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não aceite a apostasia
não aceite a apostasia

APOSTASIA DOS GÁLATAS (1:6-10)

 

6Admira-meno lugar das ações de graças usuais o apóstolo dá va­zão a uma expressão irrestrita de assombro, chamando a atenção para um assunto sobre o qual seus sentimentos eram claramente profundos. 

tão depressaparece que a referência diria respeito à rapidez com que os gálatas estavam aceitando um evangelho falso, e neste caso o evento re­ferido deve ser o começo do falso ensino. É possível, naturalmente, iden­tificar o evento como sendo a ocasião em que se converteram, e a causa do assombro de Paulo seria então a rapidez com que abandonaram o evan­gelho verdadeiro. A referência pode estar também ligada à última visita do apóstolo. Mas a primeira destas interpretações se enquadraria melhor no contexto 

estejais passandoo verbo é pitoresco, usado tanto para uma revolta mi­litar quanto para uma mudança de atitude. O apóstolo pensa nos leitores em termos de quem mudou de partido. Era um caso sério de apostasia. Outro evangelho estava exigindo uma lealdade que deveria ter sido exclu­siva do evangelho verdadeiro. O assombro de Paulo diante de tal aconte­cimento é facilmente entendido.

 daquele que vos chamounão resta praticamente dúvida de que esta frase se refere a Deus Pai. O partido da oposição entre os gálatas certamente teria ficado surpreso ao ficar sabendo que na verdade estava se afastando do próprio Deus. Seu entusiasmo centralizava na lei de Deus; como, pois, era possível dizer que estavam desertando dEle? Paulo teria compreendi­do isto muito bem, porque ele mesmo imaginara estar prestando um ser­viço a Deus enquanto perseguia a Igreja. Este tipo de ilusão é um dos mais difíceis de lidar porque contém um forte elemento de convicção pie­dosa. Mas no momento em que se reconheça que o entusiasmo religioso para com a lei de Deus pode acabar transformando-se numa deserção do próprio Deus, há esperança de que a verdadeira natureza do evangelho venha a ser discernida.

 na graça de Cristoalguns manuscritos omitem "de Cristo", mas quase to­da evidência o apóia. De qualquer maneira, a palavra "graça" subentende uma ligação com Cristo. A escolha da palavra "graça" por Paulo, pretende provavelmente contrabalançar a ênfase dada à "lei" pelos apóstatas. Eles devem aprender que Deus os chamou pela graça e não pela lei. Sua falha em compreender isto fora um erro fundamental. A preposição (en) pode ser entendida como sendo instrumental (= por meio de), embora isto não esgote o significado aqui. Pode também sugerir a esfera em que a chama­da torna-se efetiva, ou até referir-se à entrada numa nova condição. Neste último caso en representaria eis, mas esta possibilidade é mais artificial que as demais. Uma vez que o apóstolo estava pensando na mudança de posi­ção dos gálatas, certo significado local em en se adaptaria melhor ao con­texto. A implicação é que os gálatas, com seu evangelho diferente, estavam saindo da graça para dentro da qual tinham sido chamados.

 para outro evangelhoo adjetivo expressa uma diferença de tipo, e, portan­to, diferencia o evangelho dos falsos mestres daquele pregado por Paulo. Mas em que sentido o evangelho deles é diferente? Não há evidência de que houvesse qualquer disputa quanto aos fatos do evangelho. A diferen­ça consistia na variação das aplicações desses fatos. Sem dúvida, os falsos mestres acreditavam firmemente que sua posição representava na verdade o evangelho, mas Paulo indica que a aplicação do mesmo feita por eles re­presenta, na realidade, um evangelho essencialmente diverso.

 7o qual não é outroparece que Paulo se corrige aqui, como se reconhecesse repentinamente que aquilo que acabara de dizer pudesse dar a impressão de que estava disposto a atribuir a palavra "evangelho" a qual­quer outra forma de ensino. Na realidade, não pode haver outro evangelho, se "evangelho" for entendido como descrição do caminho divino da salva­ção em Cristo. Aquilo que estas outras pessoas estão ensinando é uma perversão (Duncan). Paulo tem uma idéia clara daquilo que queria dizer com "evangelho", mas não se deve supor que fosse uma noção particular sua, pois neste caso, suas palavras não teriam peso. Com toda probabilida­de, havia uma definição geralmente aceita daquilo que era básico ao con­ceito. A Igreja moderna tornou-se menos clara quanto à natureza do evan­gelho, mas faria bem em meditar a importância que Paulo atribui aqui às distinções entre o evangelho verdadeiro e o falso.

 há alguns que vos perturbamem outras ocasiões Paulo se refere aos opo­nentes sem mencioná-los pelo nome (cf. Gl 2:12; 1 Co 4:18; 2 Co 3:1; 10:2). Os leitores os identificariam imediatamente. A palavra usada aqui para "perturbar" (tarassontes) pode referir-se à agitação física, distúrbio mental, ou atividade subversiva. Usada em conjunto com a metáfora de deserção, o último destes três sentidos é preferível.

 pervertero termo (metastrephõ) significa transferir para uma opinião dife­rente, daí, mudar o caráter essencial de uma coisa. A palavra não precisa subentender degeneração, mas onde aquilo que é mudado é bom, a mu­dança deve envolver a idéia da perversão, como aqui. Não se trata de uma simples distorção do evangelho; mas, sim, de dar-lhe uma ênfase que vir­tualmente o transformava em outra coisa. Desta maneira, Paulo demons­tra sua compreensão magistral dos princípios por detrás da política dos fal­sos mestres. Uma salvação dependente da circuncisão; e, por implicação, das observâncias legais, não era de modo algum um evangelho verdadeiro, mas uma perversão. Vale a pena notar que Paulo coloca sobre os falsos mestres a responsabilidade pela anomalia, ao demonstrar que eles mesmos querem (thelontes) perverter.

 o evangelho de Cristoposto que no grego o artigo é usado com o nome de Cristo, o genitivo deve ser considerado uma definição do evangelho num senso específico. Era o evangelho que pertencia ao Messias, mas aqueles que o pervertiam professavam serem zelosos pelas suas reivindi­cações messiânicas ao insistirem numa aplicação essencialmente judaística. O genitivo também poderia ser entendido como uma descrição do evange­lho que Cristo proclamava (i. e., um genitivo subjetivo, cf. Williams), mas a primeira interpretação está mais em harmonia com o contexto. 

8Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céuPaulo es­tá antecipando aqui uma objeção. Os falsos mestres poderiam alegar que aquilo que acaba de descrever como sendo o evangelho de Cristo realmen­te é o evangelho de Paulo. É bem possível terem dito aos gálatas não haver razão para o evangelho de Paulo estar certo e não o deles, especialmente no caso de estarem alegando tratar-se do mesmo evangelho. Mas o apósto­lo assevera com forte ênfase que o único evangelho autêntico é aquele originalmente pregado por ele. Nem o próprio Paulo nem um anjo poderia alterá-lo. O evangelho não era de Paulo, mas de Cristo. Este fato o tomava imutável.

 que vá alémou "contrário a" (RSV), não é a única interpretação das pala­vras gregas (par’ho), embora seja quase certamente correta aqui. Paulo es­tá pensando nas afirmações dos falsos mestres, como sendo absolutamente contrárias à verdade do evangelho. Isto é expresso de modo ainda mais enfático do que a referência à perversão no versículo anterior. As palavras po­dem significar "além de", e neste caso o anátema seria contra acréscimos ao evangelho puro, como, por exemplo, nas tradições dos homens. Alguns dos primeiros protestantes interpretavam assim a expressão na sua denún­cia do apelo católico romano à tradição eclesiástica, como sendo equiva­lente à Bíblia. Num certo sentido, Paulo talvez estivesse pensando na exi­gência da circuncisão, feita por estes mestres, como sendo um acréscimo ao evangelho originalmente pregado aos gálatas, mas a forte acusação sugere que Paulo considera as ações deles como sendo a antítese direta do evan­gelho verdadeiro.

 anátemaa palavra anathema é relacionada com o hebraico herem, usado para aquilo que era dedicado a Deus, usualmente para a destruição. Alguns têm suposto que a palavra era usada entre os judeus para expressar a ex­comunhão (assim Williams). No usoneotestamentário é uma expressão for­te, indicando separação de Deus. Ela subentende a desaprovação de Deus. Realmente, "anátema" é o contraste máximo com a graça de Deus. Seu uso aqui como uma asseveração contra os que pervertem o evangelho, re­flete a avaliação de Paulo quanto à gravidade do ponto de vista deles. Não se tratava de uma explosão irada pelo fato de estarem abandonando aqui­lo que Paulo pregara. Não era uma questão de prestígio pessoal, mas a própria essência do evangelho estava em jogo. Se os falsos mestres estavam diretamente contradizendo o evangelho da graça de Cristo, não haveria qualquer possibilidade de evitarem incorrer no forte desagrado de Cristo. É de certo modo estranho que Paulo se expressasse tão violentamente an­tes mesmo de delinear a natureza da perversão, mas isso demonstra a in­tensidade das apreensões do apóstolo acerca do problema. Na Igreja pri­mitiva o caráter sagrado do evangelho era mais plenamente apreciado do que tem sido freqüentemente o caso na história subseqüenteda Igreja. Nos tempos modernos tem havido uma forte tendência no sentido de confundir as personalidades com o conteúdo do evangelho, mas a inclu­são do próprio Paulo ou mesmo de um anjo na possibilidade de um aná­tema torna indisputavelmente clara a superioridade da mensagem sobre o mensageiro. Para o uso semelhante de um anátema, cf. 1 Co 12:3; Rm 9:3.

 9Assim como já dissemos...este versículo é quase uma repetição exata do v. 8. Mas, por que Paulo se repete? Ele não poderia deixar de impressionar os leitores com um senso de solenidade ao pronunciar o anátema duas vezes. A única mudança é a substituição de "que recebestes" por "que vos tenhamos pregado". O enfoque muda, portanto, dos mensa­geiros para os ouvintes. Os dois juntos refletem o aspecto cooperativo da origem de cada nova comunidade de crentes. Paulo não só pregou pessoal­mente o evangelho, mas este foi também plenamente reconhecido por aqueles que o receberam. A palavra proeirèkamen pode refe­rir-se àquilo que fora dito por Paulo na sua última visita às igrejas da Galácia (assim Duncan), ao invés de à declaração do versículo anterior. Diz-se que esta última interpretação é excluída pelo uso de arti (agora) na frase seguinte (e agora repito), visto que a declaração deste versículo pareceria estar separada por um intervalo daquilo que Paulo dissera previamente (Lightfoot). Se isto for correto, os gálatas não têm desculpa alguma. Sa­biam que um evangelho contrário envolveria um anátema, mas persistiram na sua atividade subversiva.

 daquele que recebesteso verbo usado aqui expressa a comunicação do en­sino cristão autorizado. O próprio Paulo já estivera na situação de recipien­te neste processo, conforme 1 Coríntios 15:3ss. deixa claro, a despeito daquilo que diz no v. 12 (veja o comentário abaixo). É preciso mais do que pregar o evangelho, ele precisa ser recebido. O processo da transmis­são é completo somente quando os homens reconhecem que a mensagem pregada é o evangelho de Deus, e uma vez que isto tenha sido feito, não têm desculpa para desviar-se dele.

 10Porventura procuro eu agora o favor dos homens? O "agora" desta declaração reforça o "agora" no v. 9. Subentende que Paulo está respondendo a uma acusação de que seus motivos se alteraram desde a primeira ocasião em que pregou a eles. Sua pergunta retórica sugere que a acusação de procurar proveito próprio estava sendo feita contra Paulo, sem dúvida com a intenção de desacreditá-lo e, portanto, refutar sua in­fluência. "Procurar favor" (peithō) significa, no contexto, "conciliar", e a idéia parece ser que Paulo, ao afrouxar a exigência da circuncisão para os convertidos gentios, estava facilitando a entrada dos interessados no cristianismo. Em resumo, ele procurava agradar ao povo.

 ou o de Deus? Talvez pareça estranho que Paulo declarasse como segun­da alternativa a idéia de procurar ganhar o favor de Deus, se é que o ver­bo deve ser entendido neste sentido. É melhor tomar por certo que esta segunda parte da pergunta significa: Estou procurando a aprovação de Deus? Parece haver uma pressuposição distinta de que o ser humano tem uma escolha direta entre agradar a homens ou agradar a Deus, e os que fazem a primeira opção não podem fazer também a segunda. Era da má­xima importância para Paulo demonstrar que estava nesta última cate­goria.

 ou procuro agradar a homens? A primeira das perguntas retóricas é repeti­da para ênfase adicional, com uma mudança significativa do verbo, de "con­ciliar" para "agradar" (areskein). É mais do que repetição que está envol­vida. O primeiro verbo refere-se a tornar simples para os homens aceitarem o evangelho, ao passo que este verbo sugere o emprego da lisonja tendo em vista a obtenção da popularidade.

 Se... não seria servo de Cristoa idéia de Paulo como interesseiro pode ser imediatamente refutada por um apelo à sua experiência. A escravidão a Cristo tinha a probabilidade de levar à popularidade? A palavra usada (doulos) sugere tal servidão a Cristo que qualquer idéia de popularidade se­ria totalmente estranha. Paulo usa a mesma descrição da sua categoria na saudação da Epístola aos Romanos (cf. também Tt 1:1). 

Fonte: EBDAREIABRANCA