Translate this Page

Rating: 3.0/5 (946 votos)



ONLINE
5




Partilhe este Site...

 

 

<

Flag Counter

mmmmmmmmmmm


// ]]>


o frutos do Espirito Santo (novos comentarios)
o frutos do Espirito Santo (novos comentarios)

 

O FRUTO DO ESPIRITO SANTO NOVAS NOTAS 

Gálatas 5.22,23 

5:22: Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade,

 A natureza do fruto do Espírito: «...fruto...» está no singular, provavelmente por causa das qualidades morais alistadas aqui, e que se espera que o Espírito Santo implante no crente, como se tudo fosse uma única notável virtude, implantada de uma vez só. Todos os seus aspectos são apenas partes integrantes de um único desenvolvimento espiritual. Perfazem o «fruto do Espírito», por serem encarados como produção sua, como procedentes de sua pessoa, como algo divinamente produzido, e não apenas como qualidades morais.

 Isso nos permite compreender, de imediato, que a vida espiritual, na totalidade de seu desenvolvimento, não consiste em resoluções morais e esforços humanos. Pelo contrário, o ser humano do crente vai sendo transformado segundo a natureza divina (ver Ef 3:19). E esse processo de transformação moral está muito além da capacidade do homem mortal decaído. O alvo, por semelhante modo, é por demais elevado, e a vereda é por demais inclinada para o alto para que o homem possa atingi-lo como uma realização humana. Não obstante, torna-se necessária a cooperação do livre-arbítrio humano, pois, de outro modo, nada ocorrerá. É necessário mesmo que o homem seja uma criatura possuidora de livre-arbítrio, e que aprenda a dar preferência ao bem, e não ao mal, porque o bem é bom, sendo aprovado por Deus. Somente uma criatura assim é digna de ser transformada, somente uma criatura assim pode tornar-se o que Jesus Cristo é, moral e metafisicamente falando.

 Notemos que a palavra «...fruto...» é posta em contraste com o termo «...obras...» O homem, por si mesmo, produzirá sempre «obras da carne», por serem seu fruto natural, humano. Porém, existem aqueles aspectos transcendentais do fruto espiritual, que não consistem de esforço humano, mas antes, que estão alicerçados sobre o amor, visto que o amor é raiz de toda a ação moral elevada, o cumprimento de todas as exigências morais da lei. Uma obra, por conseguinte, consiste em algo que o ser humano pode fazer; mas o fruto é algo nascido por atuação do princípio divino, nele atuante. A palavra «...fruto...» é uma metáfora freqüente nas páginas do N.T., designando algum «resultado» santo, alguma manifestação moral na vida humana. Tal fruto, na realidade, pode ser bom ou mau; mas, nas páginas do N.T., quase sempre é bom. (Ver os trechos de Mt 3:8; 7:16; Jo 5:36; 15:8; Rm 1:13 e 6:21). Há, por semelhante modo, o «fruto da luz» (ver Ef 5:9) e o «fruto dos lábios» (ver Hb 13:15).

 A Nova Lei

 As exigências da antiga lei, foram retiradas de cima de nossos ombros. Sobre nós foram impostos os requisitos da nova lei, a lei do Espírito, gravada em nossos corações (ver Rm 8:2).

 Esse é o novo princípio de vida que nos confere um poder vivo, e não um código frio.

Como estamos sendo conduzidos? Todos os frutos, por conseguinte, são:

1.         Qualidades morais, divinamente implantadas.

2.         Essas qualidades morais são energias transformadoras que produzem a transformação metafísica dos seres humanos, para que adquiram a imagem de Cristo (ver II Co 3:18).

3.         O fruto é um meio de reproduzir aquilo que implanta o fruto; e assim os remidos se tornam membros da família divina, padronizados em seus seres de conformidade com a imagem divina de Cristo Jesus.

4.         Esse processo está inteiramente fora do alcance da lei, de qualquer princípio legalista, mas requer comunhão real com o Espírito de Deus. A vida cristã, pois, é um processo místico, e não apenas um processo ético.

5.         Todo o desenvolvimento espiritual, portanto, requer a realidade e a busca do Espírito, pois ele é a fonte de tudo. Não é suficiente «ler a Bíblia e orar». A experiência humana mostra-nos que isso não basta. Deve haver a inquirição pelo Espírito Santo, bem como a submissão a ele. Por sua vez, quando sua presença é real para nós, ele usará os meios da meditação, do estudo e da oração; tais meios, entretanto, são praticamente inúteis sem a sua presença. Podem modificar temporariamente o indivíduo, pela mera força mental e moral; mas essa modificação (já que independe do Espírito de Deus) não pode perdurar.

6.         Tornar-se alguém gradativamente perfeito, mediante a implantação do «fruto do Espírito» significa vir a participar perfeitamente da «natureza moral positiva do próprio Deus». Ver Rm 3:21. A impecabilidade é apenas um aspecto primário da busca pela santidade. Os remidos precisam participar de todas as qualidades morais positivas de Deus, e essas qualidades envolvem o «fruto» do Espírito Santo. A possessão dessas propriedades morais serve de poder provocador mediante o que chegaremos a participar da natureza metafísica de Cristo. Isso porque a transformação moral leva à transformação metafísica.

 O alistamento de vários aspectos do «fruto» do Espírito, após a lista dos vícios, é uma expansão da idéia do décimo sétimo versículo—ofato que a carne e o Espírito são opostos entre si.

 «...amor...», no original grego, «agape». Com razão essa qualidade do amor aparece logo no começo da lista das virtudes cristãs geradas pelo Espírito de Deus, por ser a fonte originária de todas as demais virtudes.

 As Qualidades Do Amor

 

1.         O amor é o solo onde são cultivadas todas as demais virtudes espirituais—essa é a mensagem deste versículo. O décimo terceiro capítulo de I Corintios, ensina-nos a mesma verdade. O amor é o solo onde todos os dons espirituais são plantados e se desenvolvem. O amor é a fonte de toda a espiritualidade.

2.         O amor é a prova mesma da espiritualidade; e tem início na regeneração (ver I Jo 4:7,8).

3.         O amor é a principal característica da divina família. Governa todas as ações dentro dessa família, passando do Pai para o Filho, daí para os filhos, e dos filhos para outros filhos, dos filhos para o Filho, e, finalmente, deste para o Pai, na ascensão mística da alma.

4.         O amor consiste de querer para os outros, aquilo que queremos para nós mesmos. E a dedicação ao próximo. E o dispêndio de tempo e de energias em favor do próximo, da mesma maneira que nós, voluntária e necessariamente, dispendemos tempo e energias conosco mesmos.

5.         O amor inspira e vitaliza a fé (ver Gl 5:6).

 

Modalidades do Amor: 

1.         O amor-próprio, o qual, embora não seja condenado nas Escrituras, deve estar sob controle, para que não termine como um insuportável egoísmo.

2.         O amor de Deus, de Cristo, dos seres e das coisas celestiais, ou seja, o amor humano dirigido para essas coisas. Esse é o primeiro e maior dos mandamentos (ver Mt 22:37,38).

3.         O amor de Deus pelo homem, que é a fonte de todo o bem-estar humano. (Ver o «amor de Deus», em Jo 3:16). O amor de Deus pelo homem é a base de todo amor do homem pelo homem, sendo também o elevado exemplo e padrão mediante o que o amor humano deve ser exercido.

4.         Finalmente, há o amor do homem para com o seu semelhante. Esse é o tema expandido no décimo terceiro capítulo da primeira epístola aos Coríntios, sendo também essencialmente, o amor referido neste versículo como um dos aspectos do «fruto do Espírito Santo». Porém, o amor como fruto também precisa incluir o amor a Deus, porquanto, sem este, a vida espiritual não terá sentido e nem fruição. O vigésimo quinto capítulo do livro de Mateus mostra-nos que o amor ao próximo equivale ao amor a Cristo e a Deus Pai. No entanto, a maioria dos seres humanos, por enquanto, é incapaz de amar diretamente a Deus. Por essa razão, os homens precisam amar a Deus indiretamente, através de manifestações de gentileza e altruísmo para com outros. Somente a ascendência mística elevada da alma é que permite a um homem amar a Deus diretamente. O amor para com Cristo, naturalmente, também é amor para com Deus; e a esse ponto alguns crentes podem chegar. Esse tipo de amor está incluso no segundo mandamento. (Ver Mt 22:39,40).

 A Metáfora Baseada Na Agricultura

 1.         O agricultor cultiva o solo. O vinhateiro cultiva a vinha. O objetivo desse labor é encorajar o desenvolvimento das plantas. Organismos vivos são os produtos obtidos. Estes podem ser saudáveis ou enfermiços. Aquele que se ocupa do cultivo das plantas, deve ter conhecimento do que faz, pois os resultados dependem principalmente de suas habilidades.

2.         As coisas cultivadas são entidades vivas. Por semelhante modo, dentro do cultivo do Espírito, são produzidas em nós as qualidades e os atributos do Deus vivo, e através dessas coisas é que vivemos. Conforme vamos vivendo, gradualmente vamos assumindo a forma de vida do próprio Deus, Pois o produto que está sendo produzido é um filho de Deus, o qual será conduzido à glória do Pai (verHb 2:10). Contemplemos como os eleitos compartilham da natureza divina (ver II Pe 1:4).

 «'Amor'... Um desejo intenso de agradar a Deus e de fazer o bem à humanidade; a própria alma e o espírito de toda a verdadeira religião; o cumprimento da lei e aquilo que dá energia à fé». (Adam Clarke, in loc).

 «...alegria...» No original grego é «chara». E o termo «charis», traduzido em português por «graça», vem da mesma raiz. Trata-se daquela qualidade de vida que é graciosa e bondosa, caracterizada pela boa vontade, generosa nas dádivas aos outros, resultante de um senso de bem-estar, sobretudo de bem-estar espiritual, por causa de uma correta relação com Deus; é o «regozijo» no Espírito Santo.

 «A alegria envolve pensamentos suaves sobre Cristo, hinos e salmos melodiosos, louvores e ações de graças, com que os cristãos se instruem, inspiram e refrigeram a si mesmos. Deus não aprecia a dúvida e o desânimo. Também abomina ele a doutrina ousada, o pensamento melancólico e tristonho. Deus gosta de corações animados. Não enviou seu Filho para encher-nos de tristeza, e, sim, a fim de alegrar os nossos corações. Por essa razão, os profetas, os apóstolos e o próprio Cristo exortam, sim, ordenam-nos que nos regozijemos e sejamos alegres... Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis aí te vem, o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento num jumentinho, cria de jumenta (ver Zc 9:9). Paulo disse: 'Regozijai-vos sempre no Senhor'. Cristo disse: 'Regozijai-vos antes porque vossos nomes estão escritos nos céus'». (Lutero, in loc, aludindo aos trechos de Fp 4:4 e Lc 10:20).

 A alegria cristã, entretanto, não é uma emoção artificial. Antes, é uma ação do Espírito de Deus no espírito humano, para que este venha a conhecer que o Senhor Deus está em seu trono, e que tudo está sob seu controle neste mundo, até onde a sua experiência pessoal está envolvida. Essa alegria é a inspiradora da esperança e da coragem. É a confiança em Deus e a satisfação de estarmos vivos em Cristo. É essa alegria do Espírito, no coração e na expressão nossa para com nossos semelhantes, que está aqui em foco.

 «...paz...» Deus é a fonte da verdadeira paz (ver Rm 1:7 e 15:33), pois isso requer uma harmonia que não é possível sem o favor divino e sem o seu impulso. A queda do homem no pecado destruiu a paz, a paz com Deus, com outros homens, com o próprio ser, com a própria consciência. E assim se estabelece a alienação entre o indivíduo e Deus, entre o indivíduo e os outros homens, e entre o indivíduo e ele mesmo. Por conseguinte, a paz deve incluir a restauração. (Ver em Rm 5:1, onde se lê: «Justificados, pois, mediante a fé, tenhamos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo»).

 Foi por meio da instrumentalidade da cruz que Deus estabeleceu a paz (ver Cl 1:20). Portanto, a paz envolve muito mais do que uma tranqüilidade íntima, que prevaleça a despeito das tempestades externas. Antes, trata-se de uma qualidade espiritual, de origem cósmica e pessoal, produzida pela reconciliação, pelo perdão dos pecados e pela conversão da alma a sua conseqüente transformação segundo a imagem de Cristo. Quando um homem qualquer abandona ao 'eu' e ao egoísmo, com as suas muitas manifestações, ficando corrigidas as suas relações espirituais com Deus, então a tranqüilidade e a paz divinas passam a ser a norma de sua vida. Assim, pois, a verdadeira paz tende para a tranqüilidade de consciência.

 A paz conserva a mente e a alma crentes na confiança para com o Senhor, pois oferece as condições necessárias para que Deus acolha ao homem. (Ver Fp 4:7). Mediante essa paz, que nos é dada através da reconciliação com Deus, os homens podem viver em paz uns com os outros. (Ver Rm 12:18).

 «Pela época em que Paulo se preparava para imergir esse termo no Espírito de Cristo, duas correntes de significação fluíam do mesmo, mediante a versão da Septuaginta (tradução do original hebraico do A.T. para o grego, completada cerca de duzentos anos antes da era cristã). Do grego se derivou a idéia de «harmonia», e do hebraico, o vocábulo desse idioma, «shalom». Este vocábulo hebraico expressava total bem-estar, 'prosperidade', 'sucesso', 'sanidade', o que tornava uma pessoa qualquer 'sã', espiritual e materialmente, tornando a vida boa e o mundo seguro para a bondade. Isso exigia corretas relações com Deus e justiça entre os homens; e isso envolvia mais do que a liberdade das contendas». (Stamm, in loc).

 A paz é o contrário exato do ódio, da desavença, da contenda, do conflito, da inveja, dos excessos, tudo o que são obras da carne. Produz uma tranqüilidade mental alicerçada nas corretas relações com Deus e com os homens, mediante a retidão e a reconciliação. «A paz é o primeiro fruto que se observa após o perdão dos pecados». (Adam Clarke, in loc). Em suas manifestações na alma, por intermédio do Espírito Santo, a paz serve de grande consolador em qualquer e em todas as provações. No dizer de Fp 4:7, é aquela «...paz de Deus, que excede todo o entendimento».

 «...longanimidade...» Podemos observar, em toda esta lista, que as qualidades mencionadas são, supremamente, qualidades morais de Deus. Disso consiste a participação nas «perfeições morais» de Deus, quando então nos tornaremos «santos como o Pai é santo», possuidores de toda a sua santidade positiva, e não meramente nos tornando «impecáveis», o que indica apenas o começo do gigantesco progresso que nos conduzirá à santidade plena.

 A «...longanimidade...» (no grego, «makrothumia»), quando é uma qualidade atribuída a Deus, significa que ele tolera pacientemente todas as iniqüidades do homem, não se deixando arrebatar por explosões de ira e furor, o que só poderia significar a destruição do homem. Nisso se manifesta o amor de Deus, como também a sua bondade e gentileza. Os homens cometem pecados, falhas, provocam desordens. Mas Deus se mostra longânimo ante tais coisas, aplicando sua misericórdia, e não sua indignação justa. Ora, de nós, os crentes, é esperado que nossas relações com os outros homens se caracterizem pela longanimidade, do mesmo modo que Deus tem agido conosco. (Ver os trechos de II Co 6:6; Cl 1:11 e 3:12). (Quanto à «longanimidade de Cristo para com os homens», ver I Tm 1:16; quanto à «longanimidade de Deus para com os homens», ver Rm 2:4; 9:22; I Pe 3:20; II Pe 3:9,15). «A longanimidade do Senhor nos é salvação». Não poderia mesmo haver salvação sem longanimidade divina; e isso mostra a imensa importância da longanimidade.

 No dizer de Adam Clarke (in loc.), a. longanimidade consiste em «...suportarmos as fragilidades e provocações alheias, com base na consideração que Deus se tem mostrado extremamente paciente conosco; pois, se Deus não tivesse agido assim conosco, teríamos sido imediatamente consumidos; suportando igualmente todas as tribulações e dificuldades da vida, sem murmurações e rebeldias; submetendo-nos alegremente a cada dispensação da providência de Deus, e assim derivando benefícios de cada ocorrência».

 «A longanimidade é a paciência que nos permite subjugar a ira e o senso de contenda, tolerando as injúrias». (Matthew Henry, in loc).

 «Constância de alma, sob a provocação à alteração... tolerância, permanência ante o erro sofrido ou a conduta exasperadora, sem nos deixarmos arrastar pela ira e sem nos atirarmos à vindita... Portanto a. paciência, persistência, constância... b. tolerância ante os erros sofridos, sem ira ou vindita... tolerância para com os indivíduos cuja conduta visa provocar-nos à ira». (Burton. in loc).

 «...benignidade...», no original grego, é «chrestotes», que significa «gentileza», «bondade». Esse termo grego também indica «excelência de caráter», «honestidade». Deus é a sua fonte originária, e Cristo foi quem melhor exemplificou essa qualidade, passando a ser o nosso modelo, tal como no caso de todos os aspectos do fruto do Espírito Santo. O crente que possui essa qualidade é «gracioso», e «gentil» para com seus semelhantes, não se mostrando inflexível e exigente.

 «Doçura de temperamento, sobretudo para com os inferiores, predispondo-nos a uma atitude afável e cortês, que nos deixa facilmente abordáveis, quando alguém nos magoa». (Matthew Henry, in loc.).

 «Os seguidores do evangelho não devem ser inflexíveis e amargos, mas antes, gentis, suaves, corteses e de fala mansa, o que deveriaencorajar outros a buscarem sua companhia. A gentileza pode disfarçar as faltas alheias e encobri-las. A gentileza sempre se mostra alegre ao dar algo a outros. A gentileza pode dar-se bem até mesmo com pessoas ousadas e difíceis, segundo aquela antiga declaraçãopagã: 'precisas conhecer as maneiras de teus amigos, mas não deves odiá-los'. Nosso Salvador, Jesus Cristo, foi uma pessoa imensamente gentil, conforme os evangelhos o retratam. Acerca de Pedro ficou registrado que ele chorava sempre que se lembrava da suave gentileza de Cristo em seus contactos diários com as pessoas». (Martinho Lutero, in loc).

 «É difícil dizer o quanto as mentes dos homens se deixam conciliar por maneiras gentis e por palavras suaves». (Cícero, De Officiis).

 «...bondade...» «Retidão», «prosperidade», «gentileza», são outros sentidos possíveis do termo grego «agathosune». O uso que Paulo faz desse termo, nos trechos de Rm 15:14 e II Ts 1:11, mostra-nos que o sentido geral por ele dado à palavra é «bondade», isto é, aquela qualidade de generosidade e de ação gentil para com outras pessoas, tudo se originando, naturalmente, de um caráter intimamente bondoso.

 «Uma pessoa é bondosa quando se dispõe a ajudar àqueles que estão em necessidade». (Lutero, in loc.).

 «O terreno palmilhado por um homem bom é santo». (Goethe, Torquato Tasso).

 «Não existe homem tão bom que, ainda que se submetesse, em todos os seus pensamentos e ações, às leis, não merecesse ser enforcado por dez vezes durante a sua vida». (Michel de Montaigne).

 «A bondade é uma forma especial de verdade e de beleza. É a verdade e a beleza no comportamento humano». (Harry Allen Overstreet).

 «O homem bom é o seu próprio amigo». (Sófocles, Oedipus Coloneus).

 «Sede bondosos, e vos sentireis solitários». (Mark Twain).

 Podemos observar a vida terrena inteira de Jesus de Nazaré, vivida em meio a atos de bondade para com outros. Ora, para que o crente se mostre supremamente bondoso, precisa contar com o auxílio divino; portanto, essa qualidade é um dos aspectos do fruto do Espírito Santo.

 «...fidelidade...», no original grego, é «pistis», que pode significar tanto «confiança» quanto «fidelidade»; e ambas essas facetas dessa virtude certamente procedem do Espírito de Deus, embora a «fé» seja o principal aspecto destacado aqui. O justo vive pela fé, e de fé em fé. A fé é posta em contraste com o princípio legalista, que não pode ser frutífero, antes, é estéril. Por conseguinte, a fé não consiste em1. um credo; 2. aceitação intelectual de um credo; e 3. um conjunto de doutrinas, conforme essa palavra ocasionalmente é usada. Antes, neste passo bíblico, indica a «confiança em Jesus Cristo», a fé evangélica. (Ver o trecho de Ef 2:8,9, quanto ao fato, igualmente importante, que a fé não é produto humano, mas ocorre através da operação divina). Por conseguinte, a fé consiste em confiança de alma em Cristo, resultante de uma experiência com ele. A alma passa a reconhecer a veracidade das realidades espirituais, por ter visto e experimentado tais coisas; e reconhece-as intuitivamente. Ora, quando isso é transmitido à mente consciente, diz-se que o indivíduo veio a crer.

 A fé, de parceria com o arrependimento, forma a conversão. Mas a fé também é o princípio orientador e normativo da nova vida, e não meramente sua fonte originária. Por igual modo, a fé não é uma nova obra ou algum novo mérito. Pelo contrário, é a entrega da alma às mãos de Cristo, alicerçada sobre o conhecimento espiritual. Isso permite-nos ver quão distante é isso do conceito simples da crença em algum credo, conforme a fé tem sido reduzida em tantas denominações evangélicas hoje em dia. Posto que a fé, paralelamente ao arrependimento, perfaz a conversão, a fé é, realmente, o passo inicial da conversão. Mas isso só pode ocorrer mediante operação do Espírito de Deus, ainda que se exija também a cooperação do livre-arbítrio humano. Mediante essa operação, a alma humana é levada a depender de Cristo, confiando nele e entregando-se a ele. Isso é fé.

 Alguém pode crer em certos fatos acerca de Cristo; mas isso é, tão-somente, resultante da fé, e não a sua substância. A entrega da alma às mãos de Jesus Cristo, — com a finalidade de ser transformada segundo a sua imagem, nisso é que consiste a fé. Por conseguinte, a fé é um princípio que permeia a vida espiritual inteira, sendo seu iniciador, seu guia, seu aperfeiçoador. É por isso que a Escritura diz: «O justo viverá da fé»; como também ensina ela que vivemos «...de fé em fé». (Ver Rm 1:17). Isso produz aquela «fidelidade» que seria preferível como tradução de «pistis» neste versículo, de conformidade com muitos estudiosos, a despeito do fato que nenhuma fidelidade é possível sem o concurso da fé. Ambas essas idéias precisam ser incluídas neste passo bíblico, como um dos aspectos do fruto do Espírito de Deus. Ninguém pode fazer separação entre a fé e a fidelidade, mas é de acordo com esta última qualidade que os homens agem honesta e beneficentemente para com outros. A fé distinta da fidelidade estaria, realmente, morte.

 A fé é vitalizada pelo amor, pois, do contrário, não será a verdadeira fé sob hipótese alguma, conforme aprendemos no sexto versículo deste capítulo. A fé é criada, fortalecida e confirmada pela comunhão mística com Cristo, através do Espírito Santo. Portanto, será sempre um contacto divino com o homem. É mister que o indivíduo viva no Espírito para que possa realmente conhecer a fé. No caso de alguns crentes, a fé pode ser um elevado dom espiritual. Alguns crentes possuem uma confiança em Deus que outros crentes não têm; esses possuem uma fé extraordinariamente desenvolvida, a fim de que possam realizar determinadas missões. (Quanto a esse aspecto da «fé», ver I Co 12:9). Mas uma verdadeira dependência da alma a Cristo, em qualquer grau, é um dos aspectos do fruto do Espírito, embora deva sempre surgir como algo paralelo à submissão do livre-arbítrio humano; pois, do contrário, não operará. A fé, pois, é uma entrega da alma a Cristo, a fidelidade a ele por causa dessa entrega, e, em seguida, fidelidade e ação honesta para com os outros homens.

 «A fé não é simples crença. A crença é passiva. A fé é ativa. É uma visão que inevitavelmente passa à ação». (Edith Hamilton, Witness to the Truth). 

«A fé é como o amor. Não pode ser forçada». (Arthur Schopenhauer). 

«...andamos por fé, e não pelo que vemos» (II Co 5:7). 

5:23: a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. 

«...mansidão...» é tradução do vocábulo grego «prautes», que significa «placidez», «modéstia», «gentileza», «cortesia», como traduções possíveis. Essa é a qualidade exaltada na terceira bem-aventurança, uma qualidade de caráter daqueles que haverão de herdar a terra. (Ver Mt 5:5). No trecho de Mt 11:29 vemos que Cristo se refere a si mesmo como aquele para quem os homens devem achegar-se e em quem devem confiar, para que ele lhes tire suas cargas, por ser ele manso e humilde de coração. Na passagem de Fp 2:1-11; essa qualidade é associada à «mente de Cristo». Consiste em um espírito de mansidão e gentileza no trato com o próximo.

 Para Aristóteles, essa característica era um «vício de deficiência», e não uma virtude; e essa parece ter sido a atitude da maioria dos antigos sistemas éticos. Naturalmente, essa qualidade não envolve a autodepreciação, conforme é o hábito de certos indivíduos, que pretendem imitar essa qualidade. E quiçá assim é que Aristóteles encarava tal qualidade, como uma autodepreciação. Trata-se de uma genuína falta de maldade e aspereza, de mistura com as qualidades da paciência e da gentileza. Trata-se de uma submissão do espírito humano para com Deus, e, em seguida, para com o homem. A mansidão é resultado da verdadeira humildade, por causa do reconhecimento do valor alheio, com a recusa de nos considerarmos superiores. Deus é a fonte dessa graça, e Cristo Jesus é o seu exemplo supremo, o que ele demonstrou em todo o seu modo de tratar os homens.

 «...domínio próprio...» No grego é egkrateia», «autocontrole». Na passagem de I Co 7:9, essa palavra é usada em relação ao controle do impulso sexual; mas, em I Co 9:25, refere-se a toda a forma de autocontrole e autodisciplina que um atleta precisa exercer para ser bem sucedido em suas tentativas de obter a coroa da vitória. Parece que Paulo se utiliza dessa palavra, neste contexto, dando a entender aquele autocontrole que obtém o domínio sobre os vícios alistados nos versículos dezenove a vinte e um deste capítulo. Para que seja vitorioso e obtenha a coroa, na luta contra o mal, o crente precisa de uma completa autodisciplina e de total autocontrole. Mas isso só pode ocorrer com a ajuda do Espírito Santo. Maior é aquele que se domina do que aquele que conquista uma cidade, no dizer de Pv16:32.

 Os filósofos estóicos percebiam claramente a verdade expressa por essa virtude do domínio próprio. Eles procuravam fazer com que a razão dominasse a vida inteira, controlando as paixões e firmando a alma. Porém, o poder atuante do Espírito Santo, no íntimo do crente, é mais forte do que a razão humana, embora a razão seja um útil aliado e instrumento dessa habilidade que nos é propiciada pelo Espírito de Deus.

 «Considero mais corajoso aquele que domina os seus próprios desejos do que aquele que conquista os seus inimigos; pois a vitória mais difícil é a vitória sobre o próprio 'eu'». (Aristóteles, Stobaeus: Florilegium). 

«Nenhum conflito é tão severo como o daquele que se esforça por subjugar a si mesmo». (Tomás a Kempis, Imitação de Cristo).

 «Domina-te a ti mesmo. Enquanto não tiveres conseguido isso, serás apenas um escravo; porque será quase a mesma coisa que ser sujeito ao apetite alheio, o seres sujeito às tuas próprias paixões». (Robert Burton, Anatomy of Melancholy).

 «...Contra estas cousas não há lei...» As leis são baixadas a fim de entravarem e eliminarem o mal; mas as virtudes dignas, como aquelas aqui alistadas, não são proibidas nem pela lei de Deus e nem pelas leis dos homens. Pelo contrário, as autoridades e as leis louvam o indivíduo agraciado por essas virtudes. A lei de Deus exige tais virtudes, longe de mostrar-se contra elas. No entanto, elas nos são oferecidas e implantadas, dentro do sistema da graça divina, através da fé, vitalizada pelo amor. A lei de Deus, pois, mostra-se em favor do virtuoso, e não contra ele; mas a lei de Deus não tem o poder de produzir essas virtudes no indivíduo. O «conhecimento» dessas virtudes não está fora do alcance da lei; mas o «perfazê-las» na experiência real, transcende ao poder do princípio legal. O apóstolo dos gentios já havia demonstrado que isso é uma verdade; e parece que isso faz parte do significado dessa expressão, ou, pelo menos, parece que isso fica subentendido. O que é produzido pelo Espírito de Deus, dentro do sistema da graça divina, jamais poderia ser condenado pela lei de Deus. Pelo contrário, tal fruto será sempre elogiado pela lei, ordenado por ela. Os elementos tendentes para o legalismo, pois, que realmente se interessem pela santidade, deveriam submeter-se àquilo que é elogiado pela lei.

fonte  www.avivamentonosul.blogspot.com.br

FONTE Bibliografia R. N. Champlin,COMENTARIO DO NOVO TESTAMENTO,2003