÉM, QUANDO ESCREVE CIDADE DE DEUS ANOS DEPOIS, JÁ NO QUINTO SÉCULO, NO OCASO DO SEU MINISTÉRIO, ELE TRANSPARECE NÃO ACREDITAR MAIS NA CONTEMPORANEIDADE DE TODOS OS DONS ESPIRITUAIS.
ASSIM, DEPOIS DO QUARTO SÉCULO, PRATICAMENTE NÃO SE HOUVE MAIS FALAR DE LÍNGUAS ESTRANHAS E DE MANIFESTAÇÃO DE DONS ESPIRITUAIS. ELAS SÓ VOLTAM À TONA DA REFORMA PROTESTANTE EM DIANTE. EXISTIRAM CASOS ENTRE OS SÉCULOS V E XV, POIS O ESPÍRITO SANTO NUNCA DEIXOU DE ATUAL PLENAMENTE NA HISTÓRIA, MAS FORAM POUCOS OS QUE FICARAM REGISTRADOS PARA A POSTERIDADE.

SÓ NO SÉCULO XII SURGEM NOVAMENTE REFERÊNCIAS CONCRETAS A LÍNGUAS ESTRANHAS NOS REGISTROS HISTÓRICOS:
NO SÉCULO XII, PEDRO VALDO, RICO COMERCIANTE FRANCÊS DO DELFINADO (LESTE DE FRANÇA), RESOLVE DAR TODOS OS SEUS BENS AOS POBRES E REÚNE OS FIÉIS DISPOSTOS A LUTAR COM ELE CONTRA O LUXO E A OPULÊNCIA DO CLERO ROMANISTA. NASCEM, ASSIM, OS VALDENSES, CARACTERIZADOS PELO DESEJO DE UM “EVANGELISMO PURO”

POR SÓ RECONHECEREM “A AUTORIDADE DOS EVANGELHOS”, OS VALDENSES FORAM EXCOMUNGADOS EM 1182. PERSEGUIDOS POR ROMA, ESPALHARAM-SE NA REGIÃO DE LYON, DEPOIS NA PROVENÇA E ATÉ AO NORTE DE ITÁLIA E À REGIÃO DA CATALUNHA.
SEGUNDO REGISTROS HISTÓRICOS, “OS PRIMEIROS VALDENSES FALAVAM LÍNGUAS DESCONHECIDAS”. ESSES REGISTROS SÃO RESSALTADOS PELO JORNALISTA NORTE-AMERICANO JOHN SHERRILL, EM UMA PESQUISA QUE FEZ SOBRE O MOVIMENTO PENTECOSTAL ANTES DE ACEITAR O PENTECOSTALISMO, E QUE FOI PUBLICADA POSTERIORMENTE SOB O TÍTULO “THEY SPEAK IN OTHER TONGUES”.

  

Síntese pentecostal da Igreja Cristã durante os séculos (4)

 

Nos séculos seguintes, há referências a manifestações espirituais entre algigenses e outros grupos, mas nada muito decreto no que concerne a línguas estranhas. O pré-reformadorGirolama Savonarola, do século XV, por exemplo, era usado em profecia e tinha visões, mas não há referência à glossolália em seu ministério. De qualquer forma, isso mostra que os dons espirituais ainda estavam sendo usados, mesmo que não em sua plenitude, como nos primeiros séculos da Igreja. Afinal, se a principal doutrina, a da Salvação, ainda precisava ser resgatada, o que dizer das demais?

Por isso, só após a Reforma Protestante os registros aumentam. Há casos entre os anabatistase, segundo o historiador alemão T. L. Souer, em sua obra “História da Igreja Cristã”, no volume 3, página 406, o próprio Martinho Lutero falava em línguas estranhas: “Dr. Martin Lutero profetizava, evangelizava, falava em línguas e interpretava revestido de todos os dons do Espírito Santo”. Essa é a única referência histórica à glossolália na vida do célebre reformador, e escrita por um antigo e respeitável historiador alemão do século XIX.
No século XVII, entre os Quacres, há registro de línguas estranhas. W. C. Braaithwait, no seu relato sobre as primeiras reuniões dos Quacres, escreveu: “Esperando no Senhor, recebemos com freqüência o derramamento do Espírito sobre nós e falamos em novas línguas”.

No mesmo período, há glossolália entre os pietistas. O Movimento Pietista nasceu na Alemanha, em 1666. Em seu livro “The Pilgrim Church”, na página 468, o historiador Edmund Hamer Broadbeent (1861-1954) cita registros de línguas em cultos pietistas nos séculos XVII e XVIII: “Um estranho êxtase espiritual vinha sobre alguns ou sobre todos, e começavam a falar em línguas. De quando em quando essas manifestações se repetiam. A muitos deles, estas coisas pareciam mostrar que, agora, eram um só coração e uma só alma no Senhor”.

No século XIX, há um boom de registros de glossolália. Em 1830, na Escócia, uma jovem de Fernicarry, chamada Mary Campbell, planejava tornar-se missionária. Ela começou a orar por isso e, em uma certa noite daquele ano, quando orava junto com outros amigos, Campbell sentiu poderosamente a presença divina e começou a falar em um idioma que não conhecia. No começo, pensou que se tratava de uma língua que a ajudaria na obra missionária, mas nunca pôde identificar que idioma era aquele.

Na mesma época, em Inglaterra, um destacado ministro londrino, o reverendo Edward Irving(1792-1834), pastor presbiteriano, recebeu o batismo no Espírito Santo. Ele e a sua congregação foram excluídos da denominação. Havia línguas e profecias nos cultos.

Foi em Julho de 1822 que Irving, então com 30 anos, foi convidado a pastorear uma pequena congregação da Igreja da Escócia em Londres, a Caledonian Chapel. No início do ano seguinte, as multidões que se reuniam para ouvi-lo eram tão grandes que um novo templo precisou ser construído: a majestosa catedral de Regent Square. Em 1827, quando o novo templo foi inaugurado, cerca de mil pessoas freqüentavam os cultos regularmente, fazendo dela a maior igreja da capital inglesa.

A fama de Irving se devia ao fato de ser um pregador eloqüente. Um historiador diz que“nenhum ídolo e nenhum pecado escapavam do açoite profético de suas denúncias abrasadoras”. Mesmo assim, “a alta sociedade londrina concorria para ouvi-lo, inclusive distintas personalidades do mundo político e intelectual, como Canning, Lord Liverpool, Bentham e Coleridge. Embora os seus sermões se estendessem em média por duas horas, era preciso reservar lugares com dias de antecedência”.

A partir de 1825, Irving começou a reunir-se com amigos na casa do banqueiro Henry Drummond, em Albury Park, para estudar escatologia e “buscar o Senhor, pedindo um derrame do Espírito Santo”. Então, em 1830, surgiram ocorrências de glossolália e profecias na Escócia. Um ano depois, no final de 1831, surgiram também línguas e profecias nos cultos de Regent Square, a igreja pastoreada por Irving, que recusou-se a proibi-las. Semanas depois, Irving foi afastado do pastoreado de Regent Square. Mais de 600 pessoas o acompanharam. Após a morte de Irving aos 42 anos, devido à tuberculose, esse grupo fundou a Igreja Apostólica de Londres, que aos poucos se diluiu.

Em 1854, falando de um avivamento em uma igreja evangélica da Nova Inglaterra, um crente chamado V. P. Simmons escreveu impressionado: ”Em 1854, o ancião F. G. Mathewson falou em línguas, enquanto o ancião Edward Burnham interpretou as mesmas”. Por essa época, os mórmons anunciaram que falavam em línguas em uma colónia de Nauvoo, Illinois. O 7º artigo da fé dos mórmons fala sobre a contemporaneidade dos dons espirituais. Porém, as ocorrências pareciam ser mais um bluff da seita, para chamar a atenção de curiosos, do que manifestações reais do Espírito Santo.

Em 1855, jornais publicam que, dentro da Rússia czarista, um pequeno grupo dissidente da Igreja Ortodoxa Grega falava línguas e profetizava. Em 1873, Ropbert Boyd escreve sobre uma campanha que o célebre evangelista Dwigght Lyman Moody fez em Sunderland, Inglaterra:“Quando cheguei às salas da Associação Cristã de Moços, encontrei a reunião em fogo. Os jovens estavam falando em línguas e profetizando. Que significaria isso? Somente que Moody pregara para eles naquela tarde”.

Nada se sabe sobre Moody ter falado línguas alguma vez. Se o fez foi de forma particular. Sabe-se, porém, que muitos dos que o seguiam falavam em línguas e ele não os criticava por isso. Moody cria em uma “segunda bênção” subseqüente à salvação e que consistia em um “revestimento do poder do Alto”, que ele e R. A. Torrey chamaram de “batismo no Espírito Santo”. A diferença é que os dois não ensinavam que línguas estranhas eram evidência externa do batismo no Espírito.

 Síntese pentecostal da Igreja Cristã durante os séculos (5)

 MOVIMENTO PENTECOSTAL - SÉCULO XIX

Em meio ao avivamento do século XIX nos Estados Unidos que começou em 1857 e se estendeu até perto do final do século), e que teve como protagonistas principalmente Charles Finney eMoody, as ocorrências de glossolália aumentaram. Eventualmente, pessoas falavam em línguas nas campanhas de Moody e Finney. Finney cria também em uma “segunda bênção”, mas, como Moody, não a vinculava às línguas. Nesse período, surgiu também o Movimento de Santidade ou Solenes, como é conhecido em inglês, de onde surgiria o Movimento Pentecostal no início do século XX.

Nessa época, R. B. Swan, pastor em Providence, Rhode Island (EUA), escreveu: ”Em 1875, nosso Senhor começou a derramar sobre nós de seu Espírito. Minha esposa, eu e alguns irmãos começamos a proferir algumas poucas palavras em uma língua desconhecida”. Em 1879, mais outro caso: um crente chamado Jethro Walthall, do Estado de Arkansas, falou em línguas. Quando o Movimento Pentecostal se inicia, o caso de Walthall é relembrado e ele escreve:”Quando tive essa experiência, nada sabia do ensino bíblico acerca do baptismo no Espírito Santo ou do falar em línguas”. Como Walthall, muitas pessoas passaram pela mesma experiência nos séculos anteriores, em sua devoção pessoal com Deus, mas por essa doutrina estar relegada naquele período, guardaram essas experiências para si.

Outro caso ocorreu na viagem do teólogo F. B. Meyer (1847-1929) à Estônia no final do século XIX. Meyer conta que visitou congregações baptistas e viu “uma poderosa ação do Espírito Santo”. Escrevendo a crentes em Londres, ele diz: “O dom de línguas é ouvido abertamente nas reuniões, especialmente nas vilas, mas também nas cidades. (...) O pastor da Igreja Baptista disse-me que muitas vezes as línguas irrompem em suas reuniões e, quando elas são interpretadas, têm como significado:”Jesus está vindo. Jesus está perto. Esteja pronto. Não seja negligente”Quando as línguas são escutadas, incrédulos que porventura estejam na audiência ficam grandemente impressionados”.

Em 1880, na Suíça, uma crente chamada Mary Gerber declara que em momentos especiais de alegria, que descreve como “entregar o meu duro coração ao Espírito Santo”, entoa cânticos espirituais em um idioma que lhe é desconhecido. Anos depois, em visita aos Estados Unidos, Mary estava orando por uma amiga enferma quando começou a cantar e a profetizar fluentemente em inglês, para espanto dele e da sua amiga.

Um outro caso em especial ocorreu na Armênia, em 1880. Membros da Igreja Presbiteriana da vila de Kara Kala pediram a Deus um derramamento do Espírito Santo e vivenciaram um avivamento com línguas estranhas, revelações e profecias. Nesse avivamento, é profetizado um grande mover de Deus para o final do século, atingindo todo o mundo. Essa profecia cumpre-se com o advento do Movimento Pentecostal.
Todos esses casos foram apenas um prelúdio do que aconteceria em Dezembro de 1900 e que deu início ao Movimento Pentecostal.

Surgiram, no século XIX, os pregadores da “segunda bênção”. Homens de Deus como: Dwight Lyman Moody; R. A. Torrey; A. B. Simpson; Andrew Murray; A. J. Gordon; F. B. Meyer e Charles Grandison Finney que passaram a ensinar, à luz da Bíblia, que a nomenclatura bíblica “batismo no Espírito Santo” não era sinônimo de conversão, mas uma experiência subseqüente à conversão e que se caracterizava por ser um revestimento do poder do Alto para dinamizar o serviço cristão.

Moody, Simpson e principalmente Torrey enfatizavam que todo o cristão deveria buscar esse revestimento de poder. Porém, nessa época, os cristãos evangélicos ainda não entendiam que as línguas estranhas eram evidência externa do batismo no Espírito. Os pregadores da segunda bênção criam na contemporaneidade dos dons espirituais. Era comum ouvir registros de que em algumas reuniões havia línguas estranhas, profecia, cura divina, etc., mas nunca se vinculava as línguas ao batismo no Espírito.

Nesse período, grandes servos de Deus começaram a destacar-se, principalmente manifestando dons de cura. Alguns deles foram os norte-americanos: John Alexander Dowie; John Graham Lake e Maria Woodworth Etter. Lake foi curado em 1886, aos 16 anos, após oração de Dowie em seu Divine Healing Home (Lar de Cura Divina), em Chicago. Ele convertera-se em uma reunião do Exército de Salvação, mas passou a congregar na Igreja Metodista ainda adolescente.

Em 1891, John Lake casou com Jennie Stevens e dias depois descobriu que a sua esposa estava com tuberculose e uma incurável doença de coração. Durante anos ele orou por ela, até que, depois de ler Atos 10: 38, orou pela cura da sua esposa com fé na Palavra de Deus e viu o milagre acontecer. Era 28 de Abril de 1898. A partir dessa data, Lake não seria mais o mesmo.

Em 1907, sabendo do Avivamento da Rua Azusa, Lake jejuou pedindo a Deus o baptismo no Espírito com a evidência da glossolália. Ao final do jejum, recebeu a benção e iniciou o seu ministério evangelístico com manifestação da cura divina. Dirigido pelo Espírito, foi para a África do Sul. Antes de morrer, voltou aos Estados Unidos, onde continuou pregando até partir para a Eternidade em 1935. Quando isso ocorreu, as igrejas sul-africanas Missão de Fé Apostólica e Cristã Sião, ambas fundadas por ele naquele país, já contavam, juntas, com mais de 100 mil membros e 600 congregações na África do Sul.

Maria Woodworth converteu-se a Cristo em 1857, na Igreja dos Discípulos. Passou um tempo com os Quakers e depois voltou à Igreja dos Discípulos. Quando pregava em uma congregação da sua igreja, foi batizada no Espírito Santo com evidência de línguas estranhas. Como essa doutrina ainda não havia sido popularizada por Charles Parham, Etter entendera apenas que o revestimento do poder do Alto que recebera viera, nesse caso, acompanhado de línguas. Ela só foi compreender a experiência que vivenciara posteriormente sua pregação era acompanhada por visões, profecias, milagres, línguas e libertações. Quando o Avivamento de Azusa começou, Etter se juntou a ele.

Foi só com Charles Fox Parham que a doutrina do Batismo do Espírito Santo passou a ser entendida como é hoje. Foi ele quem resgatou a compreensão, bastante clara nos tempos apostólicos, de que as línguas estranhas eram evidência externa do batismo no Espírito 

 Síntese pentecostal da Igreja Cristã durante os séculos (6)

         MOVIMENTO PENTECOSTAL - SÉCULO XX 


Tudo ocorreu quando Parham, um professor de Teologia pertencente à Igreja metodista, resolveu abrir um seminário em Topeka, Kansas. Ele abriu a Escola Bíblica Betel, como passou a ser conhecida, em uma casa que pertencera a um tal de Stone, que fizera um trabalho mal feito ao construir o lugar. Por isso, o casarão passou a ser chamado de a “ tolice de Stone”. Era Outubro de 1900 quando ele começou as aulas para cerca de 40 estudantes. Alguns deles já haviam estudado em outros institutos bíblicos.

O que atraiu esses alunos foi o fato de a proposta de Parham consistir em promover um ano de estudos onde ele e os demais alunos estudariam sobre “como descobrir o poder que capacitará a Igreja a enfrentar o desafio do novo século”. Seria um ano de treinamento com estudo da Palavra, oração e evangelismo. Cada aluno teria um período de três horas do dia dedicadas exclusivamente à oração. Conta-se que alguns passavam a noite orando. Era também uma “escola da fé”, como se chamava, já que nenhuma taxa seria cobrada para moradia e alimentação. O objetivo da escola era, em síntese, preparar-se para a obra do Senhor e clamar a Deus por um novo avivamento para as igrejas.

Em 25 de Dezembro de 1900, depois de estudarem sobre Arrependimento, conversão, consagração, santificação, Cura Divina e Segunda Vinda de Jesus, Parham precisou viajar, mas deixou uma tarefa para seus alunos. Disse ele: “Em nossos estudos, nos deparamos com um problema. E o segundo capítulo de Atos? (...) Tendo ouvido tantas entidades religiosas reivindicarem diferentes provas para a evidência do recebimento do batismo recebido no Dia de pentecostes, quero que vocês estudem diligentemente qual é a evidência bíblica do batismo no Espírito, para que possamos apresentar ao mundo alguma coisa incontestável, que corresponda de forma absoluta com a Palavra”. Três dias depois, Parham retorna e seus alunos apresentam a seguinte resposta: a prova irrefutável em cada ocasião era que eles falavam em línguas, e mesmo nas passagens bíblicas onde as línguas não são citadas na experiência do batismo no Espírito, elas estão claramente implícitas. Parham concordou com a resposta e passou a sistematizar a doutrina.

Porém, em 1 de Janeiro de 1901, a Escola Bíblica Betel saiu da teoria para a prática. Em um período de oração, a aluna Agnes Ozman, de 18 anos, pediu para que Parham e os demais alunos impusessem as mãos sobre ela pedindo o batismo no Espírito Santo. Eram 11h daquele dia quando Ozman se tornou a primeira pessoa, depois do período apostólico, a receber o batismo no Espírito consciente de que as lín