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sete trombetas 8.2
sete trombetas 8.2

As Sete Trombetas

 

 

O fato de a palavra anjo ocorrer mais de 70 vezes no Apocalipse prova a preeminência do ministério angélico no desenrolar dos propósitos finais de Deus para o mundo. Seus anjos são os executantes de suas multíplices operações. Nós, na presente era da Igreja, não dependemos dos anjos (uma vez que o Espírito Santo é o administrador dos assuntos da Igreja e age como executivo da Divindade, o verdadeiro Vigário de Cristo), mas depois do arrebatamento da Igreja novamente os anjos fazem-se conspícuos na execução dos éditos divinos. “As coisas que desejam contemplar” serão totalmente compre­endidas por eles ao executarem a missão que lhes foi confiada pelo céu entre os homens. Quanto mais lemos o Apocalipse, mais nos impressio­namos e nos espantamos com a obediência, dignidade e autoridade desses seres angelicais mencionados mais no Apocalipse que em qualquer outro livro da Bíblia.

 

No grego, “anjo” significa mensageiro e usa-se tanto para os arautos humanos como para os celestes. As sete estrelas (1:20) são usadas para simbolizar os anjos das sete igrejas, e estes anjos descrevem não a natureza mas o ofício dos líderes espirituais das igrejas, responsáveis por manter a luz do glorioso Evangelho durante a noite escura da história da Igreja.

 

O contexto da palavra “anjo” determina sua aplicação a seres humanos ou celestes. Veja Lucas 7:24; 9:52; 2 Coríntios 12:7; Tiago 2:25. Nestas passagens a palavra “mensageiro”—a mesma que o original grego registra para “anjo”—é usada com respeito aos que são enviados em missões de várias espécies. Quando se usa o termo especificamente com relação a seres celestiais, também implica a grande característica do serviço (Salmo 103:20, 21; Hebreus 1:13, 14). Há outras referências nas quais a palavra “anjos” contém a ideia de “representações” ou “guardiães”, como na afirmativa de nosso Senhor a respeito dos pequeninos terem seus anjos no céu que velam por eles. “Seu anjo” em Atos 12:15 e Apocalipse 1:1 era um ser celestial proeminente na hierarquia do céu, representando, em seu ministério, o Senhor dos anjos.

 

Nesta era do Evangelho os anjos são espíritos ministradores, enviados a fim de assistir os que hão de herdar a salvação (Hebreus 1:13, 14). No Apocalipse, particularmente na maior parte do livro que lida com a preparação e execução da autoridade judicial de Cristo, quase toda frase tem seu anjo ou anjos, como nos mostra este breve resumo:

 

Um anjo é o intermediário entre Cristo e João na entrega do livro do Apocalipse (1:1-4).

Os anjos são os representantes morais das sete igrejas (1:20; capítulos 2 e 3).

Um anjo desafia o universo a apresentar alguém que tenha compe­tência para cumprir os justos conselhos de Deus relacionados com o mundo (5:2).

Anjos, em multidões incontáveis, adoram e dão louvor a Cristo como o Cordeiro que foi morto (5:11, 12).

Aos anjos é dado poder para controlar os elementos naturais (7:1).

Anjos têm autoridade para selar os verdadeiros servos de Deus (7:2, 3).

Anjos são tocadores de trombetas; cada uma das sete trombetas tem seu próprio anjo (capítulo 8).

Os anjos são identificados com as sete taças da ira divina (capítulo 16).

Os anjos são aliados de Deus na guerra celestial contra as forças infernais (capítulo 12).

Um anjo proclama o Evangelho eterno (14:16).

Um anjo anuncia as horríveis novas da queda de Babilônia (14:8).

Um anjo troveja o terrível destino dos adoradores da besta (14:9).

Um anjo sai do templo (14:15), e outro, do altar (14:18).

Um anjo é o guardião das águas—símbolo dos povos da terra, controlados pelo anjo sob a mão governadora de Deus (17:15), e que concorda com o julgamento divino.

O termo “outro anjo” é usado três vezes no Apocalipse (8:3; 10:1; 18:1) e merece atenção especial em nosso tratamento destas referên­cias.

 

Há dois grupos distintos de sete anjos a quem João chama de sete anjos; no texto original, dá-se ênfase ao artigo, o que implica sua posição elevada e de honra perante e trono de Deus. Há os sete anjos associados com os juízos da trombeta (capítulos 8 a 14) e os sete anjos relacionados com a ira ou últimas pragas divinas (15:1; 16:1). Uma vez que não se dá aos anjos das pragas o artigo definido, provavelmente não sejam da mesma ordem que os anjos das trombetas e que têm a honra de estar na presença de Deus (8:2). Dois outros grupos de anjos enumerados são: quatro anjos (7:1) e doze anjos (21:12).

 

Os Sete Anjos das Trombetas

 

Embora seja verdade que uma hoste incontável de anjos serve o trono de Deus (“Milhares de milhares o serviam, e miríades e miríades assistiam diante dele”—Daniel 7:10), parece que os sete anjos das trombetas são anjos da presença, ou “o anjo da sua presença” (Isaías 63:9) e portanto, de uma ordem exaltada. Gabriel descreve sua posição como estando na presença de Deus, em Lucas 1:19. Será que todos estes sete anjos são arcanjos?

 

O número sete significa que estes seres angelicais de hierarquia elevada representam o poder completo de Deus nos assuntos judiciais, e que são os executantes de sua vontade no que diz respeito ao juízo. Apoiando seus pronunciamentos e ações está a autoridade do trono perante cujo ocupante divino se encontram. Paulo, em Efésios 6:12, indica que há distinções entre as hostes angelicais. Embora haja ordens várias e diferentes hierarquias distribuídas entre os anjos de Deus, nenhum deles jamais lhe usurpa a posição, mas conjuntamente oferecem a Deus obediência e atividade em serviço inquestionáveis.

 

As Sete Trombetas

 

As sete trombetas, de chifres de carneiro, tocadas pelos sete sacerdotes em sete dias consecutivos anunciaram e acarretaram a queda de Jericó (Josué 6). Os sete sacerdotes tocaram as trombetas em conjunto, os sete anjos, porém, não as tocam em uníssono, mas uma a uma. Assim, parece que cada anjo equivale a sete sacerdotes e portanto “maior em poder e força”, como diz Pedro.

 

As trombetas serviam para muitos propósitos nos dias do Antigo Testamento, e eram usadas para viagens, alarmes, e preparação do exército divino contra seus inimigos (Números 10:1-9; Jeremias 1:14- 18; 4:19; Joel 2:1; Mateus 24:31). Afirma Walter Scott: “As setetrombetas significam um anúncio completo e total. Não se deve confundir as trombetas místicas do Apocalipse com as trombetas literais dos tempos do Antigo Testamento.” Uma vez que os homens ouçam o som destas trombetas, não haverá confusão quanto ao seu significado e mensagem horríveis. Não há algo majestoso e no entanto solene a respeito destes tocadores de trombetas angelicais enquanto se preparam para tocar? Lá estão eles em fila, trombeta na mão, esperando para proclamar seus respectivos juízos (8:6).

 

Do silêncio impressionante do sétimo selo, emergem as sete trombe­tas com sua missão de caráter judicial, e as séries de sete aumentam em severidade. Os sete selos, as sete trombetas e as sete taças, não são juízos idênticos executados ao mesmo tempo. Apresentam três séries diferentes de juízos experimentados durante a grande Tribulação, ou a septuagésima semana de Daniel. Os juízos dos selos, trombetas e taças não são contemporâneos, mas sucessivos.

 

As primeiras quatro trombetas descrevem a condição civil e eclesiás­tica do império romano do Ocidente renovado; a quinta trombeta do primeiro ai relaciona-se com o Judaísmo apóstata; a sexta trombeta ou segundo ai associa-se com os habitantes culpados e sem Deus do mundo romano; a sétima trombeta ou terceiro ai sugere os efeitos universais dos juízos de Deus.

 

Antes de examinarmos com mais detalhes os anúncios dos sete anjos, devemos identificar o anjo separado—“outro anjo”—que apare­ce em sua companhia (8:3-5). É ele simplesmente outro anjo ou é alguém especial? Sempre que se usa a frase outro anjo, no Apocalipse,usa-se a palavra- grega allos—outro da mesma espécie. Muitos expositores acreditam que a expressão “anjo do Senhor”, sempre que ocorre, implica a presença da Divindade em forma angélica e, às vezes, até mesmo em forma humana (Gênesis 18:1-14, etc.) Referem-se a estas como aparições teofânicas de Cristo antes de sua encarnação. Quanto ao seu ser celestial e espiritual, Cristo é como os anjos, mas também é infinitamente melhor do que eles por ser o Filho de Deus e Senhor dos anjos, que, a fim de salvar a humanidade perdida, foi feito um pouco menor do que os anjos.

 

Alguns expositores do Apocalipse afirmam que o anjo especial que serve no altar é apenas um dentre a hoste angelical, e não o Senhor Jesus Cristo. Sustentam ser ele o Cordeiro que abre o selo e dirige os processos do juízo, e que sua missão na Tribulação não é interceder, mas condenar. Explica-se ainda que o incenso mencionado é dado a este preeminente anjo, e que não haveria necessidade de ninguém entregar a Cristo o incensário.

 

Mas estamos convencidos de que anjo algum, qualquer que seja sua posição, tenha qualificações para estar na presença do altar celeste perante Deus em benefício do homem, nem recebe o exercício de funções sacerdotais.

 

Como há somente um mediador entre Deus e os homens—o Homem Cristo Jesus que se deu em resgate de todos—estamos convencidos de que este anjo-sacerdote, cuja ação nos altares tem caráter mediatório, é Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote.

 

A glória do anjo de Jeová que desce do céu é vista de três maneiras:

 

Como o anjo-sacerdote, por amor de seu remanescente sofredor (capítulo 8).

Como o anjo-redentor, para tomar posse de sua herança (capítulo 10).

Como anjo-vingador de seu povo, tomando vingança da Babilônia (capítulo 18).

 

Prova-se que a descrição do anjo-redentor não é de um anjo comum, pelo fato de referir-se ele aos dois profetas martirizados como “minhas duas testemunhas” (11:13), o que não poderia ser escrito de qualquer anjo. Além disso, o arco-íris jamais é usado na Bíblia a não ser com referência a Deus. Portanto, o anjo aqui deve ser o Filho de Deus (10:1). A descrição “como o rugir de um leão” fala dele como “o Leão da tribo de Judá” (5:5).

 

Este anjo-sacerdote certamente deve ser o Mediador, Jesus Cristo, pois ninguém mais pode acrescentar eficácia às orações dos santos. Na cena celestial que João recebeu e registrou, feições discerníveis aparecem sob imagens da língua judaica. Por exemplo, apenas sacerdotes serviram tanto nos altares de cobre como de ouro. A linguagem que João usa lembra o altar da oferta queimada, no pátio do tabernáculo.

 

As orações dos santos inspiradas pelo Espírito jamais são esqueci­das. Se essas orações não forem respondidas durante a vida dos que as oferecem, frequentemente o são depois de os intercessores terem ido para o céu. O Senhor jamais se esquece de nenhum dos seus. Eles são sempre lembrados em sua presença.

 

Incenso representa a vida e as obras do Salvador. Seu cheiro suave é o incenso, e sua morte e ressurreição eficaz dão aceitação divina às nossas orações inspiradas pelo Espírito. O altar é o local da propiciação substituinte, e o fogo fala do juízo divino sobre o pecado (e o juízo sobre a terra é o que os anjos das trombetas anunciam—8:5, 6). Deve-se notar que os anjos apenas anunciam o juízo; eles não o executam nem o dispensam. Mas o anjo-sacerdote distribui o juízo (8:5).

 

A Primeira Trombeta (8:7)

 

Os dias da Tribulação verão repetirem-se as pragas do Egito sofridas por Faraó e sua corte. Agências destruidoras estão prestes a dominar a terra, e o que acontece depois de soar a primeira trombeta corresponde à sétima praga do tempo de Israel (Êxodo 9:18-26). A Bíblia não se cala com respeito ao significado simbólico das figuras usadas. A. T. Robertson, profundo conhecedor da língua grega escreveu: “Nas visões e por todo o Apocalipse há o uso constante de símbolos. Os primeiros leitores do livro compreendiam os símbolos, embora para nós o seu segredo esteja perdido.” A despeito de toda a consideração que nos merece este erudito expositor, a chave não nos está perdida, pois a Escritura interpreta a Escritura.

 

Saraiva, descendo dos altos, prova ser Deus o executor de juízo severo numa calamidade repentina, forte e avassaladora. (Ver Josué10:11; Isaías 28:2, 17; 30:30; Ezequiel 13:13, etc.)

 

Fogo, símbolo que Deus usa para Cristo e para o Espírito Santo, muitas vezes é empregado como expressão da ira de Deus sobre o homem por causa de seu pecado. (Ver Deuteronômio 32:22; Isaías 33:14; Mateus 25:41.) Indica também a influência purificadora da Palavra de Deus. (Ver Jeremias 23:29; Malaquias 3:2.)

 

Sangue representa o morticínio terrível, a vida tolhida pelo pecado mas reclamada por um Deus santo, e a apostasia completa de Deus e da verdade. (Ver Levítico 3:17; 17:10-14; Apocalipse 14:20; 16:3.)

 

Saraiva e fogo misturados com sangue apresentam uma combinação horrorosa. Tal trindade expressa a manifestação terrível da ira divina sobre a terra e seus habitantes. Quanto aos juízos das sete trombetas, os primeiros quatro são sobre lugares, coisas materiais e acessórios da vida. Os três últimos, são sobre pessoas e sobre a própria vida.

 

No primeiro juízo, a terça parte das árvores é queimada. Diferentes partes do mundo têm experimentado incêndios florestais devastado­res, mas a história não registra nenhum acontecimento que diz ter sido destruída pelo fogo a terça parte das árvores do mundo. Portanto, uma interpretação histórica do Apocalipse não cabe aqui. A repetição por 12 vezes da frase terça parte é impressionante. Como usada por João é equivalente ao poder revivificado de Roma. Afirma Walter Scott: “A parte ocidental da terra profética é aqui designada como a terça parte.” Não devemos esquecer-nos de que a sombra de Roma, passada e futura, é lançada sobre o livro do Apocalipse. As 12 terças partes podem representar a vingança de Deus sobre Roma, pois 12 é o número governamental de Deus referente à parte mais culpada da terra.

 

Árvores simbolizam a grandeza e o orgulho humano. (Ver Ezequiel 31; Daniel 4; Apocalipse 8:7.) Nosso Deus justo odeia o orgulho do homem e dominará os orgulhosos e poderosos da terra com o juízo.

 

Erva verde, símbolo da prosperidade de caráter temporário (bem como da fragilidade humana) aqui descreve a desolação de tanta gente, embora possuíssem uma condição próspera como da “erva verde”. (Veja Isaías 40:6, 7; Tiago 1:10; 1 Pedro 1:24; Apocalipse 8:7.)

 

A Segunda Trombeta (8:8, 9)

 

Comparando Escritura com Escritura, descobrimos que o mar é usado como a inquietação da natureza humana, e também dos povos em estado de anarquia e confusão (Isaías 57:20; Apocalipse 8:8; 13:1).

 

Navios representam viagem e comércio (Gênesis 49:13; Apocalipse 8:9; 18:19).

 

Frases denotando comparação (como, com a aparência de) são usadas com frequência no livro do Apocalipse e indicam a linguagem simbólica. (Ver Jeremias 51:25, onde monte é símbolo de um reino. Veja também Salmo 46:2 e Zacarias 4:7.) Todo o mundo gentio há de sofrer a justa vingança de Deus.

 

A transformação do mar em sangue corresponde à praga que invadiu o rio Nilo (Êxodo 7:17-21). Assim como o mar sempre agitado representa as multidões da terra em rebelião por falta de mão forte que as dirija, o mar que se parece com o sangue descreve a terrível destruição que lhes há de sobrevir. Impeça-se a passagem pelo mar e o principal meio de comércio mundial está bloqueado. Mas os usos e os produtos do mar estão indelevelmente selados com o sinal da morte. O símbolo de uma montanha ardente sendo lançada ao mar denota que a destruição não é causada por nada que esteja dentro das forças humanas, mas provém diretamente de Deus como uma advertência de juízo.

 

A destruição da terça parte dos navios revela que o comércio e a comunicação também sentirão o peso do juízo divino. Exportações e importações serão diminuídas drasticamente. Na Segunda Guerra Mundial houve uma série colossal de afundamentos; cerca de um terço de todos os navios de todas as nações envolvidas com a guerra foi parar no fundo do mar! Um tremendo programa de construção naval substituiu esta perda enorme de navios afundados. Nos dias da Tribulação, entretanto, com os homens e materiais destruídos, essa reposição de perdas não será possível.

 

A Terceira Trombeta (8:10, 11)

 

Rios e fontes de águas sugerem fontes de prazer lucrativo, ou de nações agindo debaixo de influências turbulentas (Apocalipse 16:4, 5;17:15; Jeremias 2:13; Joel 3:18). Quando o terceiro anjo toca, o chamado sai por todas as fontes produtoras de prazeres da terra a fim de que declarem guerra contra o homem. O meteoro, com seus vapores gasosos cobrindo o suprimento de água potável, será absorvidopor um terço das águas, rios e fontes e lembra o que aconteceu na praga egípcia.

 

Neste juízo de terrível severidade uma grande estrela cai do céu simbolizando o instrumento do poder de Deus. Não se deve confundir esta estrela com a estrela cadente sob a quinta trombeta (9:1). Estas duas estrelas distintas são dirigentes espirituais, entretanto, e são vistos como caídos moralmente de suas posições. Céu é o centro e a fonte de autoridade divina (“O céu reina”—Daniel 4:26), e os dirigentes distintos e apóstatas estão sujeitos a esse reinado. Não se nos diz que é o de posição exaltada. (Mas veja Isaías 14:12.)

 

A palavra Absinto não se refere tanto a uma pessoa como descreve sua influência maligna. Alguns escritores identificam a grande estrela com Satanás ou o anticristo. Absinto relaciona-se com artemísia e é a fonte de um óleo indispensável obtido das folhas secas e da parte superior da planta. Como tal simboliza amargura (Deuteronômio 29:18; Jeremias 23:15). O uso contínuo desta bebida produz deteriora­ção mental e até mesmo a morte (Lamentações 3:15, 19). Salomão fala do fim da mulher licenciosa como sendo “amargoso como o absinto” (Provérbios 5:4).

 

A terra deve colher os frutos amargos do pecado pois os suprimentos essenciais são contaminados por esta planta. No tempo da guerra, as nações experimentam o grave problema de ter seu suprimento de água natural e comunitário poluído ou cortado. Na expressão de Sir William Ramsey: “Olhando-se para os ingredientes amargos diluídos na água pela queda desta grande estrela, maravilhamo-nos não de que muitos tenham morrido e, sim, de que alguns tenham sobrevivido.”

 

Todo prazer terreno tem em si o sabor amargo do “absinto” e na Tribulação uma terça parte da terra, em vez de encontrar vida nas fontes das águas vivificantes, encontra a morte. Da mesma forma, Deus pode transformar águas amargas em doces (Êxodo 15:25-27). A área geográfica afetada pelo castigo da amargura é a terça parte, sugerindo que “os passos de Deus desde a misericórdia para o juízo são sempre lentos, relutantes e medidos”.

 

A Quarta Trombeta (8:12, 13)

 

O juízo da quarta trombeta terá grande efeito sobre os amantes da astrologia e que creem ser suas vidas reguladas pelo movimento do sol, da lua e das estrelas. As afirmações encontradas em horóscopos no que diz respeito à sua associação com os acontecimentos do presente ou do futuro é pura bobagem. Nossos dias não estão nas estrelas, mas nas mãos daquele que criou as estrelas! Astronomia é um estudo legítimo e fascinante, mas a astrologia não passa de invencionice dos adivinhos ávidos por dinheiro.

 

O homem fala da fixidez das leis da natureza, mas a ordem que Deus mantém sobre os luminares dos céus declara-o Senhor do universo. No que se refere à luz ou às trevas, ele faz o que lhe agrada, como o descobriram os egípcios ao sofrerem escuridão terrível e verem que os israelitas tinham luz. Ao serem criados, o sol, a lua e as estrelas foram comissionados para dar luz à terra e seu potencial para o bem tem sido sempre grande. Agora, entretanto, o seu benefício é diminuído de um terço, pois o édito de Deus proclama a destruição de uma terça parte deles.

 

Durante a Segunda Guerra Mundial o povo inglês acostumou-se à escuridão durante os ataques aéreos desastrosos. Mas tudo o que o homem pode fazer é destruir a luz artificial. Não pode impedir a luz celestial de brilhar. Durante um desses momentos de escuridão parecia irônico ouvir um oficial gritar a alguém: “Apague essa luz”! ao passo que no céu brilhava uma linda lua, tudo revelando aos atacantes aéreos. Mas aproxima-se uma escuridão divina na qual Deus há de retirar os raios do sol, da lua e das estrelas fazendo com que a terra experimente trevas tais que lhe infundam pavor.

 

O último versículo deste capítulo contém um anúncio alto e universal de três ais que precedem as três últimas trombetas. Estes ais solenes indicam a severidade dos juízos que se seguirão e seu efeito aterrorizador. Estas três últimas trombetas resultarão em uma nova qualidade e grau de desprazer divinos e desastre consequente. O ai é tríplice porque os três piores juízos ainda estão por vir. Ao som das primeiras quatro trombetas revela-se o homem em seus relacionamentos terre­nos. Os homens podem procurar onde desejarem as coisas que lhes deem prazer ou sustento, mas em todos os lugares devem ver a marca do juízo de Deus causada por seu próprio pecado.

 

A Quinta Trombeta (9:1-12)

 

Com o soar das últimas três trombetas passamos do visível para o invisível. Nas trombetas anteriores o homem era visto em seu ambiente material e as coisas vistas pelo olho humano, mas agora, com a quinta trombeta, já não estamos no reino material, mas no espiritual. Apresenta-se uma luz triste sobre este juízo, mas o pior ainda está para acontecer. Nestes versículos temos uma das mais horríveis descrições de devastação jamais escrita, à medida que o quinto anjo apresenta-se a fim de exercer sua missão terrível.

 

Aqui, novamente, a estrela que cai à terra tem sido identificada de várias maneiras. Alguns dizem ser ela descritiva de Satanás sendo lançado do céu, ou do anticristo, ou do falso profeta ou de um sistema político ou religioso. Achamos que a estrela caída pode ser o anticristo, um instrumento escolhido por Satanás a fim de infligir tais cenas de crueldade e derramamento de sangue descritos por João. A esse que foi expulso é entregue “a chave do poço do Abismo”—a cadeia dos demônios. A posse da “chave” significa poder e autoridade sombrias para executar a morte. A fumaça que se levanta do abismo resulta em um exército devastador de gafanhotos. Porfumaça podemos compreender o efeito cegador e lúgubre da ilusão satânica. O retrato que Paulo faz da imitação demoníaca em 2 Tessalonicenses 2:9-12 corres­ponde ao poder que Satanás torna possível para o exército de gafanhotos.

 

Os gafanhotos com poder como escorpiões simbolizam as ordens de agências diabólicas que trazem vingança sobre os culpados, descritos como “os homens que não têm na fronte o selo de Deus” (9:4). Como os 144.000 de Israel estão selados, e portanto, a salvo do juízo (7:3, 4), são as multidões gentias não seladas que devem beber a taça da vingança. Como diz Swete: “Assim como Israel no Egito escapou das pragas que puniram seus vizinhos, assim também o novo Israel é isento do ataque dos gafanhotos que saíram do abismo.”

 

A descrição dos gafanhotos é cheia de significação. Essa praga de gafanhotos baseia-se em pragas similares no Êxodo e em Joel, asquais

nos lembram a natureza terrível da destruição produzida por gafanhotos no reino vegetal. Sob a quinta trombeta eles são o símbolo da terrível natureza do juízo que há de sobrevir aos homens. Os gafanhotos literalmente devastaram o reino vegetal do Egito sob a mão de Moisés, e aqui temos uma figura do juízo destes gafanhotos que saíram do abismo sobre os homens não selados.

 

Os gafanhotos receberam poder semelhante ao dos escorpiões (9:3). Os viajantes do Oriente, onde os escorpiões são comuns, precavêm-se desta criatura, que muitas vezes é encontrada debaixo de pedras soltas e em ruínas, pois suas ferroados são severas e doridas quando perturbados. Com a aparência de lagosta os escorpiões secretam veneno em suas caudas. Esta arma de ataque é um instrumento de dor excruciante, perturbação mental e até mesmo a morte. Os nativos temem a picada do escorpião por causa do sofrimento horrível que ela causa. Nosso Senhor ligou serpente e escorpiões com o poder de Satanás (Lucas 10:19).

 

Foi dito aos escorpiões que não causassem dano à erva da terra (9:4). Por que esta proibição específica? Deus, como Criador, intervém na lei natural outra vez e suspende os hábitos alimentares naturais dos gafanhotos, que geralmente se alimentam de erva, coisas verdes e de árvores. O poupar o mundo vegetal sugere uma preservação temporá­ria das mercadorias mais essenciais. Sob a oitava praga do Egito os gafanhotos destruíram tudo o que era verde (Êxodo 10:12-15). Mas agora o seu consumo de coisas verdes é restringido, e ferem somente aos homens que não pertencem a Deus.

 

Foi-lhes dado poder para atormentar os homens por cinco meses (9:5). Por que somente cinco meses? Esse tempo limitado significa que este juízo não separará os culpados de Deus para sempre e é permitido principalmente para prevenir os pecadores do castigo final que os aguarda se não se arrependerem. Os meses especificados estão da mesma forma relacionados com os gafanhotos porque este é o seu tempo de vida normal (de maio a setembro). O tempo completo de sua vida normal é ocupado com a angústia dos homens. Aqui temos um período breve mas determinado de ais aos indicados para a tortura. Que alívio será para os atormentados que os gafanhotos não vivam mais de cinco meses! Durante a atividade destas criaturas, a angústia humana será indescritível e sem alívio, uma praga horrível e consumi­dora, angustiante ao extremo.

 

Nesses dias os homens buscarão a morte mas não a encontrarão (9:6). O pecado produz tormento, tira todo o prazer da vida e muitas vezes faz com que o pecador deseje a morte. Mas os poderes permitidos de perturbação física não podem matar os homens diretamente, e nisto jaz a advertência ao arrependimento. A morte seria alívio bem-vindo aos que são afligidos tão gravemente, mas ela os ilude. O suicídio não será possível, e o poder de matar é retirado dos próprios gafanhotos, pois a incumbência é apenas de torturar. Que desespero dominará os que desejam terminar sua angústia tirando a vida, mas não podem morrer!

 

A aparência dos gafanhotos era semelhante à de cavalos aparelhados para a guerra (9:7). O pecado acarreta seu próprio castigo, e há sempre forças prontas para atacar o pecador, enquanto peca, como é enfatizado pela descrição contínua dos gafanhotos. Como cavalos aparelhados para a guerra, o exército de gafanhotos está disposto e pronto para executar o mandamento de seu rei. Exércitos hostis, especialmente a cavalaria, são simbolizados por uma invasão de gafanhotos em Jeremias 51:27 e Joel 2. Na Itália e em outros países onde há abundância de gafanhotos, eles são chamados de cavalinhos por causa da semelhança de suas cabeças com as dos cavalos. “A sua aparência é como a de cavalos; e como cavaleiros, assim correm” (Joel 2:4).

 

Os gafanhotos usavam coroas semelhantes ao ouro (9:7). A frase característica semelhantes a sugere soberania falsa. “Coroas” representam vitória e domínio, e “ouro” denota deidade. O homem jamais poderá pecar sem sofrer porque, por decreto divino, a penalidade do pecado sempre será executada. Uma coroa de ouro divinamente conferida jaz sobre a cabeça de Cristo (Apocalipse14:14), mas aqui a dignidade e pretensão de autoridade real são espúrias. Satanás sempre tem sido o imitador do real.

 

Os gafanhotos tinham rostos como de homens (9:7). Aqui, de novo, a palavra como implica que os gafanhotos não tinham rostos humanos reais, mas simples imitações. Sublinhando esta descrição existe o pensamento de que a dor que os gafanhotos infligem não o é de maneira indiscriminada, mas inteligentemente regulada segundo o pecado cometido. Os rostos semelhantes aos dos homens dessas hordas demoníacas, sugerindo inteligência e capacidade humana, dar-lhes-ão terror adicional. Mas, tendo falta da inteligência humana, não podem apelar para o raciocínio humano e agem mecanicamente como lhes fora ordenado.

 

Os gafanhotos tinham dentes como os de leões (9:8). O que sugere mais a destruição do que dentes de leões? O pecado, ao ser avidamente seguido, finalmente destrói o pecador como se sua cabeça fosse literalmente amassada entre os dentes das mandíbulas do leão. A implicação deste símbolo é que os terríveis gafanhotos nascidos da fumaça serão cruéis, selvagens e implacáveis no tormento que causarão.

 

Os gafanhotos tinham, por assim dizer, couraças de ferro (9:9). Esses agentes infernais de tortura são imunes à destruição pessoal.Destituídos de todo sentimento, vêm eles não mostrando piedade nenhuma. O homem não pode desbaratar lhes a defesa. Todo o esforço em afugentá-los será inútil. Arma alguma que o homem possa construir será forte suficiente para conservá-los à distância. Mas para o filho de Deus sempre há proteção contra as forças das trevas. Paulo a chama de “escudo da justiça” (Efésios 6:14).

 

As asas dos gafanhotos faziam um ruído como o de muitos carros que correm ao combate (9:9). Quão vivido é a esta altura o símbolo! “O ruído de suas asas era como o ruído de carros de muitos cavalos que correm ao combate.” O homem não poderá vencer ou fazer retroceder seu juízo merecido pelo poder de suas próprias armas, nem poderá evadir ou escapar dele, pois os exércitos do terror marcharão contra ele de todos os lados. Joel emprega uma descrição semelhante da desesperança total da resistência contra os exércitos atacantes da destruição (Joel 2:5).

 

Os gafanhotos tinham caudas com ferrões (9:10). Os naturalistas dizem-nos que o escorpião sacode a cauda constantemente a fim de atacar, e que o tormento causado por sua picada é muito severo. Outra leitura de Apocalipse 9:10 é: Havia ferrões, e seu poder estava em suas caudas para ferir. Seduzido pelo pecado, apenas para ser destruído por seus dentes como os de leões, o pecador que vai após o pecado certamente há de receber a picada como a de escorpiões.

 

Os gafanhotos tinham rei (9:11). Salomão, um dos maiores naturalis­tas do passado, diz-nos que os gafanhotos comuns não têm rei (Provérbios 20:37). Mas os horríveis escorpiões que João descreve possuem um líder cruel. De Joel aprendemos que a hoste invasora não vagueia sem destino, mas que cada um anda em sua rota designada. As forças destrutivas que João retrata estão sob as ordens do diabo, que é o rei dos poderes infernais. Enquanto o anticristo será a personificação da influência maligna de Satanás, o comandante do exército dos gafanhotos é o próprio Satanás, mencionado como Abadom, e Apoliom (nomes que têm significados similares).

 

Abadom significa “perdição” e é o nome dado ao local de destruição. “Não há cobertura para o Abadom”—isto é, perante Deus (Jó 26:6). Veja também Provérbios 15:11.

 

Apoliom é a forma grega do nome hebraico e significa “destruidor”. Satanás é o rei destas hordas de gafanhotos e é o espírito de destruição que inspira estas hostes terríveis. Este quadro vivido revela Satanás como “o destruidor dos gentios” (Jeremias 4:7)—não somente do cristianismo corrupto, mas também do judaísmo apóstata.

 

Quão significativa é a afirmação: Passado é já um ai! Que alívio é livrar-se do terror da meia-noite e do tormento! Mas os que rejeitam a Deus não terão descanso; o pior ainda está por vir: “Eis que depois disto vêm ainda dois ais.”

 

A Sexta Trombeta (9:13-21)

 

O juízo desta segunda trombeta de ais embora se pareça com o juízo da trombeta anterior, tem natureza muito mais grave. Aos vastos exércitos, aos poderes do cavalo, ao leão, e aos escorpiões são acrescentadas forças novas e desoladoras. As multidões são mais numerosas e as cabeças dos cavalos mais parecidas com as do leão. Ao soar o sexto anjo, João ouve “uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro que estava diante de Deus” (9:13). O altar de ouro estava na presença imediata de Deus e recebia orações e adoração do povo de Deus. Aqui o altar de ouro lembra-nos que os juízos que se seguem vêm em resposta ao clamor dos santos perseguidos e martirizados: “Até quando, ó Senhor?”

 

O quarteto distinto de anjos possui uma missão sombria a realizar, e sua voz autoritária e unida leva a resposta de Deus aos clamores de seus filhos que sofrem. Agora serão vingados. O número quatro é significativo pois é o número da terra e sugere universalidade. Temos as quatro estações do ano e os quatro pontos cardeais. Os quatro metais e as quatro bestas de Daniel 2 e 7 representam os quatro impérios universais—Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma. As quatro divisões da raça humana são nações, tribos, povos e línguas (Apocalipse 7:9).

 

Chifre simboliza força e poder (Salmo 132:17) e o altar de ouro fala do privilégio de adoração e da comunhão que foi possível mediante o sangue derramado no altar de bronze. Acorrentados em obediência amorosa ao altar até o momento necessário, os quatro anjos (escravos do amor de Deus) são libertados para realizar sua tarefa mortal. Este quarteto angelical é diferente dos quatro anjos retentores de 7:1-3, pois a missão daqueles é reter as forças do mal. Aqui os quatro anjos libertam os poderes destruidores e operam na região delimitada do rio Eufrates.

 

O rio Eufrates merece ser chamado grande pois tem 2865 quilôme­tros de extensão e é o rio mais comprido e mais importante da Ásia Ocidental. Na fronteira nordeste da Palestina, este rio constituía-se linha de defesa contra os poderosos inimigos de Israel, os assírios. Às vezes suas águas transbordavam levando tudo o que encontravam pela frente. É por isso que Isaías usou o rio como símbolo da destruição do avanço dos assírios ao executar os juízos divinos sobre Israel (Isaías 8:5-8). Como usado por João, embora o elemento destruidor seja limitado à “terça parte”, o mesmo rio é o local do juízo de Deus sobre o mundo perdido. Foi no Eufrates que o pecado humano teve início e onde Satanás exerceu domínio por tanto tempo. Agora experimenta a punição divina (Apocalipse 9:14; 16:12).

 

Os ministros angélicos da retribuição não podem agir sem o sinal de Deus. São retidos por uma “hora, dia, mês e ano”. Estes períodos de tempo referem-se à retenção dos anjos, e não à duração do ministério da destruição. Por quanto tempo foram retidos não o sabemos. Tudo o que sabemos é que não podem atacar até o momento determinado pelo relógio de Deus. Estavam sempre prontos para desincumbir-se de sua tarefa, mas não foram libertados até que chegasse o momento exato determinado nos conselhos de Deus (9:15). Os juízos de Deus são retidos em suas limitações divinas.

 

Que o juízo do sexto selo será grave e avassalador pode ver-se pela afirmativa de que “a terça parte dos homens” será morta. Sob o terceiro selo a quarta parte foi morta (6:8), e agora morre um terço das três quartas partes restantes. Que morticínio aguarda os habitantes de todo o território associado com o Eufrates!

 

Em 9:16-19 João descreve 200 milhões de cavaleiros. Para o morticínio terrível dos ímpios, Deus ordena que saiam suas reservas, e uma hoste tão invasora e vingativa não é constituída de seres humanos, mas de encarnações demoníacas. As guerras globais fazem com que nos acostumemos a falar e agir em termos de milhões e ver milhões morrerem. Pense nos milhões de milhões de mortes associadas com a Segunda Guerra Mundial!

 

João vê uma época em que Deus há de permitir que um grande e avassalador exército limpe a terra dos que há muito o desprezaram. Um dentre cada três seres humanos sucumbirá nas mãos destes cavaleiros do inferno, cuja armadura de defesa é uma combinação de fogo, de jacinto e de enxofre—símbolos de tormento eterno. Como o expressa J. Stafford Wright:

 

João agora vê todos os horrores da guerra. Em seus dias a cavalaria era uma das forças mais terríveis, e ele vê esta em primeiro lugar. Mas enquanto olha, toma consciência de que estes não são cavalos comuns, mas monstros estranhos que destroem com a fumaça que lhes sai da boca, e de outras bocas na ponta das caudas como as de serpentes. Não há dúvida de que foi permitido a João ver os instrumentos destruidores na forma de artilharia. Sob a inspiração de Satanás, o homem transforma tudo para sua própria des­truição e guerra sucede a guerra.

 

Referências bíblicas quanto às qualidades do cavalo são numerosas, mas pouco se diz do seu uso como animal de carga ou com finalidades agrícolas. Era proibido aos judeus multiplicar cavalos por causa do risco de esses cavalos afastarem-nos do coração de Jeová (Deuteronômio 17:16). O Egito foi famoso por seus cavalos de guerra e nas Escrituras o cavalo é visto como o símbolo da guerra, assim como o asno simboliza a paz. O êxito na guerra e na conquista é associado com os cavalos que João descreve (Apocalipse 6:1-8; Zacarias 6:1-8). Sob a sexta trombeta, os gafanhotos, com sua destruição e agonia, dão lugar aos cavalos—horrendos e pavorosos; agentes agressivos e militares de rapina e morticínio.

 

Tinham cabeça como de leão (9:17). Você já tomou tempo para estudar a cabeça de um leão, num zoológico ou numa foto? Que majestade, coragem, força e audácia suas feições representam! Não é de admirar que se refira ao leão como o rei da selva. Estes cavalos do juízo, com cabeças como de leão, são investidos com todas as qualidades temíveis dos leões.

 

Tinham bocas de fumaça (9:17). Satanás há de armar sua hoste de quatro pernas com uma trindade de forças ofensivas e destruidoras: fogo, fumaça e enxofre. Estes elementos saindo da boca dos cavalos transmitirão ao ímpio um antegosto da agonia do lago do fogo. Arrotando vapores infernais, os cavalos manifestarão prazer diabólico em sua tarefa. Mais referências a estes símbolos de angústia podem ser encontradas em 2:18; 14:10; 19:20.

 

Tinham caudas como serpentes (9:19). Na Escritura, cauda é símbolo de profetas falsos e de ensinamento falso (Isaías 9:14, 15). Seu uso no Apocalipse expressa a influência maligna de Satanás, a falsidade e a injúria (12:4). . .cabeças, e com elas causavam dano” (9:19) mostra que a astúcia de Satanás é dirigida inteligentemente. A cabeça é emblemática do trono do governo moral, da inteligência e do poder (Isaías 7:8, 9; Zacarias 6:11; 1 Coríntios 11:3-10). Que esperança pode ter o pecador contra tal combinação de sutileza satânica e sabedoria mal dirigida?

 

O fato de que a terça parte dos homens é morta pelo fogo, fumaça e enxofre que saem das bocas dos cavalos não exerce nenhum efeito de sobriedade sobre o restante dos homens. O limite da paciência divina foi alcançado, de modo que Deus permite que os merecedores de sua ira colham o que semearam. Esquecimento ou desafio persistente de Deus termina no abandono à sorte merecida. Os apóstatas poupados persistem em sua dureza de coração a despeito dos terrores horríveis dos cavaleiros do inferno. Lemos duas vezes: “Não se arrependeram.” Por causa disto, permite-se ao pecado operar seu juízo inevitável.

 

Ao descrever o período dos fins dos tempos da era gentia, Jesus declarou que “a iniquidade abundará”. Aqui resumimos algumas formas da pior iniquidade durante os últimos dias.

 

Adoravam aos demônios. Demonismo, adoração a Satanás, e magia negra hoje em dia são comuns. Vivemos em um mundo demonizado. João prediz o tempo quando a hoste demoníaca será adorada aberta e universalmente.

 

Adoravam a ídolos. O restante dos homens têm ídolos sem vida, segundo sua posição social. Os ricos têm deuses de ouro e de prata. A classe média possui ídolos de bronze e de pedra. Os pobres têm ídolos de madeira. Desta forma dupla de idolatria, Satanás e ídolos, aparecem os feitos malignos.

 

Eram assassinos. “Não se arrependeram dos seus homicídios.” Nosso Senhor disse que Satanás foi homicida desde o princípio; ele instigou Caim a assassinar seu irmão Abel. Desde o primeiro homicídio do mundo, incontáveis milhões de pessoas têm sido assassinadas, inclusive grandes multidões de crentes como mártires por sua fé. Em nossos dias, a cota de homicídios é assustadora, mas nos dias que João descreve, sendo os homens energizados por Satanás, o homicídio será praticado ainda mais habitualmente.

 

Eram feiticeiros. A feitiçaria e o trato ilícito com os espíritos (que é parte integral do espiritismo ou espiritualismo) aumentaram rapida­mente durante os últimos 50 anos e lançam sombra negra sobre o futuro. Fortemente condenada na Escritura, a feitiçaria encontra sua própria sorte quando o juízo desce sobre todos os que operam com “espíritos familiares”. É interessante notar o fato que a palavra “feiticeiro” é pharmakos no original, de onde nos vem a palavra farmácia. De uma raiz que significa “encantamento” a palavra passou a significar “droga”.

 

A. T. Robertson diz: “A palavra farmácia, como aplicada a drogas e remédios, certamente evoluiu de um péssimo ambiente, mas ainda há um mau odor acerca dos remédios patenteados.” Certamente chega­mos a uma era drogada, quando drogas variadas distorcem as mentes de multidões, especialmente de grande parte da juventude de nossos dias. O arrependimento estará longe dos viciados em narcóticos na era da Tribulação.

 

Eram fornicadores. Quando Deus e a justiça são rejeitados, e quando a impiedade geral prevalece, que mais se pode esperar a não ser a indulgência nas formas mais desabridas da cobiça sem freios? Divórcios fáceis zombam dos laços sagrados do matrimônio. As uniões são quebradas quase tão rapidamente quanto feitas. Nossos padrões morais baixos são sombra da condição corrupta do mundo quando do soar da sexta trombeta.

 

Eram ladrões (9:21). Jamais na história mundial os furtos foram tão generalizados como o são hoje. Roubos de lojas, bancos e outros estabelecimentos comerciais alcançaram um número assustador. A massa de homens que não foram mortos pelos cavaleiros do inferno terão pouco respeito pelos direitos uns dos outros. O evangelho do dia será: “Cada um por si e o diabo por todos.” O homem se enriquecerá às custas do próximo. Gangsters internacionais, sem nenhuma consideração pela propriedade alheia, tornar-se-ão mais comuns à medida que a era se deteriora, mas sua destruição é certa.

 

Antes de tratarmos do parêntese entre as sexta e a sétima trombetas, recapitulemos os significados das primeiras seis.

 

As primeiras quatro trombetas mostram-nos o homem como cidadão de um mundo infestado pelo pecado; tudo acima dele e ao seu redor fala da maldição ocasionada pela queda do homem.

 

quinta trombeta apresenta o homem como pecador, e mostra-nos que o mundo todo “jaz no maligno”. Os pecados do homem, portanto, procedem do diabo, e seus pecados acarretam tormentos enviados pelo inferno.

 

 

sexta trombeta torna claro que os juízos sobrevêm aos pecadores por virtude de leis fixas segundo as quais o pecado deve inevitavelmen­te ocasionar sofrimento. Os juízos divinamente infligidos lembram-nos da verdade que “Deus ira-se contra o ímpio todos os dias”. Ao soar desta trombeta está simbolizada a imposição positiva dos juízos divinos sobre o homem. Uma vez que o homem fica sem desculpa, seu escape do castigo é impossível.